quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

GD 74 OS MELHORES DE 2010


A tradição é quase nostálgica. Por mais que se fuja do quesito listas de fim de ano, pouco pode-se escapar delas. Amarradas em um inconsciente coletivo que foge do controle de qualquer sinapse desavisada.
Elas são aglomerados de sensações que transpassaram por entre os ventrículos de quem elege os melhores de cada ano.

Obviamente a isenção e profissionalismo muitas vezes são a tônica, mas por muitas outras, elas tem um carater didático demais e messiânico por exagero. As ocasiões onde a impressão de que somos vulcanizados na borracha pesada de opiniões alheias é massacrante. Uma ditadura do que é ou não importante para você, que ao invés de ajudar, aumenta a sua sensação de deslocamento dentro do mundo cultural que o cerca.

Convenções, conceções, adulações ou qualquer dos ões que você puder imaginar. Por isso no primeiro ano onde o Gangrena Diario faz suas listas de fim de ano, resolvi inverter o jogo. Como seria se cada um pudesse fazer a sua própria e esta ter o mesmo peso e importância dentro de um texto de fim de ano. Que tenham a mesma relevância que qualquer uma  montada por catedráticos da bola.
Mostrar o que moveu o coração de cada pessoa esse ano, por um simples e puro bater ventricular acelerado.

Nada de times especializados em milhares de vírgulas que por vezes impõem uma verdade que merece ser única para cada pessoa. Por isso mesmo mais verdadeira e poderosa.
O GD chamou leitores, colaboradores (que também leem o blog) e pedimos para que cada um montasse sua lista com os seus melhores de 2010. Uma coleção ímpar de opiniões e categorias que passam pelos discos, shows, sites, livros etc e tal.

Mas não pense que isso apenas é um privilégio de poucos e bons.
Nada disso.
O intuito aqui é compartilhar opiniões e abrir discussões. Transmitir informação e remixar os melhores para cada pessoa. Montar uma enorme lista coletiva de gostos diferentes e opiniões. Por isso MANDE A SUA LISTA PARA GENTE!!!!

O e-mail é : gangrenadiario@gmail.com.
Você escreve no título "As Minhas Dez Melhores de 2010". Descreve a categoria, e manda. O post será atualizado durante o mês de janeiro de 2011 e no início de fevereiro rola um sorteio com as pessoas que mandaram suas listas, o prêmio será divulgado em breve. O mais importante é que esse post seja um coletivo de idéias e milhares de dicas para quem lê.

E antes de começar o processo coletivo, um enorme abraço e agradecimento eterno para as pessoas que passaram por esse site e tornaram-se mais do que leitores, mas também próximos do ventrículo esquerdo. Juju Gomes, Marcos Xi, Lucas Lima, Milla Pupo, Bia Poiani, Lory Loove, Dani Hasse (que concedeu uma entrevista relâmpago sobre a capa do EP Bats da banda Insect Guide, desenhada por ela, que foi sensacional), Homero Gomes, Chieko Nakanishi, Juliana Biazetti, Bebel e a sempre presente Virgínia Serralha, os novos comparsas Raul Ramone e Moisés Lima. Enorme abraço e um fodástico 2011 à todos.

Agora veja as primeiras listas feitas por pessoas que são sensacionalmente especialistas em sentir. Mande a sua e participe. Traficar a informação é dever de todos!!!!!!

A primeira é do comparsa Marcos Xi. Editor do site ROCK IN PRESS. Com uma plataforma de lançamento para bandas nacionais e inesgotável capacidade de transformar notícias em algo atraente e cheio de informações necessárias. É dele os dez melhores discos nacionais do ano. Para encontrar o carioca Xi:

ROCK IN PRESS, o site.
Twitter.


01 - Mombojó – Amigo do Tempo
Amigo do Tempo representa o amadurecimento de uma banda que talvez tenha brigado até entre si mesma para chegar num som mais coeso e conciso. Não é um álbum de fácil audição. Requer requinte, clima e atenção. Descobrir cada detalhe de cada música é uma nova chance de descobrir uma mais nova melhor música.



02 - Tulipa Ruiz – Efêmera
Foi como estreiar com os dois pés direitos. Tulipa simplesmente colocou no mundo um álbum praticamente irretocável, cheios de detalhes e estruturas sonoras desnorteantes, passando longe de mesmisses cantadas por ‘novas cantoras do Brasil’. Doce e sincero. Todo o álbum deveria ser assim.


03 - Marcelo Jeneci - Feito Pra Acabar
Completando a incrível trinca de álbuns quase irretocáveis do ano, Feito Para Acabar soa como a trilha sonora da esperança do seu dia-a-dia. Existe ali uma música que você gostaria que Marcelo escrevesse para seus dias ou mesmo um momento que você já viveu. Muito sentimento em poucos acordes.


04 - Jennifer Lo-Fi - Summer Session EP
A beleza desse EP está na forma como ele foi contruido: Todo gravado ao vivo, parece ter deixado-o mais orgânico. Você sente as canções de maneira mais fácil e a complexibilidade dos arranjos acaba não te atrapalhando e levar consigo o cd no seu player. Feito para extravasar e apontar novos futuros.



05 - Team.Radio - White Tokio EP
Como uma pétala de flor que cai em nosso ombro, White Tokio é simplesmente um disco ainda desconhecido, que poucos sortudos puderam desfrutar, mesmo que esteja para download gratuito na Sinewave. O album é puro sentimento em guitarras distorcidas e melodias vocais viciantes. Shoegaze na sua forma mais pura.


06 - Holger – Sunga
Sunga não é bem o melhor que eles poderiam dar ou o mais belo que os fãs poderiam ouvir. É uma coleção de canções que, na sua junção, alegram o dia do mais deprimido Keanu Reaves que possa estar se sentindo Forever Alone. Música para importar, show para pular e álbum para guardar.


07 - Rosie and Me - Bird and Whale EP
O registro de estréia dos curitibanos trás a nata de seu repertório em versões de qualidade maravilhosa. Agora, junto com a Curve Music (selo), o trabalho parece ganhar asas para os EUA e Londres, locais que facilmente se definiriam como a casa deste folk simples e belo. Ep com extremo gostinho de quero mais.


08 - Sabonetes – Sabonetes
Jovens, talentosos e cheio de gás, acabaram virando uma das grande promessas futuras da música, capaz de romper a fronteira do indie com o mainstream – fato que ocorre pela banda fazer sua fama em festivais independentes e assinar com a gravadora do capitalista mestre da música, Rick Bonadio. Ótima coleção de canções colantes e bem produzidas.


09 - Love Bazucas - Love Bazucas EP
Juntar o poder de duas máquinas de fazer música boa só poderia dar nesse grande álbum. A estréia do Love Bazucas é surpreendente em conseguir manter o meio termo e agradar tanto os fãs de Black Drawing Chalks quanto do ex-Forgotten Boys Chuck Hipólitho. Quatro canções diretas e poderosas, resultando num ouvido desnorteado e olhos arregalados.


