quinta-feira, 30 de junho de 2011
GD 99 AS CERCANIAS...
A questão sobre como as pessoas são afetadas pelo rock, sempre foi passível de discussões em fusão de contrapontos e passagens por muitas vezes ríspidas. Mas o que dizer então de quem vive dentro do olho do furacão.
Bob Hinckey, em 1987 era engenheiro de som de uma das maiores bandas do planeta, a Pink Floyd. Nessa ápoca o trio formado por David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright, promovia o disco A Momentary Lapse Of Reason. Primeiro desde a saída de Roger Waters e a confusão judicial envolvendo o nome da banda. Tudo estava em pontas de perfeição. O disco não é o melhor registro do Floyd, mas ressuscitou a banda para as gerações que não conheciam.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
GD 99 O TEMPO DE CONTEMPLAÇÃO.
Por entre os entrecantos que possuem certas calmarias, muitas vezes, exatas células dentro da cartilagem nasal, podem se torcer. Mas auscultar as notas proferidas por esses quase holísticos trovadores, pode ser uma camada necessária para que o cinza cotidiano não tome por completo seu ventrículo.
Por isso esses ingleses são bem vindos.
Still Corners, vem mais em harmonia com o vagaroso tempo. Sem a menor pressa em sentir algum tipo de explosão vulcânica. Mas ao mesmo tempo os segundos são recobertos por esferas de mistura, que descolam percepções e pele. Mudança com aparência intergalática e zunido. Como um mangá em circo de cores fortes, a banda discografa sessentismos obscuros. Por vezes contemplativo, outras em formato de vento anemofilizando caleidoscópios.
Genética de sonho nascida em 2008, com novo single nesse junho gélido. Cuckoo e Endless Summer mesclam barulho com a sinergia quântica. Ouça o novo single e a discografia da banda, também o vídeo para Cuckoo. Criação do artista The Tearist. Não passe em branco também por Remember Pepper, o EP de 2008.
terça-feira, 28 de junho de 2011
GD 99 UMA BANDA, UMA FONTE.
Então vamos falar sobre uma coisa boa???
Muito acontece em tempos de coletiva binária.
Alvoroço na convocação, mas não porque somos o país do futebol, muito mais a torcida por imaginar que agora aquele grito enclausurado vai poder sair.
"Porra, estamos na grande liga de festivais do planeta.!!!"
Bem...
Técnico começou a escalação do escrete de maneira equivocada. Nem Rivaldo Maravilha causou tanto alvoroço sobre a melhor idade quanto Peter Gabriel. Nosso meia esquerda canadense, o Pelé com seu chapéu de manifesto, vem para fazer o papel do técnico.
Ganhamos experiência?
E como, afinal, ouvir as idéias de um senhor com a história e a vida de Neil Young, é muito melhor do que ler ao longe.
Mas retirar o craque do gramado, com a massa tsunâmica e sua arte, não é matar o futebol arte?????
segunda-feira, 27 de junho de 2011
GD 99 PROJETOS PARALELOS.
Existem projetos que são uma verdadeira luz. Não aquela ao final do claustrofóbico túnel. Mas sim pequenas notas dentro dos milhares de pontos com na internet. Um pouco de histórias de boteco, música e doses exatas clípticas.
NOISEY, é o nome do nem tão recente canal de vídeos da publicação Vice Magazine. Uma coleção de apresentações ao redor do mundo, com alguns dos belos nomes dentro do cenário da música. Nos moldes dos já clássicos La Blogotheque e The Black Cab Sessions, o canal apresenta o artista e depois disponibiliza a canção. Muitas bandas boas vivem no espaço fotogramado binário do site.
Mesmo não encaixando-se no quesito novidade, é bom sempre relembrar que existem locais traficando informação de uma maneira bem feita.
Acompanhe algumas, com Cults, The Pains Of Being Pure At Heart e No Bunny.
sábado, 25 de junho de 2011
GD 98 QUANDO OS VENTRÍCULOS SÃO PRIMORDIAIS CLICHÊS...
Remodelar sinapses e preceitos enraizados dentro de sua mais interna porção de miocárdio, não é tarefa destinada aqueles com vocação para nada que não seja o mais grandioso entorpecer de alma. Mudar direções que te levam sempre pelas estradas do mais fácil ou mais comum, muitas vezes é doloroso.
Transformam marcas em profundas fendas no seu corpo, que se fazem sentir em cada ligação de pele existente em seu endoesqueleto. Articulações que doem ao menor contato com o vento frio à chicotear sua face.
