Como se a lista de shows já não estivesse grande no início de 2011, mais uma das novidades fonográficas vão ampliar o quesito endividamento crônico.
Desta feita é a banda THE JOY FORMIDABLE que anuncia o lançamento do disco de estréia THE BIG ROAR. Atualmente está em turnê pelos USA, mandaram um recado para os fãs através do vídeo que você assiste logo abaixo. Junto com a mensagem, um pequeno teaser de algumas das canções.
E como não poderia deixar de ser (o que parece tornar-se uma tendência dentro do mercado), a banda lançará uma edição de luxo de sua estréia. O pacote conterá o disco (The Big Roar), um dvd com o show gravado em NY no Mercury Louge. Bastidores da apresentação e extras ainda aparecerão nesse disco.
Além disso, video clips dos singles, todos com comentários e bastidores.
E se você acha que acabou, enganou-se. As primeiras 300 cópias ainda terão no pacote pedaços de uma guitarra que foi esmerilhada em uma das apresentações da The Joy Formidable.
O preço dessa edição é a melhor parte: 24,99 libras.
The Big Roar é um dos discos que espero para escutar em 2011.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
GD 70 MAIS PRESENTES DE NATAL
Deu uma bela olhada na foto???
Pois bem, eis aí mais um dos famosos presentes de Natal que muita gente gostaria de ganhar (inclusive eu).
Caixa dos THE DECEMBERISTS com uma quantidade absurda de material bacana. O disco mais recente da banda, THE KING IS DEAD ganhará uma edição de luxo, com tudo o que os fãs tem direito. Vamos então a lista dos ítens dessa belezura...
a) a edição dessa versão será limitada em 2500 cópias e estará à venda apenas no site da banda: www.thedecemberists.com
b) polaróides exclusivas feitas por Autumn de Wilde, para o projeto Impossible Project / Decemberists.
c) livreto de 72 páginas com as citadas fotos e ilustrações de Carson Ellis .
d) O cd The King Is Dead.
e) DVD Pendarvia: um curta metragem sobre a produção do disco TKID, dirigido por Aaron Rose.
f) Vinil do álbum em versão 180g, na cor branca e com capa inédita.
g) Código para download, que poderá ser feito depois do dia 18 de janeiro (data de lançamento do disco).
h) Download exclusivo e gratuito do vídeo da canção Rise To Me, gravado no festival Northwest in Portland, em 2009.
i) Download exclusivo da canção Down By The Water.
j) Tudo isso embalado em uma caixa com arte exclusiva.
Tá bom assim ou quer mais??
A bagatela sai no valor de 165 dólares e se você ainda quiser uma camiseta da banda, pode desembolsar 180.
A canção Down By The Water é uma faixa composta em parceria com Peter Buck do R.E.M.
GD 70 O JOVEM PROMETEU
Na cena onde o monstro construído por Victor Frankenstein descreve sua primeira respiração, no romance escrito por Mary Shelley, uma onda de afirmação histérica explode em seu criador. O jovem Prometeu padece de uma explicação anatômica maior, mas torna-se uma máquina quase incontrolável que pulsa uma vida estranhamente condensada em pedaços de outros corpos.
Assim também é a composição de uma canção. Milhares de notas únicas em cada instrumento, sendo reunidas dentro de um corpo recortado por entrecantos.
Na melhor fase (particularmente para esse sacripanta escritor) dos Rolling Stones, quando a banda mergulhou com a alma dentro do círculo infernal de blues e deixou o sangue negro consumir toda a grande circulação, uma das maiores canções foi GIMME SHELTER. Nascida em Let It Bleed de 1969.
Lamento visceral e pesado de uma tonicidade explosiva.
Um monstro poderoso e agora dissecado.
Essa série de vídeos, mostra partes desse aglomerado de lava que é avassalador. Vocais, a segunda guitarra, o piano, baixo e bateria separados. Desse jeito é possível ainda deleitar-se com os vocais de Merry Clayton, a cantora que faz o backing vocal na canção. Trovões....
Também é maravilhoso perceber o porque Charlie Watts é um dos maiores bateristas vivos do mundo. O suingue sujo que ele coloca na canção, faz tremer as estruturas de qualquer casa.
Mas o melhor do jogo é tentar colar tudo ao mesmo tempo...
Assim também é a composição de uma canção. Milhares de notas únicas em cada instrumento, sendo reunidas dentro de um corpo recortado por entrecantos.
Na melhor fase (particularmente para esse sacripanta escritor) dos Rolling Stones, quando a banda mergulhou com a alma dentro do círculo infernal de blues e deixou o sangue negro consumir toda a grande circulação, uma das maiores canções foi GIMME SHELTER. Nascida em Let It Bleed de 1969.
Lamento visceral e pesado de uma tonicidade explosiva.
Um monstro poderoso e agora dissecado.
Essa série de vídeos, mostra partes desse aglomerado de lava que é avassalador. Vocais, a segunda guitarra, o piano, baixo e bateria separados. Desse jeito é possível ainda deleitar-se com os vocais de Merry Clayton, a cantora que faz o backing vocal na canção. Trovões....
Também é maravilhoso perceber o porque Charlie Watts é um dos maiores bateristas vivos do mundo. O suingue sujo que ele coloca na canção, faz tremer as estruturas de qualquer casa.
Mas o melhor do jogo é tentar colar tudo ao mesmo tempo...
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
GD DA MISÉRIA AO OURO....
Existem marcas tão profundas dentro da alma humana, que fariam milhares de pessoas pretensamente felizes, cometerem suicídio. O que na verdade não deixa de ser um fato engraçado, afinal de contas a vida de uma maneira geral, é uma coleção de fugas da inevitável miséria. Mas ser capaz de não catapultar a sua própria miserabilidade em cima dos outros e ainda por cima transformar toda essa carga em beleza, é uma virtude que nem todos possuem.
Isso é apenas mais um dos fatos que fazem com que BILLIE HOLIDAY, seja na verdade uma das mais esplendorosas damas da música. Porque em questão de miséria, ela foi transpassada. Aos dez cantava nas ruas, foi estuprada e presa com a alegação de ter insinuado-se ao agressor. Com 14, foi encarcerada por prostituição, ao ser liberada começou a fazer testes tornar-se dançarina de boates. Em um deles, foi sugerido que ao invés de dançar, cantasse.
Billie não tinha treinamento como cantora, sua voz não alcançava grandes notas e mesmo assim ela transformava cada canção em um lamento tão singular que a miséria transmutava em ouro faríngeo. Adicta em heroína, lutou contra o vício até a sua morte, aos 44 anos, amarrada à uma cama depois de ser presa por porte de drogas. Sempre usando branco e gardênias, uma das maiores alquimistas de sentimentos da humanidade.
A rádio KEXP lançou um radio-documentário sobre as grandes divas da música. Billie foi a escolhida essa semana, OUÇA!!!!
GD 70 EXPLODINDO PARADIGMAS
Esse ano dentro da internet, foi marcado por não apenas um, mas vários movimentos feministas reais. E o termo que remete ao verdadeiro tem muita relação com a capacidade de mudanças de paradigmas mundiais. Seja dentro das redes sociais ou publicações, as mulheres em 2010 lutaram e muito pelo espaço daquilo que elas chamam de beleza real.
O site tumblr contribuiu e muito com esse tráfico informativo, já que existem vários endereços dentro desse mundo de imagens, dedicados em mostrar fotos de mulheres que não padecem do gosto anoréxico de outrora. E agora esse movimento parece organizar-se ainda mais.
O site da organização CURVES FOR CHANGE mostra que além de beleza descomunal, essas valquírias fogem de qualquer esteriótipo.
Fundada esse ano, por um grupo de mulheres das mais diferentes áreas de atuação, a instituição tem como objetivo ajudar as novas gerações de meninas a entenderem que, essa imagem de magreza exagerada relacionada a beleza obrigatória está equivocada. A combinação então parece vulcânica, afinal de contas mulheres fortes, belas e decididas são páreo duríssimo de vencer. E elas parecem querer acabar com as convenções.
Promovendo uma carrida de 10 K (sim meu apoplético leitor, mulheres com curvas também praticam esportes), elas estão iniciando seus trabalhos ajudando duas entidades. THE KOMERA PROJECT, uma ong responsável por levar o ensino secundário para meninas de Ruanda, que não poderiam em condições normais frequentar escolas e HARDY GIRLS, HEALTHY WOMEN, que organiza programas relacionados ao mercado de trabalho e oportunidades para as mulheres de todas as classes socias, raças e credos.
Com ou sem corrida, as mulheres em 2010 estão quebrando mais paradigmas. O site da Curves For Change você acha AQUI!!
O site tumblr contribuiu e muito com esse tráfico informativo, já que existem vários endereços dentro desse mundo de imagens, dedicados em mostrar fotos de mulheres que não padecem do gosto anoréxico de outrora. E agora esse movimento parece organizar-se ainda mais.
O site da organização CURVES FOR CHANGE mostra que além de beleza descomunal, essas valquírias fogem de qualquer esteriótipo.
Fundada esse ano, por um grupo de mulheres das mais diferentes áreas de atuação, a instituição tem como objetivo ajudar as novas gerações de meninas a entenderem que, essa imagem de magreza exagerada relacionada a beleza obrigatória está equivocada. A combinação então parece vulcânica, afinal de contas mulheres fortes, belas e decididas são páreo duríssimo de vencer. E elas parecem querer acabar com as convenções.
Promovendo uma carrida de 10 K (sim meu apoplético leitor, mulheres com curvas também praticam esportes), elas estão iniciando seus trabalhos ajudando duas entidades. THE KOMERA PROJECT, uma ong responsável por levar o ensino secundário para meninas de Ruanda, que não poderiam em condições normais frequentar escolas e HARDY GIRLS, HEALTHY WOMEN, que organiza programas relacionados ao mercado de trabalho e oportunidades para as mulheres de todas as classes socias, raças e credos.
Com ou sem corrida, as mulheres em 2010 estão quebrando mais paradigmas. O site da Curves For Change você acha AQUI!!
GD 70 QUINHÃO AUSTRALIANO
Em final de ano, mais uma premiação. Desde 2007, o trofeú J AWARDS coloca em evidência os melhores artistas das terras down under. Esse ano a disputa veio com nomes de peso, como por exemplo Grinderman, Midnight Juggernauts, Cloud Control e Sia. Nem todos nas mesmas categorias, que são divididas em disco do ano, clip e artista revelação.
Nick Cave acabou não levando o prêmio melhor video, onde concorria com Heathen Child. Mas uma não surpresa, arrebatou o prêmio de melhor disco australiano do ano.
Innerspeaker da banda Tame Impala, levou. Deixou para trás outros nomes que também estão fazendo barulho no mundo dos acordes, como Sia e Cloud Control. E por mais incrível que pareça, Grinderman 2 não aparecer na lista de indicações para esta categoria, o voto na lisergia acachapante do quinteto é muito bem encaixado.
