sábado, 27 de fevereiro de 2010

GD 28....... ALQUIMIAS ATEMPORAIS


1979 e 2010.

Dois tempos dividos por mudanças tecnológicas, dias e horas onde o ser humano se perdeu em meio à um turbilhão de emoções, ora vazias outras ocas de sentimentos. Guerras santas e pazes enfeitadas por cartas que viraram mensagens enviadas por Fedex, que se transformaram em e-mails que se moldaram em twitteres. O tempo entre essas duas épocas parece ser uma espaço tão separado como os continentes da América do Sul e da África. Mas do mesmo jeito que as imensas costas desses dois lugares, 1979 e 2010 guardam semelhanças de quebra cabeça muito mais profundas do que qualquer fenda geológica que atinja 8.8 graus em Ricther pode ter.
Existe uma característica humana que é a cola que uniu essas duas épocas tão distintas, em sonoridades amalgamadas. Essa peculiaridade dos seres bípedes com telencéfalo desenvolvido pode ser traduzida em apenas uma palavra de quatro letras: alma.

E é isso que essas duas bandas separadas por vários terabytes possuem em comum. Seus discos são o documento cabal e inabalável de que sim, sons possuem alma e coração do lado esquerdo de um peito cheio de respiração bruta.

Tudo começa com um referencial comum........

1966 na Inglaterra o movimento mod instalava suas roupas modernas e sua atitude cheia de som dentro dos jovens seguidores da rainha. Musicalmente falando os mods já flertavam com o que o Gorillaz e o The Specials ainda fazem. Misturar sons como o punk, o pop e o ska. Usar o moderno de cada época e misturar com o inusitado.
E usando esse movimento como referência (Damon Alburn, a mente pensante atrás dos cartunescos astros do Gorillaz nunca se cansa de dizer que Paul Weller ícone do movimento mod é sua maior inspiração), essas duas bandas deixaram documentos que mostram como a música pode atingir níveis gigantescos.

Mas ainda andando pelas terras antigas o ano de 1979, marca a época das primeiras audições de um desses documentos. THE SPECIALS, o disco de estréia da banda inglesa é uma experiência atemporal. A mistura do ska dos anos 60 com a energia do movimento punk dos 7o feita por eles, formaram a gênese de bandas como por exemplo o Sublime, Rancid ou até mesmo o The Police. Os ecos são tamanhos que a tsunami jamaica-britânica atingiu inclusive países longínguos como o Brasil (os Paralamas do Sucesso em seus primeiros discos soam exatamente como os Specials). E não foram só países atingidos, o próprio punk sofreu as consequencias dessa mistura. Uma prova é a canção CONCRETE JUNGLE. Sua introdução com a bateria tenebrosamente vulcânica onde as batidas são de bate estaca, é a origem do início de Do You Remember Rock And Roll Radio dos Ramones. Escute então as duas músicas gêmeas e também aproveite para entender o conceito de citação..........








CONCRETE JUNGLE




A maioria das canções não eram da própria banda, como por exemplo TOO HOT uma música de 1966 gravado por Buster Prince ou o hit da banda A MESSAGE TO YOU, RUDY, que era uma canção de David Linvingstone no ano de 1967. Mas mesmo assim os Specials conseguiram através da junção de rebeldia punkeada de canções que refletiam toda a raiva que a juventude inglesa sentia pela selva de pedra britânica e o ska mais acelerado do que o original jamaicano, formar um norte magnético que era quase que caminho obrigatório para quem viesse depois.
A mistura de terninhos mod mais guitarras elétricas era uma coisa que já estava encravada na genética do rock inglês desde os tempos em que os Beatles cantavam no Cavern Club, mas juntar isso com uma octaedrocubana octanagem de ritmos e força motriz que cheirava a espírito adolescente deixaria marcas permanentes em todas as gerações a seguir.



A produção de Elvis Costello no disco The Specials deixou o som da banda com um pouco menos de barulho e muito mais suingue do que em suas primeiras gravações, o que pode-se ser mais percebido na remasterização feita em 2002. As guitarras soam mais pesadas e dão a noção exata de que se o disco fosse lançado independente da época, estaria relacionado dentro de qualquer lista dos melhores do ano. E mesmo com a produção deixando o disco bem palatável aos ouvidos, o cerne de todas as coisas ainda continua lá. E ainda mais atual do que uma infinidade de bandas que se dizem modernas. Músicas como DO THE DOG ou IT'S UP TO YOU são de uma urgência tão grande que parece que as cordas vocais de Terry Hall vão sair pelos ouvidos. A diversão regada com muita vontade de destruir muros e paredes de concreto, mas sem dispensar em momento algum um belo sorriso sem dentes e o balançar femoral dentro de qualquer pista de dança, seja ela de 1979, 2002 ou 2010. Esse disco não marca apenas a criação do gênero musical 2-tones, iniciado no momento em que o tecladista dos Specials, Jerry Dammers montou a gravadora 2Tones Records e onde o gênero cresceu. São litros e litros de alma e coração despejados dentro dos ouvidos de uma juventude que ainda hoje carece de figuras à seguir. Perdidos dentro de suas próprias incertezas, o som do The Specials e principalmente esse disco de estréia é fonte de luz em sabre jedai. Fortemente armado até os dentes com diversão, raiva e alma. Não apenas uma coleção de hits, mas sim uma fonte inesgotável de alquimia.








DO THE DOG









IT'S UP TO YOU


Alquimia.......
Essa é a primeira palavra que vem á sua cabeça quando os primeiros acordes de BROKEN (uma das músicas de Plastic Beach o novo disco do Gorillaz) se inicia. O ska dos Specials está todo lá, mesmo que parecendo ser tocado em rotações diferentes. Mas a letra sobre pessoas que se perdem não deixa sombra de dúvidas de que todo o espírito dos anos 70 rondam essa faixa.
Banda dita alternativa em vários círculos de discussão, o Gorillaz é fruto da rebeldia do vocalista Damon Albarn e seu amigo Jamie Hewllet. Em uma tarde onde os dois estavam assitindo o canal televisivo MTV, revoltados com todo o lixo exposto dentro das retinas eles resolveram inverter os valores. Já que as bandas em algum ponto da carreira viravam imagens cartunescas de si próprios por que não criar uma banda que já era um desenho. Não haveria transição para o mundo bizarro da animação, afinal de contas essa parte da anatomia do rock já havia sido feita.









BROKEN


E assim foi feito e nesse ano de 2010 inicia-se mais um capítulo regado nos mesmos moldes de 1979 ou para ser mais próximo com a tecnologia com a mesma energia de uma remasterização de 2002. PLASTIC BEACH com lançamento previsto para o dia 8 de março tem mais em comum com a mistura iniciada pelos Specials do que imagina nossa vã filosofia........

E o início disso é a maneira de composição de todas as músicas. Os gêneros se colidem e amalgamam-se formando um mosaico energético colorido com nuances fucsias. Cheias de frases que nos levam em uma máquina do tempo onde cenas de épocas vividas ou não passam por entre nossos ouvidos médios.
Seja o início do rap nos anos 80 com a canção WELCOME TO THE WORLD OF PLASTIC BEACH, que tem a a participação de Snoopy Dogg e o Hypnotic Brass Ensemble (um grupo de Chicago que toca instrumentos de sopro como trombones, trompetes e saxofones, que também já tocaram com Mos Def, outra participação no disco do Gorillaz na faixa STYLO). Ou um passeio pelas pistas de dança em um tempo onde a casa noturna Factory era o lugar para se estar na Inglaterra no terço final dos anos 80, na faixa PLASTIC BEACH que conta com a participação do seminal grupo de música eletrônica Front 242.
Como com os The Specials, os símios cartunescos mostram uma capacidade de entender o contexto do mundo em sua volta, não apenas observando os fatos e a sociedade, mas sim engolindo todas as informações e as solidificando em formas de massas sonoras cheias de energia. Unindo a rapidez de tempos onde os 140 caracteres ditam a velocidade com que se absorvem informações mais a capacidade que a alma tem de se intensificar a cada nota despejada. Essa união não é apenas interna, mas sim colocada em estado puro, e isso mostra mais uma vez outra ligação importante entre as duas bandas.
Quando em 1978 os Specials já rodavam suas metralhadoras giratórias jamaicanas pelas claves de sol, acontecia um movimento na Inglaterra que teve seu início dois anos antes, que chamava-se Rock Against Racism. O cerne de toda a questão estava cravado no nome do movimento, ou seja, bandas onde a mistura de raças era a mola propulsora da criatividade. E os Specials levavam a idéia como bíblia e sua estrutura anatômica mostrava isso.

