segunda-feira, 30 de maio de 2011

GD 95 FÍSICA OU MATEMÁTICA???


E quando a matemática não é suficiente?

Sempre que se tem uma equação onde as partes integrantes são notas, fica muito claro que tudo pode ser calculado. Porque a precisão das claves, fazem uma bela mistura fisiológica entre as camadas mais profundas de seu cérebro.

Bandas que produzem os toques certos pelos espaços seratônicos, com uma precisão inigualável. Mas se por um lado, a combinação de números torna-se poderosa, sua irmã siamesa a Física, deixa tudo com uma cara muito mais humana e lisérgica.
Pois é assim que a situação define uma banda como Legs Like Tree Trucks. Uma experiência que faz derivação da curva exata de acordes.


Pittsburgh coloca seus nativos em audição bem vinda. Mesmo com a diminuição do ritmo em gravações ao vivo, pode-se sem medo deixar-se levar por canções que tem uma calma extrema. Desanuviar o ódio e porque não entender um pouco mais sobre contemplação.

Com saídas que colocam em claras plataformas a maneira quase irresponsável (e importante demais), de criar uma geométrica progressão repleta de sensações. Uma conta que não é exata, por isso mesmo talvez a mais precisa. Capacidade de levar seus ouvidos por inusitadas notas. Annabel é um dos exemplos onde essas leis físícas caleidoscópicas se aplicam, mas ainda existem Winter e South Hampton que possuem acordes hipnóticos.

Um Ep gravado ao vivo e o homônimo, lançado esse mês, são os dois discos da banda. Uma bela aquisição auditiva para esse começo de semana, combinando com a mudança do pensamento careta e exato que ainda resiste.


GD 95 NOVAS CLAVES....


Caminhar.
E porque não aprender que um passo pode ser algo tão grandioso quanto o simples balançar de um vetrículo cheio de sangue e força. Andar, passo adiante contra uma maré de pessimismo e do criar com a violência.
Seja ela policial ou de uma indústria da música que cercou canções como latifúndios.
Não existem cercanias ou estacas eletrificadas dentro do coração humano, muito menos apatia dentro de claves e canções, que mostram o quanto podemos ser maiores que tudo.
Maiores que uma rancificada sociedade destruindo-se. A proibição do se expressar.

Uma canção não permitida de se espalhar???
Duvido muito disso.

Mas as graças de uma divindidade nada pentecostal, trazem bandas como a FATE LIONS. Um combo onde existe a liberdade de criar e o deixar correr por entre o mundo sonoro. Uma página recheada de notas onde a simplicidade de um riff marca sua grandiosidade. E assim é com a canção Natural Champion, o novo single da banda.

O andamento também é como o caminhar, passo após passo descrevendo a evolução que sempre trouxe camadas e mais camadas de alma. O rock é o mesmo, a garagem é a mesma, o que muda é a vontade de olhar o mundo de frente e libertariamente.
Ouça a estréia da nova canção da Fate Lions, aqui no GD...

domingo, 29 de maio de 2011

GD 95 O POEMA DA SAÍDA....



Esse é um daqueles momentos onde mais do que as vozes e o batuque, cada cadeia de genes de seu corpo se sente viva!!!!

"....Vão se juntar na manifestação,
A gente tá mandando um recado pra todo mundo,
e nem todo mundo já mandou um recado pra gente.
Egito, Espanha, Tunísia, tamo junto!!!!!

Vamo no maracatú,
vamo que vamo.
Ao mundo virtualizado (?)
A gente vai marchar com paz.

Vamos fazer uma apologia da liberdade, 
vamos marchar contra a repressão,
vamos marchar pela regulamentação
do uso de armas não letais!!!

Contra a caretice, contra os conservadores.
A gente tá criando algo novo.
Na rua a gente vai andar,
ninguém na calçada!!!!

A gente vai fazer um minuto de silêncio,
na frente do Cemitério da Consolação.
Pra lembrar Zé Claudio Ribeiro,
Maria do Espírito Santo,
Adelino Ramos,
as vítimas da violência policial
e todas as vítimias da nossa frágil democracia.

A comissão de segurança,
tá sinalizada com faixas laranjas no braço.
Qualquer problema,
procurem seus advogados.

Mas hoje, 
não veremos repressão.

Eu queria que todo mundo, gritasse bem alto
um chamado pra todo o Brasil.
Que no dia 18,
cada vila, cada cidade, cada capital.
Vamo marchar junto
pela liberdade.
Numa grande marcha
contra a repressão,
pedindo a regulamentação,
do uso de forças não letais.

Vamo mostrar pro Brasil, 
vamo mostrar pro mundo.
Que a gente é forte!!!
QUE A LIBERDADE É A GRANDE PAUTA
E QUE DENTRO DELA CABEM TODOS!!!!!
VAMOS PRA RUA!!!!!!!!!!!!!!"

O vídeo foi feito pelo jornalista Alexandre Matias, do site Trabalho Sujo. A transcrição pode conter algumas palavras soltas, pois o som é do vídeo. Mas o poema de saída da Marcha da Liberdade, mais do que palavra é uma concreta convocação para que todos lutem de forma pacífica, contra esse modo vida que não cabe mais.
Veja também o relato da marcha toda, na revista eletrônica (e comparsas na guerrilha) NEGO DITO!!!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

GD 94 AS APOSTAS DO HOMEM DE CERA.


De guitarrista quase virtuose à capitão de gravadora bem sucedida, Jack White é um dos personagens dentro do rock que não tem parada. Assim também é o selo Third Man Records. Lojas itinerantes, vinis coloridos, EPs dentro de LPs, compactos e disquinhos de todas as formas e jeitos. Mestre na arte do marketing discográfico, o músico ainda por cima cuida muito bem dos artistas de seu selo.

Produziu e lançou o álbum da esposa Karen Elson e o melhor, conseguiu fazer dela uma cantora boa. Reeditou a musa do rock Wanda Jackson, alavancando um resgate da história do rock que há tempos não via-se. Isso sem contar com o lançamento de várias bandas dentro do cenário atual.