O disco da Tame Impala é definitivamente uma das melhores estréias já lançadas. Seja pela capacidade de aglutinação do sombrio com o lisérgico, ou simplesmente por canções que são sucessivas obras primas da imersão em claves. Se ainda não ouviu, ouça.
Nick Cave acabou não levando o prêmio melhor video, onde concorria com Heathen Child. Mas uma não surpresa, arrebatou o prêmio de melhor disco australiano do ano.
Innerspeaker da banda Tame Impala, levou. Deixou para trás outros nomes que também estão fazendo barulho no mundo dos acordes, como Sia e Cloud Control. E por mais incrível que pareça, Grinderman 2 não aparecer na lista de indicações para esta categoria, o voto na lisergia acachapante do quinteto é muito bem encaixado.
O disco da Tame Impala é definitivamente uma das melhores estréias já lançadas. Seja pela capacidade de aglutinação do sombrio com o lisérgico, ou simplesmente por canções que são sucessivas obras primas da imersão em claves. Se ainda não ouviu, ouça.
domingo, 28 de novembro de 2010
GD 70 SAÍDAS...
Se existe uma crise mercadológica no mundo das gravadoras e grandes corporações, as saídas sempre estão do lado de fora da caixa de areia suja dos gigantes.
E são tempos perigosos.
Desde a tentativa de fechamento de uma rádio como a BBC 6, até os projetos de lei visando acabar com o tráfico de informação que faz desse mundo o libertador catársico.
Mas existem outras formas de se pensar. Pergunte para Jack White ou ao pessoal da ART IS HARD RECORDS.
Independente e pequena situada em Portsmouth ou Weymouth, dependendo da estação (como a empresa mesmo diz), coloca em sua plataforma inspirações retiradas de lendárias gravadoras como por exemplo a Factory. E eles abusam da binariedade em suas ações.
O primeiro lançamento foi uma coletânea de 9 faixas chamada de Brink of the Clouds, onde novas bandas eram destiladas. Para esse disco uma especiaria foi colocada na banca, contendo 50 camisetas e downloads de versões inéditas. A compra dessa edição especial, ainda garantia um zine.
Agregando esse tipo de valor aos ouvintes fica mais fácil, mas o que interessa no fritar do bacon é a qualidade das bandas. E isso também parece ser uma vocação da empresa. Exemplo são os dois EPs mais recentes.
Primeiro os singles de duas catapultas com discos na praça. NEW YEARS EVIL e THE BLACK TAMBOURINES. A primeira, um quarteto de Exter em Londres de sonoridade extremamente bruta. O que parece uma simples banda de repetidas notas, torna-se um combo poderoso de distorção. E a canção Shame deixa isso bem claro.
E do outro lado temos de Corwall, em um ritmo um pouco menos visceral, os The Black Tamborines. Com uma mistura quase inaudível de shoegaze e pop rock dos anos em preto e branco, a banda também lançou um EP com cinco canções que grudam desesperadamente nos ossículos. Com um pé na areia suja e outro na escuridão de alguma garagem, a banda merece variadas audições.
A guerrilha mostra notas de genialidade, que grandes corporações ainda insistem em não entender.
The Black Tambourines EP by The Black Tambourines
E são tempos perigosos.
Desde a tentativa de fechamento de uma rádio como a BBC 6, até os projetos de lei visando acabar com o tráfico de informação que faz desse mundo o libertador catársico.
Mas existem outras formas de se pensar. Pergunte para Jack White ou ao pessoal da ART IS HARD RECORDS.
Independente e pequena situada em Portsmouth ou Weymouth, dependendo da estação (como a empresa mesmo diz), coloca em sua plataforma inspirações retiradas de lendárias gravadoras como por exemplo a Factory. E eles abusam da binariedade em suas ações.
O primeiro lançamento foi uma coletânea de 9 faixas chamada de Brink of the Clouds, onde novas bandas eram destiladas. Para esse disco uma especiaria foi colocada na banca, contendo 50 camisetas e downloads de versões inéditas. A compra dessa edição especial, ainda garantia um zine.
Agregando esse tipo de valor aos ouvintes fica mais fácil, mas o que interessa no fritar do bacon é a qualidade das bandas. E isso também parece ser uma vocação da empresa. Exemplo são os dois EPs mais recentes.
Primeiro os singles de duas catapultas com discos na praça. NEW YEARS EVIL e THE BLACK TAMBOURINES. A primeira, um quarteto de Exter em Londres de sonoridade extremamente bruta. O que parece uma simples banda de repetidas notas, torna-se um combo poderoso de distorção. E a canção Shame deixa isso bem claro.
E do outro lado temos de Corwall, em um ritmo um pouco menos visceral, os The Black Tamborines. Com uma mistura quase inaudível de shoegaze e pop rock dos anos em preto e branco, a banda também lançou um EP com cinco canções que grudam desesperadamente nos ossículos. Com um pé na areia suja e outro na escuridão de alguma garagem, a banda merece variadas audições.
A guerrilha mostra notas de genialidade, que grandes corporações ainda insistem em não entender.
The Black Tambourines EP by The Black Tambourines
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
GD 69 O DOUTOR ESTÁ...
Imagine se qualquer saga sobre monstros tivesse a presença de um psicólogo. Um cara que resolvesse os dilemas de todos os seres assustadores. Todas as inseguranças, fobias e porque não medos desses seres de outra dimensão que assombram as noites e madrugadas do mundo.
Essa é a idéia original da mais recente HQ lançada pelos criadores Mitch Schauer e Mike Vosburg.
Conta a história de Ripley Plimpt (Ripley também é o nome de uma das heroínas mais famosas do cinema no quesito monstros), um menino de onze anos que anda com sua vida em estado de latente tédio.
Até descobrir que eles existem de verdade.
Plimpt sonha em poder encontrar com esse seres desesperadamente e seu desejo é realizado quando um zumbi (nem poderia deixar de ser), aparece na porta de sua casa. Chamado de Dead Guy, essa figura quase tão mórbida quanto engraçada é o primeiro de muitos que aparecerão à porta da casa do menino.
Quando ajuda a salvar o Conde Drácula (sem saber quem ele é), a notícia espalha-se e assim surge o apelido e a fama de Ripley, ou para os monstros RIP M.D.. O trocadilho com a série House (House M.D.) é além de atual, o paradoxo importante. Enquanto a série de tv mostra o médico quase monstro, a graphic-novel, revela os monstros nem tão assustadores assim. Mas como tudo não é um mar de rosas, naturalmente as reviravoltas estarão garantidas.
Mitch Schauer já criou um show de sucesso na animação chamado The Angry Beavers e também foi produtor de outro desenho que fez bonito na TV chamado O Mundo de Bob.
O ilustrador Mike Vosburg, trabalha com story-boards há muito tempo, já desenhando filmes para Robert Zemeckis e John Frankenheimer.
Belo exemploar de arte em HQ.
GD 69 18 ANOS DE PROVOCAÇÃO LEVE
São exatos dezoito anos. Em 1992, Madonna lançava seu livro de fotografias e contos SEX.
Nos doze meses daquele ano foram marcados, pela ida de Paul Simon para a África depois de anos de segregação e violência. A partir daquele momento, os brancos não mais iriam retirar riquezes do continente.
A música seria a moeda de troca.
Bush pai era o mandatário da nação americana. Os religiosos viviam tempos de bonanza na Casa Branca, ou seja, a repressão velada de acordo com a vontade dos republicanos era alta. A AIDS era uma realidade alarmante e a neurose religiosa americana (como sempre) estava em alta.
Nesse contexto de paranóia velada, o lançamento de um livro que falava sobre fantasias sexuais e suas formas pouco ortodoxas, seria uma bela afronta ao american way of life. Coisa que Madonna já fazia com maestria desde o começo da carreira. Like A Prayer e seu video clip com um Jesus Cristo negro, em um país onde a KKK foi uma entidade poderosa, já era provocação suficiente. Mas a cantora sempre forçou os limites.
Zoofilia, sadomasoquismo, lesbianismo, homossexualismo, orgias, masturbação, sexo oral, depilação, sexo anal. Esse era o cardápio do livro que reunia fotos e textos da própria Madonna. Encarnando o alter ego Dita, uma dominatrix que desperta e comanda fantasias dos mais diferentes tipos.
As fotos ainda contavam com a participação de convidados como Naomi Campbell, Isabella Rosselini e até Vanilla Ice (ahn????)
Para a época do lançamento foi até chocante, mesmo as fotos não sendo tão escandalosas assim.
A fotografia de Steve Meisel e a direção de arte comandada por Fabien Baron deram um ar vintage às cenas. Mas o livro que era artigo difícil de conseguir, hoje dezoito anos depois encontra-se inteiro na internet para download.
Nem a polêmica é tão grande, mesmo porque com a facilidade de alcance à qualquer tipo de pornografia mais pesada atualmente, o trabalho parece datado. Mas ainda vale por marcar uma das épocas onde Madonna estava mais lasciva e linda. Assim como muito mais provocadora.
Sex iniciou também o flerte da cantora definitivamente com o universo da música eletrônica. Erotica, o disco da época já começava esse namoro que tornou-se um casamento perfeito em Ray Of Light. Particularmente para mim a única fase da cantora com relevância musical.
Existe uma banda bacana do Brooklyn, chamada MINIATURE TIGERS, que gravou uma versão divertida de Take A Bow, da cantora. Ouça abaixo.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
GD 69 MAIS LATERALIDADES
Já passaram-se algumas semanas, desde que postei algumas listas com bandas mais estranhas que a maioria das que habitam esse espaço sacripanta. Mas acredito que existam mais bandas do que almas no planeta Terra. Tamanha a profusão de reuniões musicais inusitadas e com diferentes entidades espirituais habitando esses pequenos bólidos simulacros formados por redes venosas e arteriais.
E como essa semana parece que as pessoas resolveram soltar no ar uma quantidade ecatômbica de novos sons, montarei mais uma das listinhas que padecem por entre acordes um tanto enigmáticos, outra parte estranhos.
Começando com uma banda da Dinamarca, que canta em francês e é formada por quatro compositores de trilhas sonoras para filmes. O nome mais do que inusitado desse arranjo quase caleidoscópico, é COURS LAPIN.
O intuito da banda não é a salvação do mundo, mas os quatro amigos resolveram montar um disco onde a tônica toda fosse a aclimatação cinematográfica. Por isso entre composições próprias e canções francesas, produziram um registro recheado de cenas onde por muitas vezes, a impressão de que tramas noir saltarão em direção de seus ouvidos é latente. Ambientes em que a fumaça de cada cigarrro descreve uma espiral metalo-erótica e possuidora de leves toques na pele de perigosas anti heroínas de um filme de David Lynch (uma das influências da banda). Canções de deleite sonoro.
