sábado, 30 de janeiro de 2010

GD 25.......QUANDO O AMOR É PRECIOSAMENTE TENEBROSO


Se um dia por acaso você experimentar a sensação de não possuir mais ar dentro de seus pulmões, e sua respiração ficar presa por entre a quantidade cavalar de soluços seguidos de lágrimas, saiba que por alguns instantes a realidade se tornou muito mais palpável do que você realmente desejaria que ela fosse......
Durante trinta minutos após terminar de asssisti PRECIOUS, filme dirigido por Lee Daniels baseado na novela Push escrita por Shappire, minha respiração ainda não tinha voltado ao normal. Meus olhos marejavam e insistiam em não parar o escorrer de pesados pedaços de minha alma.
Talvez nem fosse pela soberba atuação de Mo´Nique, ou pelo roteio extremamente bem elaborado e de cortar os pulso escrito por Geofrey Fletcher, mas sim pela sensação de que o mundo tinha batido em minha cabeça.
Em muitos momentos é real a sensação de realidade claustrofóbica que seu coração experimenta, muito mais do que simples palavras faladas com uma capacidade de atuação fenomenal de todo o elenco (incluindo aí Mariah Carey e Lennt Kravitz). O que o filme nos coloca é uma experiência áspera e amarga, de como ser forte em um mundo onde não se tem mais nenhuma esperança. E isso é reconfortantemente assustador.
Claireece "Precious" Jones, é uma menina de 16 anos. Mora no Harlem americano de 1987, negra, obesa, estuprada pelo pai desde os 3 anos (que desse relacionamento de amor paterno doentio teve um filho com síndrome de Down e agora espera o segundo).
Tragédia?????
Uso de esteriótipos para comever a juventude rica e americana de que o umbigo é um pouco mais embaixo?????
Uso de uma caricatura para comoção internacional?????
No lançamento do filme o NEW YORK TIMES escreveu que Precious era um insultoaos pobres. Muito também pela crítica que o filme faz sobre pessoas que se encostam em auxílios do governo para manter um estilo de vida simbiótico vampiresco. Pede para esse jornalista vir pro Brasil......
Mas a reação do povo branco americano de classe média é a mesma da nossa classe média quando assistiu a Tropa De Elite. Filmes como esses dois não são películas, na verdade são pugilistas sedentos de vontade de acordar seu cérebro............
O filme é sim uma coleção de socos dentro do seu estômago que arrancam de dentro de você o último pedaço de humanidade possível de se ter. Durante a caminhada pelo mundo de Precious somos tentados a mais de uma vez levantar e sair da sala.
Não queremos ver, não queremos ouvir o som das coisas arremessadas em sua cabeça, não queremos olhar o suor escorrendo pelas tatuagens do pai peniano. Simplesmente queremos que tudo aquilo pare.
A urgência de salvação da personagem se torna real dentro de você. Durante o filme a vontade de querer sair de dentro desse palácio das impalações coronárias de qualquer maneira é cada vez mais palpável.
É possível sentir toda a dor que passa dentro do seu peito durante as cenas onde enxergamos um desmoronamento lento de um ser humano que está sendo reduzido à quase nada. A falta de expressão, a incapacidade de falar diante daquilo que o mundo lhe entrega. E o pacote é um amontoado sujo de palavrões e violência física e verbal.
E você quer descer desse trem. Quer que as imagens felizes de danças e musicais da Disney invadam a qualquer momento a tela. Com todas as forças de reza, você vai clamar que aquela menina com a expressão de pedra e que passa mais da metade do filme sem sorrir e dando ao mundo os espasmos de brutalidade que ela recebe, vire uma princesa com um vestido azul cercada de passarinhos, usando sua voz aveludada para encantar um príncipe.
Você sente dentro do seu peito uma ardência azeda que corre todo seu esôfago e deseja desesperadamente que que ela seja levada por uma legião de anjos, dentro de uma nuvem de aniz doce. E que seja colocada em íngreme subida ao mar de felicidade, ao som de James Brown. Mas não existe no mundo de hoje espaço para contos de fadas bregas.............
Seu estômago corrói, sua alma se sente apertada dentro de um cubo de ferro em brasas que acaba marcando a palavra vida dentro do seu peito. E nem ao menos você foi consultado se isso era viável ou não.

Mas como em qualquer filme de Tarantino a violência de Precious é bela.
Em uma das mais marcantes cenas desse filme, a mãe de nossa heroína em um rompante maternal começa a xingar de maneira aguda, após arremessar uma coroa de espinhos em forma de cinzeiro cabeça da menina.
Precious se levanta e segue com a mãe logo atrás a vociferar todas as comportas do inferno em cima dela. A cena é forte o suficiente para te fazer engasgar com as suas próprias lágrimas.
Mas Mo´Nique entoa os açoites como se estivesse cantando uma balada de R&B romântica. Nunca uma violenta fala foi tão sublime, nunca palavrões soaram tão doces e ao mesmo tempo de uma crueza capaz de rasgar seu peito, tirar teu coração do lugar e afoga-lo dentro de você de novo. Doi apenas isso, mas é de uma beleza sublime.

Dentro de um mundo que lhe oferece nada, o que sobra são apenas restos de sonhos que jamais aconteceram. Restos de uma vida pensada em condicional cerebral sem futuro perfeito. E mesmo dentro do peito apenas uma alma maltradada, sobram força e amor............
A intensidade muda que Gabourey Sididibe mostra na personagem, é como a de uma valquíria silenciosa. Esta é a beleza de Precious.
Uma espartana munida de lanças onde o silêncio corta mais do que qualquer ato, onde no lugar de lamúrias existe sim uma vontade imensa pela vida, mesmo que a vida tenha desistido. Ela jamais sucumbe durante todo filme, mas nem mesmo uma máquina de guerra como ela suporta tudo calada até o fim..........

Vivemos dentro de apartamentos separados por telas de plasma ou imensos HD que cegam. O tempo que não temos nunca é o suficiente para notarmos algo além do que nosso próprio umbigo. A violência de alma com pessoas que não atendem um padrão sunita de felicidade capitalista sempre foi muito mais pesado do que realmente se mostra nas novelas globais. E isso é de dor aguda, é de não achar esperança nem ao menos em uma única respiração.
A força que existe na vontade de viver é muito maior do que qualquer movimento de chicote contra suas costas. Mesmo sabendo que o amor não vai salvar seus pedaços de pele que se desprenderam pelo meio do caminho.
Mas o mais importante não é isso.
Quando se descobre a própria força, a vida passa de um lugar onde apenas existe amargura, violência e dor para um caminho que além de tudo isso existe um amor pela vida que esmaga qualquer possibilidade de se entregar.
Quando fecho os olhos para lembrar de Precious lembro que a amo com todo meu coração, porque como ela existem milhares de outras meninas que quando caminham por entre convenções impostas por uma sociedade podre smplesmente se tornam fortalezas cheias de vontade de viver.
E isso sim é uma coisa pela qual vale muito à pena amar..................

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

GD 24 A SAGA DOS DISCOS ESQUECIDOS CAP. VII


Na verdade nem é a questão desse disco ser um álbum esquecido.
Porque ele não é.

Aliás está muito longe disso. Ele é pedra fundamental dentro de uma montanha que se formou na década de noventa no Brasil. Era só lembrar que em 1995 Kurt já havia morrido fazia um ano e aqui no Brasil se vivia ainda a ressaca que foi o rock dos anos 80, com suas bandas já atingindo o patamar de veteranas (os Paralamas foram formados em 1977, o Barão Vermelho de 1981 assim como os Titãs que estreiaram no palco do colégio Equipe no evento Idade Da Pedra Jovem).
Em 95 depois do confisco das poupanças e as passeatas em ritmo de aventura dos caras pintadas, Fernando Henrique começava seu primeiro mandato, foi o ano do Ébola atacando o Zaire, as forças militares romperam as veias das favelas, O.J. Simpsom foi absolvido, a Croácia enfrentou os separatistas dividindo além das vidas os corpos e almas das pessoas que estavam no meio de um fogo cruzado. Foi também o ano dos testes nucleares franceses e da prisão de três líderes do movimento do MST.
Mais do que isso, musicalmente falando a nação do Zé Carioca estava andando dentro de águas turvas e cheias de lama. O brega tinha tomado de os buracos deixados pelos nomes da mpb que quase deixaram de existir. As declarações sobre usar espingardas para matar as duplas sertanejas, as coreografias semi sexistas e semi acerebradas, um vácuo cerebelar que era a cada lançamento de grupos de pagode aumentado mostrando que, a decadência expressa em cada programa de auditório insandecido pela desgraça humana era sim o que a geração perdida dos caras pintadas teria de legado infinito.
Mas no meio da sujeira e do lixo compactado, em um país onde o computador começava a fazer parte da vida diária foi que surgiu uma risoflora regada com líquidos de Foucault e Josué de Castro.
E além disso existe uma coisa que é quase obrigatória para que atualmente o rock nacional não passe de estado de latência para um coma profundo e interminável. É preciso resgatar certos tipos de pau durescência sonora, com o simples objetivo de não depender apenas de bandas indies que cantam em inglês. Não que se depender dessas bandas as coisas não estejam caminhando bem obrigado, mas como é que ficam os três acordes tupiniquins rockeiros da gema?
O que sobra de poder de destruição em DA LAMA AO CAOS, falta em pelo menos mais da metade do chamado rock nacional. A outra metade vai bem, bandas como Black Drawing Chalks, por exemplo mostram que ainda existe sim a capacidade interestelar de explodir com o que se chama de maistream caduco. Mas ainda falta um certo gancho de esquerda, um tiro certeiro dentro do peito que teima em não passar de trac trac, falta sentir a velocidade do ar cortando seu rosto como navalha na carne quando não mais que de repente um Boeing 747 te sequestra de cima da nuvem de comodismo. Falta ainda explodir o peito em acordes, lama e fúria de seis cordas.