Alquimia de cores........

Os Gorillaz com Plastic Beach elevaram isso à uma enésima potência infinita, juntando rappers, clubbers, roqueiros brancos dentro de apenas uma caldeira insandecida. Prova disso é a segunda faixa liberada pela banda SUPERFAST JELLYFISH, que conta com as participações do grupo de hip hop De La Soul mais o galês caucasiano e vocalista da banda Super Furry Animals, Gruff Rhys. Em tempos onde a intolerância teima em reinar em ações cotidianas duas bandas em tempos diferentes mostram que é necessário apenas notas e as diferenças são derrubadas.








SUPERFAST JELLYFISH


Mas não se engane, o novo disco do Gorillaz é feito em uma época diferente.
Onde parece não haver mais espaço para uma explosão de criatividade como nos tempos dos The Specials. Mas essas duas bandas tem algo de genial e foram capazes de fazer com que esses discos se encontrassem em linhas quânticas de realidades paralelas. E isso não está relacionado com toda a mistura de estilos, a rebeldia contra os tempos modernos ou muito menos com o passado mod.
Isso tem muito a ver com a capacidade que o ser humano tem de ser divinamente caçador de sensações que desprendam nossa vida dos entrecantos calamitosos. A mágica de em tempos tão diferentes e distantes conseguirmos povoar nossos corações e mentes com cores tão cheias de vida.
O prêmio que os Specials receberam essa semana da NME pela contribuição para o mundo da música foi uma tardia mostra de carinho, mas obrigatória. Talvez um dia os Gorillaz também o recebam por saberem continuar a alquimia das almas humanas.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

GD 28......... ALMAS MEDIEVAIS

Nos tempos onde os cavaleiros empunhavam espadas pesadíssimas e corriam em lutas eclesiásticas em defesa de santos graais e donzelas perdidas em cavernas soturnas, Joanna Newsom definitivamente seria uma trilha sonora mais do que necessária.
Em duas horas de sonoridades que catapultam sua mente por entre densas florestas e fontes de água límpida, a compositora, pianista, cantora e harpista deixa claro uma coisa: esse é um trabalho preciso.
Mas como entender essa precisão se dentro do disco encontramos músicas com mais de dez minutos (apenas duas músicas tem menos de quatro minutos), cheias de pianos, violões e violas acrescidas de clarinetes, saxofones e violinos.
Essa confusão instrumental apenas aparece no momento em que descrevemos todos os instrumentos usados. As notas são matematicamente encaixadas, como se as forças de uma física quântica quadriculada pudessem desenhar temas onde nada mais interessa a não ser a beleza matematicamente encaixada.
A formação de Joanna provavelmente tem muito a ver com a maneira que o disco HAVE ONE ON ME foi feito e lançado essa semana mundialmente pela internet. Formada em composição e escrita criativa pelo Mills College em Oakland, toda a teoria foi colocada em prática aqui. Conseguir uma cópia definitivamente saciou a curiosidade de quem em janeiro de 2010 entrou no site da gravadora Drag City e achou aquele link indecifrável que levava ao nome do disco.

E uma coisa que já chama a atenção. É que definitivamente não se pode resenhar esse disco como todos os outros. Não é possível fazer um faixa à faixa, pelo simples fato de que as músicas descrevem uma grande circulação sanguínea. Impossível retirar uma artéria e observar as nuances de cada célula do vaso sem danificar o resto do corpo. O disco tem que ser ouvido em sua totalidade e na ordem em que as músicas estão. Porque dentro de seu cérebro é como se seu peito fosse uma terra sem folhagens e com terra seca, mas a medida que todas as notas vão se formando seu corpo vai sendo arado e polinizado através de insetos que disparam de dentro da boca de Joanna. São como inúmeras rajadas de vento anemofilando seu coração e as raízes cravam tentáculos em cada espaço em branco de sua alma. Não existe escapatória e a hipnose coletiva se desfaz em segundos para alguns acordes depois iniciar uma nova jornada dentro de seu líquor.

Desde os primeiros acordes de EASY, a música que abre o disco já é possivel saber que seu coração vai velejar por pradarias celtas. A voz de Joanna começa em tons suaves e calmos, como se ela tivesse ensaiado durante séculos uma cantiga de desalento regada por sorrisos. Cravos e violas acompanhados de nervosas sinapses de harpa formam uma onda dentro de um lago onde valquírias descansam. Suave também é a referência da música japonesa dentro dessa canção. Nesse instante você acaba de abrir uma caixinha de músca onde os anjos rodopiam ao redor de ninfas semi nuas. Começa a hipnose...........
Isso segue dentro da próxima canção HAVE ONE ON ME e a terceira '81. A primeira um pouco mais agitada com a adição de percussões simples e um toque de jazz que segue uma linha medieval. Se em Easy o pêndulo começa a levar você para um estado alfa, com a canção título você já está em um campo de batalha cercado de armaduras dançantes ao redor de uma fogueira. Joana D'Arc provavelmente dormia ouvindo essa canção. São onze minutos de onde os cavalos são domados em uma fumaça calamitosa.








HAVE ONE ON ME


'81 parece fechar essa tríade, mesmo porque tem a mesma linha da canção inicial. Depois das batalhas embebidas em jazz suave, a calmaria volta a reinar e os sons que saem da harpa de Joanna são nada menos que divinos. Não espere nada que não sejam nuvens em cores calmas, pois você vai se decepcionar se quiser tempestade. Joanna convida você para encontra-la dentro de um jardim e se assim for escolhido as estradas se abrirão rodeadas de girassóis insanos e brilhantes. A caixinha de música lentamente se fecha ao final dos acordes e você sabe que está em outro lugar, longe da fumaça e cercado de vegetação lisérgica...........

Have One On Me é um disco de ciclos, que são determinados por portas translúcidas. A cada abertura de porta/ciclo novas sonoridades se abrem. Sejam elas condicionadas em sonhos dançantes como em GOOD INTENTIONS PAVING COMPANY que nitidamente é inspirada em algum salão medieval cheio de casais em círculos, ou em canções de ninar paranoicamente nervosas e cheias de caleidoscópios sonoros como em NO PROVANENCE.








GOOD INTENTIONS PAVING COMPANY


Com uma proposta completamente diferente do que a maioria das bandas da atualidade que muitas vezes só fazem reciclar tudo o que já se ouviu um dia em uma guitarra, Newsom traz combinações no mínimo diferentes. BABY BIRCH, por exemlo é uma cantiga de nove minutos que passam com tamanha beleza que parece ter tempo indeterminado. Não existe definição no mundo pop atual para as navalhas pacíficas que cortam seu ventrículo esquerdo a cada entonação feita pela cantora.Guitarras escondidas dentro de ilusões de pop,muitas vezes estranhas mas por todas as vezes, lindas.........
O disco é triplo, outra característica que beira a loucura nesses dias de twitter. Wayne Coyne era o detentor do prêmio insanidade por ter feito Embryonic duplo, mas Joanna avançou os limites.
E mesmo assim o disco não é longo demais e os minutos são uma sensação completamente diferente do que sua alma já se acostumou. Nenhuma nota é colocada de graça, muito menos deixará uma sensação de vazio dentro do seu endoesqueleto. YOU AND ME,BESS é a prova disso tudo. Novamente com um fundo jazzístico de triturar o mais empedrado coração, essa canção é a mais bela do disco. São sete minutos e doze segundos onde seu coração vai dissipar qualquer lágrima a cada nota onde os metais constroem uma escala que se encaixa perfeitamente com a voz. Se o amor pudesse ser colocado dentro de uma partitura teria o formato dessa música. Liquefação de aperto no peito com direito a seres luminescentes de sorrisos largos........








YOU AND ME,BESS


E belo é um termo recorrente dentro desse disco. Canções como SOFT AS CHALK, GO LONG ou IN CALIFORNIA são parte de um caminho onde essa palavra é pleonasmo. E essa última canção leva consigo desesperos claros com amontoados de trovões, muito pela capacidade de composição em forma de onda que vai se abrindo em pétalas e quebrando suavemente nervosa em qualquer beira de estrada de tijolos amarelos, que Joanna possui.
Have One On Me não é um disco para iniciados ou para quem procura diversão rápida. Não existe uma revolta juvenil, muito menos três acordes malabarísticos. Esse disco foi feito em uma era onde o computador manda e desmanda. Um tempo em que as coisas acontecem rapidamente e muitas vezes sem a menor preocupação com os sentimentos humanos. Mas a audição dele é para ser feita em tempos onde as tavernas eram os locais mais bacanas para se viver. Ouvir KINGFISHER é se teletransportar para uma época onde as velas marcavam os rostos e as sombras dançavam por entre as poções mágicas de Merlin. Lagos mágicos onde fadas tramavam suas investidas sobre os humanos desprotegidos de coração. Expor seu peito por essas notas é completamente passível de não ser mais o mesmo ao final da audição.








