segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

GD 21......MENOS RESMUNGOS E MAIS SONS.....

Esse será, se eu não estou enganado o penúltimo post do ano.
O mal humor inerente dessa época do ano já passou um pouco (talvez tenha sido pelo fato de ter chovido um pouco e refrescado alguns graus), e então já é necessário escrever sobre algo que seja um pouco melhor do que resmungos explícitos de uma mente perturbada pelas ondas de energia gama exacerbada........
E como nada melhor que um pouco de notas deslocadas em direções desconexas, aí vão mais algumas apresentações ao vivo de bandas que foram realmente importantes em 2009 (menos o Weezer que está aí apenas por ter uma música bacana e mais nada!!!!).














sábado, 26 de dezembro de 2009

GD 21........FELIZ NATAL??????

E o seu Natal foi bom????
Tudo pelo social familiar desgastado e corroído pelo calor infernal?????
Encheu a cara para esquecer o tempo que vai passar novamente na sociedade tacanha aonde seus pais moram?????
Então passe esses últimos dias de 2009 na ilustre compania de THE EXPLOITED.......


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

GD 20....O PRESENTE DE NATAL EM MARÇO.......

O show deles foi disparadamente o melhor show do ano.
Antes mesmo da data, com um ano de antecedência quase, uma aura de energia messiânica começava a tomar conta da cidade de São Paulo. O que ninguém esperava era que toda essa energia ficasse condensada em duas horas e meia dentro da garganta de Tom Yorke.
O Radiohead foi a catarse de início de ano mais incrivelmente pesada que um país poderia querer.
2010 vai marcar o nascimento do sucessor de In Rainbows.
O que sairá, e o mais importante, como é que sairá essa peça de arte dos cabeças de rádio ninguém sabe.A única coisa que se pode esperar é que eles voltem para o Brasil e façam momentos pelo menos iguais à esses aqui:






segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

GD 20...NOVIDADES NATALINAS........


Duas surpresas nesse final de ano aqui no GD:

1) Entre os posts com shows e videoclips do que aconteceu de melhor esse ano, vai rolar a primeira entrevista oficial aqui no blog. O pessoal do Projeto Toque No Brasil vem ao Gangrena dizer o que é isso e seus objetivos de conquista.
Ainda essa semana..........

2) Iniciando a semana de retrospectiva, vamos começar bem......

Show da banda CUTY COPY, uma das mais bacanas da atualidade. Dançante e poderosamente perigoso para os ouvidos menos treinados na arte dos sons feitos para chacoalhar o fêmur.......



E antes que eu me esqueça......
Os podcasts estão em férias e voltam com programas inéditos apenas em 2010. Por enquanto os programas antigos vão fazer a festa de final de ano..........
Mais tarde tem mais!!!!!!!!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

GD 19...A SAGA DOS DISCOS ESQUECIDOS CAPÍTULO VI


Em tempos internéticos onde a banda mais visitada no myspace no Brasil é uma que se chama Cine e o mais esperado filme do ano é um amontoado de efeitos especiais sem um roteiro decente, é sempre bom dar uma olhada para alguns anos atrás. Lugares que sabidamente evocam a necessidade de se conhecer o sempre novo velho, pelo puro simples ato de manter a sua cabeça em ordem.
E dentro de uma dessas criptas sagradas, é que se encontra o estertor final dos PIXIES, o disco que ficou conhecido apenas como o último, mas na verdade foi a pedra filosofal de onde nasceu quase tudo o que se viu um termos de música independente que o mundo assistiu depois.

TROMPE LE MONDE é de 1991. Nesse ano os filhos de Massachusetts já haviam sido opening act da turnê do U2, lançado o seminal Doolittle e se consolidado como uma das mais barulhentas e sensacionais bandas de seu tempo. As letras sobre alienígenas, religião, doenças mentais e incesto já eram as marcas consagradas, assim como as melodias pesadas e grudentas que os Pixies produziam, que eram exaustivamente copiadas por quase todos os músicos iniciantes dos anos 90 (leia-se aí bandas grunge ou indies).
Não é de graça que Smells Like Teen Spirit do Nirvana é segundo o próprio Cobain, uma tentativa quase que desesperada de fazer algo do calibre dos Pixies.
Mas no mesmo ano de 1991, a banda já não era a mesma no quesito amizade entre os integrantes. Black Francis, Kim Deal, Joey Santiago e Dave Lovering mostravam sinais de que nem mais um hit como Here´s Comes Your Man salvaria a relação que quase sempre foi conturbada entre a porra louquice de Deal e a sistemática de Francis.

Mas como todo bom gigante abatido dentro do campo de batalha, a banda em um movimento de picardia barulhenta lançou o disco que marcaria o fim de uma era dentro da música. E a importância de Trompe Le Monde é muito menos pelo seu sucesso e muito mais pela história.
O início da década de 90 ainda era terreno por onde andavam falsos deuses roqueiros fantasiados com permanentes encaracolados nas cabeças e lápis de olhos azuis marcando um rosto mais do que parecido com qualquer boneca Barbie. Terreno arenoso e movediço onde apenas alguns poucos ousavam desafiar. Os Pixies já estavam mais do que avançados no terreno inimigo.
Obrigatório lembrar que nesses tempos onde o rock estava ameaçado de virar um dinossauro manequim, a má vontade com as bandas maquiadas já estava em fase de repúdio. E uma onda de mudança devastaria a música em poucos meses. Os tempos eram de olho de furacão e o barulho que viria depois nunca mais deixaria as notas pelo meio do caminho. Mas antes da explosão do grunge com as bandas de Seatlle e o Nirvana, as bandas indie já rasgavam o útero podre do rock.
A cabeça do monstro parido pelas arredias veias de seis cordas tem seus genes cravados todos em Trompe Le Monde.
O título do que muitos consideram o primeiro trabalho solo de Black, veio de uma possível expressão francesa que significa "engane o mundo". E suspeitas de que o último disco dos Pixies marcava o início da carreira solo de seu fundador foram ainda mais evidenciadas depois que Francis, em seus dois primeiros álbuns solo deixou clara a vocação de ficção científica que em Trompe escorria pelos poros. Outra evidência nítida de rompimento dentro do quarteto era a quase zero participação de Kim Deal nos vocais seguido bem de perto com o fato de que apenas uma música não era de autoria de Francis Black: uma cover do Jesus And Mary Chain.

TROMPE LE MONDE, que abre o suspiro final dos Pixies já tem distorção de sobra para pelo menos mais dos discos. Os vocais em quase falsete dessa canção com fraseados intensos de bateria e guitarras derretidas, mostram o resumo de um minuto e quarenta e seis segundos do que a banda foi dentro da história do rock. Rápida e ponto final, apenas apara as arestas da pancadaria que começaria já nas primeiras notas de PLANET SOUND.
E é nessa canção que os seres reptilianos de outras dimensões começam a dar as caras no disco. A estória de um alienígena que desce em nosso planeta é como uma perseguição entre dois caças interestelares com direito a artilharia pesada de Kim Deal mostrando um peso tal em seus dedos, que muitas vezes é tenebrosa a sensação de que em qualquer momento o baixo vai sair pelas caixas de som e decapitar sua cabeça sem piedade.
A melodia mais doce (do modo Pixies de fazer canções pop) de ALEC EIFFEL, não se esconde atrás dos sorrisos de quem ouve a canção pela primeira vez. É sim uma aula de como se faz rock para dançar. Com a clara influência na melodia dos Ramones, essa música se fosse lançada hoje em qualquer banda considerada "muderninha" seria considerada a canção do ano.
Melodia pegajosa? Confere.
Teclados esquisitos? Confere.
Distorção no refrão? Confere.
Rock para dançar em pistas? Confere.
Muito antes dos Strokes e dos Arctic Monkeys, os Pixies já tinham escrito a cartilha do que seria hoje considerado "muderninho".









THE SAD PUNK até que engana no início, porque a introdução da bateria lembra muito as músicas das bandas de space-rock. Mas é apenas uma questão de milésimos de segundos até que seu cerebelo seja submetido à uma pancadaria que despenca em gritos alucinados. Uma das maestrias dos Pixies sempre foi fazer canções onde quem ouvia era deslocado por quilômetros e não mais que de repente estacionado em uma calmaria nervosa, e essa música é assim. Atropelamento de trem seguido de afagos maternos embalados em canção de ninar de terror.