10 - Dorgas - Verdeja Music EP
Uma das grandes apostas para 2011 se foca em literalmente parecer diferente, usando-se de nomes bizarros e organização melódica altamente contraditória. Letras mínimas sem o mínimo de contexto e troca abrupta de clima nas canções, além da gravação lo-fi nos vocais, são os detalhes que fazem o charme da banda. Definitivamente algo para estar de olho em 2011.


A próxima lista foi feita pela leitora do site e interativa até a última gota de tatuagem, Milla Pupo. Jornalista de formação e uma das mais rápidas sinapses que já conheci. Com ela vem seus melhores shows de 2010. Para encontrar a Milla por aí, o twitter: @millapupo.


Metallica
Eu fui ao show do Metallica pela primeira vez em 99 aqui no Brasil e, embora tenha sido ótimo, não tinha telão e eu, baixinha que sou só consegui ver o baterista, Lars Ulrich após pular muito, portanto Metallica entra na minha lista de 2010 porque finalmente consegui ver a banda e, além disso, qualquer show que comece tocando Ennio Morriconne merece todo respeito do mundo [a abertura, extremamente emocionante ficou por conta de The Ecstasy of Gold, trilha do filme The Good, the Bad and the Ugly]. Não sei descrever a emoção de ouvir aquilo.



The Mars Volta
Show redondo, emocionante, sem arestas. Foi o presente surpresa do ano. Ver, ouvir e, porque não, sentir Omar Rodríguez-López e Cedric Bixler-Zavala ao vivo é digno de qualquer experiência que merece ser guardada na lembrança para sempre. Portanto não apenas melhor de 2010, como um dos melhores da vida, com certeza.




Rage Against the Machine
Sinto que é quase um pleonasmo falar que RATM foi um bom show, porque é meio que uma obviedade isso, mas foi demais. Quando o show começou, eu senti que meu coração podia explodir de raiva. É uma sensação estranha, um misto de fúria com indignação e uma vontade de mudar tudo, é o que o RATM provoca em quem escuta, ainda que temporariamente e sem efeitos prolongados. Posso falar que pulei como se não houvesse amanhã, verdade que também fui igualmente empurrada, esmagada e quase pisoteada, mas jamais esperei pessoas tranqüilas nesse show. RATM entra na lista porque além de histórico, foi um show para gritar, pular, para ter raiva, para ter 15 anos de novo e xingar o sistema.



Los Hermanos
Só consigo definir como um show puramente emocional. É o principal peso que levo. Eu chorei, cantei, pulei e sorri demais. Piegas? Talvez, mas Los Hermanos entra na lista puramente pela simplicidade de conseguir me emocionar como poucas bandas conseguem, é show de fazer carinho na alma.



Mika
Lembro de uma festa na casa de um amigo que dançamos ‘Grace Kelly’ seguido do comentário “Nossa, deve ser tão legal um show do Mika!” e não estávamos enganados, é demais mesmo. Mika tem carisma, faz qualquer um dançar, não tem como ficar indiferente no show, ele é um verdadeiro frontman, além da banda e de toda produção de palco. Mika entra na lista por deixar de ser apenas um show, é um espetáculo a favor dos sentidos: é áudio, é visual e altamente contagiante e, se fosse ter cheiro e sabor, com certeza seria o de um pirulito




Depois da dose ao vivo, algo nas entrelinhas. A próxima lista vem de uma das primeiras leitoras do blog, a menina dos livros, Juju Gomes. Inserida dentro do mundo das letras ela é aposta certa nesse quesito. Antenada em tudo o que se lançou esse ano. A introdução é dela:

"Há uma semana atrás, o Fábio (@gangrenadiario), mandou um convite com a proposta: fazer uma lista dos meus 10 livros preferidos do ano. No ínício, achei que seria fácil mas a liberdade de colocar apenas 10 dos mais variados gêneros, me deu medo.
Depois do receio inicial cheguei a esta lista, espero que possa ter resumido o meu gosto pessoal e que seja uma dica de presente aos leitores":


1 . Jeff em Veneza, morte em Varanasi (Geoff Dyer) Editora Intrínseca

Este livro mostra que policial não é sub gênero e pode ser bem escrito!


2 . Miguel e os demônios (Lourenço Mutarelli) Companhia das Letras

Apesar de não ser quadrinho, o autor manteve o ritmo acelerado do início ao fim! Eu sou fã, então...


3 . Freedom (Jonathan Franzen) Farrar Straus Giroux

Ainda sem tradução em português, comprei no original prá poder reclamar e me dei mal...o modismo não é a toa. Jonathan Franzen se continuar assim poderá ser o novo Phillip Roth.


4 . Poema em quadrinhos (Dino Buzzati) Cosac Naify

Leu “Deserto dos Tártaros”? Ainda não? Dino Buzzati é leitura obrigatória, sempre.


5 . Catatau (Paulo Leminsky) Iluminuras

Reedição do único livro em prosa de um dos mais notáveis escritores brasileiros.


6 . Meio intelectual, meio de esquerda (Antonio Prata) Editora 34

Não basta ter humor, tem que ser bem escrito e inteligente como Antonio Prata.


7 . Alice no país das maravilhas (Lewis Carroll) Jorge Zahar

Edição com a qualidade de tradução já conhecida pelo mercado, além da estética apurada e preço prá lá de acessível.


8 . Um erro emocional (Cristovão Tezza) Editora Record

A emoção do amor pelos livros que passam do autor para a leitora ou vice versa...Ficou curioso? Leia!


9 . Selo Farol HQ da Editora DCL

Como o selo está em formação, não colocarei títulos mas os clássicos para uso escolar mostra que há vida inteligente na literatura infato-juvenil.


10 . Andy Warhol – O Gênio do Pop (Tony Scherman) Editora Globo

Uma biografia esclarecedora sem ser piegas.

Dica: Compre de editoras que respeitem sua inteligência.

Eu sou a Juju, uma livreira marketeira que é uma das pessoas mais cri cris em relação a literatura que você deve ter conhecido.

Flickr: http://www.flickr.com/photos/juju_gomes/

Twitter: @juju_gomes

Blog: http://alemdopdf.wordpress.com

Listão esse hein???!!!!
Depois da bela, a fera. Raul Ramone surgiu de sobrenome punkeado e tomou de assalto a internet. O blog Degenerando Neurônios assim como o tumblr, são dois dos mais bacanas na binariedade e a capacidade de garimpagem desse cronista é arrebatadora. Com ele chegam as dez covers do ano. Para achar o cidadão, os locais são:
Site:  http://degenerandos.blogspot.com/
Tumblr:  http://degenerandoneuronios.tumblr.com

Limp Bizkit tocando "Yellow" só reforça a teoria de que TODO MUNDO gosta do Coldplay, uma das melhores bandas inglesas surgidas nos últimos anos.