KINGFISCHER


Joanna Newsom não quer ser a nova Kate Bush, apenas deseja que sua alma seja levada para um outro estado. Onde as levezas regadas a instrumentos de verdade definitivamente colocam seu coração onde ele deve estar, colado em casa partícula de sua alma.........





GD 28 UROLOGIAS MUSICAIS CERCADAS DE CHICLETES.......

Hoje Johnny Cash faria 78 anos. O cantor mais linha dura e fodão da história da música, provavelmente estaria ainda destilando toda a tristeza crua e poderosa em forma de claves de sol, ou ainda ajudando o Black Rebel Motorcycle Club a fazer um disco melhorzinho do que o mais recente que se chama Beat Devil's Tattoo.
O Homem De Preto foi um dos únicos que conseguiu que um disco de country music (At Folssom Prison), desbancasse os Beatles e ainda por cima fez com que uma gravação ao vivo fosse imortalizada pela primeira vez. O filho do Arkansas, ex viciado em anfetaminas que desde sempre foi apaixonado por June Carter e tem músicas que mostram com quantas notas se constrói uma parede sonora cheia de concreto incandescente. A relação que Johnny tem com o cara aí embaixo (no post) é muito íntima no quesito musicologia.
Cash fez um disco (American IV: Here Comes The Man) onde havia uma cover de uma música do Nine Inch Nails que se chama Hurt. A música não só ficou mais famosa com a versão de Cash como também é tão tenebrosamente documental quanto aquela suspirada do Kurt Cobain no acústico da MTV. Duvida?????
Escuta Hurt e tenta não se suicidar com faquinha de bolo Pulman!!!!!!!




Se eu precisar de uma cara indeciso Trent Reznor não serve. Depois de anunciar o fim da banda o ano passado e ainda por cima fazer show de despedida, a banda anda desde o começo do mês postando fotos feitas dentro de um estúdio de gravação. Muito não me espantaria se um disco novo do NIN saísse do nada, mesmo porque só a quantidade de vezes que Trent cometeu twittercídio o ano passado mostra como ele muda de opinião rapidinho. Algumas fotos (como essa aí de cima) vão ilustrar o post desse início de sexta feira (que vai longe).


Ele tem bigodinho Brandon Flowers, uma barriguinha de cerveja coberta por camadas de pelos. Tinha tudo para ser uma caricatura de Harvey Milk. Faz um videoclip onde se misturam referências que vão do Latino à John Waters e ainda por cima ao final toma uma famosa passada de mão em posição de enchimento.
Pois bem tinha tudo para ser uma piada dançante e é exatamente isso que HUNX AND HIS PUNKS, banda de São Francisco é. Uma enorme caricatura sobre a cultura e músicas das legiões do arco-íris.
Mas ser uma caricatura requer um certo grau de pau durescência e isso é coisa de gente grande. Com referências do do wop nos anos 50 e a new wave oitentita mas com muito menos suingue e muito mais bizarrice, a banda faz um som chiclete pop infernal.
E nem é pelo fato de que as imagens podem chocar em uma primeira visita ao videoclip de CRUSING. Talvez até seja por isso que exista uma versão da música apenas com o áudio, para esquecer um pouco de toda a bizarrice e prestar atenção no som. Quando se faz isso a banda se torna um combo de bep bop com teclados hipnóticos e riffs simples e certeiros, mas sempre caindo naquela armadilha fácil tipo Lou Reed (ah!!!! se o Lou Reed canta eu também posso!!!!!).
Mas isso não quer dizer que não vale a pena tirar a jaqueta de couro do armário, se é que isso quer dizer alguma coisa..........
O primeiro disco da banda que se chama Gay Ladies saiu essa semana e você assiste o clip de Crusing no melhor estilo John Waters de ser aí embaixo........



E já que o assunto é encher a mão(ou brincar de masmorra medieval), Mike Patton continua sendo mais Mike Patton possível nos shows do Faith No More. Depois de engolir um cadarço de tênis ele exibiu a rima em um show na Austrália.





Enquanto Hunx pode ser apenas a piada e mais nada, um quarteto da Alemanha parece levar a sério o quesito canções antigas.
HANOI JANES é nome dessa banda que com influências que vão de Cramps à The Go Team! fazem nada mais do que música de sessão da tarde, mas com uma levada estranha. Não são apenas ritmos em andamento retro que parecem sair inadvertidamente. São misturas bem colocadas de guitarras com cores cinzas com refrões grudentos e cheios de anilinina. Boa pedida para quem não gosta de nada tão pop que seja dscartável. O Hanoi Janes acabou de lançar o single CROSS THE SEA que deixa tudo bem claro. Você já pode escutar aqui, e guardar o nome da banda, pois ainda vai ouvir falar bastante dela.........









Mais uma foto do estúdio onde o NIN está tramando algo mais. Pensativo esse Trent hein?????



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

GD 28 NATIVIDADE DOS SONS AMOROSAMENTE PESADOS

Bandas novas aparecem a cada segundo. Extremamente entedianes ou com uma urgência absurda de mostrarem que podem permanecer mais do que quinze minutos em cima de uma onda de 140 caracteres. Mesmo Alex Turner sempre alertando para que o hype seja desacreditado, dificilmente as coisas funcionam de um outro modo.
O movimento de L.A. continua a jogar dentro dos nossos ouvidos muitas bandas que poderão apenas marcar segundos e muitas outras nem isso. Mas uma coisa inegável é que sim pode ser que de lá saia algo mais duradouro e sem a capacidade de arco íris de se manter vivo apenas enquanto houverem reflexos nos pingos de água.

THE LOCAL NATIVES, já foram twittados, blogados e sedimentados pelas bíblias dentro do mundo "muderninho" como banda que provavelmente sempre estará presente. Eles pelo menos parecem querer provar que não são apenas mais um produto descartável. Uma mistura inusitada de batidas bem definidas por explosões de violinos. Vocais duplicados e teclados saídos dos anos 60 e ao mesmo tempo amalgamados por uma urgência proveniente de nossos tempos modernos.
Vale a pena muito menos pelas misturas e saídas fáceis como em qualquer banda indie, mas muito mais pela fervorosidade com que a banda parece rezar dentro de um evangelho cheio de sons divinamente infernais.
Aqui no GD você fica com o single novo dos caras, Sunhands retirado do disco de estréia da banda de 2009, Gorilla Manor









E por falar em bandas novas, depois de quase trinta anos no comendo das paquetas do Sonic Youth, Steven Shelby vai montar um projeto solo. HIGH CONFESSIONS é o nome da banda que ainda vai contar com um time no mínimo poderoso: Chris Connelly (Ministry, Revolting Cocks), Sanford Parker (Minsk, Nachtmystium) e Jeremy Lemos (White/Light). A banda já está definida como metal progressiva seja lá o que isso quer dizer e acabou de assinar contrato com a gravadora especializada em metal, Relapse Records. A empresa definiu o som da banda de Shelby como uma mistura de Sonic Youth com Liars e Nine Inch Nails.......
Muitos nomes e abertura para comparações inevitáveis, mas se levar em conta a genialidade de Steven e dos outros componetes está tudo em boas mãos.


E sem mais delongas para você que espera o show do Coldplay para poder assistir Bat For Lashes, já vá preparando o peito. Hoje na nuvem binária soltou-se a cover que ela fez para All I Need do Radiohead durante um show na gringa. Sofra e chore junto com ela.......


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

GD 28 EU JÁ SABIA!!!!!!!

