quarta-feira, 31 de março de 2010

GD 33 REALIDADE VIRTUAL QUE SANGRA

Ontem enquanto passava meus olhos pelos vazamentos de disco do dia, minha vizinhança predial passava por estranhas reações. Em momentos que pareciam pequenas ejaculações de emoções exacerbadas as pessoas gritavam e vibravam.
John Holmes não despertava esse tipo de excitação, muito menos a montagem gráfica peniana de Mark Wahlberg em Booggie Nights. Mesmo não tomando conhecimento durante os primeiros minutos, as manifestações eram de tamanha amplitude que me chamaram à atenção.
Nessas horas a sua timeline ajuda a entender o tópico em questão do momento, sem ter que usar o Google ou qualquer tipo de buscador de fino faro. E cheguei a conclusão que os gritos se tratavam de manifestações relacionadas ao famoso reality show global que tinha seu episódio final marcado para essa terça feira, dia 30 de março.

Não acreditava, na verdade não queria acreditar. Imaginei estar dentro de um pesadelo midiático de proporções paranormais. Olhei pela janela esperando encontrar a face de um dos cavaleiros do apocalipse, montado em seu cavalo negro cuspindo labaredas que queimariam os esqueletos dos não marcados com a marca d'água do Senhor (já imaginei inclusive que Cleycianne estaria salva).

terça-feira, 30 de março de 2010

GD 33 O MUNDO EM QUE APENAS PÁS CONSEGUEM FALAR

Ontem durante a madrugada o site de notícias www.npr.org relatou a condenação de nove adolescentes acusados por práticas de bullying no estado de Massachusetts. A reportagem além de revelar os nomes dos nove menores de idade e quais os crimes cometeram, também relatava que as brincadeiras humilhantes e violentas com a estudante de apenas 15 anos Phoebe Prince, ocasionaram o suicídio da menina por enforcamento. Imigrante irlandesa nos Estados Unidos, ela estudava na escola South Hadley High School, sofrendo constantes humilhações desses nove assim chamados seres humanos.
A escola sabia de todas as ações dos agressores, pois a mãe de Phoebe, havia relatado as duas últimas para a diretoria. Nada foi feito para evitar o que aconteceu algumas semanas depois, o suicídio da adolescente. As acusações que descansam sobre às cabeças dos noves adolescentes variam de tentativa de estupro até agressão física.

GD 33 AQUELA BANDA BACANA DE PESSOAS EM FORMA DE DESENHO

Começamos com novidades......
A banda que andava sumida nesses últimos tempos mesmo tendo lançado disco o ano passado, resolveu fazer o caminho inverso dos mais cheios de hype e sumir da mídia, mas eis que meu e mail revelou uma notícia muito boa.
Os MAGIC NUMBERS, ontem lançaram a data para seu novo disco e turnê. A mais nova bolacha se chama THE RUNAWAY e será lançado dia 07 de junho. Obviamente vai vazar antes como sempre. A turnê também começa no mês de lançamento pela Inglaterra.
O set list do disco é esse aqui:

1. The Pulse
2. Hurt So Good
3. Why Did You Call?
4. Once I Had
5. A Start With No Ending
6. Throwing My Heart Away
7. Restless River
8. Only Seventeen
9. Sound Of Something
10. The Song That No One Knows
11. Dreams Of A Revelation
12. I'm Sorry







segunda-feira, 29 de março de 2010

GD 33 MUDANÇAS QUE SÃO MOSTRADAS POR CORAÇÕES ENORMES


Acendo o décimo cigarro da manhã, meu peito dói toda a vez que eu respiro........
Mentira, ele não dói em nenhuma parte. Mas essa introdução serve para carregar um tom desesperador emocional inicial.
E agora que já tenho a sua atenção, o texto pode começar.......

Eu não sou Pinóquio, meu nariz não cresce toda a vez que eu minto. O que na realidade é uma dádiva genética, caso contrário estaria competindo com o Luciano Huck no quesito maior nariz. Não porque ele mente, mas o nariz dele é grannnde com 3 enês.
Mas mesmo assim eu tenho um grilo falante. Na verdade o termo certo é uma "grila", mas provavelmente Schopenhauer me bateria com uma edição pesada, revisada e não traduzida do livro Parerga Und Paraliponema, por inventar tamanho cruel objeto. Ou pior ainda traduzir erradamente uma palavra.........

Eu conheci minha "grila" falante há seis anos. Não que por todo esse tempo sempre estivemos em contato. Passamos pelo menos três anos sem nenhuma palavra, letra ou estrofe.
Também apesar do tempo de conhecimento, nunca na verdade fomos íntimos. Mesmo atualmente sabendo todos os podres e entrecantos um do outro. E quando me refiro à intimos quero dizer na parte da palavra onde se encaixa a frase, eu jamais seria sua namorada(o). Somos incompatíveis nessa área e antes que a sua cabecinha suja, meu libídico leitor, possa imaginar coisas somos héteros com orgulho. Ou você acha que apenas pode existir orgulho gay?????
Mas esse não é o caso.......

Entenda que essa minha grila falante, não apenas é minha consciência. Mas também uma (ou melhor), um par de mãos que me ajuda e muito. Seja acompanhando minhas mal sucedidas tentativas de contato humano, ajudando nas traduções das entrevistas, tirando fotos e criticando duramente quando necessário.
E só eu sei como as críticas são duras......
Mas existem benefícios por ter um sua vida uma pessoa que faz você se sentir um lixo humano, incapaz de sentir alguma coisa.

Virgínia Serralha (sim minha grila tem nome e endereço), essa menina que luta com coisas que você marmanjo crescido teria medo de enfrentar sem a barra mais tenra de sua mãe por perto, além de critica ferrenha e dura não ajuda apenas explicando como é possível traduzir longas conversas em dois segundos. Ela ajuda e muito no quesito vida.......
Eu sou incapaz de me inserir na sociedade. Não tenho traquejo social e do mesmo jeito que não sei conviver com outras pessoas, não enxergo bondade em nada. Desde os meus tenros anos onde crianças aprendem como lidar com as outras, me isolava. Talvez porque aspergiano que sou, não conseguiria fixar cinco minutos de atenção em qualquer pessoa conversando comigo. E assim eu criei um mundo dentro do planeta.
Meu e de mais ninguém, onde as suspeitas de infidelidade de meu pai não chegariam, os açoites verbais de minha mãe sobre como eu não prestava para nada jamais ecoariam. Um lugar que jamais teria que ver meu pai bêbado na casa da vizinha indie bancária. Meu mundo e nada mais (ahhh esse Guilherme Arantes!!!!!).
Longe das comparações com os bem sucedidos filhos da sociedade jauense, longe da dissimulação e das falsidades que sempre aconteciam. Um mundo azul fúcsia é onde eu vivo, sozinho.......
Minhas únicas experiências fora desse mundo não foram nada boas. Afinal de contas enfiar o carro na frente de outro tentando se matar ou colocar seu nariz onde não é chamado durante uma semana, culminando com uma overdose no final de um sábado à noite, não são por assim dizer cenas de arco-irís. Por isso para proteger à mim mesmo e a sociedade de um futuro homem bomba, eu me isolo.
Mas eis que então a grila se mostra nos momentos mais intrinsicamente complicados, seja falando, escrevendo ou chacoalhando. Mas sempre lá me fazendo ver que sim, é possível ser mais gente e menos pedaço de isopor sem cor. Que a bondade é algo que se faz de verdade e que não são apenas de tapinhas nas costas que se vive. Como toda boa consciência, me faz entender que é preciso mudar e sair de um mundo que na verdade apenas é uma versão melhorada de um pequeno inferno. Essa grila falante mostra que não é preciso ter apenas ódio de tudo e todos e que sim os Beatles tinham razão, o amor é tudo que você precisa.
Hoje eu entendi porque ela não se preocupa com aqueles quilinhos a mais que sempre teve. O que para a fila de homens que ela consegue atrair, apenas a deixam muito mais bonita. Mas não é por isso e hoje eu descobri esse segredo.
É porque se ela não fosse fisicamente como ela é, seu coração seria incapaz de caber dentro do corpo. E na verdade o coração não cabe, porque ele é maior do que esse planeta. Não saberia ter como agradecer o fato desse coração ser do tamanho que é e o que ele faz por esse escritor sacripanta. Mas mesmo assim eu começo com um simples obrigado.........