MONÓLOGO AO PÉ DO OUVIDO é a primeira patada. E é assim que é, uma pancada falada em português. Discurso anarquista de primeira linha de evolução regada por um looping de tambores e cordas hipnóticas. Essa canção tem duas premícias sensacionais, a primeira é o rompimento violento com o passado (modernizar o passado é uma revolução musical) e a capacidade de ser ao mesmo tempo intelectual sem ser chato (basta deixar tudo soando bem ouvidos). Não precisa de mais nada, o gosto é decido por quem ouve. Mas é necessário se ter algo de bom para se ouvir.
A hipnose entra em cena em terreiro com uma percussão suada em BANDITISMO POR UMA QUESTÃO DE CLASSE. E quando tudo segue em direção à mais uma aula catedrática de música popular, é que se tem a primeira de muitas explosões dentro de seu canal auditivo. Uma guitarra que sem mais nem menos dissolve cada pedaço de sua pele como se fosse ácido. Não existe uma batida que esteja lá por acaso, as viradas em forma de repique de exército é como uma convocação para aqueles que moram na base da pirâmide. Muito antes de Tropa De Elite, Chico Science já mostrava asa feridas em todo seu sngramento. E isso foi feito entupindo todas as veias de suingue.
RIOS PONTES & OVERDRIVES, é como entrar em uma máquina de teletransporte em uma fusão à frio atômica com o funk, embolada e o rap. Tudo isso com um peso feito por tambores punks. Ciranda psicótica com refrões em forma de oração herege, mostra que sim a mistura de tecnologia que seria muito maior ainda em Afrociberdelia estava apenas começando. E ninguém mais sairia ileso............









Pop fictício. Essa seria talvez a melhor qualidade de A CIDADE/BOA NOITE DO VELHO FACETA (AMOR DE CRIANÇA). Novamente o balanço imensurável de ossos fazem com que seu cérebro seja cada vez mais chacoalhado em todas as direções, do mesmo jeito que a cidade cresce. Era a prova cabal de que sim era possível se fazer uma canção pesada e cheia de chiclete pop crustáceo.
E por falar em pop, A PRAIEIRA é uma canção que quando se ouve hoje em dia é possível notar o quanto adiantada no tempo ela estava. A estrutura clássica da canção nem chega à ser muito elaborada no sentido das traquinagens, mas o riff que você ouve é uma coisa que hoje em dia um monte de bandas "muderninhas" usam e abusam. Quer viajar na lama???
Então segue a linha:
Se você prestar bem atenção apenas nas guitarras dessa canção e ouvir Mardy Brum dos Arctic Monkeys, vai perceber que elas são separadas apenas por quilometragem e tempo. A estrutura de poderosos riffs grudentos e uma capacidade de evolução muscular de membros inferiores é a mesma. Os caranguejos estavam sim muito à frente do seu tempo.









Para uma música que tem o nome de SAMBA MAKOSSA, ter seu início com um sampler é no mínimo curioso. Mas o samba existe sim e é rasgado por uma ciranda jazzística como se aquele foguete entrasse pelo seu pé e explodisse dentro de seu hemisfério esquerdo. O ritmo capoeirístico em formas de piruetas intercaladas com cuícas e mais alguns sons eletrônicos é alquimia pura.
DA LAMA AO CAOS é a segunda e definitiva trombada com uma Scania dentro desse disco. Não tente nem entender o que significa a velha que segura a cintura, mesmo porque as pedradas que você vai sentir cortando sua pele são de tamanha amplitude e ondas sonoras que jamais sua cabeça vai estar no mesmo lugar do início. Grioto de libertação regado por navalhas.









MARACATU DE TIRO CERTEIRO é mais uma pancada de berimbaus incandescentes. Mais guitarras fluídas e fundidas em pele de tambor, baixo em forma de corredeira com a letra sendo conversada. Hipnótica e justa, é possível sentir que dentro dessa música não cabe nem ao menos mais um respingo de ar.
SALUSTIANO SONG é o início de uma tradição da Nação Zumbi, fazer músicas instrumentais que fundem a psicodelia com a regionalidade de uma maneira simples, rápida e acachapante. Nada mais e nada menos. A canção que fala sem palavras do fundador do maracatu rural Piaba de Ouro é curta reta e precisa. Os Ramones faziam a mesma coisa em suas canções.......
ANTENE-SE é um manifesto sobre o que era o manguebeat. A impressão que se tem é a seguinte, a banda primeiro explode todas as convicções e tablaturas com as músicas iniciais. E na décima música resolve dizer assim:
Olha isso que está fazendo a cabeça de vocês rodarem quer dizer tudo isso aqui. E é aí que se percebe o quanto de genialidade existiu nessa gênese.
Homens e Caranguejos, é o livro de Josué de Castro, escritor morto em 1973. Esse livro conta a história de uma comunidade formada em um manguezal do bairro dos Afogados no Recife. Casas de massapé e crianças alimentadas pelo leite da lama. Esse livro foi uma das pedras fundamentais do movimento, e nas letras de músicas como essa é que se pode ver toda a fusão que foi arquitetada por Chico. Usando o conceito de rompimentos com épocas históricas descrito por Foucalt, tanto Josué quanto Chico queriam romper com uma didática burra de sociedade. Lembra do clima dos anos 90, pois bem. Está aí a prova histórica de que Chico Science e Tiradentes não são tão distantes assim.
A diferença é que Josué foi deportado pela ditadura nos anos 60...........
RISOFLORA que até hoje fomenta discussões sobre o que realmente significa essa palavra. Desde musas até vegetação mais primitiva dentro do mangue, o que realmente importa é a poesia escrita com uma delicadeza que se esconde um riffs lunares. Uma das mais músicas mais cravadas de sentimentos que você já ouviu. A dor é tanta na voz de Chico que é quase palpável, mas ao mesmo tempo de uma suavidade que torna mais fácil sentir cada pancada ventricular arterial.
LIXO DO MANGUE é uma pausa ritimada com cheiro de poeira e sangue. O gosto é sentido a quilometros de distância. Como canção que encerra perseguição de serial killer, mas desaba em talvez uma das melhores músicas de rock pop escritas, que é COMPUTADORES FAZEM ARTE.
De novo a banda está pelo menos dez anos à frente do seu tempo. Misturando regionalismo com batidas certeiras de pista de dança. Dificilmente você vai ouvir em uma canção pop (inclusive gringa), um suingue em forma de metralhadora giratória que esa música tem. Com a letra que mais parece uma profecia de Nostradamus e uma infinita capacidade de tirar todas as articulações da inércia.









COCO DUB (AFROCIBERDELIA) é o encerramento desse testamento em forma de notas cavalares. Hipose rítmica formada por tambores e ondas de rádio interplanetárias. "O leito não linear segue para dentro do universo" somado ao pedido de comida à Dona Maria. Era o ingrediente que faltava na busca do ouro perfeito. Cavado dentro de uma poça de lama e sujeira rasgando todas as celulas nervosas de quem ouvisse, esse disco é um tornado de classe cinco.

Da Lama Ao Caos, mudou a maneira de se fazer música no país. Depois dele qualquer coisa que fosse rasa seria descartada, o fácil não prestava e nada além da pura alquimia com doses cavalares de LSD de claves de sol.
E não é apenas como registro musical, e sim histórico. Era para ser seguido por legiões e mais legiões de pessoas que um dia poderiam ainda sonhar com música inteligente dentro do país da boquinha da garrafa.
Caras pintadas.......
Caras pintadas é o caralho!!!!!!!

GD 24 SONS COM CALMARIA EM ACIDENTES AÉREOS.....

Vamos a seriedade então?????
Mesmo porque esa conversa de infância tardia só serve para dar saudades do Pro-Choice!! (House mode on).

Que o mundo todo está esperando a volta de Lost é um fato. Que Barack mudou o dia do discurso porque quer saber com quem finalmente Kate vai ficar também é outro. Mas o esquema tropa de elite dos produtores da série parece ter ido dimensão abaixo. Os quatro minutos inciais da última temporada vazaram na internet hoje. Mas como os produtores e escritores de Lost tem tomado mais do que a quantidade de LSD receitada pelos médicos, não me espantaria em nada que tudo fosse armado para aquelas famosas e tão conhecidas pegadinhas costumeiras.
Como eu não quero saber de spoilers, para aumentar a ansiedade de quem espera, o trailer da Comic Con realizada o ano passado parece ser muito mais interessante no quesito que a série é especialista. Aquela famosa frase que se forma após assistir qualquer coisa de Lost:

"ÃÃHNNNNN, que porra é essa??????"