Se Surfer Rosa é fundamental para se entender o que foi o rock dos anos 90, HEAD ON do Jesus And Mary Chain gravada pelos Pixies é pedra fundamental para quem quiser ter uma banda que queira gravar uma cover. Suja, rápida e completamente diferente da original é força propulsora para que a audição do disco se torne uma esperiência sedimentada em bases de riffs explosivos. Por mais apelo pop que os Pixies tenham colocado dentro dessa cover, a guitarra estridentes e o desespero colocado por Francis nos vocais elevam o jogo à um patamar pouco alcançável por muitas bandas que se metem a fazer uma canção assim.
Muito mais original do que qualquer bandacine por aí........
Quando você escuta U-MASS uma sensação de já ouvi isso antes abala um pouco a confiabilidade do disco. Mas quando você lembra o ano de lançamento da bolacha essa sensação é de que alguém depois dos Pixies já fez um riff exatamente igual ao deles. E essa impressão não é falsa. EMF com Unbelivable e Modest Mouse com Float On, são "chupadas" dessa faixa dos Pixies. O riff grudento feito para embalar a letra sarcástica sobre a juventude universitária americana (público dos Pixies), e um refrão explosivo na medida certa para gastar a faringe de tanto cantar (It´s educationallllllllll!!!!!!!!!) mostram com quantas notas se faz uma canção imortal.
A quase dobradinha PALACE OF THE BRINE / LETTER TO MEMPHIS, funcionam como uma canção só. A primeira com direito a mais um refrão duplicado pela beleza dos vocais de Kim (que pouco aparece nesse disco), faz uma introdução mais tranquila para a pancadaria lisérgica que vem com Letter To Memphis. Uma canção mais puxada para o hard-rock do que para o independente, mas com uma parede de tijolos atirada em sua cabeça através das distorções produzidas por Santiago. É como sentir a vibração de um esmeril pulsando a milhões de rotações em seu ouvido.
BIRD DREAM OF THE OLYMPUS MONS, é propositalmente vagarosa. Mais uma vez a britadeira Kim Deal marca a força da distorção que segue aos vocais quase messiânicos de Francis. Os teclados são apenas uma nuance que envolve uma poeira cósmica de destroços melancólicos dessa canção.
Mais espaço e uma nova camada de aliens em SPACE (I BELIEVE IN). O mais bacana dessa canção nem é falar sobre como a construção perfeita dela em camadas diferentes que colidem em um mosaico de pólvora perfeita. Mas sim prestar atenção ao detalhe de que existe nessa música o gene do que foi feito alguns anos depois por uma outra banda fantástica que se chama Faith No More. A bateria e a percussão tem uma levada funkyadélica presente nas melhores faixas da banda de Patton. E a construção de vocais principais e backings vocals gritados ao fundo estão presentes por exemplo em A Small Victory do aclamado Angel Dust. Nesse momento já é possível ver a cabeça do monstro quase que inteiramente fora da abertura cesariana.









A primeira nota da bateria de SUBBACULTCHA, os Raimundos reproduziram anos depois em I Saw You Saying. Mas as comparações acabam nessa nota.
Porque logo após esse começo mórbido e a sequência de esfriar a espinha da primeira parte da música, o riff autista e a serra elétrica de seis cordas que a acompanha pesam como lava petrificada transformada em rocha a cada virada de bateria. Hipnótica e falada é talvez a melhor música do disco, com uma melodia estraçalhada e pulsante.









DISTANCE EQUALS TIMES TIME, é assimétrica. Gritada e cantada em partes iguais tem a medida certa e o tempo certo. E precisa de mais alguma coisa???????
LOVELY DAY é a visão sessão da tarde dos Pixies. Tem a levada punk da banda , mas sem perder a ternura mórbida. Irmã separada ao nascer de Head On, com ecos de surf rock. Lado B de primeira linha em qualquer EP que se preze.
Definir MOTORWAY TO ROSWELL é uma tarefa absolutamente ingrata. Seja pela guitarra zunindo em seus ouvidos médios ou pelo piano com nuances de cabaret misturado com a qualidade épica dessa canção. Ela vai começando aos poucos e se tornando um ciclo cheio de sensações melodicamente confusas e deturpadas, até implodir novamente no piano. Como se fosse possível presenciar uma ataque epilético seguido de um sono profundo em forma de notas musicais.
THE NAVAJO KNOWS é um ato final com os pés inteiramente sedimentados nos anos 80. A fluência dançante dessa canção é tudo aquilo que o Franz Ferdinand conseguiu fazer depois. Sonoridade macabra com guitarras novamente em ritmo de surf. É abafada e mínima como se a banda estivesse realmente ali mostrando o fim do tunel depois da luz.

Trompe le Monde é considerado pelos "entendidos", como o pior disco dos Pixies. Todo mundo torceu o nariz pois não era clássico como Doolittle nem seminal como Surfer Rosa.
Na verdade se o disco de estréia da banda mostrou o que fazer nos anos 90, o disco final dos Pixies fez nascer de vez uma geração de caras com camisas de flanela e calças jeans rasgadas e ainda por cima deu toda a carga genética para que o rock indie dos anos 2000 pudesse trilhar o caminho sem ter que tropeçar nas pedras.
Uma banda clássica não tem discos ruins ou melhores, ela tem discos que escrevem a história. E os Pixies tem quatro.
E Trompe Le Monde é um desses pilares.........

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

GD 19......A CARTA DE SUICÍDIO NO NATAL............

Essa carta foi encontrada na escrivaninha de uma quarto de hotel barato no centro da cidade de São Paulo essa madrugada.
A cena junto à carta era de desolação e desespero. Um homem de aproximadamente 45 anos com as órbitas perfuradas por dois lápis pretos número 2, balançava inerte pendurado em uma corda. Em seu pescoço o nó feito com precisão cirúrgica de quem passa horas estudando cada fibra do material e sabe exatamente em quais pontos aplicar a pressão necessária para que a cartilagam da traquéia fosse esfarelada em pequenos pedaços encontrados ao longo de seu esôfago. A marca do enforcamento indicava uma capacidade de acerto pontual aonde a corda deveria estar para completar a tarefa que foi iniciada com a perfuração ocular.
O homem vestia apenas uma samba-canção cinza e seu torso era bem construído. Suas mãos com marcas de cortes em seus dedos, indicavam uma vida de trabalho duro. Sinais e os calos afloravam como margaridas brilhantes em jardim numa tarde de primavera. Seu semblante era calmo em contraste com toda a tectônica dureza de seu corpo. Moldado em bronze bruto, seu peito parecia explodir em uma desesperada calma de quem sabe exatamente o que quer e por onde chegar. Um sorriso travado pela asfixia dava ares de paciência engessada e ácida, mostrando que a doce sensação do alívio em estado puro de alegria suicida estava pavimentada em todas as células sem oxigênio daquele cidadão sem documentos de indentificação.
Um criado mudo do lado direito da cama de solteiro, que estava com os lençóis banhados em suor que exalavam um aroma mórbido levado para todo o canto do quarto de número 1500. Carregado pelo vento de chuva que a madrugada traficava pela única janela entre aberta. O chão em madeira rústica e antiga com alguns detalhes desgastados ao redor dos pés da cama tinham cor de cana curtida por séculos e amparava mais a frente um espelho com os bordos decorados em prata barata onde o tempo se alojava em quase todos os reflexos das pessoas presentes. Pelas imagens era possível sentir o gosto obscuro de uma noite que provavelmente não iria terminar com a descoberta do cadáver.
No armário de roupas encostado na parede do lado esquerdo, próximo a janela entre aberta apenas um paletó azul e uma gravata negra. Pequenas partículas de poeira eram vistas descrevendo mosáicos paranóicos que se movimentavam em torno do cabide. A névoa sorria levemente com o canto de sua boca, entregando uma felicidade incabível e currando todas as frestas do armário empurrando para fora do quarto todo um resquício de alma que se fundia em tons de cinza com a garoa que lá fora escorria fétida por entre os bueiros cheios de água empoçada.
A carta foi colocada em um saco plástico que estava escrito evidência. E por segundos todos na sala pensavam que aquele nome colocado com uma fita adesiva em um saco de provas deveria mudar para pleonasmo...........
A carta:

" São Paulo, 17 de dezembro de 2009.