Sheryl Crow com apoio do The Roots, somado à participação de Chuck Leavell, tocando "All Down The Line", dos Rolling Stones é o mesmo que dizer: "não tem como dar errado".



Obrigado The Kills por regravar "Pale Blue Eyes", do Velvet Underground e mostrar, na prática, que só a Marisa Monte é capaz de estragar uma música tão bela quanto essa.




Of Montreal fazendo um medley com clássicos do álbum Thriller, de Michael Jackson é pura diversão.




Will Ferrell consegue cantar "Power of Love", da Celine Dion, e não soar cafona (sem contar que ficou muuuito engraçado).





Beck, Sérgio Dias, Annie Clark, Daniel Hart, Brian Lebarton, além dos integrantes do Liars - todos surpreenderam na regravação de "Never Tear Us Apart", do INXS.



Record Club: INXS "Never Tear Us Apart" from Beck Hansen on Vimeo.


O duo The Bird and The Bee e sua versão para "I Can’t Go For That", do Hall and Oates, representa uma das melhores honenagens registradas no álbum Interpreting the Masters volume 1: A tribute to Hall and Oates.



Essa versão da Eliza Doolittle para "Fuck You", do Cee-Lo Green, é hilária, simplesmente pelas caras e bocas que a cantora faz ao dizer Fuck You.



Muito legal ver a Lykke Li ressuscitar "Ready Or Not", do antigo Fugees - de Wyclef Jean, Lauryn Hill e Pras Michel.




John Legend e o The Roots deixaram o mundo de queixo caído (inclusive o meu) ao tocar "Wake Up", do Arcade Fire, durante um show em Nova York.




Após a lista das melhores covers, vamos de mais uma sobre shows. Eis aí que o tom do post começa a tomar corpo. Bia Poiani, talentosa escritora que no seu blog, Pseudopoesia, destila uma série de comentários e métricas assimétricas que transparecem sua força.
São cinco shows e cinco visões diferentes. Por isso mesmo, importantes.
Para achar as destilações literárias de Bia você pode ir ao blog ( http://biapoiani.wordpress.com/ ) ou no twitter ( http://twitter.com/#!/biapoiani ). Eis a lista...

"Quando fui convidada a falar dos melhores shows de 2010, imaginei ser fácil, afinal, foram inúmeros. Ledo engano. Este ano foi um festival de sensações e perreios que fica difícil ser justa e fazer uma lista com os melhores.
Dito isso, e sem capacidade emocional de selecionar por ordem de relevância, aqui vai um Top 5 beem pessoal":

- The Swell Season HSBC Music Hall, 26.08

Sabe aquela dupla fofinha do filme “Once – Apenas Uma Vez”? Experimente se deliciar com a trilha sonora (com a maioria das músicas previamente decoradas) ao vivo. Acrescente canções incríveis da irlandesa The Frames, um vocalista que berra com a alma e tenha uma noite de arrepios, risadas e lágrimas. Sim, tudo é possível nas mãos de Glen Hansard, que te emociona ao cantar sem microfone, e te faz rir com piadinhas típicas de “gringos” abismados com coisas que só se vê em terras tupiniquins. Soube da vinda da banda a dois dias do show, participei de uma promoção de última hora, e pela primeira vez na história ganhei um par de ingressos. Só isso já tornaria a data inesquecível.



- Paul McCartneyMorumbi – 22.11

Imagino que só de ler o nome do homem, comentários se tornam vagos. Mas, show é uma experiência um tanto particular, e é difícil escolher um único momento foda deste espetáculo.
Mais que o encontro de gerações e coros uníssonos em um estádio lotado, pra mim - e minha humilde e particular opinião -, não há nada mais tocante que presenciar o esforço de um artista em falar português. E, mesmo que muitas dores de cotovelo digam por aí que ele faz isso “em todo país que vai”, é exatamente aí que está a beleza do ato: ele faz isso em TODO país que vai! Já parou pra pensar quantos shows ele fez na vida? E por acaso ele precisaria se dar o trabalho de agradar alguém? Sir Paul faz questão de ser agradável, divertido, de estar em contato com seu público, nos leva para uma grande noitada com os amigos, ao som de canções inesquecíveis. Mais emocionante que ouvir clássicos do Fab Four, foi me divertir com Macca (o amigo, chegado) improvisando “tudo bem in the rain”.



- Dave Matthews Band SWU – 10.10.10

Ok, aqui entra um comentário muito suspeito. Sou completamente enlouquecida por este homem, e qualquer ruído que ele fizesse no palco já me agradaria. Ainda mais quando este mesmo ser ensandecido havia perdido todos os shows que ele fizera por aqui.
Devidamente instalada na grade da pista VIP, eis chega um cara de estatura média, com o violão na altura do peito, andando tranquilamente, analisando o palco, olhando todos os detalhes, esperando a banda se ajeitar... E, sem dar tempo de você se dar conta do que estava por vir, ele explode seus sentidos com “Shake me like a monkey”. A partir daí, o show se torna uma grande Jam session, com músicos confortáveis e íntimos dos seus instrumentos, um líder apaixonado pelo que faz e pelo seu público, uma energia contagiante e indescritível. É possível notar, nos olhos de cada um, o tesão de estar ali, naquele palco, naquele único momento. Você sente, e você se deixa levar, e quando menos percebe, já se esvai em lágrimas. E isso, são poucos que conseguem transmitir.



- Rage Against the MachineSWU – 09.10.10

Há toda uma adolescência roqueira aqui que explica minha euforia neste soco na boca do estômago que foi o RATM. Freqüento shows de rock desde meus 13 anos, e, em TODOS que estive, uma mesma cena se repetia: a execução de Killing in the Name, seja no rádio sintonizado no momento, ou o coro que começava sabe-se lá de onde. Era um hino, um mantra, música obrigatória decorada religiosamente. E foi assim, durante mais de uma década, que guardei minhas memórias musicais. E de repente eu tava ouvindo ali, batendo cabeça e ouvindo essa porra direto da fonte! Foi um filme que passou em 4 minutos na minha cabeça, no meu corpo, nos meus gritos. Não tenho palavras pra descrever a emoção de estar ali. Voltei pra adolescência, perdi a voz, libertei o espírito.