Aqui no GD lá no início dos podcasts, falei de uma banda que se chama apenas JJ. Durante as twittadas diárias também. Já tem um tempo que a banda está soltando singles dentro da rede, e hoje há uma hora atrás mais um ganhou seu espaço dentro da nuvem de sons que destoam de uma pancadaria natural e que faz falta, mas nem por isso vai acabar sendo um filhote mal amado da Enya........
O dueto sueco que ano passado lançou seu disco apenas intitulado de Nº2 com a marca registrada da banda, climas muito mais do que apenas soturnos, com experimentações que beiravam a claustrofobia. Muito em parte pela voz tenebrosamente envolta em seda e marcante da vocalista Elin Katislande. As texturas mais lisas impostas por ela para as marcações eletrônicas dentro das canções podem fazer você se apaixonar da mesma maneira que se desesperar esperando a próxima nota.
A banda tem o disco novo(que vai se chamar com aquele ar de originalidade todo de Nº3), para março de 2010. Mas a nova que se chama AND NOW, você pode escutar aqui.









E como é bobagem segurar timbres e notas que envolvem seu cérebro em bruma e névoa, também ouça uma que já foi twittada pelo GD, a bela LET GO.










Mais tarde eu volto com a Nação Zumbi ao seu ouvido falar..........

GD 24.....GOSTO DE BOLO DE CHOCOLATE TRUFADO..........

O dia de hoje está fadado a parecer com uma visita à um bifê infantil macabro. O café da manhã foi um pé de moleque, dois torrones e uma bisnaguinha. No almoço cachorro-quente. Só faltaran os malabaristas e o mágico (ahhh esqueci isso foi na quarta!!!!).
E essa semana parece mesmo querer terminar em clima de desenho animado. Depois do anúncio do mais novo brinquedo da Apple, que além de ser uma pequena tábua onde você pode ouvir música, ler livros, fotos, escrever, postar, baxar músicas, lavar a cabeça, escovar os dentes, passar fio dental, usar como saboneteira, peso de papel e ainda como tábua de cortar legumes e frios, fica a pergunta:
Será que Steve Jobs realmente acredita que esse aparato vai transformar o modo de consumir cultura e de se comunicar????
Na mesma semana que a maçã revelou seu tablet, os inventores do mp3 comunicaram que o substitudo das famosas duas letra e um número vai ser capaz de além de ter todo o conteúdo de audio e vídeo, ser uma arquivo que se atualiza cada fez que o usuário se conecta (eu sei já disse tudo isso no post passado). A revolução está chegando e os pessimistas de plantão vão começar a chiadeira?????
Ou realmente uma pedra é o melhor presente que se pode ganhar Charlie Brown???????
Seja como for a aposta é no aumento da demanda por novos livros, jornais em formato eletrônico, novas maneiras de se ouvir um arquivo de música, envolvendo esse plets gigante que vai custar entre $500 à $1000 doletas.


Mas enquanto nossos brinquedos não se tornam reais na meia ao lado da fogueira, vamos com a trilha sonora que poder ser tocada em dias de festa.

Como todas as boas meninas, as VIVIAN GIRLS passaram de queridinhas filhas de mamãe com direito a apertadinhas nas bochechas por bom comportamento, para em apenas um disco se tornarem as mais insuportáveis do planeta. O trio de Nova Yorke que se formou em 2007, e fez com que seu primeiro disco, lançado em 2008 se tornasse obrigatório em qualquer rebeldia juvenil. O peso com roupagem vintage da banda tinha achado seu lugar, mas foi só lançarem o segundo disco o ano passado (Everything Goes Wrong), para que as mãos que afagaram fossem as mesmas que espancam. Como em uma trajetório de infância-adolescência difícil, as queridinhas se tornaram ovelhas negras.
Mas todo mundo tem um lado doce e maravilhosamente açucarado. Elas colocaram no ar hoje o mais novo single. De um lado My Love Will Follow Me e do outro uma cover da cantora Chantel, da música He´s Gone. Não dá pra dizer que seja a coisa mais lindinha da mamãe desse mundo, mas mesmo passando por alguns segundos em que como todo bom adulto você queira esmagar a cabeça da criança irritante, o som desce bem. Wopizinho de Natal para aquecer corações úmidos de chuva e garoa paulistana.........










Mais tarde no GD, a conversa vira coisa de gente grande........e a saga dos discos esquecidos volta com esse cara aí embaixo que me segue no twitter.........

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

GD 24...EU E MARK CHAPMAN ÉRAMOS DOIS IDIOTAS!!!!!!!


Muitas vezes por simples e pura estática birrenta eu deixo de postar alguma coisa, porque simplesmente todo mundo está escrevendo sobre. Até pode ser uma notícia ou fato relevante, mas se vira carne exposta durante mais de dois dias e que passa na mão de todo mundo eu prefiro virar vegan.
Durante a tarde a correria se tornou quase que insana e minha voz acusou o estado proeminente de deterioração do endoesqueleto coberto de pele, sangue e músculos frouxos. E mesmo assim eu via a cada cinco minutos uma nota sobre a morte de J.D. Salinger. Escritor americano de 91 anos que escreveu o livro mais usado para justificar seitas macabras, teorias da conspiração mel gibsonianas ou letras de músicas que se tem notícia. Obviamente estou falando de O Apanhador No Campo De Centeio, o livro que antes do quadril incandescente de Elvis definir o que seria uma época, mostrou com quantas inseguranças e questões sem respostas se faz um adolescente perdido em sua própria alma.

Sempre tive má vontade com esse livro.
Confesso sim a minha turrice literária talvez alimentada desde cedo pelo que Mark Chapman sempre disse, que era a sua justificativa para os tiros covardes dados nas costas de John Lennnon. Mas também porque eu achava que tudo o que era extremamente popularesco demais não valia à pena.
Sim eu era um idiota naquela época, o que veio depois de alguns anos ser provado da maneira mais amarga e mortalmente possível de acontecer.
Um dia, deitado em uma cama de hospital, semi acordado devido a quantidade cavalar de traquilizantes, uma mão de pele morena alongava por seus dedos um livro. Meio ressabiado por achar que se tratava de uma bíblia eu fiz a menção do primeiro xingamento. Mas as pílulas destilavam uma aura púrpura por dentro de minha cabeça, fazendo com que nuvens espelhadas em assentos higiênicos e sondas para a coleta de urina cheias de líquido viscoso e cinza me nauseassem a ponto de não poder falar não. O destino me impôs a condição de apenas usar meus olhos, já que naqueles tempos e segundos hospitalares minha fala não adiantaria de nada.
O livro era uma cópia de Salinger, desgastada com as pernas cheias de marcas de tanto andar pelas mãos ávidas de jovens na mesma idade que eu. O livro tinha em seu rosto sinais que o tempo deixou e em seus dentes um sorriso de quem mesmo cansado te mostra com todos os incisivos centrais que ele estava ali cumprindo pela enésima vez uma missão que já havia vivido muito.
Comecei a ler. Desgostoso e empanturrado de prepotência brasiliana por não entender que diabos um autor americano que retratava um final de semana de um jovem yanke que confuso com as escolhas de vida e com a sua própria decide voltar para a casa dos pais, após ser expulso do colégio. E nesse meio de caminho resolve encontrar personagens que foram importantes para a sua vida. Holden Caufield era um jovem de dezessete anos e não era muito mais novo do que eu quando conheci sua viagem. O tom de sarcasmo foi a primeira coisa que me chamou atenção, mesmo porque eu sempre fui e ainda sou adepto a ele, acho peça fundamental de sobrevida nesse planeta podre. O trecho que explica o nome do livro foi uma das primeiras coisas que me chamaram a atenção:

“Fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio e tudo. Milhares de garotinhos, e ninguém por perto – quer dizer, ninguém grande – a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o quê que eu tenho de fazer? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles começar a correr sem olhar onde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser só o apanhador no campo de centeio e tudo. Sei que é maluquice, mas é a única coisa que eu queria fazer.”



A exposição crua do modo de vida americano nos anos 50 e o descontentamento com a mesma, começaram a me puxar para dentro do meu próprio mundo caótico, lugar onde me escondi do mesmo jeito que Salinger após vender quinze milhões de cópias do livro. Mas esse mundo incapacitante era permeado da mesma inconformidade de Holden. E também pelo mesmo tipo de amargura, angústia cavalar e má vontade com a maneira que a sociedade amputava as suas capacidades. Dentro de um quadro onde a falta de razão para se obter uma resposta do porque a vida valeria à pena, Salinger propôs uma viagem de volta às origens, eu disponibilizei o suicídio...........
E o livro foi se consumindo em minhas mãos, olhos retos e penetrantes não me deixavam largar dele. Todo tempo preso dentro daquela cama de hospital era passado em amarras de aventuras e desventuras de Holden. Todo o retrato da minha vida sendo exposto dentro de folhas que transbordavam meu sangue através de um ser fictício, mas que ao mesmo tempo era tão próximo de minha carne e alma como nenhum irmão genético o fora.
Não é apenas o fato de retratar uma época com maestria através da escrita. Nem muito menos usar todas as gírias dos tempos pós guerra, que eram normalmente faladas por jovens americanos. O Apanhador é um retrato de redenção e amor a vida tão grande que se torna mais do que universal. O livro é uma foto exata em mega pixieis históricos, mas ao mesmo tempo uma jornada sem volta pelo simples fato de que se é necessário perder-se pelo caminho durante uma vida cheia de calamidades latentes, que a volta seja feita em direção de um mergulho profundo e sem retorno para a vida. Se é que exista apenas uma mensagem nesse livro, é que o precipício pode ser de altura abissal e de formas atraentes a ponto de fazer com que você seja tentado a pular sem volta e sem alma. Mas agarrar-se à vida é de uma beleza ímpar e uma verdade intransponível.

Eu e Mark Chapman éramos dois idiotas!!!!!!!!!

GD 24 PARADOXOS SENSORIAIS COM BRASILIDADE......