A banda da Escócia BROKEN RECORDS não é uma novidade. Lançaram seu segundo disco nesse mês de novembro, com o nome de Let Me Come Home. A soturnidade quase editoriana vem pesada e com dramaticidade de sobra para fazer com que acordes tenham um peso tijolar.
Mesmo bebendo na fonte do pós punk escancaradamente, a banda mostra que pode sim ser trilha sonora de viagens por lugares onde o desconhecido lhe aguarda.
Fotógrafo, músico, diretor e compositor binário. Essas e outras cartas estão escondidas na manga desse cidadão, que é tão hiperativo quanto Jack White. PEDER, que também lançou seu segundo registro esse ano intitulado Dirty & Gold, transita pelas ruas de New Orleans em carreatas fúnebres, com uma beleza descomunal. A junção de batidas que raramente repetem seus loopings por entre as composições e o certeiro clima de elevação das influências que variam entre Tom Waits e Nina Simone, fazem desse registro algo para ouvir atentamente.
Localidade mais conhecida é a originária dessa banda, que há poucas semanas colocou single novo na praça. EUX AUTRES vem de São Francisco e o que era originalmente um projeto em família, acabou tornando-se uma banda com quatro elementos. Os irmãos Heather e Nicholas Larimer em 2003 já inundavam os canalículos com pop shoegaziano.
Ela na bateria, ele na guitarra e os dois cantando.
Por mais desconhecida que a banda possa soar, a discografia inclui o EP de 2003, o disco de estréia lançado em 2004 e relançado em 2006 (Hell Is Eux Autres), o segundo álbum em 2007 (Cold City) e o terceiro registro que saiu esse mês chamado Broken Bow. Disco aliás que conta com uma cover de Bruce Springsteen (My Love Will Not Let You Down). Não é apenas música divertida, se não The Vaselines e Neko Case teriam que ser encaixados assim também. Pop cerebral despretensioso bem tocado.
Noruegueses que tem um balanço quase inacreditável. I WAS A KING, foi uma banda abençoada pela mãozinha de um senhor chamado Sufjan Stevens, na co-produção de seu segundo disco. Mesmo com amigos influentes nada de arranjos fraudulentos, já que as 15 canções do álbum homônimo, transitam muito bem pelos tempos pop dos anos 60 e os shoegazianos ares quase lisérgicos. Com viradas de bateria quase tão boas quanto as melodias que simplemente grudam cerebralmente, essa banda tem uma capacidade de corroer mesmices dentro de qualquer dia de chuva.
E como essa semana parece que as pessoas resolveram soltar no ar uma quantidade ecatômbica de novos sons, montarei mais uma das listinhas que padecem por entre acordes um tanto enigmáticos, outra parte estranhos.
Começando com uma banda da Dinamarca, que canta em francês e é formada por quatro compositores de trilhas sonoras para filmes. O nome mais do que inusitado desse arranjo quase caleidoscópico, é COURS LAPIN.
O intuito da banda não é a salvação do mundo, mas os quatro amigos resolveram montar um disco onde a tônica toda fosse a aclimatação cinematográfica. Por isso entre composições próprias e canções francesas, produziram um registro recheado de cenas onde por muitas vezes, a impressão de que tramas noir saltarão em direção de seus ouvidos é latente. Ambientes em que a fumaça de cada cigarrro descreve uma espiral metalo-erótica e possuidora de leves toques na pele de perigosas anti heroínas de um filme de David Lynch (uma das influências da banda). Canções de deleite sonoro.
A banda da Escócia BROKEN RECORDS não é uma novidade. Lançaram seu segundo disco nesse mês de novembro, com o nome de Let Me Come Home. A soturnidade quase editoriana vem pesada e com dramaticidade de sobra para fazer com que acordes tenham um peso tijolar.
Mesmo bebendo na fonte do pós punk escancaradamente, a banda mostra que pode sim ser trilha sonora de viagens por lugares onde o desconhecido lhe aguarda.
Fotógrafo, músico, diretor e compositor binário. Essas e outras cartas estão escondidas na manga desse cidadão, que é tão hiperativo quanto Jack White. PEDER, que também lançou seu segundo registro esse ano intitulado Dirty & Gold, transita pelas ruas de New Orleans em carreatas fúnebres, com uma beleza descomunal. A junção de batidas que raramente repetem seus loopings por entre as composições e o certeiro clima de elevação das influências que variam entre Tom Waits e Nina Simone, fazem desse registro algo para ouvir atentamente.
Localidade mais conhecida é a originária dessa banda, que há poucas semanas colocou single novo na praça. EUX AUTRES vem de São Francisco e o que era originalmente um projeto em família, acabou tornando-se uma banda com quatro elementos. Os irmãos Heather e Nicholas Larimer em 2003 já inundavam os canalículos com pop shoegaziano.
Ela na bateria, ele na guitarra e os dois cantando.
Por mais desconhecida que a banda possa soar, a discografia inclui o EP de 2003, o disco de estréia lançado em 2004 e relançado em 2006 (Hell Is Eux Autres), o segundo álbum em 2007 (Cold City) e o terceiro registro que saiu esse mês chamado Broken Bow. Disco aliás que conta com uma cover de Bruce Springsteen (My Love Will Not Let You Down). Não é apenas música divertida, se não The Vaselines e Neko Case teriam que ser encaixados assim também. Pop cerebral despretensioso bem tocado.
Noruegueses que tem um balanço quase inacreditável. I WAS A KING, foi uma banda abençoada pela mãozinha de um senhor chamado Sufjan Stevens, na co-produção de seu segundo disco. Mesmo com amigos influentes nada de arranjos fraudulentos, já que as 15 canções do álbum homônimo, transitam muito bem pelos tempos pop dos anos 60 e os shoegazianos ares quase lisérgicos. Com viradas de bateria quase tão boas quanto as melodias que simplemente grudam cerebralmente, essa banda tem uma capacidade de corroer mesmices dentro de qualquer dia de chuva.
GD 69 A ETERNA BRIGA....
Já disse um dia a banda Interpol:
"How are things on the west coast??"
A eterna "briga" entre Nova York e Los Angeles, duas costas que mantém a hegemonia da cena musical americana desde sempre (e consequentemente fornecem muito do que é consumido pelo mundo), sempre foi motivo de listas e mais listas dentro do decorrer do ano todo. Em 2010 até uma insurreição canadense ameaçou tomar de assalto os rankings. Mas a briga de cachorro grande ainda é forte entre esses dois polos.
Várias dessas votações promovidas por milhares de blogs mundo afora, exibem uma certa vantagem para o estado ensolarado. Muitas bandas de LA esse ano cravaram seus video clips entre os mais bem feitos nessas lendárias listas de final de ano. Obviamente que o pessoal sempre puxa aquele homérico peixe enlatado para o seu chapéu, mas de uma maneira geral existe coerência e até uma repetição de alguns nomes.
Uma pesquisa por entre os blogs revelam alguns nomes recorrentes dentro do quesito películas que fagocitam notas:
FLYING LOTUS:
A mistura quase radioheadiana de desfile chinês com batidas caóticas, deu origem à um video clip com cara de animação japonesa. Mesmo com a aura de película doce, o clip é meio assustador, como se a população estivesse passando por uma experiência de lavagem cerebral militar e robótica. Um dos mais citados em várias listas.
HEALTH
Se existiu um clip esse ano que foi absurdamente aterrorizante e quase um bloody movie, foi esse produzido pela banda que é uma das mais barulhentas da paróquia. A mistura de batidas estridentes com uma garagem destruidora, deixa um aspecto extremamente nervoso no ar. A canção We Are Water é um dos melhores exemplos que o peso quando misturado com um certo grau de lirismo em claves de sol funciona bem.
Existe ainda um video que não pertence à uma banda nascida em Los Angeles, mas ganhou a simpatia dos blogueiros pela estética que remete à cidade. O rapper Palaceer Lazaro, frontman do combo Shabazz Palaces fez uma quase homenagem à estética dos filmes que se passam na cidade, com o clip da canção Belhaven Meridian. Muito mais do que a origem da banda, a universalidade da caótica mistura de batidas e ângulos quase esquizofrênicos, fazem desse som algo do mundo.
"How are things on the west coast??"
A eterna "briga" entre Nova York e Los Angeles, duas costas que mantém a hegemonia da cena musical americana desde sempre (e consequentemente fornecem muito do que é consumido pelo mundo), sempre foi motivo de listas e mais listas dentro do decorrer do ano todo. Em 2010 até uma insurreição canadense ameaçou tomar de assalto os rankings. Mas a briga de cachorro grande ainda é forte entre esses dois polos.
Várias dessas votações promovidas por milhares de blogs mundo afora, exibem uma certa vantagem para o estado ensolarado. Muitas bandas de LA esse ano cravaram seus video clips entre os mais bem feitos nessas lendárias listas de final de ano. Obviamente que o pessoal sempre puxa aquele homérico peixe enlatado para o seu chapéu, mas de uma maneira geral existe coerência e até uma repetição de alguns nomes.
Uma pesquisa por entre os blogs revelam alguns nomes recorrentes dentro do quesito películas que fagocitam notas:
FLYING LOTUS:
A mistura quase radioheadiana de desfile chinês com batidas caóticas, deu origem à um video clip com cara de animação japonesa. Mesmo com a aura de película doce, o clip é meio assustador, como se a população estivesse passando por uma experiência de lavagem cerebral militar e robótica. Um dos mais citados em várias listas.
HEALTH
Se existiu um clip esse ano que foi absurdamente aterrorizante e quase um bloody movie, foi esse produzido pela banda que é uma das mais barulhentas da paróquia. A mistura de batidas estridentes com uma garagem destruidora, deixa um aspecto extremamente nervoso no ar. A canção We Are Water é um dos melhores exemplos que o peso quando misturado com um certo grau de lirismo em claves de sol funciona bem.
Existe ainda um video que não pertence à uma banda nascida em Los Angeles, mas ganhou a simpatia dos blogueiros pela estética que remete à cidade. O rapper Palaceer Lazaro, frontman do combo Shabazz Palaces fez uma quase homenagem à estética dos filmes que se passam na cidade, com o clip da canção Belhaven Meridian. Muito mais do que a origem da banda, a universalidade da caótica mistura de batidas e ângulos quase esquizofrênicos, fazem desse som algo do mundo.
GD 69 DAS DORES EM ALMAS ATORMENTADAS
Talvez ainda demore alguns dias para que a sensação seja evidente que em solo brasileiro co-existiam duas lendas vivas da história do rock. De um lado, um inglês que conseguiu em seu espetáculo deixar marcas nas almas de aproximadamente 170 mil pessoas. Do outro um americano que distorceu canais auditivos e transcendeu o significado da palavra ulceração em formas de riffs.