Usando não apenas o site da gravadora para lançar novos nomes dentro desse baú, a gravadora de Jack realiza festas onde as bandas apresentam-se. Uma dessas reuniões chama-se Nobody's Vault But Mine: Third Man Records Fan Appreciation Event.
A mais nova edição delas apresentará uma nova gama de nomes onde White deposita suas fichas.

THE ETTES

Nascida na mesma Nashville onde encontra-se a sede da Third Man, essa banda é uma bela definição do gênero power trio. Mas não existe um ar seco de garagem nas notas, sim uma revisão do que a música dos anos 50 possuia. Some-se à isso uma coleção de riffs onde a claustrofobia impera. Estreiando em 2005, a banda prepara-se para lançar o quarto disco. Wicked Will tem lançamento marcado para agosto e pode-se esperar uma coleção de claves onde as nuances do punk confunde-se com vozes em sépia.




THE TURNCOATS

Mais um trio com vocação para a garagem. De Ilinois e com algum tempo de estrada, a banda possui entre seus fãs calibrosos entrecantos como Dead Weather e Raconteurs, além do próprio White. O som não difere dos seminais fãs, mesmo porque o blues garageiro é a tônica. Uma mescla entre o brejeiro younguiano e riffs com malemolência, mas sempre em vista o peso entre uma cozinha bem concatenada e guitarras alucinógenas.





DEX ROMWEBER DUO

Antes de entender as raízes mais obscuras do som desse dueto, necessário entender quem é Dex Romweber. Simplesmente um dos fundadores de uma das melhores bandas que misturavam com maestria o rockabilly, punk e surf music, a FLAT DUO JETS. Em carreira solo, o músico já tem nove discos e conta com inúmeras participações em trabalhos de outras bandas como R.E.M. e B52's. Mas não é apenas no quesito lenda, que Dex encaixa-se. A parceria com Sara Romweber é uma das mais explosivas dentro do rock. Como uma espécie de Johnny e June, mas com muito mais lava correndo pelas artérias. Lisergia e punk rock embebecido em quantidades cavalares de álcool do Mississipi.




JACUZZI BOYS

Frequentadores da extinta Gangrena FM, esse trio de Miami pode até parecer deslocado dentro do grupo. Mas o engano se desfaz quando percebe-se a quantidade de virulência de canções como a famigerada Space Cake ou Smells Dead. Não tanto enraizado no blues, mas sim em todas as capacitâncias existentes em shoegazianas épocas, a banda percorre a mesma linha de recapitações dos anos 80. Mas com aquele jeito peculiar de New York em 2001.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

GD 94 BARRY JIVE AND THE UPTOWN FIVE (cânhamos cinematográficos)


Comprovando mais uma vez que a maconha anda na moda por esses tempos, a Fox Searchlight no dia de ontem (via twitter), aconselhou o público à assitir o filme The Tree Of Life depois do uso da famosa erva. Ganhador da Palma de Ouro em Cannes e dirigido por Terrence Malick, o filme recebeu críticas muito boas e coloca definitivamente o senhor Jolie como um dos atores mais poderosos de Hollywood.

Mas a grande questão é:
A maconha está tornando-se muito menos tabu e o assunto (e consumo), já não pode ser ignorado muito menos crucificado. Mas isso é outra discussão, o que importa aqui é um dos melhores passatempos de todos os tempos:
Assistir filmes sob o efeito da cannabis.

O suspense mais suspense, a tensão mais tensão, as nuances do roteiro mais ressaltadas, as mensagens subliminares mais facilmente identificadas, as associações com músicas, livros e outros filmes saltam aos olhos. E isso nem é uma questão de loucura, mas fisiológica.
A maconha além de diminuir a quantidade de espermatozóides no homem e causar tosse crônica,  também liga-se muito intrinsecamente com neurônios em três regiões cerebrais:

O Hipocampo, Cerebelo e os Gânglios Basais. Tanto o segundo como o terceiro, são responsáveis pelo equilíbrio do corpo e movimentos involuntários dos músculos. Mas isso não interessa aqui. O que é válido é a relação que existe entre o THC e a primeira região.

O hipocampo além de ser responsável direto pela memória recente e a de longo prazo, tem uma ligação íntima com  outra região importante do cérebro, a amigdala. Essa estrutura é responsável pelo registo e decifração dos padrões perceptuais e também por uma pequena parte de reações emocionais relacionadas com estímulos externos.
Como por exemplo um filme ou uma canção.

Entendeu???

O uso da maconha, ativa os neuroreceptores canabióides (O THC age no corpo humano da mesma forma que a anandamida, outra substância ativadora) e faz com que assistir filmes seja uma experiência um pouco diferente do normal. Não que você vá ver tudo em 3D, ou descobrir o sentido da vida. Existe uma diferença, pequena, mas está lá.

Por isso o estúdio colocou no ar esse twitte, muito menos pela apologia e mais pela percepção do que a história quer contar. Pensando nisso, o GD resolve ajudar a Fox (e você meu chapado leitor), com uma das famosas listinhas do blog. Alguns filmes para assistir chapado, sem ordem de preferência, apenas uma lista.

Alguns sérios, outros nem tanto. Matrix e Alice No País das Maravilhas não entraram. Mas são menções honrosas

01) A VIDA DE BRIAN  (Terry Jones)



02) QUEIMANDO TUDO (Lou Adler e Tommy Chong)



03) O BEBÊ DE ROSEMARY (Roman Polanski)



04) KILL BILL VOL1 (Quentin Tarantino)



05) PULP FICTION (Quentin Tanrantino)



06) ASSASSINOS POR NATUREZA (Oliver Stone)



07) TRAINSPOTTING (Danny Boyle)



08) O LABIRINTO DO FAUNO (Guilhermo Del Toro)



09) TOKYO GODFATHERS (Satoshi Kon)



10) OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE (Esmir Filho)



11) VIAGEM AO MUNDO DA ALUCINAÇÃO - THE TRIP (Roger Corman)



12) O GRANDE LEBOWSKI (Joel Coen)



13) MEDO E DELÍRIO (Terry Gilliam)



14) JOGOS, TRAPAÇAS E DOIS CANOS FUMEGANTES (Guy Ritchie)



15) O ILUMINADO (Stanley Kubrick)



16) LARANJA MECÂNICA (Stanley Kubrick)




17) 666 NIGERIA(Pastor Kenneth Okonkwo)



18) O HOMEM ELEFANTE (David Lynch)



19) MEGA PIRANHA (Eric Forsberg)



20) PAPRIKA (Satoshi Kon)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

GD 94 LISERGIAS EM VINIL....


