sábado, 30 de outubro de 2010

GD 64 O BEM DA ESTRADA....


Às vésperas do segundo turno, a ligeira e barrettiana lisergia do Tame Impala embalou o caminho até o Clube Outs, onde os entrevistados da última Conversa Paralela, voltariam aos palcos da capital. Uma turnê pelo sul do país no melhor estilo punk de sobrevivência na estrada, teria seu show derradeiro nos palcos da cidade. E mesmo depois do tempo longe, os fãs da banda pareciam desprovidos de qualquer tentativa de antecipação.

Mas antes de Aurélio e Seus Cometas tomarem de assalto o terreno sagrado do palco, duas bandas que estão em seus primeiros passos dentro desse mundo quadrilátero do rock, apresentariam-se. A Bratislava, com aquele sempre elegante atraso dos shows no Outs, iniciou sua apresentação embalados pelo clima de primeira vez. O trio que foi um dos escolhidos pelos integrantes do Aurélio para abrirem a festa é uma banda extremente sóbria, daquelas que entram em um processo de imersão durante os shows. Concentrados e com uma qualidade musical acima da média, mesmo o som da casa ainda fora de tonalidades, a banda destilou um repertório que apesar da pouca idade dos integrantes, era de gente grande.


Sem medo de comparações foram de Arctic Monkeys à Beatles (I Want You / She's so Heavy) com desenvoltura. Mas foram melhores quando mostraram-se eles mesmos. As duas composições próprias apresentadas pela Bratislava são suaves e precisas. Viajando pelo rock folk dos anos anteriores aos internéticos, com uma gaita fazendo um fundo para melodias de acalento aos ouvidos. No meio do caminho Jorge Maravilha de Chico Buarque amalgamada com Erasmo Carlos e Pode Vir Quente Que Eu Estou Fervendo. Mesmo com os escorregões naturais da estréia, uma banda que cresce quando mostra a sua identidade. Natural da idade e situação em descobrir o caminho, mas sempre buscando a própria voz.


Todo o sentimento contido da primeira atração foi arrancado à fórceps pela banda Hedonic. O quinteto esperava pacientemente sua vez ao lado do palco. Uma impressão de armada formando-se na lateral era palpável. Ao subirem e posicionarem-se, a primeira imagem que recobre os giros do cíngulo cerebrais é de um pelotão de fuzilamento munido de armamento pesado, escorrendo pequenas gotas de sangue de batalhas anteriores nas lâminas ainda em brasa. A bateria envolta em aura de isolamento térmico, comanda a distorção e solos de garagem. A banda toca e sente cada palavra e acorde do repertório que iniciou-se com I Am The Walrus (na versão mais Oasis) e apresentou também canções próprias. A Hedonic tem uma peculiaridade, a atitude de todos os integrantes é forte. Mexem com o público como se encarassem uma batalha pelas almas de cada um dos presentes, mas o vocalista é uma caso à parte.

Um misto transloucado de frontman pronto para grandes shows e uma atitude que provavelmente leva a platéia a acreditar que seu sobrenome é Gallagher. Pula, dança desconvexamente, com uma leve marra quase desmedida. Foge do esteriótipo de calças coloridas do rock produzido nas nossas terras pau-brasilienses. Mesmo caindo em outros, não pode-se acusar a banda de não possuir atitude de sobra no rock.


E assim com duas atrações que deixaram o clima em verão meridiano, Aurélio e Seus Cometas começaram o show com uma aura diferente.
Existem bandas que quando saem, voltam diferentes. A estrada faz com que ganhe-se uma ginga e durante o show essa sensação é explícita. Como se fosse possível um trio que já é redondo, tornar-se mais exato e poderoso. Durante o set list, com canções do disco mais recente e também do primeiro, AESC mostra que a banda está preenchendo mais o palco, tornando o som muito mais poderoso e definitivamente mais rápido. Clube dos Descontentes, Deixa Entrar e De Sexta a Segunda tornam-se mais visceralmente aceleradas e o som torna-se mais pesado. A banda parece ter ganho muito mais coração e corpo depois da turnê. Um show maduro de uma banda que conta com os cada vez mais vulcânicos Pedro e Mogli Kid e um dos mais carismáticos e talentosos vocalistas do cenário, Emir.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

GD 64 DEUS NOS ODEIA CAP. 2

Difícil entender o que está acontecendo. Muito pior é saber qual é o critério para que divida-se o politicamente incorreto da agressão gratuita e física. Nunca na história desse país, como nosso presidente vangloria-se, existiram histórias tão absurdas. E todas são a mesma face da moeda.

Primeiro conheça Chantal Dalmass. Escritora, com dois livros publicados, uma série de contos com qualidade de sobra. Seu livro Mentiras e Confissões (Todas as serpentes do paraíso & outras histórias), foi colocado no limbo pela Editora Planeta e como todas as coisas que ficam paradas, os exemplares (quase 2100) iriam ser literalmente queimados. A autora não vendo outra alternativa, agora distribui os livros de graça pela cidade de São Paulo. Não ganha absolutamente nenhum tostão furado, mas faz com que sua arte tenha o objetivo primordial alcançado. Mas quem determina o extermínio? Aliás por que determinar o extermínio?
Livros e idéias tem que ser disseminadas como virose que invade cada centímetro de epiderme carcomida por um marasmo pusilânime. Não adianta nada dizer que apoia a cultura e deixar esse tipo de coisa acontecer no país. O blog GD vai conversar essa semana com a autora nas conversas paralelas e voltaremos ao assunto.

Agora conheça Monteiro Lobato...
Desde de que existe algo que costumeiramente chama-se infância, reside em nossas leves e desprovidas almas em folha branca sartreana, as histórias do autor de Sítio do Pica Pau Amarelo. Pode-se até criticar a obra de Lobato, por não ter apelo político de esquerda para uma época onde era necessário uma posição. E mesmo quem criticava não atentava-se ao fato de que as obras eram revolucionárias. O Poço do Visconde, Os Doze Trabalhos de Hércules são livros primorosos. Isso sem contar os que escreveu para o público adulto. O Macaco Que Se Fez Homem, Negrinha (um livro de contos) e muitos outros, são pérolas.
E não é que querem ao invés de capacitar os professores para que expliquem aos alunos o contexto histórico de quando foram escritos e o porque das expressões  "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão", ou  "Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens", preferem taxar o livro As Caçadas de Pedrinho como racista e retirar de circulação nas escolas. Isso é o equivalente à dizer que é necessário queimar todos os Mein Kampf para que o nazismo não retorne da tumba da Segunda Guerra.

Os livros não são racistas, as pessoas sim. A falta de entendimento e ensinamento sobre as coisas, prolifera idéias xenofóbicas. A escrita é a maior expressão de liberdade que um ser humano pode ter. Linhas mal traçadas ou genialmente postadas são uma benção libertária tão profunda de alma que deveria ser obrigatório nas escolas um dia só para a prática de redação e leitura. Como privar as pessoas de uma obra tão grande sob a acusação de racismo, que não existe. E se fosse real, daria uma bela oportunidade para que os professores ensinassem as crianças coisas sobre arquétipos e esteriótipos. Uma introdução junguiniana não faria mal a ninguém.

Mas educar dá trabalho....

Talvez isso explique o porque dessa terceira apresentação...

Conheça os universitários brasileiros (não todos, mas a parte podre).
Estavam nos chamados jogos universitários de uma das mais renomadas instituições de ensino nacional (Unesp). Quem já foi à um evento desse porte, sabe que é como tudo na vida, sexo drogas e os que não fazem nada disso. Mas dessa vez uma casta amoral e acéfala resolveu brincar em um "esporte" chamado RODEIO DE GORDAS. Uma prática relativamente nova que consiste em subir nas costas de pessoas obesas e fazer com que elas carreguem nas costas os "peões". Tudo isso ao som de frases amorosas como:
"Galopa sua gorda!!!!"
"Pula baleia!!!"
"Pula gorda bandida!!"

Atitudes embasadas com comentários dos mais diversos espalhados pela internet. Frases que possuem as expressões "achamos uma utilidade para essa raça do inferno".

