segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
GD 83 CLAVA....
Talvez por jamais ter elevado minhas mãos na direção do rosto de alguém (mesmo porque da única vez que revidei algum tipo de briga, as coisas fugiram de controle), sempre achei o boxe o esporte mais igualitário do planeta. Não interesssava a cor, a religião ou a sua escolha de vida.
Em cima do ringue, apenas duas almas que através da "destruição" do oponente buscavam a redenção de uma vida, em sua maioria, repleta de dificuldades. Fossem elas monetárias ou psicológicas.
Luvas que levavam redenção em mãos onde os nós dos dedos se amalgavam com o couro vermelho clássico.
Não havia sangue em demasia, apenas a fusão da alma do adversário com a luva que o atingia. Mais do que violência, o boxe é um esporte onde o ataque muitas vezes não iniciava-se com os primeiros golpes, mas sim muito antes da luta começar.
Hoje não existe mais esse romantismo pela violência. Lutar no esporte, ficou reduzido à um espetáculo televisivo onde de alguma maneira absurda resumem-se milhares de anos em filosofia, ao redor de uma arena onde dois homens e seus shorts repletos de patrocínios, apenas disputam espaço entre siglas. MMS, WFS ou qualquer trio de letras que pretensamente divulguem um clube da luta sem ideologia. Não que antes o circo não existisse, afinal de contas Don King é assunto velho, mas não existem mais aqueles dez segundos onde o olhar do lutador atravessava a alma do outro e colava um medo absurdo e visceral.
O dia é 22 de novembro de 1986. Trevor Berbick era o lutador que mandara Ali para aposentadoria. Acima dos 30 anos, enfrentaria um literalmente moleque do Brooklyn chamado MIKE TYSON. O desafiante e seus vinte anos, era uma máquina de distribuir castigos divinos em forma de socos. E tudo não passou de dois rounds (uma eternidade comparada às dezenas de lutas que Mike ganhou depois em segundos).
Jabs de esquerda que mais pareciam diretos e uma mão direita que quando não acertava, podia-se ouvi-la cortanto o ar como navalha afiada. E quando acertava o rosto (sempre, como Ali) de Berbick, era como assistir um tijolo atingindo a pele desprotegida. Ao final do primeiro round, Tyson mostrou à Trevor que o mundo como ele conhecia estava prestas a mudar radicalmente. Uma sequência torpedos manuais mostra que a gravidade teria novo sentido para o atual campeão.
Mas o castigo ainda estaria por vir....
Segundo round. Tyson levanta-se obstinado, Trevor cambaleante. O olhar do desafiante exalava lava e com três direitas destruidoras, o chão some abaixo dos pés do campeão. Berbick cai pela primeira vez, com uma violência que deslocou quilômetros de ar que estavam atrás dele. O quase ex-campeão levanta-se rápido, atordoado e tentando olhar para o desafiante como se falasse:
"Estou aqui, inteiro e pulsando..."
Mas Iron Mike sabia que a física seria reescrita segundos depois.
O desafiante (que nesse momento mais parecia o campeão), vem na direção de Trevor. Puma tiranossáurico traçando uma linha reta que vai colidir diretamente com o rosto do oponente. Tyson não tem laterais, apenas um ponto.
E esse receberá uma fusão de potência, que nasce nas pontas de seus pés e vai tsunamicamente subindo pelo seu corpo. As mãos apenas reagem a inércia newtoniana que a onda explosiva descreve.
Está prestes a redefinir a neurologia com suas mãos. A esquerda no queixo, mentonianamente interrompe as sinapses. Não existe mais equilíbrio e Trevor torna-se marionete da inércia. Cai, cambaleia e despenca novamente.
Um momento único no esporte.
Nasceu assim uma lenda chamada Mike Tyson....
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
GD 82 HISTÓRIA....
Cinco eras distintas, cinco tiranossauros e cinco entrecantos calamitosos dentro do rock que marcaram história.
Primeiro uma das bandas que definiram toda a tão caçada estranheza simétrica perfeita. PINK FLOYD em um documentário que conta a linha de produção de um dos discos mais emblemáticos da banda, na fase pós Syd Barrett, Meddle.
Não apenas um primórdio com sua auditiva arte gráfica, mas também uma coleção de tonalidades onde o lisérgico passeou com o pop, folk rock e blues. Tudo isso em um lado B com a mais explosiva suite da banda, Echoes.
Depois o pai alquímico do rock, FRANK ZAPPA & THE MOTHERS OF INVENTION. Depoimentos de gente que sabe qual a importância mastodôntica da banda e do gênio Zappa, em tudo o que representava um show ou um disco de rock. Experimentações e milhares de imagens raras dentro desse filme que conta a história de uma das mais influentes bandas de todos os tempos.
Por falar em influência, o terceiro registro é de uma das mais extremas bandas dentro do rock. Ou você ama LED ZEPPELIN ou o odeia (o que é algo estranho demais). A história antes da explosão de Led Zeppelin 1 e 2. Tempos onde ainda Page tocava com os Yardbirds e a Band Of Joy era morada de Plant. Tudo isso terminando em uma banda cheia de lava poderosa.
Depois outros mestres na arte do influenciar. THE VELVET UNDERGROUND e sua história, em depoimentos inéditos de John Cale e Lou Reed. Gravações e canções de uma banda que em seu tempo de vida, foi transgressora no modus operandi dentro do rock. No olho do furacão da revolução punk dos anos 70.
Por fim a mais nova lenda dentro da história. NIRVANA e suas histórias não publicadas. Um trio que definiu uma geração toda de pessoas, ainda hoje lembrado como um dos últimos paladinos dentro do rock. Os tormentos inacabáveis de Kurt Cobain e a genialidade de discos como In Utero e Nevermind.
Pode preparar a pipoca!!!!!
Primeiro uma das bandas que definiram toda a tão caçada estranheza simétrica perfeita. PINK FLOYD em um documentário que conta a linha de produção de um dos discos mais emblemáticos da banda, na fase pós Syd Barrett, Meddle.
Não apenas um primórdio com sua auditiva arte gráfica, mas também uma coleção de tonalidades onde o lisérgico passeou com o pop, folk rock e blues. Tudo isso em um lado B com a mais explosiva suite da banda, Echoes.
Depois o pai alquímico do rock, FRANK ZAPPA & THE MOTHERS OF INVENTION. Depoimentos de gente que sabe qual a importância mastodôntica da banda e do gênio Zappa, em tudo o que representava um show ou um disco de rock. Experimentações e milhares de imagens raras dentro desse filme que conta a história de uma das mais influentes bandas de todos os tempos.
Por falar em influência, o terceiro registro é de uma das mais extremas bandas dentro do rock. Ou você ama LED ZEPPELIN ou o odeia (o que é algo estranho demais). A história antes da explosão de Led Zeppelin 1 e 2. Tempos onde ainda Page tocava com os Yardbirds e a Band Of Joy era morada de Plant. Tudo isso terminando em uma banda cheia de lava poderosa.
Depois outros mestres na arte do influenciar. THE VELVET UNDERGROUND e sua história, em depoimentos inéditos de John Cale e Lou Reed. Gravações e canções de uma banda que em seu tempo de vida, foi transgressora no modus operandi dentro do rock. No olho do furacão da revolução punk dos anos 70.
Por fim a mais nova lenda dentro da história. NIRVANA e suas histórias não publicadas. Um trio que definiu uma geração toda de pessoas, ainda hoje lembrado como um dos últimos paladinos dentro do rock. Os tormentos inacabáveis de Kurt Cobain e a genialidade de discos como In Utero e Nevermind.
Pode preparar a pipoca!!!!!
GD 82 OS PAIS DA MATÉRIA CIENTÍFICA....
Se você acha que a dupla Daft Punk estava na vanguarda do movimento de balançar o fêmur embebecido com nuances futuristas, enganou-se. Também não vá achando que aquele litro de vodêga conhecido pelas letras azuis é lá muito original no quesito nome.
A banda nasceu em 1973. O apelo das catarses malemolentes da SKYY, começou quando as irmãs Denise, Delores e Bonne Dunning conheceram Solomon Roberts, Jr.. Algum tempo depois a banda já começava a ganhar corpanzil vulcânico e funkeado.
Em 1979, o disco de estréia com sua capa de ficção científica exploitation ganhava vida e a canção This Groove Is Bad, além da óbvia catarse de pista, tem aquela linha de baixo impagável e guitarras espaciais. Mas se a semente da mistura nave futurista e música ainda pairava no ar, o hit da banda chamado Call Me (do álbum Skyy Line de 1981), mostrou que samplers cheios de fantasia poderiam encaixar-se com capacetes de astronautas.
Aliás por falar nisso, Call Me e Around The World dariam um belo remix.
GD 82 A ESCALAÇÃO....
Olha a escalação da fanfarra:
Jody Stephens (membro remanescente da banda Big Star), Mike Mills (R.E.M.), Norman Blake (Teenage Funclub), Matthew Sweet, M. Ward, Ira Kaplan (Yo La Tengo) e outros.