Aconteceu hoje em Londres mais exatamente no London's O2 Academy Brixton, a premiação promovida pelo periódico NEW MUSICAL EXPRESS. Publicação que junto com a Picthfork mandam e desmandam em tendências musicais. Seguidas quase que com fervor bíblico por muita gente, sejam do ramo ou apenas doidos por música de plantão como esse escrivão sacripanta. Muita gente bacana, prêmios cheios de controvérsia, afinal de contas a banda quase emo Paramore ganhou um dos mais concorridos mas também quase levou o de pior banda e o Muse ganhou como melhor banda britânica. Como sempre vão ter aqueles que dizem que com tantos prêmios patrocinados por empresas, a marmelada pode ter corrido solta. Mas a premiação parece longe de ser uma mera reunião de tapinhas nas costas.
Provando que realmente o twitter veio para causar uma revolução de 140 caracteres, o prêmio de melhor presente dado aos fãs foi para Lilly Allen pela caça aos ingressos via twitter. Os pássaros azuis também concorreu a melhor site, mas perdeu para o Muse.
Sem querer mas já fazendo, muita coisa que você leu aqui antes acabou acontecendo, primeiro com o Bombay Bicycle Club que ganhou o prêmio de melhor banda nova, tirando a taça das mãos do The Big Pink que sempre foi a aposta de dez entre dez opiniões especializadas, o BP acabou levando o de melhor single.
Outra coisa é que a febre Lady Gaga parece não ter pego os ingleses. A senhorita ex-hermafrodita ganhou apenas como melhor vestida e mais mal arrumada também e quase leva o de pior disco não fosse a presença dos Jonas Brothers (que ainda vão ter que aparecer um mais alguns vídeos de bandas indies para melhorarem).
O Oscar poderia tomar um pouco de tenência e fazer como a NME que premiou o Tarantino. Bastardos Inglórios levou melhor filme deixando para trás 500 Dias Com Ela e a saga Crepúsculo (barbada maior que essa nunca mais). Os veteranos Radiohead levaram melhor blog de banda e o prêmio de gostosa do ano poderiam ser repensado e bastante (sobre o gostoso do ano aqui não se comenta rapá).
Justiça feita para o senhor Paul Weller que ganhou como também para o The Specials pela contribuição para o mundo da música.
Abaixo você vê quem levou o que e quais as indicações das categorias......



Prêmio Godlike Genius (traduzindo um pouco seria como chamar o cara de fodástico)

Paul Weller

Contribuição para o mundo da música

The Specials

Melhor banda britânica (patrocinado por Shockwaves / olha o cheiro de marmelada!!!!!)
Muse

Indicados
: Arctic Monkeys
Biffy Clyro
Kasabian
Oasis

Melhor banda internacional (patrocinado por 4music/T4 / olha a segunda marmelada!!!!!!)
Paramore

Indicados: Green Day
Kings Of Leon
Vampire Weekend
Yeah Yeah Yeahs

Melhor artista solo
Jamie T

Indicados: Dizzee Rascal
Florence And The Machine
Julian Casablancas
Lady Gaga

Melhor banda nova (patrocinado por USC / se foi marmelada 3 eu não sei, mas que aqui no GD a gente já sabia, já sabia.......)
Bombay Bicycle Club

Indicados: The Big Pink
Mumford & Sons
The XX
La Roux

Melhor banda ao vivo (patrocinado por Tuborg)
Arctic Monkeys

Indicados: Kasabian
Muse
Radiohead
Them Crooked Vultures

Melhor álbum (patrocinado por HMV)
Kasabian pelo disco 'West Ryder Pauper Lunatic Asylum'

Indicados: Arctic Monkeys – 'Humbug'
Muse – 'The Resistance'
The Cribs – 'Ignore The Ignorant'
The Horrors – 'Primary Colours'

Melhor faixa (patrocinado pela Radio NME)
The Big Pink – 'Dominos'

Indicados: Animal Collective – 'My Girls'
Arctic Monkeys – 'Crying Lightning'
Florence And The Machine – 'Rabbit Heart (Raise It Up)'
Jamie T – 'Sticks N' Stones'

Melhor vídeo (patrocinado pela TV NME)
Biffy Clyro – 'The Captain'

Indicados: Arctic Monkeys – 'Cornerstone '
Kasabian – 'Fire'
The Maccabees – 'Can You Give It'
Oasis – 'Falling Down'

Melhor evento ao vivo
Blur ao vivo no Hyde Park

Indicados: Jay-Z no Alexandra Palace
Muse em Teignmouth
Oasis no Heaton Park
The Dead Weather na Shoreditch Church

Melhor festival
Glastonbury

Indicados:
Download
Reading e Leeds Festival
T In The Park
V Festival

Melhor hit das pistas de dança
La Roux – 'In For The Kill' (Skream Remix)

Indicados: Dizzee Rascal And Armand Van Helden – 'Bonkers'
Florence And The Machine – 'You've Got The Love'
Lady Gaga – 'Poker Face'
Yeah Yeah Yeahs – 'Zero'

Melhor programa de TV
The Inbetweeners

Indicados: Never Mind The Buzzcocks
Peep Show
Skins
True Blood

Melhor filme
Inglourious Basterds

Indicados: (500) Days Of Summer
In The Loop
The Twilight Saga: New Moon
Where The Wild Things Are

Melhor DVD
The Mighty Boosh – Future Sailors

Indicados: Kings Of Leon – Live At The The O2 Arena
Flight Of The Conchords – Complete HBO Second Season
The Killers – Live From The Royal Albert Hall
Nirvana – Live At Reading

Prêmio melhor presente para os fãs

Lily Allen pela caçada ao ingresso tesouro pelo Twitter

Indicados:Kasabian and Noel Fielding pelo vídeo grátis de'Vlad The Impaler'
Danger Mouse pelo vazamento de 'Dark Night Of The Soul'
Arctic Monkeys pleos ingressos dourados de Oxfam
Vampire Weekend por liberar a faixa 'Horchata'

Heroi do ano
Rage Against The Machine

Indicados: Beyoncé Knowles
Noel Gallagher
Matt Bellamy
Alex Turner

Vilão do ano
Kanye West

Indicados: Noel Gallagher
Liam Gallagher
Simon Cowell
Lady Gaga

Artista mais bem vestido
Lady Gaga

Indicados: Liam Gallagher
Noel Fielding
Florence Welch
Karen O

Artista mais mal vestido
Lady Gaga

Indicados:
Matt Bellamy
Katy Perry
Liam Gallagher
Elly Jackson (La Roux)

Pior disco
The Jonas Brothers – 'Lines Vines Trying Times'

Indicados: Green Day – '21st Century Breakdown'
Lady Gaga – 'The Fame'
U2 – 'No Line On The Horizon'
Arctic Monkeys – 'Humbug'

Pior banda
JLS

Indicados: Green Day, Oasis, Jonas Brothers, Paramore

O gostoso do ano
Matt Bellamy (Muse)

A gostosa do ano
Karen O (Yeah Yeah Yeahs)

Melhor site (excluindo o NME.COM)
Muse.mu

Indicados: YouTube
Facebook
Twitter
Greenday.com

Melhor arte de disco
Kasabian – 'West Ryder Pauper Lunatic Asylum'

Indicados: Muse – 'The Resistance'
Green Day – '21st Century Breakdown'
The Cribs – 'Ignore The Ignorant'
Manic Street Preachers – 'Journal For Plague Lovers '

Melhor blog de banda
Radiohead (Radiohead.com/deadairspace)

Indicados: Muse (Muse.mu and Twitter.com/muse)
Noel Gallagher (Oasisinet.com)
Los Campesinos! (Loscampesinos.com)
Paramore (Paramore.net)


GD 28 LET GO

Eles tem uma calma de outro planeta e várias esquisitices desse mundo atual. A banda que já passou pelas linhas do GD, o dueto sueco JJ, acaba de lançar o maravilhoso vídeo para a não menos sensacional Let Go.A música segundo a banda foi concebida em Malaga, quando eles estavam tentando se divertir e pegar um pouco de sol. Imagina agora quando os cras estiverem tristes e estiverem na Islândia.......
Em preto e branco como deveria ser desde sempre todos os videoclips.......

GD 28 OS REIS DO LADO B


São Paulo I love you, but you freaking me out!!!!!!!!