O problema nem é o fato quase absurdamente nonsense de jovens pessoas que são educadas nas melhores escolas comportarem-se como animais. O que espanta é a confusão entre o conceito de politicamente incorreto e agressão. Fazer uma piada sobre gordinhos é uma coisa, agora subir nas costas de outro ser humano, usa-lo como meio de transporte e ainda por cima ofende-lo verbalmente é a inversão total de valores. Como é possível tratar pessoas obesas como se fossem animais?

Não é possível essa juventude fazer vídeos que deixam claro o lado racista e segregacional de um dos candidatos á presidência e saber depois que a mesma juventude tem atitudes nazistas como essa. Isso leva-nos à entender que a educação está longe de ser assunto resolvido nesse país.

E o pior é que o Brasil será sempre um país racista e xenofóbico que se esconde atrás de imagens lindas das novelas às oito horas. Esse mesmo país que é negro de alma e cultura, mas nega que seja.  Buscamos ser mais parecidos com nossos colonizadores europeus, os que estupraram nossas índias e roubaram nossas árvores. Não nos espelhamos na cultura de luta e ricamente folclórica negra. Queremos ser yankes, deuses do rodeio. Peões dourados em canções sertanejas que estão longe de refletirem a tristeza do Jeca real.
O problema é que esses mesmo imbecis esquecem que os peões são na verdade manipulados por fios, grudados nas mãos de uma sociedade racista. Quem sobe nas costas de uma gordinha, não passa de massa de manobra da indústria de carne moída e podre, que constrói tijolos para o muro.

Não pense você que nos grandes campos de concentração as pessoas não eram tratadas como animais, é o mesmo método. É nojento saber que esses universitários serão os próximos médicos, advogados, deputados, senadores de um país.

Mas não é difícil de entender esse dinâmica em um país onde editoras queimam livros, os orgãos públicos antes de educar querem censurar e a população endeusa (fez até filme sobre ele) um curandeiro que era um caso de esquizofrenia ambulante.

DEUS NOS ODEIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

GD 64 ANTES QUE O ANO ACABE

2010 acabando, as milhares de listas com os melhores de cada categoria começam a aparecer em cada canto. Músicas, discos, sites, livros, fogões e fornos micro-ondas. Tudo acaba rodando por aí. Mas existem sempre aqueles lados bês que passam desapercebidos. Então eis a contribuição deste blog para que nada se perca pelo caminho. Uma pequena lista com seis opções que rodam um pouco mais nos arrebaldes da chamada lava central das listas de fim de ano. Mas ouça antes que o ano acabe.

YOUNG MAMMALS / Carrots.
A banda de Houston se não é a maior surpresa do ano, perde nesse quesito apenas para o Tame Impala. Mistura cataclísmica de lugares onde o som pode ser claustrofóbico e os instrumentos usados para esse efeito, não são nada além dos gritos dos integrantes. Da surf music até a mozartiana loucura de cores flutuantes em ácidos, esse meninos (literalmente, pois a média da banda é de 20 anos) provam que começar bem é apenas questão de talento.




NO BUNNY / First Blood
 Imagine Iggy Pop e Jim Morrison beberrão e barrigudo, somado à uma sonoridade punk cheia de velocidade e loucura. Atrás da máscara de coelho suja e de seus saltos altos, o vocalista e guitarrista Justin Chaplin gravou um disco que é a síntese de tudo aquilo que os Ramones pregavam desde os primórdios. Distorção e diversão. A canção que fecha a bolacha I Was (at the Bozo show) é uma das mais hilárias desse ano.




SKY LARKIN / Kaleide

Dificilmente esse ano uma banda que tem na linha de frente uma vocalista, vai apresentar a força desse trio de Leeds. Cidade aliás que anda mandando pelo mundo outra banda que tem um dos discos mais barulhentos do ano, o Dinosaur Pile Up. Mas a mistura de peso e a voz lascerante de Katie Harkin garantem que o Sky Larkin matenha seus ouvidos e pés completamente acachapados em nuvens de movimento caótico e feliz. Pop rock com uma qualidade muito acima da média.



ASA / Beautiful Imperfection
Definitivamente esse foi o ano das cantoras. Milhares afloraram tanto aqui no Brasil, quanto nas terras além mar. Essa nigeriana vem de mansinho desde o ano de 2008, quando lançou um disco onde falava sobre guerras civis com uma voz de anjo perdido. Essa nova bolacha disparada oficialmente há dois dias tem a receita soul e R&B decorada de cor e salteado, mas a voz de Asa é algo que não está nos patamares normais. É milhares de equações ventriculares acima, formando um dos discos mais bonitos desse ano.


BEAST MAKE BOMB / Skinny Legs

Na verdade um EP cheio de riffs grudentos e canções que possuem uma qualidade assoviável que chega de mansinho e faz com que por exemplo na audição de Zombie Song, seus tímpanos estejam sangrando clamando por mais acordes. Uma literal surpresa por entre os milhares.




ZACK HILL / Face Tat
Não existe ponto inicial ou tentativa de definição do novo disco do baterista virtuose. Talvez a citabilidade mais próxima seja Frank Zappa somado à anfetaminas. Canções que enveredam para a grande estrada do psicodelismo, mas ao mesmo tempo passam pelo jazz, rap, disco music e ritmos tribais. E isso sem dissecar o disco por longas linhas. Face Tat se colocado em falantes no volume máximo provavelmente desencadearia reações sísmicas nos corações mais fracos. A faixa The Primitive Talk dá uma idéia do que acontece quando esse músico resolve ser lisérgico e pop ao mesmo tempo. Medieval...

GD 64 PORQUE PIXIES É A MAIOR BANDA DO MUNDO....


Houve uma época onde eu achava os Arctic Monkeys a melhor banda do mundo.

Eu era um idiota...

Sim, eu mantinha minha cabeça em um confessionário cheio de falsas primícias radiantes com a minha estriônica falta de tato. Demorei para descobrir uma pequena verdade, que como todo hipócrita com o ego inflado, não era capaz de entender. Na verdade a melhor banda do mundo é aquela que nasceu em Boston em 1986, sob o signo de PIXIES.
Seria desnecessário listar tópicos por entre os quais uma pretensa identidade musical destacaria-se em benefício próprio. Muito mais interessante é descrever inicialmente algo que vi e senti com meus próprios olhos.

Quando li na NME que o líder da banda Frank Black, declarou que o retorno dos Pixies aos palcos seria apenas movido pelo dinheiro, algo me soou um pouco cínico demais. Uma falsidade não ideológica de um senhor, que um dia foi responsável por influenciar desde Nirvana até os próprios Arctic Monkeys.

Confesso que decepcionei-me deveras com a frase dele. Mas esse ano eu percebi que na verdade, o vocalista dos Pixies, é nada mais ou menos do que genial. E ainda bem que a volta deles foi por causa do dinheiro. Pois as ideologias do mundo do rock e de suas estrelas, são cada vez mais falidas. Não é de hoje que músico quando entra para politizar pesado, acaba ou tornando-se um chato (Bono Vox, que ao mesmo tempo é hipócrita, pois briga pela fome do mundo e não foi capaz e abaixar o preço dos ingressos do show de sua banda), ou torna-se um enganado (Sting, Tom Morello). Por isso os Pixies são geniais. Não querem salvar o mundo, querem ganhar um trocado e só. Ideologias falidas, não obrigado.


 Depois que não existe uma só banda atualmente que tenha em seu set list uma quantidade de músicas tão históricas quanto eles. O show caça níqueis do Brasil, mostrou que a banda que tocava alto e rápido (e ainda o faz), tem um set list tão histórico, que deveria ser denominado patrimônio. Sejam as mais sujas ou as mais dançantes, Pixies é uma banda que não apenas tem discos e canções. Possuem atestados de evolução musical, copiados ao extremo por muita gente que veio depois e que ainda copia.
Somente uma banda como essa, poderia depois de dez anos de seu término oficial, montar um site novo ( http://www.lalapixiesloveyou.com/) e causar o tumulto que causou por um arquivo gratuito de mp3 de um show no festival Coachella de 2004.