Tudo isso para homenagear ALEX CHILTON e a Big Star em um show que será realizado dia 26 de março em NY. Na pauta a execução completa desse disco aí de cima, Third Sisters Lovers.
E olha que ainda uma orquestra acompanha a escalação do escrete.
Originalmente gravado em 1974, mas lançado apenas quatro anos depois, o álbum é reconhecidamente considerado pelos biógrafos de Chilton, como a maior coleção de músicos unidos para a produção e gravação de um disco.
Nuances e experimentações marcam o terceiro registro da Big Star, que também apresentava nas letras todos os entrecantos calamitosos agudos de seu líder. Com canções memoráveis como essas duas que você assiste abaixo...
GD 82 HOTEL LISÉRGICO....
Dentro da cabeça da GRUFF RHYS, provavelmente existe uma morada repleta de seres com auras tão grandes, que a cadeia genética deles é formada por LSD.
Hotel Shampoo, o álbum solo, tem uma clima de seriado televisivo dos anos 60 impagável, mas a mistura com os intrincados caleidoscópios do cantor, fazem a mistura interessante.
Mais um single saiu do disco. A canção Sensations In The Dark, um cubano relato pop. Mas a grande estrela é o lado B. Com Follow The Sunflower Trail (Theme Tune For National Strike).
Muito mais cheia de misturas e com universalidade ácida de sobra. Mesmo com saudades da Super Furry Animals, o vocalista tem inteligência musical apurada.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
GD 82 PERDENDO A RELIGIÃO....
Há exatos 20 anos, uma das canções mais famosas do planeta foi lançada. O riff é quase uma marca registrada de uma geração que saiu das garagens interioranas dos Estados Unidos e tomou o mundo de assalto. Os donos dos acordes, foram históricos quando se pensa no alternativo tomando o mainstream, no início dos anos 90.
A canção é Losing My Religion e a banda, o R.E.M.. Uma das poucas grandes garagens do rock, que conseguiu manter-se íntegra dentro do que sempre foram. Michael Stipe, o messiânico vocalista que escondia-se atrás das caixas de som no começo da carreira, tornou-se uma dos maiores cantores de sua geração. As confissões, a aspereza e a beleza das canções da banda são quase inigualáveis.
Gravada para o disco Out Of Time, de 1991, a canção nasceu rapidamente. Stipe conta que em cinco minutos tudo já estava pronto. O riff, a letra e a melodia deixaram no ar a sensação de algo especial para o R.E.M., como mais tarde revelaria Peter Buck. E mesmo com as afirmações do vocalista, de que Losing My Religion é equivalente à Every Breath You Take do The Police, a música levou dois Grammys e foi catapultada a número no Hot 100 da Billboard. O vídeo clip também foi premiado com o VMA de 1991 nas categorias vídeo do ano, melhor direção, melhor direção de arte, melhor edição e vídeo inovador.
Até hoje o maior sucesso da banda, com inúmeras regravações.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
GD 82 A DISSEMINAÇÃO DO ÓDIO......
É difícil (quiçá impossivel), determinar o momento em que o ódio nasceu. Antígona, tragédia grega escrita por Sófocles e que relata o sentimento, é de 426 A.C.. Faz parte da chamada Trilogia Tebana, que ainda possuia as peças Édipo Rei e Édipo em Colono. Medéia, traída por Jasão e banida de sua sociedade, perpetua uma vingança movida pela cólera implacável. Nem seus filhos são poupados.
Mas as tragédias literárias, ainda não são a gênese da palavra que tem origem no latim, odiu.
No Antigo Testamento, Caim matou Abel, mas era inveja que movia o personagem. O deus que dizimava sacripantas também no velho livro, não era odioso, mas sim cheio de ira contra os pecadores.
Eu particularmente considero o deus do velho testamento, um senhor sádico e adepto à técnicas fortes de bondage, afinal de contas ninguém em sã consciência acha nornal pedir à um pai o sacrifício de seu filho, para depois em cima da hora mandar matar um cordeiro.
Sadismo puro!!!!
Mas a questão nem é a interpretação das escrituras, ou a vontade de entender a história. Saber de onde o ódio foi cesariado é uma obrigaçao moral dos dias atuais, pois só conseguiremos sair desse caminho sem volta, se entendermos o passado não muito distante. E saiba desde já, que esse ódio que dizima nações nunca foi embora.
E o pior, tem crescido em progressão geométrica.
Não existem relatos precisos de quais foram as primeiras manifestações de ódio dentro do ser humano. Talvez há 4 milhões de anos atrás, quando as primeiras formas de vida derivadas de células de RNA reprodutor, começaram a competir por espaços e energia para reproduzirem-se, a centelha da corrida voraz pela evolução tenha absorvido uma pitada de violência primária. Mas isso não se sabe. Talvez os platelmintos (primeiros seres dotados de cérebros), tivessem guerras internas por evolução que mostrassem a face mais cruel de seus corpos achatados. Mas isso não se sabe.
Não há certeza dentro da linha de história, que o ódio nasceu no mundo com o declínio da sociedade miceniana em 1650 A.C., logo após as guerras de Tróia. Ou se por acaso os conflitos com os persas no ano de 546 A.C. iniciaram essa nova forma de sentir. Talvez as guerras de independência espartanas em 404 A.C. pudessem explicar a arte de querer destruir aquilo que se conhece. Mas isso não é possível saber.
Existem relatos que retratam a ascensão da sociedade helênica, construída antes e depois das conquistas de Alexandre, o Grande, como centro nervoso amalgamador cultural do mundo. Não longe dali, a história também conta que quando os judeus não aceitaram os preceitos helênicos, guerras cada vez mais sangrentas ganharam vazão anatômica. Essas batalhas entre gregos e judeus (assistidas pelos dominadores romanos), contavam com artilharia pesada dos escritores e seus textos difamatórios sobre os inimigos. Mesmo assim a incerteza do nascimento do ódio continua.
Sem local ou data de nascimento, o sentimento do odiar teve seus estudiosos. Um dos primeiros pensadores a tentar descrever a cólera, foi Sêneca. O filósofo escreveu um tratado sobre o assunto, pouco tempo antes de um dos mais sanguináreos e violentos imperadores romanos assumir o poder, Nero.
Sêneca assim escreveu sobre o ódio: "Ele é pura excitação e dedica-se inteiramente à impetuosidade de seu ressentimento: ele não pode recuar diante de um desejo ardente e inumano de combate, sangue e suplícios. Indiferente a si mesmo, desde que possa prejudicar os outros, o ódio se precipita sobre suas próprias armas, ávido de uma vingança que arrastará consigo o vingador".
Mas mesmo o contemporâneo de Jesus Cristo, não conseguiu definir sua origem.
Sêneca não foi o único a tentar entender o ódio. Imre Kertész (Prêmio Nobel de 2002), foi um judeu húngaro deportado para Auschwitz em 1944. O escritor sentiu na pele a transformação do sentir em ação. Em suas obras deixa claro que a natureza do ódio é mutável. Muda de acordo com a sociedade, religião e política de seus tempos, mesmo sendo em sua genética mãe a mesma coisa. Também deixa claro que os fanatismos, apenas tem serventia no aumento da nefasta evolução humana.
Em o Mal Estar da Civilização, Freud coloca a teoria do HOMO HOMINI LUPUS em pauta. O homem, lobo de si mesmo, é muito mais um agente predisposto à agressividade do que aos atos cálidos. Para o psicanalista, as forças de Eros (o amor) e Tânatos (a morte) movem o ser humano, mas a resultante dessas duas vulcânicas paredes não pode ser outra:
"O elemento de verdade por trás disso tudo, elemento que as pessoas estão tão dispostas a repudiar, é que os homens não são criaturas gentis que desejam ser amadas e que, no máximo, podem defender-se quando atacadas; pelo contrário, são criaturas entre cujos dotes instintivos deve-se levar em conta uma poderosa quota de agressividade.
Em resultado disso, o seu próximo é, para eles, não apenas um ajudante potencial ou um objeto sexual, mas também alguém que os tenta a satisfazer sobre ele a sua agressividade, a explorar sua capacidade de trabalho sem compensação, utilizá-lo sexualmente sem o seu consentimento, apoderar-se de suas posses, humilhá-lo, causar-lhe sofrimento, torturá-lo e matá-lo. - Homo homini lupus ["O homem é lobo para o homem"].
Quem, em face de toda a sua experiência da vida e da história, terá a coragem de discutir essa asserção? Via de regra, essa cruel agressividade espera por alguma provocação, ou se coloca a serviço de algum outro intuito, cujo objetivo também poderia ter sido alcançado por medidas mais brandas.
Em circunstâncias que lhe são favoráveis, quando as forças mentais contrárias que normalmente a inibem se encontram fora de ação, ela também se manifesta espontaneamente e revela o homem como uma besta selvagem, a quem a consideração para com sua própria espécie é algo estranho.