Agitação de moléculas é coisa pouca para o que está acontecendo no dia de hoje.
Primeiro não é apenas a maneira de ver notícias que está mudando nesses tempos, a maneira de se fazer propaganda também está.Chegando agora do almoço na Liga da Justiça, me deparei com uma correspodência do Google por debaixo do tapete. Já fazendo um exercício mental para poder lembrar o que é que eu tinha comprado dessa vez, já que mais um carnê me esperava por debaixo do meu par de all star azul, cheguei a conclusão de que isso não seria possível. Sossegado então das minhas obrigações financeiras resolvi abrir o pacote mesmo correndo o risco de ser a primeira vítima nacional de Anthrax.
Na verdade o Google me mandou um cartão bônus de R$ 100,00 (e olha só, uma empresa que fatura o que fatura mandar um cartão desse valor que não dá nem meia entrada em qualquer show bacana). Esse tal de bônus dá direito à usufruir de um novo serviço da empresa, o Google Ad-Word.
Todo mundo já viu aquelas propagandas mixurucas que aparecem em alguns blogs e que o Google jura de pés juntos que dá lucro para quem coloca no blog. Pois bem esse novo serviço faz com que você se torne um anunciante. Você se cadastra e anuncia seu produto, a cada clique no seu anúncio você paga R$0,30 centavos para o Google. Ou seja quanto mais pessoas acessarem seu produto, mais trinta centavos.........
O objetivo é atrair mais pessoas para seu site ou blog através da propaganda feita no Google.com, mas será que o bom e velho boca-a-boca mesmo em um mundo tão digitalizado ainda não é o melhor remédio???????
Google, faltou mais alguns zeros!!!!!!! Deleuze?????


Ao que interesssa.......
Uma das bandas mais subestimadas da paróquia, mesmo porque nasceu em uma época que para poder fazer sucesso tinha que ter muito mais do que talento. Afinal de contas brigar com os Beatles, Rolling Stones e o The Who não era nada fácil. Mas mesmo assim os KINKS sempre foram a banda lado B mais bacana de todos os tempos.Em 1963 um cidadão de nome Ray Davies e seu irmão Dave Davies (ingleses sempre fazendo rock em família), juntaram-se à Pete Quaife e Pete Avory e formaram a banda. Os dois primeiros discos (Kinks e Kinda Kinks), mostravam a banda transitando entre o mundo mod, a surf music e o famoso yeh yeh yeh. Mas as composições de Ray já mostravam algo de diferente, porque tinham uma pegada mais pop, mas não tinham uma fácil digestão como por exemplo She Loves You. Isso talvez porque desde o início os Kinks já flertavam e muito com o blues, folk e o country. Um exemplo disso é a canção do segundo disco que se chama Got My Feet On the Ground. Escuta ela aí embaixo........









O problema maior da banda foi exatamente a música que fez mais sucesso. You Really Got Me, catapultou os caras da falta total de publicidade à um estado de estrelas meteóricas. A música até hoje é regravada e o Van Halen estourou para o mundo exatamente com uma cover dela. E foi por essa canção que todo mundo acabou dando para a banda uma imagem que estava longe de ser o que realmente era.
Desde os tempos jurássicos do rock a busca pela next big thing fazia vítimas. Com os Beatles fazendo músicas que sempre ficavam em primeiro lugar nas paradas americana e britânica, os Stones e suas pelves vulcânicas queimando cruzes e tocando fogo no circo do rock todo mundo depois de You really Got Me esperava o mesmo dos Kinks. Mas Ray Davies não queria saber de ser cópia............


E foi aí que a coisa desandou, a cada disco novo dos Kinks uma conceito novo era jogado e tocado até a exaustão. As letras e melodias que retratavam o modo de vida inglês e o comportamento social aliadas a maneira cortante de escrever de Ray faziam com que muitos adorassem e uma outra quantidade odiasse. E as coisas não ficaram mais fáceis por causas das críticas negativas. A banda entre 1969 e 1976 entrou em uma fase teatral onde Davies criava óperas de conteúdo revolucionário musical como por exemplo Preservation que nasceu após a disco também conceitual Village Green Preservation Society.
O disco que marcou essa época onde a loucura genial e geniosa de Davies guiava a banda, é Arthur. Usado como referência por dez entre dez bandas de rock inglês que explodiram nos anos 90 (Blur e Oasis nunca se casavam de dizer o quanto os Kinks os influenciavam).
Mas esse lance de genialmente louco acabou desgastanto a banda emocional e finaceiramente, já que tudo era conceito e o mundo capitalista pede vendas. Os Kinks ficariam juntos até 1996 aos trancos e barrancos. Mas foi apenas depois que muita gente que fazia sucesso entre o mundo "muderninho" começou a falar muito dos Kinks (e é claro que o personagem Charlie de Lost também) é que a banda começou a ser novamente "descoberta".
Hoje é inegável que os Kinks estavam pelo menos alguns anos à frente de seu tempo, como também que muitas bandas alternativas cansam de andar pelos mesmos caminhos pavimentados com loucura e genialidade de supernova que Ray Davies e seus comparsas traçaram.


E a mais nova prova disso é a notícia de que um disco com canções do Kinks será feito com a participação de Bruce Springsteen, The Killers, Lucinda Willians e John Bon Jovi (o que é isso??).
A idéia é de Ray Davies (de quem mais né!!!!!!!), que após colaborar com Lou Reed e Metallica na festa do Rock and Roll Hall Of Fame decidiu que faria um disco com regravações dos Kinks. Enquanto o projeto não se torna físico e palpável notícias dão conta de que o The Boss regravou Better Things, música de 1981 dos Kinks.
Será que finalmente os Kinks terão justiça???????

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

GD 28 ELAS E SOMENTE ELAS!!!!!!!

Podem me chamar de Fred Zero 4 em estado agudo. Me apedrejar com rótulos de juticeiro five agaisnt one. Não poupem xingamentos sobre como o machismo tomou conta da sociedade e sou responsável pela disseminação das idéias que não incluem nada que não seja os cromossomos XX, podem avacalhar. Não importa.......
O que vale é a busca incessante pela próxima musa com poderes hipnóticos que saem das cordas vocais mais suaves desse planeta. Isso sim é capaz de aplacar esse calor vulcânico, o resto é apenas resto........
E vamos começar pela musa mor de todos os tempos, Zoey Deschanel.

O SHE & HIM começou em um set de filmagem. O diretor do filme The Go-Getter (Martyn Hines), apresentou Zoey a M. Ward e pediu para que os dois fizessem um dueto que entraria nos créditos finais do filme. A música escolhida foi When I Get to the Border de Richard e Linda Thompson. Depois Ward descobriu que a menina dos olhos claros também escrevia suas próprias canções.
Tudo posto, em 2008 Volume One saiu pela Merge Records, catapultando a dupla como uma das mais queridinhas de toda a paróquia além de aumentar ainda mais a quantidade de baba nos marmanjos em cima de Zoey. O disco mostra um clima de ventos coloridos e brisas doces tudo bem embalado pela voz delicadamente apaixonante de Deschanel e os arranjos seguros e precisos de Ward.O segundo disco que se chama obviamente Volume Two ainda anda pelos mesmos caminhos mais calmos, ainda que o primeiro single (In The Sun, que você também ouviu aqui primeiro) mostrando um pouco mais de peso delicadamente encaixado. Hoje a banda liberou mais uma música da segunda bolacha, no melhor estilo brejeirice primaveril de ser se chama THIEVES. Com um pé no rock dos anos 50 e o outro dentro do ventrículo esquerdo, já vai deixando uma ponta de vontade de querer que o disco saia logo. Mas pode esperar até dia 23 de março.........









E para terminar em grande estilo......

Detroit não é apenas lar dos automotores, muito menos só a cidade onde o Kiss se inspirou para escrever aquela famosa canção com o solo de guitarra duplicado. É a terra natal de ALEX WINSTON. A menina de 23 anos começou desde cedo pelas mãos do pai Steve e uma bateria, a entender como os sons poderiam ser feitos. Depois um pouco mais crescida começou a escrever canções com a dupla de irmãos Drew e Peter Chris. Um pouco mais adiante abriu shows para Ted Nugent.
Já estava bom pra começar a andar sozinha e assim foi.
Em 2007 Alex lançou seu primeiro EP e hoje a gravadora A&R está prestes a fechar contrato com ela. Nessa semana em sua página do myspace Alex postou uma nova leva de canções e fez com que a Neon Gold Beat Company (a mesma que apostou suas fichas em Marina And The Diamonds, que voc~e também ouviu primeiro aqui) apontasse a menina como um dos sons a se ouvir nesse ano de 2010.
A receita é simples:
Pop chiclete com pedaços de do wop aqui e muitas letras confessionais acolá e mesmo parecendo que a voz de Alex é um aglomerado de coisas que um dia você já ouviu na música, vale a pena esperar para ver. Não vai doer nada, apenas te dar minutos de sossego. O que já é de extrema utilidade........
Aqui no GD você escuta Animal Baby.







GD 28 O LINDO CHEIRO DA LIBERDADE RODEADA DE ZUMBIS......