Um dolorido ventricular, capaz de causar paralisia interminável, quando sente-se a mudança cavalgando em sua direção.
Impávida e cheia de propósito, com todos os clichês piegas da remodelação.
Mas essa mesma mudança de direção, pode fantasiar-se em uma troca territorial.
Assim como a que aconteceu com uma das bandas mais viscerais dessa última década.
THE DEVASTATIONS.
Nascer em terreno arenoso, onde a maioria de seus compatriotas em claves primam pela vulcanidade das notas, é alguma coisa que intuitivamente já deixa marcas em seu pensamento. Imagine-se por exemplo, em uma terra como o Brasil, onde a intelectualidade do som está na poesia da língua mãe, uma banda que canta em inglês.
Aceitação pode transformar-se em vocábulo mais complicado que o Axioma das Escolhas.
Mas o caminho percorrido nunca é o mais importante, mas sim como se anda por ele.
Eis mais um dos clichês da mudança. E você vai encontrar milhares deles nesse texto, afinal de contas o clima é esse mesmo. A breguice dos tons transvestidos em barroco rococó, na neuronal intelectualidade que corrói a farsa da sociedade moderna. O manto da pieguice fantasiada em equação descolada.
Transformam marcas em profundas fendas no seu corpo, que se fazem sentir em cada ligação de pele existente em seu endoesqueleto. Articulações que doem ao menor contato com o vento frio à chicotear sua face.
Um dolorido ventricular, capaz de causar paralisia interminável, quando sente-se a mudança cavalgando em sua direção.
Impávida e cheia de propósito, com todos os clichês piegas da remodelação.
Mas essa mesma mudança de direção, pode fantasiar-se em uma troca territorial.
Assim como a que aconteceu com uma das bandas mais viscerais dessa última década.
THE DEVASTATIONS.
Nascer em terreno arenoso, onde a maioria de seus compatriotas em claves primam pela vulcanidade das notas, é alguma coisa que intuitivamente já deixa marcas em seu pensamento. Imagine-se por exemplo, em uma terra como o Brasil, onde a intelectualidade do som está na poesia da língua mãe, uma banda que canta em inglês.
Aceitação pode transformar-se em vocábulo mais complicado que o Axioma das Escolhas.
Mas o caminho percorrido nunca é o mais importante, mas sim como se anda por ele.
Eis mais um dos clichês da mudança. E você vai encontrar milhares deles nesse texto, afinal de contas o clima é esse mesmo. A breguice dos tons transvestidos em barroco rococó, na neuronal intelectualidade que corrói a farsa da sociedade moderna. O manto da pieguice fantasiada em equação descolada.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
GD 98 FODA-SE A SUA LIBERDADE, NÓS QUEREMOS MAIS DINHEIRO!!!!!
Vamos então aos fatos:
A RIAA (Recording Industry Association of America), somando forças com o outro elefante branco da indústria americana, a MPAA (Motion Picture Association of America), resolveram desta feita colocar no tabuleiro de xadrez (da perdida guerra contra a pirataria), mais um movimento nos mesmos moldes de sempre.
Incitando a repressão e colocando os usuários da internet na mira de outras siglas, que possuem na cultura do medo e conservadorismo, uma cadência evolutiva.
As entidades funestas, semi mortas e hackeadas são o FBI, DOJ (Department of Justice) e o DHS (Department of Homeland Security). Esse último aliás, tem em seu site os seguintes dizeres:
"Na preservação da nossa liberdade!"
De acordo com documentos publicados pela Casa Branca, a RIAA já gastou mais de 2,1 milhões dentro do governo americano, para concretizar de maneira lobbista a aprovação de uma lei dentro do Congresso.
Pelo seu lado, a MPAA, também já investiu mais de 400 mil dólares em lobbies que incluem além dos senadores, o proprio FBI e o DOJ. Tudo isso sob o pretexto de colocar em pauta, assuntos considerados estratégicos para a segurança nacional, como por exemplo o site Rapidshare e o streaming gratuito. Eles querem tornar os usuários do site criminosos e a audição de vídeos e discos dentro da internet um crime.
GD 98 COMBUSTÃO ESPONTÂNEA EM DIREÇÃO DA SUPERFÍCIE
Sempre que possível, as já conhecidas bandas laterais passam por entre os canalículos auditivos. Apontando em uma direção, que muitas vezes não tem correlação com a explosão normativa do mercado. Uma atitude buscando sua verdade, seu círculo, seu mainstream. A única moeda evolutiva dentro do mundo atual é essa, somar ecdises e subir.