Quem quer que relembre as atrocidades cometidas durante as migrações raciais ou as invasões dos hunos, ou pelos povos conhecidos como mongóis sob a chefia de Gengis Khan e Tamerlão, ou na captura de Jerusalém pelos piedosos cruzados, ou mesmo, na verdade, os horrores da recente guerra mundial, quem quer que relembre tais coisas terá de se curvar humildemente ante a verdade dessa opinião."
Pode parecer um erro histórico, escrever sobre o ódio e não levar em consideração o Holocausto na Segunda Guerra. Mas na verdade o que foi visto e aprendido com duras lições de ódio pelos nazistas, servirá como parâmetro para confirmarmos o que foi visto até agora. A não mutação e crescimento geométrico.
Em 1922 a chamada Juventude Hitleriana, contava com um pequeno número de participantes. Para um movimento que pregava o aprendizado nazista e a disciplina semi militar, tudo era muito inexpressivo. Hitler viu nesse movimento a possibilidade de alavancar de uma vez por todas a doutrina, então à partir de 1936 investiu pesadamente.
O governante recrutava crianças aos seis anos de idade e em um sistema de acampamentos, os ensinava. Possuiam um histórico curricular das atividades e evolução dentro dos aprendizados nazistas. Com um profundo vértice militarista e a participação cada vez mais intensa dos jovens (incluindo aí meninas que passavam por aulas de ações militares, atividades domésticas e preparação para a concepção da futura raça ariana), a chamada Hitlerjugend em um golpe tomou o poder das mãos do Reich Alemão e passou a comandar a produção em massa de pessoas que seguiam o ódio como verdade divina. Apoiados em discursos cinematográficos como esse que você assiste abaixo, onde Hitler saudava os novos iniciados no nazismo.
A linha do tempo corre o ano de 2011. A humanidade não perece ter tomado outro rumo evolutivo genético, ainda continuamos bípedes e mamíferos, com o movimento de oposição do polegar nos diferenciando dos demais. As mesmas crianças, os mesmos adultos geneticamente correndo lentamente. Mas apesar de sermos os mesmos, velhas imagens se repetem, como por exemplo essas abaixo.
O que você vê, não são colorizações de fotogramas da Juventude Nazista, mas sim polaróides das mais modernas máquinas digitais, que o dinheiro pode comprar na congregação da Westboro Baptist Church. Os enormes pendões dourados com a suástica, foram trocados por cartazes de cores de arco íris (paradoxalmente as cores do movimento gay), que propagam as mesmas mensagens. A diferença é que, ao invés do nacionalismo que ajudou a resgatar a Alemanha depois da Primeira Guerra Mundial, as crianças batistas pregam a morte dos USA.
FRED PHELPS, fundador da igreja e siamês hitleriano abortável, junto com a sua congregação mobilizam centenas de pessoas ao redor dos Estados Unidos em inúmeros protestos contra os homossexuais, judeus, protestantes, muçulmanos, católicos e outras raças, cores e credos, que na opinião da igreja são a escória do mundo e estão condenados a morrer pelas mãos de Deus.
Se em sua maioria, as manifestações são motivo de chacotagem geral pelo resto da população americana (uma recente manifestação da congregação na sede do Twitter em São Francisco, acabou em trollagem geral dos manifestantes), algo de estranho aconteceu nessas últimas semanas.
Uma carta ameaçando a Westboro Baptist Church, foi enviada supostamente por uma outra "entidade" americana chamada Anonymous. Essa organização conta com inúmeros hackers que participam de fóruns de discussão no site 4Chan. Responsáveis diretos por ações como a invasão e quebra dos sistemas da Mastercard, Visa e Amazon, assim como a Operação Vingança, onde hackers atacaram escritórios de advocacia ligados e posicionados pró direitos autorais.
A carta endereçada a Igreja tem um conteúdo cartunesco (e foi posteriormente rechaçada pela Anonymous), mas a Igreja respondeu viralmente e violentamente ao ataque.
Resta apenas uma conclusão. Não existe diferença alguma entre o platelminto cheio de ódio que despedaça o seu rival evolutivo, o crescimento do nazismo e a Westboro Baptist Church. Todos os três possuem em sua gênese, o poder de sintetizar o amor ao reverso. Para se odiar algo de maneira tão aguda, essas três coisas, conhecem o alvo da cólera.
Seminalmente tudo é a mesma coisa, sejam cartazes com palavras de ordem ou lâmpadas fluorescentes destroçadas em cabeças humanas na Avenida Paulista.
O problema maior é que vivemos em uma sociedade onde a rapidez e avidez para se colocar em um patamar dourado acima dos demais mortais é inebriante. Quem não gostaria de ser o blogueiro mais famoso, o videologer mais inovador, o escritor mais espetacular, a religião escolhida para salvar o mundo. A imagem de Ozymandias e sua cúpula alexandríaca no Ártico, carrega dentro de si uma metáfora com a humanidade que Alan Moore já sacara antecipadamente.
O homem em sua busca incessante por poder, é capaz de atrocidades cada vez mais absurdas e que que perigosamente alienam gerações inteiras de jovens. O maior perigo da humanidade atualmente não é nos tornarmos uma nação de idiotas internéticos, mas sim uma orda de seres que tem em sua cadeia de genes o ódio disseminado. Mostrar, desmembrar e atacar com a arma que destrói facistas de Woody Guthrie essas correntes de cólera e censura da liberdade é nossa mais urgente luta dentro do novo século.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
GD 82 CETÁCEOS NASCIDOS EM CINEMATÓGRAFOS
Uma capa para começar o dia.
NOAH AND THE WHALE e seu novo disco, Last Night On Earth.
O primeiro single do registro que desvenda um silêncio de lançamentos iniciado em 2009, é a canção L.I.F.E.G.O.E.S.O.N..
Mas não é apenas o grito que chama atenção nessa nova bolacha. As participações das Water Sisters (que fizeram backing vocals na canção Wanna Be Starting Something de Michael Jackson), Jen Turner da banda Here We Go Magic, Adam MacDougall (Black Crowes) e a percussão de Lenny Castro são especiarias de alto valor.
Co-produção nas mãos de Jason Lader (Julian Casablancas), nas prateleiras dia 15 de março. Outra nota interessante é que o disco novo, desenvolveu-se depois da experiência cinematográfica de Charlie Fink, o vocalista.
O curta metragem The First Days of Spring, lançado em 2009.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
GD 81 HAIL TO THE JOKER
Após 24 horas do lançamento oficial e antecipado de The King Of Limbs, existem mais perguntas do que respostas. Como em qualquer episódio de Lost ou Dexter, a banda causou um furacão em uma manhã quase outonal de sexta feira. Vazamento na internet simultaneamente aos primeiros downloads pagos, tráfico de dados que nem o melhor agente matrixiniano pode conter. Opiniões, lamentações e amor incondicional pela banda. Tudo isso em menos de quatro horas e com direito à uma genial sacada feita pelos vulcânicos Júnior Bellé, Marcos Lauro e Pedro Henrique Araújo, da Alfa Discos com as impressões do ex-dançarino da banda de axé É o Tchan, Jacaré, sobre a dança de Thom Yorke no clip de Lotus Flower (você pode ler a entrevista feita por Marcos Lauro AQUI!!!).
Tudo isso terminando a noite com mais uma das histórias que cercam o novo disco do Radiohead (com direito a matéria hilária da revista Vice sobre o track list antecipado), ecoada no escritório da NME dizendo que as oito canções lançadas nessa sexta feira, eram apenas um dos dois discos que serão projetados. Uma idéia reforçada pelo fato de que nas compras feitas pela internet, são dois vinis. Quem lançaria uma dupla de acetato com oito canções apenas????
Paixão, ódio e indiferença. Mas ninguém (nem mesmo o The Guardian com uma resenha equilibrada), conseguiu enquadrar o disco. Comparado imediatamente à Kid A, mas ecoando Hail To The Thief, The King Of Limbs está quase passando em branco musicalmente.
Muito discute-se sobre o alternativismo e mesmice da banda. Talvez o que ninguém consiga ver, pois vivemos em tempos onde a nefasta palavra indie e alternativo tornaram-se verbos amargos, é que mais uma vez o Radiohead inverte as posições no tabuleiro. A dança de bobo da corte que o mambembe Thom Yorke colocou na internet não é ocasional, muito menos sem propósito. É preciso ter muita coragem para ser apenas um palhaço.
E todos nós sabemos que na verdade, o bobo da corte era o único a ter certeza da nudez do rei. Os outros aplaudiam a mais hypada vestimenta invisível...