Paul McCartney e Lou Reed tem juntos pelo menos um século de história da música em seus acordes. Um deles junto com John, Ringo e George, criou quase tudo o que o rock tem de sensacional (e de ruim). Reed transmutou a decadência de uma cidade e seus habitantes em uma arte tão visceralmente à frente de seu tempo, que provavelmente seus discos serão dissecados por milhares de anos ainda. Não existe como comparar a importância desses dois senhores.
Mesmo Paul sendo ainda o bom moço e Lou o quase junkie que precisa ser carregado pelo palco, esse paradoxo de vida não importa. Afinal de contas ter os dois aqui no Brasil ao mesmo tempo foi como presenciar Bach e Mozart transitando pelos mesmos corredores do castelo.
Por isso sempre é bom nesses dias redescobrir obras que são importantes dentro da vida de cada um desses dois paladinos. Mas Paul já teve todos os louros (e ainda os terá) durante esse final de ano. Hoje, o transformista Lou é quem merece uma visita.
Reed nunca foi muito adepto aos bons mocismos. Desde os tempos onde o Velvet Underground era um quarteto nos idos de 1965, ele fazia aquilo que queria. As apresentações no Café Bizarre, onde Lou e a banda insistiam em tocar versões muito mais longas de The Black Angel’s Death Song, apenas pelo fato que o dono do lugar proibiu a canção, já mostrava quem ele era. Do mesmo jeito que quando o guru Andy Warhol insistiu para que Nico fosse a vocalista principal, Reed a toliu de uma tal maneira que no disco de estréia ela canta apenas três canções.
O compositor sempre fez aquilo que sua arte pedia como transcendência, mesmo quando soava arrogante demais. Em Mate-me Por Favor (o livro), a maioria dos depoimentos envolvendo o nome dele tem as palavras teimosia, egocentrismo e genialidade nas mesmas proporções. Sua banda, por mais que tenha influenciado o nome de uma revolução (a queda do comunismo na república checa recebeu o nome de Velvet Revolution), não conseguiu ter o mínimo de sucesso comercial. A notocorda do rock alternativo é de genética velvetiana sem sombra de dúvida.
Lou desde a infância já dava sinais de transgressividade, na adolescência aprendeu a tocar guitarra, gravou discos e sofreu tratamento de choque. Na escola preso por ameaçar de morte um policial, nunca conseguiu encaixar-se na estética do rock de seu tempo. Mesmo quando ele e John Cale formaram a The Primitives, em 1965.
Quando saiu da Velvet Underground, depois de trabalhar no escritório de seu pai, Lou foi contratado pela gravadora RCA. Já de papel passado, foi para Londres gravar uma sequência histórica de álbuns. Em 1972 encontra com David Bowie que produz Transformer. No ano de 1975, depois de passar dois anos sem gravar nada para a RCA, Lou Reed compõe uma das obras primas da distorção poética. O apresentado nos shows aqui do Brasil, Metal Machine Music.
Disco que andava pelo menos dez anos à frente do seu tempo, por misturar elementos eletrônicos, barulhos e distorções de guitarras quase inaudíveis (vide a quantidade de pessoas que sairam do Sesc Pompéia após dez minutos de show). 1978 marca o lançamento de Bells, disco que a crítica exalta como sendo um dos melhores de todos os tempos.
Em 1973, o compositor escreveu o disco do meio da antológica trilogia que começava com Transformer e terminava com Metal Machine. BERLIN nasceu depois do sucesso do primeiro álbum solo do cantor. Quando todo mundo esperava mais um com a mesma capacidade de vendas, Lou jogou ao público uma ópera rock que falava sobre depressão, dependências de drogas e desamparo humano. Tudo isso envolto em uma voz que de anasalada passou ao gutural e maníaco, com uma maestria que passou quase desapercebida na época.
O disco também era uma guinada na carreira de Reed, pois trazia em seu cerne, orquestrações pesadíssimas, seções inteiras de metais que também colocavam um peso sombrio dentro dos arranjos. Lou tocava apenas a guitarra nas canções. Mas a tenebrosidade dos acordes era palpável.
As letras dissecavam uma relação doente e cheia de calamidades. Kids por exemplo contava a parte da vida da protagonista, onde sua prole era levada embora, pois ela não conseguia criar as crianças que viviam em completo estado de abandono, por causa da mãe viciada. Dissecar uma situação dessas com acordes que começam em um amargo doce e desabam em explosão de fúria depressiva, não é coisa para amadores. Inclusive nessa canção existe a tenebrosa contribuição dos filhos do produtor Bob Ezrin, gritando pela mãe.
Algumas canções desse disco foram escritas nos primórdios da carreira de Reed. Caroline Says, Oh Gin e Men Good Fortune, existiam desde os tempos de VU. O que não impediu o cantor de, colocar todo um peso dentro das composições que falavam da decadência humana. Mas de uma maneira tão visceral e poética, que dificilmente a emoção não é esmerilhada dentro de seu peito.
Lou Reed não conseguiu sucesso comercial com o disco. Reza a lenda que depois disso a gravadora começou a pressionar o cantor para que gravasse um sucesso e ele de palhaçada escreveu Metal Machine. Berlin ficou por muitos anos sem ser executado, até que no ano de 2007 um cineasta e fã de Lou resolveu mudar a história.
Julian Schnabel, era um fã incondicional do álbum. Conheceu o compositor e depois e muitas conversas dissuadiu Reed a montar um espetáculo baseado no disco. Esse show contaria com toda a estrutura musical de Berlin, somado à projeção de um filme baseado na obra. Essa mini turnê do disco, aconteceu na casa St. Ann's Warehouse, no Brooklyn. Uma série de cinco shows devidamente filmados por Julian. O filme baseado na obra, tinha em seu elenco Emmanuelle Seigner, no papel de Caroline.
A banda que acompanhava Lou Reed era um espetáculo à parte. Sharon Jones e Antony Hegarty fazendo backing vocals, um coral com mais de 20 vozes (Brooklyn Youth Chorus), Fernando Saunders, Steve Hunter, Tony Thunder Smith, Rob Wasserman e ainda uma pequena orquestra.
O resultado disso tudo é o aclamado documentário LOU REED BERLIN.
Não apenas um exercício de arte que une cinema e música, mas uma exposição da visceralidade na vida humana e também a do cantor. As imagens são belas e poucas vezes Lou deixou-se filmar de tão perto. Rege a banda que o acompanha com força e as canções ganham em dramaticidade e peso.
Uma obra obrigatória.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
GD 69 PLANETA TERRA 2010: OS SHOWS
O amálgama sonoro promovido pelo festival esse ano, foi um dos melhores de todas as edições. Juntando magos futuristas como Girl Talk, com lendárias bandas como Smashing Pumpkins (sim Billy Corgan é lendário, mesmo sendo chato e hoje tocando em uma banda cover) e Pavement. Mas o que marca o festival na verdade, nem foi a boa média na qualidade das apresentações. Mas a perda da inocência quando o quesito é a palavra expectativa.
Um quesito também foi religiosamente diferente de 2009. Quase todos os shows nacionais foram assistidos (o único que não deu para ver foi o da banda Hurtmold). E tudo começa com a confusão causada pela banda República. O show que mesclou composições próprias com covers em inglês macarrônico foi confuso, muito menos pela banda, que possui músicos competentes e com história.
O que fritou as sinapses, foi a seguinte pergunta:
Por que com tantas bandas alternativas nacionais que fazem um som muito mais do que o mesmo que o esparso povo via no palco, a produção resolveu chamar essa?
Não que não exista merecimento por parte da República, mas por que eles??
Dá para citar pelo menos uma meia duzia de bandas com o adjetivo alternativo mais latente. Por isso do espanto. Fazer cover do Metallica não é bem algo muito indie stage. Mas a banda é divertida, quando é ela mesma.
Identidade cada vez mais aguda e poderosa da banda de Recife Mombojó. E olha que posso afirmar a evolução constante, pois apenas esse ano assisti cinco shows em épocas do ano diferentes. No Planeta Terra foi disparadamente o mais visceral, calorento e sombrio de todos. A banda destila já o quase bem maduro repertório de Amigo do Tempo e os registros mais antigos com maestria. A métrica da poesia das canções ajuda e muito o ritmo grudar nos giros dos cíngulos mais empedrados. Mas se existiu uma banda com ligação visceral com a platéia, foi a Holger.
O quinteto que já foi parar em um dos maiores festivais do planeta (SXSW) definitivamente é a banda que mais tem a universalidade dentro do cenário nacional. Pescando influências externas e tupiniquins, fogem do clichê fácil quando se conversa sobre guitarras indies misturadas com tamborins. Longe da mesmice e com uma veia aberta dançante, que é capaz de remexer os esqueletos mais catatônicos a banda termina o show no chão, sem camisa, pulando com o público e cantando o mais deslavado funk. Saiu consagrada, mas se o show fosse no palco principal teria sido muito mais forte.
A prova de que bandas nacionais no palco principal foram escolhas bem feitas, foi o desafiador show do combo musical Novos Paulistas. Uma resposta maravilhosa para a sociedade nazi facista que se instala dentro do estado de São Paulo. Há algumas semanas somos bombardeados com uma atômica ignorância galopante de certos setores da sociedade que insistem em disseminar a xenofobia contra migrantes nordestinos e mesmo do interior de São Paulo que moram na capital. O grupo inter estadual mostrou que quando se trata de cultura, a nacionalidade ou a cor não importam, são sempre maiores que as convenções.
Essa mega banda foi formada por Tiê, Tatá Aeroplano, Dudu Tsuda, Thiago Pethit (outro brasileiro que vai para o SXSW em 2011) e Tulipa Ruiz, acompanhados pelos músicos Rafael Castro na guitarra, no baixo por Renato Cortez e na bateria por Richard Ribeiro. Também com a participação especial de Helio Flanders do Vanguart, é um espaço musical onde co-existem dentro do mesmo ecossistema, paulistas, matogrosensses, nordestinos e até um integrante do interior. Pois bem meu leitor ong, vários estados, muitas informações culturais diferentes. Muita miscigenação musical formando um dos combos mais respeitáveis dos últimos tempos.
A banda é lúdica na medida certa, com a utilização de serpentinas e balões de festa na coreografia de palco. A distribuição das canções ao longo do show, privilegiam um achado quase único nos tempos atuais. Em cada momento da apresentação pode-se percorrer o alternativo, a música popular brasileira, o samba, a lira paulistana ou até o rock e blues. Isso tudo sem perder-se em algum tipo de maneirismo fácil ou intelectualidade burra. Destaque maior para as dupla feminina, pois elas comandam o palco. Tanto Tiê como Tulipa são presenças fortes, seja na interação com a platéia como nas composições. A palavra unidade é a tônica desse grupo, muito parecido com as peripécias de composições de um outro combo dos anos 70 e 80, o Rumo, influência no trabalho de Tulipa Ruiz.