 Mas o que faz a banda ser a melhor do mundo, é que ela escapa de todo o tipo de hype. Nunca entregou-se ao modismo fácil, nem quando gostar de Pixies era premissa para ser descolado nas rodinhas indies. Na primeira encarnação da banda, em seu último disco (Trompe Le Monde), existe uma canção chamada U-Mass. Dedicada aos alunos da Universidade de Massachusets, a letra é irônica e ácida em relação ao hype, criticando seu próprio público. Com o término do quarteto, tudo poderia tornar-se uma onda saudosista demais e causar mais comoção. Mas gostar de Pixies nunca foi algo generalizado, mesmo entre o povo indie, então esse hype após o fim não aconteceu. Não teve saudosismo, pois os projetos de Frank sempre foram sensacionais, assim como os The Breeders de Kim Deal. Somente em uma banda como essa, David Lovering após o fim, poderia tornar-se mágico e Joey Santiago mesmo tocando nos discos solo de Black, jamais deixou a sombra dos Pixies no meio do caminho.

A conversa que eu tive hoje à tarde resume bem o quanto a genialidade dos Pixies é transcendente.
Atrás da mesa, com o som do computador ligado, uma menina passa e troca algumas palavras. Uma das afirmações me para:
"Nossa eu odeio músicas assim." (A música assim é Tame).
"Do que você gosta?"
"Ahhhh!!! Eu gosto de Seu Jorge, The Killers (o mais novo), Capital Inicial, Ivete Sangalo, Black Eye Peas, rock, essas coisas todas. Você conhece o Vegas, eu vou muito lá às quintas"
"E você nunca ouviu eles tocarem Pixies lá no Vegas???"
"Ah não eu não gosto desse tipo de música pesad.....ai aumenta o som eu AMOOOOOOOO isso!!!!!"

Era Here Comes Your Man...

GD 64 DOS LIVROS, AMANTES E AMIGOS...

 Patti Smith na sua tenra idade era uma menina persistente. Perambulando pelas ruelas de uma Nova Yorke quase sitiada no final dos anos 60. Imagens mostram isso em quase todas as filmagens da época, onde o rock progressivo era uma das coisas mais insuportáveis da humanidade.
Não o progressivo seminal de bandas como Jefferson Airplane, Floyd, Beatles e até mesmo os Beach Boys, mas aqueles solos intermináveis de bandas como ELP, Yes e seus homônimos.
Uma cidade que clamava mudanças sonoras, do mesmo jeito que São Paulo entre o meio dos anos 70 e começo dos anos 80, um pouco antes do começo do fim do mundo. Tanto lá quanto cá, as duas cidades careciam de uma octaedracubana lava que estava prestes a escorrer por veias abertas da mesmice.



Mas voltando à Patti....
Ela sempre possuiu uma aura de dna marginal corroendo entranhas e sempre esteve muito à frente de seu tempo, no quesito feminismo. Se a genética mãe dos movimentos contra o machismo dentro do rock for garimpada, Patti Smith é um dos pilares. Poetisa, escritora e compositora em uma época onde a visceralidade comandava. E um de seus primeiros parceiros foi um outro poeta e fotógrafo chamado Robert Mapplethorpe.
Robert é um dos primeiros artistas marginais da cultura punk. Engana-se quem acha que o movimento musical ocorreu apenas no quesito notas. Toda uma geração de escritores, músicos, atores, fotógrafos e cineastas foram influenciados e ajudaram a construir a cena. Mapplethorpe é um deles.

Iniciando sua vida como fotógrafo e escrevendo poemas junto com Patti, os dois apresentavem-se em lobbys de hotéis onde poetas declamavam suas obras. Patti Smith começou no teatro e passou a fazer parte desses sarais. Os dois namoravam nesse tempo, antes de Robert descobrir-se gay e tornar-se amigo de Patti. É dele a foto da capa do genial Horses, disco dela. Depois da separação artística (ela na música, ele nos retratos), os dois sempre estiveram unidos pela amizade.

As memórias da cantora dos tempos onde Rimbaud fazia a trilha no Chelsea Hotel, estão no livro JUST KIDS. Uma visão das memórias de Smith da relação com Robert e de tudo o que eles fizeram na época. O livro pode ser lido diretamente na internet através da plataforma e-pubb Reader. Uma leitura imperdível sobre dois jovens descobrindo o mundo cheio de som, poesia e fúria que mudariam eternamente suas vidas e as nossas.

GD 64 INTERPOL...

O disco até pode não ter sido um dos melhores, mas quem já gravou Antics e Our Love To Admire tem uma certa moral. O Interpol ontem apareceu no programa de Carson Daly tocando as duas faixas mais bacanas do disco novo. BARRICADE e LIGHTS. Confere..



quarta-feira, 27 de outubro de 2010

GD 64 RESGATES...

 O ano era 1995. O mundo da música ainda sentia a morte de Kurt Cobain quando essas duas lendas resolveram excursionar juntas.
David Bowie é conhecido por andar "on the wild side". Foi assim em 1969 quando foi aos Estados Unidos promover seu disco e acabou sequestrando Iggy e os Stooges. Essa primeira visita ao lado vulcânico da força, resultou na produção de RAW POWER (relançado esse ano com extras ao vivo sensacionais). Os encontros pelos entrecantos calamitosos do rock, faziam com que o cantor pudesse produzir pérolas como por exemplo essa, que é talvez a canção mais regravada de Bowie (aqui em uma versão inédita). Rebel Rebel tem um riff pesado e a mistura com a disco music é genial.



O outro vértice desse desenho era um músico que já em 1995 era uma das referências do chamado metal industrial, misturando a eletrônica com convulsões catódicas e letras que clamavam trepadas iguais aos animais. Trent Reznor e seu NIN já consolidava-se como um dos grandes nomes do rock pesado. Então nada melhor que esses dois encontrarem-se.
O esquema era esse: cada músico e suas bandas tocavam um show completo, juntos na metade da noite dividiam o palco e as canções, depois o outro fechava o show. Naquele ano o NIN estava promovendo o sensacional The Downward Spiral.

Durante anos as gravações desses shows ficaram escondidas. Dentro da vida binária apenas algumas com baixa qualidade ou caseiras, até que dois meses atrás o site The NIN Facts alardeou que vídeos sobre esses shows estariam inclusive prontos e editados. Algum tempo depois, no site VIMEO, a página pessoal de um editor de cinema chamado David Williams estava repleta de pequenos clips das apresentações de David Bowie e NIN.

Williams, que trabalhou com Anton Corbijn em vídeos do Depeche Mode, não detalhou muita coisa, a não ser o fato de que estava trabalhando em conjunto com o diretor Jim Gable, no que foi definido como um mini documentário. O fato é que, esses achados são raridades muito bem filmadas que revelam uma das melhores turnês de todos os tempos. Nessas pequenas pérolas, uma versão matadora com Bowie e Trent da canção Hurt, passando por Halo Space Boy, Heart's Filfthy Lesson, Wish e mais 39 minutos da apresentação.
Histórico ou não???









GD 64 SPOILERS ATERRORIZANTES...



Um dos grandes blogs desse mundo virtual o DANGEROUS MINDS BLOG, que conta com a participação dos gênios Marc Campbell e Richard Metzger, postou hoje sobre o mais novo filme do diretor DANNY BOYLE.

127 HOURS já apareceu aqui no GD pelo angustiante trailer (CORRE AQUI). A história contada é a recriação do acidente envolvendo Aron Ralston, que permaneceu preso dentro de um rochedo claustrofóbico e para não morrer embaixo das pedras, realizou talvez o maior sacrifício que um ser humano pode fazer em si mesmo. O Dangerous Minds assistiu ao filme e conta a experiência de ver a cena mais aterrorizante do cinema em 2010. O blog também descreve a atuação de James Franco (que fica mais evidente nesse segundo trailer), mas o mais aterrorizante não são os fotogramas de Boyle.