Mas antes desse assunto, um faixa à faixa rápido sobre as oito músicas que, considero algumas das melhores que aparecerão em 2011.
a) Bloom
O jazz assimétrico de um piano epilético abre o disco de maneira conhecida. Sobreposições de voz e camadas de bateria. Com uma febre de drum and bass, a faixa é recortada por tudo aquilo que a banda faz de melhor. Transformar mutantes sonoridades em acordes límpidos. Sombria e mais nada (nem precisa).
b) Morning Mr. Magpie
A segunda faixa parece enquadrar a bateria, mas a velocidade e camadas seguem misturando-se. Dessa vez com uma letra que muitas vezes parece um desabafo da banda, em relação à briga constante com a indústria da música. Mas se o contexto da história for levado em consideração, a frase "you stole it all, give it back" ou ainda "you got some nerve, coming here", podem representar tanto a resposta para os engravatados fonográficos, como para os formadores de opinião sedentos da salvação da semana. Magpie é prima irmã de Idiotheque.
c) Little By Little
Um início de estrutura simétrica começa a surgir por entre a linha de baixo e a percussão quase tribal tênue. Thom Yorke evoluiu como cantor durante esses anos, e consegue agora liberar mais notas bem encaixadas. A banda anda longe da leveza de In Rainbows e aproxima-se da cadência acinzentada de Amnesiac, como em Knives Out. Uma das inesquecíveis do álbum, quase um forró lisérgico de baixa rotação.
d) Feral
Uma corrida insandecida pelas entranhas mais binárias da banda. Talvez uma das mais experimentais, assim como fraca. Auto regurgitação de tudo o que já foi produzido todos esses anos. Seria um excelente lado B em qualquer coletânea, mas essa Pull/Pulk Revolving Doors mais palátavel, não é tão doce. Ela se faz necessária dentro do contexto.
e) Lotus Flower
Concordo com o relator Jacaré, quando ele diz que Thom no video clip dessa faixa é intuitivo e faz o que está sentindo. A música que tem o baixo krautiano mais marcado e uma das letras mais bonitas de todo o disco:
"There's an empty space inside my heart
And it won't take root
Tonight
I'll set you free
I'll set you free".
A canção, por mais binária, possui uma delicadeza incrível e estranha. Como se fosse possível sentir cada palavra e cada gesto. É o crescer e libertar-se de alma, que não se consegue seguindo modismos.
Alcançar só é possível, descobrindo o que você é de verdade. Thom Yorke no clip é de uma coragem violenta, expondo-se assim. Um atestado de que você tem a liberdade de fazer aquilo que você quer, quando bem entende e ser aquilo que você escolheu.
Uma flor ou um verme que rasteja psicoticamente por entre o ritmo da bateria quadriculada de Phil Seymour. Flower Lotus é um grito libertário muito mais delicado que You And Whose Army.
Mas não menos poderoso.
f) Codex
Se um dia conseguirem montar em algum quadro negro, uma equação que descubra o segredo de como transformar notas musicais em respostas oculares salinizadas que desalojam sua alma de lugar e fazem a sua vida pulsar dentro de cada respiração que ainda resta, Codex será essa equação. A canção emociona já na introdução e a banda parece retomar por alguns momentos o que descobriu com Weird Fishes Arpeggi. Como compor uma canção perfeita.
g) Give Up The Ghost
Sobreposições de guitarras em uma canção de início arrastada. Por alguns instantes quase parece decolar para um lado mais épico, não o faz.
h) Separator
A cadência quase binária amnesiaquiana volta. Por deslocamentos de uma guitarra que se mistura com a canção de forma desconexa. Ecos e baixo desconectados, tudo isso tornando-se um caleidoscópio com formas finais exatas. Essa canção está para esse final de disco, assim como Life In A Glass House está para o final de Amnesiac. A banda descobriu a fusão entre o eletrônico e as guitarras de maneira definitiva, assim como o fez com o jazz no irmão de Kid A.
The King Of Limbs, mesmo sendo um excelente álbum, não tem a simetria de In Rainbows, muito menos a virulência de OK Computer. Mas esse disco é algo que faz parte de um contexto que a banda segue desde os tempos onde Meeting People Is Easy, mostrava a inadequação do quinteto diante da indústria e da fama.
Quando todo mundo esperava que (depois do status de maior banda do mundo, mlionários tal e etc) a banda lançasse outro clássico, o Radiohead entra em processo de reclusão com Thom Yorke e solta o monstro Kid A, uma resposta à uma indústria fonográfica, sobre o quanto nenhum deles sucumbiriam ao contexto morto.
Depois quando todos esperavam mais binariedades (após Amnesiac), eles retornam as guitarras e tornam-se mais difíceis com Hail To The Thief. A banda nunca foi fiel aos modismos e eras. Mas sempre manteve-se íntegra naquilo que queriam.
Mais uma vez quando todos achavam que outra aula sobre como era possível juntar eletrônica em camadas distintas, rock alternativo e paladar radiofônico seria dada, o quinteto toma o rumo da liberdade de fazer o que quer.
The King Of Limbs desde sua gênese confundiu a própria banda. Em uma entrevista no ano passado à revista The Observer, Thom dizia-se confuso em decidir como a banda lançaria esse novo material ou se iriam fazer novamente um disco inteiro. Por enquanto oito canções que marcam uma afirmação única e corajosa.
A de que o Radiohead, faz aquilo que a liberdade permite. Mesmo com torções nasais daqueles que vivem pela salvação de algo que não precisa ser mais salvo, mas sim livre. Essa autofagia regurgitante de TKOL, mostra que a dança do video clip é o grito de alforria das amarras da indústria do hype. Local que todos insistem em colocar a banda. Repertir-se com esse grau de cinismo anárquico, é algo tão desafiador quanto enfrentar o rei nu.
Kurt Cobain sucumbiu à essas pressões todas (do indie e indústria), terminou tudo com um tiro de espingarda. Thom Yorke exorciza dançando.
OBS: The King Of Limbs também fecha uma trilogia importante da banda. Iniciada com Kid A, passando pelas misturas de Amnesiac e terminando com a leveza e sopreposições do disco novo.
Não acho que Hail To The Thief seja o álbum mais próximo do novo registro. Este, faz parte de uma outra trilogia clássica que tem OK Computer, Hail e In Rainbows. Agora para fechar o círculo, basta apenas a peça entre Pablo Honey e The Bends.
Quem sabe o disco dois....
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
GD 81 O AMANHECER DO GÊNIO
Olhe bem a capa acima....
Quando a mãe de Toby Gleason (filho de Ralph Gleason, fundador da revista Rolling Stone) faleceu, uma limpeza na casa parecia a coisa mais óbvia. No meio da parafernália toda, eis que surge uma fita que ficou guardada por mais de quarenta anos.
O conteúdo é o show de um certo cantor folk chamado Bob Dylan, então com 21 anos e apresentando-se na Brandeis University no ano de 1963. O track list de dois shows realizados tem uma quantidade respeitável de clássicos como:
Honey, Just Allow Me One More Chance, Talkin' John Birch Paranoid Blues, Ballad Of Hollis Brown, Masters of War, Talkin' World War III Blues, Bob Dylan's Dream e Talkin' Bear Mountain Picnic Massacre Blues.
Não precisa nem dizer que essa diamantizada gravação vai tornar-se disco. Na verdade o álbum Bob Dylan In Concert - Brandeis University 1963 é uma reedição, já que não é a primeira vez que o concerto ganha vinil. A primeira prensagem ocorreu por um período limitado de tempo, sendo assim novas colagens em cd, vinil e formato digital ganharão vida em 12 de abril desse ano.
GD 81 A SUBLIME ARTE DA DECAPITAÇÃO....
Rap é um estilo que me deixa em duplicidade genética de apreciação. Por um lado não gosto da ostentação tipo sertanejo. Mas de outro a identificação forte com a transgressão primária dos tempos onde Fight The Power era o revolução musicada, consome minhas artérias republicanas secas. Pelo bem ou pelo mal, existe sempre a possibilidade racional de apreciar a poesia de Brown (o Mano).
Agora uma coisa é certa:
Não existe ninguém que coloque o dedo na ferida de maneira tão explosiva quanto o gênero. A resposta ao caucasiano assassino de terno em Psicopata Americano, vem da maneira mais bem acabada possível.
O dueto de Nova Iorque, KING FANTASTIC, deixa claro que para manter a família unida e bem nutrida nada como a sublime arte da decapitação no homem branco.
GD 81 NOVAS POSSIBILIDADES SONORAS
Existem situações bizarras dentro de nossa vida, onde muitas vezes o resultado das coisas parecem inverterem completamente o sentido do norte magnético. Como no dia em que ouvi pela primeira vez a banda Single Parents.
Deslocados em uma seletiva de cartas marcadas para um grande festival nacional, a banda já mostrava em cima do palco (onde interessa), que a mistura do rock de garagem dos anos 90 e o chamado alternativo poderiam ser algo plausível para o rock nacional. Uma fuga do cenário esteriotipado e massificado por canais de televisão. Não foi assim que foram vistos pelos jurados e acabaram ficando de fora.