Um dos mais bonitos e simples shows da noite.
E essa sensação de festa percorreu quase todas as atrações do Main Stage e do Indie Stage. Tanto nas complicadas hexadecimais notas da Yearsayer, que descomplicou o caleidoscópico exato da binariedade, ou na forma de tônica pop e festeira do Passion Pit.
Mas a atração que congestionou o palco alternativo foi o Hot Chip. Quem viu atestou uma festa com o céu aberto e pulsando. E para quem achava que a banda não sustentaria o set list, se deu mal.
O que também aconteceu com o show circense do Of Montreal. Durante uma hora a banda investiu pesado nas canções dançantes, onde o vocalista Kevin Barnes fez e tudo um pouco. Dançou freneticamente, foi carregado nos braços dos dançarinos vestidos como seres em látex alienígenas e ainda trocou de modelito duas vezes. A banda despejou Coquet Coquette, Suffer For Fashion e Party para deleite dos fãs que não paravam de cantar e dançar. Quando Kongsvinger fechou o show, um rastro de brilhos e suor estava deixando o céu do playcenter mais preparado para o teatro mágico no melhor estilo cabaré, que viria logo em seguida.
Quando Mika subiu ao palco do festival, a área VIP já apresentava problemas estruturais, por causa do excesso de pessoas. Revezamentos ocorreram para que uma tragédia maior não acontecesse. E ao lado do palco uma cena chamou a atenção.
Uma das produtoras do show, abordava fãs que estavam posicionados na lateral direita e perguntava se por acaso não queriam participar do show e subir no palco com o cantor. Obviamente um pequeno tumulto formou-se, mas como as pessoas na pista estavam mais ocupadas em mostrarem suas roupas descoladas de balada ou prestarem atenção nos globais que invadiram o espaço plebeu, quase tudo isso passou desapercebido.
Mas o melhor ainda estava por vir.
A mistura iônica certeira do pop chiclete ploc roseado de Mika e sua banda exata, acendeu o clima celebração completa. As canções eram cantadas em uníssono por toda a platéia e a pista participava com palmas e vozes. Rodas de ciranda adúltera e transloucada em latência femoral eram formadas, por entre os espaços cheios de oxigênio do riso.
E em cima do palco ídolo e fãs em uma festa celebrada por muita música e balanço ventricular. Mika foi a surpresa da noite. Mas esse clima de festa não adiantou nada, afinal de contas em um lugar onde as aparências davam as cartas, como esperar que a alma aparecesse.
Isso explica o porque de muita gente ter achado que o show da banda Phoenix uma decepção.
Começou acelerado e com a platéia se esbaldando com Lizstomania e Lasso e depois quase indo embora na metade do show. Reclama-se do set list, reclamasse da deitada do vocalista Thomas Mars. Mas as canções, não fogem em nada daquelas apresentadas durante a turnê toda (que como a de Mika terminara no Brasil).
O problema é esperar uma saraivada de sucessos de uma banda que há três discos faz basicamente a mesma coisa. E no final das contas os franceses destilaram seus hits, Long Distance Call, If I Ever Feel Better e Rome são canções muito boas. Mas se todo mundo só conhece a primeira do lado A não tem como agradar. Love Like Sunset Part 1 e 2 foram de uma execução tão calidamente magistral, que foram emocionantes.
Mas todo mundo prefere ater-se à imagem da televisão, da coluna social e esquece o som.
Phoenix fez um show competente demais, talvez empolgante de menos nas partes mais brandas, mas a explosão do mosh de Thomas pela platéia (que era outra coisa recorrente na turnê) foi visceral. Ainda acho que foi a apresentação certa no local errado.
Enquanto a discussão já crescia sobre odiar ou não a banda francesa, no Indie Stage os australianos do Empire Of The Sun colocavam a casa em estado de teste ludovicamente alterado, pelo visual do show. E assim na correria por entre os brinquedos, o salvador do rock no festival deu suas cartas.
Quando a Pavement começou o show com Gold Soundz, as pessoas que queriam uma eterna Lizstomania descansaram, mas uma grande parte da platéia que não se espremia em nada para assistir a banda, foi saudada com um set list mais que matador. Clássicos e distorção em uma medida de ferver o sangue de maneira ímpar. Alterando os vocais e colocando navalhas faríngeas em ação, Pavement empatou o quesito melhor show do festival com Mika. Stereo, Range Life e Cut Your Hair foram cantadas pelos fãs com força.
Toda essa ressurreição do rock no festival, tornou-se mais um anti climax na apresentação do tiranossauro Smashing Pumpkins. Mas isso é porque muitas vezes não se quer aceitar, que aquilo que se tem é aquilo que se compra.
Billy Corgan sempre foi um cara não muito dado à simpatias. Sempre gostou de cutucar outras bandas e sempre foi um pouco mimado. O chororô no final dos anos 90 e começo dos 00, quando em várias publicações ele clamava que queria sua banda de volta era notório. Mas esse é o charme de Billy, ela é chato demais. Todo mundo sabia.
Não adianta reclamar que o show foi ruim. Pois Billy fez o melhor show que ele achava que deveria fazer. E assim foi, na guitarra alta e pesada de Today, Tarantula e Bullet With Butterfly Wings.
Tem um clima de banda cover, tem. Mas é a banda cover de Billy Corgan tocando músicas dele mesmo.
É assim que o guitarrista quer que as coisas sejam e sempre será. O que ao final das contas é uma coisa boa, assim podemos ir pra casa e sonhar com Nicole Fiorentino, a baixista eleita disparadamente a musa do festival.
O Planeta Terra é sem dúvida um dos melhores festivais da América Latina no segundo semestre e esse ano do primeiro também. Organização impecável (mesmo com a necessária mudança na estrutura da área vip), escalação de bandas que agradam e diversão no sentido mais amplo e visceral da palavra.
Que venha 2011.
GD 69 PRESENTES DE NATAL...
Esse segundo semestre de shows que acabaram com o bolso e deram novo sentido a palavra catarse, também serviu para que bandas continuassem seus planos de volta paulatina.
Além de realizar um dos melhores shows do ano, a QUEENS OF THE STONE AGE está aos poucos retornando ao cenário. Banda que permaneceu estática ainda pela extensa turnê da THEM CROOKED VULTURES, parece agora aos poucos retomando as atividades.
As reedições de R e do primeiro disco da banda (QUEENS OF THE STONE AGE) são dois presentes para os fãs de Josh Homme e comparsas. Mas esse final de ano ainda guarda algumas surpresas de um dos mais perigosos conglomerados de músicos do planeta. Ontem, Homme postou no site da QOTSA uma nova surpresinha.
O single de final de ano, com o seguinte track list:
1) Sick Sick Sick;
2) I'm A Designer (remix);
3) Christian Brothers (de Elliott Smith);
4) Going Out West (de Tom Waits).
A versão para a canção de Waits já era conhecida pelos fãs da banda, pois fora lançada com o pacote de singles do mais recente disco, Era Vulgaris. Mas nessa reedição a cover de Smith acrescenta um algo a mais. Aqui no GD você escuta Going Out West.
Queens of the Stone Age - Goin Out West (Tom Waits Cover) by GDO2
Além de realizar um dos melhores shows do ano, a QUEENS OF THE STONE AGE está aos poucos retornando ao cenário. Banda que permaneceu estática ainda pela extensa turnê da THEM CROOKED VULTURES, parece agora aos poucos retomando as atividades.
As reedições de R e do primeiro disco da banda (QUEENS OF THE STONE AGE) são dois presentes para os fãs de Josh Homme e comparsas. Mas esse final de ano ainda guarda algumas surpresas de um dos mais perigosos conglomerados de músicos do planeta. Ontem, Homme postou no site da QOTSA uma nova surpresinha.
O single de final de ano, com o seguinte track list:
1) Sick Sick Sick;
2) I'm A Designer (remix);
3) Christian Brothers (de Elliott Smith);
4) Going Out West (de Tom Waits).
A versão para a canção de Waits já era conhecida pelos fãs da banda, pois fora lançada com o pacote de singles do mais recente disco, Era Vulgaris. Mas nessa reedição a cover de Smith acrescenta um algo a mais. Aqui no GD você escuta Going Out West.
Queens of the Stone Age - Goin Out West (Tom Waits Cover) by GDO2
terça-feira, 23 de novembro de 2010
GD 69 O PRÓPRIO ENTRECANTO CALAMITOSO
Se existe uma banda onde o adjetivo levemente conturbado vale, essa é a Eels. Quando formada em 1995, seu vocalista e mentor apocalíptico Mark Oliver Everett, já deixava claro uma coisa:
Música foi feita para interpretar os demônios mais profundos da alma.
E isso sempre ficou claro em quase todos os registros da banda. Desde o sensacional single Novocaine For The Soul de 1997, a história de vida do músico era exorcizada por entre as claves. E veja bem que esse cidadão nada pacato, começou a tornar-se um ser sombrio desde os 19 anos, já na escola. Imagine você, meu esperançoso leitor, quando Mark encontrou seu pai (Hugh Everett III), morto. E nessa conta você pode adicionar o suicídio da irmã, a morte da mãe por câncer, assim como a de inúmeros amigos e incluindo aí um primo. Trabalho mental jedai é coisa de criança perto disso tudo.
E, seu pseudônimo no início de carreira, também era uma pessoa extremamente volátil. Isso refletiu em todas a formações que a banda teve. Milhares são as histórias de relacionamentos conturbados envolvendo os músicos que depois da formação original desfeita, que contava com o baterista Jonathan "Butch" Norton e Tommy Walter, foram muitas vezes relatadas pela imprensa. Reza a lenda que Butch saiu da banda por problemas ficanceiros com Mark. Entrevistas tornavam-se verdadeiras epopéias de paciência e dificilmente os outros integrates suportavam.
Imagina um músico respondendo todas as perguntas com a palavra heroína ou dizendo que as perguntas não faziam sentido, pois ele iria cometer suicídio de qualquer forma.
E mesmo assim Mark e a banda produziram discos memoráveis. Da discografia extensa e sensacional, vale à pena ouvir sempre Beautiful Freak (1996), Electro-Shock Blues (gravado entre 1997 e 1998, época mais soturna para o compositor), Shootenanny (2003 e bluseiro), Blinking Lights and Other Revelations (duplo de 2005, onde Mark mostra toda a maestria como músico). Isso apenas para começar entender o que a cabeça genial de Everett consegue fazer.
Uma amostra disso pode ser vista nesses vídeos gravados na rádio de Seattle KEXP, essa sessão onde Mark estava acompanhado apenas por Chet Lyster é de deixar qualquer cínguilo desnorteado. As canções são de um peso e alma tão profundos que assombram. Atrás de uma pesada barba e óculos, mas de uma genialidade desanatômica.
Música foi feita para interpretar os demônios mais profundos da alma.