Foi esse mesmo coração que durante uma de nossas uterinas conversas, me disse que a ideía de mudar as coisas no blog seria uma boa idéia. Tudo começou ontem, mas hoje apenas começa a se tornar concreto.
Não vai ser nada drástico, apenas mudanças funcionais e fisiológicas:

01) O blog Gangrena Diario fica onde está, mas as bandas novas não irão aparecer em OS VINIS VIRTUAIS especificamente. Mais fácil de acompanhar e juntamente com as mixtapes, completarão o objetico dele.

02) Os podcasts se tornarão quinzenais. Mesmo porque a banda que é novidade hoje ainda será daqui a quinze dias. Muita coisa vaza durante a semana toda, fique tranquilo que você ainda vai escutar aqui primeiro, mas agora com muito mais calma e seleção. Aprendi isso com o pessoal do ROCK IN PRESS.

03) O blog CONVERSAS PARALELAS, irá ser mais usado. As 3 experiências foram bem bacanas e acho (e a Virgionia concorda), que deve-se investir mais.

04) A Gangrena FM irá ter programação semanal. Set lists apenas e sem conversa (eu já falo demais nos podcasts), em três dias da semana. Iniciamente segunda, quarta e sexta.

E acho que é isso......
E obrigado por seguir o blog e obrigado por você que começou hoje.
Lembre-se também de escutar seu grilo falante, ele pode te fazer mais humano........






sexta-feira, 26 de março de 2010

GD 32 PROVAVELMENTE OCORRE DERRETIMENTO CEREBRAL SEGUIDO DE UM GANCHO DE ESQUERDA

O Macaco Bong, banda brasileira que com dois discos na bagagem e a destruição completa do palco principal do Planeta Terra de 2009 ainda eram apenas quatro horas da tarde, mostrou que rock sem letras é uma coisa bancana demais.
Bem tocados e com movimentos assimétricos, guitarra, baixo e bateria conseguem personificar bem o que podem ser capazes de fazer irradiações sonoras de alto impacto. Lembro de chegar no Playcenter e de uns três quarteirões antes conseguir ouvir a banda estraçalhando o sol.....

Além, a banda brazuca, uma outra que segue a mesma linha são os irlandeses do AND I WATCH YOU FROM AFAR. Lançando o disco de estréia esse ano, com uma curiosidade:
O nome do disco é LETTERS, e leva esse nome por que cada faixa é uma letra seguida à uma palavra com a inicial correspondente (por exemplo S IT'S FROM SALAMANDRA), e por aí vai.

A banda mistura com inteligência toda a ressonância necessária para causar buracos em chapas de aço blindado.
Nada de solos cheios de sofisticações ou trejeitos dos grandes e clichês guitar-heroes. Tudo muito simples, mesmo quando a banda mostra a sua veia progressiva durante as interações entre as guitarras e a linha de bateria. Vale muito à pena se você quiser conhecer uma banda instrumental que não tem afetação e que sabe muito bem para onde conduzir ouvidos e cérebros dos ouvintes.....
Escute aí embaixo VOICELLES....







GD 32 THE COPYCAT OF A COPYCAT OF A COPYCAT

Um dos meus grandes heróis do mundo real, Lester Bangs, além das teorias verborrágicas cínicas, costumava dizer que o mundo do rock é um lugar onde as eras sempre acabam plagiando umas às outras. Propositalmente ou não, mas todas acabam fazendo isso. E nesses últimos tempos essa idéia começou a me parecer menos um flash delirium e mais uma coisa concreta. Na verdade vivemos sobre o signo do plágio. Não há nada mais tão original assim no mundo da música. Talvez se escrevêssemos sobre tecnologia nanônica poderíamos discorrer por vinte páginas sobre os avanços na cura do câncer de pele na população, usando o advento das fibras de neonlíthium encontradas no mais novo mineral localizado em uma das praias intocadas do litoral de Ubatuba...........

Mas não vivemos nesse mundo. Não escrevemos sobre esse mundo onde as luzes em leds cintilantes brilham e explodem em inovações, escrevemos sobre música..........
Terreno habitado desde a era dos dinossauros, por outros seres que foram mais originais, capacitados, mais descolados, loucos e profetas. Um lugar onde tudo é copiado, mastigado e regurgitado diretamente nas nossas bocas famintas de novos corpos de qualquer estrela do rock, para que possamos fagocitar suas veias e salvar nossa sede de significância de vida, pelo sangue de alguma estrela do rock decadente qualquer.

Não existe nada mais clichê que isso, não existe mais muito espaço para o originalidade. As músicas são um plágio de outras melhores que foram plágio de outras piores. As críticas de rock são um plágio, todas estão espalhadas em milhares de frases de efeito que são jogadas durante o dia inteiro, sejam elas copiadas de letras de música ou de outros textos. Críticos são um plágio sem fim, você é um plágio e eu também sou, afinal de contas estou usando um texto para basear toda uma resenha de disco. Acostume-se, você vive em um tempo onde o consumo rápído e desenfreado cria deuses de cera que duram apenas o tempo de exposição aos primeiros raios solares, e mais nada.

Por isso não é de se espantar que um disco como GONGRATULATIONS, o mais novo trabalho da dupla de meninos maluquinhos do MGMT soe tão vanguardista. Ele não soa e nem é, mas quer dar a impressão à você leitor comatoso que sim. É mentira!!!!!!!!

Não compre essa idéia que também é plagiada de uma outra época. Os Monkeys lançavam discos que eram idênticos aos trabalhos iniciais dos Beatles (no tempo do iê iê iê deles, aquele antes deles começarem a fumar maconha, ficarem mais legais e menos meninos insossos de igreja católica).
Nem por isso os Monkeys eram ridicularizados por terem um seriado de TV horripilante e discos piores ainda. Eles eram a resposta à resposta da invasão britânica na América.
Os Beach Boys carregavam esse fardo de ser uma resposta, tanto assim que Brian Wilson acabou pirando por causa de toda essa pressão..........
Ou seja, essa pretensa modernidade do disco do MGMT é apenas uma bela camada de rejunte bem moldadinho em corpos de meninos com o torso nu, cabelos desgrenhados e sem a barriguinha de cerveja tocando para grupos de meninas que sonham em passar minutos entre seus dois pênis. O disco CONGRATULATIONS é antes de mais nada uma cópia bem feita.

Mas grande culpa disso tudo nem é no seu todo de Andrew VanWyngarden e Ben Martin Goldwasser. Na verdade quem deveria ser expurgado por tudo isso deveria ser um cara que se chamava Syd Barrett, que quando meu corpo for consumido totalmente por esse mundo podre de idéias, irei devidamente procura-lo onde estiver e tratar de mata-lo de novo. Joga-lo de alguma janela de dimensão para uma morte lenta e dolorosa, a ainda me safar sem que a opinião pública com suas atitudes de revoltada controlada pelo ânus faça piquete em frente à qualquer fórum........
A culpa é sim de Barrett, porque desde que ele teimou em juntar ácido lisérgico, pinturas e músicas tudo em um disco só e ainda por cima mostrar para Roger Waters que ele não passava de uma criança mimada e com problemas sobre transar com a própria mãe, todos os músicos que são denominados "indie" em algum ponto resolvem recorrer a tal psicodelia. Tentativas de fazer mais um som sobre transmutações de consciência regadas por músicas acachapantes muitas vezes são tão desconexas que se tornam chatas. Vou criar polêmica, o que também é uma idéia plagiada, mas todos vocês são como eu plagiadores de alguma coisa então, foda-se.........

Exemplos sobre isso são Animal Collective e o Sigour Rós. Por mais que você entenda a profundidade das letras e na sua cabeça todas a mudanças de tonalidades e acordes feitos e tocados em sincrônica perfeição. Todos os ruídos incidentais e samplers from hell e outerspace se tornem mantras maravilhosos em suas têmporas, lá pela metade do disco você está de saco cheio de tanta melodrama intelectual. Longas caminhadas derrapantes em um terreno moldado apenas aos iniciados e aos intelectuais. Mas os druídas plagiadores dos críticos estão sempre querendo fazer com que certas coisas sejam geniais, mesmo elas sendo uma chatice sem fim. É massificação de uma pretensa intelectualidade que necessariamente não é a mais inteligente.
Mesma coisa quando alguém diz que não gosta de Caetano Velloso. Execração na certa.
Como não gostar do poeta mambembe, orador especial de James Joyce e amigo de Mautner. Entendedor da parambolicamente redundante realeza do soberbo inquisitivo mundo das letras lavadas em escadarias de poemas sólidos ou não. Como não gostar de uma baluarte que apenas ao tocar as pessoas com suas palavras fora de ordem é capaz de emocionar desde o leãozinho até uma tigresa de unhas negras. Poeta, cronista de um povo.......
E chato pra caralho!!!!!!!!!
Ouvir um disco inteiro de uma coisa que é regurgitada de outras, é a mesma coisa que engolir feliz vômito. Voltaire.....ahhhhhhhhh Voltaire, você sabe do que eu estou falando!!!!!!!!!!