Esta carta é para a primeira pessoa que achar meu último resto de esperança em forma de conjunto de orgãos e tecidos.
Quem eu sou, não interessa. O que eu sou talvez. Mas o mais necessário saber é o que eu irei me tornar.........
Eu moro no Brasil. Nascido aqui. Não sou gringo nem fui descobridor português que estuprou a terra dos índios com crucifixos para fazer deles futuros seguidores da igreja Renascer. Sou apenas um pai de família que nesse dia resolveu tomar as rédeas da situação e não esperar mais a justiça divina.
Dessa vez eu vou usar minha mãos.........
E elas estão preparadas e adaptadas para essa tarefa. Esperei demais por esse momento e trabalhei de sol a sol para que esse dia chegasse. E hoje no meu 46º aniversário este é o presente que darei ao meu país e aos meus filhos. Cumpro hoje um dever cívico que deveria ser cobrado de toda a população. A capacidade de cuidar do seu país não é apenas dos políticos, mas sim minha e sua. Do legista do IML que estará tirando fotos de meu cadáver, até o presidente da república.
Eu nasci aqui e eu tenho responsabilidade por esta terra. E por pensar assim é que eu não posso concordar com nada disso que acontece nesses dias. Não posso querer que meus filhos cresçam em um lugar aonde as pessoas escolhidas para serem representantes de um nação toda escondam dinheiro dentro de meias, durmam com as consciências limpas e ainda rezem ao receberem dinheiro ilícito. Como qualquer traficante ou assassino, essas pessoas estão matando à longo prazo. Um prazo muito maior que as prestações das coisas que com meu suor comprei para tentar tirar toda uma família de dentro de um balde exalando excrementos e cheio de entremeios fétidos que se chama vida moderna.
Não é justo que esses senhores feudais de gravata parem de trabalhar antes do final de ano com o intuito de manter o sistema de corrupção funcionando. Tornar tudo um emaranhado de acusações sem eco, que se perdem depois do Carnaval e que a Copa Do Mundo vai apagar. Não consigo viver em um lugar assim, onde pessoas que deveriam pagar por seus crimes contra o patrimônio público, andam de gravatas caras e conseguem manter a cabeça erguida com orgulho por serem apenas uma qualidade mais culta de bandidos.
Insuportável olhar para uma criança em um sinal pedindo migalhas de atenção embaladas em moedas de vinte e cinco centavos e não ter nem ao menos uma nota em dó. Por isso hoje eu digo basta!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Quem encontrar o resto do meu corpo vai perceber que minhas órbitas estão perfuradas. Peço uma licença poética exalada por últimos segundos para que me torne tão cego quanto a justiça deve ser. Furo meus olhos porque desse momento em diante não verei mais raça, religião ou movimentos financeiros. E esta cegueira forçada não será jamais equivalente com aquela que convivi durante minha vida toda. O ato de não enxergar minhas próprias apatias terrenas vivas e incandescentes.
Mas hoje eu sou a cria do oitavo dia. Eu sou o chamado de clemência de um povo sem história e sem futuro. Hoje eu me torno um só com meu desejo. Todos os anjos com asas negras dentro do mar relutante e calmo me acompanharão. Meu suicídio é proposital, assim não poderei ir ao céu muito menos ser aceito como pária do inferno. Peço ao demônio que me esqueça e a Deus que não me ampare. Hoje eu sou mais do que um simples amontoado de orgãos fisiologicamente colocados em harmonia. Sou a velocidade de resposta virtual.
Vagarei pela face da terra mais podre. Minha terra natal será meu limbo e meu espírito morto-vivo de energia virulenta vai vasculhar cada casamata por onde se escondem os ratos e de suas almas me alimentarei. Em seus pesadelos mais profundos minha alma terá morada. Mostrarei a todos senadores, deputados e afins como é acordar e viver um pesadelo movido pela sua própria vida.
E quando todos eles estiverem apavorados ao ponto de não conseguirem mais sair de dentro de suas casas, ceifarei o resto de suas almas.
Hoje me torno o primeiro terrorista espírita da humanidade. Não haverão traços de bombas, nem mortes de crianças inocentes ou pessoas em prédios de escritórios, apenas os culpados pagarão.
Meu corpo já não mais existe, há sim uma vontade geometricamente crescente de inundar a capital de medo do desconhecido.................".

Em um esritório escuro por onde a luz não consegue vencer as duras paredes cheias de medo e pavor, a quilômetros de distância do centro da cidade de São Paulo na capital federal, José Roberto A. sente sua carótida ser esmagada por duas mãos cheias de marcas e calos como margaridas em um jardim na primavera. Uma voz sem rosto e apenas uma respiração em sua nuca lhe diz quase que em um sussurro:


"Você esquece tão cedo!!!!!!"

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

GD 19......OS WATCHMEN BRAZUCAS E OS SONS LIBERTÁRIOS DO CORREDOR X

"Junto com grande poder sempre vem a grande responsabilidade"
UNCLE BEN......

Meio de semana.......
E o final do ano que sempre parece morno, começa a dar sinais de incandescência pura.

Uma das bandas mais bacanas do planeta, o KISS sempre foi colado como pária no mundo do rock. A imprensa sempre pegou no pé dos mascarados mais velhos da cena, pela "qualidade" duvidosa do trabalho da banda. A revista Rolling Stone sempre tratou de deixar os caras do lado de lá do muro das coisas boas da música. E quando essa situação parecia querer mudar..........

A banda havia sido indicada para se tornar um dos imortais artistas no Hall da Fama do Rock and Roll. Estavam na disputa com outras bandas de peso como por exemplo o Stooges. Tudo caminhando bem, Gene Simmons feliz por ter mais uma oportunidade de colocar seu temperamento tiozão pegador na prática, línguas, sangue e pirotecnia.
Mas hoje.........
A mesma Rolling Stone que esculhamba o Kiss, anunciou as bandas que serão premiadas em março do ano que vem. E os mascarados não estão na lista.
E se você é fã dos caras e já está revoltado se prepare, porque os agraciados com a honraria em 2010 serão:

Stooges
ABBA (é verdade, não é brincadeira não!!!!!)
Jimmy Cliff (o cara que tem até música na novela da Globo!!!!!!)
Genesis e
The Hollies.

Mas como muitas vezes se perde, mas em equipe os Red Hot Chilli Peppers também foram excluídos da lista final.

Aqui no GD você já leu sobre ela. Mas esse final de ano parece ter sido feito sobre medida para FLORENCE AND THE MACHINE. Além de estar aparecendo em quase todas as listas de final de ano, a moçoila ainda por cima é considerada uma das apostas mais certas no mundo indie. O que não quer dizer muita coisa visto que em 2008 todo mundo apostava no Passion Pit como a banda de 2009. Walter Mercado nunca trabalhou no rock, Mãe Diná muito menos.
Com um som que varia muito entre a esquisitice pop e baladas mais radiofônicas a banda tem um pé no maisntream mas sem deixar as loucuras de qualquer musa indie fora do lugar. Mesmo porque musa que é musa tem que ter pelo menos um timbre de voz parecido com o de Florence.
Aqui você escuta o mais novo single dela, a já clássica e com nome bizarro GIRL WITH ONE EYE.........









Sempre acontece de uma banda que você gosta ser descoberta muito tempo depois de sua gênese.
Não são poucos os casos de sons que fazem uma confusão mental tamanha, que a mais pleonásmica questão sempre invade a sua cabeça:

Por que que eu não ouvi isso antes??????

E isso aconteceu aqui essa semana quando colocamos nossos ouvidos no disco mais recente da banda AU REVOIR SIMONE. O disco que se chama Still Light, Still Night é de uma delicadeza e força tamanhas, que muitas vezes nem pareçe que são apenas meninas cantando e deixando bases eletrônicas circularem por entre o cíngulo de sua cabeça apontando para direções desconexas e sempre espetaculares. Com sons doces e letras um tanto quanto amargas essas meninas do Brooklyn (já virou pleonasmo de bandas novas americanas), fazem com que você sempre que possível já tenha trilha sonora para aqueles passeios na floresta mágica acompanhado do seu amigo imaginário.



E para por um fim nessa quarta sonora, uma outra banda que é favorita aqui no Gangrena.
Seja pelo peso inserido nas guitarras ou pelas letras divertidas, os JAPANDROIDS fazem um sensacional barulho desde o ano passado. A banda sempre esquecida pelos críticos especializados, mostra com quantas distorções se faz uma canção em uma sessão do Daytrotter gravada ontem.
Eu já havia falado deles e volto a dizer, não é sempre que uma dupla com essa arritmia musical desenfreada aparece. Um dia os White Stripes nasceram, a evolução da espécie você pode conferir logo abaixo..........
Em tempos aonde o rock parece caminhar para um lugar sossegado, é sempre bom fazer com que as estruturas desabem em peso.........








Japandroids / Racer X









Japandroids / Rockers East Vancouver



E como nem só de sons se vive, duas dicas de leituras muito boas........

A cidade de Shampan City palco de atividades nazistas?????
Grupos de resistência contra o Eixo?????
Livraria Anarquista?????
Parece livro de ficção, mas é muito mais real do que você imagina. Com a abertura dos arquivos escondidos na época da ditadura, foi possível para que vários autores reunidos vasculhassem a história. E acabaram descobrindo que a cidade de São Paulo foi palco de movimentos de diferentes faixas étnicas e religiosas contra a ditadura e até os nazistas. Descobriram também que além dos grupos de resistência bem organizados, os nazistas possuiam organizações aqui na cidade para manter a diretoria do movimento sempre atualizada das manobras dos Watchmen tupiniquins. O livro São Paulo metrópole das utopias – histórias de repressão e resistência no arquivo Deops, mostra toda a luta de grupos anônimos contra os movimentos que decapitavam a liberdade do indivíduo e do coletivo. Leitura obrigatória para quem quer saber do que é feita a história do país e mais especificamente da quarta maior cidade do mundo.