Outra das grandes notícias que ocorreram nessa semana, além da audição do novo disco dos Black Lips, é o recente projeto de uma das maiores bandas de nossos tempos. Ninguém menos que a FLAMING LIPS. Eles que esse ano colocaram um pen drive dentro de um crânio feito de resina, desse vez lançam um vinil de outro planeta.

O EP que mais parece um caleidoscópio (Flaming Lips and Prefuse 73), é formado por quatro canções. Você pode ouvi-las desde ontem, mas aqui também isso é possível. Além obviamente de toda a parte gráfica da bolacha, as canções são extremas e cheias de distorções.

Além de todas as loucuras que o senhor Wayne Coyne apronta, em muitas conotações, o disco parece uma continuaçao da linha sonora utilizada para a recriação magistral de The Dark Side Of The Moon, o que já é algo extremamente interessante.

Ouça The Super Moon Made Me Want to Pee!!!, Heavy Star Moving..., Be Like That…That…That e Guillermo’s Bolero.







GD 94 LENDAS CALMAS....


Você poderia chamar de saudosismo, ou encantaria-se em descobrir que a velhice acaba chegando para todos. Inadvertidamente e como uma doença silenciosa. Único saldo concreto de sua existência é a sua própria morte, mas até lá existem milhares de coisas para se ver, ouvir e sentir. Por isso nada melhor que descobrir alguns dos velhos heróis de uma cena, que a história parece mostrar como um dos últimos movimentos genuínos do planeta.
Mas antes...

Existem duas bandas que viveram (e uma delas ainda está), em lugares que são tão obscuros dentro da germinação do grunge, que por muitas vezes são considerados as sementes seminais do movimento. E quando eu digo lado escuro, eu quero dizer garagens imundas, letras cheias de sarcasmo e revolta. Acordes que são muito mais parecidos com serras elétricas do que riffs e uma capacidade de fusão atômica entre letra e música absurda.
Esses elementos criaram duas bandas que escreveram talvez uma das maiores coleções de músicas das décadas de 80 e 90. Irmãos não siameses dentro de uma família desconexa, que teve em Kurt Cobain o filho mais deslocado.

Dois documentários tentam captar a essência dessas duras maters de titânio dentro da história. Uma delas é a espetacular MUDHONEY. Que Mark Arm gosta do Brasil, que a banda já tocou de graça no interior do estado de SP e que eles são adorados nos círculos mais descolados, isso é notório. Mas esses verdadeiros heróis, nascidos em 1988, também não são nem um pouco idiotas.

A banda começou sob o quase óbvio signo da radicalidade. Arm e seus comparsas (Steve Turner, Dan Peters, Guy Maddison e também com as participação de Matt Lukin (que ganhou uma canção do Pearl Jam), Wayne Kramer e Steve Dukich), formavam uma das mais barulhentas e sujas bandas de Seattle.

Com letras que mostravam o desmembramento de uma quase perdida juventude, com a mais fina irônia ácida e cínica, a Mudhoney é um combo de perverção e sangue que dilacera. Desde os primeiros acordes com a banda Green River, até os dias de hoje, jamais comprometeram a integridade artística. Sempre fizeram tudo da maneira mais original possivel, mesmo com Mark trabalhando para a ex-indie e atualmente grande gravadora, a Sub Pop.

Controversos, sujos e feios. Uma das maiores bandas de todos os tempos, com uma discografia de causar inveja em muita gente que supostamente começa com os rótulos de punk ou grunge. Tudo isso celebrado no documentário I'M NOW.
Contando a história desde a gênese, o filme (como tudo relacionado com a Mudhoney), ainda tem poucas pistas de quando terá sua estréia ou ficha técnica. Apenas um pequeno trailer, o website e uma conta no twitter, onde poucas informações podem ser recolhidas. Sempre possivel também seguir o senhor Arm, mas não espere muitas pistas, afinal de contas eles não jogam em favor da glamourização e do hype.

I'm Now e seu trailer curto e misterioso abaixo.



Outra octaedracubana banda dos anos 90, é muito mais pesada e possivelmente mais obscura até que o chamado pai do grunge.
O nome em questão é a TAD.


 1989 até 1999. Curto espaço de tempo determinou a vida de uma das mais pesadas bandas dessa época. Mesmo porque o som do combo era muito mais baseado no heavy metal dos anos 70 do que no punk, como era costume de quase todas as bandas de Seattle.
Com uma formação quase em formato de trupe itinerante, a Tad (seminalmente um trio) conseguiu colocar algo mais sujo e desconexo dentro do som.
Como a grande maioria das bandas desse tempo e depois de algum sucesso inicial, assinaram um contrato com uma major (começaram na Sub Pop, passaram pela Warner e terminaram com a Elektra).  E como muitas outras sensacionais claves dos 90, perderam-se pelo caminho.
Com uma formação mutante e com uma discografia quase tão extensa quanto o número de pessoas que tocaram na banda, existem discos quase que obrigatórios para audição.

Esses três álbuns (8-Way Santa / 1991, Inhaler / 1993 e Live Alien Broadcasts / 1994) devem ser as primeiras pedras vulcânicas que você pode explorar, para entender o que era o peso e as influências deixadas por eles.
Além do que, já está rodando pela internet o documentário sobre o grupo.

Dividido em 8 partes, conta a história completa e contém depoimentos de muita gente grande do grunge, assim como de todos os ex-integrantes.
Hoje senhores de respeito.
Uma banda que por muito tempo foi considerada menor e apenas feita para iniciados, tem um legado muito maior do que se imagina.
Nunca venderam milhões e suas maiores apresentações foram ao lado do Soundgarden, mas seu legado dentro da música pode ser comparado ao Nirvana.
Assista....















terça-feira, 24 de maio de 2011

GD 94 LISÉRGICAS HISTÓRIAS...


