segunda-feira, 30 de novembro de 2009

GD 17.......DEUS É ANDY KAUFMAN


Sexta feira dia 27 de novembro de 2009.
O tempo na cidade de São Paulo durante todos os microsegundos passados em ritmo de valsa alemã, mostravam que toda a acidez daquele calor que emanava por entre o concreto e transpassava como lâmina cortante por entre os corpos das pessoas que andavam desavisadas, era apenas um sinal de que uma pequena batalha celestial estava prestes à acontecer.........
Iniciamente o campo de batalha estava preenchido apenas do lado e fora. O portão aonde aconteceria a guerra pelas almas abriria apenas as 16:00, mas já se podia perceber toda a fúria em acalanto dos guerreiros repousando em seus elmos pontiagudos e suas proteções contra a chuva ácida que se encaminhava através das nuvens cada vez mais cinzas.........
Em uma mesa, a milhas de distância da arena, sentados e conversando sobre as melhores táticas de guerra, quatro cavaleiros se preparavam mentalmente para a batalha que haveria de consumir toda a energia reservada durante a semana. Um silêncio ensurdecedor por muitas vezes deixava-os em estado de concentração alfa muito maior do que se podia pedir para os exércitos chineses nos tempos de samurais hatorianos. Em em suas cabeças apenas a certeza de que se é necessário a proteção divina durante o banho de sangue que uma épica jornada prescreve, ele seria feito por entre litros e litros de água que estava prestes a despencar do céu.
Um trovão reluzente marcado por um grito gutural de tribo mostrava aos cavaleiros que os portões haviam sido abertos. Nesse momento palavras não existem ou teimam em não aparecer, por isso, os entrecantos foram revelados pelos olhares ansiosos e temerosos dos quatro.
Com toda as armaduras em riste e prontos, eles deram os primeiros passos em direção à arena. O que demoraria algumas léguas de tempo devido à presença de inúmeros monstros de quatro rodas que aglomeravam-se por entre as trilhas traçadas no plano de ataque pelos cavaleiros, que nesse momento por alguns segundos conseguiram entender que a batalha começara já desde as primeiras horas do dia, mas os soldados vestidos de preto que caminhavam por entre as ruas da cidade não conseguiram ver.........
O clima foi o campo de disputa dessa primeira batalha. De um lado o calor infernal tomava conta dos seres humanos e das almas. Era como se as portas do inferno dantesco se abrissem e liberassem ordas de anjos vermelhos com asas flamejantes que durante vôos rasantes despejavam quilos e quilos de lava em cima das cabeças dos seres humanos, mostrando que sim hell ain´t a bad place. E nos momentos em que o calor se tornava arrebatador, águas celestiais eram despejadas com fúria pelos céus. Sim Deus e o Diabo já começavam a mover seus peões........
Em uma das ondas de água despejadas, os quatro cavaleiros andavam com força determinante em direção das vozes que já eram ouvidas pelos quatro cantos daquela região em estado de guerra. Calmos e observadores percebiam que nenhuma daquelas almas que andavam em direção de seu destino que seria escrito através de sons estavam preparadas para a violência dessa guerra. Mas mesmo assim não era a missão deles alertar os peões, a batalha era a única coisa que interessava.
A chuva havia passado e a noite negra parecia ter abduzido todas as camadas de luz possíveis dentro das ruas. O Diabo estava movimentando suas peças mais uma vez, e agora a cegueira seria a arma usada. Os quatro já percebiam que os soldados estavam se aglomerando e entrando na arena, e o número deles aumentava a cada metro percorrido. Ordas humanas armadas de latas de cerveja, baseados e chapéus com luzes piscantes mostravam que os exércitos estavam sim com uma vontade gladiadora de guerra e assim a sensação de que a batalha sangrenta e final estaria se aproximando se mostrou cada vez mais palpável e presente.
No lado de fora da arena os soldados eram dispostos em filas que cada vez mais iam diminuindo de tamanho como em um vaso de sangue que se transforma de artéria em capilar em fração de centímetros. Na porta de entrada seguranças, que por segundos conferiam se todo o aparato dos guerreiros estavam em ordem. O gosto de sangue de batalhas épicas já era possível de ser sentido dentro de todas as narinas..........
Quando os quatro cavaleiros estavam seguindo em direção à rampa de entrada uma imagem grudou em cada retina e provavelmente vai assombrar a cabeças deles por toda a eternidade. Um mar de luzes reluzentes e piscantes em forma de chifres tomavam conta de toda a arena. A dúvida se o Diabo estava já ganhando esse jogo de tabuleiro permanecia no ar. Mas como todo soldado embuído de sua missão os quatro continuavam a descida. A visão deles era algo parecido com isso:



Assombrados tomaram seus lugares no campo de batalha.Um gosto amargo seguido de pulsações fortes das artérias centrais e coronarianas mostravam o peito de todos soldados eram feitos de pele retrátil. Em cada rosto uma marca de alegria e ansiedade marcavam os minutos de espera. Um dos cavaleiros olha para o lado superior esquerdo e em uma das torres que marcavam o território da luta e consegue ver Deus que fazia um sinal para que seus exércitos começassem à atacar. Algumas gotas de chuva santa saltavam por entre os corpos. Do outro lado, Lúcifer iniciava seus movimentos violentos desse jeito:



Os quatro cavaleiros foram jogados para cima em um movimento humano cíclico. A cada salto uma lâmina formada por seis cordas bradava emissões sonoras que pareciam cortar cada pedaço da atmosfera com uma velocidade e força digna de seres mitológicos. Um trem desgovernado que não seria capaz de ser seguro muito menos contido em toda a sua força. A luta já havia começado e por entre as três primeiras músicas dessa guerra o que se viu foi nada mais ou menos que almas sendo entregues de maneira coletiva. Os soldados sentiam cada som como se fosse o último. Começava a se formar uma onda de pessoas que despejaria energia longe dos limites geográficos da arena. Os coros o sons hipnóticos e coletivos eram ouvidos ao longe, e os seres humanos que não participaram dessa batalha do dia 27 apenas podiam imaginar o que se passava dentro da arena.



Os quatro generais que comandavam as ações no campo de batalha pareciam trabalhar para os dois lados do confronto. E isso foi uma coisa que chamou atenção dos quatro cavaleiros. A cada sucessão de notas e batidas infernais, uma outra quantidade de carisma era despejado em cima das pessoas. Com uma demolidora linha de frente onde o general Angus se destacava mostrando que todos os anos de batalha não o deixaram enfraquecido. Tamanha foi a quantidade de quilômetros que ele andou no palco. Não parava um minuto com sua dança desconexa de guerra. Suas pernas regiam todos os soldados em movimentos e mesmo quando seu discurso na guitarra se tornou extenso, a onda humana estava completamente em transe profundo. Não havia mais volta e a energia explodia a cada grito da platéia. E nesse momento Deus e o Diabo se amalgamaram em uma só nota.........



Durante duas horas o que se viu dentro daquela arena foi algo que apenas pode ser visto em terras estrangeiras. Catarse pura e violenta, que seria muito mais facilmente ilustrada se você fosse amarrado na ponta de uma avião Concorde e viajasse do lado de fora sentindo toda a velocidade da aeronave passar pela sua pele. O que se podia ouvir era um coro em uníssono formado por quase 70.000 soldados sedentos por notas cada vez mais altas. Na guerra pelas almas, apenas um só coro de vozes. Muitas vezes mais alto que a própria voz de Brian Johnson, que ao se pendurar na corda do sino do inferno pode apreciar toda a onda humana de vozes que cobria o Morumbi.........
Um tapete de gente que cobria todo o chão e não deixava espaço para que o ar escapasse.



Os estrondosos canhões que marcaram o final da batalha, saudaram todos os soldados que durante um par de horas magistralmente mágicas trocaram a alma com os quatro generais do apocalipse. A sensação que se tinha é que mais do que uma guerra, havia acontecido um ritual de magia em que um coletivo consciente foi colocado em hipnose de massa. Restando apenas sorrisos alargados pela sensação de que todos presentes ali tinham visto uma das melhores apresentações do ano, se não a melhor. Ao final com fogos de artifício e durante a incrível calmaria da saída da arena a impressão que se tinha não era de que ninguém havia perdido a sua alma, e sim elas estavam lavadas e abençoadas.
Nesse instante um dos quatro cavaleiros volta a observar as torres e as figuras de Deus e o Diabo parecem sorrir do mesmo modo, e seus corpos vão se fundindo um receptáculo humano só. É aí que Deus mostra a sua verdadeira face e ela é de Andy Kaufman. Que sorri e acende um cigarro. Sabe lá no fundo que por entre as vozes e o suor deixado no campo de batalha a vitória foi mais uma vez da alegria de se poder viver momentos como esse:



E esse foi o set list da batalha:

Rock N' Roll Train
Hell Ain't a Bad Place to Be
Back in Black
Big Jack
Dirty Deeds Done Dirt Cheap
Shot Down in Flames
Thunderstruck
Black Ice
The Jack
Hells Bells
Shoot to Thrill
War Machine
Dog Eat Dog
You Shook Me All Night Long
T.N.T.
Whole Lotta Rosie
Let There Be Rock

Bis:
Highway to Hell
For Those About to Rock (We Salute You)

Um amigo meu que estava no show reclamou que o show de 1996 foi melhor. Passei o fim de semana pensando nisso, e minha resposta é:

FODA-SE 1996!!!!!!!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

GD 16.....ELES SÃO OS FAMOSOS 16 TONELADAS.....