Livro: São Paulo metrópole das utopias – histórias de repressão e resistência no arquivo Deops
Autores: vários

Organização: Maria Luiza Tucci Carneiro – Universidade de São Paulo
Páginas: 512

Preço: 49,00 Editora: Lazuli / Companhia Editora Nacional


Outra leitura boa para quem gosta de som é a Revista Noize. Com formato on line e uma diversidade muito boa de matérias. Entrevistas com pessoas que circulam pelo Lado B da cultura e com uma matéria muito boa sobre o cenário musical da década, vale a pena escapar das publicações mais hypadas e dar um olhada em um outro ponto de vista. Em um país aonde uma das coisas mais relatadas na terça feira foi uma discussão sobre música com o Rick Bonadio no twitter, você tem a obrigação de sair dessa leishmaniose cerebral e ler algo diferente.
Afinal de contas, nada nessa vida valeria a pena se não fossem os lados Bs das coisas..........

A revista de distribuição gratuita está aqui nesse link!!!!!

Boa leitura.

Essa semana a saga dos discos esquecidos continua e mais uma surpresa!!!!!!!!!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

GD 19.....SHOWS DE 2010???????

Essa será a sua cara de alegria depois de ler esse post.........

2009 acabando e no fringir dos ovos até que esse ano os shows ocorridos nas terras tropicais abençoadas por Deus foram um misto de alegria e falta de espírito esportivo para poder suportar algumas falhas estruturais. Mas como sempre acontece no meio dos mortos e feridos.........
O início de ano com o messiânico Tom Yorke e suas cabeças de rádio, até o apocalipse violento do AC/DC nesse final garantiram que muitas pessoas pudessem voltar para casa com sorrisos largos e almas satisfeitas.
Mas e 2010??????

Bom, o ano da Copa do Mundo parece que vai ser melhor que o ano em que um governador escondeu dinheiro na meia ou os dois maiores festivais de música dos país foram marcados para o mesmo dia.
Hoje já corre a notícia nas melhores lojas de informação que o maior festival do Brasil vai ser feito durante o ano todo. Com as especulaçóes em alta sobre uma possível versão de Woodstock e Lollapaloza aqui, as empresas responsáveis resolveram correr atrás de tudo desde já.
A iniciativa é assim:
Uma marca famosa irá patrocinar o maior festival do ano no Brasil. E eu digo maior no quesito tempo. Vai começar em janeiro e terminar apenas no final de ano, porque ao invés de realizar os shows todos de uma vez em um festival, eles serão ao longo do tempo em diferentes cidades brasileiras. E olha que a lista inicial é muito, mas muito boa. Vamos a ela:


a) Brett Anderson (ex-vocalista do Suede), 15 de janeiro em SP

b) Social Distortion, 17 de abril em SP,
18/04 no PR e
20/04 no RS

c) All Time Low, 20/05 em SP

d) Peaches, 09/07 no PR
10/07 em SP

e) Modest Mouse, 18/07 em SP

f) Hard-Fi, 07/08 em SP

g) Ida Maria e Cute Lippers, 24/09 em SP
25/09 no PR

i) The Subways, 16/10 em SP

h) Dead Cab For Cutie e The Cool Kids, 20/11 em SP.

E desde já você já sabe aonde vai parar aquele seu dinheiro suado de sol à sol ganho durante o ano.
Pode se preparar porque ainda tem o Metallica, Coldplay e U2. Então pare de ler esse blog e volte ao trabalho. Você vai precisar dele e muito esse ano.........

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

GD 19....... RAPIDINHAS.........

Enquanto isso, na Liga Da Justiça Bizarra............


John Frusciante foi substituído pelo guitarrista Josh Klinghoffer. Ninguém sabe dizer o porque muito menos se John teria ou não largado os Red Hot Chilli Peppers. Se fosse isso, não seria a primeira vez que ele sairia da banda. Logo depois do aclamado Blood Sugar Sex Magic, ele voluntariamente deixou o quarteto para além de tratar-se da longa dependência química, ficar longe de toda a loucura que não estava fazendo bem ao sensível Frusciante. Aguardemos........


E a namorada (quer dizer ex) de Ron Wood está negociando a história dela com a imprensa britânica. Uma pergunta:
É impressão minha ou os integrantes dos Rolling Stones tem uma predileção por mulheres que gostam de lucrar com isso depois? Histórias, pensões, entre outras..........
Voltando, ela já está dando declarações na imprensa sobre sua época Nancy. E do alto da sua "experiente vida" de 21 anos, diz que é preciso muita força para suportar alguém nas condições de Ron Wood. As vezes é melhor ouvir isso do que ser surdo, eu acho.........
E depois dessa história completamente desnecessária vamos ao que interessa:

Uma das bandas mais bacanudas desse ano, o XX, que figura em onze de dez listas sobre os melhores de 2009, apareceu no programa Last Call With Carson Daly tocando a maravilhosa Crystalized. Antes da música uma pequena explicação sobre a banda e depois o som, confere aí:



E no quesito presentes de Natal, vamos de duas dicas sérias sobre o que comprar nesse fim de ano, sem medo de errar......
Aqui no GD eu já tinha colocado o trailer do show e do dvd, mas é sempre bom lembrar que presentes clássicos são sempre bem vindos.
O DVD já nasceu histórico, mas não custa nada lembrar que Good Evening New York de Paul McCartney merece uma visita porque, além conferir uma banda afinada e com fúria de início de carreira, mostra com quantas notas um bom show de rock é feito



O outro é o novo disco de Ringo Star. Y NOT, o quarto álbum do Beatle mais carismático (e isso não é uma piada), traz a participação de Paul na canção Walk With Me. Mas esse presente vai ser de Natal atrasado, porque o lançamento oficial está marcado para 12 de janeiro do ano que vem. Mas ganhar presente depois da data é como ter um bônus feriado, não é mesmo?????

E quando aqui no GD a reclamação é a organização dos shows no Brasil, todo mundo me acha reacionário. Mas nem as iniciativas que são feitas para a população, gratuitamente, mostram que existe uma seriedade na divulgação e condução dos eventos.
Ontem aqui em SP ocorreu o show do guitarrista gênio Stanley Jordan. Uma iniciativa do projeto Quebrada Cultural, uma espécie de Virada realizada em bairros de periferia. Ótima oportunidade de adquirir culturas diferentes, mesmo se você não morasse no bairro em questão.
O show realizado em Guaianases reuniu uma platéia de 17 (sim, eu disse dezessete) pessoas e mais nada embaixo da garoa fina da tarde de domingo.
Pessoas que estavam no local reclamaram da divulgação escassa sobre o evento. Mais uma vez provando que o gigantesco abismo entre a periferia e os bairros de classe média continuará grande se não houver uma vontade maior de quem organiza e distribui esse tipo de evento em fazer o show para o povo e não para sair na coluna social......




quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

GD 18 PÍLULAS ATÔMICAS DE VIBRAÇÕES DANÇANTES......


Existe uma categoria de sons que eu costumo chamar de sons equivalentes. Nem sei ao certo se essa denominação existe de verdade. Mas apenas sei que muitas vezes as surpresas são empacotadas em embrulhos que se parecem com aquele em que estava o presente do ano passado. E nessas horas as aparências enganam muito.......
Nas primeiras notas do disco de estréia da banda australiana PHILADELPHIA GRAND JURY, você vai ter essa sensação.
Dupla de amigos de infância que vivem brigando, Berkfinger e MC Bad Genius acabam todas as discussões fazendo músicas. E nesse caldeirão de influências que os caras mostram desde os primeiros acordes do disco HOPE IS FOR HOPERS, vai fazer você ter certeza que está diante de um dos discos mais bacanas de 2009.
Uma vez eu escutei um dos meus heróis da marvel dizer que não interessava se a banda parecia uma outra, o importante era que o som da banda citasse a referência mas não fosse uma mera cópia. E é exatamente isso que você vai escutar do PGJ, milhares de sons com influências variadas. Mas nada é de graça e pode ter certeza que a sua diversão está garantida.
O disco é rápido, não demora nem 40 minutos para você escutar toda a bolacha. Pode até parecer diversão sem conteúdo, dessas que se esquece depois de dois minutos longe. Poderia até ser o carrinho de trombada do rock, mas sempre achei que música boa era aquela sem fescuras teóricas e com punch suficiente para deslocar o ar dos seus ouvidos. Pois então pode se preparar.........