Existe um vídeo do próprio Aron recriando a cena. Se você não importa-se em ver o spoiler real, assista. Mas já saiba que sem nenhum efeito especial e apenas contando com as palavras e as imagens que serão formadas dentro de sua cabeça, a sensação de remexer-se na cadeira e o terror serão reais.
Desde já quero assistir....

GD 64 O ANO DAS COVERS...

2010 parece ser o ano formado por um segundo semestre de covers. Toda a semana aparece uma banda nova com uma versão para uma música de sebo. Muitas delas são sensacionais, outras nem tanto (Weezer cantando Toni Braxton tal e etc). Mas existem projetos e projetos...
Um deles é a coletânea que hoje apresentou sua canção final, fechando o track list com 10 bandas alternativas atuais, compondo versões para 10 artistas do passado. Quem está produzindo esse registro é a marca de calçados DR. MARTEN, que comemorando seus 50 anos resolveu (como também a marca de jeans Lewis) montar uma coletânea.

O disco que poderia ser baixado no site oficial, agora conta apenas com algumas canções disponíveis para download, mas os nomes que participaram valem à pena uma corrida em direção ao sítio. BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB, N.A.S.A., THE RAVEONETTES, NOISETTES, THE DUKE SPIRIT e outros trocaram figurinhas entre os acordes. E a última banda a produzir uma cover foi a dupla VERBAL e YOON.
O duo de eletro rock nervoso fez uma versão para a não menos seminal Cherrie Bomb das RUNAWAYS.
Dá uma corrida no site e faça o download da canção, que mesmo não salvando o rock, garante que você passe minutos explosivos. E abaixo veja o clip de Verbal e Yonn assim como The Raveonettes na versão que a banda fez para o clássico dos STONES ROSES, I Wanna Be Adore.



GD 64 RAPIDINHAS.....

Garrote preso, uma veia saltando por entre a epiderme rígida. O contato com a agulha despeja uma onda de calor que pulsa na parte interior do vaso pinçado. A veia dilata-se e recebe a dose como uma amante. Nesse momento a velocidade do tempo é contada em stop motion. E de repente tudo se torna rápido demais....
Assim são essas duas notas....


01) OS MUTANTES ganharão tributo gravado por artistas latino americanos. A banda brasileira de rock mais influente de todos os tempos, que atualmente está em turnê com MAGIC KIDS e ARIEL PINK, receberá o presente de nomes como Café Tacuba e Aterciopelados, no dia 09 de novembro. O track list é esse:

1. “Ave Lucifer” (La Manzana Cromática Protoplasmática)
2. “Vida De Cachorro” (Aterciopelados + Sergio Días)
3. “Hey Boy” (Rosal)
4. “Beso Exagerado” (Martín Buscaglia)
5. “O Relogio” (Café Tacuba)
6. “2001” (Raúl Refree)
7. “Beija-Me Amor” (Liliana Herrero + Arnaldo Antunes)
8. “El Justiciero” (Omar Giammarco)
9. “Mutantes E Seus Cometas No Pais Dos Baurets” (Fernando Cabrera)
10. “No Te Vas A Perder Por Ahí” (Pablo Dacal)
11. “Cualquier Bobada” (Manuel Onis)
12. “Balada Del Loco” (La Chicana)
13. “Minha Menina” (Fito Paez)
14. “Disculpe, Babe” (Silvia Perez)
15. “Panis Et Circenses” (Pequeña Orquesta Reincidentes)
16. “Fuga N II” (Ana Prada)
17. “Baby” (Carlos Casacuberta)
18. “E Seus Cometas No País Do Baurets” (Asdrúbal)

Como sempre "muitos" artistas brasileiros homenageando os Mutantes...


02) MOGWAI que nem ao menos descansou o cadáver do espetaculares disco e dvd ao vivo (resenha lá do comparsa DISCO POPS), já anuncia novo trabalho. Hardcore Will Never Die, But You Will tem lançamento previsto para 14 de fevereiro de 2011. Além do disco novo, lançará um EP com apenas uma canção de 26 minutos intitulada The Shining Mountain. Se os registros nascerem com metade da energia anfetamínica de Special Moves, então a humanidade está salva. O track list do novo trabalho é esse:

'White Noise Mexican'
'Grand Prix'
'Rano Pano'
'Death Rays'
'San Pedro'
'Letters To The Metro'
'George Square Thatcher'
'Death Party How To Be A Werewolf'
'Too Raging To Cheers'
'You're Lionel Richie'

terça-feira, 26 de outubro de 2010

GD 64 MELODIAS ELEVADAS....

 Se o inverno russo é considerado um dos mais tenebrosos, também é conhecido por ser um dos mais belos em toda a esfera terrestre. Isso talvez explique o trabalho da banda MOTORAMA, nascida no lado mais lateral do Oriente e navegadora de delicadas calotas de gelo, que lentamente derretem-se em sons vindos do pós punk inglês.

ALPS o disco de estréia da banda que veio de Rostov-on-Don, é ao mesmo tempo efêmero e marcante. Nove canções com uma totalidade de aproximadamente trinta e seis minutos e colocado dentro da internet gratuitamente. Uma experiência assim poderia ser apenas passageira nuvem binária de arquivos de som, mas a beleza desse registro ultrapassa a mesmice de um download rápido. Como já dizia Tulipa Ruiz, as coisas "que passam perecíveis e acabam, se despedem, mas eu nunca me esqueço".

A Motorama (que tem esse nome dado por um amigo), seria facilmente confundida com qualquer banda categorizada como rock alternativo. Exemplos para esse tipo de comparação não faltam, afinal de contas The Pains Of Being Pure At Heart ou Camera Obscura também são bandas admiradas pelo quinteto, mas a audição atenta de Alps revela algo muito mais profundo do que apenas um espelho pálido refletindo sombras.


Desde a faixa inicial (Nothern Seaside) as influências mais densas de materiais vindos de lugares como a cidade de Manchester, revelam que a banda possui algo maior do que uma simples fenocópia. A melancolia sentida em cada entonação do vocalista Vladislav Parshin revela toda a dor do pós punk inglês nos anos 80. E se você quiser adjetivar, pode usar o termo joy divisionianas nuances. O início mais cadenciado, não impede que as canções seguintes (Warm Eyelids e Compass) acelerem as notas e coloquem a banda agora não mais dentro de uma nuvem pesada, mas sim desenhando formas geométricas e aos poucos formando uma passagem onde a beleza é matematicamente posicionada, para a urgência de Letter Home.




A faixa que marca a metade do disco é inapelavelmente feita para perder-se em qualquer estrada, mas deixa claro uma coisa que transparece por todo o disco. A Motorama mesmo construindo uma melodia quase perfeita, anda pelas laterais.
O disco mesmo depois do seu "hit" tendenciando uma queda de temperatura, acaba tornado-se mais belo com os primeiros acordes de Wind In Her Hair. Nesse instante a sombra de bandas como o The Smiths pairam sobre o disco, mas em nenhum momento isso leva Alps ao inferno. Airin Marchenko e seu baixo deixam marcas palpáveis e a contraposição dos acordes se mostra em plenitude.

Ghost pode até deixar os mais céticos com aquele gosto de reprovação, pois sua linha de entrada é chorosamente retirada do baixo de Peter Hook do New Order, mas essa aceleração de batidas somadas ao teclado sombrio, deixam a marca de um sorriso escorrer pelo ceticismo. Alps tem menos experimentações do que se imaginaria em um disco de estréia. Existe uma retilínea retina que fixa diretamente o olhar por todas as influências da banda russa. Mas esse "homenagear" que a Motorama concatena dentro das canções, não traduz uma falta de originalidade, mas sim uma capacidade de construir com o melhor dos dois lados desse ex-muro de guerra fria. A tríade Alps, Ship e There's No Hunters Here fecha o disco de uma maneira assimétrica e linda em demasia.



Declarações em entrevistas logo após o lançamento do disco, mostravam que a banda é sim um bequer de laboratório químico musical. Em uma delas o vocalista dizia que "nós podemos daqui há cinco anos continuarmos juntos, mas definitivamente seremos uma banda completamente diferente". Julgando pela capacidade de criação da estréia, o nome Motorama será lembrado por mais discos tão libertadores da alma quanto Alps.

