Existem bandas que dão sono, outras oferecem asas esbranquiçadas lotadas de cera em cada pena para que depois da sua chegada ao sol, exista uma queda maior que a subida. E em muitos casos essas pessoas dotadas de instrumentos musicais são capazes de fazer além das duas coisas, usar o que se convém chamar de teletransporte imaculado. Aquele aonde ao se fechar os olhos somos levados à mares de cores fúcsias aonde toda areia ao redor da praia é de um incandescente verde sem precedentes. Nuances que trazem calmaria muitas vezes podem levar um pouco da nossa paciência, ainda mais se você estressado leitor não conseguir manter seu pé parado por mais de um segundo...........
Mas é verdade também que atualmente o mundo em que estamos passando esses anos cenozóicos "mudernos", anda muito louco. Seja pela falta de consideração constante com o ser humano ou pelo desrespeito com a menor possibilidade de gentileza em nossa sociedade. Se você como eu já teve a impressão de que alguma coisa anda fora da nova ordem mundial (AHHHHHHHHHH!!!!!!!!!! Caê não pelo amor de Deus!!!!!!!), então existe a pequena possibilidade de você gostar e muito do novo disco dos KINGS OF CONVENIENCE que tem por título Declaration Of Dependence.
Com lançamento previsto para o dia 02 de outubro, esse novo trabalho da dupla (Erlend Oye e Eirik Boe) norueguesa vem depois de um hiato de quase cinco anos. Não que você vá ver uma grande mudança na sonoridade da banda como no caso do Yo La Tengo. As coisas continuam quase do mesmo jeito de cinco anos atrás. Violões e mais violões, climas bucólicos e canções de uma pegada tão singela quanto cinza, mas então porque raios esse disco se faz necessário??????
Bom, antes de mais nada existe uma característica diferente sim nesse disco. As 13 músicas apesar de serem aparentemente uma faixa só dividida em vários pedaços, trazem codificações diferentes. Explico:
Para quem nunca ouviu os caras na vida, os cortes rápidos entre as faixas são como um suspiro entre cenas. É como ver tomadas de um filme que tem erros de edição, a cada cena aparece um clarão escuro na tela. E nesses clarões seu cérebro delicadamente se desloca para mais alto e profundo, deixando a sensação de milésimos de segundo aonde existe um vácuo dentro de seu pulmão. Aonde o ar é impedido de entrar porque o som das cordas e as vozes angelicalmente postadas da dupla acabam de encher todos os espaços vazios dentro do seu peito...........
Depois de ouvir o disco eu percebi que ele pode ser dividido em trilogias. E por mais nerdesco que esse pensamento seja, as coisas talvez funcionem melhor desse jeito.
24-25 é de começo lento. A faixa de abertura é quase lamento cantado em dupla. Tem a marca registrada apenas com as vozes, os violões e uma letra de refrão tenebroso (will you just kill me today or you just will scar me today????). Fala de solidão de uma maneira que a faixa possa ser ouvida por menores de dezoito anos. Simples e bela, direta e curta. Mr. Cold é quase uma continuação da primeira canção em termos poéticos. Os violões ganham um suíngue contrastante com a aspereza da letra e as linhas de notas descrevem desencontros em formas de claves. Ao fundo uma linha de violinos e cellos mostram que essa faixa é transição para o samba-bossa nova merengueano de Me and You. Um minuto.........
Samba????? Bossa????? Merengue?????? Meu.......joga esse disco fora!!!!!!!!! Não tem nada tipo assim Future Of The Left????? Dead Kennedys?????
Não ramônico leitor, não espere nada disso..........ainda mais nessa terceira faixa, aonde você é jogado dentro do seriado Maysa sem ser avisado. Praias e maiôs vintage são a tônica dessa música que tem uma brisa de fim de tarde dentro de um jardim com árvores primaveris. Seria a música perfeita para as colheitas do Farmville do Facebook (e isso não é uma piada!!!!). Fim da primeira trilogia...........