The Hives???
Não é apenas a canção inicial READY TO ROLL. De duração punk (1:53), com uma pegada pesada incluindo aí os vocais arranhando a faringe. Toda baseada em Stooges e Ramones com uma função única de divertir e mais nada. Suja, simples e pronta para despertar sensações dançantes com cabeças em balanço constante.
THE GOOD NEWS não tem nada, mas absolutamente nada a ver com a pegada da canção inicial. Pianos em inércia e refrão pegajoso mais do que assoviável, fazem com que o disco passe do punk para o pop iê-iê-iê em fração de segundos. Letra divertidíssima e leve como toda boa canção pop deve ser, faz com que a bateria ritmada apenas seja mais uma forma de fazer você mexer seu fêmur constantemente.
A cafajestada corre solta em WHEN YOUR BOYFRIEND COMES BACK TO TOWN. Fala sobre ser o outro em um triângulo amoroso. Com sonoridade pixieniana e um suingue que lembra muito as boas coisas inspiradas no funk dos anos 70. Malemolência cheia de terceiras intenções.









Toda banda de rock tem que ter uma baladinha que se preze. Pois então WET WINTER HOLLIDAY é ideal, com suas nuances de chobidubá e letra que fala sobre o cheiro de garota. Bateria eletrônica marcando o passo desde o início, com uma lentidão propositalmente rápida faz com que essa música seja apenas uma parada estratégica para as pancadas que virão à seguir.
Um ukelê solta as primeiras notas dentro de I´M GONNA KILL YOU. Mais uma vez Pixies e um direto de esquerda que vai te deslocar o pescoço. Rápida como todo bom rock de arrasto deve ser, com solo marcante e apenas a lembrança de que toda boa música tem que ser no ritmo do 1,2,3,4.
E o deslocamento de ar continua com FOOT IN MY MOUTH. Frases cheias de repiques na bateria e uma guitarra em nervosismo constante. Mais uma vez a letra calhorda mostra que a diversão sempre foi a mola propulsora dos australianos. E a simplicidade de tons e cores mostra que não é necessário sabores metálicos de longa duração para se ter uma música que seja explosiva.









Com o refrão homenageando Summer Love do filme Grease, PHILLIPS´S NOT IN LOVE WITH YOU traz uma tonalidade um pouco mais calma. Cadência necessária para contar a história da canção, o que faz que ela seja mais atraente aos ouvidos mesmo dando a impressão de ter saído de algum filme para adolescentes nos anos 50 ou 80.
O pop com cerebelo bem postado volta a marcar presença em GROWING UP ALONE, que consegue conciliar bem a tendência em ser meio Beach Boys meio Beatles. Mais um refrão grudento e linha mais simples não fazem com que a música seja descartável. Sensacional trilha sonora para se dirigir em qualquer dia da semana.
As melhores músicas são sempre aquelas que não tem pretensão nenhuma de serem levadas à sério. GOING TO THE CASSINO (TOMORROW NIGHT) é assim. Descaradamente suja e despretenciosa é de fácil digestão pelos seus ouvidos acostumados com as maluquices de Tom Yorke, mas sem deixar de lado todas as mudanças de andamento que a guitarra coloca explodindo em sons mais tribais possíveis antes de mais um refrão que nem de longe vai deixar sua cabeça tão cedo.
NO YOU DON´T tem uma cara de Rolling Stones que é quase um disparate. Os vocais duplicados dão um clima Devo para a canção que é marcada pela linha de baixo pesado com guitarras distorcidas e embebecidas em litros de bebida alcoólica de qualquer tipo. Rápida e certeira com a tendência de te fazer dançar por mais um minuto e trinta segundos.
O blues aparece em THE NEW NEIL YOUNG, colocando a canção mais longa do disco (4:o1) como uma homenagem ao avô do grunge. Levada garageira em peso com todas as paradas estratégicas em Seatlle. Com a nítida alusão à Daniel Johnston esse som serve para acender um cigarro e pedir uma cerveja bem gelada.
Como em todo o disco I DON´T WANT TO PARTY (PARTY), tem uma diversão embutida sem precedentes (Jesus is in my kitchen but the devil is in my mind.....). Clamando por amores com riffs irresistíveis e uma bateria que vai soar como uma ordem para se jogar dentro de qualquer balada indie que se preze. É tudo muito simples e sem pretensão de soar inteligente e, graças à Deus, assumidamente divertido.









Hope Is For Hopers é um disco que não se deve levar à sério. Mas é exatamente nessa atitude que ele se mostra mais forte, pelo simples fato de divertir e mais nada. Afinal de contas o rock realmente é para isso mesmo.
Pílulas homeopáticas atômicas cheias de vibrações dançantes.............

GD 18.....JINGLE BELLS E PRESENTES DOS HELLS BELLS

Não sabe o que comprar de presente para aqueles queridos amigos?????
Fica sempre em dúvida que presente se encaixa mais com a personalidade da pessoa que você tirou naquele amigo secreto sincero da sua empresa??????
Treme envolto em uma aura de pavor em pensar que vai ter que decidir a cor mais bonita do presente para poder ser feliz mais um ano ao lado do seu amado(a)?????

Não se desespere!!!!!!!!
Em mais uma listinha com o fino da bossa o GD traz para você 5 presentes matadores, para esse fim de ano se tornar muito mais OH-OH-OH-OH do que você imagina.


05)
Para você que não deseja nem por um minuto que a pessoa que você mais preza se afogue em mágoas ou em poças cheias de água suja do Tietê, nada melhor que uma dessas para que além de satisfeito o presenteado se sinta seguro. Além do que o saldo sempre será positivo.

04)
Estilo esportista radical?????
Seu programa predileto é American Chopper????
Gosta de couro????
Tem um poster do Exterminador do Futuro na porta do quarto???
Nem precisa dizer que esse presente vai fazer a alegria do presenteado.......

03)

Namorados de muito tempo sempre acham que comprar presentes é uma tarefa hercúlea. Já deram tudo o que a outra pessoa gosta, compraram inutilidades para os dois. Trocaram juras, amores e xingamentos.
Nada melhor que uma dádiva da tecnologia moderna como esse presente aí de cima para fazer a relação durar pelo menos mais uns 3 Natais........

02)

Acessório indispensável para os dias atuais. E atenha-se ao detalhe da praticidade desse presente.
Na pior das hipóteses vocês podem ganhar uma bolada em indenizações, além do que a sua namorada ainda pode descolar uma boquinha na televisão e oxalá um ensaio fotográfico na Playboy. Já imaginou a sua namorada nas melhores do ano junto com a Fernanda Young??????

01)

Uma imagem vale mais do que mil palavras, mas uma frase bem colocada faz milagres.
Com essa placa bem estruturada você pode ficar sossegado que jamais será investigado, questionado sobre detalhes sórdidos ou se a sua consciência está limpa. Utilitário para todas as idades e gêneros. Vale para maridos que pulam a cerca até presidentes da república!!!!!!!

E mais tarde nessa noite de quarta a resenha mais rock and roll do planeta!!!!!!!!!!!

GD 18......O PULO DOS PIRATAS ANISTIADOS.......

Duas coincidências jornalísticas, por assim dizer, passaram pelos meus olhos esses últimos dois dias. Primeiro uma reportagem sobre pirataria digital feita pela revista Rolling Stone versão brasileira Herbert Richards, a outra uma matéria publicada na revista Wired hoje. As duas tem pouca coisa em comum. Na matéria brazuca fica claro a tendência meio sunita do mercado nacional em relação as pessoas que fazem downloads gratuitos de músicas pela internet. Mas também colocam o dedo na ferida quando, por exemplo, mostram a opinião de defensores do método de se obter sons na faixa.
Uma das conclusões é que como a maioria dos arquivos são em P2P..........um minuto por favor.

(P2P é o conceito introduzido pelo pirata mor Shawn Fanning (criador do Napster), no ano de 1999, que funciona como um emaranhado de arquivos divididos em muitas partes. Cada vez que você pega uma música pelos sistema P2P ela vem cortada em pedaços e é por isso que com uma conexão boa você pode, por exemplo, ter a discografia completa do Flaming Lips em apenas 15 minutos dentro do seu computador. O fato do arquivo estar dividido por vários nós nesse emaranhado de vias virtuais faz com que seja mais fácil o ato de se ter música dentro do seu aparelho de funcionamento binário de graça. Capicce?????? )

Voltando.........
Por esse motivo é que uma lei de combate e repressão ao ato de "baxar" músicas gratuitas no Brasil está engavetada. O vilão como sempre é o sistema que não ajuda o combate.
Isso deixa caras que um dia já foram à favor do download gratuito meio revoltados. Mas a pergunta é: revoltado com o que??????