- MetallicaMorumbi - 30.01.10

Em 99, com espinhas na cara e 14 anos no RG, eu vi Metallica. Eu cantei e gritei e chorei por Enter Sandman, por Nothing Else Matters, aprendi a apreciar Four Horsemen e im-plo-ra-va por Fade to Black. Obviamente eles não tocariam, estavam no auge da turnê “The Garage Remains the Same” e o negócio deles era tocar cover e variar no Black, Load e Reload. Com alguns clássicos aqui e ali, mas o show marcou uma nova era da banda mais pesada para o meu ouvido.
Onze anos depois, uma expectativa e uma frustração depois (afinal, como esquecer as três horas na fila em 2003), lá estavam eles, desta vez em um lugar maior e mais fraco (é, Morumbi é bem ruim pra shows, devo dizer), mais longes de mim (antes grade da pista, agora cadeira do estádio...), mais velhos, mais poderosos, mais histéricos. Com um setlist incrível, uma veia saudosista pulsando mais fortes neles que em mim. E para minha surpresa, logo no começo escuto os primeiros acordes do que me faria chorar feito um bebê headbanger: os primeiros acordes de Fade to Black, música que embalou minhas paixões estúpidas adolescentes, que eu morreria para ouvir ao vivo, que eu esperava mas temia não ouvir, afinal, seriam 2 shows naquele fim de semana e eles poderiam deixar para o outro dia. Mais uma vez retornei à minha adolescência, mais uma vez me transformei em choro e grito, mais uma vez saí de alma lavada.



Bom e depois dessa confraria neuronal, não pense que não existiria uma lista com os melhores do ano feita por esse sacripanta que vos escreve. Minha pequena parte nesse todo serão os melhores discos internacionais. A lista de bolachas vem um pouco mais longa, afinal de contas o ano de 2010 foi recheado de coisas bacanas.

Os melhores discos de 2010 (produzidos na gringolândia):

16) LE NOISE - Neil Young
Não dá para pintar o quadro. O mais recente trabalho do dinossauro é difícil. Guitarras produzidas especialmente para a confecção do disco, sem adição de overdubs ou trilhas extras, Le Noise é uma fotografia crua e nua de um monstro nas composições. Young é tão visceral quanto genial na medida desconcertante. Demora para digerir, mas quando o disco torna-se palatável, fica extraordinário.


15) THIS IS HAPPENING - LCD Soundsystem. 
Não é metade da pedrada que foi Sound Of Silver e tem menos virulência que o primeiro disco do combo liderado por James Murphy que vem ao Brasil em 2011, pelas mãos do Festival Popload Gig. Mas esse registro da banda é poderoso o suficiente para deixar no ar canções perfeitas como Drunk Girls, You Wanted a Hit ou I Can Change.


14) NOT MUSIC - Stereolab
O que era um disco repleto de lados B e canções não gravadas tornou-se um dos mais bem acabados e cheios de lisérgicas passagens do melhor estilo pop rock francês. A banda é uma das minhas favoritas por toda a história, mas essa bolacha deixa uma eternidade latente.
Diversão inteligente.


13) HAWK - Isobel Campbell e Mark Lanegan
O terceiro registro da dupla vem com uma aura sombria que desafia o cérebro, seja com a geleira faríngea de Lanegan ou a doce e pesada garganta de Isobel. O tele transporte para algum lugar escuro do country americano e o peso vocal é palpável. A mistura entre o demoníaco e o angelical.



12) THE COURAGE OF OTHERS - Midlake
Se é possível uma banda de folk transmutar a lisergia e a calmaria para dentro de um ritmo tão batido, os texanos da Midlake possuem essa capacidade de sobra. Um disco lançado no segundo mês de 2010 que passou o restante mostrando-se a cada audição, uma das mais bem acabadas produções feitas.

11) KING OF BEACH - Wavves
Não existe apenas um elemento que seja o melhor nesse disco. O pop estranho e caleidoscópico, as distorções em progressão atérmica e as letras com a picardia exata para trazer a diversão suja de volta à pauta.

10) EXPO' 86 - Wolf Parade
O adjetivo maduro talvez não mostre toda a maestria, que foi alcançada pela banda com esse disco. São notas que tem o peso e a poesia na medida exata de alquimia sonora. Um dos que parecem crescer cada vez que se ouve.

09) CRYSTAL CASTLES II - Crystal Castles
Alice Glass ganhou definitivamente o status de musa lado B mais perigosa do planeta, com suas apresentações com fetichismo violento em cima do palco. O disco mais recente da dupla mostra que é possível construir música eletrônica com apelo de pista de dança, sem perder a pau durescência do punk que aflora no trabalho da banda.

08) THE GOLDEN PERIOD - TV Buddha
Uma das maiores surpresas do ano. Essa banda que tem mãos pesadas, construiu um dos registros mais concretados de 2010. Distorção e um peso tectônico que transbordam em cada nota. É difícil não deixar-se atordoar pelas pancadas seguidas e com a velocidade descomunal desse quarteto, que nesse próximo ano deve ser mais ouvido.

07) THE AGE OF ADZ - Sufjan Stevens
As experimentações desse artista transcendem o que pode-se considerar meramente um amontoado de citações. O senhor Stevens tem mais ases nas mangas de chapeleiro maluco, que a maioria das atrações dentro do cenário. Esse disco é a prova definitiva de que isso acontece.

06) THE FOOL - Warpaint
Elas terminaram o ano como as namoradinhas do mundo alternativo. O quarteto não contentou-se apenas em ter a produção de John Frusciante, mas também construiram um dos mais belos discos de 2010. A cadência cheia de inteligência e canções inesquecíveis fazem dessa estréia uma das melhores de todos os tempos. L.A. bem representada.

05) BROTHERS - The Black Keys
Um dos cinco maiores petardos do ano. A dupla da barackolândia montou um aula sobre blues e rock que tem todas as pretensões e razões para tornar-se épica. O início do disco com as canções Everlasting Night, Next Girl e Tighten Up é de paralisar sinapses e deixar qualquer um boquiaberto. Pedrada.

04) ALPS - Motorama
Os russos em pouco menos de quarenta minutos dão uma aula de pós punk e pop cinza que é de cortar o coração, tamanha a beleza das composições. Letter Home e Wind In Her Hair são duas das mais bonitas canções do ano e o disco todo é de uma beleza triste inigualável.

 03) THE SUBURBS - Arcade Fire
Não tem como negar que os canadenses fizeram um disco inacreditável esse ano. Ouvir os subúrbios cantados, foi como observar uma banda saindo do lado mais escuro e tornando-se um gigante incontrolável. Tudo o que a Arcade Fire tocou tornou-se épico e cheio de significado. Por mais que se torça o nariz para o hype, não pode-se negar que o ano foi deles.

02) INNERSPEAKER - Tame Impala
Há tempos que não acontecia uma estréia como essa. O primeiro disco da banda australiana é de uma maestria sem precedentes. Não só absorvendo toda a psicodelia da era Beatles, mas também elevando equações floydianas de épocas barrettianas com uma genialidade ímpar. Não são apenas canções complicadas e cheias de lisergia barata. Alter Ego por exemplo, mostra que o rock escrito por esse quarteto faz dançar do mesmo jeito que realiza cálculos quânticos. Um conjunto de canções espetaculares como Lucidity, I Don't Really Mind, Expectation e um disco todo que é poderosamente hipnótico e bem realizado.