A THE CLEANERS, brasileiros com uma noção de universalidade gigantesca. A primeira coisa que aterrisa em nossas mentes, ao escutar em toda extensão uma das canções da banda, é que por mais que se cante em inglês e as influências mostrem-se muito mais gringas que o ziriguidum do balacobaco, eles possuem uma forma toda particular de compor.
Mesmo longe das senzalas acústicas, existe todo um balanço inerente no som. Coisas que muitas vezes em outros países podem ficar quadradas demais, aqui essa capacidade de transformar tudo em suingue é poderosamente acachapante.
Lançando na binariedade o pocket show da banda no site Trama Virtual, a Cleaners apresentará no dia 01 de julho no clube Berlin (Rua Con. Vicente Miguel Marino 85 / Barra Funda), seu mais recente disco.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
GD 98 CORRIGINDO O ERRO AUDITIVO.
Existem reações tardias dentro de seu corpo, que por muitas vezes tomam razões e relações maiores do que deveriam. Ainda mais quando essas vem embebidas por entre quadros em preto e branco. Milhares de minutos massacrados por miragens em imagens de passagens atemporais não vividas. E como em qualquer sonho recoberto de tique taqueares insólitos, as notas vão vagarosamente tornando-se mais silenciosas, até acabarem faderziniando em seus ouvidos. O que não impede o antes explosivo e hipnótico das claves nascidas em algum trecho dos romances de Júlio Verne.
Talvez tudo isso seja melhor explicado, quando seus ouvidos colarem nas canções da UNKNOWN MORTAL ORCHESTRA. Uma das notas perdidas por meus cíngulos esse ano, já que os sempre certeiros Raul Ramone, Rrraul e Dominodromo falaram desse combo logo em meados de março de 2011. Essa é uma das falhas em rotear milhares de informações. Muitas vezes perde-se algumas nuances.
Mas sempre existe tempo de ressurreição auditiva.
O disco de estréia da banda, homônimo, é um dos melhores lançamentos do ano. A fusão do funk dos setenta, com a binariedade avalancheana e guitarras jalapeñas é uma das melhores equações em 2011. Muito longe das comparações com as bandas do momento, o álbum é uma dose potente de heroína lisérgica e dançante. Daquelas chinesas e escuras que queimam suas veias de maneira irreparável. Sublime viagem por entre cubos quase eróticos/esotéricos em forma de notas.
É abafado demais e sudoríparo na medida certa.
terça-feira, 21 de junho de 2011
GD 98 CONFRARIAS....
A lista é infindável. Uma coleção de colaborações que provavelmente colocarão os FLAMING LIPS no Livro dos Recordes. O ano do senhor Wayne Coyne pode ser resumido da seguinte maneira:
Tocar com o maior número de bandas e produzir inúmeras canções em colaboração.
O objetivo conduzido de maneira magistral até agora, pode tornar-se melhor ainda.
Mas antes vamos a lista de colaborações da banda.
Em janeiro a Flaming Lips produziu uma série de canções com a dupla eletrônica Neon Indian. Abaixo você pode conferir o making of e o EP, que saiu em março.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
GD 97 SEGREDOS EM PEQUENAS NOTAS...
Eles são o segredo mais bem guardado da cena musical de Boston.
A dupla não precisa de nada além de um cello e piano. Mesmo correndo o risco em uma fórmula com crias suficientes, a GEM CLUB produz canções que variam entre o belo e o contemplativo.
Mas não apenas isso. Formada por Christopher Barnes (piano e voz) e Krysten Drymala (cellista e vocais), tem muito mais do que simples beleza em sua claves. O primeiro disco da banda, Acid and Everything, não é apenas formado de canções para se ouvir no escuro.
COLETIVIDADE: A esquerda fora do eixo
Artigo originalmente postado no blog Passa Palavra
As últimas mobilizações em São Paulo demonstram a fragilidade prática e teórica da esquerda num cenário de ascensão e transformação econômica
I. 2011, São Paulo em cinco mobilizações
Do início do ano até abril houve grandes manifestações da luta contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo. Diferentemente do que ocorreu em 2010 e nos anos anteriores, o público mobilizado passou de 4 mil pessoas e, ao invés de esvaziarem, os atos mantiveram-se cheios e permitiram realizar ações que antigamente chamaríamos de radicais, ou mesmo de ousadas, como a ocupação de um terminal de ônibus na região central e a paralisação de um dos sentidos da Avenida 23 de Maio – uma das maiores da capital do estado.