Se a primeira música do disco fala de desencontros, Boat Behind é exatamente ao contrário. O que não quer dizer que seja uma canção feliz, mesmo o ritmo ditado novamente pelos violinos e as frases dos violões serem um pouco mais rápidas (e quando eu digo rápidas não quer dizer velozes.....). Sem vergonha nenhuma inclusive você pode bater seu pé esquerdo e balançar a cabeça vagarosamente com esse som, mesmo porque o breque jazzístico permite.
A linha "acelerada" continua em Rule My World, aonde os violões já viajam mais na melodia e mesmo sendo a faixas mais curta do álbum, seu pé ainda estará batendo contra o chão do jardim.
Tudo se torna mais vagaroso com My Ship Isn´t Pretty, as letras continuam de se matar mas com uma sutileza e beleza ímpares dando um certo ar barroco à essa canção. Se você gosta do peso, da martelada então você não consegue ouvir esse disco até essa faixa, tamanha a melancolia plastificada em beleza desse som. Mas como gosto não se discute...............
Renegade, com título de música do Rage Against The Machine, tem uma clareza de sentimentos espetacular. Harmonias que se colidem derretendo o mais ferrífero coração. E mesmo tendo quatro minutos ela passa rápido demais e termina como algumas outras músicas desse disco, subitamente e de forma a deixar aquele tal suspiro no ar.
Power Of Not Knowing e Peacetime Resistence parecem faixas separadas ao nascer, com um suíngue dentro da lentidão. Com certeza as duas estão entre as melhores faixas do trabalho do KC, e os violinos da segunda faixa trazem uma linha ainda mais suingada para a melodia. Nessa altura do campeonato você já pode até inclusive pedir um copo de Allary, acender seu cigarro Astoria e relaxar ao som da brisa oceânica com seu chapéu Mossant........
O ritmo barzinho intimista continua com Freedom And It´s Owner. Levada de uma maneira mais do que competente, com direito à paradas estratégicas dentro da melodia esse som mostra que um piano sempre faz a diferença quando o quesito é a leveza.
Scars Of Land volta a diminuir o ritmo, aliás vale uma observação:
Em um disco aonde a beleza das canções são a tônica, você já leu títulos de músicas mais esquisitos que esses dos caras?????
Mas o som ainda segue uma linha básica iniciada lá no começo do disco. Nessa altura aquela máxima de que em time que está ganhando não se mexe fica mais do que evidente. E isso seria um problema para a maioria das bandas hoje em dia. Mas o que faz então que esse som que poderia ser mais do mesmo em qualquer outro disco, seja assim tão urgente?????
Talvez a combinação das vozes, que não deixam transparecer erros. Ou esse manto de serenidade que faz com que você se sinta compelido a não parar de escutar.
Mas existe uma coisa além de tudo isso.................
Como é incrível o sentir-se bem quando você ouve esse disco dos reis da conveniência. Por mais que a letra seja pesada e os ritmos fiquem loopando dentro de sua cabeça, existe algo no seu sistema que exageradamente libera uma fase de sorrisos inacabáveis durante a audição de Declaration Of Dependence. Talvez por isso a dupla seja tão idolatrada..........
As duas músicas finais são prova disso, Second To Numb e Riot On A Empty Street tem a capacidade de colocarem sorrisos dentro de potes e entrega-los dentro da sua casa com mais facilidade que o sistema de correios que está em greve. E não tem nada de novo em nenhuma dessas músicas, mas todas as cores fúcsias estão lá, pulsando fortemente contra o vento daquele jardim aonde a dupla te colocou calmamente. Deixando o ouvinte lá apenas para admirar o quanto toda a geometria bucólica encaixa perfeitamente com as notas que se ouve ao longe.
A linha "acelerada" continua em Rule My World, aonde os violões já viajam mais na melodia e mesmo sendo a faixas mais curta do álbum, seu pé ainda estará batendo contra o chão do jardim.