Mas muitas vezes ganhar não é o bastante.
Prova disso é que a banda prepara-se para lançar seu disco de estréia. E aí é que vale a máxima de quem ri por último, ri melhor. As sessões de gravação começam a semana que vem nos EUA. A produção do álbum vai ficar nas mãos de Roger Paul Mason. Se você ainda não ouviu falar dele, alguns nomes que trabalharam com o produtor:
Dirty Projectors, Mike Patton e a banda Holger.
O estúdio escolhido para a gravação do disco foi o The Seaside Lounge, onde The National e Beirut marcaram genes em claves.
Roger Paul, durante uma pequena turnê da Single Parents em NY, interessou-se pelo som e a produção do disco acabou acontecendo naturalmente.
E para comemorar a notícia, a banda liberou o single Escape, em uma versão gravada no Estúdio Trama. Canção que estará no octaedrocubano primeiro disco de uma das surpresas de 2010, que se concretiza nesse novo ano.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
GD 81 METÁLICOS VINIS
Ano de 1978.
O punk tinha alguns estertores bolhosos dentro de células mortas em seu corpo. Os Ramones lutavam para provar que podiam ser grandes dentro de casa. As experimentações das bandas inglesas no gênero começavam a tomar ares de miscigenação tropicalizada e aquela coleção de notas que tinham engrenagens feitas de férreos genes, parecia destinada ao fim trágico. Depois de algum tempo, o pós punk subverteria os valores dentro da esfera e a new wave tomaria de assalto o mundo, assim como a eletrônicidade.
Uma loja de discos da cidade de Denver, parecia ainda acreditar em alguma redenção e experimentação na música. Seus proprietários (Jim Nash e Dannie Flesher), por acreditarem nessa verdade, venderam a seminal loja e abriram uma outra de mesmo nome em Chicago. A WAX TRAX RECORDS tornou-se então um mundo paralelo.
A marca foi responsável por trabalhar com os nomes mais inventivos dentro do cenário independente nos anos 80 no quesito eletrônico. A dúvida se o cast da gravadora era ou não bom, dissipa-se quando olha-se os nomes: KMFDM, PIG, Underworld, Meat Beat Manifesto, Front Line Assembly, Young Gods, Sister Machine Gun, My Life With the Thrill Kill Kult, Coil, Controlled Bleeding, The KLF, Braindead Soundmachine, Cubanate and Laibach. Além de Ministry e Revolting Cocks.
O selo foi a falência e tanto Nash quanto Flesher morreram em decorrência das complicações da AIDS, mas o legado não. A primeira gravadora dedicada ao industrial americano, receberá show em sua homenagem nos dias 15 e 16 de abril de 2011.
Concerto organizado pela família de Nash, tem como função ajudar a entidade Center On Halsted (que trabalho com o público GLBT). Os nomes dessa festa não poderiam ser melhores...
KMFDM e Revolting Cocks se juntarão ao Front 242 e ainda My Life With the Thrill Kill Kult. Um line up respeitável dentro das notas.
Vale procurar pelos torrents ou zipes, a coletânea Black Box – Wax Trax! Records: The First 13 Years, primordial para quem quer entender a diferença entre o eletrônico afarofado da house music e o peso metalizado do industrial.
GD 81 PROJETOS PARALELOS....
Os novos projetos relacionados com a indústria da música, estão levando a conversa sobre descobrir e disponibilizar nova arte para outro patamar. As incontáveis horas atrás de um bastão onde a nicotina queima lentamente seus pulmões oxigenados, agora transformam-se em ações mais concretas e menos provincianas. Mesmo porque não existe (e talvez nem nunca existiu), a retórica onde o grande criador de idéias acende um cigarro, tem seu rosto em close e desperta uma série de neurônios analógicos.
E essas ações concretas podem ser vistas em projetos como o Shaking Through, ligado às Weathervane Music e WXPN. A primeira uma confraria não lucrativa da Filadélfia, onde cria-se uma rede de apoio para que novos talentos da música possam criar suas obras. Os recursos necessários para a criação e divulgação do artista, são as alavancas que o projeto disponibiliza. A empresa mantém em sua fisiologia aspectos da indústria fonográfica antiga e soma isso ao não lucrativo.
O outro vértice dessa equilátera figura é a rádio WXPN. Também da mesma área geográfica e que já há muito tempo trabalha no lançamento de novos nomes dentro do rock, blues e folk. Nacional e internacionalmente, a emissora tem uma vasta história de compromisso com a novidade. Essa duas forças juntas agora, encontraram na Shaking Through a plataforma ideal de divulgação.
E não são poucos os artistas que o projeto envolveu. Sharon Von Etten, Twin Sisters, The Man Sults, Spring e Ben and Vesper. E já no segundo ano de vida, a ST revela uma nuance muito boa.
A banda Port St. Willow, nascida em Portland tem uma estreita ligação com outra que já faz algum barulho no cenário, a The Antlers. Essa ligação corre lateralmente em fusão com a amizade de seus integrantes, Peter Silberman, o antleriano, e Nick Principe (foto). O primeiro está da produção de algumas canções do disco da banda do segundo. A plataforma escolhida para a divulgação e curadoria do projeto, não foi outra a não ser a Shaking Through.
Idéias que clamam fusão de idéias. Abaixo você confere a parceria de Peter e Nick, depois alguns dos projetos da ST.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
GD 81 REVOLUÇÕES.....
A história que todo mundo conhece é:
Em 2007, a Radiohead lançou In Rainbows. Sétimo disco da banda e da maneira mais inusitada do planeta, afinal de contas você pagava o que queria pelo álbum. Não existem números exatos de quanto dinheiro foi levantado com as vendas, mas sabe-se (por informações dos próprios), que o lucro foi maior que em outros tempos. O quinteto revolucionava o mundo da indústria fonográfica mais uma vez. Em tempos anteriores, a banda rompeu relações com a gigante EMI.
O que aconteceu depois foi algo tão revolucionário quanto. Centenas de remixes das canções do disco começaram a explodir pela internet. Os mais comentados e discutidos eram os feitos por um DJ de São Francisco, chamado AMPLIVE. Fã da banda, resolveu reescrever as notas de Thom Yorke e cia. de uma maneira cada vez ais binária e lisérgica. Não muito distante desse entrecanto, a gigantesca e ruminante Warner / Chappel Music Limited armava um enorme processo contra o dj, baseado nos supostos direitos autorais das canções.
Em um tempo onde pessoas comuns eram tratadas como sequestradores por baixarem músicas na internet, a corporação partiu para o ataque. O que a detentora dos direitos autorais de Parabéns a Você (sim meu pirata leitor, quando você canta no aniversário daquele seu priminho que completa 2 anos o parabéns, está cometendo um crime), é que o domínio e direitos sobre as canções de In Raibows pertenciam ao próprio Radiohead, por isso a banda e milhares de pessoas, em um movimento inédito conseguiram fazer a Warner recuar e parar o processo.
Não contentes com isso, o grupo começou a liberar takes e mais takes das canções na internet de graça, assim como todos os remixes que essas canções geravam. Algum tempo depois a barreira entre banda, fãs e djs não tinha intermediários, com isso o fluxo de idéias e criação eram gigantes. Esse movimento criou o concurso onde a Radiohead premiou os melhores videoclips feitos com as canções do álbum. Qualquer pessoa poderia participar e usar as claves como bem entendesse.
Esse tipo de atitude, além de muitos outros (no meio da maior crise da indústria fonográfica, cobrar R$ 15,00 pelo novo disco), garantiu a banda de Oxford um título evolucionista. Além da vasta bibliografia sobre o quinteto e a sua relação filosófica com a evolução cultural, o Radiohead é definitivamente o grupo de rock mais levado à sério desde os Beatles. Um desses estudos, foi escrito por Curtis White.
Em uma série de doze ensaios sobre a banda, o produzido por Curtis compara a evolução da Radiohead com a teoria do filósofo Theodor W. Adorno.
Além da filosofia, Adorno também era compositor, musicólogo e sociólogo. A Dialética do Esclarecimento (sua teoria mais famosa), é uma crítica avassaladora contra a lógica cultural do sistema capitalista. O pensador esclarece que o modelo usado pela chamada indústria cultural, na verdade apenas tinha como objetivo o aumento do progresso técnico. Esse conceito iluminista serviu para aumentar o domínio sobre o homem e não a capacidade de criação. Essa castração intelectual também era um dos pilares de movimentos como o nazismo e facismo, segundo o autor.
Intitulado KID ADORNO, esse ensaio coloca a banda no mesmo patamar de intelectuais que remodelaram a maneira de pensar do mundo. O que não deixa de ser outra grande verdade sobre a Radiohead, já que em canções como Dollars and Cents a banda vocifera contra o sistema de maneira mais aguda:
"We are the dollars and cents
and the pounds and pence.
we gonna crush your little soul.
crush you little soul."