E isso sempre ficou claro em quase todos os registros da banda. Desde o sensacional single Novocaine For The Soul de 1997, a história de vida do músico era exorcizada por entre as claves. E veja bem que esse cidadão nada pacato, começou a tornar-se um ser sombrio desde os 19 anos, já na escola. Imagine você, meu esperançoso leitor, quando Mark encontrou seu pai (Hugh Everett III), morto. E nessa conta você pode adicionar o suicídio da irmã, a morte da mãe por câncer, assim como a de inúmeros amigos e incluindo aí um primo. Trabalho mental jedai é coisa de criança perto disso tudo.
E, seu pseudônimo no início de carreira, também era uma pessoa extremamente volátil. Isso refletiu em todas a formações que a banda teve. Milhares são as histórias de relacionamentos conturbados envolvendo os músicos que depois da formação original desfeita, que contava com o baterista Jonathan "Butch" Norton e Tommy Walter, foram muitas vezes relatadas pela imprensa. Reza a lenda que Butch saiu da banda por problemas ficanceiros com Mark. Entrevistas tornavam-se verdadeiras epopéias de paciência e dificilmente os outros integrates suportavam.
Imagina um músico respondendo todas as perguntas com a palavra heroína ou dizendo que as perguntas não faziam sentido, pois ele iria cometer suicídio de qualquer forma.
E mesmo assim Mark e a banda produziram discos memoráveis. Da discografia extensa e sensacional, vale à pena ouvir sempre Beautiful Freak (1996), Electro-Shock Blues (gravado entre 1997 e 1998, época mais soturna para o compositor), Shootenanny (2003 e bluseiro), Blinking Lights and Other Revelations (duplo de 2005, onde Mark mostra toda a maestria como músico). Isso apenas para começar entender o que a cabeça genial de Everett consegue fazer.
Uma amostra disso pode ser vista nesses vídeos gravados na rádio de Seattle KEXP, essa sessão onde Mark estava acompanhado apenas por Chet Lyster é de deixar qualquer cínguilo desnorteado. As canções são de um peso e alma tão profundos que assombram. Atrás de uma pesada barba e óculos, mas de uma genialidade desanatômica.
GD 69 ANTES DA ROBÓTICA....
Antes dos capacetes e roupas espaciais quase cartunescas moldarem uma geração de ouvintes, a banda DEVO ainda em sua quase gênese flertava com experimentações mais garageiras, por assim dizer.
Em 1990, duas coletâneas chamadas HARCORE DEVO VOLUME ONE AND VOL. TWO, resgatavam os trabalhos quase perdidos da banda, entre os anos de 1974 até 77. A extravagante capa já dá o clima do que a banda fazia na época. Antes de tornarem-se mitos da evolução eletrônica dentro do rock, distorciam um pouco as guitarras e faziam um quase pop rock barulhento, como na faixa Uglatto que você ouve abaixo. O disco pode ser encontrado para download nos melhores traficantes de informação da net.
Uglatto / DEVO by GDO2
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
GD 69 E PRECISAVA IR AO COACHELLA???
Ir ao festival Planeta Terra, tem a mesma sensação de visitar aquele amigo que mora longe da sua cidade e que dificilmente você convive cotidianamente. Mas quando o encontro acontece, é como se não existisse distância nem tempo.
Desde a primeira edição, onde o formato consistia em apenas uma atração internacional (os dois shows do Pearl Jam no Pacaembu), existiram diferenças dentro da organização e condução do evento.
Obviamente para um festival com apenas quatro edições, os erros ainda acontecem em alguns pontos, mas nada que seja de uma enormidade tamanha quanto assaltos dentro do recinto, como foram observados no festival SWU.
Com faturamento esperado em 17, 6 milhões apenas com propaganda e todos os ingressos esgotados há dois meses do dia do festival, consolida-se como um dos maiores eventos dentro do cenário. E algumas lições podem ficar para a posteridade. Pois mesmo com inovações a cada ano, o PT não perdeu (até aumentou), a linha de mistura entre os gêneros musicais. Do rock mais pesado do Smashing Pumpkins ao futurismo de Girl Talk, ou seja, atrações para os mais diversos estillos. O circense Off Montreal, os eletro lisérgicos Yearsayer ou o eletro pop cerebral do Hot Chip. Tudo isso passando pela distorção de Pavement e a brasilidade indígena alternativa da banda Holger.
Então tentar resumir apenas os shows desse ano é tarefa ingrata. Não acontecendo espaço para talvez um memorável, a versão desse ano do Planeta Terra aproveitou-se (para o bem e para o mal) do clima de balada impresso inclusive pelo público, mas também com bandas que extrapolaram o direito sagrado do pop por diversão pura e simples. Com veias latentes circenses e uma poderosa máquina de bits, as atrações levaram a platéia da contemplação passiva até uma insandecida e desabalada usina de suor com cheiro de papel brilhante picado.
Como sempre a escolha do parque ribeirinho ao Tietê, mostra-se acertada. É descolado e ao mesmo tempo acessível. A entrada das pessoas organizada através de filas e separações (com uma quantidade exata de pessoas com informações e mostrando direções), foi extremamente eficiente esse ano. Não demorava-se mais do que dez minutos (quando muito), para adentrar nas dependências do parque.
Lembrando que em Itu, o segundo dia foi marcado por três horas e meia de espera para conseguir chegar ao local dos shows.
Outro acerto em cheio da produção do Planeta Terra são as inovações.
A cada ano mostram que o evento fica mais com cara de festival com nível internacional. Em 2010, uma barraquinha onde o game Rock Band divertiu muitas pessoas assim como o conceito de video-mapping (projeção de imagens em qualquer superfície arquitetônica), foram nuances que deram certo. Um ligeiro aumento na estrutura alimentar, também ajudou, com a adição de barraquinhas de frutas e mais carrinhos com pipoca funcionando. Outras novas barracas, como a de camisetas também ajudaram a dar uma cara mais atual.
Mas é no quesito alimentação que o festival recebe seu porém. Não dá para definir um local como praça de alimentação, onde vendem-se os chamados hot-pockets. Mesmo com o algodão doce, maçã do amor e hot dogs a estação alimentícia ainda peca por ser a única. A diminuição do espaço dentro do palco principal também foi notada, mesmo com a venda de ingressos beirando apenas os 20.000.
A torre postada no meio do espaço causou reclamações. Filas aceitáveis no banheiro e nenhuma grande confusão, a não ser a ligeira discussão na fila de entrada do palco indie (ao lado de um dos brinquedos mais disputados, Monga), que apenas permitia um sentido de circulação.
Outro quesito que conta em favor do festival é o fato dos palcos serem muito fáceis de serem vistos. Sem a famigerada pista VIP (que esse ano andou com problemas estruturais, causando um tumulto), era possível assistir à todos os shows, incluindo os mais lotados, muito tranquilamente e perto do palco. Obviamente não grudado com a grade, mas pelas laterais a visão era muito boa. Até deu para conferir quem foram os fãs escolhidos para entrarem no palco durante a apresentação do cantor Mika.
Uma nuance negativa é a saída. Muito mais pelo modo de operação dos taxistas do que pela organização do festival. Se existe uma lei que assegure a bandeira dois ou livre, tem que ser respeitada. A situação complica quando por quize reais, um motorista coloca a vida de passageiros em risco, fazendo conversões proibidas ou andando em uma velocidade um pouco mais exagerada. Será que o preço pago pela atitude sustentável de não usar o carro, é uma leve extorção regada com velocidade excessiva?
O festival Planeta Terra definitivamente consolida-se como um dos maiores festivais do segundo semestre brasileiro. As mudanças feitas paulatinamente são uma virtude. Mas é ater-se ao fato de que mesmo assim ainda existem pontos sobre os quais devem ser tomados cuidados.
Os shows???
Os shows chegam mais tarde...
GD 69 VULCÂNICA CATARSE....
O carro estacionado no bairro do Butantã, quase cinco quilômetros do Estádio do Morumbi, foi obrigado a permanecer inerte e perder o encontro com um Beatle.
O quarteto de Liverpool provavelmente tem uma ligação de alma que vai através do universo, pois o que se viu ontem nos arredores e dentro do estádio foram ordas de gerações amalgamadas por entre canções sentidas, camisetas e comoção que tomava conta do oxigênio antes da apresentação de Paul McCartney. Mas era necessário chegar primeiro.
Vivemos em um país que prepara-se para uma Copa do Mundo e Olimpíadas, eventos que tomarão de assalto e trarão milhares de pessoas ao Brasil. Os dois shows do músico inglês estão com os ingressos esgotados.
Se o público da primeira noite repetir-se hoje, um total de aproximadamente 130.000 pessoas passarão pelas ruas e avenidas que circulam o estádio. Andando é possível notar que a estrutura montada para dissecar o caótico trânsito da cidade de São Paulo, começava bem antes do local do show. Corredores montados e por incrível que pareça, uma organização boa. Mas seria muito plausível que o transporte público melhorasse, afinal de contas na saída do Morumbi, anotaram-se vários relatos de problemas com taxistas. Não se constrói um mega evento baseado na extorção do público. Nem antes ou depois.
Filas de entrada até organizadas e contando com a boa educação das pessoas. Muitos "espertos" que tentavam fura-las (pois elas circulavam o perímetro do estádio), eram rechaçados com vaias e ações. Nada violentas, pois a presença da Polícia intimidava um pouco. O que não impediu que nas grades em formação de caracol à beira da entrada, os mesmos "espertos" pulassem e furassem a fila.
Nem todo mundo está preparado.
Para quem foi andando e chegou ao estádio duas horas antes do início do show, a entrada foi fácil. Mas a catarse maior ainda estava longe de acabar...
Existe uma relação afetiva e de vida muito grande com um artista como Paul McCartney. Muito por saber que, este senhor de 68 anos escreveu em claves, trilha sonora de escolhas, romances e mudanças de rumo em vidas. Canções que transformam seu humor, te fazem chorar e sorrir na mesma proporção como mostram caminhos. Porque música, livros e cinema importam (e muito).
Só por isso já seria um dia mais do que especial, poder ver de perto um cara que moldou sua vida de tantas formas, que talvez nem seis graus de separação possam ser suficientes.
Isso explica a beleza plástica viva das arquibancadas lotadas do início ao fim de sua estrutura anatômica. Um gramado recoberto de tapumes plásticos que tornariam-se ao longo de três horas de show, artéria que pulsava energia. Era possível pelo canto do olho esquerdo, perceber pedaços incandecidos de almas saindo dos corpos e formando uma aura cervical latente. Por veias aéreas essa energia canalizava-se para um local, que respondia assim....
