sexta-feira, 29 de outubro de 2010

GD 64 DEUS NOS ODEIA CAP. 2

Difícil entender o que está acontecendo. Muito pior é saber qual é o critério para que divida-se o politicamente incorreto da agressão gratuita e física. Nunca na história desse país, como nosso presidente vangloria-se, existiram histórias tão absurdas. E todas são a mesma face da moeda.

Primeiro conheça Chantal Dalmass. Escritora, com dois livros publicados, uma série de contos com qualidade de sobra. Seu livro Mentiras e Confissões (Todas as serpentes do paraíso & outras histórias), foi colocado no limbo pela Editora Planeta e como todas as coisas que ficam paradas, os exemplares (quase 2100) iriam ser literalmente queimados. A autora não vendo outra alternativa, agora distribui os livros de graça pela cidade de São Paulo. Não ganha absolutamente nenhum tostão furado, mas faz com que sua arte tenha o objetivo primordial alcançado. Mas quem determina o extermínio? Aliás por que determinar o extermínio?
Livros e idéias tem que ser disseminadas como virose que invade cada centímetro de epiderme carcomida por um marasmo pusilânime. Não adianta nada dizer que apoia a cultura e deixar esse tipo de coisa acontecer no país. O blog GD vai conversar essa semana com a autora nas conversas paralelas e voltaremos ao assunto.

Agora conheça Monteiro Lobato...
Desde de que existe algo que costumeiramente chama-se infância, reside em nossas leves e desprovidas almas em folha branca sartreana, as histórias do autor de Sítio do Pica Pau Amarelo. Pode-se até criticar a obra de Lobato, por não ter apelo político de esquerda para uma época onde era necessário uma posição. E mesmo quem criticava não atentava-se ao fato de que as obras eram revolucionárias. O Poço do Visconde, Os Doze Trabalhos de Hércules são livros primorosos. Isso sem contar os que escreveu para o público adulto. O Macaco Que Se Fez Homem, Negrinha (um livro de contos) e muitos outros, são pérolas.
E não é que querem ao invés de capacitar os professores para que expliquem aos alunos o contexto histórico de quando foram escritos e o porque das expressões  "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão", ou  "Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens", preferem taxar o livro As Caçadas de Pedrinho como racista e retirar de circulação nas escolas. Isso é o equivalente à dizer que é necessário queimar todos os Mein Kampf para que o nazismo não retorne da tumba da Segunda Guerra.

Os livros não são racistas, as pessoas sim. A falta de entendimento e ensinamento sobre as coisas, prolifera idéias xenofóbicas. A escrita é a maior expressão de liberdade que um ser humano pode ter. Linhas mal traçadas ou genialmente postadas são uma benção libertária tão profunda de alma que deveria ser obrigatório nas escolas um dia só para a prática de redação e leitura. Como privar as pessoas de uma obra tão grande sob a acusação de racismo, que não existe. E se fosse real, daria uma bela oportunidade para que os professores ensinassem as crianças coisas sobre arquétipos e esteriótipos. Uma introdução junguiniana não faria mal a ninguém.

Mas educar dá trabalho....

Talvez isso explique o porque dessa terceira apresentação...

Conheça os universitários brasileiros (não todos, mas a parte podre).
Estavam nos chamados jogos universitários de uma das mais renomadas instituições de ensino nacional (Unesp). Quem já foi à um evento desse porte, sabe que é como tudo na vida, sexo drogas e os que não fazem nada disso. Mas dessa vez uma casta amoral e acéfala resolveu brincar em um "esporte" chamado RODEIO DE GORDAS. Uma prática relativamente nova que consiste em subir nas costas de pessoas obesas e fazer com que elas carreguem nas costas os "peões". Tudo isso ao som de frases amorosas como:
"Galopa sua gorda!!!!"
"Pula baleia!!!"
"Pula gorda bandida!!"

Atitudes embasadas com comentários dos mais diversos espalhados pela internet. Frases que possuem as expressões "achamos uma utilidade para essa raça do inferno".

O problema nem é o fato quase absurdamente nonsense de jovens pessoas que são educadas nas melhores escolas comportarem-se como animais. O que espanta é a confusão entre o conceito de politicamente incorreto e agressão. Fazer uma piada sobre gordinhos é uma coisa, agora subir nas costas de outro ser humano, usa-lo como meio de transporte e ainda por cima ofende-lo verbalmente é a inversão total de valores. Como é possível tratar pessoas obesas como se fossem animais?

Não é possível essa juventude fazer vídeos que deixam claro o lado racista e segregacional de um dos candidatos á presidência e saber depois que a mesma juventude tem atitudes nazistas como essa. Isso leva-nos à entender que a educação está longe de ser assunto resolvido nesse país.

E o pior é que o Brasil será sempre um país racista e xenofóbico que se esconde atrás de imagens lindas das novelas às oito horas. Esse mesmo país que é negro de alma e cultura, mas nega que seja.  Buscamos ser mais parecidos com nossos colonizadores europeus, os que estupraram nossas índias e roubaram nossas árvores. Não nos espelhamos na cultura de luta e ricamente folclórica negra. Queremos ser yankes, deuses do rodeio. Peões dourados em canções sertanejas que estão longe de refletirem a tristeza do Jeca real.
O problema é que esses mesmo imbecis esquecem que os peões são na verdade manipulados por fios, grudados nas mãos de uma sociedade racista. Quem sobe nas costas de uma gordinha, não passa de massa de manobra da indústria de carne moída e podre, que constrói tijolos para o muro.

Não pense você que nos grandes campos de concentração as pessoas não eram tratadas como animais, é o mesmo método. É nojento saber que esses universitários serão os próximos médicos, advogados, deputados, senadores de um país.

Mas não é difícil de entender esse dinâmica em um país onde editoras queimam livros, os orgãos públicos antes de educar querem censurar e a população endeusa (fez até filme sobre ele) um curandeiro que era um caso de esquizofrenia ambulante.

DEUS NOS ODEIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Um comentário:

  1. Um país em que editoras queimam livros e estudantes universitários exibem alegremente todos os seus preconceitos é um ambiente hostil. Pensar que se uma idéia estúpida - como a de proibir Monteiro Lobato nas escolas - vingar, os livros novos do grande autor encalharão, não mais serão recomendados e comprados, acabarão ocupando espaço precioso nos depósitos das editoras. Mais dia, menos dia AS CAÇADAS DE PEDRINHO vão parar na fogueira, e a preta Anastácia vai virar carvão.
    Enquanto isso, em protesto contra a queima de livros, sigo dando livros novos pelas ruas de São Paulo. Na próxima 4a. feira, dia 3/novembro, a partir das 13h30, DISTRIBUIÇÃO GRATUITA de livros na Av. Paulista.
    http://chantaldalmass.zip.net

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