E o disco do MGMT é isso. Um amontoado de regurgitações que começa desde a primeira canção, IT´S WORKING. Lá estão os barulhos estranhos, as guitarras desconectadas da realidade as vocalizações espaciais. Tudo que um dia Jefferson Airplane fez. A canção não é ruim de verdade. É apenas uma cópia feita em mimiógrafo......
A bateria de SONG FOR DEAN TRACY é completamete copiada de Weird Fishes do Radiohead, apenas com a precaução de se fazer uma virada diferente no refrão. O clima de surf music misturado com Lux Interior deixa a canção como preferida dentro de uma pista de dança. mas o clima cheeleaders não dura muito e logo as vocalizações vão de encontro à Barrett de novo. Ahhhh esse maldito Barrett!!!!!!

SOMEONE'S MISSING poderia abrir qualquer desfile de misses do além. A canção é completamente construída em cima de uma cítara e violões. Com um orgão com citações à Ray Manzarek. A linha de guitarra base parece ter saído de Wonderwall do Oasis e quando a canção crese e poderia ir para algum lugar menos parecido com outras músicas, ela acaba......
Mas uma canção desse disco realmente vai para outro lugar:

FLASH DELIRIUM poderia ser chamada de Frankenstein sonoro. O que começa como regionalismo oriental tocado nessas casas especializadas de dança do ventre em São Paulo, parte para uma melodia pop que empolga e dá subsídios para que seu corpo se mova. Mesmo a canção bebendo na fonte do Talking Heads, as mudanças de direção apesar de muitas não atrapalham e muito pelo contrário o uso da flauta se torna um detalhe mais rico da viagem. Como se fosse possível amalgamar punk e Beach Boys em uma mesma canção disforme e bela.
I FIND A WHISTLE com seu refrão repetitivo mostra que o MGMT anda escutando muito o disco do Flaming Lips, Yoshimi Battles the Pink Robots. Ou qualquer um deles........
A linha toda de teclados e mudanças de direção dessa música foram criadas por Wayne Coyne. É mais arrastada que as demais músicas, o disco que vinha em uma crescente recua em terreno de perigoso bocejo. E é aí que a magia acontece, quer dizer a magia do plágio.........

SIBERIAN BREAKS. 12 minutos e 09 segundos........
Martirizantes, seja pelo começo bossa nova breguístico emo ou pelas mudanças de direção que nessa faixa parecem indecisão musical. Roger Waters tinha essa mania (aliás todas as bandas progressivas tinham) de compor músicas gigantescas de mais de dez minutos. Meddle do Pink Floyd tem um lado apenas com uma canção e mais nada. Essas canções ou acabam virando suítes com várias partes (como em Atom Heart Mother também do Floyd) ou não deveriam ser feitas. Porque para quem ouve é torturante não conseguir se apegar em apenas uma parte. Variação de tempos musicais nem sempre querem dizer genialidade. As pretensas viagens psicodélicas ficam restritas à alguns acordes ou barulhos. E todas as mudanças acabam voltando para o ritmo base que parece música de baile de debutantes, o que não quer dizer que não seja bela, mas sim de uma encomendada lisergia, comprada em lojas de segunda mão.
Lar Das Maravilhas da banda brasileira Casa Das Máquinas tem mais coerência que essa música pretensamente moderna do MGMT. Outra coisa que essa música me enche os olhos de tristeza por ver o quanto ruim uma canção pode ser, é que todas as tentativas de mudanças de direção são bem marcadas, mas não de um jeito sutil como por exemplo em Astronomy Domine, mas como se Jean Michel Jarré estivesse tocando.....

Mas a redenção parece querer chegar com BRIAN ENO. A música é divertida na medida certa, com aquele ar de filmes de detetives dos anos 50 correndo por entre as gotas de chuva e escondendo-se nas sombras. O orgão nessa canção que tem um pé no disco FLAMEJOB do The Cramps, mas sem as guitarras insandecidas. O que é bom na verdade, porque a entrada do clima cabaret um pouco Dresden Dolls é bem vinda antes do segundo refrão. Lembra coisas boas como Lucifer's Cat e até Bike (outra vez Barrett). A músia cresce na hora certa e desagua em diversão das melhores possíveis. Um alento, rebento isolado por entre pessoas com o mesmo rosto. E mesmo o final da canção lembrando aquela famosa música do Pizzicato Five (Twiggy Twiggy), não atrapalha.
LADY DADA'S NIGHTMARE e CONGRATULATIONS são descartáveis até o talo. A levada progressiva com pretensões epicas da primeira nada mais é que uma música de qualquer disco do Alan Parsons Project tocada por iniciantes. A pretensão de se fazer algo que seja lisérgico desaba na falta de idéias boas. Exemplo: seria muito mais viagem de cérebro fazer algo misturando por exemplo Fitter Happier com Be Careful Wiht That Axe, Eugene. Mas a sucessão de acordes de elevador é dolorosa. A segunda faixa é pop desprovido de segunda audição, poderia ser aquela canção para ser cantada em karaokês daqui há alguns anos. Mas não chega a ser ruim em uma totalidade. A simplicidade não é genial, apenas passageira.

Congratulations é um disco copiado e montado usando várias referências e vários trechos de outras canções. Não se engane porque ele não é original ao ponto que está sendo vendido. É plágio bem embalado por uma campanha bem organizada de marketing (a capa raspadinha, a caça ao tesouro pra assistir shows e as declarações sobre a banda não fazer singles). Não há uma linha lógica dentro desse disco e talvez nem fosse essa a intenção da banda. Mas o primeiro disco do MGMT tinha muito mais experimentações e as canções eram trabalhadas com uma maestria ímpar. Mesmo sendo louvável atualmente uma banda contratada de grande gravadora poder fazer o que quer, os meninos poderiam ter se esforçado mais.......
Ouça, aprecie o que você acha necessário e depois jogue fora e fique com o primeiro disco da banda. Congratulations deveria ser reciclado depois de ser ouvido, por isso nesse post não vai haver players com as músicas.

E sim o disco todo.......sirva-se, copie, plageie. Ligue o foda-se. Vivemos em tempos onde nem umas das mais promissoras bandas escapam de copiar (e mal) sons e sinais já existentes. Para que se preocupar com o mundo que vive devorando os restos mortais de pedaços mal mastigados de vômitos culturais. Regurgite você também, é possível que você ainda seja reconhecido com intelectual por várias pessoas. Do mesmo jeito que já haviam pessoas acreditando que o MGMT era o futuro da lisergia. Ou se não faça alguma coisa diferente, pelomenos seria uma boa variação de atitudes que falta hoje em dia.......

Mas ninguém entendeu o que queria dizer a frase da primeira canção em Oracular Espetacular:

WE WERE FATING TO PRETEND!!!!!!!!

E PEGUE O DISCO AQUI!!!!!!

quinta-feira, 25 de março de 2010

GD 32 DO PRIMEIRO TEMPO EM DIANTE NADA MAIS É IGUAL.....

Existe um lugar seguro dentro de qualquer música. Lá pelo primeiro minuto e alguns segundos, você já sabe se a banda vai realmente engatar ou se vai ficar apenas dentro do útero materno quente e convidativo. Nesses compassos de tempo, reside o maior paradoxo de todos. Ou a canção liberta uma descarga de substâncias voláteis e animadoras ou simplesmete fica presa dentro do limbo.
Tudo isso dentro de apenas algumas notas.

Quando os primeiros acordes de DEVIL IN YOUR EYES, da banda MINIBOONE, formada por Craig Barnes, Taylor Gabriels, James Keary, Sam Rich e Doug Schrashun entram em contato com a sua película auditiva, a sensação de que a canção pode ser exatamente igual as outras músicas que você já ouviu por aí é enorme. Mas espere aquele momento decisivo dentro da canção, sabe aquele que eu disse lá em cima???
Pois bem, quando eles tiverem passado algo de diferente aconteceu com seu endoesqueleto. Passagens de tempo onde um bar que se chamava CBGB'S cheio de cheiro de cigarro e empoeirado pelos cantos, comandava as vontades de bandas que florificavam alquimias com uma fusão de sensações.
E fusão é a palavra chave dessa canção, pois as mudanças de direção que inicialmente parecem ser de puro pop rock do planeta Ploc, se transformam com a ajuda de backing vocals em passagens épicas. Como se fosse possível sentir os trilhos da montanha russa passando por debaixo de suas costelas, liberando pedaços de pele que se soltam mediante ao atrito. Durante o curso do solo, esse atrito seco e violento aflora em forma de agudização das notas. Como se uma serra aprontasse alguma traquinagem e depois acalentasse seu cérebro com riffs curtos e encaixados em uma bateria saltadora. Como na composição de uma onda dupla, onde a água se afasta e explode formando alçapões para que cada pedaço de sua cabeça seja chacoalhado e colocado de volta ainda em giro. Para logo depois a segunda onda arrebatar todo o resto de corpo que você teima em segurar pelas beiradas que sangram.........