E tudo começou quase de surpresa quando os primeiros acordes de Venus and Mars e Rock Show tocaram o ar. Não que fosse necessário, mas já na primeira interação com o público, McCartney foi de uma simpatia tão absurda (em tempos onde as pessoas não tem mínimas ações educadas), que quando All My Loving foi disparada não havia mais espaço para uma separação entre platéia e palco. O bequer perfeito para que durante toda a apresentação a platéia fosse um show a mais. Enganou-se quem achava que apenas canções da antiga banda de Paul iriam ser cantadas. Let Me Roll It, Band On The Run e até Nineteen Hundred and Eighty-Five receberam coros. Dance Tonight com a participação do baterista Abe Laboriel Jr, no melhor estilo macarena. Como comentou uma amiga ao lado, se a banda tocasse ciranda-cirandinha todo mundo iria cantar junto.
Em um show com tamanha quantidade de obras primas, fica quase impossível determinar o que é melhor. Mas uma coisa é certa, mesmo com a super produção, banda afinadíssima e nenhuma surpresa no set list (que pode ser reservada para hoje), Paul é tão gigante quanto o palco. Conversa com o público, ensaia passos de dança desconexa, rege um coro de milhares de pessoas como se fosse a coisa mais fácil do mundo. A platéia embarca na alquimia e os dois momentos onde o músico comandou as vozes, estão entre os melhores da história de shows no Brasil. E mais uma vez o povo foi o diferencial, quando durante A Day In The Life e Give Peace A Chance, uma revoada de balões brancos tomou o estádio.
E aí fica sempre a pergunta:
Com uma coleção de canções como Blackbird, Let It Be, Eleanor Rigby e Something (homenagem à George Harrison), como não deixar a garganta trepidar um espasmo que liga diretamente os olhos marejados?
Talvez por quase três horas até os batimentos cardíacos das pessoas estavam no mesmo compasso. Fazendo com que a canção, que já foi escolhida como a pior da história da música, ficasse tão iluminada quanto a lua que venceu todas as previsões e não deixou sequer um pingo da tal clamada chuva chegar.
São pequenos detalhes que fazem com que o show de Paul McCartney já seja aclamado como o melhor do ano, ou que muitas pessoas já dão por acabado 2010.
Ele percorre o piano, baixo e guitarra, com a mesma desenvoltura com que empunha o bandolim ou ukelele. E depois de uma catarse coletiva, ainda pergunta aos berros, "Do You wanna rock???".
Segundos depois a lava escorre por entre as canaletas do estádio quando Helter Skelter explode. Pesada e furiosa, como nos primórdios.
Isso já bastaria, mas de repente quase 12 horas depois, é possível deixar seu rosto encher de emoção incontida, quando as lembranças do estádio lotado fazendo o backing vocal de Back In The URSS em uníssono explodem nas sinapses. Ou o coro em Hey Jude.
Não importa qual o seu momento predileto, se é que você vai conseguir achar um, mas saiba que essa marca dentro do seu ventriculo esquerdo foi feita por um senhor que faz seu ofício de forma tão magistral, que é capaz de mover sua alma binária para um lugar onde viver o sentir é inevitável.
O set list:
"Venus and Mars / Rock Show"
"Jet"
"All My Loving"
"Letting Go"
"Drive My Car"
"Highway"
"Let Me Roll It / Foxy Lady (Jimi Hendrix cover)"
"The Long and Winding Road"
"Nineteen Hundred and Eighty-Five"
"Let 'Em In"
"My Love"
"I've Just Seen A Face"
"And I Love Her"
"Blackbird"
"Here Today"
"Dance Tonight"
"Mrs Vandebilt"
"Eleanor Rigby"
"Something"
"Sing the Changes"
"Band on the Run"
"Ob-La-Di, Ob-La-Da"
"Back in the U.S.S.R."
"I've Got a Feeling"
"Paperback Writer"
"A Day in the Life/Give Peace a Chance"
"Let It Be"
"Live and Let Die"
"Hey Jude"
bis
"Day Tripper"
"Lady Madonna"
"Get Back"
bis
"Yesterday"
"Helter Skelter"
"Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band/The End"
O quarteto de Liverpool provavelmente tem uma ligação de alma que vai através do universo, pois o que se viu ontem nos arredores e dentro do estádio foram ordas de gerações amalgamadas por entre canções sentidas, camisetas e comoção que tomava conta do oxigênio antes da apresentação de Paul McCartney. Mas era necessário chegar primeiro.
Vivemos em um país que prepara-se para uma Copa do Mundo e Olimpíadas, eventos que tomarão de assalto e trarão milhares de pessoas ao Brasil. Os dois shows do músico inglês estão com os ingressos esgotados.
Se o público da primeira noite repetir-se hoje, um total de aproximadamente 130.000 pessoas passarão pelas ruas e avenidas que circulam o estádio. Andando é possível notar que a estrutura montada para dissecar o caótico trânsito da cidade de São Paulo, começava bem antes do local do show. Corredores montados e por incrível que pareça, uma organização boa. Mas seria muito plausível que o transporte público melhorasse, afinal de contas na saída do Morumbi, anotaram-se vários relatos de problemas com taxistas. Não se constrói um mega evento baseado na extorção do público. Nem antes ou depois.
Filas de entrada até organizadas e contando com a boa educação das pessoas. Muitos "espertos" que tentavam fura-las (pois elas circulavam o perímetro do estádio), eram rechaçados com vaias e ações. Nada violentas, pois a presença da Polícia intimidava um pouco. O que não impediu que nas grades em formação de caracol à beira da entrada, os mesmos "espertos" pulassem e furassem a fila.
Nem todo mundo está preparado.
Para quem foi andando e chegou ao estádio duas horas antes do início do show, a entrada foi fácil. Mas a catarse maior ainda estava longe de acabar...
Existe uma relação afetiva e de vida muito grande com um artista como Paul McCartney. Muito por saber que, este senhor de 68 anos escreveu em claves, trilha sonora de escolhas, romances e mudanças de rumo em vidas. Canções que transformam seu humor, te fazem chorar e sorrir na mesma proporção como mostram caminhos. Porque música, livros e cinema importam (e muito).
Só por isso já seria um dia mais do que especial, poder ver de perto um cara que moldou sua vida de tantas formas, que talvez nem seis graus de separação possam ser suficientes.
Isso explica a beleza plástica viva das arquibancadas lotadas do início ao fim de sua estrutura anatômica. Um gramado recoberto de tapumes plásticos que tornariam-se ao longo de três horas de show, artéria que pulsava energia. Era possível pelo canto do olho esquerdo, perceber pedaços incandecidos de almas saindo dos corpos e formando uma aura cervical latente. Por veias aéreas essa energia canalizava-se para um local, que respondia assim....
E tudo começou quase de surpresa quando os primeiros acordes de Venus and Mars e Rock Show tocaram o ar. Não que fosse necessário, mas já na primeira interação com o público, McCartney foi de uma simpatia tão absurda (em tempos onde as pessoas não tem mínimas ações educadas), que quando All My Loving foi disparada não havia mais espaço para uma separação entre platéia e palco. O bequer perfeito para que durante toda a apresentação a platéia fosse um show a mais. Enganou-se quem achava que apenas canções da antiga banda de Paul iriam ser cantadas. Let Me Roll It, Band On The Run e até Nineteen Hundred and Eighty-Five receberam coros. Dance Tonight com a participação do baterista Abe Laboriel Jr, no melhor estilo macarena. Como comentou uma amiga ao lado, se a banda tocasse ciranda-cirandinha todo mundo iria cantar junto.
Em um show com tamanha quantidade de obras primas, fica quase impossível determinar o que é melhor. Mas uma coisa é certa, mesmo com a super produção, banda afinadíssima e nenhuma surpresa no set list (que pode ser reservada para hoje), Paul é tão gigante quanto o palco. Conversa com o público, ensaia passos de dança desconexa, rege um coro de milhares de pessoas como se fosse a coisa mais fácil do mundo. A platéia embarca na alquimia e os dois momentos onde o músico comandou as vozes, estão entre os melhores da história de shows no Brasil. E mais uma vez o povo foi o diferencial, quando durante A Day In The Life e Give Peace A Chance, uma revoada de balões brancos tomou o estádio.
E aí fica sempre a pergunta:
Com uma coleção de canções como Blackbird, Let It Be, Eleanor Rigby e Something (homenagem à George Harrison), como não deixar a garganta trepidar um espasmo que liga diretamente os olhos marejados?
Talvez por quase três horas até os batimentos cardíacos das pessoas estavam no mesmo compasso. Fazendo com que a canção, que já foi escolhida como a pior da história da música, ficasse tão iluminada quanto a lua que venceu todas as previsões e não deixou sequer um pingo da tal clamada chuva chegar.
São pequenos detalhes que fazem com que o show de Paul McCartney já seja aclamado como o melhor do ano, ou que muitas pessoas já dão por acabado 2010.
Ele percorre o piano, baixo e guitarra, com a mesma desenvoltura com que empunha o bandolim ou ukelele. E depois de uma catarse coletiva, ainda pergunta aos berros, "Do You wanna rock???".
Segundos depois a lava escorre por entre as canaletas do estádio quando Helter Skelter explode. Pesada e furiosa, como nos primórdios.
Isso já bastaria, mas de repente quase 12 horas depois, é possível deixar seu rosto encher de emoção incontida, quando as lembranças do estádio lotado fazendo o backing vocal de Back In The URSS em uníssono explodem nas sinapses. Ou o coro em Hey Jude.
Não importa qual o seu momento predileto, se é que você vai conseguir achar um, mas saiba que essa marca dentro do seu ventriculo esquerdo foi feita por um senhor que faz seu ofício de forma tão magistral, que é capaz de mover sua alma binária para um lugar onde viver o sentir é inevitável.
O set list:
"Venus and Mars / Rock Show"
"Jet"
"All My Loving"
"Letting Go"
"Drive My Car"
"Highway"
"Let Me Roll It / Foxy Lady (Jimi Hendrix cover)"
"The Long and Winding Road"
"Nineteen Hundred and Eighty-Five"
"Let 'Em In"
"My Love"
"I've Just Seen A Face"
"And I Love Her"
"Blackbird"
"Here Today"
"Dance Tonight"
"Mrs Vandebilt"
"Eleanor Rigby"
"Something"
"Sing the Changes"
"Band on the Run"
"Ob-La-Di, Ob-La-Da"
"Back in the U.S.S.R."
"I've Got a Feeling"
"Paperback Writer"
"A Day in the Life/Give Peace a Chance"
"Let It Be"
"Live and Let Die"
"Hey Jude"
bis
"Day Tripper"
"Lady Madonna"
"Get Back"
bis
"Yesterday"
"Helter Skelter"
"Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band/The End"
sábado, 20 de novembro de 2010
GD 68 UM POUCO A MAIS
E eu fico pensando aqui com meus botões que maravilha seria SUFJAN STEVENS em algum experimento catatônico com o figurino do Falcão. O disco mais recente do músico (The Age Of Adz) anda desde o lançamento, trazendo mais experimentações acústicas aos canalículos auditivos e definitivamente é difícil ficar indiferente.