Antes das barraquinhas de cd's piratas começarem a tomar conta das ruas e feirinhas cheias de produtos sem nota fiscal iniciarem suas atividades, a pirataria era feita através de fitas cassete que as pessoas compravam em uma loja de discos qualquer e gravavam seus discos favoritos. Não era necessário um disco para cada cópia de fita, porque regravar os rolos de fita magnética era muito melhor. Mas como não se tinha alternativa para obtenção de um disco, a não ser a compra do vinil, ninguém reclamava. Era até romântico montar uma fita com as melhores músicas e dar para aquela garotinha ruiva da escola, não é mesmo Charlie Brown?????
Ou seja, pirataria já existia desde o tempo da minha avó...........
Muito mais gente tinha fitas do que discos. E ninguém reclamava de nada.
Mas aí veio a internet, os computadores e a digitalização da música. Triângulo das bermudas em relação à industria. A pancada foi forte e uma coisa estava clara:
Ou se repensava o conceito de vender música ou a indústria estaria fadada ao desaparecimento, afinal de contas a liberdade de escolha havia sido colocada ao limite extremo. Tudo ao mesmo tempo agora de uma vez só em um montinho agrupado. Músicas de graça, pessoas novamente tendo acesso ao que muitas vezes era permitido apenas para poucos e por fim um caos sem precedentes. Pessoas presas, leis que são tiradas do livro 1984 de George Orwell, caça as bruxas de Blair.
Heróis com seus óculos de acrílico preto quadrado foram formados. Robin Woods da floresta matrixiana estavam sendo caçados e a fúria relacionada com a perda de poder por parte das grandes corporações está deixando todo mundo de cabelo em pé. Todo mundo quer punir, mas ninguém quer achar uma saída.........
Possibilidades existem. O Radiohead já mostrou várias, desde vender seus próprios trabalhos pelo preço que o público quer pagar pelo discos ou soltar um single gratuito para depois da propaganda viral sobre ele vende-lo no site.
Na reportagem da Wired a solução para salvar a indústria foi sugerida pela aplicação cada vez maior dos chamados API (Interface de Programação de Aplicativos), que são conjuntos de rotinas específicas para que se possa utilizar funcionalidaes de um determinado programa. Um exemplo:

Vamos supor que no site da gravadora exista uma área onde a pessoa possa adquirir o API de uma determinada banda. A pessoa que gosta, acessa o site da gravadora, adquire o aplicativo e a partir dele pode ter acesso à todo o material do grupo. Fotos, músicas, ringtones e tudo o que a estratégia de marketing permitir. O preço nesse caso pode ser até menor que o atual porque corta-se o intermediário. É o artista indo aonde o povo está.
Eu sempre uso esses caras como exemplo porque acho sensacional o que eles desenvolvem com as bandas que "agenciam" por assim dizer. A empresa é a PHONOBASE MUSIC SERVICES. Os caras trabalham com tudo que diz respeito ao mercado fonográfico. Desde estudos sobre a audiência, planejamento fonográfico até distribuição. Os trabalhos que eles realizaram com algumas bandas nacionais provam (e muito) que é possível sim fazer algo de qualidade sem prender ninguém ou abortar a distribuição livre de arquivos de música. O Facebook dos caras está aí do lado, no GD Recomenda, e você pode conferir que quando se tem vontade e capacidade as soluções aparecem sem tirar a liberdade de ninguém. Sugiro à todos que passem os globos oculares pela matéria feita com a banda JUMBO ELEKTRO sobre o que a empresa fez com eles em relação a comecializaççao de discos. É no mínimo genial.

O problema todo é que aqui no Brasil todo mundo segue a máxima do hino nacional, deitando eternamente em berço esplêndido. Não querendo entender que, se por acaso você trabalha duramente, de sol a sol, não pode achar que por ter feito uma coisa genial vai viver dela pelo resto da vida. Afinal de contas, como diria um outra banda que tem idéias muito boas sobre isso (o Macaco Bong), músico é igual a pedreiro. Na verdade todos somos!!!!!!!
Não adianta criar uma bastilha francesa de decaptação para as pessoas que consomem, existe sim a necessidade de se acharem saídas mais geniais. Isso é muito mais do que possível........

Agora podemos falar de música?????



Uma das bandas prediletas aqui do GD, o PORTISHEAD, acaba de lançar hoje o seu mais novo vídeo de uma música inédita. Depois de passarem onze anos sem lançar nada entre o segundo e o terceiro disco, a banda dessa vez demorou bem menos. Além do que a música tem um fundo engajado muito bacana. Dia 10 de dezembro é marcado pelo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos (10 de dezembro de 1948), e assim, juntando esse aniversário com o engajamento da banda, nasceu a faixa Chase The Tear. Talvez a mais movimentada e dançante música do Portishead de todos os tempos. Como sempre, cercada da estranhos barulhos desconexos em formas de bolhas de notas que explodem por entre seus ouvidos, paralisando-os. Sensacional........

Portishead - Chase The Tear from Mintonfilm on Vimeo.



A direção do vídeo foi feita por John Minton, artista visual que já trabalhou além do Portishead com Robert Plant e muito mais gente bacana. O site do cara está também na coluna GD Recomenda assim como o endereço da Anistia Internacional, entidade que faz parte do projeto.
Mais tarde menos conversa politizada e uma resenha de um disco que está sublimando as ondas de ar ao redor das minhas metades do cérebro............



quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

GD 18.....CARNE VERMELHA ASSOMBRADA E MÚSICAS DE FILMES DE TERRIR (NÃO É ERRO DE PORTUGUÊS É ASSIM QUE SE ESCREVE)

Confesso uma má vontade literária hoje. Minha cabeça está ainda meio mexida por causa do filme de ontem. Atividade Paranormal é sim um dos filmes mais aterrorizantes que já assisti. E nem é pela história em si ou pela maneira de se contar um conto horrendo aonde o desespero humano é retratado de forma tão aguda e crescente na questão do pavor. Mas esse filme é daqueles que grudam na sua retina e seu cérebro tem dificuldade em inverter as imagens e estas continuam disformes e aterrorizantes na sua cabeça. Não é o medo do que é palpável e se pode ver, mas daquilo que teima em parecer muito menos tocável e claustrofobicamente encaixado nas suas maiores fobias.
Enfim...............
Em tempos aonde a discussão da pirataria virtual parece querer tornar-se caças às bruxas, temos ainda boas novas dentro do mundo formado por claves de sol.

Que Paul McCartney foi um Beatle é pleonasmo. Que o cara continua na ativa fazendo coisas sensacionais é muito mais ainda. Se ele é ou não o substituto do verdadeiro que morreu nos anos 60 é uma dúvida cruel, mas o braço engajado do músico está aí para dar sinais de vida. MEAT FREE MONDAY é a campanha ambiental que Paul e suas filhas fazem parte e que tem por objetivo trazer soluções ambientais em relação ao impacto que o consumo de carne tem sobre o meio ambiente.
A idéia é simples:
Abolir do seu cardápio nem que seja apenas uma vez por semana o consumo de carne. Um dia apenas é o necessário para colocar a idéia em andamento e diminuir a devastação causada pelo consumo excessivo de carne em relação ao meio ambiente. O site ainda traz algumas receitas sobre alimentação saudável levando em conta o não uso da matéria animal de consumo. Para quem não vive sem churrasco é uma boa maneira de começar a pensar diferente em relação a própria saúde e a do mundo onde vivemos. O link do site está na seção GD RECOMENDA aí do lado. O mais bacana é a música composta por Macca para a campanha, que você pode baxar grátis........



Há uma semana atrás escrevi sobre o festival South by Southwest que acontece nos Estados Unidos no ano que vem e que já tinha uma pequena lista de atrações, incluindo aí alguns nomes brasileiros. Pois bem, hoje saiu mais uma atualização das atrações do festival. E mais dois nomes brazucas que vão fazer parte do elenco do festival. Sylvia Patricia e R. Sigma vão compor o braço brasileiro do festival em Austin. A lista completa você pode ver AQUI.
Não conhece nenhum dos dois, pode dar uma olhada então:





Não vou nem opinar..........


Quando as coisas parecem ser mais do mesmo é sempre bom recorrer as melhores influências. Um toque de Cure aqui, outro de Echo and The Bunnymen acolá. Já foi assim com os viscerais Glasvegas ou com os Cinematics (aliás essa semana resenha do sensacional discos dos caras).
Então para que fugir das citações de sucesso ou procurar algo de novo em sons velhos. Parece até um pouco preguiça ou má vontade, mas os THE COURTEENERS não se importam muito com isso pelo visto. O novo disco dos ingleses de Manchester que se chamará Falco vai sair só em fevereiro, mas aqui no GD você escuta antes uma dessas faixas, a disfuncional mas bela Cross My Heart And Hope To Fly:









Na mesma linha de influências, mas com uma densidade muito mais opaca que a de costume a banda TRAILER TRASH TRACYS, que já não é tão nova assim (o single de estréia da banda saiu em agosto) imprime nas melodias uma cadência tão secretamente vagarosa, que muitas vezes você se sente sob o efeito de algum desacelerador do seu SNC. Vozes que remetem à uma tormenta de sussurros seguida de vontade compulsiva de cortar os pulsos com faquinha de pão Pullman. Tudo bem que você vai lembrar de uma música antiga daquele filme do Tom Cruise onde ele e o Val Kilmer ficam brigando para ver quem é que vai "ride in the tail" de quem.
Escuta aí embaixo Candy Girl.......