Quando Sam Neil passou pelos portões aonde as letras gigantes o situavam geograficamente no lugar onde estava, jamais deve ter passado pela cabeça do paleontólogo mais famoso do cinema que o que assombraria a sua cabeça nas próximas horas seria um violento e imbatível Tiranossauro Rex........
Hoje Shampan City amanheceu com ares de pós tempestade. O céu cinza da cidade alagada mostra que estamos todos ilhados sempre à mercê das forças da natureza e esperando o próximo congestionamento chegar quilometricamente instalado por entre as neuroses coletivas. Hoje estamos na verdade no olho do furacão esperando o encontro com talvez o maior tiranossauro existente dentro do nosso parque jurássico formado por notas..........
Tudo começa em 1943, mais precisamente no dia 9 de julho. Nascia uma das engrenagens fundamentais de uma usina de força com tamanha capacidade de transformar trovões em sons claustrofóbicos que durante 30 anos ela funciona com sua capacidade total e ainda por cima não dá nenhum sinal de blecaute!!!!!!!!
Ronald Belford Scott, que mais adiante seria a tal da "Problem Child" citada na música do disco Dirty Deeds Done Dirt Cheap, passou um tempo preso e sempre gostou alcólicamente de líquidos voláteis. Perfeitamente encaixado nesse contexto não poderia seguir outro caminho que não fosse o octacubanobutanismo. Mas apenas depois de 12 anos é que nasceria a segunda e vital engrenagem desse trem supersônico, uma moleque franzino de uma família escocesa que se chama Angus Mitchell Young..........
Pulamos para 1963, quando a família Young passava por dificuldades financeiras e o patriarca resolve então mudar para as terras "down under". Cangurus e crocodilos os receberam de braços abertos e sete anos depois Angus seria expulso do colégio. Não se consegue fazer com que os índigos sejam domados facilmente, então a guitarra passou a ter importância devida dentro do clã Young. E assim pulamos para 1973..........
Na passagem do ano o primeiro show do AC/DC aconteceu em um clube chamado Chequers em Sidney. A banda tinha o vocalista Dave Evans e tocava ainda muitas covers, o que não impediu de alguns meses depois gravar seu primeiro registro. Mas a ferocidade ainda estava longe de ser a tônica e no mesmo ano de 1974 Angus Young e Bon Scott amalgamaram a mais sólida liga de adamantium já vista dentro da história do rock. Dave Evans........aquele abraço!!!!!!!
Os primeiros registros em vinil da banda (High Voltage e T.N.T.), foram lançados no comércio australiano local, mas mesmo assim com o segundo a banda consegue um contrato para lançamento mundial o que faz com que todo mundo se instale na famosa ilha inglesa ( qualquer semelhança com o parque jurássico é mera coincidência). A banda já tinha a formação clássica que manteve até 1977 com Phill Rudd, Malcom e Angus Young, Mark Evans (que foi substituído por Cliff Willians) e Bon Scott.

O que já chamava atenção desde os primórdios do AC/DC é que tudo era feito de uma maneira desprenteciosamente calculada. O que aliás é uma das marcas da banda até hoje, você não escuta AC/DC para ter iluminação espiritual, muito menos para gritar contra as injustiças do mundo.
Não vai ver pregações Bono Voxianas sobre o I.R.A. ou a dívida externa dos países terceiro mundistas, mas sim o que lhe é atirado no meio da cara é diversão no estado mais puro e genuíno da palavra. Não tem enrolação nem discursos fantasiados de intelecto godariano velloso, todas as notas são cruas e secas e a cada acorde e frase de bateria é como se você tomasse uma direto de Ali. A energia é tamanha que provavelmente sua cabeça vai gerar fagulhas durante muitas horas ainda. Efeito colateral derivado da simples vontade do seu corpo manter o alto grau de adrenalina provida através de riffs colegiais incandescentes. E o rock meu atordoado leitor não é nada além disso..........
A melhor coisa da formação clássica do AC/DC era exatamente essa assumida canalhice e vadiagem, tatuada com pena na pele de Bon Scott. Fanfarrão e bebedor assumido com suas letras sobre o nada, seria ele o percurssor da idéia que Seinfield teve anos depois???????
Não sei, mas a diversão escrachada em letras como High Voltage ou mesmo Dirty Deeds Done Dirt Cheap vão sempre ser as memórias mais latentes e que abrem um sorriso bêbado em sua cara. É insano, gutural e fodásticamente divertido.............
Mas como sempre tem o mas........
Em 1980 o mago hiperativo da diversão Bon Scott foi encontrado morto. Terminava ali uma era, mas é incrível quando a banda tem a magia da vida eterna como as coisas se encaixam cosmicamente. E foi o primeiro vocalista do AC/DC à descobrir Brian Johnson que se tornaria a voz que marcou outra era da história da banda. Bon assistiu uma apresentação de Brian aonde ele terminava caindo no chão e sendo levado embora em uma cadeira de rodas. O que parecia encenação na verdade era uma crise de apendicite.........
Nesses tempos a banda já era uma máquina de fazer hits poderosos, e seus shows começavam a ter o status de espetáculos. Com Back In Black (álbum que ficou 131 semanas na Billboard e alanvancou a banda como maior vendedora de discos perdendo apenas para os Beatles), estava demarcado o território. Esse tiranossauro movido por cordas e acordes rugia com força de trovão e não parou mais de manter a volátil e vulcânica força..........

Turnê após turnê e disco após disco a banda se mostra fiel ao estilo e a atitude adotada poderia ser fraqueza de idéias, mas nesse caso é catapulta medieval que faz estragos na era digitalizada. Isso jamais parou a locomotiva que estaciona hoje no Morumbi.
Serão pelo menos duas horas de diversão, suor sublimado através de riffs que atordoarão até os surdos. Assistir uma banda como eles tem a mesma sensação de ser perseguido como Sam Neil em Jurassic Park, você sabe que o monstro vai diretamente para a sua carótida e que a tempestade de raios vai eletrocutar cada célula do seu corpo. Não há muito o que fazer........
Você apenas abre um sorriso bêbado e sente-se abençoado pelo atropelamento que se segue, Morrissey não poderia estar mais certo......
E se um trem de dez toneladas bater diretamente em nós........
Ser atropelado assim....é uma maneira celestial de ser atropelado!!!!!!!!!!!


Obs cruel 1: bom show à todos e cheguem cedo. Usem meios de transportes coletivos, afinal de contas hoje é sexta feira e o trânsito nas proximidades do Morumbi vai estar em moldes de Highway To Hell.......

Obs cruel 2: Parabéns e boa sorte Nasi!!!!! Você vai precisar!!!!!



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

GD 16 VAI LÁ MEU BRASIL-IL-IL-IL-IL!!!!!!!!!



O ano nem acabou ainda e 2010 e seus festivais já estão causando a maior correria dentro do cenário musical. Começou com o esgotamento de todos os ingressos para Glastonbury em apenas 48 horas. Isso porque apenas o U2 foi confirmado como atração para o famoso festival que acontece apenas um junho do ano que vem. Provavelmente já tem gente querendo o dinheiro de volta!!!!!!!!
Aqui no Brasil as atenções estão voltadas como sempre para os boatos, sejam eles sobre a volta do Rock In Rio para a cidade de origem, as conversações com Perry Farrel sobre uma versão tupiniquim do Lollapalooza ou as notícias mais concretas que chegam via twitter sobre o Woodstock brasileiro. Sim as conversações estão acontecendo e Eduardo Fisher, empresário responsável pela organização de tudo nas terras tropicanas já realizou até enquete virtual para saber aonde o festival deveria acontecer.
E para nenhuma surpresa a opção ganhadora foi uma fazendo sustentável distante da capital paulistana pelo menos 100 Km. Além do apoio da secretária de turismo do estado, pouco se sabe à respeito de mais informações, mas existe uma quase afirmação de que a cidade seria Itu e o local na fazenda Maeda, famosa pelas raves que acontecem por lá, que aliás são todas organizadas por uma das empresas que está trabalhando na produção do festival.
E uma outra boa notícia para os brazucas, é que um dos mais importantes festivais de nossos tempos, o SXSW ( South by Southwest) que acontece em Austin no estado do Texas na Barackolândia entre os dias 12 à 21 de março, já tem em sua lista de bandas atrações nacionais.