GD 64 "CHAMAI-ME ISMAEL"

 Em 1997, um grupo de renegados da indústria do cinema capitaneados pelo diretor DAVID MICHAEL LATT, fundaram a THE ASYLUM FILMS. Considerado uma dos maiores e mais produtivos estúdios independentes do cinema americano. Uma visita ao site da Sylum, mostra que pelo menos em números de filmes produzidos, eles não deixam à desejar (são 400 em 10 anos de empresa).

Mesmo com toda a bagagem e premiações que Latt possui, a Asylum é especializada em filmes fantásticos e o que é melhor ainda, em toda a parafernália lado B possível. Títulos como, Airline Disaster, Mega Piranha, 7 Adventures of Simbad, Meteor Apocalypse e até o faroeste 6 Guns, são relíquias perdidas do alternativo fantástico cinematográfico. Obviamente as películas não tem orçamento de Avatar, mas quem se importa. Afinal de contas para que um orçamento como o do filme de James Cameron, se quem faz o filme é James?

E agora a mais nova e sensacional produção da Asylum é a adaptação do clássico da literatura, MOBY DICK.
Produzido obviamente por David Latt e com direção de Trey Strokes, essa "superprodução" tem em seu trailer uma dose de dramaticidade compatível com o livro escrito por Herman Melville, mas diferentemente do original, desse vez ao invés de grandes barcos de madeira, o veículo usado é um gigantesco e moderníssimo submarino de última geração. Os efeitos especiais quase tão avatares quanto os de James Cameron, deixam claro que estamos diante de uma obra prima do cinema alternativo. Nem Kong destrói um avião com tanta propriedade quanto essa cachalote infernal.
Com atuações de Barry Bostwick e Renne O'Connor (que trabalhou na série Xena), MOBY DICK 2010 é o filme da temporada!!!!

GD 64 PRÊMIOS ESTRANHOS


Ontem a Q MAGAZINE realizou mais uma das premiações desse ano de 2010. Mesmo sem a pompa de outros prêmios, pelo menos não deixa um espaço muito grande para enormes polêmicas.
Os ganhadores foram:

a) Artista inovador: Plan B

b) Melhor novo artista: Mumford and Sons

c) Hall of Fame: Take That

d) Melhor canção: Florence And The Machine

e) Melhor apresentação ao vivo: Green Day

f) Melhor vídeo: Chase and Status

g) Melhor compositor: Neil Finn

h) Melhor revelação: Clare Maguire

i) Prêmio Ídolos: Madness

h) Prêmio Herói: Chemical Brothers

i) Prêmio Inspiração: Suede

j) Melhor artista masculino: Paolo Nutini

l) Melhor artista feminina: Florence Welch

m) Prêmio para inovação sonora: Mark Ronson

n) Melhor disco do ano: The National

o) Ícone: Bryan Ferry

p) Álbum clássico: Paul McCartney and The Wings (Band On The Run).

q) Melhor show do planeta atualmente: Kasabian

O prêmio para o ex-Beatle provavelmente era o mais certo, afinal de contas a turnê que em breve aterrisa no Brasil anda batendo recordes e mais recordes. Aqui os dois shows estão sol out e a correria para ingressos está quase beirando o pandemônio, além obviamente da reedição do disco que virá.
Surpresa mesmo é a escolha do The National como disco do ano, não pela falta de qualidade, mas sim pela aposta no Arcade Fire, que perdeu também para o Kasabian (?) como melhor show mundial na atualidade. Mas é de entender-se o porque a premiação da Q magazine não é tão badalada, afinal de contas escolher o Green Day como melhor show do ano, só mesmo sendo patrocinado por uma marca de vodka.

Mas uma boa surpresa foi a vencedora na categoria revelação, CLAIRE MAGUIRE. Cantora com timbres mais trovoados e na linha do tempo diferencial no mundo das vocalizações femininas. Confere...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

GD 64 OLHO NELES....

 Muitas vezes nesse mundo onde as vestimentas numeradas e fantasiosamente dispostas entre 1 e zeros parecem cada vez mascarar inodoras intenções, sempre é bom de vez em quando encontrar alguém de carne e osso e valvas pulsantes.
Mas isso volto logo...

Primeiro vamos ao assunto em questão, na verdade dois. E o primeiro vem de terras acima de nossas cabeças nos geográficos mapas estudantis.
Nashville é além da capital do Tenessee, uma cidade america relacionada à música country. Lendas e empoeiradas canções formam a história daquele lugar.
Mas quando não imaginava-se, eis que um quarteto daquelas pradarias, andava na contramão da indústria até  pouco tempo.

MONA, a banda em questão, formada por Nick Brown (vocais e guitarra), Vince Gard (bateria), Zach Lindsey (baixo) e Jordan Young (guitarra), não lembra em nada o ritmo seminal do local. Na verdade parecem uma versão mais nova dos cortes de cabelo usados pelos Beatles na fase "I wanna hold your hand".
A banda mesmo com 180.000 visitas em sua página do Facebook, não tinha colocado nenhum material para que as pessoas pudessem ouvir. Mantendo a curiosidade em alta, quando finalmente os primeiros acordes de LISTEN TO YOR LOVE alcançaram os estribos, não foi difícil o quarteto conseguir chamar à atenção da imprensa americana.

Colocados nas listas das bandas da semana em vários lugares, Mona, é uma mistura de riffs mais secos e quase edgeanos com um poderio shoegaze punk cheio de revoltosas passagens. Grudentas na medida certa e possivelmente colocando em prática o plano da banda, em manter os ouvintes atentos aos acordes. Difícil é não empolgar-se quando o assunto é a primeira pílula. Ouça...



E aí é que retorno ao assunto do começo do post. Pois bem essa banda veio novamente pelas linhas internéticas de conversas com pessoas reais. Uma menina chamada Lory (@lorylooove), moradora atualmente da ilha mais roqueira do planeta, soltou uma pequena mensagem à respeito desses provedores de sombras. Algumas mensagens trocadas depois, descobri que esse também quarteto, anda recebendo uma enorme quantidade de elogios e estão entre as famosas apostas da imprensa musical local. Comentário (vindo também da própria Lory), que após o final do verão por lá, os meios de comunicação passaram a olhar com melhores retinas para as bandas locais.


Isso fez com que a O CHILDREN, formada um ano atrás por Tobi O’Kandi (vocal), Andi Sleath (bateria) Gauthier Ajarrista (guitarra) e Harry James (baixo), fosse cada vez mais vista e falada. Começar bem eles já o fizeram, afinal de contas o nome foi retirado de uma canção de Nick Cave. O single de estréia DEAD DISCO DANCER mostra que a banda vem das mais profundas catacumbas do pós punk, caminhando em terrenos cheios de sombra e lodo, onde a força motriz e guia dos acordes é a voz de Toby.

Com um timbre ímpar dentro da música atualmente, o vocalista tem um misto de angústia com uma tenebrosa mistura de Bela Lugosi e Richard Price na farínge. Longe do convencional e do hype, a banda tem fortes influências de Joy Division e Bauhaus. O som é pesado mas não como o metal e sim uma nuvem formada por corvos cinzas. O disco de estréia saiu em 12 de julho.
O Children é imperdível pelo simples fato de fugir da curva da mesmice que assola um pouco os sons mais alternativos. Não pairando sobre o shoegaze fácil e indo na direção do soturno.
Aqui no GD o clip do single Dead Disco Dancer.

GD 64 ELES ESTÃO DEFINITIVAMENTE DE VOLTA.

 Um dos grandes discos de 2008, foi Missiles dos THE DEARS. A bolacha possuia todos os ingredientes de um clássico. Melodias pegajosas, canções com aquele ar épico e uma banda afinadíssima. Mesmo não sendo o melhor deles.
Em 2009 os Dears quase acabaram, com a saída de alguns integrantes (principalmente o guitarrista Patrick Krief) e o vocalista e "lider" Murray Lightburn por várias vezes durante o ano passado, mantinha os fãs atentos com novidades sobre o futuro. Em um desses comunicados inclusive, Murray agradecia os fãs mexicanos e depois de um show da banda no país ficou decidido que eles além de continuarem, lançariam disco novo.