A análise informal de alguns militantes sobre esse “fenômeno” baseava-se nos seguintes elementos: Facebook (com a confirmação de milhares de pessoas nos eventos que chamavam para as manifestações), repressão policial, o próprio valor da passagem (R$ 3,00) e a reunião das forças político-partidárias de oposição na cidade aos governos estadual e municipal. O ciclo de 2011 de lutas contra o aumento da tarifa foi encerrado pelo Movimento Passe Livre-SP, por acreditar que seria a hora de impulsionar uma luta mais abrangente que criticasse estruturalmente o sistema de transporte, com a bandeira da tarifa zero. Desse episódio, os militantes refletiram que havia uma “nova juventude” mobilizada: de classe média, estudantil, ligada nas mídias sociais.
GD 97 CLAUSTROFOBIA E PESO...
Você entende todas as conotações da palavra peso???
Consegue elucidar as charadas diferenciais entre o heavy metal, krautrock grindcore e afins?
Pois se seus ouvidos andam destreinados para tamanha e árdua tarefa, uma banda como a THE BODY não vai tornar sua vida mais fácil.
Além de fazer tudo ficar mais confuso, é possível que aconteçam sangramentos auditivos ou perda de massa encefálica via ouvidos e nariz.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
GD 97 A ÓPERA PARA TELEFONE.
Eu vou tentar simplificar, porque afinal de contas nem ao menos sei se entendi todas as nuances. E definitivamente existe a completa possiblidade de partes de seu encéfalo jamais retornarem ao mesmo lugar depois de ouvir e entender o que o gênio Wayne Coyne e a banda Flaming Lips produziram.
Tudo começou quando a banda iniciou uma série de gravações chamada Two Blobs. A sinfonia para telefones (como definiu Wayne), foi dividida em 12 pedaços. Cada um deles formado por diferentes instrumentos e sonoridades desiguais.
Esses pedaços desconexos iniciais foram dispostos da seguinte maneira (calma agora):
12 pedaços divididos em 4 seções compostas por 3 partes cada uma.
Isso tudo foi postado em forma de vídeo e audio com uma totalidade de 13 minutos e 50 segundos.
Mas isso é apenas a divisão e composição. Para que você aprecie de todas as maneiras possíveis essa sinfonia, é necessário uma pouco mais de esforço.
Por isso vamos por partes:
GD 97 ELES VOLTARAM....
Sumidos por um tempo, mas essa semana lançando novo single. Uma das banda preferidas desse biênio 2010/11, THE LIMIÑANAS, está com seu mais novo registro na praça.
A SDZ Records, mais um daqueles projetos repletos de comparsas dentro da binariedade, postou as duas canções cheias de malemolência e sujeira em forma de riffs agudos da banda francesa.
Os novos petardos, The Limiñanas e Betty And Johnny são mais dois entrecantos desse combo.
GD 97. Artículos | Para uma Teoria Libertária do Poder II
(Por Felipe Corrêa** , publicado originalmente no portal Estratégia e Análise | Leia o 1º Artigo da série Para Uma Teoria Libertára do Poder, intitulado Ibañez e o Poder Político Libertário | )
“Para uma Teoria Libertária do Poder” é uma série de resenhas elaboradas sobre artigos ou livros de autores do campo libertário que discutem o poder. Seu objetivo é apresentar uma leitura contemporânea de autores que vêm tratando o tema em questão e trazer elementos para a elaboração de uma teoria libertária do poder, que poderá contribuir na elaboração de um método de análise da realidade e de estratégias de bases libertárias, a serem utilizadas por indivíduos e organizações.
Neste segundo artigo da série, utilizarei para discussão o artigo de Amedeu Bertolo “Poder, Autoridade, Domínio”.[*] Seguem apresentadas esquematicamente as principais contribuições do autor.
OS PROBLEMAS DAS DISCUSSÕES SOBRE PODER, AUTORIDADE E DOMINAÇÃO
Segundo o autor, “o costume, não somente acadêmico, é começar um discurso de definições semânticas com:
1) um ponto de vista etimológico e/ou
2) um ponto de vista histórico”.