O festival é de importância seminal no cenário. Primeiro porque não é apenas sobre música. Cinema , tecnologia, debates sobre a indústria e o futuro, poesia e acordeões tocados no fim de festa marcam toda uma programação que o ano passado teve a participação de nada mais nada menos que 1500 bandas. E não são apenas ilustres desconhecidos que participam dessa poluição sonora de boa ressonância no ouvido médio. Nomes como R.E.M., The Raveonettes e Vampire Weekend (apenas para citar alguns) faziam parte do festival o ano passado.
Outra coisa sensacional do SXSW é que os shows podem ocorrer em palcos "normais" de festivais ou em bares sujos fedendo à cigarro e sujeira ( em Austin ainda é permitido fumar dentro de lugares públicos). Não é incomum cruzar com qualquer figurinha carimbada do mundo da música perdido pelas ruas procurando alguma coisa no meio de uma programação gigantesca. Artista plásticos, skatistas e outros seres reptilianos, sem contar a feira de expositores que acontece dentro do festival apresentando empresas relacionadas com a indústria do cinema, música, educação e tecnologia.
Ou seja é acontecimento de proporções mostruosas e desde sempre é o lugar onde estar se você quiser conferir tudo o que está acontecendo de novo em termos de boa música (e muito mais).
Pois bem a organização do festival soltou ontem a lista das primeiras 230 atrações do festival, sim eu escrevi DUZENTAS E TRINTA.............
O ano passado o Brasil já tinha levado uma boa quantidade de bandas com os destaques de Lucy And The Popsonics e Curumim, apesar de alguns desfalques de última hora. E em 2010 a presença brazuca está garantida, por enquanto com os seguintes nomes:

CANJA RAVE ( Porto Alegre)
JULIA SAYS (São Paulo)
L.A.B. (Novo Hamburgo)
VANDER LEE ( Belo Horizonte)
NATHALIA MALLO ( São Paulo)
MEGAREX ( São Paulo)
MOXINE (São Paulo)
RIVER RAID ( Recife)
M. TAKARA (Guarulhos)

Nessa lista ainda aparecem bandas sensacionais como Boxer Rebellion e The Brunettes, mas se você quiser conferir a lista toda clica AQUI.
Sobre as bandas brazucas você pode dar uma olhada lá na coluna lateral de bandas citadas, mas antes você pode espiar esses vídeos aqui:







Ainda hoje, mais uma das listinhas de fim de ano o fino da bossa!!!!!!!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

GD 16.....AHHHHH AS LISTINHAS DE FIM DE ANO......

Olha que eu acho que realmente o mundo vai acabar antes de 2012, afinal de contas elegeram uma música da Beyoncé como a melhor da década. Crazy In Love, que já foi versão cover de bandas como o Snow Patrol por exemplo, é a compilação de notas ganhadora. Seguida de perto por Time To Pretend do MGMT. A lista toda é essa:

1- Beyoncé - "Crazy In Love"
2- MGMT - "Time To Pretend"
3- The Strokes - "Hard To Explain"
4- MIA - "Paper Planes"
5- OutKast - "Hey Ya!"
6- The Rapture - "House Of Jealous Lovers"
7- Klaxons - "Golden Skans"
8- Blur - "Out Of Time"
9- Arcade Fire - "Rebellion (Lies)"
10- Arctic Monkeys - "A Certain Romance"
11- The Libertines - "Can't Stand Me Now"
12- The Streets - "Dry Your Eyes"
13- The Walkmen - "The Rat"
14- The White Stripes - "Seven Nation Army"
15- Yeah Yeah Yeahs - "Bang"
16- Rihanna - "Umbrella"
17- Yeah Yeah Yeahs - "Maps"
18- OutKast - "Ms Jackson"
19- Radiohead - "Reckoner"
20- Hot Chip - "Over And Over"

E ainda tem na lista Rihanna com a insuportável Umbrella.
Listas são sempre coisas muito sem a mínima noção de parcialidade, por isso nesse fim de ano aqui no GD as listas serão como sempre o fino da bossa.........
E vamos começar...........

LISTA 01 OS MELHORES SHOWS DE 2009 QUE NÃO VIMOS!!!!!!
05) BLUR, com sua volta " in it for the money"



04) CAKE.

O maior bolo com gosto de trocadalho do carilho sem graça. Mais uma vez o Indie Festival mostrou que é sim um programa de indieo!!!!! Nem ao menos SFA e Gogol salvaram a organização durante o apagão......



03) YEAH YEAH YEAHS.

Estava na escalação do Planeta Terra, mas como o problema dinheiro foi maior do que marcar dois shows no mesmo dia na mesma cidade, Karen O´não deu às caras nas terras tupiniquins.




02) THEM CROOKED VULTURES

Como senão bastasse dois festivais no mesmo dia, ainda queriam trazer o supergrupo que está explodindo sinapses por aí para tocar junto com Sting e Raoni. Sem contar Lenine e Arnaldo Antunes!!!!!!!!




01) KINGS OF LEON

Esse vai ficar na história. Desde o início do ano todas as bocas diziam que os Followill iriam abordar mais uma vez o Brasil, só que agora com nome na praça e no momento de maior sucesso comercial da banda. Disseram e prometeram. Seguraram a informação até a última hora para no fim (faltando apenas duas semanas pro festival), dizer que não foi dessa vez que as pessoas iriam shake heartbreaker ......



Mas nem só de listas vive-se no fim de ano. A banda THE FUTUREHEADS, há três anos atrás eram cotados como a salvação da lavoura com o disco de estréia que levava o nome da banda.
Com o segundo cd News and Tributes tornaram-se queridinhos dos alternativos e o ano passado lançaram o bom This Is Not The World. Mas nesse fim de ano a banda resolveu soltar o primeiro single do novo trabalho que deve sair mais para o final desse ano ou começinho de 2010. A música se chama STRUCK DUMB e vai ficar por uma semana na faixa para baxar. Mas você pode escuta-la aqui no GD em primeira mão........






terça-feira, 24 de novembro de 2009

GD 16 TRILHAS SONORAS AMOROSAS E FANTASMAGÓRICAS

Estou ouvindo nesse exato momento duas trilhas sonoras. Primeiro é a do filme Juno, que aliás é um dos meus preferidos. Seja pelo roteiro cheio de citações e bem sacado ou pelos atores, todos sensacionais.
Tenho o costume de assistir um filme pelo menos umas 5 vezes. Não me pergunte por que dessa mania, mas eu tenho. 2001 eu já assisti 22 vezes, Quase Famosos umas 15 e por aí vai........
Mas dessa sexta vez que assisti Juno eu resolvi prestar atenção na trilha sonora. Não que não o tivesse feito das outras vezes, mas dessa vez não me distrai com Jennifer Gardner e ficou tudo mais claro, aliás ficou tudo mais lindo e cheio de nuances de cor azul fúcsia..........
O filme da adolescente grávida é sutil até o último talo de lágrima que desce pelas sua face na cena em que Vanessa conversa com a barriga de Juno dentro do shopping. Ou mesmo quando no pós parto, Michel Cera após bater o recorde em uma prova de atletismo corre para o hospital e fica abraçado com ela o tempo todo.
Não é só porque a cena tem todo um toque de épico, onde o grande guerreiro após vencer uma batalha volta aos braços de sua amada em sofrimento com o nascimento de seu próprio filho. Mas toda a sutileza das duas lágrimas que caem do rosto de Juno nesse momento tão ardorosamente sublime fazem desse filme uma sucessão de pequenas notas com cheiros agridoces e de beleza ímpar. E a trilha segue nessa linha de sutilezas mostruosamente sensacionais. Mesmo quando apenas as intervenções pequenas de Kimya Dawson em um minuto fazem sua cabeça flutuar por nuvens cheias de água, ou quando Belle & Sebastian mostram toda uma volatilidade em duas canções memoráveis ( Expectations e Piazza, New Yorker Catcher). E mesmo sendo a grande música do disco a versão de Superstar do Sonic Youth, toda a trilha guarda uma magia cheia de incertezas e desesperanças mas muito mais sublimes e celestialmente agrupadas por entre cavalos marinhos dotados de asas............
Aqui vão algumas das canções dessa trilha sensacional:








Ellen Page & Michael Cera / Anyone Else But You






Cat Power / Sea Of Love


A outra trilha em questão é a da continuação da saga vampiresca hypada Crespúsculo, New Moon. Eu não assisti o filme mas acho que nem preciso porque já sei como acaba e o que se passa de tanto ler resenhas ou comentários de todas as meninas que quase perderam o queixo quando o personagem Jacob tira a camisa para curar um ferimento menor que unha do dedo mínimo do pé da personagem Bella. Mas o que é mais engraçado é o seguinte:
Toda a saga escrita pela primeira escritora, que é mais bonita que a protagonista dos filmes, tem um ar teen spirit sem precedentes. As agruras do primeiro amor e este ser aquele seu vizinho que seu pai odeia e acha que é um maconheiro de mão cheia, além é claro de todos os amigos perigosos que o pretendente a Romeu dantesco tem já é assunto consumado. Transformações em mundos adolescentes femininos mais todo o sexismo que o assunto vampiros traz consigo (aliás o fato desses seres não terem ultrapassado a fase oral é lastimável.....) é certeza de vendas astronômicas. Atenha-se ao fato de que o filme já rendeu mais de 170 milhonetas.
Mas e a trilha??????
Bom começa bem com Dead Cab For Cutie. Mas aí cabe uma conspiração.........
Quando eu assisti o primeiro filme (em um domingo de ressaca sem precedentes e por isso mesmo nada melhor que água com açúcar não é verdade????) , não achei aquelas coisas. Aliás o filme é até chato demais. Drácula do Coppola é muito mais filme e muito mais história de amor, mas para curar ressaca até que o filme foi bom. E não posso esquecer da personagem Alice Cullen interpretada por Ashley Greene, aliás a única razão pra que eu veja os outros filmes. Além de muito mais bonita que a protagonista ela é daquelas figuras femininas do cinema que você volta para casa tendo a certeza que vai sonhar que é sua namorada durante aquela noite. Aliás você apresentaria para seus pais sem uma sombra de dúvida sequer!!!!!!
Mesmo com os tablóides americanos dizendo que ela é meio sem vergonha e bi-sexual.........
Mas largando os hormônios e voltando à conspiração..........
Final de filme, a dor de cabeça indo embora mas a película tinha deixado a sensação de ser muito fraca, até que.........
Sobem os créditos e ouço 15 Steps do Radiohead!!!!!!!!!!! Como assim??????? Minha banda predileta se vendeu ao estrelismo "muderninho"?????? Tom Yorke tomou ácido demais??????
Não sei, mas nesse mesmo minuto comecei a achar o filme "legalzinho". Já na segunda estrofe estava cantando a música junto e a dor de cabeça havia sumido. E não é que a história de amor dos dois protagonistas é boa!!!!!! Já até estava gostando mais do filme..............
Ao final da messiânica música dos cabeças de rádio eu já queria saber quando o segundo filme ia sair (hahahahahaha), e nesse minuto a luz veio sobre minha cabeça inchada!!!!!!!!
Esses produtores são mesmo astutos (inclusive mais do que o Chapolim)!!!!!!
Colocam músicas do chamado rock alternativo em filmes "mudernosos", para que você como em qualquer mensagem subliminar seja compelido a gostar do filme. Sabe aquela propaganda daquele refrigerante famoso que aparecia no canto das telas do cinema e que ninguém conseguia ver porque passava em milésimos de segundo, mas fazia com que todo mundo no cinema ficasse com sede e quisesse o refrigerante com cor de água suja?????
Pois bem, a trilha de New Moon é cheia de mensagens subliminares desse tipo. Pulsando a cada nota as palavras "veja o filme", "é uma película obrigatória!!!!!!", "você precisa ver!!!!!". Músicas das chamadas bandas indie estão espalhadas por toda a bolacha. St. Vicent, Tom Yorke fazem parte dessa conspiração hollywoodyana. Mas dessa vez o feitiço virou contra o vampiro.........
A trilha nunca decola de verdade e é tão indecisa quanto a personagem de Kristen Stewart. No início com o Dead Cab e a música de Tom Yorke (a melhor do disco todo) , você até começa a sentir os efeitos das mensagens subliminares, mas é só.
Tudo muito arrastado e nem a presença de The Killers (White Demon Love Song) salva o disco de ser uma das piores trilhas de todos os tempos. Aliás a música do Killers chega a ser tão ruim que me deixa em paz comigo mesmo por não ter ido no show deles sábado passado.........
E mesmo a bela canção Done All Wrong do Black Rebel Motorcycle Club se mostra deslocada dentro de um caldeirão de clichês sem precedentes. Morno como um sorriso amarelo, esse disco dá sinais de vida apenas com algumas bandas, entre elas Hurricane Bells (Monsters), Sea Wolf ( The Violet Hour) e a singela mais sensacional Slow Life com Grizzly Bear e Victoria Legrand que você ouve aqui..........








Grizzly Bear & Victoria Legrand / Slow Life

De resto corra como Robert Pattinson corre da cruz. Se você quiser saber o que o amor significa em uma história aonde as cores são sempre degradantemente belas e distorcidas não se perca na chuva e garoa da cidade de Forks e vá em direção à Juno...........

Agora por favor uma licença que depois de tanto amor eu necessito ouvir Iggy Pop e os Stooges!!!!!!!!!!!
No Fun My Baby, No Fun!!!!!!

GD 16....WHY SO SERIOUS????????? O CAOS COMO CRIAÇÃO PULSANTE........

Vivemos em tempos estranhos...........
Pessoas não se entendem mesmo falando a mesma língua, antes até da reforma ortográfica. E os paradoxos seguem dentro de nossas retinas, ativando um lado do nosso cérebro conhecido em muitas ocasiões.Essa apatia despertada pelos fatos comuns e incomuns de nossas vidas seja talvez uma das mais catastróficas em todos os tempos........
Ontem aconteciam duas coisa distintas e muito bizarras. Enquanto por um lado a classe média sedenta por câncer de pele protestava contra a proibição do uso de câmaras de bronzeamento artificial, com cartazes onde podia-se ler Bra Z il (sim escrito com Z), do outro lado escuro do país varoníl estavam se encontrando o presidente do Irã e nosso filme biografado presidente portador de nove dedos. Qual a semelhança entre os dois fatos????
É que tanto as câmaras de brozeamento quanto o presidente do Irã matam pessoas indiscriminadamente..........
E as manifestações são distintas porque a da morenice artificial é pelo direito de morrer belo e a contra a presença do presidente é contra a morte por questões de gênero ou ideologia. Mas então aonde está a apatia???????
Simples. Tudo ocorre muito dentro dos protocolos. As manifestações são mais do que conhecidas e formas de revolta controlada. Afinal de contas o que mudou nos acontecimentos por causa das duas passeatas????
Absolutamente nada. E não quer dizer que sou a favor do brozeamento artificial, mesmo porque eu sou mais branco que os vampiros de Lua Nova. Mas esse tipo de ação conformista é como uma assinatura de passividade inerente ao ser humano que hoje em dia se acostumou com o fato de assaltos acontecerem à céu aberto, crianças pedindo esmolas nos faróis e pequenas tragédias cotidianas que assolam as terras um dia usurpadas de todas as tribos indígenas sem permissão dos deuses da chuva ou da terra.
Um sábio uma vez disse que os seres humanos apenas são capazes de sentirem as diferenças das coisas se um pequeno caos for instalado no meio em que se vive. Quando as coisas ocorrem de acordo com o plano traçado nada muda, mas se por acaso você disser que vai explodir um ônibus escolar ou um hospital, aí sim as pessoas começam a pensar de maneira diferente. Por isso que explodir dois prédio gigantes cheios de pessoas usando dois aviões comerciais tenha sido um fato histórico. E não estou dizendo aqui que é certo matar para causar o caos. Afinal de contas desse jeito dificilmente sobrariam seres humanos dentro da terra, mas já pensou se os morenos mecânicos protestassem pelo direito do câncer de pele todos nus. O impacto seria muito maior do que um cartaz escrito errado. E milhares de drag queens em frente ao congresso com alvos no peito com cartazes de ordem fariam um impacto muito maior contra o presidente que não acredita que ocorreu o holocausto.
E aí, vamos explodir um ônibus???????

E no mundo da música acontece quase que a mesma coisa. Existem bandas que parecem estar fadadas a fazer sempre o mesmo, seguir conforme o plano traçado e não tentar mudar nada. Mas de tempos em tempos os cavaleiros alados dotados de instrumentos de cordas e paquetas passam a traçar métodos caóticos de manter a sanidade dentro de um padrão hospício maravilhoso. É como se o Asilo Arkhan estivesse lotado de gênios.........



E isso pode ser visto no novo álbum da banda THE BRAVERY. Stir The Blood, que vai sair no dia 1º de dezembro não é apenas uma evolução do trabalho anterior da banda americana. É uma declaração de que quando se instala o caos dentro de uma situação onde a estática impera, uma novidade atômica se torna legionária e pulsante.
Desde os primeiros acordes de Adore até a parte final de Sugarpill o que avança pelos nossos canais auditivos é energia experimental em estado de ebulição contínua. A banda faz convites para dançar macabros como na música Slow Poison e chacoalha sua cabeça da maneira mais intensa em Hatefuck, passando bela beleza assimétrica de I Am Your Skin. De uma maneira muito mais do mesmo, o Bravery coloca os dois pés em seu peito nesse fim de ano sem pedir licença e ainda por cima mostra que sim é necessário que o caos tome conta da sua cabeça algumas vezes para poder saber que você está vivo........