Livros.
Letrados petardos de emancipação intelectual que jamais poderão ser substituídos pela binária tela de um iPad. Aquele cheiro de folhas novas, as fontes que merecem uma atenção pois formam verdadeiras e geométricas formas por entre contos, poemas e histórias de vida. Um livro é sexo com pessoas de verdade, enquanto as telas de toques são bonecas suiças de duas gerações atrás.

Exagero. Sim um pouco. A tecnologia talvez ajude na reconstrução de florestas e faça o gasto com celulose diminuir, mas mesmo assim um livro sempre será um livro. E um desses é talvez um dos mais esperados lançamentos do ano.

Beyond and Before: Progressive Rock Since The 60', é o mais novo trabalho de Martin Halliwell e Paul Hegarty, relatando tudo o que aconteceu e mudou a história do rock envolvendo esse gênero cheio de gênios.

Aqui no GD alguns trechos do capítulo 13, introdução e bibliografia, devidamente pirateados desse mais novo documento da história, que tem se lançamento marcado para a primeira semana de junho.















domingo, 22 de maio de 2011

GD 94 O CAMINHAR NA DIREÇÃO DO MUNDO.....


Hora de desopilar.

Desaguar o ódio pelas letras talvez seja a melhor saída para a impaciência da alma, mas e o resto?
Trâmites de uma vida cheia de colisões. Aquelas mais pesadas ou as catarses em forma de minutos. Uma camiseta, uma frase ou apenas um pequeno canalículo de tempo que escorre a evolução humana em diversas direções. Não existe um lógica ou fórmula mágica, de como o coração humano vai caminhar em eletrocardiográficos sensitivos. O único pensar possível é de que o caminhar precisa de ferro em brasa, na mesma medida que o ar gélido do acalento.

Por isso indispensável seria o auscultar melodioso dos palíndromos da cantora ALICE GOLD. Mesmo porque ela é prova viva de que, o caminhar por entre terras outrora designadas como finitas, é algo que se faz com passos em diferentes posições.
Ontem foi provado que o retorno violento para um período de nossa história, é o produto final de uma equação com valor quebrado. Dinossáurica maneira de evoluir, que não leva definitivamente à lugar nenhum.

Mas existem as claves...

Alice nasceu em Camberley, mas sabia que o amadurecimento de suas notas não poderia passar em minuto algum pelo excesso de etileno campestre. Por isso como outra valquíria inglesa, PJ Harvey, já estava em Londres em tempo breve. Ainda era pouco, por isso a sempre providência divina do destino encarregou-se de colocá-la em sintonia com a evolução octaedracubana.

Em uma mesa de poker...


A passagem para os Estados Unidos foi ganha por entre as cartas, mas as marcações de uma vida não poderiam ter mais exatidão do que essa. Mesmo porque o espírito livre de Alice não poderia ser domado. Exatamente como na letra de um Mundo Livre, máquina bem equacionada de criação em lava.

Por entre lições em Luxemburgo ou moradas navegantes, seu som começava a sedimentação. Depois, prender a atenção do produtor Dan Carey (Franz Ferdinand, Hot Chip, Lily Allen...) foi algo natural. Começava então a produção do que é hoje seu álbum. Obviamente posterior aos quatro singles que maturaram a idéia (Orbiter, Runaway Love, Concersations Of Love e Cry Cry Cry).

Seven Rainbows (o disco), reune todas as nuances que fazem um belo trabalho de estréia. Não apenas pela produção matematicamente suja, mas também existe uma capacidade de subverter o óbvio, que em quase todas as canções trazem consigo o desespero pela movimentação anti-horária. Como se fosse possível evoluir em outra direção. Com saídas em notas nada pleonásmicas.

Quando o pop começa a tornar-se demais, uma lisergia bem vinda. Ou quando os caleidoscópicos tornam-se muito claustrofóbicos, uma ventania branda parece crescer nervosamente por entre as músicas. Uma leve nuvem de tempestade dentro de um céu azul demais.

Ouça sem falta Alice Gold, talvez uma das suas prediletas meninas com asas e experimentações cerebrais. Aqui você confere Conversations (o áudio), Runaway Love, Orbiter e uma cover mais do que bem vinda de Your Time Is Gonna Come do mastodonte Led Zeppelin.






sábado, 21 de maio de 2011

GD 93 O QUE VI, SENTI, VIVI E LI SOBRE O DIREITO DE FALAR!!!!!!

Fotos: um sacripanta.


Quando o número em branco plácido mudou sua marca de 14:30 para 31, faltavam horas ainda para que religiosos pedófilos de plantão regurgitassem todas as suas profecias. O mundo ruiria aos poucos, na forma de trovadores clarões de ira divina. Mulheres e homens não marcados com a estrela bóia sucumbiriam.

Mas ela estava em paz consigo mesma. Estava na rua, nua de laços, exposta em alma e lava uterina com milhares de pessoas que seguiam um Moisés imaginário. Peregrinos que não pediam a liberação do torpe, mas sim clamavam uma voz. Uma possibilidade de falar, não gritar. Talvez até gritar, mas não pelo ódio cego que invade as televisões com seus reality shows cheios de pretensos condutores de moral.

Um grito rouco, pedindo pela chance do debate, da discussão que evolui.
Afinal de contas, ela pensava convicta, já ouvimos tantos gritos de tortura e eletricidade mórbida, que finalmente uma voz na direção de algo maior, seria uma das coisas mais bonitas que já teria visto.

Tiqueteando, tiquetaquear.
Mais uma volta e os número do relógio marcavam outros segundos. Ela ouvia conversas sobre cartazes com o nome da tal da erva. Eles deveriam ser retirados, pois aquele nome era tão proibido quanto a palavra assassino.
Maconha...


Ao longe ouvia-se os gritos dos que pregavam o ódio.
E para aquela menina o nome nem era tão feio assim. Mas isso não importava, afinal de contas o objetivo ali era outro. Era a voz. Não haviam mais cores, sexos ou amores. Existiam pessoas de terno e chinelo, gravata sem martelo ou cutelo. Apenas pessoas.
Brancas, negras, amarelas, azuis e verdes. Pessoas cantando, marchando pacificamente.