Bandas estranhas sempre me atrairam. Nem sei ao certo se é pelo simples fato de me identificar com a estranheza ou com os entrecantos calamitosos que essas pessoas com sérios problemas não tratáveis possuem. Uma coisa é certeza, tudo o que é menos digerível faz com que toda a inércia de pensamento seja rapidamente destruída por meio de claves de sol de alta octacubana octanagem.
Mas paradoxos existem e estão aí para complicar. Do mesmo jeito que o difícil causa uma dimensão de grandeza, as coisas mais popmente inseridas em seu ouvido médio podem te trazer um certo conforto. E é nesse paradoxo todo que a palavra gosto se encaixa. Do mesmo jeito que é prazeiroso sentir o gosto das correntes amarrando seus pulsos e sangrando dentro do seu peito, muito bacana também, é aquele algodão doce misturado com caramelo que derrete em sua garaganta deixando um rastro de manhã de domingo em sua boca.

É esse paradoxo todo que me pegou durante à noite de ontem. Quando ouvi o BLUE JUNGLE.
E as coisas se mostraram desde o início animadas quando você entra no blog da banda de Los Angeles (ou Fuzz Angeles como a banda chama a cidade). Mas as surpresas vão muito além dessa foto aqui:

A banda se conheceu quando eram vizinhos e moravam em duas casas próximas. Diz a lenda sobre o encontro, que antes dos integrantes formarem o quinteto passaram por algumas casas para pessoas infratoras. Mas essa é apenas mais um dos vértices desses entrecantos que formam o BJ. Outro desses vórtices é a origem deles. Uruguai, Argentina, Chile e Brasil......
Sim, a vocalista Lately Blu Blu é das terras tropicais cheia de enchentes e desmoronamentos, talvez isso também explique a anarquia presente no som do grupo.
A banda fundou também um espaço que se chama L´Keg Gallery, um lugar que tem se mostrado uma tendência na barackolândia. Espaços onde vários artistas se reunem e podem conceber desde um concerto punk até uma mostra e fotografia, apenas com a importância de disseminar a arte de uma forma pandêmica.
Mas e o som?????
Nas primeiras audições você se encontra no que eu costumo chamar de território sombrio de carrossel. São nuances que se colidem dentro de um espaço cheio de vácuo colorido. Como se uma linha desconexa se fizesse palpável e mostrasse que nuances absurdamente entrelaçadas por meio de violentas passagens. E são nas nuances desconexas que o som da banda se torna um ser completo e complexo. Muitas vezes com alto grau de hipnose coletiva outras vezes com absurdos sussurros espremidos por riffs em forma de navalha. O som do Blue Jungle é como tragar um longo cigarro feito de nuvens avermelhadas, onde a cada soltura de fumaça desenhos acachapantes se formam fazendo com que sua cabeça jamais saia de dentro delas.
Aqui no GD você escuta duas deles:








A Slap On The Face









Mean Things


E o som da selva azul é o paradoxo mais que perfeito da banda SAVOIR ADORE. Deidre Muror e Paul Hammer em 2006 nem estavam pensando seriamente em fazer da idéia deles uma banda de verdade. Tanto foi assim que apenas por que Paul é um pouco metódico, é que surgiu o nome da banda.
As primeiras sessões de gravação entre eles, foram colocadas em uma página do myspace e o nome veio mesmo como preenchimento de espaço.
E não é que o jeito eletrônico pop de ser da banda abre caminho para que seu cérebro se deixe levar por ondas formadas por doces cheios de luzes. Com uma digestão feita por entre painéis iluminados. Não é necessário muita interpretação, miuto menos criar uma teologia inédita em cima das canções. O importante aqui é perceber que as notas escorregam por entre seus ouvidos e dão a sensação de sorriso fácil, coisa importante hoje em dia.
Sem efeitos colaterias fortes, mas de uma simplicidade apaixonante o Savoir Adore mostra tudo que tem uma gosto doce deve ser provado.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

GD 24 ATUALIZAÇÃO DA VIRADA.......

Atualização noturna:

A Secretaria da Cultura liberou a programação cidade por cidade com as atrações divididas por categoria. Você pode baxar o que vai acontecer na sua cidade aqui.
A boa notícia é que dessa vez a Cat Power aparece como atração, diferente do folder dado hoje à tarde na apresentação da Virada.........
E como menção é necessário dizer que: a programação está sujeita à alterações.

GD 24......TUDO QUE VOCÊ QUERIA SABER SOBRE A VIRADA CULTURAL, MAS TINHA MEDO DE PERGUNTAR!!!!!!

12:21 e me deparei com um sentimento que há muito tempo eu não sentia. Revivi mentalmente as festinhas que aconteciam na escola onde fiz o pré-primário.
Uma mesa com sanduíches de metro de variados sabores, bolos de cenoura cobertos por chocotate e muito refrigerante sem gás, suco e água.
Assim estava a Sala São Paulo para o anúncio da quarta edição da Virada Cultural Paulista. O evento que começou em 2007 em apenas 9 cidades do interior do estado de São Paulo e atualmente vai contar com a participação de 30. Espera-se muito mais do que o milhão de pessoas que assistiram aos espetáculos no ano passado. Esse ano a virada será nos dias 22 e 23 de maio.
Dessa vez a palavra que mais se ouviu nos discursos inaugurais além do óbvio obrigado, foi participação. Já que as cidades escolhidas entram com boa parte da infraestrutura (se não com toda) e o governo do estado entra com as atrações e com toda a propaganda. Deve ser por isso que pelo menos os prefeitos de Sorocaba e Santa Bárrrrrrbara do Oeste passaram o tempo todo de seus discursos enaltecendo o governo do estado.
Com a apresentação de uma dupla de malabaristas (Os Irmãos Becker), um comediante (Marcelo Mansfield) e um mágico (o melhor dos 3, ainda mais quando descolou do nada uma pesada bola de boliche!!!!!!), foi iniciada a apresentação da cerimônia que me deu mais ainda a impressão de a qualquer momento me ver dentro de uma piscina de bolas.........
Ainda na fase de discursos e mesmo durante as entrevistas, dadas tanto pelo secretário João Sayad, foram enalteciam apenas a capacidade dos prefeitos de organizarem os eventos. Muito me deu a impressão de que aquela cerimônia tinha na verdade uma aura de tapinhas nas costas imensos, um coletivo vamos celebrar, sendo que nem todas as informações foram dadas.
Por exemplo faltaram todos os horários e todos os lugares detalhados de como, onde ir e assistir o que, afinal de contas dessa vez são dez atrações internacionais além de orquestras e até óperas.

As cidades que estão participando dessa Virada são: Araçatuba, Araraquara, Assis, Bauru, Bertioga, Caraguatatuba, Cubatão, Franca, Guarujá, Indaiatuba, Itanhaém, Jundiaí, Marília, Monguagá, Mogi das Cruzes, Mogi Guaçu, Peruíbe, Piracicaba, Praia Grande, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santa Bárrrrrbara do Oeste, Santos, São Carlos, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Vicente e Sorocaba.

E esse ano as atrações também estão diferentes. Além das bandas internacionais existem ainda duas pockets óperas que serão encenadas nas cidades participantes. Outra coisa nova é que agora o evento que era chamado Virada da Baixada, acabou sendo englobado pela VCP e agora o litoral também terá a sua cota de apresentações.
As respostas sobre como foram escolhidas as cidades são quase que um uníssono. Por serem centros de convergência fácil para a população que mora em cidades vizinhas se deslocarem para assistir um show que possivelmente jamais seria visto, como por exemplo Mudhoney em São José do Rio Preto.
Mas pelo tanto que os prefeitos presentes estavam em fase de puxa saquismo com o governo do estado, desconfio de um pequeno você lava as minhas costas e eu lavo as suas político.

As atrações são o destaque maior, esse ano variando de Maria Alcina e Rosana (ela mesma de como uma deusa!!!!!!), até Garotas Suecas e Cidadão Instigado. Aqui no GD colocaremos as principais atrações em algumas cidades logo abaixo.
Mas duas coisas são certas em tudo isso. Primeiro é que toda a iniciativa de levar cultura para lugares longe dos grandes centros, onde as pessoas dificilmente poderiam assistir à esses shows sem desembolsar uma boa quantidade de grana é sempre louvável. Mas será que a divisão de cidades é realmente a mais justa?
Por exemplo cidades do Pontal do Paranapanema, uma região com mais dificuldades no quesito financeiro(se compararmos por exemplo com a região de Ribeirão Preto), não teve nenhuma cidade incluída. Peruíbe é a mais próxima e mesmo assim ainda longe.
Discursos políticos são sempre chatos. Ainda mais quando o que se ouve é apenas um aglomerado de elogios e palavras de acalento doce nos ombros de autoridades que decidem as coisas atrás de uma mesa no tranquilo ar condicionado. Mas nada explica a falta de educação de quem estava dentro da Sala São Paulo. Mais uma vez eu me senti em meu colégio onde nenhum dos alunos prestava atenção em nada e disparavam a tagarelar. Não precisa concordar, mas também não atrapalha, come seu pedaço do sanduíche de metro e vai discutir Godard lá fora. E ai que eu me pergunto:

O que será de nós que consumimos cultura se as pessoas responsáveis por passar essa cultura não tem o mínimo de educação em sociedade??????

E agora como não poderia deixar de ser, vamos para o Nelson Rubens Mode ON.