Abaixo você assiste ao clip do documentário A Remix Manifesto, que conta a história da banda e Amplive. Depois o remix que deu início a revolução.
Se você quiser ler mais sobre Radiohead e o mundo uma pequena lista:
a) "Radiohead and Philosophy" (Open Court, 288 págs.)
b) "The New Yorker" (por Alex Ross), link 1 e link 2.
c) "The Music and Art of Radiohead" (Ashgate, 210 págs)
Em 2007, a Radiohead lançou In Rainbows. Sétimo disco da banda e da maneira mais inusitada do planeta, afinal de contas você pagava o que queria pelo álbum. Não existem números exatos de quanto dinheiro foi levantado com as vendas, mas sabe-se (por informações dos próprios), que o lucro foi maior que em outros tempos. O quinteto revolucionava o mundo da indústria fonográfica mais uma vez. Em tempos anteriores, a banda rompeu relações com a gigante EMI.
O que aconteceu depois foi algo tão revolucionário quanto. Centenas de remixes das canções do disco começaram a explodir pela internet. Os mais comentados e discutidos eram os feitos por um DJ de São Francisco, chamado AMPLIVE. Fã da banda, resolveu reescrever as notas de Thom Yorke e cia. de uma maneira cada vez ais binária e lisérgica. Não muito distante desse entrecanto, a gigantesca e ruminante Warner / Chappel Music Limited armava um enorme processo contra o dj, baseado nos supostos direitos autorais das canções.
Em um tempo onde pessoas comuns eram tratadas como sequestradores por baixarem músicas na internet, a corporação partiu para o ataque. O que a detentora dos direitos autorais de Parabéns a Você (sim meu pirata leitor, quando você canta no aniversário daquele seu priminho que completa 2 anos o parabéns, está cometendo um crime), é que o domínio e direitos sobre as canções de In Raibows pertenciam ao próprio Radiohead, por isso a banda e milhares de pessoas, em um movimento inédito conseguiram fazer a Warner recuar e parar o processo.
Não contentes com isso, o grupo começou a liberar takes e mais takes das canções na internet de graça, assim como todos os remixes que essas canções geravam. Algum tempo depois a barreira entre banda, fãs e djs não tinha intermediários, com isso o fluxo de idéias e criação eram gigantes. Esse movimento criou o concurso onde a Radiohead premiou os melhores videoclips feitos com as canções do álbum. Qualquer pessoa poderia participar e usar as claves como bem entendesse.
Esse tipo de atitude, além de muitos outros (no meio da maior crise da indústria fonográfica, cobrar R$ 15,00 pelo novo disco), garantiu a banda de Oxford um título evolucionista. Além da vasta bibliografia sobre o quinteto e a sua relação filosófica com a evolução cultural, o Radiohead é definitivamente o grupo de rock mais levado à sério desde os Beatles. Um desses estudos, foi escrito por Curtis White.
Em uma série de doze ensaios sobre a banda, o produzido por Curtis compara a evolução da Radiohead com a teoria do filósofo Theodor W. Adorno.
Além da filosofia, Adorno também era compositor, musicólogo e sociólogo. A Dialética do Esclarecimento (sua teoria mais famosa), é uma crítica avassaladora contra a lógica cultural do sistema capitalista. O pensador esclarece que o modelo usado pela chamada indústria cultural, na verdade apenas tinha como objetivo o aumento do progresso técnico. Esse conceito iluminista serviu para aumentar o domínio sobre o homem e não a capacidade de criação. Essa castração intelectual também era um dos pilares de movimentos como o nazismo e facismo, segundo o autor.
Intitulado KID ADORNO, esse ensaio coloca a banda no mesmo patamar de intelectuais que remodelaram a maneira de pensar do mundo. O que não deixa de ser outra grande verdade sobre a Radiohead, já que em canções como Dollars and Cents a banda vocifera contra o sistema de maneira mais aguda:
"We are the dollars and cents
and the pounds and pence.
we gonna crush your little soul.
crush you little soul."
Abaixo você assiste ao clip do documentário A Remix Manifesto, que conta a história da banda e Amplive. Depois o remix que deu início a revolução.
Se você quiser ler mais sobre Radiohead e o mundo uma pequena lista:
a) "Radiohead and Philosophy" (Open Court, 288 págs.)
b) "The New Yorker" (por Alex Ross), link 1 e link 2.
c) "The Music and Art of Radiohead" (Ashgate, 210 págs)
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
GD 81 MORTE ANUNCIADA....
Por mais que todos os holofotes estejam em sua direção e as aberrações do circo projetem sua própria salvação ao redor da órbita de suas canções, o desespero da situação ao final das contas torna-se insuportável. Esse momento, onde a nuvem de poluição humana consome as energias, é o vértice mais agudo retratado em Meeting People Is Easy.
Documentário de 1998, onde o diretor Grant Gee disseca a turnê do disco OK Computer. Exaustiva, massacrante e que colocou a banda em um turbilhão industrial de onde quase não saiu viva.
Radiohead, o quinteto que possuia a canção comercial mais anti paradas de sucesso (Creep), vivia no mundo apocalíptico da explosão causada pelo registro fonográfico.
Todos clamando a salvação do rock pelo álbum, toneladas de coletivas e o circo fechando ainda mais a claustrofóbica mente de Thom Yorke. Incômodo, o filme mostra toda a fase onde a banda quase acabou. O isolamento do sucesso, o lento consumir das convicções e a massacrante vida de rockstar (algo que nenhum dos integrantes da banda estava muito afim de viver), deixam claro que a fantástica contribuição do Radiohead para a história da música, quase foi morta pelo constante querer midiático dos gênios por trás das canções.
OK Computer foi além de um dos melhores discos já produzidos no planeta, um ponto tectônico de separação entre o que a banda queria ser e a projeção de todos em relação à eles.
Exaustos e sem a menor felicidade dentro do inferno onde eram a melhor banda do mundo. Thom, Colin, Johnny, Phil e Ed queriam apenas ter suas claves cravadas dentro dos corações dos fãs (como Yorke relata em um dos momentos tocantes do filme, onde lembra ouvir Smiths, R.E.M. e as notas ficarem marcadas na alma), conseguiram um circo que quase os matou.
Ainda bem que não....
Meeting People Is Easy abaixo....
domingo, 13 de fevereiro de 2011
GD 81 SIMILARIDADES
Em tempos históricos, o levante populacional no Egito é uma marco. Mas o passado não muito distante tem suas coincidências, não menos avassaladoras. Jonathan Richman and The Modern Lovers são o exemplo...
As claves são um arranjo instrumental retirado de uma música da banda Earl Zero (None Shall Escape the Judgement), espetacularmente colocadas em forma por Jonathan na canção Egyptian Reggae. Entre 1976 e 77, a versão alcançou o quinto lugar nas paradas britânicas.
Tanto a original quanto Richman, convocam similaridades com o país nesses tempos atuais revolucionários. Abaixo Quixote e seu fiel escudeiro Tommy Larkins, mais a canção original. Existe ainda uma versão bizarra com dançarinas e um camelo....
GD 81 CLÁSSICO ANIVERSÁRIO....
Além de Henry Rollins, mais uma icônica alma dentro dos acordes completa novo ano.
PETER HOOK, o seminal baixista da Joy Division e New Order, faz 55 anos. A maneira de tocar o baixo e a característica sonora ímpar dos acordes, fazem Hook um dos maiores nomes dentro do instrumento. Mas não é apenas pela maneira de tocar que destaca-se o músico.
O baixista foi e é integrante de duas históricas bandas. Uma por ampliar as possibilidades dentro da evolução depois do punk, e colocar a melancolia em revolta por orquestradas e calamitosas letras do gênio Ian Curtis. A outra, um combo que conseguiu fundir o eletrônico com analógico de maneira ímpar. Remodelando mais uma vez os princípios e acordes dentro do rock.
O valor maior de todas essas capacidades, é poder viver marcos importantes dentro da história em dois grupos quase diferentes. Um deles, o show realizado pela Joy Division no ano de 1979. Gravado no Apollo Theater em 27 de outubro e também com algumas canções em Eindhoven no início dos anos 80.
Raríssimo registro gravado em VHS, Here Are The Young Men é uma das apresentações mais explosivas do quarteto. Muito menos pela qualidade do filme, mas pelo retrato do tempo. A banda começava a redefinir parâmetros que são usados até hoje por milhares de bandas. Relançado em dvd no ano de 2004, com alguns extras.
Nos parabéns de Peter Hook, o show completo...
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
GD 80 SHOWS FECHADOS....
E muitas vezes uma coisa puxa a outra....
Voltando para minha casa hoje, deparei-me com o show todo da banda QUEENS OF THE STONE AGE, realizado no festival SWU. Se não levarmos em conta McCartney (afinal de contas é um Beatle), a catarse coletiva da banda de Josh Homme foi a mais poderosa e octaedracubana do ano passado.