Os ponteiros congelam.
Já eram seis da tarde????
Seria a hora marcada para o arrebatamento dos covardes, que não veriam o apocalipse????
Ela se indaga porque o tempo parava naquele exato instante.
Sua resposta seria uma nuvem em cinza chumbo e escudos. Uma tropa bem ensaiada de passos tenebrosos. Nunca vira tamanho predador, pois isso era apenas matéria de pesadelos, ou filmes americanos republicanos. Sylvesteres longe de alguma movimentação calma. Mas a caminhada iria na direção de um nome que acalentaria, Consolação.

Seus dedos então tornaram-se nervosos, não lembrava mais das fotos que deveria ter feito antes. Afinal de contas também estava lá para educar-se e elas fariam parte dessa elevação em imagens. Mas a nuvem cinza marchava em geométrica forma, escudos ao vento e salivando repressão. O rufar dos cacetetes na pele dos escudos plásticos, apenas deixavam no ar o cheiro de gás. O mesmo gás que segundos depois invadiam seus olhos.

Um estrondo, outro. Uma bomba, outra. Mais uma explosão e o céu cobre-se de fumaça e linhas assimétricas.
Descrevem no ar o traçado geométrico do pavor. Outro estrondo, pernas em movimento de fuga. O céu desaba, o mundo prende a respiração. Não se pode arfar a clemência, pois a dor nas retinas é como mergulhar em uma piscina de brasa.
Boa hora seria para ser arrebatada, mas não acontece.

Outra bomba, lacrimejando desespero dos anos de sessenta e oito. Pernas cansadas, vozes abafadas. A nuvem cresce em violência, mesmo depois de um acordo feito por apertos de mãos trêmulas. A maresia que sobe no ar da Consolação é apenas um grito abafado e pavoroso.
Pernas marcadas, gado cercado e descontrolado. Não existem pastores, apenas cães de um estado que não acalenta, não cuida.
Reprime.

Presos, debandados, jovens sem pátria. Párias de um governo que nega a vocação da história. A de liberdade pela palavra.



Quando se oprime com a violência, não são todos que conseguem mongeanamente calar o ódio. A praça de guerra então coloriu-se com garrafas. Poucas que explodiam o desejo de libertar-se do papel de alvos. Quem apanha sempre lembra, mas quem atropela esconde-se na covardia da falta de freios.

Nesse minuto, ela já não mais sabia onde estava. São Paulo, Gaza ou em um circo. Um picadeiro onde existem piadas sem graça e humoristas sem dentes. Um local mórbido onde a repressão é a moeda de troca e onde o corpo desaba na forma de desespero.

Ela então suspira, olha o poste antigo remodelado que espera apenas o poente para funcionar. Já são quase seis horas. Os olhos cheios de gás e lágrimas escorrem o medo, rodeado de indignação. Pensa em seus heróis, eles estão mortos.
Todos estamos um pouco mais hoje.

Ao longe ouvem-se as seis badaladas. Nenhum raio, nem tsunami histórico. Mas dentro da alma do país algo morreu. Não se pode deixar a voz ser calada assim, de maneira violenta e sem razão. Impossível acreditar que compatriotas morreram pela nosso direito de protestar e debater, e novamente somos encurralados. Bombardeados com repressão e violência de uma entidade que tem em seu lema proteger.

Sim meus libertários leitores, hoje o mundo não acabou, mas nossa infância foi estuprada de maneira ímpar e sem volta. Não existe silêncio nessa política de açoite. Não existe paz onde a razão pode ser deturpada por atos violentos. Em nome da ordem.


Que ordem????

A ordem do senhor ignóbil Teodomiro Mendes, que pauta-se na possibilidade de silenciar o povo???
Na ordem de um canalhocrata chamado Capitão Benedito Del Vecchio, que aperta a mão do povo e em uma encruzilhada qualquer acende uma vela ao diabo????

A ordem do nosso covarde Governador Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho, eleito pelo povo paulista para que proteja a cidadania.
Ele tinha obrigação (e a hombridade) de apresentar-se na Avenida Paulista, reclamando pela liberdade, pois é essa tal liberdade que garante seus votos. Esse cabresto em forma de gás lacrimogênio não é digno de quem comanda as entidades do estado (entre elas a polícia). Não precisa ser maconheiro para defender o direito do cidadão.

Um líder está ao lado de quem o elege, não em conchavos políticos que usam a repressão do povo como braço de ferro político entre ele, Serra e Kassab.
Mas a cega ignorância desses homens não conhecem as leis de Newton.


Aquela que reflete a reação contrária e de mesma intensidade contra a ação.
Não meus senhores da guerra transvestidos por ternos, fardas e motocicletas sem freio. A reação do povo tem que ser a luta. Mas não a luta covarde de quem não tem literatura, sim aquela que pregava outros libertários, como o Rei.

Martin sobre nós que marcharemos na direção da liberdade de poder discordar e se expressar. Seja pela maconha, pelos direitos dos homossexuais, contra a xenofobia e a hipocrisia.
O mundo não acabou, por entre lágrimas e panfletos estamos todos sangrando. Epidermes que queimam e florescerão novamente. No ritmo da voz que nunca poderá ser calada.

Eu sou o anticristo, eu sou um anarquista!!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

GD 93 ACALMANDO HOMICIDAS.....


São exatos vinte e cinco minutos passados das dezessete horas. Tenho em minha boca um gosto amargo da poeira asfáltica que restou por entre meus quatro caninos dormentes. O tráfego em feridas me consumiu durante quase duas horas de calor outonal. Minha cabeça recebe sinapses onde a cortisona fisiológica inexiste. Vejo os cabelos ruivos daquele que detém meus princípios monetários e penso em matá-lo. Seria uma morte gradual e lenta. Esfacelando o rosto de matrona e seu bigode aparentemente erotizado. Decalcando sua pele como se faz com figurinhas de seu mais recente álbum da Copa do Mundo.

Uma linda ópera de sangue e vísceras espalhadas pelo chão, onde agora meu corpo teima em derreter por milhares de complexos de Golgi de inferioridade. Tenho que um dia talvez minhas boas ações tornem-se alivio, mas a prática da humildade é tão lenta internamente, que provavelmente será necessário uma tonelada de caridade para que meus pensamentos mais homicidas e sórdidos não sejam levados em consideração.