Tudo se torna mais vagaroso com My Ship Isn´t Pretty, as letras continuam de se matar mas com uma sutileza e beleza ímpares dando um certo ar barroco à essa canção. Se você gosta do peso, da martelada então você não consegue ouvir esse disco até essa faixa, tamanha a melancolia plastificada em beleza desse som. Mas como gosto não se discute...............
Renegade, com título de música do Rage Against The Machine, tem uma clareza de sentimentos espetacular. Harmonias que se colidem derretendo o mais ferrífero coração. E mesmo tendo quatro minutos ela passa rápido demais e termina como algumas outras músicas desse disco, subitamente e de forma a deixar aquele tal suspiro no ar.
Power Of Not Knowing e Peacetime Resistence parecem faixas separadas ao nascer, com um suíngue dentro da lentidão. Com certeza as duas estão entre as melhores faixas do trabalho do KC, e os violinos da segunda faixa trazem uma linha ainda mais suingada para a melodia. Nessa altura do campeonato você já pode até inclusive pedir um copo de Allary, acender seu cigarro Astoria e relaxar ao som da brisa oceânica com seu chapéu Mossant........
O ritmo barzinho intimista continua com Freedom And It´s Owner. Levada de uma maneira mais do que competente, com direito à paradas estratégicas dentro da melodia esse som mostra que um piano sempre faz a diferença quando o quesito é a leveza.
Scars Of Land volta a diminuir o ritmo, aliás vale uma observação:
Em um disco aonde a beleza das canções são a tônica, você já leu títulos de músicas mais esquisitos que esses dos caras?????
Mas o som ainda segue uma linha básica iniciada lá no começo do disco. Nessa altura aquela máxima de que em time que está ganhando não se mexe fica mais do que evidente. E isso seria um problema para a maioria das bandas hoje em dia. Mas o que faz então que esse som que poderia ser mais do mesmo em qualquer outro disco, seja assim tão urgente?????
Talvez a combinação das vozes, que não deixam transparecer erros. Ou esse manto de serenidade que faz com que você se sinta compelido a não parar de escutar.
Mas existe uma coisa além de tudo isso.................
Como é incrível o sentir-se bem quando você ouve esse disco dos reis da conveniência. Por mais que a letra seja pesada e os ritmos fiquem loopando dentro de sua cabeça, existe algo no seu sistema que exageradamente libera uma fase de sorrisos inacabáveis durante a audição de Declaration Of Dependence. Talvez por isso a dupla seja tão idolatrada..........
As duas músicas finais são prova disso, Second To Numb e Riot On A Empty Street tem a capacidade de colocarem sorrisos dentro de potes e entrega-los dentro da sua casa com mais facilidade que o sistema de correios que está em greve. E não tem nada de novo em nenhuma dessas músicas, mas todas as cores fúcsias estão lá, pulsando fortemente contra o vento daquele jardim aonde a dupla te colocou calmamente. Deixando o ouvinte lá apenas para admirar o quanto toda a geometria bucólica encaixa perfeitamente com as notas que se ouve ao longe.
Riot On A Empty Street
O mundo anda complicado, sujo, desonesto e a matrix anda aprontando das suas........
Talvez os Kings Of Convenience sejam amigos do agente Smith colocados aqui dentro para trazer uma nuvem opiácea de bem estar em todos os que escutam seu disco. Pode ser que eu esteja sendo paranóico demais ou até marxista demais. A única coisa certa é que se existe mágica no ato de se ouvir uma música, os noruegueses do KC dominam como poucos a arte de fazer truques. Afinal de contas qual o problema de sorrir sem motivo??????
Talvez os Kings Of Convenience sejam amigos do agente Smith colocados aqui dentro para trazer uma nuvem opiácea de bem estar em todos os que escutam seu disco. Pode ser que eu esteja sendo paranóico demais ou até marxista demais. A única coisa certa é que se existe mágica no ato de se ouvir uma música, os noruegueses do KC dominam como poucos a arte de fazer truques. Afinal de contas qual o problema de sorrir sem motivo??????
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