Outra banda que nunca achou o caminho facilmente foram as Vivian Girls. As meninas do Brooklyn conseguiram transcender o rótulo de uma banda de shoegaze (seja lá o que isso quer dizer na verdade.
Desde o primeiro disco de 2007 que levava o nome da banda até o mais recente de 2009 Everything Goes Wrong elas vem mostrando que sempre que se coloca um pouco de tempestade caótica dentro de acordes simétricos, as notas simplesmente grudam dentro da parte mais profunda de seu cérebro, e de lá elas teimam em não sair mais. Aqui no GD você vê uma sessão que elas fizeram para a Picthfork no programa Tunnel Vision essa semana.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

GD 16 PORNOGRAFIA PURITANA E SONS COM MISTURAS ETILÍCAS.......


" Moisés libertou os hebreus, eu quero libertar os neuróticos!!!!"
LARRY FLINT (meu herói americano)

Ontem na tv em alta madrugada estava assistindo um documentário com o singelo nome de Porndemic, que discurssava de maneira até um pouco reacionária sobre o crescimento da pornografia na internet. Duas coisas me assustaram. A primeira foi saber que definitivamente estou fazendo a coisa errada se o quesito levado em consideração for estabilidade financeira, afinal de contas sites pornográficos resultam em rios de dinheiro. E a segunda é como a raça humana de maneira geral é cheia de patrulhas ideológicas poderosas. As pessoas não se dividem em apenas prós e contras, existem dentro da própria indústria do sexo pela tela frígida dissidências econômicas e disputas por cada terreno dentro da imaginação de quem consome esse tipo de entretenimento. Até grupo de apoio à pessoas viciadas em sexo pela internet existe, tratados como dependentes desse tipo de adicção. Com direito a depoimentos em penumbra e com voz modificada, como se fosse um crime masturbar-se. Tudo bem que em tudo nessa vida existe sempre aqueles que prezam pelo exagero, mas quem é mais exagerado?????
O cara que está com as mãos cheias de pêlos e calos, ou aquele padre que gosta de tirar fotos ou abusar sexualmente de crianças?????
A pessoa que gasta rolos de papel toalha para não sujar o chão da sala ou aquele pastor que usurpa dinheiro de pessoas que acreditam na fé??????
Ahhhhh perguntas difíceis para uma segunda de manhã, não é verdade?????
Eu sou da mesma opinião que um outro herói americano que tenho, o senhor Mike Patton, muitas vezes a masturbação é mais prazeirosa do que certas relações sexuais.
Mas porque todo esse papo punhetístico em uma manhã nebulosa de início de semana????
Aliás diga-se de passagem, dias esperados com ansiedade para quem vai para o Morumbi nessa sexta.
Primeiramente tem muito a ver com o nome dessa banda inglesa que começa a fazer barulho na terra da rainha. Terra aliás onde existem histórias e mais histórias sobre a devassidade da coroa real entre outras coisas. E apenas para lembrar que em um país muito próximo existem o famoso distrito da luz vermelha aonde as senhoritas que dispensam apresentações ficam nas vitrines..........
Mas o importante é o nome da banda: MANSFIELD HOLIDAY de Newcastle na Inglaterra. Já já eu falo sobre o nome deles. O importante agora é saber que uma banda que na apresentação do myspace se auto intitula como bêbados sempre é uma boa banda. Lembrem-se do sensacional Art Brut e seu vocalista alcoolista. E o MH lembra muito o trabalho do Art. A começar pela maneira de cantar do vocalista que parece ser irmão siamês de Argos logo nas primeiras letras que saem da sua boca. Isso não quer dizer cópia barata, mas apenas inspiração latente em uma música que transpira diversão. A banda tem um ano de vida apenas, mas já começa através da internet fazer um certo barulho pela ilha européia. E o nome.........
Bom o tal do Mansfield no nome da banda remete faz alusão a primeira playmate que se tem notícia. A primeira mulher a mexer com a libido masculina deixando uma nação puritana tacanha como à americana de pernas para o ar (literalmente) mostrando que sim:
O sexo poderia ser além de objeto chamativo um negócio. O nome dela é Jane Mansfield e era assim:


E do que se tem notícia ela também nunca participou de nenhum filme adulto por assim dizer, mas ela foi a primeira encarnação das famosas bombshells. E pelo acessório todo de Jane você sabe aonde é baseada as caras e bocas de todas as atrizes pornôs modernas. Tanto a atriz quanto o som da banda pertencem há algum tempo onde o erotismo era mais velado e a puritanidade menos hipócrita.
Mas também isso não interessa. O que vale é o som da banda que é muito bom, confere aí embaixo a música CONFRONTATIONS.









A dupla dos Black Keys, já famosa por tocar rock no conceito mais pesado do planeta está de projeto novo e no mínimo inusitado. O que não quer dizer que necessariamente vai agradar os fans dos caras. BLACROC é o nome da reunião dos músicos com cantores de rap. Ouvindo o disco esse fim de semana deu para notar que cantores de rap dificilmente encontram o groove rockeiro com facilidade. Do mesmo jeito que guitarra e bateria podem ser tanto assombrosamente sensacionais, como estupendas roubadas para o rap.
Confere aí a participação de Mos Def e Jim Jones no projeto com a música Ain´t Nothing Like You (Hoochie Coo) e me fala o que você acha........
Ainda acho o Bodycount muito melhor.........




Bom, começou a semana então para valer.......

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

GD 15 NOVIDADES PRÉ FERIADÃO CONSCIENTE.....

Nasi vai abrir o show do AC/DC em São Paulo dia 27 desse mês. Tarefa de super-herói de verdade, ainda mais sabendo que essas aberturas quando não feitas pelo seguidores dos agudos enxaqueca costumam terminar em copos de água no palco. Prometido show do cantor brasileiro com efeito de bomba atômica, mas com toques de Edson Cordeiro no decorrer do período.
E sem querer atuar como Keanu Reeves trabalhando para Al Pacino, mas já o fazendo, não seria mais bacanudo do que por exemplo isso aqui:



Você poder esperar o trem mais pesado do rock escutando isso.....


E se você ainda não ouviu Humbug dos Arctic Monkeys, faça-o logo porque pode ser que em 2010 o disco dos macacos do ártico torne-se material obsoleto. Afinal de contas Matt Helders em entrevista ontem disse que a banda já está pensando quando começar as gravações do substituto da farsa desse ano. Em turnê pela Europa atualmente, o baterista também comentou à respeito da maneira que o disco novo será gravado. Ao invés de gravarem cem músicas e escolherem dez a banda vai ficar mais seletiva e gravar o material mais próximo do conteúdo final e não ficar escolhendo dentre inúmeras canções. A pergunta que vem logo à seguir é óbvia:
Para onde será que vão apontar dessa vez os riffs matadores de uma das melhores bandas surgidas nesses tempos bicudos???????
E nessa semana o significado da palavra Cornerstone (uma das músicas mais bacanas de Humbug), veio à tona. É o termo usado para aquela pessoa que só consegue transar chapado ou alguma coisa do gênero.
Essa semana eu já tinha falado do mais novo single do Vampire Weekend. Pois bem o clip também já está pronto. Ouvindo de novo a música, eu já decidi que a ansiedade vai tomar conta desse escritor de meia pataca porque a bateria insandecida desse som já vai fazer o clima para esse calorão que está se instalando, confere logo embaixo. Aliás o clip é sensacional.......



Daqui a pouco tem mais.......

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

GD 15.......PERMISSÕES PARA COMPARAÇÕES E JOGADAS BARATAS

Depois de tanto lirismo colorido nos posts anteriores vamos ao já famosos jogos rápidos, mas nem por isso.......
Tá eu já ia começar uma dissertação, melhor não, afinal de contas quarta feira com medidas extremamente rápidas para serem tomadas. Mas sempre com espaço para um pouco de diversão.
E diversão é aquilo que se encontra no já clássico jogo Beatles Rock Band, ainda mais quando o conteúdo do disco Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band foi inteiramente liberado para a história virtual da maior banda de todos os tempos (hoje estamos um pouco fãs demais da conta!!!!!). As músicas em questão que estavam faltando eram: Fixing A Hole, She's Leaving Home, Being For The Benefit of Mr. Kite!, Within You Without You, When I'm Sixty-Four, Lovely Rita, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise) e A Day In The Life.
O pacote poderá ser comprado todo ( por 7,49 libras que equivale aproximadamente à 25 reais), ou separadamente com o valor de 0,97 libras por música. Interessa????