E essa segunda onda vem logo em seguida com COOL KIDS CUT OF THE HEART ITSELF, que desde os primeiros acordes me pareceu ter saído do ventre materno do Talking Heads que foi copulado com pitadas iê iê iê iê, fundidos em aço derretido por solos punkeados e palmas. A linha de backing vocals são como sonetos encarnados de arcanjos que padecem de perdão por terem cometido pecados ligados à luxúria sonora. O tempo acachapante dessa faixa é de fazer você quando menos espera, se pegar no centro da sua sala brincando de tocar bateria imaginária.
Por ser uma pessoa que sente a música até saber que os sons doem dentro do peito, eu já gostei da banda desde os primeiros acordes. Mesmo não sendo isento, eu posso seguramente dizer que essas duas músicas são nesse começo de semestre duas das melhores.









Corra atrás sem falta......

OBSCRUEL: a banda acaba de lançar o EP BIG CHANGES, que você pode comprar AQUI.

GD 32 SUAS LÁGRIMAS DESCENDO PELO MEU ROSTO

Nossas vidas possuem realidades diferentes.
Memórias em sépia da nossa infância, se confundem com a vida diária dentro de uma metrópolis negra e cinza. Muitas vezes a única coloração vem de um pompom avermelhado em cima de nosso kipá cotidiano.
Separamos as coisas por categorias, que podem variar dos anos à quantidades de unhas cortadas durante esses períodos de tempo, até dividir pessoas por categorias inimagináveis. A lógica do mundo muita vezes não existe dentro de nossa própria, o que faz com que tremores se formem como aquele dedo que submerge dentro de um balde cheio de água, formando ondas que se espalham vagarosamente mas com uma força nunca detectada pelo mais poderoso caça metais.
Pessoas são estranhas para mim, assim como para Max, personagem da animação esquecida pelo Oscar MARY & MAX.

O maior problema que temos com elas, na verdade é não ser capaz de entender qual a lógica das pessoas. Não entender porque pessoas que permanecem em frente à um Fórum usando de violência verbal e física contra outros semelhantes, não capazes de lutar pelos seus direitos mais básicos. Do mesmo jeito que Max não entende o porque dos fumantes além de se matarem com o cigarro, prejudicarem o ambiente jogando bitucas na rua.
Max ( dublado pelo camaleônico Phillip Seymour Hoffman, que pode ainda esse ano ganhar o papel do gênio Daniel Johnston nos cinemas), é um homem que vive dentro de um mundo cinza. Cercado por números e acertos milimétricos dentro de uma vida cheia de passagens contadas por fatos insignificantes. Não possui traquejos socias e a possibilidade de tocar em outro ser humano parece ser capaz de desencadear reações que transportam seus ossos fora do perímetro epidérmico. Suores e ansiedade dentro de uma garrafa de vinho cheia de líquido semi morto e cinza fúcsia. Mas Max (assim como eu), não é uma pessoa triste. Deprimido seria um vernáculo mais belo e mais preciso dentro desse universo.

Por outro lado do mesmo planeta, existe a possibilidade de outra cor. Nem que essa cor seja a sépia cercada de algumas diferenças mínimas nas fontes que são usadas na descrição desse mundo, onde mora a garotinha Mary. Oito anos e quilômetros, separam sua vida da conturbada e aspergiana cabeça de Max. Em comum as dúvidas sobre como funciona o mundo ao seu redor e as pessoas estranhas que cercam esses dois mundos.
Na casa de Mary a mãe alcoólatra egocêntrica e seu pai ausente, não conseguem responder aos questionamentos da cabeça dela sobre a vida. E assim como Max, Mary é solitária.

Grandes histórias de amor foram marcadas pelas cartas.Muitas foram contadas e recontadas por meio de pedaços de papel e tinta. Formas difusas de encontros onde as pessoas não conseguem enxergar os rostos, mas nem por isso deixam de entender o funcionamento de todos os entrecantos da alma.
Assim então começa a amizade entre esses dois personagens que por mais distantes, ainda guardam dentro de si uma imensa vontade por coisas doces. A amargura encaixada milimétricamente na vida desses dois, é mostrada como oposto perfeito para a amizade que nasce em forma de cachorros quentes de chocolates e cintilares de um anel de humor

Falar de um filme de animação, sem levar em conta as técnicas utilizadas parece até um sacrilégio, ou falta de jeito escriturário. Mas a questão nem é discutir se a animação feita em massinhas pela equipe do diretor Adam Elliott, que já havia sido premiado com o Oscar anteriormente pelo curta de animação Harvey Krumpt é boa. As técnicas são tão eficientes e produzidas com maestria, que dificilmente conseguiremos ver seres teoricamente inanimados com expressões tão humanas e certeiras. Fazer uma animação onde a maioria dos personagens possuem dramas internos que se refletem a cada expressão de rosto, requer muito mais talento do que o usual. E isso é mostrado quadro a quadro durante os 90 minutos de filme.

A amizade dos dois personagens cresce de acordo com a passagem do tempo. O diretor chega até a tocar em assuntos mais delicados como a pedofilia, mas de uma maneira que essa idéia seja uma visão a ser descartada. E a maneira que o diretor faz isso é sutil e bela.
Mas muito maior do que apenas um filme sobre amizade, Mary & Max é uma animação sobre os conflitos do ser humano dentro de um mundo, que por mais vintage a época ou maior a tecnologia usada na construção de bonecos mais humanos, nada será maior que a capaciade de encontrar sentimentos em lugares onde apenas ventos secos e poluição habitavam.

O filme não mostra apenas o valor de uma amizade simples, mostra como é formar um outro patamar de humanismo dentro de seres disformes. Dentro de uma suicída em potencial, a ação de recolher todas as lágrimas de seu rosto uma por uma. Engarrafa-las e enviar todas para o amigo que não é capaz de chorar as suas próprias. Isso vai além do que se convenciona chamar de vida. Isso é batimento necessário de coração.
Mary & Max tem isso sobrando.....

Eu ainda não entendi o porque desse filme não ter explodido dentro do contexto. Mais uma vez parece que os seres humanos preferem aventuras politicóides sobre soldados ou seres azuis do que simples palavras escritas em pedaços de papel de pão. Mas que contém muito mais vida do que uma árvore com conexões USB.
Se você ainda se lembra como é que seu coração bate, ou sente o vento bater em seu rosto descrevendo uma espiral mágica de vida, então não deixe de assistir à esse filme. Provavelmente se um dia seus filhos perguntarem coisas sobre valores nessa vida, você já poderá dizer que em um lugar onde as maravilhosas máquinas de escrever abriam peitos cheios de sentimentos e carinho, existem as respostas......

GD 32 PERDAS E GANHOS......



Mais uma vez nesses últimos dias somos surpresos com duas notícias antagônicas, que trazem dentro de sua hélice de genes dois sentimentos distintos. Uma delas é capaz de colocar um pedaço de alegria dentro de segundos, onde antes havia uma fatia de tristeza devido à notícia anterior.
Vamos então primeiro as perdas.
Morreu ontem aos 74 anos o fotógrafo e mago das lentes de abertura rápida JIM MARSHALL. Considerado por muitos como o cara que tinha a melhor intuição do chamado "momento decisivo" no quesito fotografia. Ou seja, aquele instante onde o fotógrafo decide apertar o botão da câmera e fazer com que a imagem seja eterna.
Jim fotografou dezenas de músicos de uma era onde tudo aquilo que se escuta hoje estava sendo iniciado. Fantásticas molduras de momentos que com certeza são históricos para se dizer o mínimo. Pedaços refletidos de almas, mesmo porque uma das características marcantes no trabalho de Marshall era o fato de suas fotos não serem apenas o registro de uma mera imagem de um rockeiro famoso ou artistas de jazz (suas fotos de Miles Davis são lendárias). Suas fotos eram retratos sobre os indivíduos. O foco sempre eram as pessoas e não os mitos por trás desses seres humanos. Talves por isso, elas tenham uma capacidade de fazer com que você ache, que a qualquer momento a imagem se tornará viva e lhe apresentará as mãos para um aperto caloroso. Jim não fazia apenas fotos, ele retratava almas humanas em filme.......