Terça feira agitada pelas bandas do mundo binário. Além é óbvio da descoberta feita por este blog á respeito da origem do curling pelos Super Furry Animals, uma questão filosófico jurídica assolou os espaços virtuais. Denise Bottmann, que escreve no blog Não Gosto de Plágio está sendo processada pela editora Landmark que pede além da indenização, a retirada do blog do ar.
Denise postou em seu blog sobre a tradução que a editora fez para o romance Persuasão da autora americana Jane Austin, dizendo que essa versão da Landmark era supostamente uma cópia de outra tradução já feita aqui no Brasil. Denise mostra trechos das duas traduções como comparação e deixa a idéia de que a editora estaria plagiando algo já existente.

Pois bem o caso é simples não é verdade???

Se você fala alguma coisa de alguém e essa pessoa se sente ofendida ela te processa. Até aí isso não é coisa nova, mas a discussão tem uma questão bem mais profunda do que a simples liberdade de expressão ou difamação. Tem muito a ver com aquilo que o GD já reclama há tempos.........

Não é questão de defender a blogueira muito menos a editora. Se a menina falou assinou embaixo, vai ter que provar que está certa. Se isso acontecer, muito feliz ficarei em saber que existem pessoas que acreditam em algo e lutam por isso e estão aí dando a cara para bater. Se por acaso ficar provado que foi calúnia e difamação e que o blog tem que ser punido, assim seja. Mesmo porque já dizia a minha avó, escreveu e não leu o pau comeu...........

Eu já cansei de dizer aqui que a internet está se tornando um monstro de milhões de cabeças e que com a quantidade de blogs e twitters tudo aquilo que conhecemos como informação será (e já está) radicalmente transformado. Por isso é hora de entender de uma vez por todas uma coisa:
Se você escreve em um blog, posta comentários em seus colunistas prediletos diariamente, você tem um poder nas mãos muito maior que qualquer bomba de Hiroshima ou arsenal atômico escondido dentro de algum deserto qualquer. Não se pode mais viver na terra encantada de Oz e achar que nada do que se escreve são apenas desgastes nas teclas do seu computador. Você tem sim uma responsabilidade, e ela é grande.
As pessoas que escrevem tem o poder de despertar amores e ódios desproporcionais. Mexem com assuntos que tem em sua gênese a paixão e isso é uma caminho tortuoso, é só olhar os comentários sobre esse assunto do plágio no blog do editor Sérgio Rodrigues. Dentre as inúmeras frases de apoio para a blogueira e contra ela, já existiam pessoas que diziam que os blogueiros precisam parar de se achar imprensa.

Também acho, blog não é imprensa. Está longe disso diga-se de passagem, mesmo alguns dos blogs ditos oficias de imprensa serem uma mera cópia de coisas gringas ou às vezes até de nacionais (cansei de ver coisas que são escritas aqui, aparecerem em outros lugares um ou dois dias depois). Mas blog não é imprensa isso é claro.

Blog é tribuna livre. Marco no quesito liberdade de expressão, onde as pessoas podem falar o que acharem importante, desde o seu casamento até o lançamento de uma música nova..........
Mas é preciso deixar de achar que, só porque está na internet é território de ninguém ou apertar o foda-se e falar qualquer merda. Escrever não é só apertar teclas, é missivar sobre coisas que fazem a sua alma se tornar mais viva, sobre nunaces de cores que habilitam partes do seu cérebro que te fazem flutuar, amar, pensar e respirar.
Escrever é um ato com poder tão grande quanto de qualquer mutante ou deus do Olímpo, por isso mesmo deve ser uma entrega da alma, mas com pureza de quem descobre o primeiro amor. Pode até ser um ato violento e que faz com que o leitor sinta jabs no estômago, mas nunca deve ser feito sem se levar em conta a responsabilidade, a gentileza e a ausência total de patrulhamento ideológico. E isso está se perdendo.
E isso é terreno perigoso............


Voltando aos bons sons:

DANTE VS ZOMBIES, é o projeto paralelo de Dante White Aliano da banda The Starlite Desperation. Junto com Jeff Ehrenberg, Gabriel Hart, Jada Wagonsomer, Matt Polley, Laena Geronimo tem uma pegada que lembra muito bandas como o The Cramps. Onde o rock dos anos 60 se mistura de maneira poderosa a nuances mais sombrias em salas com teias de aranha pelas arestas. A banda existe desde 2006 e se você ainda não conhece, trate de correr atrás......




GD 28 OURO E NEVE NO QUESITO SONS........

Bom que está dando um pouco de inveja da neve no Canadá isso está!!!!!!

Mesmo com a cobertura pífia dada pelo canal aberto que se diz o lar das Olimpíadas (você já tentou assistir a algum esporte na TV aberta na madrugada?????), se você tem a felicidade de possuir tv por assinatura pode desfrutar de ver muita gente deslizando no gelo. Mas o esporte que está chamando cada vez mais atenção é o curling. Aquela mistura de bocha com pessoas com um pé de tênis deslizante ganha traços de tragédia devido as caretas e gritos dos participantes, que fazem de tudo para que o espectador não pegue no sono. O que muitas vezes é missão ingrata, afinal de contas assistir as penitentes vassouradas ao redor de um granito moldado é missão herculínea demais para qualquer ser humano. Mas o segredo mais bem guardado do esporte está na verdade no distante País de Gales, onde uma banda guarda com sete acordes mais um dos mistérios dos esportes de inverno......



Mas nem só de descobertas sobre a manufatura de granitos é que se vive nos Jogos Olímpicos, ontem a cantora Feist que já fazia muito tempo que não dava as caras se apresentou no evento Cultural Olympics. Nessa mesma festinha já se apresentaram Wilco e a banda DEVO.
Ela apresentou uma canção nova que se chama He Was Free, e o som da canadense mais bacana que a Alanis ficou assim.........
Atenha-se ao detalhe de que o cara realizando a filmagem provavelmente não faz parte de nenhuma equipe de patinação no gelo devido a sua destreza motora.........



E como ainda estamos na mistura de músicas e jogos já deu pra perceber que essa idéia é sensacional. Colocar shows bacanas para fazer com que o tédio das partidas de curling não se espalhe pelo país.
E outra banda que tocou nessas Olimpíadas (ontem), foi o DEVO. Os velhinhos que gostam de um chicote e muitos sintetizadores estão em vias de dispararem mais um disco esse ano (aqui no GD você já leu sobre isso). Após a apresentação e por apenas 24 horas o primeiro single retirado do disco novo estará disponível para download gratuito. O som não tem nada de novo na discografia do DEVO. Refrão grudento, bate estaca com guitarras e parada com o uso dos sintetizadores. Poderia ser qualquer faixa da banda dos discos anteriores, mas está um pouco mais roqueira por assim dizer.
O que interessa é que é divertida e você escuta aqui no GD..........








DEVO / FRESH

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

GD 28.......BALANÇOS DO TÚNEL DO TEMPO.......

São Francisco na barackolândia não é apenas conhecida pela diversidade social por assim dizer. Muito menos é apenas o lugar onde Harvey Milk lutou pelo direito da diversidade sexual ser levada à sério pelos políticos naziquadrados yankes. Sempre em cada ciclo lunar anual uma nova (e boa ) banda surge pelas terrinhas.
É só lembrar de nomes como The Dodos ou Girls, e nesse ano uma banda que lança seu disco novo em março promete mostrar novos sons por lá.......
THE MORNING BENDERS formado originalmente em Berkley na Califórnia e agora em ares franciscanos, o quarteto nasceu em 2005. Ano passado excursionou com o Grizzly Bear e Dead Cab For Cutie e agora mostra que nem sempre é necessário gritar para se fazer entender. O single Excuses que abre o novo disco que se chamará Big Echo é prova disso. De nuances que te lembram filmes em preto e branco dos anos 50 ou mesmo toda a melodia do-wop dos anos 60, a música tem um pé em bailes de formatura, danças com o rosto colado e aquele já famoso beijo roubado da menina mais bonita da sua turma de colégio. Mesmo os sons estranhos no final da canção não vão roubar a quantidade mágica de rodopios dentro de um salão onde o ponche contém altas doses de ácido lisérgico.......
Escuta aí embaixo e se você gostar pode baxar de graça no site dos caras AQUI NESSE LINK.









E para fechar o dia de maneira mais bonita possível, as sempre maravilhosamente musas de casa de bonecas TEGAN & SARA acabaram de soltar no mundo o mais novo videoclip da dupla. O som se chama ALLIGATOR, mas não fala sobre o réptil e sim de alguma lágrimas falseadas. Na mesma linha de letra daquela famosa João Penca e os Miquinhos Amestrados, apenas com um pouco mais de balanço.........