A Queens já relançou o disco R e está para soltar mais uma reedição. Dessa vez o álbum em questão é o primeiro (Queens Of The Stone Age / 1998). A bolacha foi lançada pelo selo comandado por Stone Gossard (Pearl Jam) nos USA. Mas na Europa a gravadora Roadrunner Records tomou conta do negócio. A formação da banda oficialmente contava apenas com dois integrantes (Josh Homme e Alfredo Hernadez), mas as canções foram capitaneadas pela trupe que frequentava as Desert Sessions (Chriss Gross, Fred Drake, Mick Johnson e o futuro baixista Nick Olivieri).
O disco é um dos favoritos dos fãs pela quantidade de pedradas que habitam na bolacha. Mexicola, Avon e Regular John (veja track list completo abaixo), por isso a banda iniciou essa semana uma pesquisa para saber qual a reação dos fãs, se por acaso a QOTSA fizesse uma turnê tocando o disco todo na íntegra, incluindo aí os lados B e canções não lançadas. Os shows seriam realizados em espaços menores e ainda contariam com jam sessions especiais.
Se tudo isso já não causou alvoroço (até agora aproximadamente 10.000 pessoas "curtiram" a idéia postada na página do facebook da banda), Josh Homme resolveu liberar versões ao vivo do disco. A primeira a ganhar vida (há exatas duas horas atrás), foi Avon. O fã também poderá fazer o download da faixa gratuitamente.
Alguém se anima em assistir Queens Of The Stone Age????
O track list :
1. Regular John
2. Avon
3. If Only
4. Walkin' On The Sidewalks
5. You Would Know
6. How To Handle A Rope
7. Mexicola
8. Hispanic Impressions
9. You Can't Quit Me Baby
10. Give The Mule What He Wants
11. I Was A Teenage Hand Model
Voltando para minha casa hoje, deparei-me com o show todo da banda QUEENS OF THE STONE AGE, realizado no festival SWU. Se não levarmos em conta McCartney (afinal de contas é um Beatle), a catarse coletiva da banda de Josh Homme foi a mais poderosa e octaedracubana do ano passado.
A Queens já relançou o disco R e está para soltar mais uma reedição. Dessa vez o álbum em questão é o primeiro (Queens Of The Stone Age / 1998). A bolacha foi lançada pelo selo comandado por Stone Gossard (Pearl Jam) nos USA. Mas na Europa a gravadora Roadrunner Records tomou conta do negócio. A formação da banda oficialmente contava apenas com dois integrantes (Josh Homme e Alfredo Hernadez), mas as canções foram capitaneadas pela trupe que frequentava as Desert Sessions (Chriss Gross, Fred Drake, Mick Johnson e o futuro baixista Nick Olivieri).
O disco é um dos favoritos dos fãs pela quantidade de pedradas que habitam na bolacha. Mexicola, Avon e Regular John (veja track list completo abaixo), por isso a banda iniciou essa semana uma pesquisa para saber qual a reação dos fãs, se por acaso a QOTSA fizesse uma turnê tocando o disco todo na íntegra, incluindo aí os lados B e canções não lançadas. Os shows seriam realizados em espaços menores e ainda contariam com jam sessions especiais.
Se tudo isso já não causou alvoroço (até agora aproximadamente 10.000 pessoas "curtiram" a idéia postada na página do facebook da banda), Josh Homme resolveu liberar versões ao vivo do disco. A primeira a ganhar vida (há exatas duas horas atrás), foi Avon. O fã também poderá fazer o download da faixa gratuitamente.
Alguém se anima em assistir Queens Of The Stone Age????
O track list :
1. Regular John
2. Avon
3. If Only
4. Walkin' On The Sidewalks
5. You Would Know
6. How To Handle A Rope
7. Mexicola
8. Hispanic Impressions
9. You Can't Quit Me Baby
10. Give The Mule What He Wants
11. I Was A Teenage Hand Model
GD 80 A PRINCESA E O ZUMBI.....
Billie Holliday ao fundo. Uma infinidade de sonhos passam pela cabeça da enfermeira Patsy Powers. Deslocada no tempo, apaixonada pelo médico galã do hospital, mas impossibilitada de consolidar seu amor pelo complexo de inferioridade e uma beleza inexistente. Uma menina que espera a passagem lenta dos dias sonhando com uma paixão nunca completa e comendo marmitas requentadas.
Assim começa o mais bizarro conto sobre princesas. O filme Graveyard Alive (2003).
Mas como em toda fábula de fadas, o destino se encarregará de colocar nossa heroína no caminho do verdadeiro amor, fazendo dela uma mulher deslumbrante. Uma verdadeira princesa da Disney. O único problema é que nossa Cinderela é na verdade um zumbi devorador de carne humana.
A diretora Elza Kephart, subverte o conceito e transforma uma história que estaria em qualquer desenho animado, em um conto bizarro de transformação. A enfermeira Patsy, só consegue ser notada e desejada como mulher pelo Casanova de jaleco Dr. Dox (Karl Gerhardt), depois de ser mordida por um morto vivo e tornar-se um zumbi.
A mutação da enfermeira nerd em sex bomb comedora de cérebros do hospital, é feita de maneira magistral pelo roteiro escrito por Elza. Até a pleonásmica mensagem contra a ditadura da beleza (para ser notada, tem que se tornar uma morta viva) é bem postada dentro desse conto de terror puro com toneladas de sangue e carne humana. Todo filmado em preto e branco, a película tem o clima certeiro de horror dos anos 50, uma bem sacada nota da produção. O público torce pelo verdadeiro amor, nem que para isso algumas carnificinas sejam cometidas pelo caminho.
Uma visão diferente do mundo machista e das atitudes das mulheres em relação ao mesmo.
GD 80 VOZES DA TERRA MÃE....
O termo creole nasce como um sinônimo de palavras que eram usadas para diferenciar etnias nos séculos 16 e 17.
Mais do que segregacionismo, também tem origens muito maiores, como por exemplo o verbo criar. Mas além do significado forte de construção, a palavra determina um idioma que conecta os povos Africanos, Sul Americanos e Indianos. Desse dialeto quase exclusivo, surgem os primeiros sinais do que seria chamado de creole music.
O ritmo que tem na métrica da palavra sua força, foi (como todos os ritmos africanos) disseminado por quase todas as colônias espanholas e portuguesas na América. Em Nova Orleans centenas de escravos exilados deram origem ao movimento que espalhou-se e amalgamou-se em outras formas musicais. Não é incomum encontrar o termo folk creole, para determinar esse tipo de música nos Estados Unidos. A praça Creole Square é um marco histórico musical da cidade.
Cuba, musicalmente um dos países mais relevantes do planeta, também sofreu essa influência direta. E uma das "bandas" mais comentadas do gênero esse ano vem da ilha.
The Creole Choir of Cuba é um combo de dez vocalistas (Rogelio Torriente, Fidel Miranda, Teresita Miranda, Marcelo Luis, Dalio Vital, Emilia Diaz Chavez, Yordanka Fajardo, Irian Montejo, Marina Fernandes, Yara Diaz), que nesse início de ano já estão com datas marcadas pela Europa, aparição no programa de Jools Holland e resenhas explosivas sobre seus shows. A marca do grupo é capacidade de modificar qualquer gênero musical e trazer uma assinatura creoula para cada composição. Adjetivados como explosivos e únicos dentro da crítica musical, suas apresentações são marcadas por forte identificação de alma com a platéia.
O Creole Choir juntamente com o projeto Afrocubism (uma reunião entre músicos cubanos e africanos) fazem parte de uma segunda onda da música peninsular. Movimento de redescobrimento iniciado com Buena Vista Social Club, que agora tem nesses dez cantores talentosos um outro vértice. Simples entender a relevância e beleza dos ritmos provenientes da África, quando vemos os dois vídeos abaixo.
Primeiro o coro cubano e depois a fusão entre nações do Afrocubism.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
GD 80 OS REIS LADO A LADO.....
A cena seguinte poderia ser provocada por poderosos alucinógenos, que descompactam as entranhas de seu tronco encefálico. Mas em uma época onde sargentos pimentas corriam por vastos campos verdes perseguidos pelo exército dos azuis, tudo poderia acontecer:
Uma instalação artística de Yoko Ono, sem que John Lennon sequer a conhecesse, milhares de pessoas percorrendo as ruas de Londres e encontrando-se no Alexandra Palace. 14 horas de poesia, música e arte, feitas em tempos repletos de cores acidulantes e vulcânicas. O festival The 14 Hour Technicolor Dream, realizado dia 29 de abril de 1967, foi uma conjunção onde milhares de psicodélicas sinapses fizeram história. Organizado por Barry Miles, tinha como atração principal uma banda "pop" que estava em seu início chamada PINK FLOYD. Além de Mick Jagger, Michael Caine, David Hockney e outros.
A reunião que durou até o amanhecer possui registros esparsos, mas um filme sobre a banda principal dá conta de mostrar o que foi aquele 29.