Homenageando o gênio, durante o post todo algumas das fotos mais bacanas de Jim Marshall ilustram o primeiro post do dia:

Essa foto é chamada O Momento Decisivo, e virou ilustração do que foi a carreira de Jim, o artista é John Coltrane.


Mas nem só de tristezas se começa uma quinta feira e isso já é um motivo de comemoração. Afinal de contas outras coisas geniais serão vistas........

Saiu ontem na calada da madrugada brasileira o primeiro vídeo da série de muitos que ilustraram outras almas e outros cantos. O projeto The Record Club, do cantor que pode vir ao Brasil esse ano BECK, iniciou as atividades nessa semana. Com a participação de vários músicos e amigos, a gangue recria discos inteiros e os coloca em forma de vídeos no site do cantor. O primeiro a ser regravado foi o Velvet Underground, e agora o projeto já está em sua empreitada mais recente. Dessa vez a peça escolhida foi KICK, da banda australiana de pop rock dos anos 80 INXS.
Para essa edição quem participará do projeto, que já teve nomes como Wilco e Flaming Lips envolvidos, é uma reunião de nomes não menos importantes. St. Vincent, Liars e Sérgio Dias o nosso mutante.Os discos são regravados pela ordem das músicas e elas são colocadas na internet dessa forma. Esse disco demorou 12 horas do dia 3 de março para ser gravado e a música GUNS IN THE SKY, a primeira ficou assim:

Record Club: INXS "Guns In The Sky" from Beck Hansen on Vimeo.

Essa é outra da série lendas, as fotos do cantor Johnny Cash se apresentando da Prisão de San Quentin, em 1969.

Josh Homme em campanha por um mundo melhor........
O vocalista e tão hiperativo quanto Jack White, fez um vídeo para o projeto RECORD STORE DAY. O objetivo é encorajar a geração movida à downloads, frequentarem lojas de discos. Sim aqueles feitos da maneira mais antiga sem o uso do botão Burn do seu ripador de mp3. Ocorrendo no dia 17 de abril, é uma maneira de incentivo e uma nota pra que essa grande forma de divertimento, porque sim entrar em uma loja de discos e passar horas na companhia de seus melhores amigos (estou falando das bandas e seus discos) é nada mais que pura nona maravilha do mundo. Aproveite e entenda o que é o orgasmo auditivo que Josh cita......



Essa nem precisa muita explicação. Histórica e icônica Hendrix tocando fogo literalmente......

Mais fotos de Marshall no decorrer do dia e mais notícias felizes também.......

quarta-feira, 24 de março de 2010

GD 32 A DEMOCRACIA BUROCRÁTICA OU MORTE AOS HIPPIES OU UMA CAMISETA DO BOWIE COM COTURNOS E UMA DANÇA ESTRANHA



Não se pode acusar a banda Franz Ferdinand de não ser democrática. O quarteto da Glasgow conseguiu divertir todas as faixas etárias, sejam elas formadas por pré adolescentes e suas franjas estilo fresnianas ou distintos senhores de cabelos brancos e suas camisetas do rock inglês.
Havia ontem no Via Funchal uma mistura heterogênia etária, que fazia tempo que esse aspergiano não presenciava. Obviamente por ser o primeiro show do ano, os ataques de ansiedade foram devidamente registrados pelo cérebro, mas como todo bom macaco velho as coisas correram bem. Casa lotada e platéia ganha, não poderia dar errado, não é verdade????

Sim e não.

Mesmo tendo espaço suficiente para a locomação dos transeuntes (bêbados ou não), pelo menos no fundo da casa e com o bar servindo intermitantemente as pessoas que tentavam fugir do calor, que já havia há tempos ganho a batalha contra o ar condicionado do Via Funchal. Mesmo ficando a dúvida se a aparelhagem estava ligada ou se não deu conta do recado, a abertura das saídas de emergência conseguiu trazer um certo frescor dentro dos corpos que suavam em bicas (mesmo parados).
O show da banda começando obviamente com um atraso justificável, fez uma abertura não tão diferente do realizado ano passado na The Week. Bite Hard, uma das melhores músicas do disco Tonight (3º da banda) já mostrou o que seriam as próximas duas horas. A pista da casa saltando e cantando todas as letras da banda. Com direito à Alex Kapranos elogiando o coro.


E por falar em Kapranos, mesmo visivelmente abatido por algum tipo de gripe ou algo do gênero (fato que ele explicou logo no começo do show), como sempre foi a mola propulsora no quesito elevar a temperatura e conduzir uma legião de fãs que estavam na fila do Via Funchal desde às duas horas da tarde. Toneladas de carisma por entre coriza e uma banda que estava tocando muito mais pesado do que no show do ano passado. Aliás essa é uma diferença entre as duas apresentações realizadas aqui em SP. Ano passado o clima de garagem dentro da The Week, criado pela banda e também pelo fato do show ser "fechado", deixou tudo mais solto.
Ontem as guitarras estavam mais altas e mais pesadas, prova disso foi o duelo feito por Kapranos e Nicolas McCarthy. A produção também ajuda, afinal de contas o telão localizado atrás da banda tratava de manter a hipnose através de imagens com cores de ácido e várias animações. Para as crianças presentes (sim haviam várias, no sentido literal da palavra) foi uma experiência ímpar de números primos.
O show segue, as pessoas cada vez mais suadas e minha claustrofobia cada vez mais aguda.

Matinée, Tell Her Tonight e Know You Girls trataram de deixar a platéia no ponto onde a banda queria, mesmo não se esforçando muito, afinal de contas a partida estava ganha desde o começo.
Mas não se pode negar um minuto sequer que o FF, sim, deixa uma boa parte de suor, alma e ventrículos no palco. Seja nos sorrisos e conversas com o público ou mesmo na competência de sobra dos músicos. Os solos de percussão dos quatro são uma prova disso, criando um ritmo tribal de dança da febre. A mesma que queimava Kapranos e que foi espalhada devidamente quando This Fire e seus solos assolaram os corpos trôpegos e dançantes das quase 6.000 pessoas que estavam no caldeirão Funchal nessa terça.



Sempre implico um pouco com a platéia dos shows em SP, seja pelo fato de todo mundo achar que vai para uma balada e não para assistir à um show de rock ou porque todo mundo fica mais preocupado em twittar do que ouvir as músicas. Mas Do You Want mostrou uma das facetas mais bacanas do público ribeirinho de concreto do Rio Tietê, a entrega. As frases de ordem de Kapranos ("esse é meu camarada" e "é isso aí mano") foram detalhes bem colocados.
Cantando em uníssono cada palavra, o público repassava sua alma aos magos da Escócia deixando uma tonelada de suor no meio do caminho. O calor não importava, muito menos a cara de bravo do Forastieri. Pessoas em uma mesma imensa onda de energia cataclísmica que passava agora a hipnotizar a banda............
Mudanças no set list em relação ao show de 2009 foram bem vindas. A adição de Shopping For Blood e as músicas mais antigas como Take Me Out foram executadas com maestria.

E mesmo assim havia algo de estranho no reino da Dinamarca.......
Quando a banda deu tons Joy Divisionianos à famosa cover de All My Friends do LCD Soundsystem, duas coisas ficaram claras:

a) quem escuta emocore não sabe quem é James Murphy.

b) a banda ou já apresentava sinais de cansaço ou a burocracia havia tomado conta......

Não há como negar que o FF é uma banda muito boa, que o show é divertido, feito para se dissolver em epilepsia dançante e que é sim uma experiência muito contagiante. Mas ontem a banda foi democraticamente burocrática. Nada de novo no front ou mesmo algo que pudesse dar a mesma sensação sentida quando o refrão de Creep do Radiohead (e você da patrulha indie ideológica, não venha me dizer que são duas bandas diferentes pois eu sei disso), explodiu contra nosso peito no show de 2009 no Brasil. Mesmo empolgando, a banda apresentou um mais do mesmo bacana, talvez ocasionado pelo estado de Kapranos (que depois do show twittou uma mensagem bonita ao público agradecendo por faze-lo sentir-se vivo).
Para quem assistiu pela primeira vez foi uma catarse boa, mas quem viu a segunda, a impressão de não haviam alarmes e surpresas ficou muito forte.