01) I'M NEW HERE - Gil Scott Heron
 Se por um lado The Suburbs é pessoal demais, esse disco do gênio Gil Scott é visceral até o último suspiro de sentimento. Uma história de vida que sangra em cada acorde, em cada verso e por milhares de assimétricas e geniais misturas de rock, hip hop, jazz e claustrofobia. Me and The Devil é uma das melhores canções do ano disparadamente. Um disco onde a vida funde-se com as notas de maneira tão cortante que ninguém sai ileso depois da audição.

Pronto
Esse é só o começo do post.
Leia, palpite, discorde e mande a sua lista pro e-mail do blog!!!!!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

GD 74 UMA IDÉIA RESILIENTE


Existe uma frase dentre tantas que fizeram o filme nada original Inception, tornar-se um dos grandes nomes desse ano no cinema, onde o personagem de Leonardo Di Caprio diz que a coisa mais resiliente na face da terra não são as bactérias, vírus ou agentes patogênicos. Mas sim que uma idéia é a coisa mais resistente e contagiosa que existe. Uma vez implantada no cérebro, torna-se qualquer tipo de sentimento ou ação concreta.

E se existe alguém que tinha esse conceito bem fixado muito tempo antes de A Origem, atende pelo nome de Steven Spielberg. E essa teoria pode ser comprovada depois do lançamento do filme Jaws em 1975.
O pavoroso relato sobre o grande tubarão branco assassino que invade uma pacata cidade de veraneio americano e usa-a como lanchonete, é uma das melhores visões sobre suspense e terror psicológico já feitas.

O diretor consegue sem mostrar muito do grande predador nos momentos iniciais do filme, fazer com que as pessoas criem um clima de tensão tão grande, que a experiência de imersão dentro do cinema é completa. A navalha que corta o cérebro, mais a trilha sonora magistral de John Williams, é tão latente que fica quase impossível sair desse clima. Spielberg consegue de maneira genial implantar o medo dentro da cabeça de milhões de pessoas.

Vai dizer que nunca quando você entrou no mar, alguém não fez uma piadinha ou cantou os acordes iniciais do tema principal do filme. O medo cravado no seu subconsciente toda a vez que entra-se no mar, está relacionado e muito com a inserção da idéia feita pelo diretor.

GD 74 MAIS UM PARA 2011


Sempre existe tempo para mais uma cover.
O disco de estréia da banda THE DIRTYBOMBS é uma coleção de releituras onde o funk e rock eram amalgamados com uma dose certa de kraftwerkianismo. A banda chegará em 2011 com o sucessor de Ultraglide in Blackem.

Por isso essa cover da canção Sharevari, originalmente do combo eletrônico A Number Of Names é uma bela amostra do que esperar na audição dessa nova bolacha calçada nos acordes de 80 e 90.

O track list do novo disco, Party Store que será lançado ano que vem é:

1. Cosmic Cars
2. Sharevari
3. Good Life (Basement Roots Mix)
4. Strings of Life
5. Alleys Of Your Mind
6. Bug In The Bass Bin
7. Jaguar 1.
8. Tear The Club Up
9. 謎のミスタ-ナイソ(Detoroito Mix)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

GD 74 PRESENTE BOM NÃO SE CONSEGUE TODO O DIA


 Bruce Springsteen é um caso que sempre me deixa intrigado. Aclamado como um dos melhores compositores e músicos americanos, mas dentro das terras brasilianas, um artista que tem uma base de fãs não tão gigantesca quanto Bono Vox e o U2 por exemplo.
Nem por isso as histórias envolvendo o chamado The Boss do rock americano, deixam de ser boas. Uma delas tem relação com uma canção que foi escrita por Springsteen para o rei do rock, Elvis Presley.

FIRE, que foi gravada em 1978 para o disco que marcou a volta de Bruce aos vinis depois de um afastamento de três anos, devido à brigas com o empresário Mike Appeal, foi escrita algum tempo antes e seria dada para o ídolo de Bruce.

Darkness on the Edge of Town foi uma hecatômbe de composições, mas o próprio músico decidiu que algumas delas seriam gravadas por outros artistas. Essas "sobras" de estúdio tinham acordes como Because Of The Night que foi historicamente recriada por Patti Smith e a canção Fire que iria para Elvis. O problema é que The Pelvis morreu antes de gravar a canção, fazendo com que Robert Gordon e The Pointer Sisters ficassem com a música.

O disco tinha tanto material extra que foi necessário uma reedição e um documentário pra que se completasse a saga de Darkness. Você ouve a canção que era para Elvis e um trecho do documentário sobre o making of do disco abaixo.




GD 74 DESCONSTRUINDO A PIMENTA...


 Desconstruções foram as novidades dentro de blogs com a veia mais Indiana Jones possível esse ano. Clássicos dos Stones e Beatles colocados em doses, onde cada instrumento pode ser ouvido em particular maestria. Uma das bandas que sempre tiveram a primazia no quesito músicos de primeira, foi a RED HOT CHILLI PEPPERS. Navarro, Slovak ou Frusciante, Flea, Chad e Kieds são sem sombra de dúvida magos no quesito amálgama punk funk e drogas pesadas.

Um dos melhores discos da banda, é sem dúvida Blood Sugar Sex Magic. Suor e exaustão sexual levada em ondas de melodias, que além de grudentas são vulcânicas. E uma dessas faixas é Sr. Psycho Sex. Uma truculenta epopéia de oito minutos, onde a banda suinga sem pena.
A desconstrução da faixa entre guitarra, baixo e bateria deixa claro a maestria das pimentas no quesito rock bem destilado. Frusciante, Flea e Chad em ebulição. Primeiro a guitarra, depois baixo, bateria e os vocais caleidoscópicos de Kieds.





GD 74 APRESENTAÇÕES...

Logo no início do ano, a banda mais importante no mundo da música nesses últimos tempos binários, a RADIOHEAD realizou um concerto beneficente para as vítimas da calamidade que ocorrera no Haiti. Esse show correu o mundo através de uma versão em arquivos de audio. Mas apenas alguns trechos dele haviam sido liberados em vídeo. Nesse final de ano, os presentes parecem não acabar mais.

O show completo está postado dentro da internet e o dvd pode ser baixado na íntegra. O blog onde encontram-se todas as fontes e arquivos para baixar o dvd de graça até janeiro de 2011, está aqui:

http://inez4bears.blogspot.com/2010/12/radiohead-for-haiti-multi-cam-dvd.html.