(OBS: A ATUALIZAÇÃO ESTÁ LÁ EM CIMA NO OUTRO POST.....)
A cantora americana CAT POWER não está no material promocional dado pela secretaria de cultura sobre a VCP. O nome dela nem está catalogado como atração confirmada.
Essa foi a pergunta feita para a assessoria de imprensa do evento já que perguntar para o secretário me pareceu uma missão um pouco difícil (até explicar para ele quem era a Cat Power ia demorar). A resposta foi que não é um boato infundado a informação de que a cantora vinha para o Brasil (com shows em Jundiái e Mogi-Guaçu), mas que ainda nada estava certo. Faltam alguns detalhes à serem fechados, mas a maior probabilidade é de que a cantora venha. Mas como ainda faltam três meses e tudo é possível.
O Mudhoney vem de verdade. Mais do que confirmados tocarão em Mogi das Cruzes e São José do Rio Preto. Em Mogi tocaram junto com os Autoramas e Almir Sater (da série Mondo Bizarro).

O que fica é a vontade de que realmente esse evento se torne cada vez mais popular e passe a ser reconhecido e disputado pelas prefeituras de todo o estado. Afinal de contas cultura é que faz com que a gente seja cada vez mais contestador e não engula nada fácil demais. E que a infraestrutura de todos os shows seja melhor do que esse lançamento da Virada Cultural Paulista. Afinal de contas uma mestra de cerimônias que não sabe se chama o convidado de senhor ou senhora é um pouco demais não é mesmo??????
É pedir demais um pouco de educação também???????

AS CIDADES E SUAS PRINCIPAIS ATRAÇÕES:

1) ARAÇATUBA
Angela Dip, CPM 22, Alice Ruiz e Alzira E., Mawaca, Cia. Trucks, Cia Mariana Ruiz.

2) ARARAQUARA
As Meninas, Manu Chao, Lenine, Ludov

3) ASSIS
Cordeiro, Beatles 4 Ever, Chico Pinheiro, Kid Vinil, Toquinho

4) BAURU
Wander Wildner, Demônios Da Garoa, Aldeotas, Diogo Nogueira

5) CARAGUATATUBA
Focus Cia de dança, Sepultura, Denise Stoklos, Antonio Nóbrega

6) FRANCA
Leci Brandão, Falamansa, Tiê, Vitor Araújo e Rivotrill

7) INDAIATUBA
Monica Salmaso, Jazz Sinfônica do Estado de SP, O Capitão e a Sereia

8) JUNDIAÍ
Cidadão Instigado, SP. Cia de Dança, Pitty, Zeca Baleiro

9) MARÍLIA
Madame Mim, Cachorro Grande, Gravidade Zero, Céu Na Boca

10) MOGI DAS CRUZES
Cia. Borelli, Autoramas, Mudhoney, De Pernas Pro Ar

11) MOGI-GUAÇU
Heraldo Monte, Arnaldo Antunes, Arrigo Barnabé, Comida Dos Astros, Beto Guedes

12) PIRACICABA
Yann Tiersen, Toquinho, Paralamas Do Sucesso

13) PRESIDENTE PRUDENTE
De Gelo, Dona Yvone Lara, Detonautas, Lobão

14) RIBEIRÃO PRETO
Titãs, Toni Garrido, Miranda Kassin, Nina Becker, Simão e o Boi Pintadinho

15) SANTA BARRRRRRBARA DO OESTE
As Meninas Do Conto, Maria Alcina, Ultraje à Rigor, Sandália de Prata, Elba Ramalho

16) SÃO CARLOS
Negra Li, Anelis Assunção, Movéis Coloniais De Acajú, Cordel Do Fogo Encantado

18) SÃO JOÃO DA BOA VISTA
Ana Cañas. carlinhos Antunes, Canastra, Blitz, Brava Companhia

19) SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
100 + Nem Menos, Vivendo do Ócio, Mudhoney, Uma Pilha De Pratos Na Cozinha

20) SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Cia. Furufunfun, Banda Sinfônica Do Estado De SP, Del Rey

21) SOROCABA
Osesp, Titãs, Quinteto em Branco e Preto, Mire e Veja

E no litoral:
Zeca Baleiro, Pelada Na Rua, Farufyno, Criolina, Marcelo Mansfield, Rosana (a da deusa!!!!!), Maxixe Machine, Cérebro Eletrônico, Ballet Stagium, Nicolas Krassik, Otto, Queens Sinfônico, Mandau, Jam Suburbana e Manu Chao...............

Vamos aos poucos disponibilizando aqui no site os atalhos para que você consiga achar mais informações sobre as atrações. Estarão ou na coluna do recomenda ou nas bandas citadas. Afinal de contas boa educação e gentileza é a base de tudo........

GD 24......NÃO É MUITO CEDO PARA INGERIR ÁCIDO???????

Ontem via twitter o GD mostrou o vídeo teaser do novo projeto do Animal Collective. Para quem ainda insiste em viver nos anéis de Saturno, a banda de Maryland especialista em misturar de maneira genialmente psicótica cores, sons, barulhos e tempestades elétricas começou a dar os primeiros passos ainda na época em que Noah Lennox e Josh Dibb cursavam o segundo grau. De lá para cá tornaram-se uma das tais queridinhas de público e crítica (mesmo isso sendo sacralmente chato).
2008 tocaram aqui no Brasil no festival Planeta Terra, mas o show meio prejudicado pelo som e horário fizeram com que um certo gosto de decepção tivesse se instalado nos palatos.
Em 2009 lançaram o sensacional MERRYWEATHER POST PAVILLION e tomaram de assalto todo mundo que achava que não havia mais neurônios funcionando nesses tempos twitterianos. Programações alucinadas, batidas eletrônicas com uma força de britadeira interestelar e ainda os videoclips mais acachapantes de que se tem notícia.
E agora eles estão de volta com um projeto audio visual que vai seguir a mesma linha Jason Hannibal Kruger de ser........

ODDSAC
é o nome do filme dirigido por Danny Perez (o site do cara você encontra na sessão GD recomenda), e tem como tônica mais loucuras visuais. O diretor também é responsável pelos projetos visuais dos shows do Panda Bear e Black Dice.
Como quase tudo que a banda faz, será necesário assistir pelo menos umas duas vezes para poder captar as nuances e mensagens. Mas o lado visual vale muito mais do que ficar tentando filosofar em cima da coisa toda. Mesmo você achando que isso é pretensão intelectual demais para os caras.
O filme estreiou ontem no festival de cinema de Sundance mas terá exibições agendadas por aí. E se depender da descrição feita pelo site do festival você já pode ter uma idéia do que esperar:

" Uma experiência psicodélica e fundida com a banda.......".
Pode preparando aquelas famosas bicicletinhas (se você entende o que eu digo!!!!!!!).
Confere o trailer e se prepara para tomar o selim!!!!!!


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

GD 24...TARDE SOMBRIA ENTRE RAIOS E DISTORÇÕES DOCES.....


Existem bandas que transformam sonhos epiléticos em músicas. Com a capacidade de expansão de gases nobres explosivos, mostram uma quantidade de quartzo em suas canções que dificilmente são separáveis de um amontoado de nuvens em diferentes tons de azul e fucsia.
Em 2004 uma dessas bandas iniciava uma vida marcada por essas transformações. Em Baltimore (a cidade, não a banda brega dos anos 80), Alex Acally e a francesa Victoria Lengrand fundaram o BEACH HOUSE.
Victoria é filha do arranjador, maestro e jazzista Michel Legrand e sua mãe também trouxe influências sonoras na vida da filha. Essa calmaria de composição com uma irregularidade de notas é em muitas horas a marca mais registrada do Beach House. Em 2006 a Pichtfork escolheu a música Apple Orchad como uma das melhores do ano e em 2008 o disco DEVOTION (o segundo da banda) foi escohido como o melhor do ano.
Hoje tem início a caminhada do terceiro disco da banda, TEEN DREAM. Norway (que enquanto eu escrevia esse post foi anunciado como música do dia na KCMP, uma rádio de Minessota), já um single certo desse disco traz mais atmosferas densas, saindo um pouco das experiências fantasmagóricas dos trabalhos anteriores, com a adição de algumas notas de guitarras tenebrosas.
O que não quer dizer que o concreto em forma de suavidade e barulhinhos desconexos não estejam presentes, muito longe disso. A produção de Teen Dream é de Chris Coady (TV On The Radio, Grizzly Bear).
Se você gosta de She and Him, mas também curte roupas de latex pode ouvir sem medo.........



E por falar em coisas sinistras, o Yeah Yeah Yeahs lançou hoje via Babelgum, seu videoclip novo para a música SKELETONS. Tipicamente Tim Burtoniana e com uma fotografia de se perder por entre sonhos é um dos mais bonitos clips que eu já assisti. Mistura de conto de fadas diabólico com desenhos animados de fantasmas camaradas........



E a banda também liberou o making off......

GD 24.....DIGA NÃO AS CASTAS DIVISÓRIAS E MORTE AO INDIE........