Restava então entender o que a banda significou nessa noite de terça feira. E isso foi feito por um personagem de coturnos, cabelos tingidos de vermelho e presos em um rabo de cavalo diminuto que praticamente não balançava nem mesmo com as idas e vindas do corpo, envolto em uma camiseta de David Bowie antiga. Possuindo já suas balzaquianas marcas encravadas no rosto, dançava frenéticamente posicionando seus braços nas laterais e com movimentos curtos ia à frente e voltava como uma marcha cambaleante onde o que apenas importava era a dança. Uma tábua dura e compacta feita de movimentos cheios de inércia. Não se importava com mais nada, apenas com as frases e com os sons que saiam dos gigantes monitores tomados e sublimados pelo suor e fúria de vozes.
O som do Franz Ferdinand significa isso: diversão em amplitude total de movimento, sendo você criança fresniana ou balzaquiano frenético e dançante. Talvez isso explique porque mesmo em um show médio, a entrega é total e completa.

terça-feira, 23 de março de 2010

GD 32 COVARDES EM MARES DE CABARET


Terça feira de uma correria sem fim. Primeiro porque o vídeo da nova música do Dead Weather escapou pela internet.
DEAD BY THE DROP, que vai estar no segundo disco do Dead Weather, uma das bandas do multi-tarefas Jack White. O disco se chama SEA OF COWARDS e está para sair oficialmente e oficiosamente dentro em breve. O som é espantoso e pesado, com a crueza necessária e os vocais já mundialmente famosos pela potência, de VV.
Essa versão que você ouve aqui no GD é uma gravação ao vivo, mas as duas músicas que sairam hoje você pode escutar no blog SOME KIND OF AWSOME (é só clicar no nome).
O video clip da canção também saiu mas em todos os sites não era possível visualizar, pois não estava liberado para o Brasil e nem para o Canadá de acordo com um leitor do blog fonte. Mas o som é bacanudo demais......








Atualmente acontecem muitos sons onde tudo parece meio estranhamente refeito. Ondas que provavelmente por mais de uma vez adentraram seus ouvidos e não causam mais aquela famosa virada de rosto, para prestar melhor atenção ao que está sendo tocado. Então sempre que uma banda faz com que sua sombrancelha se mova inferiormente e sua coluna cervical sofra uma rotação, é uma banda muito bem vinda......
É o que acontece quando você escuta DRINK UP THE BUTTERCUP. Quarteto da Filadélfia que estudou e decorou tudo o que Revolver, Sgt Peppers e Magical Mistery Tour dos Beatles possuiam. O disco de estréia da banda saiu hoje (Born And Thrown On A Hook, que você pode comprar aqui) e os primeiros acordes além da clara referência aos quatro rapazes de Liverpool, nitidamente seguem uma linha bem parecida com bandas que tem sons mais estranhamente agradáveis como por exemplo o Cold War Kids, sem esquecer de um pequeno toque de cabaret.
Experimentações sem a obrigatoriedade de riffs grudentos ou refrões pegajosos, fazem com que o DUTB seja uma banda que provavelmente vai morar no seu cérebro por mais do que uma simples audição.
Fiquem então com duas do disco de estréia: YONG LADIES e SOSEY & DOSEY.








YOUNG LADIES









SOSEY & DOSEY


GD 32 UM SHOW, UMA MÚSICA MARCANDO UMA VOLTA E UMA MANGINA!!!!

E aí????
Todo mundo preparado????



Sempre tenho uma expectativa quanto as coisas. Acho que viver sem ter expectativa é a mesma coisa que não sentir nada dentro do peito. A leve ansiedade do antes, de imaginar como é que as coisas podem acontecer. Sem se preocupar em antecipar as suas próprias ações. Mas esperando que tudo ocorra com surpresas boas. As pessoas tem a tendência de achar que criar esperanças é uma coisa ruim e maledicente. Eu não acho.......
Poder criar dentro de você a idéia de que uma coisa possa ser boa e pensar como isto pode acontecer, mostra seu lado mais humano e menos lógico, chato e indeciso.
Você até pode argumentar que não criar expectativas pode ser uma saída para não se frustrar depois. Então meus queridos agorafobísticos leitores, melhor se esconder dentro de um buraco de terra esperando o clima ficar bom para sentir felicidade programada. Porque não viver ainda é pior do que tentar (vai por mim, eu já estive do outro lado).

Nem sei porque estou kobayashiando essa manhã de terça feira, deve ser porque hoje vai começar realmente a temporada de shows para mim. Como no ano passado quando o mundo se tornou um lugar onde existia apenas o Radiohead e mais nada, depois do show messiânico da banda. Março e boas lembranças combinam........
E ainda achando estranho a facilidade para comprar ingressos faltando apenas cinco dias para o show (mesmo porque hoje é uma terça feira), estamos no aguardo para que Mr. Kapranos e Cia façam aquele show bacana........


Ela é mais perigosa que qualquer uma das cantoras pops atuais. Lily Allen seria uma freira beneditina comparada à ela, e se tudo correr bem assistiremos ao show dela aqui no Brasil em setembro. PEACHES acaba de lançar o vídeo para a música Billionaire, que está no disco mais recente da cantora (alemã de nascimento), que se chama I Feel Cream.
A música com a participação do rapper Sunka, tem aquela já famosa levada do gênero que é mais um dos estilos usados dentro do camaleônico disco da cantora. E as letras de Peaches como sempre.........
Nessa ela canta a seguinte frase: "Big trouble with the MANGINA". Nem precisa traduzir né????





Você se lembra da semana passada que eu escrevi sobre a volta do Teenage Fanclub????
Pois bem, hoje (para ser mais exato há 30 segundos atrás) a banda soltou o som inédito que vai fazer parte do novo disco SHADOWS. A música se chama Baby Lee, que é a segunda faixa do disco.
Bonita, no melhor estilo lo-fi, com malemolências e acordes de guitarra na medida certa de um desepero budista.
Não é nem de longe a melhor música da banda, mas já é uma bela volta.....
Escuta aí embaixo:







segunda-feira, 22 de março de 2010

GD 32 A SUA LUTA ARMADA ESCRITA


Hoje uma fiel seguidora deste blog, se espantou com a má educação das outras pessoas quando se tem uma opinião diferente do que a maioria intelectualizada tem. E olha que a opinião contrária era sobre um filme da gringolândia. Para piorar a situação a película nem chegou ao Brasil........
Li os inúmeros xingamentos e maledicências que foram postadas em nome da cultura do patrulhamento. Pessoas que se escondem atrás do anonimato da internet e dos fóruns de discussão para colocar fora de seu endoesqueleto cartilaginoso uma série de pendências com seu super-ego. Masturbações verbais e escritas usando preservativos recorbertos de vidro. Navalhas prontas para esmigalhar idéias contrárias à maioria.

Sair da sua casa e ficar em frente à um fórum gritando palavras de ordem, você pode. Mas se emocionar ou ajudar uma criança no semáforo não dá pé. O medo primal do toque em outro ser humano de uma cor diferente e condição muito pior que a sua, de branco caucasiano impotente é demais. Mas gritar pela menina de classe média você pode??????
Que tal arrumar um emprego ou algo para fazer, até posso te ajudar com algumas idéias:

a) Masturbesse. É mais saudável do que ficar horas e horas embaixo do sol maltratando sua coluna;

b) Leia, quem sabe você entenderia a visão diferente dos outros e saberia que não adianta gritar assassinos na porta de algum fórum;

c) Trabalhe, para poder cobrar quem realmente merece. Os pais da menina morta são os menos culpados, se você levar em consideração o tipo de educação machista, reacionária e patética que se tem dentro do Brasil. As pessoas responsáveis por reger o país o tratam como latrina. Não temos uma política de educação que seja razoável ou justa, não temos como nos proteger das chuvas, pagamos impostos para não ter uma infra-estrutura digna. Todo mundo sabe chamar pessoas de assassinos, e não estou aqui dizendo que eles não sejam. Pois se assim ficar provado que paguem pela barbárie que fizeram.

Mas e o resto????

E as pessoas que não cumprem estatutos do idoso, das crianças e dos direitos humanos em geral nesse país?????
Quem julgará esses sacripantas que escondidos atrás de roupas de grife (muitas vezes mal feitas por sinal), com seus ternos e bravatas engravatadas. Até onde podemos ficar bravos com os Nardoni e deixar passar o sorriso amarelo do Pedro Bial recitando um texto horrível em uma atração que de grande só tem o primeiro nome.
As atitudes são diferentes, mas ambas tem a capacidade de fazer esse mundo um pouco pior do que já é.........

Até quando será que vamos depender de aspergianos para se preocupam com bitucas de cigarros jogadas pelo chão?????
Chega de patrulhamento, chega de má educaçãoe falta de gentileza.
Não podemos deixar que a Hanna Montana seja eleita como a voz mais precisa de uma geração quando diz que internet não presta. Ela está errada, no mínimo.