Quem me dera laicamente não perder meus neurônios por entre vinganças religiosas de ódio e furor, colabado no vaso mais íntimo de meu testículo esquerdo.
Se ao menos um piano...

Então uma nota trava-me a garganta. Toma de mim o furor nazista de emancipação acima de qualquer Polônia. Já não existe matriarca frígida, muito menos vontade de trazer a morte cavalgando por entre meus dedos em forma de alçapão. Apenas uma sensação que cresce vagarosamente pela parte mais ínitma de meus alvéolos.
Se apenas eu soubesse de quem é esse piano....


Debbie Neigher nasceu em São Francisco. Filha alta e de formação óssea abundante em osteoblastos, aprendeu o piano aos quatro anos. Aos treze (às avessas do filme de mesmo nome), escreveu e musicou suas primeiras canções.
Tudo usando o instrumento ébano marfiniano.
Durante sua adolescência, por entre promessas de amores e revelações em seu corpo, ela auscultava todas as nuances em claves de sua terra natal. Shows de punk, folk e uma cocaína chamada jazz, colocada delicadamente em seu útero pelas mãos de seu pai.
Mas a menina tinha em seu mais completo gene a potência de valquírias seminais, que a acompanharam por todo esse amadurecimento em forma de vida e música.

Por isso não é de se espantar que, ao ouvirmos os primeiros acordes de seu primeiro e independente EP tudo se torne tão claro quanto vidro úmido. Uma coleção de canções gravadas em algum lugar de 2009 (ela tinha 15 anos então), com uma veia latejante embalsamando grandes cantoras. Fica difícil imaginar que Debbie não tenha gravadora, muito menos que está apenas começando.

São reverberações de uma maçã Fiona ou força gástrica de poder felino. Seis canções que tem o poder de acalmar o mais furioso homicida do trabalho. Notas que acalmam o refúgio mais bestial da alma humana. Aquela mesma que volta e meia, em desespero, mata milhares de pessoas dentro da imaginação.

Ouça o EP de estréia da cantora e deixe-se levar pela mais bonita capacidade humana, a de transmutar amargura em felicidade e fundir tudo isso em ares marejados.




GD 93 POR ENTRE O ÁCIDO E O CLÁSSICO.....


Existem duas bandas que definitivamente influenciaram uma geração inteira posteriormente. Na verdade três se a conta for feita de maneira correta.  
Mutantes, Beatles e Pink Floyd.
Obviamente existem nomes muito mais obscuros dentro do quesito psicodelia assombrada, Bandas como por exemplo 13 Floor Elevator, Jefferson Airplane, os sensacionais Vanilla Fudge e uma extensa lista onde os sons permanecem liquefazendo pedaços learyanos de notas ácidas.

Em 2011, existe uma linha dentro do chamado rock alternativo que prospera por entre essas influências. Uma mistura de sons que tem uma espécie de semelhança mórbida com a cultura eletrônica do sampler. Bandas que usam pedaços de lisergia de outrora, revestidos em papel moderno. Obviamente poderemos aqui discorrer sobre o quanto tudo está perdido na questão originalidade, mas essa ranzinice de sexta pode esconder um ódio submisso do pensar, maltratando assim a verdadeira intenção dessas sonoridades.

Uma volta ao passado não muito distante, em suas veias notas de saudades. Sentimento que aflora com muita facilidade dentro desses novos tempos. Esperamos sempre poder voltar ao uterino local, onde o rock era muito melhor do que a espera pelo novo disco dos Strokes. Viver onde literalmente o cenário depende de regurgitações, é algo que não tem sossego de alma.

Mas sempre que possível é bom ouvir algumas dessas claves, quase tão boas quanto aquelas em sépia semi morta pelo tempo.

É o que nos leva na viagem de uma banda como a BROWN RECLUSE. Um literal combo que além da formação usual com Timothy Meskers, Mark Saddlemire, Herbert Shellenberger, Daniel Steinberg e Patrick Todd, ainda conta com a participação de: Kim Ahn, Holly Bolger, Shawn Harrington, Gabe Stuart e Jesse Todd, fazendo harmonizações vocais e efeitos sonoros.
Nascidos por entre os corredores de boxe da Filadélfia, essa agremiação de músicos e amigos estão na estrada desde 2006. Nasceram Brown Recluse Sings, mas a preferência pelo nome de uma aranha americana (sem trocadilhos), fez com que o nome fosse encurtado.

Os Eps gravados (Black Sunday, The Soft Skin, Selected Hymns) assim como os dois discos (Evening Tapestry e o mais recente Panoptic Mirror Maze), mostram exatamente o que a introdução do texto prega.

Uma volta ao passado repletos de estranhas notas em cores fortes e cada vez mais giratórias. Sem esquecerem as nuances mais suavizadas, formadas pelas cadeias de genes que explodem como aquela bicicleta ácida. A audição de Panoptic, revela uma grandeza de alma e capacidade de dividir bem os momentos onde sua mente tem que embarcar na viagem ou precisa de descanso. Sem super saltos por entre as notas, a banda revela uma bela peça dentro do cancioneiro psicodélico. Abusando da influência de Tom Zé e os Mutantes.

Ouça o mais novo baseado chanfrado em LSD da banda, que está para download gratuito....



quinta-feira, 19 de maio de 2011

GD 93 SUBSTITUTOS....


Ele tocou em apenas dois shows, no ano de 1987. Amigo de longa data e contemporâneo musical dos RAMONES, Clem Burke era antes de mais nada baterista de uma das bandas mais legais dos anos 70.
A Blondie.

Após a saída de Richie Ramone, por questões até hoje não muito bem explicadas (o baterista diz que deixou a banda por não receber dinheiro referente à venda de camisetas), Clem foi chamado para substituí-lo. O que não durou muito, afinal de contas o estilo dos Ramones era um pouco diferente da banda original de Clem, com sua levada mais new wave.

Elvis Ramone (seu nome na banda) tocou em 28 de agosto no The Living Room, na cidade de Providence. O segundo e último show foi dia 29 do mesmo mês, em Trenton. Depois disso, Marky Ramone foi chamado de volta. A velocidade que era uma das características da banda (Richie deixara o show dois minutos mais rápido), estava comprometida.

A apresentação terminal de Elvis Ramone você ouve na íntegra aqui.