E agora as nuvens começam a dissipar-se e o Dears inicia o processo de gotejamento desse novo álbum. DEGENARATION STREET é o nome da nova bolacha, que será lançada em 2011 (no dia 15 de fevereiro). A primeira música desse novo projeto já saiu e chama-se OMEGA DOG.

Esse vídeo mostra a banda executando-a e você já pode compra-la diretamente no site dos Dears, AQUI.


GD 63 TÁ CONFUSO, EU EXPLICO...


É um pouco complicado mas acho que devagar todo nós entendemos...

Durante essas duas últimas semanas, notícias sobre o novo disco dos BEASTIE BOYS estão aparecendo, o primeiro depois da recuperação de ADAM YAUCH do câncer diagnosticado o ano passado. O nome da nova bolacha é Hot Sauce Committee Pt. 2 e tem lançamento previsto para esse ano. Mas como tudo tinha uma aura de mistério ao redor, a banda resolveu explicar o que esperar desse novo disco. A resposta do trio foi no melhor estilo LOST de ser...



De acordo com o próprio Adam, a banda sabe que todas as informações são confusas e o que ele pode afirmar com certeza é que Hot Sauce Committe Pt 2 sairá realmente. E se você acha que essa frase já era confusa, você ainda não viu nada. Primeiro eles adiaram o lançamento, pois queriam ter uma versão definitiva, agora...

Na mesma entrevista, Yauch diz que eles trabalharam em milhares de canções e versões para esse novo disco. Mas depois de remixarem, gravarem, produzirem e repetirem o processo milhões de vezes, ficou claro que a banda deveria colocar nessa sequência, as canções que ficaram para trás do disco anterior. Ou seja, HSC Pt 2 terá como track list canções que faziam parte de HSC pt 1.
Agora sim ficou confuso. E eu não espantaria nada, se isso fosse uma das picaretagens sensacionais do trio...

O track list é esse:

01. Tadlock’s Glasses
02. B-Boys In The Cut
03. Make Some Noise
04. Nonstop Disco Powerpack
05. OK
06. Too Many Rappers (feat. Nas)
07. Say It
08. The Bill Harper Collection
09. Don’t Play No Game That I Can’t Win (feat. Santigold)
10. Long Burn The Fire
11. Funky Donkey
12. Lee Majors Come Again
13. Multilateral Nuclear Disarmament
14. Pop Your Balloon
15. Crazy Ass Shit
16. Here’s A Little Something For Ya

GD 64 DIÁRIO DE BORDO....


 James Murphy e sua trupe antes do lançamento do sensacional  THIS IS HAPPENING, clamaram este como sendo o último lançamento da banda. Mas parece que o gênio analógico matrixiniano pode repensar seus conceitos e continuar com o combo.
Uma coisa é certa, a turnê desse disco é uma das mais divertidas. Como mostra essa série de vídeos que começaram a semana passada, filmados dentro do ônibus da banda.

Jay Green, amigo de Murphy, é responsável pelos relatos filmados de tudo o que está acontecendo na turnê do LCD SOUNDSYSTEM. Desde o cara extremamente drogado na primeira fila, até os problemas de bafo de um dos integrantes, passando por descrições sobre o conteúdo da comida, parque de diversões e música brega.
Por enquanto apenas três vídeos, com Jay sempre apresentando-se como um "escravo" forçado à gravar os vlogs. Algumas passagens são hilárias, confere..





GD 64 AS GAROTAS PERDIDAS DE LOST 6


 Amy Goodspeed passou por bocados extremos na série. Primeiro perdeu seu marido Paul em um ataque dos Outros, durante um piquenique romântico.
Socorrida por Sawyer e Juliet, passou a fazer parte da trama onde as realidades se colabavam e a morte era apenas um detalhe em Lost. Dissimulada, coloca nossos heróis em polvorosa quando engana-os na cerca sônica, no episódio La Fleur, onde o canastrão Sawyer tem que realizar uma bizarra troca de corpos para manter a paz entre o pessoal da Dharma e os moradores da ilha.

Três anos depois, em mais uma trama das realidades paralelas, Juliet ajuda o nascimento do filho de Amy (agora casada com Horace), que será chamado de ETHAN ROM (um anagrama de OTHER MAN). Ethan é o primeiro caso de sucesso para a pesquisadora (que mesmo nessa parte da história trabalhando como mecânica, foi contratada para pesquisas sobre geriatria).

Reiko Ayelsworth é a eterna Michelle Dessler de 24 Horas. Também trabalhou em Stargate: Universe e Damages.

sábado, 23 de outubro de 2010

GD 63 ACORDES QUE SALVAM VENTRÍCULOS DECAPITADOS


Existem canções que são feitas para contemplação. Indefinida por pedaços de tempo, mas contada em cada pulsação de valva mitralizada que inverte trajetos arteriais. Esse tipo de canção pode tornar-se um ligeiro baque dentro do seu peito. Como nos momentos onde aquele pedaço de cocaína grosso e espesso apropriadamente adentra em sua farínge e ao descer na direção bronquiolar retorna, pois seu pulmão sabe que dentro de alguns minutos aquela mistura de poeira gasolinizada com pedaços de comprimidos esbranquiçados pode parar ao redor de seu cérebro.
Esse baque vem lento e carregado de pigarro bruto e certas canções são lentas assim. Ao chegarem no lugar certo dentro de seu cérebro causam espasmos que podem matar sua alma aos poucos. No caso da banda inglesa THE BEES e seu mais recente disco EVERY STEP'S A YES, a única convulsão que pode-se sentir é a amargura da vida cinza sendo sugada por um ralo grosso e sem retorno. Reciclagem de vida pode ser feitas por acordes suaves e a banda é uma usina.

O disco está nesse momento entre os 100, na lista dos mais vendidos. Uma posição que poderia ser considerada razoável apatia de vendas, mas pelas referências e caminhos onde a banda ara seu som, essa preocupação não parece ser importante. A semana passada foi o lançamento, mas pela durabilidade das canções, esse álbum vai definitivamente iluminar sua vida por algumas semanas seguidas.

O ano de 2010 marcou um certo renascimento dos discos onde a palavra suavidade foi a tônica. Do mesmo jeito, a palavra experimentação. O Bombay Bicycle Club optou por adentrar ao mundo de Paco de Lucia, mostrando que podem ser subversivos em relação as canções e fizeram um dos discos mais belos desse ano. Os THE BEES entram na briga, mas elevam esse jogo um pouco mais. Do pop folk pés no chão de I REALLY NEED LOVE  até a experimentação cubana cheia orixás e balangandans mexicanos de GAIA, a banda é espetacularmente catalisadora de sensações, criadora de atmosferas ventriculares capazes de inverter as estações do ano, transformando o mais tenebroso inverno em primaveris claves de sol.


A banda sempre foi marcada pela alquimia de ritmos e se a primeira canção é um pop feito de algodão doce rural, o blues que choraminga pequenos cristais enraizados na canção WINTER ROSE, vem nascendo com metais de western empoeirado. Cadência pura e atomizada em detalhes. Ouvir o novo disco dos Bees é passear por milhares de décadas e observar atentamente a história musical.
O blues sai e o retorno por pradarias cavalgadas por jeans e chapéus ao redor de fogueiras spaguettianas aparece em SILVER LINE, a primeira canção que saiu do disco. Os tons vocais lembram muito os que foram gravados pelo Pink Floyd no lado A de Meddle. A duplicação das vozes transforma notas em beleza. O orgão ao fundo apenas resvala em um tenebroso acorde final.  

NO MORE EXCUSES, a quarta canção diminui mais ainda o tempo. O frio gélido do inverno chega de mansinho e essa bela orquestração, no papel de acompanhante, deixa o ar frio penetrar pelas suas narinas e a lisergia da composição aparece aos poucos. Mas nesse momento do disco a imersão de sua alma por entre as notas é tamanha, que será fácil diferenciar os truques usados pelos músicos. 