Se alguém convida você para assisitir um show de um artista que se chama CATALDO você iria??????
Se você por acaso você fosse audacioso o bastante para encarar as gozações depois poderia ir sem medo de errar. Eric Anderson o músico de Seatlle por trás desse nome no mínimo esquisito gosta de nuances mais minimalistas e banjos de outro planeta. Você consegue dormir bem ao som do cara. Músicas leves para aqueles dias em que a preguiça de fazer as coisas se torna tônica de cor primária.








Cataldo / Black And Milds


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

GD 18.....BALÕES ATMOSFÉRICOS DETECTORES DE CHUVA CHEIA DE DESESPERO E NOTAS......


Vendo e refletindo a entrevista do prefeito Kassab, sobre a chuva que cai fina como em um poema de Pessoa que diz assim:

"E o escuro ruído da chuva
É constante em meu pensamento.
Meu ser é a invisível curva
Traçada pelo som do vento..."

Esta poesia, (presente no Cancioneiro) é melancólica em mesmo tamanho de beleza americana sulista. Mas do mesmo jeito que a poesia, a entrevista de Kassab parece dar interpretações diferentes para quem ouve as palavras saídas da boca do prefeito.
Particularmente depois de ouvi-lo, eu acho que ele vive em outro planeta ou até mesmo dentro da câmara hiperbárica do Michael Jackson. 800 desalojados, algumas pessoas mortas por deslizamentos, Tietê piscinão de Ramos macabro. E o prefeito vivendo dentro do arco-íris........
Mas como toda história precisa de uma trilha sonora, aqui no GD vamos fazer nosso dever cívico e postar alguns sons que combinam com uma terça-feira aonde o tempo vai passar vagarosamente e regado com gotas perigosamente belas, com poder de detruição gigante.

O ano de 2009, muitas vezes exageradamente, foi lotando nossos ouvidos com o que se chama indie folk. Bandas cabeludas e com barbas amish hippie tocando violões e falando sobre o tempo e sua passagem. Fleet Foxes e Department Of Eagles são dois exemplos bem falados por todas as bandas da república do All- Star. Mas existem sim, alguns músicos mais seminais e sensacionais que correm por fora do que se chama mainstream.
É o caso do THE LEISURE SOCIETY. Nick Hemming, fundador da banda, está na estrada desde os anos 90. Quando mudou para Londres em 2006, iniciou trabalhos mais voltados para a música instrumental e experimentações. Nesse tempo foi encontrando todos os outros integrantes da banda dentro de grupos como: Hope Of The State, Troubles, Lightspeed Champions.
E o TLS já nasceu grande, afinal de contas o single de estréia The Last Of The Melting Snow foi indicado como melhor música do ano pelo prêmio Ivor Novello (também conhecido como The Ivors). A banda faz tanto barulho pelas beiradas que um dos maiores produtores da atualidade, Brian Eno, já disse que eles são a única coisa que ele ouve ultimamente e que anda gostando muito. Com credenciais assim fica fácil entender porque as músicas que parecem até andar por entre o lugar comum do gênero, dissolvem qualquer capacidade de antipatia por parte de seus ouvidos médios. Por momentos aonde você poderá transitar entre druidas e pedras mágicas, mas sempre com os pés descalços, sentindo cada pedaço de grama por entre seus dedos. Nuances muito mais parecidas com travesseiros feitos de nuvens e que combinam com qualquer tempo, mas especialmente hoje essas canções se tornam necessárias para tirar de uma chuva incapacitante alguns sorrisos iluminados.
Aqui no GD você escuta duas dessas, In a Matter What e The Sleeper








THE LEISURE SOCIETY / The Sleeper










THE LEISURE SOCIETY / In A Matter Of Time

Vamos pro podcast e já voltamos..........

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

GD 18.....QUANDO VOCÊ ACHOU QUE TINHA VISTO TODAS AS BIZARRICES CONHECIDAS.....

Bom, o campeonato brasileiro acabou. O Flamengo foi campeão e o Coritiba caiu. A festa no Maracanã foi uma das mais bonitas de todos os tempos. O que não se pode fazer é tapar o sol com a peneira furada. No país que vai abrigar a Copa do Mundo é inconcebível acontecerem cenas como as que foram vistas depois. Uma ilha humana de guardas despreparados cercados de predadores humanos sedentos de vingança contra a sua própria impotência. Eu me pergunto sempre se esse comportamento animalesco mostrado no estádio do Coritiba e nas ruas do Rio de Janeiro (sede da Olimpíada de 2016), já não são conversas velhas sempre vistas e nunca reparadas. Do mesmo jeito que os dirigentes alisam as cabeças dos bandidos que usam torcidas organizadas e depois colocam mensagens na imprensa repudiando os mesmos. Mas isso é padrão humano de uma maneira geral.
Os Estados Unidos também alisaram o Sadam e Bi Laden o quanto podiam, depois das torres eles viraram inimigos jurados de morte, como em qualquer seriado americano de caubóis e índios.........
Mas eu já disse que esse blog não é plataforma política nem de petróleo. Por isso antes de dizer que sim o Palmeiras está fora da Libertadores, vamos ao que interessa.


Entrevista muito boa com o Tom Petty. A revista Rolling Stones........um minuto por favor. Antes de falar em entrevista:

Agradecimento aqui do GD para o jornalista Bruno Iacona de Bello, do Jornal Rudge Ramos da Universidade Metodista pela matéria sobre podcasts. Nessa matéria o nosso programa semanal (Podcast Gangrena Diário) foi citado com a frase que abre a reportagem.
Obrigado.........
Estou fazendo ajustes para disponibilizar a matéria no site, logo mais.
É a dominação mundial do Gangrena começando Cérebro!!!!!!!

Voltando ao Tom Petty..........
A revista Rolling Stones fez uma entrevista longa à respeito da vida e carreira de um dos caras mais sossegados do ramo. E um dos mais talentosos também. Dá uma clicada aqui e leia, vale à pena.

Músicas novas. O Vampire Weekend está realmente soltando o disco CONTRA aos poucos. Ainda não refeito do estrago de ouvir Cousins, a banda soltou hoje California English Part 2 que já vinha sendo tocada em shows nessa fase pré lançamento. Se Horchata e Cousins tinham colocado a banda um pouco longe da sonoridade do primeiro álbum California English tira qualquer tentativa da banda de fazer apenas uma continuação do disco de estréia. Nuances muito mais psicossomáticas e lisergia em estado de ebulição bruta, formam um mosaico impreciso nessa nova canção. Se por um lado é estranho, pelo outro também. Mas a coragem de mudar e seguir em frente poucos possuem......



E por falar em bandas novas, existem pelo menos duas que andam fazendo confusão dentro do player do Gangrena.
A primeira segue na mesma linha do Vampire Weekend, mas com os dois pés no pop dos anos 80. Some à isso uma pequena catapulta sonora que arremessa as notas através do folk e dos sintetizadores falantes. Você tem aí então a banda HOLIDAY SHORES. E os caras já chegam com esse clip mais do que bacana para a música Edge Of Our Lives. Nome épico para uma canção desconexa. Cheia de mudanças e saltos harmônicos mostrando que a esquisitice pode ser uma qualidade poderosa dentro da música.....




Promessas e mais promessas sobre o que pode acontecer com o mundo da música já estão rolando por muitos e muitos sites. Em sua maioria as bandas acabam sendo apenas empurrões de grandes gravadoras em busca de mercado. Mas de vez e quando........
De vez em quando existem bandas com essas duas aqui. O MIRROR LEAGUES de Cincinatti na barackolândia, banda que mistura metais e guitarras com suíngue que lembram muito outra boa banda os Mighty Mighty Bosstones. Peso metálico e outras nuances poderosas dentro de uma capa de ferro e fogo.








The Mirror Leagues / Good Boys



Duetos eletrônicos foram a tônica das grandes bandas de 2009, vide o exemplo do The Big Pink umas das melhores bandas desse ano. Mas enquanto os róseos estão em uma praia um pouco mais dançante. Os caras do Soulsavers são mais climáticos. Dueto de eletrônica da Inglaterra essa banda já teve Marky Lenegan (Screaming Trees, The Gutter Twins e QOTSA) nos vocais. Inclusive esse som que você escuta aqui no Gangrena (SUNRISE), foi escrito por ele. Colocada no mercado como single pós lançamento do disco da banda, que se chama Broken de agosto de 2009. A gravadora não fez muito alarde para o lançamento, ma aqui no GD a gente faz um barulho por eles. Escuta aí:








Soulsavers / Sunrise


E o prêmio de videoclip mais bizarro de 2009 vai para...........




