segunda-feira, 28 de junho de 2010

GD 45: DE MANERA QUE EL JUTGE NO XIULET

Temos juízes.
Em tempos de redondos passes e chutes craniais essa característica parece querer aflorar entre todos. Talvez a Copa só exacerbe isso, mas de maneira geral somos uma nação de juízes.
Vereditos sobre tudo, muitas vezes exteriorizados por meio de todos os possíveis ares de transmissão. Por entre as enuviadas ondas de caracteres, que desabam em uma campanha nacional sobre um pássaro inexistente que parece querer mostrar como todo um mundo pode ser passado para trás. Uma leve, saudosa e equivocada lembrança do jeitinho que teima em aparecer muitas vezes. Mas é possível ainda rir de tudo isso e entrar na onda dos julgamentos sobre dramas em emissoras e discussões de mesa de bar que saem de bocas que deveriam ter uma maior sensatez, quando nosso país de chuteiras está nesse momento produzindo menos lixo apenas que os nossos novos amigos de pelada os Estados Unidos???

Temos juízes.....
Que desabam por entre fórmulas de vitória e animosidades que mais parecem onomatopéias guturais, nascidas no berço da civilação que ainda não entendia o que era aquele monolito negro próximo a fonte de água. Julgam culpados, fazem piquetes em fóruns e clama-se uma justiça televisiva sempre. Mas e o resto????

Antes do primeiro gol do Brasil hoje, ao arrumar a bola no entrecanto direito Maicon talvez não tenha percebido o gigantesco silêncio que se fez presente por entre todo o território nacional. Era como se as batidas se tornassem mais leves e vagarosas. Um tilintar de paralisia de alma onde podia-se ouvir as agulhas raspando dentro do nervosismo. E não me espanta a leve timidez na comemoração de agora.
Talvez por alguns instantes em que a bola viajou até o tiro de canhão desferido por Juan, os juízes cairam em si e perceberam que é preciso olhar muito antes de proferir violentas campanhas por um cala boca vazio. Do mesmo jeito que os representantes da utópica torcida em forma de cobertura, pararam por alguns instantes e imaginaram o quanto ainda temos que lutar por outras coisas que estarão no mesmo lugar ganhando ou não uma taça estilizada.
Marcos civis, fichas limpas e tudo ainda culminando com uma eleição que anda mascarada pela esfera emotiva que rola nos gramados.

Por alguns segundos entre a cobrança e o gol, algo foi sentido. E oxalá seja uma vontade de entendimento maior do que realmente importa e provavelmente fará diferença, no país dos juízes. Uma triangulação perfeita entre palavras, atitudes e novas vontades.
Vontade de mudar o estágio de descomunal baixa estatura de cérebros e começar a ter idéias que possam fazer daqui aquele lugar digno de nota na internet, além de uma ong que salva animais fictícios.
Hoje não dá pra dizer que desafinou o samba, o silêncio foi perfeito.

E que venha a Holanda......




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