Já na metade, TIRED OF LOVING deixa claro que a sequência das músicas é de ímpar arranjo. Os teclados sacros que permeiam essa canção grizzyliana são de gelar a espinha, mas a beleza vocal encaixada lindamente na métrica faz com que a impressão seja muito mais angelical do que ultrapassada. E aí a artéria pulsante e circense faz a introdução de CHANGE CAN HAPPEN, que após o levantar da cortina desse espetáculo, torna-se balada flautosamente medieval. Doce som do sopro que mostra outra faceta quando a distorcida guitarra penetra por entre a canção.
Claramente na segunda metade do disco a banda cria uma conversa jazzística entre os instrumentos e essa música é apenas o começo.

ISLAND LOVER LETTER, é uma ode romântica ("minha mulher é um diamante"), com as nuances brejeiras novamente percorrendo todas as iluminações. A construção clássica desta, é de uma beleza reflexiva em ondas feitas em lagos manualmente. Tudo muito leve e sem rompantes de fúria, apenas uma pequena lisergia quase beatleniana no final da canção. SKILL OF THE MAN reapresenta o piano e a face mais folclórica da banda. Com um pequeno traço de psicodelia que viaja pelas décadas onde o Led Zeppelin subverteu o folk e o clássico. Mas essa aproximação com o ritmo seminal, não deixa a banda mais próxima dos Youngs ou Dylans, mas muito mais próxima das co-irmãs progressivas. As duas canções que fecham o disco PRESSURE MAKES ME LAZY e GAIA mostram isso de maneira concreta. A mistura de percussão, cordas, metais e vozes são dignos de qualquer disco da década do ácido.

EVERY STEP'S A YES é um disco que surpreende. Sua duração precisa apenas deixa na garganta aquela sensação de que será muito prazeiroso descobrir os entrecantos da banda. Uma calma caleidoscópica que leva seu peito a transpassar a velocidade do tempo, em cápsulas articulares formadas essencialmente de notas que atingem seu sistema límbico da maneira mais arrebatadora.
Lentamente e a cada segundo de uma nova canção.
Imperdível....

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

GD 63 PALHAÇOS DE OZ....



Todo os dias ao visitarmos o site YOU TUBE, poderemos nos deparar com três maravilhas da idade virtual binária:
a) ele é um dos sites mais colaborativos de todos os tempos, afinal de contas o conteúdo é feito pelos próprios usuários;

b) teremos acesso à aproximadamente 5 BILHÕES de vídeos em um universo de 91 MILHÕES e internautas;

c) estamos sujeitos a encontrar uma enorme quantidade de bizarrices.

Essa semana um fenômeno desses tempos aconteceu bem diante dos nossos olhos em menos de 24 horas. Um vídeo sobre uma menina que passou mal em um brinquedo, fez dela uma celebridade Monthy Pytoniana. A cena poderia encaixar-se (obviamente com menos brilhantismo), no filme O SENTIDO DA VIDA. Mas essa é apenas uma prova de que o sítio tem esse poder.
Obviamente com o setor musical não é diferente. Somos abordados e esfacelados mentalmente com versões de canções em colagens de imagens que são quase tão absurdas quanto chatas. Ou ainda o contrário, imagens fenomenais (os vídeos de futebol tem muito isso), com músicas que são de desabalado ataque epilético de QI. Mas algumas vezes esse amalgama parece encaixar-se perfeitamente.

É o caso da banda SEAPONY, um grupo de Seattle que transporta quase tudo em bagagens pop com nuvens shoegazianas, que fazem muito bem aos ouvidos. O primeiro trabalho desse trio foi o EP DREAMING, lançado esse ano. A canção é bela, mas não tinha um registro videoclíptico.

Não tinha, mas agora tem. Uma montagem feita por um fã da banda ficou tão boa que acabou ganhando a alcunha de clip não oficial, mas quase. O lunático em questão usou um filme educacional de 1976 chamado IF MIRRORS COULD SPEAK. A película usa o arquétipo do palhaço para educar crianças à respeito de mal comportamento na escola. Um espelho mostrava a imagem do enfant terrible transformando-se em um desses seres tenebrosos (pois palhaços são tenebrosos), toda a vez que eram levadas.
As cenas são muito bizarras e o adição de uma barba na maquiagem de uma das crianças é ainda mais assustadora. Mas as imagens acabam encaixando-se quase que com uma perfeição absurda.

O estilo nonsense do filme faz o contraponto perfeito com a delicadeza da melodia no melhor estilo Hermes e Renato. Não sei se a banda aprovou, mas que é melhor que Dark Side Of The Moon e o Mágico de Oz, isso é. Assista ao clip e baixa a canção logo depois.

GD 63 E NEM ACABOU O ANO.....

O ano nem acabou e como em 2009, começam as especulações sobre quem tocará onde (essa frase não ficou muito boa...). Aqui no Brasil o ainda tentando acertar SWU, já especulou a presença da banda Alice in Chains (diga-se de passagem já que é para especular, que soltassem um boato do tipo Screaming Trees ou Mark Lanegan). Mas se existe um festival que é o campeão de especulações, este chama-se GLASTONBURY.Os ingressos de 2010 acabaram na metade do ano anterior. Os de 2011 estão esgotados e a enxurrada de especulações é cada vez maior. A lista de possíveis atrações até agora de acordo com a boataria é essa:

Beyonce

Coldplay

Eminem

Fatboy Slim

Kylie Minogue (apenas boatos)

Madonna

Prince 

Rabbit Foot Spasm Band

Radiohead

Rogue Nouveau

Stonefield

Take That

U2

Desses nomes, as evidências mais fortes apontam que Fatboy Slim, U2, Stonefield, Rogeau Noveau estão garantidos. Do outro lado, Radiohead é nome quase certo. Essa semana o nome PRINCE pipocou nos sites como possibilidade em tornar-se o novo head liner. Mas a melhor especulação é sobre a cantora Beyonce.

Seu marido, o chefão Jay-Z já tocou no festival (ainda tirou uma com a cara dos fãs do Oasis) e com os amigos do Coldplay para dar aquela forcinha, seu nome estaria bem cotado. O problema é que o jornal que publicou a possibilidade foi o mesmo que estampou em sua primeira página a "história" de que a mina no Chile seria transformada em parte temático.

Para você ver as fontes dos rumores é só clicar no nome do artista e não se esqueça que agora o Brasil também entra na briga, afinal de contas o PLANETA TERRA e o SWU são grandes nomes.
Quem você gostaria que viesse para cá???

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

GD DAMON DISSE NÃO

Em entrevista para a Q TV o líder do Gorillaz explica porque disse um sonoro não para a série Glee. O que diga-se de passagem merece um sonoro aleluia!!!!

"É o que eu tenho contra todos os shows desse tipo, eles não escrevem suas próprias músicas. Então primeiro escrevam suas músicas, tenham uma identidade e parem de ser escravos de produtores de TV, que não dão a mínima para você. Isso é o que queremos dizer para os jovens que estão entrando na indústria musical atualmente."

Sobre o fato de que deixar a série Glee usar as canções dos Gorillaz, traria mais fãs para a banda...

"Isso é uma idéia completamente inocente e tola. Colocar músicas nesse tipo de programa, é uma maneira tola de comunicar suas idéias."

Mas não deixar as músicas entrarem no programa, fez você perder dinheiro.....
A cara de dane-se do gênio Damon Albarn diz tudo...

GD 63 A JUVENTUDE AMERICANA À FLOR DA PELE

Por falar em aniversário da MTV brasileira, a unidade gringa da emissora nesses tempos mais recentes, anda investindo pesado em reality shows cada vez mais dantescos e bizarros. Como se fosse possível produzir um BBB por semana. E não é porque os programas de realidade são feitos nos USA, que serão mais inteligentes. O formato é sempre o mesmo e as sub celebridades cada vez mais nos moldes guturais.

Talvez isso tenha levado à emissora a pensar em investir na ficção realística de uma série como SKINS. O programa de televisão inglês é uma das séries mais cultuadas do planeta, pois é como se uma versão de Trainspotting menos lisérgica e mais dramática pudesse mostrar o cotidiano da juventude. Na estética de o quanto mais visceral, mais real, a série inglesa é o lado B desse tipo de programa.