Set List:

Durango 95
Teenage Lobotomy
Psycho Therapy
Blitzkrieg Bop
Rock and Roll Radio

Freak Of Nature
Shock Treatment
Rock and Roll High School
I Wanna Be Sedated
KKK Took My Baby Away

Crummy Stuff
Rockaway Beach
Love Kills
Sheena Is A Punkrocker
Glad To See You Go

I Don't Care
Too Tough To Die
Mama's Boy
Animal Boy
Warthog

Surfin Bird
Cretin Hop
I Don't Wanna Walk Around With You
Today Your Love, Tomorrow The World
Pinhead

Chinese Rock
Somebody Put Something In My Drink
Bonzo Goes To Bitburg

Do You Wanna Dance
California Sun
We're A Happy Family














GD 93 DESCOLANDO UM TROQUINHO.....


A vida dos RAMONES nunca foi fácil. Considerados deuses na Inglaterra e no mundo, quando jogavam em casa não conseguiam um show decente. Não vendiam discos, as apresentações eram feitas para pequenos públicos em clubes cada vez menores. Lutavam contra a indústria e contra eles mesmos.
Por isso sempre que uma pequena oportunidade surgia....

 
A banda gravou algumas versões para comerciais da cerveja Steel Reserve. Os jingles foram modificações de canções próprias. Por exemplo, Gimmie My Steel Reserve é uma versão de All's Quiet on the Eastern Front, Fill My Cup nasceu de Real Cool Time. Os anúncios são todos de 1995, quando a banda estava começando uma nova onda de influência dentro do rock, afinal de contas todas as bandas do grunge eram fãs dos Ramones.





GD 93 MAGOS LIBERTÁRIOS DA CARETICE.....


Existem momentos na vida que definem sua capacidade de tornar-se um vegetal dotado de tapa olhos ou uma ser humano completo. Não se aprende no seio familiar a totalidade da capacidade de transcender, o que ocorre é algo um pouco diferenciado (para usar um termo moderno).
O medo materno pelo novo é capaz de podar seu pênis vaginal de maneiras inimagináveis. Por isso a melhor parte da educação sobre o mundo, é aquela que se aprende na rua. São os momentos divididos pelos marginais, que conseguem trazer por entre os canais oculares, milhares de lacrimosas mudanças de consciência. O lutar por uma vida menos ordinária, passa necessariamente pelo calçamento frio e sarjetas cobertas de genes multi facetados.

Não importa se você gosta ou não de punk, muito menos se a sua educação sorboniana permanece matracando pelos ossículos auditivos, o quanto esses três acordes seminais são pobres esteticamente.
As letras que carecem de erudição, apenas servem para comprovar que o som dos pobres, pretos e favelados sempre esteve presente em nossa história. Como anti heróis sem máscaras, mostrando que a capacidade de transcender a hipocrisia é algo obrigatório, se algum dia você quiser olhar para trás na sua vida e perceber que ela valeu mais do que uma fralda cheia e fedorenta.


O mundo em 1974 era tão sujo quanto o de 2011. As pessoas ainda esperam que você atue em seu papel pré fabricado pelos esteriótipos de uma sociedade cada vez mais podre. Noções de moral, moralismo de coluna social bêbada e uma quantidade de caretice educacional, colocam seu cérebro em estado vegetativo latente e permanente. Mas nossos heróis estão aí para isso, libertar.

Os RAMONES são os meus, muito mais do que os Beatles ou Stones. Um quarteto que nasceu disforme geneticamente, formado por marginais, prostitutos e obcecados compulsivos. Uma aberração da natureza do ponto de vista da sociedade castradora. Impossível convivência dentro dos parâmetros mundanos.
Mas mesmo assim, eles tornaram-se uma lenda.

Gostar da banda seminal, é acreditar que o mundo pode e deve ser livre. Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy foram paladinos medievais de uma retomada da consciência humana. Como trovadores antigos disseminaram o rock por onde passavam. Flautistas mágicos que colocavam dentro de sua retina, a imagem do lutar por algo que se acredita.
Nem que seja pelo milagre.

O mundo havia preparado para os quatro nada mais do que uma existência podre, como o faz para todos. Mas os Ramones são a prova viva de que é possível tornar-se algo maior que o marasmo de alma embutido em nossa genética. Não existe estudo erudito que consiga mostrar o quanto a banda foi capaz de germinar uma centelha de liberdade, seja ela na música ou na vida de todos que ousam escutar seus acordes minimalistas.
Canções que são verdadeiras aulas de simplicidade e vulcanismo sem precedentes.


Amar uma banda como essa é perceber que sua alma é formada não apenas pelo etéreo, mas sim por substâncias químicas concretas. É entender que a liberdade é palpável e possível de se conseguir através do amor pela vida e suas conquistas mais simples. A pieguice de qualquer observação torna-se algo inexato e bem vindo, mesmo porque Joey sempre foi um eterno romântico.

Desde 1974 até 2011, o legado da banda é um dos mais sólidos dentro do rock. Eles não são apenas um grupo de garotos disfuncionais, são mestres na arte libertária da educação.
Por isso algumas aulas raras...

a) Uma gravação ao vivo raríssima de 1974, feita no CBGB's no dia 15 de setembro. Um trecho desse vídeo está no filme End Of The Century, mostrando quanto eles não se entendiam. O set list é:

Now I Wanna Sniff Some Glue,
I Don't Wanna Go Down to the Basement,
Judy Is a Punk



b) Outra rara apresentação no mesmo bar, agora em 1979. Com as canções Loudmouth, Rockaway Beach, Teenage Lobotomy.



c) A entrevista de Joey Ramone no programa de Jay Leno. Tempos do disco Mondo Bizarro. O vídeo mostra a apresentação e a conversa com o cantor.



d) Uma reportagem rara feita pela televisão portuguesa em 1980 sobre a banda.



e) finalizando com a apresentação para o MTV Movie Awards de 1995, onde a banda tocou três covers inusitadas. Incluindo Madonna e Elton John.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

GD 93 PELAS BEIRADAS DA GARAGEM....