Hoje eu me recordo de uma vez em que eu tentei escrever um comentário em um blog famoso de um jornalista de música. Ele dizia em seu post alguma coisa sobre a morte das vendas de cds. Mas nos comentários educados e repeitosos das pessoas que respondiam, apenas uma coleção de xingamentos e divisões de castas musicais levadas à um sunitismo podre.
Mesmo assim eu achei que fosse possível um diálogo e em uma tentativa (que se mostrou frustrada depois), tentei argumentar que não existem mais castas musicais e que as bandas consideradas indies estavam migrando para o maisntream, de uma maneira até muitas vezes louvável. Como exemplo até citei o Queens Of the Stone Age, que iniciou sua vida da maneira mais punk possível e depois com o encorpamento da banda se tornou mais conhecida, sem perder a qualidade "indie" (mesmo com a explosão de Songs For The Deaf, a banda ainda era assunto de iniciados no assunto stoner rock). Outro exemplo disso é o Kings Of Leon.
Ainda que estando mais preocupados em parecer uma banda de rock comum hoje em dia (até uma coleção de roupas eles fizeram), a transição deles de reis das meninas de all star apenas conhecidos em círculos fechados, para uma banda que fornece músicas que acabam virando covers do Fresno ou NX Zero foi feita de maneira até de boa qualidade (Aka Shake Heartbreaker é um disco muito bom e Because Of The Times não fica muito atrás).
Ainda argumentei que esse lance todo de indie ou não indie e a separação de castas das bandas estava acabado e que o que interessava como sempre foi, era a qualidade das canções. E isso era uma coisa que era decidida pelo gosto de cada um. Viver achando que nada de hoje em dia presta ou que quem gosta de velharias vivem em museus era uma visão tacanha e de pequeno espectro diante do que estava acontecendo no mundo da música.
E aí eu faço a pergunta:
Para que é que eu fui fazer isso???????
Nunca fui tão xingado na minha vida!!!!!! Moleque, burro, confuso e outras coisas para não ir muito longe. Quase que crucificado sem direito a ressurreição no terceiro dia. Cravado pela falta de inteligência e gentileza pelos magistrados de plantão.
Hoje eu acabo de silenciosamente obter a minha vingança (esse rancor ainda vai te dar uma gastrite menino!!!!!).

Em um artigo para uma das revistas importantes no segmento do rock dito alternativo (a Paste Magazine), há hoje uma matéria extensa escrita pela jornalista Rachel Maddux com o seguinte título:

Está o Indie Morto?????

Nessa matéria ela discorre sobre uma coisa que já estava acontecendo há algum tempo. A confusão de classificar o que é indie ou o que não é.
Nos anos 60 e 70 as bandas punks colocavam seus trabalhos em bares sujos em fanzines escrito à mão muitas vezes com fotos fotocopiadas. Tudo era feito na base do faça você mesmo e o termo independente começou a ser usado com mais significado. Daí a terminologia indie para se denominar tudo que não era produzido para uma grande massa popular, e sim algo apenas feitos em lugares que cheiravam uma liberdade de formas incrivelmente criativas. Essas bandas ainda tinham apenas redutos em rádios universitárias quando muito e muitas vezes a qualidade artística era muito melhor do que era conhecido como mainstream. Exemplos vivos disso eram os Ramones e R.E.M., apenas pra citar dois.
Quando o mundo clamou mudanças as gravadoras começaram a olhar para os párias e iniciou-se um processo que dura até hoje, que é levar as tais bandas indies para os grandes selos. Uma manobra que com o tempo acabou se mostrando como outras, algo que fechou a ferida mas não curou a doença.
E é aí que a coisa se complica novamente. Com a maior exposição dessas bandas pelos meios de comunicação modernos (blogs, twitter, facebook, etc....), não tinha mais como saber quem era indie e quem não era. Bandas como Dead Cabe For Cutie ou Spoon nomes com grande expressão indie assinaram com grandes gravadoras. Até mesmo o selo que salvou o mundo da música quando descobriu uma banda que se chamava Nirvana, a Sub Pop, tem 49% de seu controle feito pela Warner.
Perguntado sobre o que a palavra indie significava, a diretora de marketing internacional da Sub Pop, Carly Starr prontamente disse:

"Nada".

Então mais uma vez fica provado que não existem mais rótulos. O indie, alternativo e o maisntream se misturam com a mesma facilidade que o leite e o achocolatado. Em um futuro muito próximo se é que já não agora, a palavra indie não representará nada. Apenas uma página velha dentro de um fanzine de 1970, alí sim levado ao significado extremo da palavra.
A qualidade vai determinar o que vai morrer ou vai permanecer dentro da música. E mesmo sem saber as mesmas pessoas "magistradas" em divisões estúpidas de gêneros que passam seus dias disseminando ódio por linhas mal escritas já estão fazendo isso.
E para você que acha que o indie é diferente do maisntream, me desculpe a má notícia. Mas o indie está morto!!!!!!!!
Kurt já sabia disso. Smells like teen spirit é a síntese do que se tornaria o mundo chamado "muderninho". Aquela massificação pregada pela frase "entretain us!!!", é profética. Do mesmo jeito que "o problema é muita estrela para pouca constelação", como dizia Raul. Não há mais espaço para essa divisão. A fusão fluída à frio de gêneros, plataformas e momentos musicais (sim momentos, afinal de contas a velocidade das coisas não dá margem à longos períodos de espera), não permite mais esse nazismo enrustido em forma de opinião.





Mais tarde aqui no GD, mais uma dessa antigas bandas independentes e que provavelmente você ainda vai acabar escutando muito esse ano, o BEACH HOUSE.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

GD 24..... NOSSOS HERÓIS EM 32 GIGABYTES DE POEIRA CÓSMICA......


Quando em tempos já destinados aos museus, um pequeno arquivo digital que carregava dentro dele minutos de músicas ou discos inteiros foi criado, formou-se um alvoroço do tamanho de um Mississipi, dois Mississipis, três Mississipis e por aí vai. Todo mundo alardeou a morte do vinil de uma vez por todas (ela já havia sido assassinado com a invenção do CD), e o que se viu hoje por exemplo é que a fábrica da Polysom vai ser reaberta.
Todo o ano se anuncia o homicídio de alguma coisa, e essa sede por crimes digitalizados pode ser que aumente mais um pouco a partir de agora.
Dagfinn Bach e Karlheinz Brandenburg, noruegueses que inventaram e desenvolveram o mp3 em 1993, vieram à público mostrando o futuro do mundo dos sons digitais. O nome da criança é MUSIC DNA (alguém aí está brincando de Deus será???), e foi anuciado na conferência Cannes´Midem de música.
A coisa funciona assim:
Em um arquivo que comporta até 32 gigabytes, você vai poder ter em seu computador todo o tipo de informação, que vai desde as músicas, artworks mais elaborados, letras, bonus tracks e tudo mais que puder ser armazenado dentro desse espaço de divertimento virtual.
Um minuto cara pálida!!!!!!!
Mais o I-Tunes já não faz isso???????
Sim já faz, e o Music Dna é concorrente direto do mesmo. A diferença é que o arquivo novo será mutante.
Hein??????
Sim mutante, já que a partir do momento em que você compra, todas as informações serão automaticamente atualizadas no momento em que você abre o arquivo. Ou seja, você compra o arquivo da sua banda predileta com o disco inteiro, letras, encartes e informações. Aí toda a vez que você quiser saber de informações novas sobre a banda é só dar um play e se conectar na internet. Pronto.
Fácil né???
Mas isso não indica que as coisas fiquem mais baratas, afinal de contas o novo arquivo vai custar mais do que as 1,29 doletas que é cobrada pelo I-Tunes em músicas novas.
Se todo mundo que reclama da pirataria e faz alarde com a possível prisão de pessoas comuns que baxam música de graça na internet usasse a cabeça como esses dinamarqueses, as coisas seriam menos facistas e mais inteligentes. Logicamente os piratas irão também adorar a possibilidade que o Music DNA pode trazer. Mas aí é outra história...........
Ainda em buscas de pessoas interessadas na empreitada a empresa responsável pelo Music DNA, já tem a gravadora inglesa "indie" Beggars Banquet e a Tommy Boy Records como parceiros nesse momento.


A cada ano existe um ansiedade diferente dependendo de quem é que vai ficar alardeando o disco novo. Arctic Monkeys e seu Humbug o ano passado foi assim e as faixas inéditas do Radiohead também fizeram a mesma coisa. Esse ano é um tal de James Murphy que está nos comandos do suspense em formas de notas.
Primeiro ele anunciou que o LCD Soundsystem vai acabar. Disse que vai continuar a fazer música mas com outro nome e outra proposta. Mas até aí toda a vez que ele toma um pilequinho (e o cara gosta de uma biritinha como todos nós descendentes diretos do Mussum), anuncia isso.
E hoje ele colocou no ar das vias virtuais um vídeo sobre como e onde estão sendo as gravações do sucessor do espetacular Sound Of Silver. A melhor frase desse registro é aquela em que James diz o seguinte:
"Para que eu quero um estúdio com tudo isso aqui????"
Olha o vídeo e me diz se o cara não está com a razão........ahhh e o trecho de música inédita também não é mal não....

clip 1 from lcd soundsystem on Vimeo.