E realmente parece que o próximo disco do Vampire Weekend (Contra) vai tirar a banda daquele seguro patamar de queridinhos do pop indie em que a banda foi colocada depois do sensacional álbum de estréia. Começando pela capa com aquela misteriosa loira e o estranho primeiro single Horchata. E agora parece que definitivamente a banda vai se distanciar de vez do pop fácil. Hoje acaba de sair o segundo single do disco novo, com o nome de COUSINS a música é quase uma colagem gigante de ritmos desconexos com bateria quebrada ao extremo e uma letra cantada no ritmo punk mas com os dois pés dentro da esquisitice. Se o disco todo seguir essa linha ou já estamos vendo o melhor disco de 2010 ou uma das piores sequências de 2010. Opiniões?????



Se você já estava achando que aquela crueza dentro do rock tinha acabado e que tudo estava fadado à se tornar conjunto de Ladies Ga Gas tocando guitarras não se desespere. A banda que se chama THAT GHOST parece querer recuperar o tempo preso entre o final dos anos 60 e o início dos 70. Com melodias mais do que pesadas seguindo uma linha que demanda muitas imagens em seu cérebro como por exemplo Animals, Ramones, Beatles e Rolling Stones. Tá bom de influências?????


Mas se você quiser mais algumas, os trejeitos do vocalista Ryan Schmale em algumas canções lembram muito os de um vocalista loiro que tocou em uma banda que se chamava Nirvana. Mas calma, não é uma comparação nem a descoberta do novo Nevermind. Estou apenas dizendo que lembra..........
A banda acaba de lançar seu EP mais recente que se chama Get It And Get Out (você tem uma semana para escuta-lo de graça AQUI) e parece que o caldeirão de influências além de variar muito parece uma viagem no tempo entre os psicodélicos anos 60 e os góticos 80 está sempre parando naquela banda de Seatlle que tinha aquele vocalista loiro tra la lá tra la lá tra la lá..........

terça-feira, 17 de novembro de 2009

GD 15...... CORES LIBERTÁRIAS

Engraçado como as situações te levam para momentos de desespero contido ou explosões de alegria quase completamente satisfatórias. Momentos decisivos chegam antes mesmo do que você sonha ou espera. Decisões que são necessárias em grandes corporações muitas vezes levam à uma decapitação do indivíduo de forma geral, e isso é um fato que eu não posso concordar..............
Tomar a decisão de deixar suas asas serem cortadas e entrar em uma jaula por anos é uma coisa feita apenas sem o consentimento do dono dos anexos alados. Eu nunca fiquei sabendo de um elefante que se recusou a ir para um zoológico depois de debater horas a fio em uma mesa com seus caçadores.


Então já que somos mamíferos providos de 32 dentes (no meu caso 28 apenas) e temos a oposição do polegar como capacidade de grande amplitude de movimento e destreza, nada mais justo que lutar contra toda a forma de possível amputação do seu cérebro.
Mas é incrível como as coisas não são assim..........
Medo de tomar decisões próprias, receios e mais anseios para sempre estar dentro de um padrão cartesianamente tomado de purulenta letargia fazem com que muitas vezes nossa alma seja vendida por muito pouco. Preço de xepa pago às novelas dengue-hemorrágicas ou à grandes corporações que controlam o que você come, veste e sente. Quer ser feliz, tome água preta com gás. Uma mulher em liberdade tem que usar um absorvente cheio de gel e por aí vai........
Não dá para ser hipócrita e dizer apenas que somos contra essa massificação de cerebelo. Afinal de contas as mesmas grandes corporações dão respaldo para que a vida consiga seguir sem a necessidade de grandes atropelos e com muita comodidade no mundo "muderno". Mas até que ponto você perderia sua alma trocando a liberdade de escolha por uma simples propaganda mal paga??????????

Mas a pergunta que vai fritar seu cérebro é : VOCÊ É LIVRE DE VERDADE??????

A resposta é tão clara quanto à pergunta, mas ela varia e muito de acordo com a capacidade de quem responde, de entender que lá no fundo todos temos algum grilhão escravocata que prende fundo e forte algumas de nossas melhores metades.
Mas existem cores libertárias..............
Existem pessoas que transcendem a vontade de morrer estático e se confundem com o amálgama de lava que destrói qualquer ferro que por ventura venha a querer prender nossos pulsos latejantes e sedentos.
Existem sim essas cores em várias variáveis de sua vida, como por exemplo nos trabalhos dessa menina que por acaso descobri essa tarde pensando no que escrever nesse sacripanta blog.........
O nome dela é Renata Poly, uma designer gráfica que não mais que de repente invadiu o mundo dessas cores libertárias. E nem é a questão de aqui fazer qualquer oração ou ode ao estilo ou a pessoa em si, mas as sensações que suas gravuras passam são divinamente elevadas em estato de leveza aérea. Lembrando que dentro do mais simples ou do mais palimpsético existem sim inúmeras possibilidades de escolher o que você quer expressar e da maneira que você quiser expressar. Esse agrupamento das cores de Renata são escolhas intransferíveis e pessoais demais, então essa liberdade de escolha é talvez a maior qualidade do trabalho dela. Definir o que cada cor te fala é a sua parte na tal liberdade. Mas uma coisa é certa, você não venderia sua alma por nada nesse mundo se o direito de sentir aquilo que só você sente estivesse na eminência de ser comprado ou tirado de você. Então alguém que garanta a sua liberdade de sentir as coisas como a Renata deve ser mais do que celebrada.


E ainda bem que não é apenas a Renata Poly(cromática) que faz esse grande favor, bandas de rock também costumam ter essa veia divina de transcender a cartesiano. E os caras do YEASAYER são capazes disso também. E como todas as boas surpresa eles chegaram também de sopetão.
De Nova York mais precisamente do Brooklyn a banda costuma além de tocar bem, realizar projeções em seus shows. Desde 2007 quando chamaram a atenção no festival SXSW e assim que os singles de 2080 e Sunrise foram lançados, a banda mostra que aquela tal veia psicodélica barretiana não foi esquecida muito menos não passada para as gerações futuras. Sons magnéticos que fazem um emaranhado de sensações e significados. Mais uma vez você é empelido a sentir a liberdade de ter o que sentir. Sem maiores preocupações com o quanto vai vender ou quantas moedas valem a sua alma, o importante aqui é sentir algo e não o que sentir. Cores e sentidos numericamente deslocados para dentro da camada mais pensante do seu cérebro. O mais novo single da banda que excursionou com o MGMT em 2008, se chama AMBLING ALP, você escuta aqui no Gangrena Diario.......








Ainda bem que por essas e outras ainda se tem a esperança de que chegará o dia em que nossas necessiades não serão controladas por senhores e advogados marioneticamente postados atrás de suas mesas gigantes, escondidos por uma cortina que não deixa revelar suas reais estaturas........
Se você gostou e quer saber mais sobre os trabalhos de Renata lá no link do GD Recomenda você vai achar a página dela do Flickr. A banda está na coluna de bandas citadas como sempre.
Vamos lá gravar o podcast e a noite os sons estarão todos lá para você descobrir as cores que eles movem..........

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

GD 15 PARA NÃO DEIXAR NADA PARA TRÁS........

Olha já estava quase indo embora, mas quando tem alguma coisa relacionada com qualquer um dos quatro rapazes de Liverpol, tem que ser postada. Sensacional cover dos White Rabbits para Instant Karma do não menos genial John Lennon......

GD 15.......O INÍCIO CALEIDOSCOPICAMENTE ALTERADO EM TONS CINZAS

Semana pesada essa que se inicia com tempo nublado abafado.
Ainda sem exatidão nas respostas de terceiros, mas com uma centelha de certeza de que as coisas estão se encaminhando para algo realmente grande.
Pressionando o F5 seguimos em frente.......
Vivemos em um mundo onde as coisas estão estranhas, afinal de contas é muito mais fácil apontar o dedo na cara do outro do que admitir que por uma possibilidade ínfima de razão podemos ser a pessoa que está errada. Atualmente é muito mais fácil bancar o intelectual Control V/Control C do que conseguir escrever algo que realmente seja original. Um mundo de wannabes muito maior que toda uma galáxia é o que se absorve hoje em dia dentro desse patamar de convivência conveniente na qual estamos presos. Fadados à dividir espaço com todas as neuroses e mimações mal resolvidas de seres humanos feitos pela metade. Nessas horas eu sei que mãos de ferro oxidam e apodrecem.........
Meu anti-herói predileto me daria razão, aliás eu vou deixar um pouco da sabedoria silenciosa dele com vocês.........