Pelas beiradas como sempre. O ano vem colocando uma toada leve e cheia de surpresas boas para a banda THOSE DARLINS.
Quase o mesmo caminho traçado pela explosão chamada The Joy Formidable ano passado, o quarteto residente californiano há quatro anos caminha por entre blogs e sites, onde as notas parecem nascer em milésimos. Longe do barulho repleto de hype, a banda colhe em 2011 algumas resenhas mais do que positivas dentro do cenário.

Bethany Cosentino (The Best Coast) uma das opiniões mais fortes do rock atualmente, já bateu o martelo colocando a Those Darlins como uma das melhores bandas desse ano. Publicações como Pitchfork e NPR já selaram a maestria do disco. Robert Christgau, renomado crítico de além mar, também derreteu-se por eles essa semana.
Do mesmo jeito que a Rolling Stone colocou a TD como um dos nomes obrigatórios em 2011.

Modinha demais??? Tudo muito arrumadinho???? Exagero???

Já dá para tirar todas as dúvidas com essa apresentação realizada pela banda para o site Noise Coalition. São três canções com o estilo coberto de guitarras e riffs quase tão secos e agudos quanto a voz de Jessi Darlin.  Mas com capacidade de manter sua atenção por todo o tempo.
Uma aglomeração quase em forma de equação roqueira, com requintes das melhores bandas de garagem desses tempos binários.

Assista aos vídeos da apresentação abaixo e depois baxe tudo AQUI!!!!





terça-feira, 17 de maio de 2011

GD 93 SAMPLEAMENTOS RUSSOS COM NOVAS FERRAMENTAS....


Um dos sites que mais cresceram dentro do mundo da música, definitivamente é o BANDCAMP.
A plataforma que inovou em seu início, pois disponibilizava todo o trabalho da banda em arquivos sonoros de boa qualidade, dessa vez consegue permanecer mais neutra ainda (ou se alguns assim quiserem, em cima do muro), no quesito download gratuito.

O binário catálogo musical, oferece às bandas uma ferramenta onde é possível postar apenas alguns trechos das canções. Agora existe a possibilidade de criar um disco apenas com teasers das músicas.
Se acontecerá ou não o download gratuito, é com a banda e sua política.

Muita gente já começou a usar a nova ferramenta, uma delas é essa mola mestra de samplers bem encaixados e cheios de funk e R&B.
Mas não pense, meu caro auditivo leitor, que trata-se da mais nova revelação americana do hip hop.

Estamos falando de um combo russo.

A banda (e eu escrevo banda, pois as informações sobre eles são tão raras quanto vôdegas originais) CHUSHI ANS THE FLAKES428 é uma daquelas surpresas cheias de imagens assimétricas. Uma coleção de colagens sonoras que parecem mesmo terem saído dos melhores porres em terras gélidas.

Mas não apenas existem saídas geniais por entre as batidas binárias dessa possível dupla, nascida na pequena cidade de Dmitrov. São canções com um apelo pop gigantesco e cérebro de sobra para que o ouvinte possa ficar intrigado.
Tanto assim que o EP lançado em fevereiro de 2011 (Plains Of Delight) e o homônimo mais recente trabalho, postado um mês depois, são duas alternativas realmente interessantes dentro do cenário. Talvez o pecado aqui seja o próprio clima gélido das alquimias, que por vezes passam a impressão de um marasmo oriental bem orientado.

Mas essa moleza não pode ser traduzida como falta de talento, mas sim uma pequena dose de contemplação.
Ouça abaixo os dois EPs com a mais nova ferramenta do site Bandcamp e se quiser baixar Chushi and The Flakes428, o álbum clica aqui!!!!!



GD 93 CLASSES ROMANAS....


Por mais que a novidade permaneça viva nesses dias frios, preenchidos por vazamentos das chamadas maiores bandas do tempo onde arquivos binários sangram por entre veias abertas das Américas, uma pequena centelha de morbidade encantada paira pelo ar. Dependemos enfim apenas desses grandes nomes, outrora desbravadores gratuitos de uma indústria podre e agonizante como a música????

Muito mais longe seria se por acaso não pudéssemos percorrer a matrix, em busca do que pode-se dizer o recôncavo mais entrecantado do planeta. Locais onde a obscuridade transparece por cada acorde e uma pulsação malemolente toma conta de cada centímetro de alma perturbada.
Auto exploração anato metamórfica, de como as canções são capazes de percorrer suas veias e mudar nuances de seu dia em um piscar de olhos, ou abrir de páginas repletas com vídeos.

Por isso não é algo espantoso, que nossos novos amigos em claves sejam italianos. Romanos pautados muito menos pelos antepassados clássicos e mais pela respiração ofegante e claustrofóbica de tempos novos. A banda TRANS UPPER EGYPT tem uma maneira peculiar para amalgamar acordes. Não existe uma síntese mitocondrial que descarrega energia produzida binariamente. Ocorre uma exautão sexualmente respiratória por entre notas claustrofóbicas. Uma mistura de batuques indígenas rodeados por um transe peyotiano de qualidade cocainômana. Não apenas a voz abafada como se fosse possível sentir cada corte de navalha que transpassa a epiderme em fúria uterina, mas sim um conjunto bem equipado de balas que percorrem sinapses cada vez mais latentes.

O quarteto exibe particulares nomes ( Leo, Cheb Samir, Hans Patterson, Tab_ularasa) e mesmo existindo uma pleonásmica picardia lisérgica no uso de máscaras pintadas como tempos secos e molhados, a banda se sustenta no som e caleidoscópios. Uma alteração neurológica latente que permanece colabando paredes cheias de marasmo modernista. Os videos das canções TLW Are Deaf, I'm Not Good, Cleopatra e Rounds, deixam bem claro que esses romanos tem imperiais loucuras em seus genes.

A banda também aparece em uma coletânea retirada do forno, com alguns dos nomes da cena musical romana. Borgata Boredom pode ser baixada de graça, é só clicar na capa.



Trans Upper Egypt - TLW ARE DEAF - from tab_ularasa on Vimeo.


Trans Upper Egypt - I'M NOT GOOD from tab_ularasa on Vimeo.


Trans Upper Egypt - CLEOPATRA from tab_ularasa on Vimeo.


TRANS UPPER EGYPT - ROUNDS from mmbbms on Vimeo.