GD 28 FLEXÕES EM FANTASIAS........

Como o assunto hoje é documentários, a mais nova aquisição nesse segmento será o filme sobre a turnê de 2009 da banda americana OF MONTREAL. Formada em 1996 por Kevin Barnes após tomar um grande pé na bunda de uma senhorita da cidade que forma o nome do grupo. Mas foi em Athens na Georgia que ele conheceu Derek Almested e Bryan Poole.
A banda sempre se caracterizou pela grande quantidade de adereços que levam para dentro do palco, muito mais até do que o pop rock mais suavemente doentio por eles executado. Mais resumir o som da banda apenas à esses dois estilos seriam como tentar reduzir o tamanho do oceano em apenas um lago.
Desde as experimentações eletrônicas do disco Sunlandic Twins de 2005 até o rocambolesco lançamento do disco de 2008 Skeleton Lamp, onde a banda lançou o trabalho em vários formatos e também com vários adereços como por exemplo camisetas, adesivos onde poderiam ser encontrados um código para poder fazer o download do álbum.
O documentário sobre a turnê européia da banda se chama FAMILY NOVEAU e é dirigido por Spencer Simrill Jr., que de acordo com a banda é um famoso professor de inglês. A julgar pelo trailer que você assiste aqui no GD pode esperar mais fantasias e loucuras. A premiere do filme será realizada no Festival de Cinema de Chicago no dia 5 de março.

of Montreal European Tour 2009: Family Nouveau Trailer from Spenser Simrill, Jr. on Vimeo.



E por falar em vídeos o RAVEONETTES acaba de lançar o mais novo clip, para a música Heart Of Stone, em um estilo mais cartunesco e delicado como todo raveonette dever ser.....

GD 28 UM TEMPO DE DEUSES SEM ALMA.........


Ontem durante o incandescido domingo dois contrastes televisivos chamaram atenção. Na parte da manhã um programa do canal Multishow e durante o início da madrugada um documentário na MTV brasileira.
Dois canais separados pelas classes sociais que atingem (a MTV é um canal aberto e o Multishow para pessoas que podem pagar uma tv por assinatura).
Tudo bem que atualmente com a facilidade de todas as coisas é mais fácil assistir o canal da tv por assinatura, mas vamos considerar tudo pelo olhar de Alice no País das Maravilhas.
Primeiro o documentário.........

1991, THE YEAR THAT PUNK BROKE.
Dirigido por David Markey conta a história de um momento no mínimo histórico. Final do ano de 1991 (o filme seria lançado apenas no ano seguinte, o que faria dele mais messiânico ainda), bandas de rock americanas do chamado underground em turnê pela Europa. Festivais e mais festivais, platéia enlouquecida e muitas vezes não entendendo nada do que se passava no palco e obviamente todas as porra louquices que bandas de rock são capazes de fazer.
Mas essa seria a versão mais simples de tudo.
Jamais essa simples descrição poderia definir, o que é esse documento que mostra a talvez última grande revolução dentro da música. Afinal de contas hoje em dia vivemos uma época perigosa para o rock and roll, mas isso tem a ver com o programa da parte da manhã.........
O filme foi feito antes de Nevermind desbancar Michael Jackson, antes do R.E.M. fazer Automatic For The People, precedeu todo o culto em cima do Sonic Youth que atualmente elevou a banda ao grau messiânico. O filme mostra um tempo onde bandas como Babes In Toyland eram a raiz mais cravada dentro de um verdadeiro movimento pós punk, mostra um J.Mascis do Dinossaur Jr. com toda sua cabeleira ainda escura iniciando sua caminhada para a posição de mestre dos solos pesados e gigantes.

O documentário não é simplesmente um road movie sobre uma banda que já famosa se mostra antenada com tudo o que ocorria dentro do mundo da música, mesmo porque a atitude "foda-se" de Thurston Moore diante das entrevistas e mesmo quando filmando o documentário é apenas uma camada da parede sonora do Sonic Youth. Mas o filme mostra a formação dos últimos intocáveis da música.

Sim, quando assistimos as aproximadamente duas horas do VHS quase sem nenhuma edição, o que vemos é comparável aos livros de história antiga ou mesmo aqueles sobre a mitologia. Presenciamos in útero a formação daqueles que talvez sejam a última orda de lendas dentro do rock, e isso é uma coisa tão bela quanto triste.
Ver o Nirvana começando a dominação mundial que seria um monstro incontrolável depois, é presenciar a história acontecendo como se você pudesse assistir a assinatura da declaração de independência americana ou estivesse em uma reunião da Inconfidência Mineira. Para você ter uma idéia, em uma das cenas a equipe filmou o posicionameto das mesas dentro de uma tenda destinada as bandas para que eles comessem e descansassem. A tomada passa por todas as mesas e os nomes demarcando os lugares eram esse:
Sonic Youth
Dinossaur Jr.
Nirvana
Mudhoney
Ramones
Deu para pegar o espírito da coisa???????




Você não vê mais um filme de banda apenas. Você assiste à um documento que mostra mesmo de maneira distorcida como nos solos do Sonic Youth o retrato de uma juventude que não conseguia emitir opiniões pois não entendia nem ao menos o que estava acontecendo, ou porque era tão deslocada que não sabia nem ao menos sobre o que falar. Mas era guiada por deuses que colocavam as almas à serviço da libertação cerebral de seus súditos através de distorções magníficas e com um poder de destruição do sistema que era já naquela época considerado podre.

Um salto lostinano no tempo vai levar sua alma para a manhã de domingo onde no canal Multishow passava o programa Nós 3. O cotididiano de 3 estudantes na capital paulistana.
Outros tempos com globalização latejante, tecnologia pulsante. Tudo muito rápido e ao mesmo tempo. Uma coisa fica claro:
Os jovens de 1991 perto dos de agora poderiam ser considerados mongolóides. E isso nem é uma questão de Q.I., mas sim pela quantidade de informação com acesso garantido e fácil e de uma maneira de que em poucos cliques o mundo acabou ficando mais curto.

Mas..........

Fica claro também outra coisa. E é aí que o perigo desses tempos se coloca de maneira mais aguda. Não existe mais alma no cheiro de espírito adolescente no mundo twitteriano. Cena do cotididiano das três estudantes: noite show da banda de matinê The Kooks e Studio SP logo após. No dia seguinte compras na Rua Oscar Freire apenas em lojas ditas descoladas. Tudo isso envolto em uma aura de vácuo espiritual que deixaria Linda Blair parecendo Miss Universo. Se o intuito do programa é fazer com que jovens tenham vontade de ser iguais, não consegue. Foge completamente da realidade da maioria, mesmo porque se fosse assim não seria a 25 de março o centro mais povoado de compras da cidade. Se é para mostrar o retrato da juventude atual, então por favor o último que sair que apague a luz.
Tudo o que havia de alma em 1991, falta em 2010. Tudo se resume no melhor look ou no chapéu mais descolado. Baladinhas em lugares hypados e bandas com sons descartáveis tirados de uma possível sessão da tarde bizarra de férias de verão. Tudo parece estar fadado ao estilo Gossip Girl de ser, superficial e descolado...........

Onde estão os deuses?????
As lendas que distorcem sons e fundem cérebros com seis cordas desapareceram????

Mesmo achando tudo muito bacana, mas bacana de verdade, esse vácuo de conteúdo é uma coisa que poderia ser devidamente preenchida se houvessem mais distorções e menos adornos bonitos em corpos desprovidos de alma.
No final das contas é como os proféticos kids do MGMT já diziam:

"Nosso destino é fingir........"





sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

GD 27 O PÓS FEBRE CARNAVALESCA.......

24 horas de febre depois............

O mundo dos vivos não está tão vivo assim e nesse começo de ano tudo parecer se situar em meio à uma mesmice. Novas pessoas fazendo velhas cópias de tudo o que já havia antes.
Ainda bem que eu ouço o Garagem.......

Mas uma das coisas boas de ficar desacordado durante um dia todo é que quando abrimos os olhos sempre é possível que uma leve brisa de vento frio refresque a sua cabeça em febre. E desse jeito as coisas são muito maiores e melhores.