Hoje é feriado então eu vou dar um foda-se na segmentação!!!!!!!!
Enquanto alguns milionários do show bizz querem desesperadamente ficar mais ricos tentando montar um novo USA For Africa cantando uma cover do R.E.M., algumas pessoas colocam a mão na massa.
E quem mais poderia salvar o dia, se não nossos heróis da Marvel, o Radiohead!!!!!!!
Ontem a banda realizou um concerto beneficiente para as vítmias do terremoto no Haiti. Sozinhos, a banda conseguiu arrecadar a bagatela de $572.754,00 em favor da OXFAM. A banda realizou um leilão de alguns ingressos fora toda a bilheteria. E de quebra tocaram 24 músicas e uma "inédita" (que já havia sido tocada em um dos shows do projeto solo de Tom Yorke), que se chama Lotus Flower.
Melancólica na medida de Thom Yorke, mas com uma beleza arrasadora. Confere como ela é aí em baixo:




E o set list foi esse:

01 Faust Arp
02 Fake Plastic Trees
03 Weird Fishes/Arpeggi
04 The National Anthem
05 Nude
06 Karma Police
07 Kid A
08 Morning Bell
09 How to Disappear Completely
10 A Wolf at the Door
11 The Bends
12 Reckoner
13 Lucky
14 Bodysnatchers
15 Dollars & Cents
16 Airbag
17 Exit Music

Bis 1

18 Everything in Its Right Place
19 You and Whose Army?
20 Pyramid Song
21 All I Need

Bis 2:

22 Lotus Flower
23 Paranoid Android
24 Street Spirit (fade out)


GD 24........MAIS UMA CHICOTADA POR FAVOR!!!!!!!!


Nos anos 70 nenhuma pessoa imaginaria exatamente como seria a mistura entre a tecnologia e a música. Só para citar um fato, lembremos que para fazer a introdução de Money, o Pink Floyd teve que colar pedaços de fitas manualmente para você poder ter aquele efeito que hoje em dia qualquer criança consegue fazer com um simples programa de edição de aúdio.
Mas em 1974 um trio de moleques de Ohio na barackolândia resolveu que essa mistura seria colocada à prova. Kent State, Gerald Casale e Mark Mothersbaugh resolveram demonstrar uma tal de teoria sobre a de-evolução humana. Era opinião geral do DEVO que a raça humana estaria não em evolução, mas sim indo na direçção oposta. Meio profético e meia calabresa, a banda estourou nos anos 80 graças à uma música que poderia tanto falar sobre técnicas sado masoquistas com de uma simples brincadeira...........



E mesmo depois de 30 anos os caras continuam vestindo seus macacões amarelos e capacetes de Lego vermelhos. Datados????
Um pouco, mas mesmo assim ainda demonstram muitas qualidades na questão jab de esquerda usando guitarras e sintetizadores.
Vieram ao Brasil algumas vezes, mas uma banda como o Devo sempre deixa aquele gosto amargo de anos 80 dentro do palato de quem ouve. O nobre tempo fez deles referência de muita banda que se diz pós "muderninha", e em 2010 provavelmente se tornarão mais ainda.
Essa semana um dos criadores da banda, Mark Mothersbaugh deu uma entrevista sobre o primeiro disco de músicas inéditas, desde Smooth Noodles Maps (de 1990).
O que não é novidade quase que nenhuma, lembrando que aqui mesmo no GD você leu que a cantora Santogold estaria trabalhando com o Devo na produção do disco deles.
O importante é dizer que a banda está animada (e muito) com essa volta. Segundo Mark eles gravaram coisas mais ousadas nesse disco, levando em consideração todas as ferramentas que eles poderiam utilizar. E com a palavra ferramentas você pode definir como sendo, os programas no mundo da música digital, que hoje em dia são muito melhores dos que os de trinta anos atrás.
Mas e o então conceito paradoxal sobre a de-volução??????
Se o mundo anda para trás e a tecnologia é melhor, o que fazer com a ideologia da banda????
Nada como milhões de cópias vendidas de um disco para fazer com que uma ideologia caia por terra, mas nesse caso a diversão e os bons sons agradecem!!!!!!
Melhor nem tentar entender, o que interessa é que a banda está mais é querendo sacudir as coisas:

" Eu queria escrever doze músicas que fossem interligadas com nossos primeiro ou terceiro disco, mas após a banda começar a trabalhar em cima do material percebemos que se por acaso fôssemos o Devo que estivesse começando jamais faríamos uma canção datada". Com essas palavras Mark define como será o disco novo da banda, e mais uma vez provavelmente as patrulhas ideológicas dos puristas vão ficar em polvorosa. Mas é só lembrar que o mesmo Devo já mandava a mensagem exata quanto ao quesito escolha........

sábado, 23 de janeiro de 2010

GD 23..... O PERDIDO VENTRÍCULO ESQUERDO......

Confesso que ando me sentindo um pouco estranho essas últimas semanas. Nem sei ao menos o motivo, mas algo me incomoda ao ponto de, ontem à noite durante a transmissão do show em benefício ao Haiti estar muito mais interessado em uma musa twitteriana que sempre me assombra a tela por onde meus olhos circulares teimam em não sair.
Sem ao certo eu mesmo saber o que é, devo confessar que por minutos acachapados em chuva grossa que cai por entre as frestas dos prédios, uma pequena pista do que pode ser se tornou mais real e assustadora......
Somos seres emotivos por natureza e isso está em nosso instinto mais primal. Grandes tragédias talvez façam nos sentirmos mais pequenos e talvez por isso somos facilmente levados à contribuir e a chorar pelas vítimas de desabamentos e terremotos estratégicamente calamitosos.
Mas em nosso cotidiano estamos todos perdendo uma das poucas coisas que nos separam da selvageria infernal. A incapacidade de sentir algo em circunstâncias banais é a maior das pragas modernas.
Sentir o acalento forte de angústia pela tragédia em massa é quase pleonasmo de humanidade. Mas se é importante sentir algo pelos haitianos, porque não se deslocar sentimentalmente com as pequenas tragédias que acontecem em nossa vida diária?
Porque é fácil chorar com as imagens de prédios desabando em massa e não conseguir olhar para o ser humano que está ao seu lado, seja ele seu vizinho, amigo ou simplesmente morador da mesma área geográfica onde você desfruta os encantos de uma vida tecnologicamente avançada e broxante.
Maestria egoísta de um aglomerado de genes que desejam o isolamento cinza de não perceber onde está o outro. Você já percebeu como as pessoas não olham nos olhos umas das outras?????
Ou como tudo parecer estar fadado a individualmente ter razões de supernova e explodir em segundos rápidos sem que seja possível fazer com que algo passe por você ou por outra pessoa????
Atos afastados em progressão geométrica da gentileza cotidiana ou o simples fato de não olharmos para o lado e ver que existe alguém, nos afastam cada vez mais de poder sentir que nosso ventrículo esquerdo é a peça mais importante dentro desse arcabouço onde as melhores faces do ser humano teimam em se esconder eternamente.
Perder sentidos sinestésicos para com as outras pessoas é passar o resto de nossas vidas sem saber o que torna o ser humano muito mais do que simples hélice genética.
Se emocionar sempre pelas grandes perdas em massa, mas muito mais que lágrimas é necessária a percepção do outro e isso parece ser cada vez mais uma utopia anti-matrixiniana...........



sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

GD 23.... ACABOU A SEXTA E OS SHOWS FICARAM ASSIM.........


Então as coisas ficaram assim:
Com a confirmação (coisa de São Tomé isso) da vinda do Mudhoney pelo pessoal da Secretaria da Cultura por telefone hoje, por enquanto os shows devem ser mais ou menos assim.......
Apenas lembrando que ainda temos o esquecido e ainda em conversações Woodstock brasileiro.
Bom vamos lá então:

COLDPLAY + BAT FOR LASHES + VANGUART........... no Rio dia 28/02 e SP em 02/03
(será que não tem como vender ingressos apenas pra assitir Vanguart e Bat For Lashes?????)


FRANZ FERDINAND......................23/03 em SP
19/03 no Rio
18/03 em Porto Alegre
21/03 em Brasília
(nessas horas eu penso ahhh se eu tivesse grana!!!!!!)


THE GOSSIP....................................19 e 20/03 em SP
12/03 em BH

(você assiste dia 19 o Gossip e quatro dias depois vai ver o Franz Ferdinand e mais uma vez eu penso a frase acima!!!!!).


GUNS´N´ROSES..............................07/03 Brasília
10/03 BH
13/03 SP
14/03 RJ
15/03 Porto Alegre

(pode ser a maior furada do ano!!!!!! Axel ainda em tempos de smell like teen spirit, mas com corpinho de desodorante vencido).


CAT POWER......................................22/05 em Jundiaí (é lá mesmo tá!!!!!)
23/05 em São José dos Campos


MUDHONEY.......................................ainda sem data e local (por enquanto)


MANU CHAO.....................................22/05 em Santos
23/05 em Piracicaba



PAUL McCARTNEY..........................16/04 no Rio
18/04 em SP
21/04 em Brasília

(continuo vendendo agora em prestações suaves!!!!!!!)


SOCIAL DISTORTION......................17/04 em SP no Via Funchal



METALLICA......................................30/01 em SP
28/01 em POA


ALL TIME LOW.............................. 20/05 em SP



PEACHES..........................................09/07 no PR
10/07 em SP

( com muita vontade de ver esse show aqui.......)



MODEST MOUSE.......................... 18/07 em SP




HARD-FI
......................................... 07/08 em SP



IDA MARIA & THE CUTE LIPPERS
.....24/09 em SP
25/09 no PR

(presente de aniversário mais do que sensacional!!!!!)



THE SUBWAYS
............................. 16/10 em SP



DEAD CAB FOR CUTIE & DEAD KIDS
...20/11 em SP.

Eu passei o ex Beatle para vermelhor porque simplesmente quero do mesmo jeito do Mudhoney esperar para ver, mas tá quase azul viu!!!!!

GD 23.....A LENTA CONEXÃO DE SEXTA FEIRA.....