O show você pode assistir logo abaixo. Uma das mais belas apresentações do ano, filmado, produzido e editado da mesma maneira que o projeto Rain Down, que criou um dvd apenas com imagens gravadas por fãs da banda no dia do show em São Paulo. O set list da apresentação realizada em janeiro, é esse petardo abaixo:

Faust Harp
Fake Plastic Trees
Weird Fishes Arpeggi
National Anthem
Nude
Karma Police
Kid A
Morning Bell
How To Desappear Completely
A Wolf At The Door
The Bends
Reckonear
Lucky
Bodysnatchers
Dollars and Cents
Airbag
Exit Music
Everything Is In The Right Place
You And Whose Army?
Pyramid Song
All I Need
Lotus Flower
Paranoid Android
Street Spirit (fade out)

GD 74 EXPLICAÇÕES.....


Existem as teorizações em relação aos milhares de significados que as letras de rock proporcionam. Uma filosofia quase ecumênica relacionada à milhares de significados pentecostais, que muitas vezes não tem nenhum significado.
Mesmo com verdadeiras obras primas da literatura, em canções como Like a Rollling Stone, Subterranean Homesick Blues e outras, uma grande maioria das letras dentro do rock são simples e por isso mesmo geniais.

Mas de vez em quando um grupo de estudos acaba achando maneiras de comprovar que o que sempre achamos de uma letra estava errado. Ou pelo menos com muitos maiores significados literários.

Veja por exemplo o caso do professor americano, Herman J. Pesterbeer,  que acaba de escrever uma tese de 374 páginas sobre o significado da canção Hot For Teacher. Música que abre o premiado 1984, da banda VAN HALEN.
Antes de qualquer explicação sobre a letra da canção, cabe citar que a banda americana que passou boa parte dos anos 80 e início dos 90 entre as maiores do hardrock, tem uma legião de fãs tão devotos quanto o seriado Star Trek. Existe uma parte deles que dedicam-se ao estudo e dissecação da poesia haleniana. E não são poucas as pessoas que disparam teorias sobre as canções de Eddie Van Halen e companhia. 

As páginas revelam uma inusitada ligação entre a possível e pueril história de luxúria adolescente, com transtornos obsessivos compulssivos do baixista Michael Anthony e seu possível envolvimento com guerrilhas sul americanas. Uma paixão de infância do guitarrista Eddie Van Halen por seu primeiro professor de música, que traumatizou o guitarrista por décadas. Aliás por falar em paixões, outra teoria feita por Pesterbeer é que o baixista da banda, já conspirava dentro desse disco em favor do próximo vocalista, Sammy Hagar.

Em verdade muitos dos possíveis significados da letra da canção da banda continuarão um mistério quase bíblico.
Como por exemplo a ligação entre a música Eruption, do disco de estréia e uma religião. Nessa canção existe uma frase do solo que é repetida três vezes. Isso deu margem a teoria que, essa música já continha citações sobre a Cabala.
Mas o melhor ainda está por vir, já que o professor promete para os próximos anos uma análise completa de outro petardo da banda já na fase Sammy Hagar, o disco OU812.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

GD 73 ELES QUEREM SEU CÉREBRO....


O nome que lembra sensações lascivas e está linkado com milhares de publicações que pretensamente cultuam a liberdade de expressão e as opiniões independentes (mesmo que em um assunto onde gostos misturam-se com tendências) parece não proceder assim, quando o quesito é tratar pessoas que potencialmente poderiam ter idéias novas. Ainda mais se elas forem estudantes da rede pública de ensino.

Tudo começa em Ohio, mais precisamente Columbus. Um estudante fanático por moda e possuidor de um blog sobre o assunto ( Fashion Zag, fora do ar hoje), além de sofrer uma visita do FBI do melhor estilo Dirty Harry de ser, será multado em 12.500 dólares. Na verdade essa quantia de dinheiro, será cobrada para evitar que Ross Ulrich (o menino da foto acima e dono do blog), passe um bom tempo na prisão.
A acusação:

Baixar mais de 1.100 fotos do site da editora Condé Nast Publications. O estudante da rede pública é além de futuro fashionista, uma pessoa comum com milhares de ídolos dentro da moda. Testino, Bruce Webber e outros fazem parte da educação no assunto que Ross possui. Em seu blog, além de comentários também deixava idéias sobre como modelos de roupas e coleções poderiam ter uma visão diferente.

Mas idéias não parecem ser algo que interesse a Condé Nast. Mesmo o estudante conseguindo a maioria das imagens através dos mecanismos de busca do site Google, a multimilionária editora caçou a blogueiro. Colocado na categoria criminal de hacker, o americano agora enfrenta um processo e o acordo que custará caro, aproximadamente 22.000 reais.

A empresa, criada em 1909 por Condé Montrose Nas, foi pioneira ao criar uma estratégia de marketing que hoje é usada em larga escala (tecnicamente copiada). O lançamento de várias publicações, sobre diferentes assuntos. E mesmo com a tão falada crise nas edições em papel, tem uma circulação de exemplares que beira a casa dos 13 milhões vendidos. Vogue, Allure, GQ, The New Yorker e Wired são algumas das revistas que fazem parte desse milionário conglomerado.

Mas o que é interessante, são as questões que levantam-se do assunto. Primeiro porque a editora é a mesma que perdeu o processo contra o cineasta Roman Polanski, quando através de uma de suas publicações (Vanity Fair), acusou o cineasta de em 1969 tentar seduzir uma menor de idade em um retaurante de Nova York. O processo que aconteceu em 2002, foi um fracasso tão grande que nem ao menos a suposta vítima foi convocada ao julgamento. E você imagina algum advogado de acusação, dispensando a testemunha chave para a condenação de um marginal??

Os advogados da editora pensam assim. Polanski ganhou na justiça, mas Ross Ulrich não tem a capacidade de contratar grandes e caros auxiliares legais para defende-lo. E perceba que o argumento para a defesa nem seria tão complicado assim.
A acusação de pirataria é no mínimo absurda. Condenar um jovem estudante à prisão por copiar e colar fotos, é igualmente tão tolo quanto acusar uma revista de outra editora, por usar em suas reportagens ou ensaios, detalhes iguais a outras.

Desde os tempos de Walt Disney, o uso de idéias que são compartilhadas mostram que verdadeiras obras primas são feitas através desse método. Se não fosse assim nem Mickey existiria.
Imagina acusar um autor como Satoshi Kon por plagiar a personagem Professor Xavier. O presidente criado por Kon no desenho Paprika é careca, paralítico e vive de frases filosóficas de efeito.

Plágio????
Obviamente que não. Uma idéia catapultada para outro patamar pelo fantástico animador japonês.
Genial.
Mas não para a editora Condé Nast.