No programa de Jimmy Fallon, acompanhado de uma banda que destilava acordes quase aflorados em New Orleans, ele apresentou a canção Too Much.
Confere...
No programa de Jimmy Fallon, acompanhado de uma banda que destilava acordes quase aflorados em New Orleans, ele apresentou a canção Too Much.
Confere...
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
GD 68 DE HARRY PARA JOHN, DE JOHN PARA HARRY
Esse ano criador e criatura além de muito presentes dentro da passagem dos meses, permaneceram cada vez mais vivos dentro da memória que insiste em não trabalhar no coletivo.
Eu não achei o post logo no começo do ano, mas não custa nada relembrar....
HARRY NILSSON foi uma das mais diretas e escancaradas influências dos Beatles. O músico americano não só era citado por Paul e John, como era descaradamente "copiado" pela banda. E esse remixar de notas, é muito relacionado com a maneira como as canções eram compostas. Melodias e letras.
Uma entrevista famosa dos quatro meninos de Liverpool na barackolândia mostrava isso claramente. Um repórter vira-se para John e pergunta quem é o melhor compositor americano.
Ele responde: Nilsson.
O repórter volta-se então para Paul e pergunta sobre o melhor letrista.
Paul responde: Harry.
E mesmo assim o músico americano era praticamente desconhecido do grande público. Mesmo com uma discografia extensa e com pelo menos quatro discos entre os melhores de todos os tempos. Harry não só influenciou os Beatles, como também ajudou a catapultar a carreira de uma outra banda que foi criada para rivalizar com os ingleses na época, The Monkees. E mesmo com os ingleses lançando a carreira do músico, ele não conseguiu seu lugar na história de primeira.
E estamos falando aqui de um cara que trabalhou com gente grande...
Nilsson morreu em 1994 e não pode ver o magistral documentário que sairá em vídeo em breve, Who is Harry Nilsson? (And Why Is Everybody Talkin' About Him). Uma homenagem mais do que justa.
E como se Harry soubesse que seu legado seria eterno, acabou homenageando seus fãs que tornaram-se ídolos de seu país com duas covers magistrais. Primeiro Mother Nature's Son e She's Leaving Home.
Depois veja se você conhece uma das grandes canções do compositor que influenciou a maior banda de todos os tempos...
Mother Nature's Son / Harry Nilsson by GDO2
She's Leaving Home / Harry Nilsson by GDO2
Eu não achei o post logo no começo do ano, mas não custa nada relembrar....
HARRY NILSSON foi uma das mais diretas e escancaradas influências dos Beatles. O músico americano não só era citado por Paul e John, como era descaradamente "copiado" pela banda. E esse remixar de notas, é muito relacionado com a maneira como as canções eram compostas. Melodias e letras.
Uma entrevista famosa dos quatro meninos de Liverpool na barackolândia mostrava isso claramente. Um repórter vira-se para John e pergunta quem é o melhor compositor americano.
Ele responde: Nilsson.
O repórter volta-se então para Paul e pergunta sobre o melhor letrista.
Paul responde: Harry.
E mesmo assim o músico americano era praticamente desconhecido do grande público. Mesmo com uma discografia extensa e com pelo menos quatro discos entre os melhores de todos os tempos. Harry não só influenciou os Beatles, como também ajudou a catapultar a carreira de uma outra banda que foi criada para rivalizar com os ingleses na época, The Monkees. E mesmo com os ingleses lançando a carreira do músico, ele não conseguiu seu lugar na história de primeira.
E estamos falando aqui de um cara que trabalhou com gente grande...
Nilsson morreu em 1994 e não pode ver o magistral documentário que sairá em vídeo em breve, Who is Harry Nilsson? (And Why Is Everybody Talkin' About Him). Uma homenagem mais do que justa.
E como se Harry soubesse que seu legado seria eterno, acabou homenageando seus fãs que tornaram-se ídolos de seu país com duas covers magistrais. Primeiro Mother Nature's Son e She's Leaving Home.
Depois veja se você conhece uma das grandes canções do compositor que influenciou a maior banda de todos os tempos...
Mother Nature's Son / Harry Nilsson by GDO2
She's Leaving Home / Harry Nilsson by GDO2
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
GD 68 DE BOB PARA JOHN E YOKO....
Vivemos tempos onde a tecnologia substitui quase todas as necessidades primitivas, por outras que possuem um eterno vácuo que esvazia certos aspectos da alma humana.
Necessário é relembrar que nos tempos em sépia, as atitudes eram muito mais importantes que adulações e hipysmos.
O ano era 1972 e a Guerra do Vietnã ainda ecoava forte pelos corredores escuros da sociedade americana. A quantidade de soldados morrendo por uma causa não tão nobre, que anos depois no documentário Sob a Névoa da Guerra, Robert McNamara (então secretário da defesa americano na época), admitiu.
O ex-secretário ainda no documentário cita algumas lições que aprendeu com o conflito:
Conseguir a informação precisa sobre o inimigo (coisa que o governo americano não sabia quando entrou em guerra) e que o ver e o agir podem falhar catastroficamente.
Nixon além do descontrole sobre a guerra, não admitia muitos protestos em relação ao conflito. Não apenas a sociedade queria o fim da batalha, mas um dos maiores pacifistas do mundo também.
JOHN LENNON acompanhado por sua mulher YOKO ONO, protestavam pesadamente contra a administração americana. Para o presidente e sua cúpula era inadmissível um inglês colocar o bedelho em assuntos yankes.
Então baseados em um processo de 1968 onde o músico foi preso por porte de maconha, assim como uma violação na lei de imigração, Nixon pediu a cabeça de Lennon e Yoko em uma bandeja azul e vermelha estrelada.
Obviamente uma onda pacifista correu em favor do ex-Beatle e milhares de cartas endereçadas à Casa Branca invadiram o espaço aéreo presidencial, uma delas de um compositor que já estava há tempos na guerrilha, chamado BOB DYLAN.
O cantor americano escreveu quase um poema libertário em favor do casal. A carta dizia que era primordial para que a cultura americana continuasse livre a presença dos dois paladinos.
Obviamente o movimento pró Lennon deu certo e o governo americano apenas conseguiu livrar-se do incômodo músico, quando descobriu Mark Chapman.
A carta, a transcrição e a tradução você lê abaixo.
"JUSTICE for John e Yoko!
John and Yoko add a great voice and drive to this country’s so called ART INSTITUTION / They inspire and transcend and stimulate and by doing so, only can help others to see pure light and in doing that, put an end to this mild dull taste of petty commercialism which is being passed off as Artist Art by the overpowering mass-media. Hurray for John & Yoko. Let them stay and live here and breathe. The country’s got plenty of room and space. Let John and Yoko stay!"
Bob Dylan.
TRADUÇÃO:
JUSTIÇA para John e Yoko!
John e Yoko adicionam uma grande voz à sociedade americana e enfrentam a chamada INSTITUIÇÃO DA ARTE / São eles que inspiram, transcendem e estimulam e ao fazê-lo, só podem ajudar o nosso povo à ver uma luz pura. Fazendo isso colocam um ponto final neste sabor suave e maçante do mercantilismo pequeno, que está sendo passado como arte pela avassaladora da mídia de massa.
Viva o John eYoko.
Deixe-os ficar e viver aqui e respirar. Existe muito espaço e quartos nesse país.
Deixe John e Yoko ficarem!
Essas e outras histórias estão no livro, que é um documento à respeito da vida e luta de John Lennon em favor da liberdade e da paz, Gimme Some Truth: The John Lennon FBI Files, escrito por Jon Wiener.
Necessário é relembrar que nos tempos em sépia, as atitudes eram muito mais importantes que adulações e hipysmos.
O ano era 1972 e a Guerra do Vietnã ainda ecoava forte pelos corredores escuros da sociedade americana. A quantidade de soldados morrendo por uma causa não tão nobre, que anos depois no documentário Sob a Névoa da Guerra, Robert McNamara (então secretário da defesa americano na época), admitiu.
O ex-secretário ainda no documentário cita algumas lições que aprendeu com o conflito:
Conseguir a informação precisa sobre o inimigo (coisa que o governo americano não sabia quando entrou em guerra) e que o ver e o agir podem falhar catastroficamente.
Nixon além do descontrole sobre a guerra, não admitia muitos protestos em relação ao conflito. Não apenas a sociedade queria o fim da batalha, mas um dos maiores pacifistas do mundo também.
JOHN LENNON acompanhado por sua mulher YOKO ONO, protestavam pesadamente contra a administração americana. Para o presidente e sua cúpula era inadmissível um inglês colocar o bedelho em assuntos yankes.
Então baseados em um processo de 1968 onde o músico foi preso por porte de maconha, assim como uma violação na lei de imigração, Nixon pediu a cabeça de Lennon e Yoko em uma bandeja azul e vermelha estrelada.
Obviamente uma onda pacifista correu em favor do ex-Beatle e milhares de cartas endereçadas à Casa Branca invadiram o espaço aéreo presidencial, uma delas de um compositor que já estava há tempos na guerrilha, chamado BOB DYLAN.
O cantor americano escreveu quase um poema libertário em favor do casal. A carta dizia que era primordial para que a cultura americana continuasse livre a presença dos dois paladinos.
Obviamente o movimento pró Lennon deu certo e o governo americano apenas conseguiu livrar-se do incômodo músico, quando descobriu Mark Chapman.
A carta, a transcrição e a tradução você lê abaixo.
"JUSTICE for John e Yoko!
John and Yoko add a great voice and drive to this country’s so called ART INSTITUTION / They inspire and transcend and stimulate and by doing so, only can help others to see pure light and in doing that, put an end to this mild dull taste of petty commercialism which is being passed off as Artist Art by the overpowering mass-media. Hurray for John & Yoko. Let them stay and live here and breathe. The country’s got plenty of room and space. Let John and Yoko stay!"
Bob Dylan.
TRADUÇÃO:
JUSTIÇA para John e Yoko!
John e Yoko adicionam uma grande voz à sociedade americana e enfrentam a chamada INSTITUIÇÃO DA ARTE / São eles que inspiram, transcendem e estimulam e ao fazê-lo, só podem ajudar o nosso povo à ver uma luz pura. Fazendo isso colocam um ponto final neste sabor suave e maçante do mercantilismo pequeno, que está sendo passado como arte pela avassaladora da mídia de massa.
Viva o John eYoko.
Deixe-os ficar e viver aqui e respirar. Existe muito espaço e quartos nesse país.
Deixe John e Yoko ficarem!
Essas e outras histórias estão no livro, que é um documento à respeito da vida e luta de John Lennon em favor da liberdade e da paz, Gimme Some Truth: The John Lennon FBI Files, escrito por Jon Wiener.
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