Mas existem algumas coisas que realmente são transcendentes no quesito extremo de diversão ou em algum lugar longe das convenções fechadas dos seres humanos. Tele transportadores de carga octahedrocubana volátil com uma constante mania de fazer com que as pessoas sempre tenham um pouco mais de oxigênio anti coagulante dentro do giro do cíngulo. Por essas e outras que quando escutamos músicas como essas temos saudades de alguma coisa que não vivemos ainda, mas você sabe antecipadamente está mais perto da evolução mental através destas notas claveadas.......
Por exemplo esse novo vídeo da banda NO AGE para a música Losing Feeling. Foi som do podcast há algumas semanas atrás e a aspereza violenta viral da dupla americana faz com que nada se mova em uma direção redundante.....


No Age - Losing Feeling
by subpoprecords


Não é apenas na Barackolândia que se formam as chamadas estruturas novas da música. Por isso bem vindo ao admirável mundo novo. Wake up Neo!!!!!!
Nem só de vídeos pornográficos de banda heavy-metal é que vive o rock alemão. Muitas vezes as influências podem ser mais barulhentas e desconexas do que se imagina. Por isso quando você escuta uma banda como o quarteto alemão CANDELILLA vai se deparar imediatamente com algumas notas pixienianas e um Sonic Youth aqui e alí. Mas as coisas andam assim:
Se a banda fosse americana ninguém iria prestar atenção, afinal de contas os originais são de lá. Mas como trata-se de um quarteto de meninas de Munique, então a conversa se torna um pouco mais original por todo peso envolto em aura sintetizada que é mais do que bem vindo, escute o single 13 aqui........








Não é que essa onda de rock-folk-indie já não tenha dado na telha de todo mundo ainda. E particularmente a minha anda meio lascada demais com esse tipo de música. Mas como sempre cabem mais algumas notas em ouvidos cansados............
Kitsch Device é uma banda francesa e apenas pelo fato deles saírem das mesmas terras do Phoenix já valeria a pena. Mas o som com um pé no rock dos Kooks e outro pé na roça (nesse caso nas viníferas), mostram que o barulho que eles andam fazendo com seus shows nessa temporada vale o quanto se ouve. Confira logo abaixo Is This Home Now......








Experimentações são sempre bem vindas, ainda mais quando o som que entra pelo seu ouvido médio tem levadas claustrofóbicas de jazz seguidas de uma vontade inerente de explodir dentro de uma pista de dança caleidoscópica. O Pinknoise, banda indiana, mostra que não é necessário copiar qualquer cartilha intelctualóide musical para se fazer experimentações além da média cartesiana existente. Não é apenas copiar e colar e sim buscar dentro do mundo influências que variam de acordo com a loucura dos músicos uma maneira de remover a gravidade dos ouvintes. Ouça aqui no GD a viajandona Dream Dream..........












Segunda feira já começa a mostrar-se como um dia mais do que agitado, vou dar uma olhada em algumas respostas sobre propostas de conversas internéticas e mais outras coisas..........voltamos já. Nessa terça tem o novo episódio do podcast............




quinta-feira, 12 de novembro de 2009

GD 14....AS MÃOS NO PLANETA TERRA 2009

Podem ser várias as coisas que fazem as cadeias de eventos tornarem-se linhas entre-retas. E não necessariamente é preciso que se tenha algo fisicamente gigantesco para que isso aconteça.......
Um olhar desconexo dentro de qualquer contexto de sentimentos, uma refeição as três horas da manhã em estado de sossego completo onde apenas o que importava era estar lá e mais nada. Tapas muitas vezes tampam e calam com verdades extremas (mesmo que não sejam), perfazendo ondas de mudanças regidas pela direção do vento. Muitas vezes, basta apenas um olhar para mãos trêmulas depois da queda livre............
E como haviam mãos dentro do Playcenter nesse sábado, numerosamente espalhadas por entrecantos muito contrariamente calamitosos, mais movidas pela capacidade de descobrir o novo. Elevadas como em cânticos em onda, segurando máquinas ou aparelhos com luzes mais fortes que Thundera, entrelaçadas ou espalhadas em cabelos, rostos e em outras mãos.........
Molhadas e atingidas por milhares de watts metronomizados, sentiram mais e mais turbulência descarregadas em boas mãos pelo Sonic Youth. Antes de seguir em frente, sempre vai valer a pena voltar aos sons familiares que vão lembrar coisas sensacionais, como encostar no alumínio que parava algumas setas de chuva que despencavam........



Silêncio iluminado por faróis de carros, cercados por uma grade elétrica superior e nada além de fagulhas azuis. Um reconhecimento do caminho antecipado, afinal de contas, no final do mesmo, havia uma casa dos horrores. Então não custava nada saber aonde estavam toldos e cantos com espaço, mesmo porque dentro de um parque nada melhor que diversão.
Embaixo do toldo com a chuva jogando à favor, ficou fácil esperar a caravana humana descendo em direção ao castelo. Como horda medieval, deixando a sensação que estava demorando a hora de passar algum ariete ou troiano cavalo, ela ia se aglomerando. E por momentos extremos a chuva pareceu estar vagarosamente parando.......
Dois minutos atrás estava pensando na chácara sem mais fé. Pensando que escolhas poderiam ser diferentes e trariam outros acontecimentos. Pensei que poderia saber o que não estava acontecendo. Mas se levar tudo isso em consideração vou perder o fato mais importante de toda uma noite.......
Aquele olhar claro, com cabelos morenos de menina encaracolada ainda com as mesmas mãos que há algumas horas trêmulas pediam para poder não despencar em queda livre, ligados geneticamente à minha árvore genealógica interiorana. Aqueles mesmos olhos que, nesse momento, brilhavam a satisfação por simplesmente estar naquele lugar.
Coisa inexplicável essa........
Nem mesmo os cabelos espetados, que, ocupados com as pessoas ao redor, não deixava a visão dela chegar aonde as luzes estavam freneticamente embalando mais mãos. Sem mais fé??????
Para que????
E mesmo com o telão errando os nomes das músicas algumas vezes, nada impediu o Ting Tings de levar a dança da parada da chuva até as últimas consequências.........
Com final em forma de bomba ninja de fumaça, depois de filmar para um amigo distante toda a festa, estava claro que aquela madrugada estava apenas começando. Mesmo porque ao longe se ouviam velhos uivos de um cão com poder em estado de crueza pura, prestes a levar o povo para cima do palco de execução...........



Palco de Galápagos, povoado por inúmeras iguanas em movimentos inadvertidamente sem anexo lógico comum. Estado bruto de energia propulsora de tormentas, repentinamente barradas por estátuas de ternos escuros e com estacas quebra maré prontas para se moverem em direção da ordem violenta. Necessidade de tamanha e estapafúrdia trama motora biciptal não havia. Nas horas em números primos onde ordas reptilianas se encontram, a calma seria melhor pedida do que a desmedida truculência em pleonasmo..........
Mas nada disso fez sucumbir a entrega de Iggy Pop, mesmo ainda com os ecos da sua abstinência quanto ao sofrimento de seus pares rondando os tempos após o show. Ver a formação quase seminal dos Stooges com Lust For Life não trouxe apenas lembranças trainspottianas à memória.
Sobraram elásticos, pele cristalizada em rugas, velocidade e peso. Nem importava tanto o que quase se perdeu no palco, mas sim o que ficaria nas notas soltas que ecoaram pelos ouvidos. Ficaria aquela passada pela frente do palco depois do fim do show do Iggy Pop, aonde os cachorros estavam mais para bêbados do que para grandes.
Poderia ter sido apenas mais um festival, mas as mãos presentes não deixaram que nada fosse não sentido ou muito menos não guardado naqueles olhos de menina encaracolada que eu vi ao meu lado em um parque, em um sábado com sol, chuva e mãos...........










GD 14 ......QUE LEGAL NOS DOIS PELADOS AQUI!!!!!!!

Antes de terminar o assunto Planeta Terra, que por sinal já devia ter acabado, vamos alongar um pouco mais a pausa até o período noturno.
Mais dois sons do DVD de Paul McCartney estão no myspace do ex-falecido Beatle, as músicas são Live And Let Die e Paperback Writer.
Aí embaixo você escuta e vê Highway também do show em Nova York





O Rammstein já tinha colocado lenha na fogueira com o vídeo de Pussy, onde os integrantes, apesar de jurarem de pé junto que eram dublês nos closes, participavam de cenas de sexo explícito. Aqui no Brasil isso nem é muito chocante, afinal de contas um dia já tivemos Xuxa fazendo sexo com uma criança, a dancinha da garrafa e todas as letras de duplo sentido possíveis. Mas agora o Flaming Lips eleva o jogo erótico à um status de arte um pouco mais elaborado (ou mais lunático por assim dizer.......). Watching The Planets do sensacional Embryonic foi lançada ontem à noite e tem o seguinte trailer teaser:



Com a direção do próprio Wayne Coyne o vídeo todo você pode assistir AQUI .

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

GD 14.....QUEM SERIA A LENDA EM UMA NOITE ESCURA CHEIA DE SUPER ANIMAIS PELUDOS CIGANOS.......

