quinta-feira, 28 de outubro de 2010

GD 64 ANTES QUE O ANO ACABE

2010 acabando, as milhares de listas com os melhores de cada categoria começam a aparecer em cada canto. Músicas, discos, sites, livros, fogões e fornos micro-ondas. Tudo acaba rodando por aí. Mas existem sempre aqueles lados bês que passam desapercebidos. Então eis a contribuição deste blog para que nada se perca pelo caminho. Uma pequena lista com seis opções que rodam um pouco mais nos arrebaldes da chamada lava central das listas de fim de ano. Mas ouça antes que o ano acabe.

YOUNG MAMMALS / Carrots.
A banda de Houston se não é a maior surpresa do ano, perde nesse quesito apenas para o Tame Impala. Mistura cataclísmica de lugares onde o som pode ser claustrofóbico e os instrumentos usados para esse efeito, não são nada além dos gritos dos integrantes. Da surf music até a mozartiana loucura de cores flutuantes em ácidos, esse meninos (literalmente, pois a média da banda é de 20 anos) provam que começar bem é apenas questão de talento.




NO BUNNY / First Blood
 Imagine Iggy Pop e Jim Morrison beberrão e barrigudo, somado à uma sonoridade punk cheia de velocidade e loucura. Atrás da máscara de coelho suja e de seus saltos altos, o vocalista e guitarrista Justin Chaplin gravou um disco que é a síntese de tudo aquilo que os Ramones pregavam desde os primórdios. Distorção e diversão. A canção que fecha a bolacha I Was (at the Bozo show) é uma das mais hilárias desse ano.




SKY LARKIN / Kaleide

Dificilmente esse ano uma banda que tem na linha de frente uma vocalista, vai apresentar a força desse trio de Leeds. Cidade aliás que anda mandando pelo mundo outra banda que tem um dos discos mais barulhentos do ano, o Dinosaur Pile Up. Mas a mistura de peso e a voz lascerante de Katie Harkin garantem que o Sky Larkin matenha seus ouvidos e pés completamente acachapados em nuvens de movimento caótico e feliz. Pop rock com uma qualidade muito acima da média.



ASA / Beautiful Imperfection
Definitivamente esse foi o ano das cantoras. Milhares afloraram tanto aqui no Brasil, quanto nas terras além mar. Essa nigeriana vem de mansinho desde o ano de 2008, quando lançou um disco onde falava sobre guerras civis com uma voz de anjo perdido. Essa nova bolacha disparada oficialmente há dois dias tem a receita soul e R&B decorada de cor e salteado, mas a voz de Asa é algo que não está nos patamares normais. É milhares de equações ventriculares acima, formando um dos discos mais bonitos desse ano.


BEAST MAKE BOMB / Skinny Legs

Na verdade um EP cheio de riffs grudentos e canções que possuem uma qualidade assoviável que chega de mansinho e faz com que por exemplo na audição de Zombie Song, seus tímpanos estejam sangrando clamando por mais acordes. Uma literal surpresa por entre os milhares.




ZACK HILL / Face Tat
Não existe ponto inicial ou tentativa de definição do novo disco do baterista virtuose. Talvez a citabilidade mais próxima seja Frank Zappa somado à anfetaminas. Canções que enveredam para a grande estrada do psicodelismo, mas ao mesmo tempo passam pelo jazz, rap, disco music e ritmos tribais. E isso sem dissecar o disco por longas linhas. Face Tat se colocado em falantes no volume máximo provavelmente desencadearia reações sísmicas nos corações mais fracos. A faixa The Primitive Talk dá uma idéia do que acontece quando esse músico resolve ser lisérgico e pop ao mesmo tempo. Medieval...

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