A arma de uma revolução feita pela escrita está em nossas mãos. Lutar não é xingar, muito menos difamar ou expurgar em público alguém. A maior luta armada é a que se faz com seu cérebro, dia após dia embebida em inteligência, gentileza e leitura. Nenhum apresentador midiático vai fazer você sair desse estado de anquilose cerebelar, muito menos jogar contra seu próprio time. Não espere isso.

Faça a sua parte e faça logo..........



GD 32 MANOBRAS OSTEOPÁTICAS CURATIVAS SONORAS

Quando eu digo que a música é a forma de arte que mais tem a capacidade de curar, não é discurso demagógico. Realmente as notas faladas ou gritadas possuem fisiologias belas e renascentes a cada audição. O poder de alcançe é tão grande, que distâncias que demoraram épocas e eras para que fossem sedimentadas parecem não mais existir.
Hoje de manhã a crise na coluna aumentou, a dor foi sentida durante a noite toda. E meu corpo após 29 anos de abuso físico, mental e anfetamínico começou a dar sinais que a minha coluna primordial de tijolos baianos reforçados por concreto em sete camadas de pedregulhos, está precisando de cuidados.........
Mesmo não conseguindo sair direito da cama e andando como um senhor de 90 anos, me dirigi ao meu atual vício com 580 gigabytes de memória. E foi aí que as coisas começaram a mudar de direção na minha janela da sala ensopada por luz de uma manhã de segunda.......

A banda começou em Boston ainda quando seus integrantes cursavam a universidade. Saara Untracht-Oakner, Winston Macdonald, Nick Curran, Dan Goldenberg montaram dentro um porão o que seria chamado algum tempo depois de YOU CAN BE A WESLEY.
A banda inicialmente tocava apenas na Universidade de Boston, mas a mistura certeira das guitarras pós punk com um ritmo cadenciado marcado pela capacidade de montar estruturas assustadoramente belas e que grudam dentro de seu ouvido médio, começaram a chamar atenção. Mesmo tendo alguns empecilhos durante os primeiros shows ( um deles acabou antes mesmo de começar a esquentar, por causa de um engenheiro de som que estava drogado). Em 2007 lançaram o EP FEED THE MOON, STARVE THE SUN, alcançando uma visibiliade bem maior do que apenas Boston, ainda por cima realizando shows de abertuta para bandas como Passion Pit, Sky Larkin e os Wailers em 2008.


Após esses shows a banda voltou a se trancar no estúdio, para algum tempo depois gravar o disco HEARD LIKE US. Mais uma vez a banda surpreendeu com as melodias de beleza ímpar e sons que dissolvem qualquer concreto dentro do seu peito. Muitas banda ainda pegam carona no rock alternativo do final dos anos 80, mas poucas conseguem fazer com que seu som não seja apenas uma mera clonagem linfática. O You Can Be A Wesley está muito além disso........
Duas deles pra dar uma idéia do que você pode esperar do som da banda, CONCRETE (o single mais famoso da banda até agora) e SUMMERHOMES.

E não é que depois disso a coluna não doeu mais!!!!








CONCRETE









SUMMERHOMES




sexta-feira, 19 de março de 2010

GD 31 ISSO É O QUE DÁ ESCUTAR MGMT ANTES.....

Você abre seus olhos e está dentro de uma nuvem de poeira, onde as únicas coisas que você consegue diferenciar são luzes em tons azulados, cercadas de sombras esverdeadas e tons de um arroxeado brilhante. Todos os reflexos das luzes colidem em sua retina, fazendo com que seu cérebro demore um pouco mais para inverter as imagens da maneira correta. Você enxerga seu pulso saltar por entre as veias de seu pescoço, sentindo cada milímetro de sangue percorrendo os vasos. O chão embaixo de seus pés se desconecta das raízes mais profundas do terreno sedimentado, lentamente se transforma em uma esteira com a consistência de gelatina e você sente seus pés desequilibrarem em direção à um tombo iminente e perigoso. Nesse momento a poeira se dissipa e ao longe você enxerga um vulto entrando por entre as luzes. Ela usa patins azulados com dois foguetes, um para cada calçado. Nas mãos um laço onde um míssil terra-ar é domado, como se ela fosse capaz de parar o tempo ao seu redor e fazer com que as leis da física não importassem nesse planeta. Se aproxima de você que nesse momento é invadido por tremores epiléticos de alta voltagem, descolando cada osso do seu corpo da pele.
Ela sorri, amarra suas mãos ao míssil. Você sem reação e impotente diante daquela figura com cabelos cacheados e vermelhos. Um beijo demorado ela lhe oferece. Sem mais ação seu corpo é entregue a sensações que percorrem sua medula com intensidade e velocidade de átomos se partindo. Quando todas as reações iônicas em sua pele se derretem ela solta a corda e você é lançado junto com o míssil que explode liberando oxigênio líquido bivolt. Quando seu corpo cai por terra ela sorri. Do chão brotam sintetizadores que lhe mostram a língua. Você abre os olhos mais uma vez........

Quando você dá por si, acabou de escutar a música de abertura do mais novo disco da banda GOLDFRAPP (HEAD FIRST), a poderosa em qualquer pista intergalática ROCKET.
Will Gregory e Allison Goldfrapp formam esse dueto que definitivamente sempre soube como juntar batidas poderosas e encarnações dançantes de alta volatilidade. Nesse disco ainda contam com as participações dos músicos e produtores Pascal Gabriel e Richard X, que provavelmente tem uma grande "culpa" no ritmo desse novo registro.
BELIEVER entrega desde o começo a que se propõe a banda. Embalar a voz cada vez mais cativante de Allison em músicas que falam de romance, amor e vida vivida envolta em sons que usam ao máximo os sintetizadores e máquinas. Mas não pense por um minuto qualquer que dentro desse disco serão encontrados viagens psicodélicas unidas com o pop (isso você pode encontrar no novo disco do Jónsi). A intenção é colocar você para dançar envolto em relâmpagos e isso o disco consegue desde a segunda canção.









2010 parece ser o ano em que todas as décadas passadas estão voltando, trombando e concebendo uma outra coisa. E essa canção com a cara da pista de dança do Studio 54 se ele ainda estivesse em pleno funcionamento é assim, um refrão plocquiniano com abuso de sintetizadores fáceis. Nem mesmo a repetição ao extremo do refrão faz com que se perca a levada da música, simples como respirar mas mágica do mesmo jeito.
ALIVE anda uma década para trás e as notas de uma guitarra espacial somada as viradas de bateria que são o deleite para Olivia Newton John, fazem com que seus pés demonstrem a ansiedade de não querer mais ficarem no mesmo lugar. E a voz de Allison é algo que dá arrepios até nos mais devotos votos de castidade do planeta.









DREAMING tem toda uma aura funk soul brother irressistível. Mais uma vez a voz se impõe com força de meteroro prestes a colidir com seu corpo indefeso. O disco ainda está na década de oitenta e essa canção lembra coisas de bandas como o Pet Shop Boys ou o Erasure. O fato da canção ser um pouco mais cadênciada não impede que as levadas maquinárias sejam gratuitas, mas sim trazem um pouco mais de complexidade certeira. Mas o que importa é a diversão.......
O pianinho de HEAD FIRST daria orgulho ao ABBA e uma conotação feita por um dos sintetizadores entre as frases da canção, foi tirada das baladas amorosamente melosas das bandas de um hit só dos anos passados. Se a música anterior era uma diminuição do ritmo do disco, essa canção definitivamente faz tudo ir mais devagar.
Tomou uma balinha???
Agora é a hora da água........
Não tomou????
Então nesse momento é a hora da dança da vassoura, prepare-se para ficar com aquela menina que você há tempos está querendo. A trilha sonora vai garantir momentos onde provavelmente apenas existirão apenas vocês dois e o mundo vai girar devagar.........

HUNT vem à seguir e se você está procurando mais diversão terá que esperar mais um pouco. Nesses quatro minutos e trinta e quatro segundos, a voz de Allison sussurra histórias de amor com estranhos acordes. Ambiental demais com uma cadência de mistura muito maior, o que faz com que essa música mesmo sendo bela canção seja menos dançante. mas o que ela perde em diversão, ganha em nuances em viagens que vão desde Kraftwerk até a mais pop das bandas atuais. O vocal em névoa dessa canção faz uma trilha para os ecos no final de casa frase, escute então de olhos fechados e volte a escutá-la quando sair o remix. Esse sim nasceu para ser mexido e remexido.
SHY AND HARM volta a dar sinais de que o pessoal vai cair na pista novamente. As bandas de pop rock indie que procuram uma boa canção para fazer uma cover, podem escolher sem medo a sétima canção de Head First. Redondinha como toda a canção pop deve ser, mas com o ritmo hipnótico dos sintetizadores e as viradas no refrão, é uma aula de como se faz uma canção pop com o cérebro. E eu não ia falar de novo mas............essa voz da Allison!!!!!!!!!