A versão americana tem a letras do escritor Mike Pelfrey e estréia para a próxima temporada. O trailer da série é esse abaixo. Depois, corre aqui para ver o original e comparar...



ATUALIZAÇÃO.....

Nem bem o teaser sobre a versão americana saiu, já está rodando um poster com as opiniões dos chamados haters, aqueles que odiaram a idéia de uma versão da série inglesa Skins. Internet é isso aí...

GD 63 ADIVINHA DOUTOR QUEM TÁ DE VOLTA NA PRAÇA....



Ontem aconteceu a festa de aniversário em comemoração aos 20 anos da MTV brasileira. Um canal que mesmo não tendo a pungente importância de décadas passadas, ainda representa aquilo que sempre foi a proposta. Retratar a cultura da juventude nacional, mesmo essa cultura não sendo respeitada, muito menos predileta entre os círculos intelectuais agudos.

Discutir a qualidade da programação pode até parecer plausível. Mas o canal televisivo é pelo bem ou pelo mal o retrato daquilo que se passa dentro da cultura pop do país. Do mesmo jeito que a cara do rock nacional hoje são as bandas coloridas. Por mais que tente-se mudar esse perigoso paradigma, com bravos blogs e sites que promovem as canções alternativas, o que se tem no prato do dia é isso. Restarts, Starts, Entrestarts e estandartes que retratam o que o jovem brasileiro quer ouvir.

Pessoalmente a MTV para mim já foi mais relevante. Foi pelo canal que tornei-me um adicto musical. Em uma época onde educavam-me ginasialmente as notas, o canal de clips era menos diversificado, mas o som era diferenciado. Então mesmo a programação atual não sendo aquilo que eu esperava ver, é uma data de comemoração (pelo menos para eles). E o assunto mais falado da festa, fora as bebedeiras, é a volta do PLANET HEMP.
A banda que nos anos noventa representava a contra cultura encarnada em ferro fundido e cortante como navalha quente na carne, fez um set list com clássicos. A platéia fez pogo, cantou e catarseou até a última nota. Mas essa "volta" do Planet Hemp é fundamental???

Voltas nem sempre são guiadas pela ideologia. O discurso pró maconha que a banda fazia não tem a mesma força dos tempos onde a abertura política estava começando. Apenas lembrando que em 1993, Itamar era o presidente que adorava um palanque, uma calcinha e o Fusca, a nossa moeda era o Cruzeiro Real (mil deles valeriam 1 Real depois), o PCC foi criado e as duas grandes chacinas levaram embora mais de 30 pessoas (Candelária e Vigário Geral).  Hoje pode-se fumar maconha em todo o lugar, existe uma quase descriminalização social velada dentro do país. Não espanta-se, não reclamasse. Um baseado na praia nunca foi motivo de luta pelos direitos. Nesses tempos binários onde as drogas são poderosamente escondidas por twittcams e mensagens instantâneas, a boa e velha canabbis sativa talvez esteja ficando careta.

E aí a banda se segura no poderio dos riffs e na catapulta sonora, mas ontem pareciam enferrujados. Tempo demais parados, mas isso conserta-se facilmente. Mesmo com o time não completo, afinal Black Alien não estava presente. E se a mini turnê que poderá surgir virá no esquema Frank Black de ser (que já declarou abertamente que os Pixies estão fazendo shows apenas pelo dinheiro), não acho esse o problema. O Planet Hemp em alguns pontos ainda me parece relevante. O problema maior nem é esse...

Em um cenário de Alice, o Planet voltaria com força titânica, arrebentaria novamente o status quo vigente e abriria o parâmetro para uma explosão de bandas novas que trariam novamente a dignidade perdida do rock televisivo. O tempo onde Maracatú Atômico era transmitido depois de Mantenha o Respeito assombraria a mesmice novamente.
Mas já não temos um conglomerado de bandas que são capazes de tornar essa revolução possível??

Porque uma banda extinta há quase dez anos tem que voltar para salvar o rock nacional??
Não é o novo que rompe paradigmas velhos (porque o rock de franja já está tornando-se uma coisa velha e mal cheirosa)???
Não vejo essa revolução aclamada por todos os cantos em relação à volta da banda de Marcelo D2, do mesmo jeito que não acho necessariamente importante. É muito bom saber que eles estão botando a casa abaixo. Mas o discurso a favor da maconha não tem metade da força e talvez os sensíveis fãs de calças coloridas achem transgressor demais legalizar as drogas.

Porque o transgressor não se amalgama com o mainstream. Ontem no show do Green Quem? foram presenciadas e relatadas vaias para a banda de abertura, NEVILTON. O trio paraense é definitivamente um desses guerreiros que lutam por uma condição de qualidade melhor no rock. Do mesmo jeito que milhares de outras bandas também o fazem. Mas a maioria das pessoas vestem essa manta ao redor de bandas medianas como a do ato principal de ontem e o defendem com a força de torcida organizada. Não existe bom senso de quem projeta nem de quem assiste. Do mesmo jeito que Yo La Tengo sendo vaiado no SWU.

Não vai haver revolução televisionada por um canal que outrora foi de clips. E a MTV não vai limpar a barra suja da segmentação da programação que acabou com o canal, ajudando a ressucitar uma banda poderosa com discurso enfraquecido. E talvez como disse o @vcunha, o rock nacional não precise ser salvo, mas sim morrer.
Quem quer salvação??? Esse é o objetivo???

A vaia ao Nevilton e a volta do Planet são duas moedas da mesma face. O saudosismo levado à condição de plataforma. Vaia-se o novo e prefere-se o marasmo do mesmo. O Planet vai fazer a alegria de nós, sacripantas saudosistas, mas não tem, nem terá a obrigação de salvar uma cena.
Talvez Marcelo D2 não precise fazer turnê ou voltar com a banda. O único show de ontem teria muito mais força se não desabasse em uma turnê caça-níqueis.
É preciso voltar os olhos aos novos guerreiros, pois a revolução depende de quem chega. Quem já passou serve de mestre e exemplo, mas não pode-se colocar nas costas deles um retorno triunfal.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

GD 63 O GAROTO PRODÍGIO


 Já está longe o tempo onde KURT VILE foi considerado um prodígio técnico e musical. Muito pelo fato dele ter ficado trancafiado dentro de sua casa compondo por anos, até finalmente aparecer para o grande público. O primeiro disco solo CONSTANT HITMAKER apesar de lançado em 2008, apenas aportou aqui no Brasil no ano seguinte e mesmo assim foi matéria apenas de iniciados ou blogs perdidos na eletrosfera.

Agora uma coisa era líquida e certa. Ninguém duvidaria de que aquele moleque tão novo iria longe. O segundo, GOD IS SAYING THIS TO YOU tem quase o mesmo formato do anterior mas nem por isso as influências do genuíno rock americano e do folk deixaram um gosto amargo dentro dos ouvidos. Do mesmo jeito que o quase aclamado CHILDISH PRODIGY , esse sim registro de 2009.
Lançado pela Matador Records, recebeu a quase totalidade de belas resenhas, exceto pela Pitchfork que achou o disco médio (6.4 de 10).

E em 2011 o sucessor desse bem sucedido trio de bolachas chegará. Mas antes entre outubro e novembro o cantor lançará aquilo que as gravadoras chamam de teaser do disco. Um 7" com três canções, com previsão de lançamento físico no dia 25 de outubro e digital em 09 de novembro.
O track list desse singelo aperitivo é:

A1) In My Time
B1) Early Darwin
C1) Sad Ghost

Você ouve aqui o primeiro single do single, por assim dizer. IN MY TIME é de beleza etérea e com aquela brejeirice hyponga que acompanha as melhores do cancioneiro popular yanke. Mas uma coisa é clara, Kurt não escolhe a mesmice e prefere manter uma linha reta intercalada com roubadas claves de suaves distorções em direção da surpresa.
O que é sempre bem vindo....