Nem é preciso lembrar que há poucos meses, uma das publicações da editora (a revista Wired), fez uma matéria longa, extensa e paranóica sobre como a internet estava acabada e que o futuro era incerto. Certeza mesmo é que a liberdade de expressão está cada vez mais cercada por grandes corporações. Que decidem o que você deve ler, o que pode fazer.

Tomara que algo aconteça antes delas proibirem o pensar.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

GD 73 VILMA SÓ MAIS UMA TRAGADA

 O dia 30 de setembro de 1960, marca o nascimento por entre as nuvens de uma nova noção de família americana. Junto com os primórdios da televisão os ancestrais dos Simpsons, moravam na idade da pedra. Mas como a família de Springfield, não eram tão politicamente corretos quanto pareciam.

A idéia por trás da série de televisão animada OS FLINTSTONES, era mostrar de maneira cativante a vida de uma família da classe trabalhadora americana, vivendo na Idade da Pedra. 
Fred, Barney, Vilma e Beth formavam os dois casais centrais nos desenhos, que relatavam o cotidiano na vida dessas pessoas. Tão real que por alguns anos a família de Bedrock foi transgressora sem ao menos saber.

Durante os anos de 1960 e 1961, o desenho produzido por Hanna Barbera foi patrocinado por uma marca de cigarros, a R.J. Reynolds Tobacco Company, que anos mais tarde tornaria-se RJR Nabisco. Mas nos tempos em preto e branco, a empresa tinha em seu cigarro WINSTON o nome forte. Então nada mais normal do que fazer anúncios sobre o bastonete nicotinado no horário nobre.

E assim comerciais eram transmitidos nos intervalos do desenho, onde os personagens apareciam dando dragolescas tragadas em longos cigarrros Winston. Até a frase de chamada (Winston tastes good like a cigarette should!!!), era repetida em uníssono por Fred e sua turma.
Após 61, o desenho era escrito visando o público infantil, por isso sairam os cigarros e entraram outras guloseimas não tão modernas quanto a nicotina. Mesmo entendendo que na época existia a glamorização maior do uso da nicotina, ainda guarda certo grau de esquisitice ver os Flintstones fumando.

Como diria Flávio Cavalcante:

" Nossos comerciais por favor!!!!"





GD 73 MAIS UM....

 Já há algum tempo nesse final de ano, a banda Insect Guide vem mostrando que a produção de canções é quase uma grandeza sem final. Primeiro o novo disco (Dark Days & Nights), depois o EP Bats (com capa da design brasileira Dani Hasse) e agora mais um EP com canções inéditas.

Lançado hoje, 5 O' Clock Rocordings é uma coleção de quatro canções com um pouco menos de peso e mais nuvens calmas. Uma tendência iniciada já em Bats, que se confirma com esse lançamento.
Climas menos sombrios e mais contemplativos. A semana passada a banda liberou o vídeo de Grey Sky e agora o disquinho já está disponível para download no site do selo virtual Eardrums Pop.




GD 73 VOZES...


 Enquanto os shoppings ficam cada vez mais abarrotados de pessoas com o mais calórico espírito natalino, ainda existem seres na linha de frente do pandemônio chamado Terra. Por mais que se queira tapar o sol com o hype dos modismos, a tecnologia não liberta o quanto poderia. Ainda mais quando leva-se em conta o fato de que a liberdade nunca esteve tão ameaçada quanto agora.

Mas ainda existem paladinos anarquistas, que habitam por essas padrarias de marasmo, prontas para fazer algo a mais. É o caso da ong THE VOICE PROJECT.
Um grupo de pessoas que tem em comum esse inerente sofrimento secular, que por mais binária que a sociedade torne-se, não apaga a dor.
Nesse caso, mulheres que sofreram estupro, viúvas de guerra e pessoas que tiveram suas vidas mudadas por causa de conflitos armados nas regiões africanas de Uganda, Sudão e Congo, reuniram-se para tentar trazer os soldados que estão em batalha, de volta para a casa.

Esse projeto conta com a ajuda de muitas bandas internacionais, que através das canções e exposição da entidade, alertam para os perigos desses combates armados. Gente com o poderio alternativo de Broken Social Scene, No Age, Rachel Yamagata ente outros. Canções que transparecem um estado de espírito que clama por liberdade contra a guerra.
Uma das mais novas canções do site é essa reunião da banda Broken Social Scene + Joan As A Police Woman, fazendo uma versão da canção Lover's Spit.

Depois ainda No Age + Part's and Labor com Life Prowler.



GD 73 ATAREFADOS....



O ano de 2011 já possui uma série de projetos para o cidadão Damon Albarn. Primeiro o disco da GORILLAZ que sairá na véspera de Natal e será distribuido de graça pela internet. Depois o primeiro álbum de inéditas da banda gênese na carreira do músico, desde 13 lançado em 1999.

A BLUR tem material inédito, revelou o jornal The Sun. Segundo a boataria, a banda já tem agendada sessões de gravação em estúdio no final do mês de janeiro. A previsão de lançamento desse manterial é o final do ano que vem. Mesmo a banda ainda não tendo idéia do que e como fazer com o material novo.
A única certeza é que isso tudo tornar-se-a o primeiro registro de inéditas desde o final dos anos 90.

Hoje, a confraria dos Gorillaz soltou um pequeno teaser do que poderá ser uma das canção do disco novo, veja lá...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

GD 72 UM ARCADE SÓ NÃO FAZ VERÃO.....

Não me comove mais escalações antecipadas de festivais. Muito mais por tudo o que vi esse ano em termos organizacionais do que pelos nomes. O que fica bem claro com tudo isso é que por mais que se esforce, o consumidor final é indignamente tratado pela cadeia alimentar dos shows. E os exemplos são muitos.

Começa com o votado popularmente melhor festival do ano, o SWU. Não dá para entender como os três dias mais cheios de problemas da história dos festivais, podem ser considerado os melhores do país.
Nem é preciso lembrar do perrengue no show do Rage Against The Machine, a volta da Fazenda Maeda que transformou-se em perigosa aventura (se você não acredita, leia o relato feito pelo jornalista Marcelo Costa, no site Scream & Yell).

As conduções, a comida e os banheiros com merda humana até o teto. O desfile de paus no segundo dia, onde urinava-se onde havia espaço livre. Mas mesmo assim é considerado o melhor festival por votação popular.

Aí você não acredita nos números pela óbvia teoria conspiratória, ou acha que realmente não existe consciência. Eu acredito na segunda opção. Quer ver mais???

Paul McCartney.
Coletiva de imprensa. Hotel chique, luzes, filminhos com o cantor mandando um recado aos fãs brasileiros. Tudo lindo e maravilhoso. Mas as informações relacionadas com a venda de ingressos não aconteceram na prática.