O documentário THE PINK FLOYD 1966/1967, dirigido por Peter Whitehead, além das imagens do festival, mostra o nascimento da banda para o público hipnotizado pelos acordes. As primeiras aparições no UFO Nightclub (uma espécie de Cavern Club lisérgico) foram todas dissecadas dentro da película. Magistral e raro registro do tempo onde Syd Barrett ainda era a cabeça pensante da banda.
Reza a lenda que o show realizado para o 14 Hour Technicolor Dream, começou às cinco horas da manhã e o set list executado pela banda era tão experimental e caleidoscópico que quase nenhum relato é exato sobre o que a banda tocou. O que se sabe com certeza é que ao nascer do sol, Barrett e seus compadres ácidos ainda deslocavam nuvens mágicas dentro dos acordes.
O documetário ainda marca o tempo onde o encontro lendário entre Syd e Lennon aconteceu. Uma das mais mágicas histórias relacionadas aos discos Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band e The Piper At The Gates Of Dawn, é que os dois músicos trocaram idéias e que cada um influenciou o disco do outro. O encontro entre as duas bandas não foi documentado oficialmente.
Relatos dão conta que no dia 21 de março de 1967 ocorreu o fato, Tanto John quanto Barrett estavam sob influência do LSD e as bandas gravaram as canções Pow R Toc H (do disco The Piper), Getting Better e Lovely Rita (Sgt. Peppers) respectivamente nos estúdios 3 e 2 de Abbey Road.
Outras faces dessa relação quase imaginária, podem ter acontecido no dia 22 de março. Quando as bandas haviam terminado suas sessões. A revista Melody Maker na época também relatou que, durante as gravações de cinco músicas do álbum de estréia do Pink Floyd, Paul McCartney era presença constante no estúdio.
Se a reunião foi uma viagem de ácido ou não, as filmagens marcam a era onde os reis da psicodelia andavam lado a lado....
Nos vídeos: primeiro o sonho em technicolor de 14 horas e depois Pink Floyd 66/67.
GD 80 BOB PAI, BOB FILHO...
Imagino que daqui há algumas horas, máquinas vão parar para a audição do novo single dos Strokes. O problema todo é que por mais que se queira um som no mínimo razoável da banda nova iorquina, a canção única que arrebatará seus ouvidos não será a de Julian Casablancas e seus comparsas.
E se o ditado do dia é que santo da casa não faz milagres, a sabedoria popularesca proverá nova tábua de esmeralda cheia de conhecimento quando acertivamente anuncia que filho do peixe....
Se seu pai foi um dos bateristas mais famosos dos anos 80, integrante de uma das bandas famosas dentro do pop rock, o que você faria com o seu talento????
Jordan Copeland fez o que qualquer pessoal razoável faria. Deixou as baquetas de seu pai Stewart (da banda The Police) do lado de fora e montou uma banda onde a sonoridade não tem nenhuma possibilidade de tornar-se paternamente igual.
Não existe por enquanto uma tônica de definição relacionada ao som do trio. A proximidade com a assimetria primusiana talvez seja algo que traga ligeiros clarões de identificação. Mas mesmo assim, o grind jazz cucaracho ou mesmo inequações imperfeitas que habitam bandas como a Deerhunter ou Young Mammals podem ser sentidas.
Mas uma coisa é certa: impossível não acachapar-se com a explosão de notas e fusões diferenciadas. Enquanto os fãs de Strokes desesperadamente procuram uma nova última noite, a banda HOT HEAD SHOW, tem em seu single de estréia uma saída melhor.
Lisergia atemporal....
Gravado de maneira quase artesanal em um pequeno apartamento e traduzido dentro de um lap top pelas mãos da própria banda, a mini bolacha contendo as canções Hotel Room e Bummer será lançada em 14 de fevereiro.
A produção nas mãos de Brian Bogdanovic.
As canções impressionaram ninguém menos que Les Claypool (Primus), que convidou a banda para ser a abertura da turnê em março.
A escolha da face visual também é provocadora e diferente. Para o primeiro registro video clíptico (Bummer), o trio (Jordan Copeland no vocal e guitarra, Vaughn Stokes no baixo e Beatamax na bateria), preferiu usar imagens de um filme de 1966 chamado Mondo Topless.
Hot Head Show é uma aposta diferente, em um mundo onde as similaridades são ansiosamente esperadas.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
GD 80 GARLOO....
Depois da invenção dos detectores de movimento para videogames, os brinquedos alcançaram outro patamar. Mover seres inanimados ou projeções holográficas já é algo corriqueiro.
Mas nem sempre foi assim....
No verão de 1961 brincar com seres de outros planetas, era apenas uma questão de quão longe seu fio poderia alcançar. O brinquedo da empresa Marx chamado de THE GREAT GARLOO foi um dos tataravós da tecnologia dos controles de jogos, que atualmente nada mais são que sensores de movimento.
O boneco deslocava-se anterior e posteriormente, assim como fazia curvas devido ao auxílio de um volante na parte superior do console de comandos. Possuia controle de velocidade, carregava objetos e ainda poderia servir de garçom alienígena, entre rompantes violentos de destruição em ferrovias e cidades.
Outro detalhe interessante é o medalhão que o boneco carregava, talvez o primeiro gangsta rapper alienígena de que se tem notícia.
GD 80 24 QUILOS DE SEMELHANÇA
Os famigerados anos 80, não deixaram apenas problemas com a cor nas roupas ou bandas medíocres como por exemplo Roxette. Uma cidade que durante o final dos anos 70 e o início da próxima década, arrastou uma verdadeira fortuna em drogas, armas e violência que inspirou não apenas filmes e séries de TV.
Scarface mostrou de forma quase cartunesca a face de Miami, que a direita americana gostava de achincalhar sempre que possível. Latinos envolvidos no tráfico de drogas. Pacino entupido de cocaína até as orelhas e dizendo oi com uma metralhadora é apenas uma das imagens marcantes da época.
Ontem aqui no blog, postamos sobre o documentário que retratava o mesmo período de tempo, apenas com mudanças geográficas e entorpecentes. Square Grouper, o filme de Billy Corben não é a primeira incursão ao submundo do diretor. COCAINE COWBOYS, de 2006 retrata a indústria do tráfico na cidade de Miami nesse período. O envolvimento de grandes cartéis colombianos, traficantes americanos e latinos que giravam uma descomunal quantia de dinheiro e armas. Guerras de gangues pelo domínio territorial, lavagem monetária e como a cocaína transformou-se na droga da moda dentro da sociedade.
A abertura desse documentário porém, guarda uma semelhança inigualável com um seriado que fez sucesso nesse tempo. Tanto Cocaine Cowboys como MIAMI VICE, tem em seus primeiros minutos a mesma característica cartunesca e porque não dizer brega. Lanchas, armas, dinheiro, mulheres e o sol da cidade fazem pano de funo para um início quase tão macarrônico quanto qualquer comédia.
Veja a abertura do doc. (que você pode assistir na íntegra aqui!!!!) , da série e compare. Até e trilha sonora tem uma semelhança mórbida.
E apenas como curiosidade. A cocaína era tão popular na época, que inspirou uma coletânea de sucessos da finada discoteca chamada Cocaine Boogie, 24 Kilos Of Underground 80's Dance.
Sensacional!!!!
Scarface mostrou de forma quase cartunesca a face de Miami, que a direita americana gostava de achincalhar sempre que possível. Latinos envolvidos no tráfico de drogas. Pacino entupido de cocaína até as orelhas e dizendo oi com uma metralhadora é apenas uma das imagens marcantes da época.
Ontem aqui no blog, postamos sobre o documentário que retratava o mesmo período de tempo, apenas com mudanças geográficas e entorpecentes. Square Grouper, o filme de Billy Corben não é a primeira incursão ao submundo do diretor. COCAINE COWBOYS, de 2006 retrata a indústria do tráfico na cidade de Miami nesse período. O envolvimento de grandes cartéis colombianos, traficantes americanos e latinos que giravam uma descomunal quantia de dinheiro e armas. Guerras de gangues pelo domínio territorial, lavagem monetária e como a cocaína transformou-se na droga da moda dentro da sociedade.
A abertura desse documentário porém, guarda uma semelhança inigualável com um seriado que fez sucesso nesse tempo. Tanto Cocaine Cowboys como MIAMI VICE, tem em seus primeiros minutos a mesma característica cartunesca e porque não dizer brega. Lanchas, armas, dinheiro, mulheres e o sol da cidade fazem pano de funo para um início quase tão macarrônico quanto qualquer comédia.
Veja a abertura do doc. (que você pode assistir na íntegra aqui!!!!) , da série e compare. Até e trilha sonora tem uma semelhança mórbida.
E apenas como curiosidade. A cocaína era tão popular na época, que inspirou uma coletânea de sucessos da finada discoteca chamada Cocaine Boogie, 24 Kilos Of Underground 80's Dance.
Sensacional!!!!
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