Com a boataria rolando solta, nada mais justo que colher a informação onde ela nasce. Afinal de contas o rio é sempre mais limpo na nascente.
A Secretaria da Cultura através de sua assessoria de imprensa há poucos minutos (na verdade agora há algumas horas) nos deu a informação de que sim o MUDHONEY vai tocar na Virada Cultural Paulista, que acontece nos dias 22 e 23 de maio em várias cidades do interior do estado e que já tem como atrações internacionais Cat Power, Mano Chao e Yann Tiersen. Ontem a informação sobre a seminal banda de Seatlle causou uma revolução de 140 caracteres, mas o site da banda não confirmava nada. Mas depois de conversar hoje de manhã com a secretaria e as pessoas responsáveis a informação foi cromada em placa afirmativa. Mas ainda não existe a confirmação nem das datas e as cidades que poderão ver uma das melhores bandas de todos os tempos.
Lembrando para quem mora em Júpiter, o Mudhoney é um dos pilares do "renascimento" do rock nos anos 90. A sujeira punk desnorteada que o quarteto despejava foi uma das inspirações para que um tal de Kurt Cobain montasse uma banda. E lembrando também que o Mudhoney já veio ao Brasil algumas vezes, seja para abrir o show do Pearl Jam, tanto para tocar como atração principal. A banda ainda tem depois de anos de estrada a mesma molecagem e pancadaria de tempos de gênese, como quem foi ao show deles na Clash em 2008 pode conferir.
Isso tudo prova que vale muito mais à pena trazer uma atração gringa do que pagar milhares de reais para o maistream nacional.
Também segundo a assessoria da secretaria, os detalhes serão todos dados dia 27 em um evento ainda sobre certo grau de segredo. E que por acaso estamos aqui no GD esperando chegar por e mail a confirmação e se rolar estaremos por lá.
Mas mesmo assim yes!!!!! Nós temos o COAXÉLLA!!!!!!!!


Hoje também foi o dia dos vazamentos, aliás qual dia é que não é?????
Primeiro porque uma suposta nova música do duo eletrônico mascarado, o DAFT PUNK, está circulando por aí. A música em questão estará presente na trilha sonora do filme Tron Legacy, uma refilmagem do clássico filme dos anos 80 onde Jeff Bridges (que ganhou o Globo De Ouro de melhor ator esse ano) é um viciado em videogames em especial em um que mostra uma maratona de jogos de combate. Por esses acidentes que apenas ocorrem aos nerds ele vai parar dentro do jogo e seu avatar começa a viver uma realidade paralela dentro do computador. Sim , a palavra avatar não está lá de graça. O filme de James Cameron é idéia velha..........
Mas voltando a música, o som se chama Fragile e a versão você pode ver aqui......



Outro vazamento daqueles de torcer o ventrículo esquerdo, é a música nova da dupla SHE & HIM. Se chama In the Sun e traz a nossa musa das musas Zoey Deschanel na naquela condição de suavidade que já conhecemos, mas dessa vez com um pezinho lindo no pop mais pipoca doce de parque de diversão, com direito à solo de guitarra espacial. A música é a segunda do segundo disco da dupla que se chamará Volume II.
Escuta aí embaixo.......









Se a conexão permitir eu ainda volto com a nova do Goldfrapp..........





quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

GD 23...A SIMPLICIDADE DAS COMPLICAÇÕES......


O termo bandas consagradas é talvez o adjetivo mais imbecil criado no mundo da música. É uma impressão de desleixo latente e remete aquela famosa frase do hino nacional, levada à ferro e fogo pelos mais sunitas, que deitar eternamente em berço esplêndido é coisa de quem nasceu dormindo e vai morrer deitado.
O tempo de estrada da banda americana SPOON talvez pudesse levar à isso. Britt Daniel e Jim Eno quando formaram o quarteto em Austin no ano de 1993 (em homenagem à canção da banda alemã Can) e mesmo depois do lançamento do primeiro EP (The Nefarious), talvez jamais imaginariam que sete anos mais tarde estariam onde estão. Vários discos lançados depois e com um respeitável nome que circula bem entre os mais puristas e os mais modernos.
E isso provavelmente se deve a voz marcante de Daniels ou a mania que a banda tem de fazer canções beatlenianas (e quem não faz?) com toques de estranheza crua. Mas uma coisa salta aos ouvidos quando da audição de TRANSFERENCE, lançado nesse início de ano:
Como as coisas podem ser simples e ao mesmo tempo extremamentes cheia de entrecantos.........

Tudo começa com o crescendo de BEFORE DESTRUCTION. Batida cardíaca serrada por eletricidade cheia de abafamentos. A voz ao longe de Daniels na primeira estrofe e o violão marcadamente tocado em desafiador entretempo. Tudo muito calmo e simples, mas com a capacidade de já conseguir captar toda atenção necessária, e você vai atentamente se ater em todas as dissonâncias pacíficas desse som.
IS LOVE FOREVER? vem cambaleante e trôpega. Como em desabalada carreira por uma estrada de paralelepípedos molhada onde o escorregão é a coisa mais certa que vai acontecer. Tudo desconexo e em forma de piruetas, mas com o refrão desaguando em uma forma muito sublime de riffs e frases grudentas. Não existe métrica quadrada muito menos saída fácil para essa música. Mas mesmo assim ela não é nenhum compêndido de física quântica, é apenas rock e não precisa de nada além disso.
Mais aceitável em uma primeira audição, THE MYSTERY ZONE é por definição uma balada. Eu não gosto de chamar essa música assim, porque ela se encaixa muito mais na linha de ecos mutantes. Loopings em formas de riffs e solos tocados em desalinho. A sensação de balançar a cabeça para os lados com gosto de final de tarde é latente e obrigatória. Um solo tenebroso mas doce marca esse som. Levar coisas que não se encaixam para zonas misteriosas é muito mais do que apenas esconde-las.









WHO MAKES YOUR MONEY tem ecos de um passado onde os integrantes ainda eram crianças. Marcas de funk e uma irresistível black music com uma linha de riffs acelerado na medida certa. Poderia até ser a música descartável do disco. Mas pode fechar os olhos e imaginar o quarteto vestido de terninhos pretos iguais, coreografando passos como as boys bands dos anos 50. Esse som parece ser a primeira parte de uma sequência que se fecha com WRITTEN IN REVERSE. Com um pouco de cabaré sujo e empoeirado adicionado à uma batida marcada, esse som parece ser feito para big bands. O contexto de simples canção de rock desaparece a cada nota do piano tocado em transe caótico que desaba em uma levada cada vez mais reta. E que acaba em desabalada carreira por entre os acordes que gritam desordenados, mas em perfeita sincronia. Ouça dentro de uma carro em movimento.......
A bateria talvez seja nesse disco o melhor exemplo de medida de todas as faixas. I SAW THE LIGHT é a prova viva disso. Por entre uma marcação simples, ela transforma uma canção em calamitosa linha crescente de desespero. Como se você fosse capaz de sentir a corrida em direção da luz.
E não mais que de repente o jazz do piano e novamente a bateria acalmam todos os neurônios em pólvora octacubana, povoando sua cabeça com viagens por entre cores disformes. E tudo termina de maneira silenciosa.









TROUBLE COMES RUNNING tem a assinatura da banda desde o começo. É uma daquelas músicas que você sabe que é do Spoon e ponto final. O refrão grudento e os riffs muito mais ainda, colocam mais que simples pipoca dentro desse disco. Tem uma capacidade de virar hit em qualquer festa, mas com mais profundidade que qualquer música descartável. E outra vez mais sem você perceber, seus pés estão entregues à canção.
A única certeza de GOODNIGHT LAURA é de que é uma canção de ninar, como em Around The Bend do Pearl Jam em que Eddie Vedder cantava para sua filha ainda não nascida. Os acordes são definitavamente feitos em concordância com Morfeu e a beleza dessa canção é palpável. Tudo encaixado em perfeita simetria com a voz que parece acalentar qualquer ataque de nervosismo juvenil transgressor.
OUT GO THE LIGHTS pode até fazer com que o disco caia na armadilha das canções lentas. Mas a guitarra desconexa em solo tirado da parte mais sombria dos anos 80 faz com que seja apenas uma passagem para o que vai fazer sua cabeça se desconectar em GOT NUFFIN´.
E a décima canção de Transference não é apenas a música que tocou em um episódio da série Chuck, mas sim uma ecatombe de ritmos desconexos. Desesperado bate estaca (I got nothing to lose, but darkness and shadows!!!!!!), com uma crescente guitarra que desanda a falar mais alto em formas de plasma seco. No círculo formado entre Echo and The Bunnymen e Gang Of Four esse som do Spoon não deixa nada sobre nada, e sim uma distante forma de lembrança de como seu cérebro era antes de ouvir a canção.









NOBODY GETS ME BUT YOU, tem uma coisa meio Queen na fase Radio Gaga. É quase uma mistura de batidas que remetem ao início da música eletrônica com a crueza do piano tocado sem encaixe. Ritmo que provavelmente causará estranheza em ouvidos mais prontos para a digestão fácil, mas com uma estranheza de sons que encaixam perfeitamente com os dias mais cinzentos e com gosto de fuligem industrial.

Transference está longe de mostrar hits com You Got Yr Cherry Bomb, mas nem por isso é uma obra menor. Citações e complicações escondidas em riffs elaborados, com entradas bem encaixadas de pianos estranhos são de uma simplicidade que apenas as coisas mais convidativas à se tornarem inesquecíveis em sua cabeça, são capazes de proporcionar. E se depender do Spoon 2010 vai ser lotado com essas coisas.........