Uma amiga que trabalha aqui comigo no Planeta Diário disse-me que o apagão de ontem à noite aqui no Brasil varoníl ocorreu coincidentemente na mesma noite em que um portal de energia estava sendo estruturado e criando bases dentro do universo. Sim, ela tem uma visão holística das coisas. Então esse apagão provavelmente não tem nada a ver com a competência em criar um método de transmissão de energia que não tenha furos no meio do caminho, e sim com a conjunção cósmica das energias que fortificam a Era de Aquário que está por chegar...........
Mas antes de todo mundo começar a iniciação na macrobiótica e acender dúzias de incensos indianos, é necessário que se diga que ontem eu descobri o porque de um fato histórico que eu aprendi nos idos anos do colégio nas aulas do professor Amyr, um cara que andava de chinelos e usava uma peruca cinza........
Existem relatos de que durante a segunda guerra mundial, nos famigerados campos de concentração............um minuto por favor:
Deixe-me abrir aqui grandes aspas cataclísmicas!!!!!!!!!
O Gangrena deixa aqui, sabujo leitor uma pequena questão:

QUAL A SEMELHANÇA ENTRE OS NAZISTAS, GENERAIS DA DITADURA BRASILEIRA E OS SEGURANÇAS DE SHOWS DE ROCK AQUI DO NOSSO BRASILLLLLLL??????
TERRA BOA E GOSTOSA DA MORENA..........esqueci o resto!!!!!!!

Voltando........
Naquelas aulas de história, onde os últimos quinze minutos eram passados fora da sala iniciando nossa turma toda na grande arte das tragadas patrocinadas, eu aprendi que os nazistas antes de matarem os judeus na câmara de gás ou em algum brinquedo macabro de tortura coletivo, sempre colocavam música. Fazendo com que os ânimos se acalmassem e assim a matança poderia ocorrer sem problemas. Escrevendo agora me lembrei que outro dia também assisti uma reportagem dizendo que em abatedouros essas técnicas repudiosas e de uma picaretagem de caráter sem tamanho eram usadas. Não é lindo saber que os nazistas fizeram escola????????
Mas antes que alguém me processe por ser irônico, vamos ao ponto.
Durante o início da apresentação do Super Furry Animals no quase particular INDIE ROCK FESTIVAL, que ocorreu ontem no Via Funchal as luzes se apagaram e o blecaute tomou conta do país. Quem estava lá dentro, algumas dezenas de pessoas, acharam que foi apenas uma pequena pane e que nada demais havia acontecido. Foi só no show do Gogol Bordello que as pessoas lá dentro souberam, através de ligações pelos celulares, de que o nosso país havia sofrido um blecaute e que Samphan City esta às escuras. Aí no mesmo instante já me lembrei das aulas de história. Imagina o apocalipse chegando, aonde é que você queria estar????????
Encerrado em sua casa morrendo de medo ou vendo duas bandas sensacionais. Se realmente existe uma luz que nunca se apaga, este seria um jeito celestial de morrer........
Por favor uma dose de bastardos inglórios!!!!!!!!!!

Mas mesmo começando com um dos maiores sucessos da banda Slow Life, os Super Furry foram prejudicados. Não pelo blecaute, mas sim pela escalação mal feita dentro de uma espécie de amostra do festival. Já que a grande noite desse evento será realizada no Rio, onde mais atrações serão apresentadas e toda a parafernália será colocada em prática. E mais uma vez o Indie Rock Festival deixa à desejar no quesito organização. Com a impressão de ter sido feito "nas coxas" e às pressas, nem mesmo a iniciativa da doação de leite em pó acabou fazendo com que os ingressos esgostassem rápido. Chegando às 21:50, com o festival marcado para o início às dez era possível comprar ingressos sem problemas.
Mas a banda nem por isso deixou todo mundo na mão ou ficou reclamando. Conhecidos por toda a concretagem sonora que levam ao palco em seus shows, foi estranho saber que as únicas peripécias pirotécnicas da banda era uma coleção de cartazes aonde poderiam ser lidos as mais varidas mensagens. DANKE, APLAUSOS, END e ainda um WOAH (grito usado na música Crazy Naked Girls prontamente atendido toda a vez que Gruff Rhys levantada o cartaz).



Dessa vez apenas samplers criaram a ilusão necessária para que todo mundo que estava no Via Funchal (em dia de acústica metaleira.....), embarcasse de cabeça em toda a lisergia da banda galesa. Já na segunda música (Drawing) Rings Around The World, a banda mostrou porque sobreviveram bem à todo o hype ao redor deles no final dos anos 90. Todo mundo sincronizado ao extremo e com uma vontade de tocar, que não só fazia a música ficar mais pesada do que na versão de estúdio, mas também transpassava estranhos caminhos cerebrais diretamente em nossas cabeças.
Hello Sunshine parecia querer esfriar as coisas, mas com a platéia quase vazia e uma banda galesa no palco não poderia haver clima de inverno mais propício. A linda canção, que foi tema de seriado de tv, deu um colorido a mais a pelagem dos bichinhos de pelúcia do outro mundo.
O show foi sensacional e seria um dos melhores de qualquer grande festival, mas por essas coisas que a era de aquário teima em trazer, eles foram a banda certa no Festival Indierrado. Pra você entender o quanto a banda é estranha tanto Hello Sunshine quanto Inaugural Trams (que você pode ouvir em um dos podcasts do GD), possuem participações especiais. Nessa última canção a presença é de ninguém menos que Nick McCarthy guitarrista do Franz Ferdinand. Um cartaz com a foto dele e um microfone colocado em sua boca enquanto o sampler da sua voz rolava por entre a canção bastou para entender quem era e o que ele cantava. Fora mais um dos cartazes com o número 75% que é o início do refrão da música..........



Esse cidadão aí em cima de camisa xadrez é o guitarrista do SFA, Huw Bunford assistindo sossegadamente a apresentação do Gogol Bordello antes de ser interrompido por 3 tietes (2 masculinos e uma feminina), que o deixaram com cara de alienígena do Distrito 9. Como os vídeos do Festival serão postados mais tarde, essa foto fica como registro temporário. E como sempre aqui no GD você não vai ver fotos groupianas das bandas muito menos dos músicos. Aqui é o lado B, inclusive da tietagem.......

Sem bizz a banda terminou o show com The Man Don´t Give A Fuck e Keep The Cosmic Trigger Happy, deixando os cartazes no palco sobre aplausos e mais aplausos como pedido nos pedaços de papel. Foi muito bom e muito rápido. Até demais...........

Já era quase meia noite quando os sons ciganos metálicos começavam a ecoar por entre as luzes da casa. Oito pessoas se instalaram nos entrecantos do palco e iniciaram um ritual que parecia querer colocar fogo em toda a platéia. Com uma garrafa de vinho tinto na mão eis que entra em cena o dono do circo intitulado Gogol Bordello.........
E eu digo circo porque a apresentação da banda lembra em muito um espetáculo desse tipo. Seja pela movimentação caótica de todos os componentes em cima do picadeiro, assim como as nuances de comédia, tragédia e suspense que as canções promovem por entre os transeuntes que os assistem. Mas como a lona tem poderes mágicos, o violão bordelliano também consegue proezas como a mágica de levantar em fúria ondas de pessoas ferozmente pulando com sorrisos estampados entre as traves...........
Eugene Hutz o vocalista ucrâniano da banda comandava as ações no palco regendo toda a pequena plateía com seus trejeitos manuais desconexos e a banda despejava algo que se tivesse nome seria chamado de folcloricpsycodelichardcoresambamusic. Muitas vezes parecia que a mistura de cores e ritmos era maior do que podia comportar o palco do Via Funchal. E aí é que reside a grande qualidade da banda, colocar dentro de um grupo aonde as etnias se colidem (seja pela morenice das backing vocals, a latinidade de Pedro Erazo ou a caucasiana nórdica figura do violinista) e fazer disso mola propulsora para uma celebração extra corpórea de alma. Se a ONU usasse o Gogol como diretor de assuntos sobre racismo ou guerras, pode ter certeza que esse mundo seria muito mais cheio de vida e com menos decisões estupidas relacionadas à etnia..........



Não deu realmente para dizer olá para os raios de sol, muito menos para as luzes que teimavam em não acender depois da uma hora e meia da madrugada de quarta-feira. Nem mesmo a sensação de sair um pouco surdo de dentro do Via Funchal e achar o caminho de casa por entre as ruas polidas em azul escuro ou a organização mais esfacelada que o leite em pó entregue na porta do show, conseguiram fazer com que uma noite em que a sensação de apocalipse eminente seria a tônica e que por aqueles acasos do tal portal de energia montando suas bases na Terra se tornaram momentos incandescentes de animação em estado de pura energia........

Ainda nessa semana o final do Planeta Terra (pelo amor de Deus né!!!!!).............