Como por exemplo os THE HEARTBREAKS. Banda de Manchester que já no ano passado era uma das grandes promessas de final de década. Com a nítida influência de Morrissey e Marr, mas também como o próprio quarteto gosta de denominar, com uma forte iluminação do litoral inglês. Os quatro rapazes nasceram perto das águas salgadas e são fissurados em romances litorâneos, mesmo porque de acordo com os próprios não existe lugar melhor para se inspirar no quesito escrever canções do que perto do mar.
O som da banda é definitivamente retirado do rock inglês dos anos 80, mas lembra muito mais bandas como The Enemy ou Glasvegas pela sonoridade mais poderosamente mórbida amorosa. Não existem sorrisos mesmo com ritmos e melodias alegres. De gosto de algodão doce curtido em água marinha, as canções do The Heartbreaks são fim de tarde nublado com rodas de ventos.
O disco sai em março, mas aqui no GD você escuta o single, Jealous Don't You Know........









Da série vai pro podcast dessa semana.......
A banda PRIMARY 1 ou se você quiser também o pseudônimo de Joe Flory, mistura eletrônica, guitarras, barulhos desconexos e desenhos. Vai lançar o quarto disco esse ano, mas já existe disponibilizado uma grande quantidade de material para download gratuito (clica aqui).
No pod desse domingo vai rolar uma música nova do Primary 1 com a participação da Nina Persson( The Cardigans), então para aquecer os motores um clip........



No próximo post a entrevista com a banda de Los Angeles que vai dar o que falar......
Mas antes vamos jogar uma partidinha de tênis??????

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

GD 27 EVOLUÇÃO SEM O JULGAMENTO DO QUESITO HARMONIA.....

Voltamos........



Sou uma pessoa estranha. É necessário tempo para se acostumar comigo. Eu não sorrio e a minha beleza não é suficiente para que eu me dê esse luxo de não sorrir. E eu não tenho atitudes que são feitas pela maioria das pessoas. Eu não dou sorrisos gratuitos..........

E isso é uma verdade.

Mas cada pessoa tem uma verdade diferente. Elas se colidem do mesmo jeito que todos esses carros que sofreram acidentes na estrada. Mas a pergunta maior é a seguinte:

Se acidentes podem ser evitados com o bom senso, como usa-lo se ele muda conforme a verdade de cada um????????



Não precisa ser muito esperto, muito menos brad pittiano de beleza grega, para que se possa transpor o que se chama de comportamento padrão de idiotice. Não é necessário acesso ilimitado de dados para que as pessoas possam deixar o comportamento de tratar as pessoas como meras peças de carne. Enfileirar mulheres como cabeças empalhadas em uma parede de falatório não é o que eu chamo de vida, mas eu não sorrio.........

Sim eu me acho superior aos outros, esse é meu crime. Mas acho que tenho esse direito, afinal de contas eu sobrevivi à uma overdose que tinha os moldes kurt cobainianos.Despedacei todo meu peito e abri cada centímetro de pele que eu tinha para poder reconstruir tudo apenas com meu cérebro. Larguei os vícios que me prendiam dentro de um limbo que me levaria a sentir o sangue de todos meus vasos evaporando. A cada crise aspergiana tenho que controlar cada neurônio para que ele não exploda em uma bomba octacubana de acetilcolinas psicóticas.

Mas essa é a minha verdade, verdades não andam de mãos dadas com o bom senso.

Depois desse Carnaval eu já me decidi, vou comprar uma prancha e aprender a surfar. Voltar para o violão de nunca deveria ter saído e finalmente terminar meu livro, mas mesmo assim eu não sorrio.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

GD 26 LISTAS CARNAVALESCAS 1

Nesse carnaval a exatidão dos barulhos mais do que conhecidos são muitas vezes de matar seus ouvidos, mas como não existe a menor possibilidade de começarmos a resenhar sobre discos de sambas enredo, vamos à bandas que provavelmente são uma melhor trilha para curtir esses dias de preguiça (quer dizer preguiça para vocês, porque estamos na labuta........)









quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

GD 26....ZIRIGUIDUM, TELECOTECO E VASCARIGUNDUM

Vamos dar uma voltinha aí???????

O GD vai ficar uma semana em situação Julio Verne, buscando novas capacidades de audição sônica. Nesse meio tempo entre uma coisa aqui e outra ali, vamos mandando notícias do front onde uma areia fina anda recobrindo camadas de sons acachapantes. Se tudo correr conforme o planejado, voltamos cheios de discos, histórias e conversinha com uma banda de Los Angeles (estraguei a surpresa!!!!!!) .

Mas antes duas amostras de sonoridades que podem ser diferentemente boas......

Primeiro uma banda do Brooklyn que em manhã letárgica de quinta feira me fez parar de tentar fazer coisas sem sentido e prestar atenção na notas que saiam do meio da sala.
LIGHTS, esse é nome do quarteto que comanda uma estranha forma de sons variando entre deslocações de tempo dentro de um ritmo muitas vezes caleidoscópico. Sophia Knapp, Wisard Smoke, Andy MacLeod e Linnea Vedder (família a gente não escolhe né???), mostram desde 2006 a quantas podem andar sons formados por diferentes e insólitas misturas que tem quase a mesma linha do The Phenomenal Handclap Band.
Com um disco em 2008 e Rites (o mais recente) mostrando que a banda se segura muito bem nos vocais duplicados dentro de névoa. Mas essas harmonias também possuem uma linha magnética que não se resume apenas em duas meninas bonitas entoando mantras. A banda possui a medida boa e certa de psicodelia transgênica, como pode ser visto no videoclip de Firenight. Com um toque Hermes & Renato sofisticado, mas com todas as boas passagens dentro da mitocôndria sonora.



Continuando a saga deste blog no quesito cantoras que deixam sua vida mais feliz, encontramos hoje com uma menina que usa óculos iguais ao meus quando da minha infernal adolescência.
SARAH JAFFE, possui um timbre de voz que não é nada inédito, muito menos a maneira com as músicas são tocadas representam uma vanguarda escondida dentro de um marasmo intelectual. Mas o importante não é nada disso quando o assunto é música, afinal de contas para que serve você se vestir e desfilar no carro alegórico nota 10 no quesito indie sounds se nada daquilo que você toca é capaz de despertar algum tipo de explosão vulcânica dentro do peito de quem ouve.
E é aí que essa texana com seus poucos e aguçados 20 anos se difere. Sarah tem uma urgência de cataclisma em cada palavra que sai por entre seus lábios. Seja em ritmos mais suaves ou canções que possuem uma linha mais complexa, essa menina tem uma capacidade quase serial killer de, por entre as trocas de dedos nas notas de seu violão abrir um espaço bem no meio do seu peito e com uma rapidez estranhamente familiar raspar as unhas em seu ventrículo esquerdo. Essa marca acaba ligando cada célula dentro dele e desabando em um sorriso..........
Confere essa visceralidade toda nas duas canções aí de baixo (Clementine e Perfect Plan), que estarão no disco novo dela que se chama Suburban Nature que deve chegar entre março e abril desse ano.








SARAH JAFFE / CLEMENTINE









SARAH JAFFE / PERFECT PLAN


Uma última antes de arrumar as malas e partir para a floresta azul:
Sem nada pra fazer no Carnaval.........
Pois tem duas coisas muito boas para você que vai ficar aqui e se deliciar com o desfile na sexta feira ou com o bloco dos descolados da Betty Lago na Rua Augusta(ha ha ha) :

Hoje festa no INFERNO festa com a banda BLACK DROWING CHALKS. Essa festa é defitivamente uma das mais divulgadas dentro do twitter há pelo menos um mês, com uma profusão diária de pessoas que repassam a mensagem ou escrevem para a banda. Além de pedida bacana para uma quinta feira, todo esse hype em cima da festa deu para o BDC uma visibilidade muito grande. Lógico que tudo que é cantado em inglês e tem uma sonoridade rockeira já é meio caminho andado, mas os caras são bons mesmo. Twitter e ensaios mostrados ao vivo fizeram todo um marketing gigantesco para que hoje no baixo Augusta a fila seja grande.
E de verdade espero que tudo sobreviva ao hype, porque você sabe não é para acreditar nele!!!!!!!

Domingão marcará a volta de André Barsinski e Paulo Martins para o comando dos tocadores sonoros. As antigas festas do programa Garagem voltam na noite Alley Invade o Clash Club. Os dois clubes noturnos do Brooklyn paulistano chamado Barra Funda vão promover esse retorno. Pedida sensacional para um domingão onde o ziriguidum já vai estar mais do que instalado........


Bom é isso, vou lá e já volto acompanhado de Lately Blu Blu