Mais tarde tem podcast com a segunda parte dos clássicos de todos os tempos........

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

GD 17......MAIS RAPIDINHAS DO QUE A VENTANIA NA SEXTA DE MANHÃ


Notícia boa ou não dependendo do que você acha dos The Killers atualmente.
O cantor Brandon Flowers poderá ter uma carreira solo começando em breve. Rumores estão rolando que o Killers não deverá lançar nada de novo por algum tempo. O que pode ser até uma boa notícia se levarmos em consideração o disco Day and Age. Mas não quer dizer que o cantor vá ficar parado. Provavelmente ano que vem poderá rolar material do cantor, com seus ternos com penas de pavão misterioso.
É para ficar alegre ou começar a rezar?????

Os Smiths não vão voltar.Mas Johnny Marr continua tão na ativa quanto a titia Morrissey. Tocando com os Cribs e mandando ver nas guitarras do Modest Mouse, o cara que é um dos melhores riffeiros dos anos 80 acaba de dar um pitaco no mundo da música. Atualmente em entrevistas anda comentando que a sua nova admiração musical é Lissy Trulie. A cantora com seus cabelos Blade Runner anda fazendo a cabeça de Johnny.
Rasgações de seda à parte o som da menina de Nova York é bom mesmo, naquela mesma linha de meninas cantando rock indie que teima em não ir embora dessas pradarias, o que é sempre bom. Mas sem esquecer de sempre adicionar um certo "peso" nas canções.
Dá uma olhada no vídeo dela cantando Boy Boy e me diz o que você acha.......



quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

GD 17....NUANCES DE PERCEPÇÃO DA VIDA........


Quando não se tem mais a esperança de que um dia a educação vai ganhar e a gentileza se tornar matriarca das ações humanas, você pode sempre que possível recorrer por alguns minutos de extrema sublimidade à notas musicais que possivelmente farão da sua vida algo com sentido.
Leila Lopes talvez não soubesse disso, mas provavelmente se você estiver lendo essas linhas já terá andado meio caminho para poder entender o quanto sua alma necessita de momentos como esse.
Mas muitas vezes o cansaço te consome um pouco mais. Nuances calamitosas dentro de um pedaço do seu homúnculo de Penfield, deixam borrar a imagem devastadora de uma alma pintada sem cores. Que possivelmente explodirão dentro de um caleidoscópio cheio de sabores distorcidos. Sendo assim as confusões mentais são de proporções tão grandes quanto aquele famoso navio do Leonardo de Caprio (ou melhor, do iceberg que bateu no navio.....). Mas na maioria das vezes algumas notas chamam atenção para o simples fato de que sim você está vivo e pode transmutar toda a merda que te cerca por luzes reluzentes e cheias de almas.
Isso vai acontecer muitas vezes enquanto você estiver ouvindo o disco de estréia do TEMPER TRAP, CONDITIONS. A banda australiana composta por: Dougy Mandagi, Jonathon Aherne, Lorenzo Sillitto e Toby Dundas, começaram de uma maneira nada convencional. Sweet Disposition foi a marca registrada de uma das melhores trilhas sonoras desse ano (500 Days Of Summer), e lançou a banda como promissora e frequentadora das nem sempre corretas listas de promessas no mundo da música. O que não se esperava, é que a banda não é nem de longe uma música apenas. Todo o disco de estréia é sensacional e funciona como cura tridimensional em vários vértices........
Começando com LOVE LOST. O teclado de introdução tem notas que calam a intenção de não prestar atenção na banda. E nem mesmo as guitarras coldplayanas mostram fraqueza de caráter para a canção. Já de cara a voz marcante de Dougy Mandagi que oscila entre a delicadeza e a melancolia, mostra um contraponto bem formado com as sobreposições das guitarras. Poderia até ser lado B de qualquer single de uma banda mais romântica, mas a força da sutileza dessa música já te arrebata para dentro de um turbilhão de notas delicadas.
Turbilhão pronto, apenas resta seguir com a corrente em REST. Mais rápida que a abertura e de bateria quebrada com uma linha de baixo pulsante, a canção é feita em moldes radioheadianos ramônicos aonde surgem guitarras descompassadas com se fossem um coração em arritmia. A parada súbita da canção apenas dá uma cor a mais para esse caldeirão de movimentos em forma de onda sonora.
Existem músicas que nascem clássicas desde o tempo em que elas ainda são um esboço rabiscado dentro de um papel branco em cima de uma mesa, apenas figurando em uma teoria Sartriana. SWEET DISPOSITION é assim, com suas guitarras subliminares. As mensagens escondidas dentro dessa canção são as mais marcantes dentro do disco todo. Inicialmente parece apenas um borrão de tinta, começando a tomar forma conforme a letra vai se tornando cada vez mais veloz.
Mais uma vez marcada por uma linha de baixo sensacional e a bateria mostrando que nem sempre uma canção que faz você ter sensações tão grandiosas precisa ser pesada. É possível sim sentir toda a urgência de vida pintada naquela folha em branco do início e ao mesmo tempo poder balançar o fêmur. Afinal de contas nada como um movimento dentro de uma tela em branco para você perceber que a sua vida pode te fazer dançar e se emocionar ao mesmo tempo. Escute, feche os olhos e pinte a tela...........









DOWN RIVER parece querer diminuir o ritmo em seu início com violão. Mas nem de longe isso se faz verdade, com a bateria descompassada entrando em ação. Vocais duplicados e backing vocals encaixados dentro uma música que mostra o ritmo incessante de viver. Os vil metais adicionados dentro do refrão são apenas um detalhe menor, mas são eles que fazem você entender do que a vida é feita. Mais violões serão iniciados em SOLDIER ON e a música parece querer se arrastar por entre seus ouvidos. Rastejando pela sua nuca e lentamente colocando seu canal auditivo em xeque-mate, essa canção parece pedir comtemplação. É necessário não ouvi-la com pressa e deixar a música se fazer no tempo dela, afinal de contas existem coisas na vida que a ventania intempestiva não tem o direito de desmoronar. Nem que para isso seja necessário manter seu coração perto do chão.......
FADER é um pop rock com as melhores intenções possíveis. Guitarras simétricas e batidas corretas com direito aos famosos "u-hus" no refrão. Muito da parte pop dos anos 80 pode-se ouvir por entre as notas, mas não há necessidade de maledicências em formato de críticas intelectualmente exacerbadas. Muitas vezes as melhores canções são aquelas mais simples que apenas te abrem um sorriso no rosto.



FOOLS tem começo de batida eletrônica que imediatamente vai te lembrar uma balada do New Order e o refrão pode fazer você confundir a voz do vocalista com um dos irmãos Gibb. Os vocais duplicados são apenas uma menor nuance, que faz com que a imagem de lagos lotados de peixes coloridos que coreografam um balé contra as ondas formadas por ventos vindos do norte na superfície da água se mostrem dentro da sua imaginação. Caminhar nas nuvens provavelmente deve ter essa trilha sonora. RESURRECTION leva você para um funk lisérgico marcado por marteladas torianas do baixo. Canções com finalidades épicas tem a tendência a se tornarem pedaços de space rock chato, mas a nervosa calmaria marcada dentro dessa música mostra que não é necessário se tornar chato para se tornar épico.
SCIENCE OF FEAR é mais New Order ainda. Feita para ser tocada ao vivo em qualquer palco pequeno aonde o som das caixas provavelmente vão te fazer sentir os ouvidos dormentes depois do fim do show. O Temper Trap é uma banda que poderia em qualquer momento optar pelo caminho de transformar as canções em hits com guitarras dissonantes e batidas pleonásmicas, mas o caminho seguido nessa canção não é o do digerível nem do suporte pop fácil. A música tem a tendência de andar por entre as linhas que beiram o abismo e que em qualquer momento despencariam para algo mais seguro. Ela não cai e assim seu fôlego permanece em suspensão.



Na linha de bandas como Foals, DRUM SONG termina com o disco em ritmo de tribologia. Poucas bandas atualmente colocam uma música instrumental como fim de trabalho, talvez por acharem que isso mostraria uma falta de canções, mas a banda se segura bem com batidas que chamam chuva.
Conditions mostra em sua música final aquilo que parece ser a tônica desse disco todo, uma celebração da capacidade de entender que se pode ver a vida por entre notas musicais e ainda por cima fazer dela um lugar muito belo para se viver. Ouvir Temper Trap é uma das maneiras de sentir teu sangue pulsar por entre as artérias e saber que sim vale muito à pena estar vivo.