Mesmo o documento da release sendo timbrado com o nome da empresa e tudo mais.
Ou seja, a pessoas responsável pelo evento, coloca seu nome em um papel que não vale nada. As datas das vendas foram diferentes e o que foi passado, não aconteceu. Lembro-me claramente que todo mundo queria saber onde Paul passaria seu tempo livre, mas quando perguntava-se sobre vendas de ingressos, a resposta era uma só:
"Estamos preparados". Mentira, não estavam.

As pessoas da própria produtora que estavam organizando a venda no Pacaembu, não sabiam informar absolutamente nada. Cambistas vendendo ingressos no final da fila e não era tomada nenhuma providência. Mas não adianta apenas reclamar dos organizadores. Na internet proliferavam cambistas virtuais, com ingressos com preços absurdos e consumidores que compravam.

Onde está seu deus agora??

U2:
Não é preciso nem recontar as histórias sobre problemas com o site e nas filas. Pontos de venda que abrem com atraso. Policiais despreparados e coniventes com trabalho de cambistas, funcionários da empresa que vende os ingressos sem informações precisas ou corretas.

Vendas de ingressos em horários alternativos depois que todas as pessoas já haviam saído do local, com o uso do jeitinho na boca dos caixas. Sistema virtual de vendas com problemas de travamento e mal funcionamento. A história desse show ainda não acabou, afinal de contas um terceiro concerto está marcado. Mas a desorganização toda mostra apenas uma coisa, ninguém liga para o consumidor final.

Dinosaur Jr. :
O caso do show na casa Comitê Club é ainda mais passível de revolta, por todos os aspectos envolvidos. Primeiro, a casa noturna que se auto intitulava casa de shows e espetáculos, recusava-se a oferecer meia entrada, com o argumento de que era um restaurante.
Mesmo com essa informação sendo desmentida por toda a propaganda no veículo de divulgação da casa (site), a assessoria de imprensa negava que o Comitê Club era casa de shows e insistia que a casa noturna cobrava apenas um couvert artístico.
No caso do show do Dinosaur Jr. , oitenta reais. Mas existiam mesas e alguém comendo no dia do show??

E-mails enviados para os donos da casa pedindo explicações sobre o assunto, davam conta do desconhecimento sobre o atendimento via telefone. Quando interpelado sobre o não oferecimento da meia entrada, a resposta foi que o show já estava sendo feito pelo menor valor possível.

O problema é que a questão não é o menor valor possível, a questão é o não cumprimento de uma lei estadual. O Comitê fechou há poucas semanas, com a justificativa de que não havia espaço para uma casa de porte médio. Em nenhum momento falou-se da falta de ventilação, da truculência dos seguranças ou da infraestrutura precária para suportar um show daquele porte. Deixou-se ainda nas entrelinhas que uma casa como a Chopperia do Sesc é uma das responsáveis pela falência de casas como o Comitê.

Necessário lembrar que o Sesc oferece, preços baixos, shows no horário divulgado, ventilação adequada, comida e bebida boa.
Nomes que tocaram lá esse ano:
Lou Reed, Fuck Bottons, Jonathan Richman, Mombojó e outros mais.

Só gente sem expressão né???

Não me comove mais saber que depois de uma escalação quase ruim, com alguns nomes importantes apenas, o Rock In Rio talvez anuncie a vinda de uma banda muito esperada pelo público brasileiro, a ARCADE FIRE.
Não me enche de orgulho, pois o problema não é o festival voltar ao Brasil. Muito menos é bairrismo por ser em outro estado, aliás tenho certeza que o Rio merece muito festivais desse porte.

Um Arcade Fire não faz verão, pois um evento para o povo, vai acabar sendo usado como muleta por grupos com interesses maiores (Copa do Mundo e Olimpíadas). Copa do Mundo que já está sendo alvo de discussões acaloradas sobre superfaturamento.

Com o pretexto de que é possível mostrar ao mundo o quanto o país é organizado e a cidade é maravilhosa, se passará por cima da população que consome. Já existem relatos de pessoas que pagaram o cartão, não receberam e ainda estão sem respostas da empresa.

De que adianta toda essa pompa se o público é tratado como lixo, separado por castas nazistas divididas por cartões de crédito, pistas vips e outras formas de segregação sonora. Não me comove saber que o Arcade Fire pode vir pro Rock In Rio, não enquanto a desorganização, as dissimulações dos empresários continuarem.

Uma grande atração não salva um festival, muito menos uma sociedade que está acostumando-se à ser tratada como gado.

GD 72 AS IMAGENS DE POLLY JEAN


 Esse final de ano, além das surpresas de praxe que são concentradas nesses dias derradeiros, uma cantora acabou devagarinho tomando conta de todas as mentes. Como sempre POLLY JEAN HARVEY destoa da mesmice, onde o mundo das cantoras passou 2010 (nem mesmo o novo single de Adele empolgou muito).
E ainda as surpresas não acabaram....

Nesse dia 20 de dezembro, estréia um curta metragem no site da cantora ( http://www.pjharvey.net/ ), dirigido por Seamus Murphy, premiado fotógrafo, que realizou uma série de 12 mini películas que acompanharão as canções do novo disco da cantora, Let England Shake. O primeiro registro desse projeto será com a música The Last Living Rose. As filmagens desses doze curtas conterão imagens de uma viagem que percorreu 5.000 milhas, realizada pela cantora.

O clima é esse mesmo, se levarmos em consideração as duas canções já mostradas. A última, Written On The Forehand, deixa claro a aura misteriosamente deslocada.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

GD 72 BATERISTA RADIALISTA


A capacidade vulcânica de Keith Moon atrás das baquetas é um dos entrecantos mais conhecidos dentro do rock. A maneira quase epiléptica monumental que possuia, fez com que o cateto da banda The Who, fosse uma das maiores influências para gerações futuras, daquela espécie estranha que se chama baterista.

Mas a veia de radialista é uma das faces menos conhecidas do gênio da música. E tem relação com outro gênio do rádio, John Peel. Trafegava então o ano de 1973, quando o DJ mais famoso da BBC resolveu que não apresentaria mais o programa Top Gear. Assustados, os diretores da emissora resolveram então buscar um substituto do mesmo calibre.

O famoso desprendimento de Keith já era bem conhecido na Inglaterra e então a direção da BBC resolveu investir, colocando o músico para apresentar um programa no verão daquele ano de 73. O sucesso foi tão intenso e arrasador que Moon permaneceu apresentando o programa por toda a estação. A coisa ganhou ares quase capitalistas, quando o produtor John Walters teve a idéia de gravar um disco de comédia com Keith Moon.

Obviamente o baterista nesse instante fez o que qualquer pessoa sensata faria, largou o programa. Mas a experiência foi tão boa que deixou registros memoráveis como esse que você ouve aí embaixo. Quase uma hora só com clássicos de uma era de ouro. Beatles, Pink Floyd, Elton John, Lou Reed e outras sensacionais canções. Além dos quadros bem humorados conduzidos por Moon.