Potente como um labirinto tecnológico onde as cores se confundem com as máquinas fazendo com todas elas envolvam em seus braços os mais incrédulos humanos. I WANNA LIVE se fosse lançada em 1981 ou 89, entraria facilmente nas listas das melhores músicas do ano. E isso não quer dizer que o som é datado, mesmo deixando a impressão de que o Goldfrapp inova sem tentar chegar a lugares muito diferentes. O som poderia também se encaixar em qualquer disco da banda anterior à Head First, mas não joga contra o time.....









VOICETHING encerra o disco com início mais pesado. A introdução lisérgica e segura faz com que sua audição se vire para prestar atenção aos teclados de filmes de ficção científica dessa canção. Com citações à Bjork muito sutis e experimentações, é a música mais difícil do disco e comparativamente falando se encaixa no mesmo filão de Siberian Breaks do MGMT. Canção um pouco mais longa onde as experimentações são a tônica, o que pode ser um tiro certeiro dentro da água ou uma viagem musical mais agradável. O fato da música não ter doze minutos, faz com que ela seja apenas descartável.

HEAD FIRST não é nem vai ser o melhor disco do ano. Muito menos levou a música eletrônica à um novo patamar de maestria, mesmo porque os mais ranzinzas vão achar que o disco é bom até Alive e depois cai na armadilha das citações e movimentos contrários. Mas já é um bom remédio em uma tarde cinza daquelas que você está parado no trânsito, de saco cheio de seu chefe e do apressadinho que não para de buzinar na sua traseira. Ligue Goldfrapp bem alto e espere.......
Um minuto e meio depois as portas dos carros se abrirão e as pessoas começaram a dançar na avenida enquanto foguetes supersônicos deixam no ar uma trilha de ácido ligados em alegria e sorrisos........

GD 31 HOMENAGENS DISFARÇADAS E NOTAS CEREBRAIS DILACERANTES


Estamos vivendo em uma época onde o plágio barato é uma das ações mais recorrentes dentro dessa tela plana onde residem blogs, flogs, logs, esnobes e informes binários. Muita gente que escreve sofreu com isso. Aliás onde está a tão esperada resposta da Editora "denunciada" pela blogueira Denise Bottman do Não Gosto Plágio?
Provavelmente no mesmo lugar onde moram os duendes que roubam meus isqueiros e minhas canetas, mas uma coisa é certa a legião dos adeptos ao control V / control C cresce a cada dia. Rock In Press e Em Busca da Risada Perfeita também sofreram com isso. Nessas horas é ótimo ser apenas um bêbado anônimo.......
Mas e quando a pessoa já de saída diz que tudo não passa de uma homenagem????

Como é que você vai mensurar a capacidade criativa de alguém, quando essa pessoa deslavadamente copia uma coisa que já existia e coloca a palavra homenagem na frente da frase??
Aí em seu cérebro pollyniano fica a sensação de que por mais que se tente evitar, as cópias estão aí para o bem ou para o mal. Nem o Damon Albarn escapou de uma polêmica quando o Sr. Eddie Grant começou a dizer que a música Styllo do Gorillaz era uma cópia deslavada de uma canção sua. Mas se isso for até o fim com Damon é simples:
Coloca a palavra homenagem na frente......
Do mesmo jeito que a banda LONE WOLF fez com o vídeo da canção Keep Your Eyes On The Road. Na verdade Lone Wolf é o pseudônimo adotado pelo compositor de Leeds, Paul Marshall para as gravações de seu mais recente trabalho The Devil and I. O disco todo é pautado em mudanças de direções nas músicas e passagens que tornam a audição das mesmas um belo exercício de beleza auditiva. Se você levar em conta a canção em si, acaba até esquecendo que o videoclip não tem nenhuma idéia original e que realmente a palavra homenagem cabe no contexto. Então agora sem radicalização do conceito de plágio, fica mais fácil achar o clip uma idéia genial. Ou pelo menos uma "homenagem" genial. A notícia do videoclip nem é nova, mas é bom saber quando pessoas conseguem realizar batidas tão belas em formas de desconexas imagens. Confere aí embaixo o clip novo do Lone Wolf e depois seu homenageado.......




Quem está longe da plalvra plágio é a banda de Atlanta, SNOWDEN. A formação e divisão de tarefas é essa aqui:

Jordan Jeffares (vocais, guitarras, teclados), Chandler Rentz (bateria, vocais, samplers e café), Corinne Lee (baixo, vocais, teclados e figurino) e David Payne (guitarra e sudoku).
A banda que apresenta sons originários das mais internas conexões neuronais, mostra sempre uma nova direção em cada nota. Influenciados claramente pelo lado muito mais matemático e soturno dos sons nascidos no final dos 80, mantém uma linha que já é conhecida por bandas como o sensacional The XX. Experiências que transcendem apenas uma audição mastigada e única, com os vocais se amalgamando em notas desconexas com as guitarras detalhadas e batidas hipnóticas. Com linhas melódicas de congelar o sangue dentro de uma máquina de algodão doce que produz apenas o açucarado confeito em cores fortes, a banda acaba de lançar mais um EP ( Slow Soft Syrup). Marcantes canções em um mar de hipnode coletiva
Ouça com urgência eplética......








DON'T REALLY KNOW ME









ANEMONE ARMS









NO WORDS NO MORE


Se você gostou da banda corre lá baxar o EP AQUI........

Vamos alí atrás de alimento e mais tarde Allison........
Não aquela do Jordy!!!!!

GD 31 POR UMA LEGIÃO DE ASAS NEGRAS MAIS VINGADORAS

Eles estavam um pouco desaparecidos, mas sempre por perto.......
Essa semana saiu o single novo dos Arctic Monkeys. A música da vez é My Propeller, que abre o estranhamente bacana HUMBUG que ainda rende conversas por aí. O vídeo da canção tem todo um ar de clips do Queens Of The Stone Age, com animações fantasmagóricas e mulheres em detalhes. A canção é uma das preferidas do disco e o clip você vê aqui:



Semana marcada por perdas irreparáveis e anúncios de voltas do além. Tudo envolto por um dos festivais mais bacanas do semestre, o South By Southwest.

E hoje no quesito voltas, uma das mais pesadas bandas do mundo eletro-punk-casa- mal assombrada-batidas psicóticas, colocou na rede o single que marca seu retorno. A banda é ATARI TEENAGE RIOT.
Nascidos em 1992 o quarteto alemão formado por Hanian Elias, Alec Empire, Nic Endo e Carl Crack já conseguiu com o primeiro single chamar a atenção não somente para o som da banda, um conglomerado de samplers somados a gritos dinamitados por gargantas em forma de lâminas afiadas. As batidas frenéticas que lembravam muito mais o grind core do que o próprio punk eram mantras regados à mensagens anti quase tudo: facismo, racismo, nazismo.
Era só escolher o movimento politicamente incorreto que a banda se posicionava contra. E deixava isso extremamente claro. Uma das primeiras músicas se chamava Hunt Down The Nazis, algo como Caçar Os Nazistas. Nem precisa dizer que gerou uma senhora controvérsia.......
E as coisas não pararam por aí. Quase todos os shows da banda terminavam em confusão, muitas vezes envolvendo os fãs da banda e a polícia, afinal de contas imagine alguém que toca contra todas a instituições com letras raivosas e um som que era capaz de estourar as caixas de som. Não podia acontecer outra coisa se não cenas de pura Revolution Action........
A banda inclusive chegou a ser investigada pelo serviço secrreto alemão por ser considerada perigosa demais, mas o único problema que corria era o vício em cocaína de Carl que morreu aos trinta anos por overdose.
Em 2010 a banda esstá de volta. Disco novo vem por aí, mas o single que marca esse retorno é a canção não menos perigosa ACTIVATE!!!!
Tudo no seu devido lugar, mesmo as vozes não sendo ainda esmigalhadas por navalhas como no começo da banda. Mas algo se mantém pulsando como uma legião de anjos vingadores com asas negras e espadas flamejantes banhadas em sangue dos incrédulos. A atitude do ATR, essa sim muito mais que bem vinda.
Ouça aqui no GD em primeira mão o novo petardo.....