“Para uma Teoria Libertária do Poder” é uma série de resenhas elaboradas sobre artigos ou livros de autores do campo libertário que discutem o poder. Seu objetivo é apresentar uma leitura contemporânea de autores que vêm tratando o tema em questão e trazer elementos para a elaboração de uma teoria libertária do poder, que poderá contribuir na elaboração de um método de análise da realidade e de estratégias de bases libertárias, a serem utilizadas por indivíduos e organizações.
Neste segundo artigo da série, utilizarei para discussão o artigo de Amedeu Bertolo “Poder, Autoridade, Domínio”.[*] Seguem apresentadas esquematicamente as principais contribuições do autor.
OS PROBLEMAS DAS DISCUSSÕES SOBRE PODER, AUTORIDADE E DOMINAÇÃO
Segundo o autor, “o costume, não somente acadêmico, é começar um discurso de definições semânticas com:
1) um ponto de vista etimológico e/ou
2) um ponto de vista histórico”.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
GD 97 QUANDO A REGURGITAÇÃO PRODUZ ALGO ORIGINAL.
Quando regurgitar estilos é válido?
Criar algo do nada, em tempos onde as informações são traficadas em velocidade da luz, é algo quase impossível. Mas não produzir algo original jamais será sinônimo da falta de talento.
Wes Doyle é uma prova viva disso.
SLOW LORIS é o projeto desenhado e equalizado dentro de seu quarto. Aliás formatar canções em sua casa, também é outra característica desses novos tempos.
Aí reside a beleza de tudo.
terça-feira, 14 de junho de 2011
GD 97 A SUA PRÓXIMA CANTORA PREFERIDA.....
Existem vozes.
E existem certas reencarnações faringeas, formadas por seres que são milhares de sinapses mais evoluídos que a nossa velha e podre carcaça moderna.
A cantora COLD SPECKS pertence à segunda categoria.
Ninguém sabe a história dessa menina de 23 anos, nascida em Ontário no Canadá e que atualmente vive em Londres.
Essa aliás é a única informação concreta à seu respeito.
GD 97 PIXIES E O SURREALISMO
A história é conhecida.
Frank Black, quando viu o filme dirigido por Luis Bunuel e escrito por Salvador Dali chamado Un Chien Andalou (1929), ficou tão fascinado que além de assisti-lo novamente resolveu escrever uma canção sobre ele. O vocalista dos Pixies estava em uma fase (como ele mesmo já disse), saudosa hipster. O músico queria o cineasta vivo e com sua estusiasmada alma educada, pedante e repleta de avant-gardismos resolveu homenagear o filme, que é basicamente sobre o nada.
Nascia assim DEBASER.
A letra tem como imagem um dos primeiros fotogramas do filme, uma mulher que tem seu olho cortado. Mas não é apenas nessa homenagem cheia de filosofia e modernismo, que reside a magia da tonalidade de abertura do espetacular disco Doolittle.
Essa música é a base do petardo chamado Nirvana. Smells Like Teen Spirit é a tentativa de Kurt Cobain fazer uma canção tão poderosa quanto Debaser. A estrutura inclusive é a mesma (abertura com um pequeno solo, refrão explosivo, a dinâmica entre o pesado e o calmo), reza a lenda que os acordes nas guitarras são exatamente os mesmos.
Outra face envolvendo a canção é que durante a turnê do disco, Un Chien Andalou sempre era exibido antes dos shows, mas o que você não sabe é que o jornal The New York Times escolheu o filme de Bunuel como um dos primordiais dentro da história da arte.
Uma escolha que reflete aquilo que David Bowie e o Radiohead já sabiam.
Pixies é uma das melhores bandas do mundo.
Assista ao filme original, depois a canção e ainda os depoimentos do camaleão, Thom Yorke e Colin Greenwood.
Falando em Bowie, ele é tão fascinado pelo quarteto que seu projeto paralelo Tin Machine sempre tocava uma versão de Debaser em seus shows.
GD 97 COMPARSAS CANADENSES.
Os canadenses definitivamente querem tomar o lugar que um dia foi da Califórnia, como fábrica de bandas. Mesmo que para isso ainda tenham que construir uma história mais octaedracubada do que a atual.
Eles estão se esforçando (e muito).
Aqui no blog, você já leu sobre uma das bandas nascidas nas terras de Terrence e Philippe, a Jesuslesfilles (http://gangrenadiario.blogspot.com/2011/04/gd-89-velocidade-aderente.html.)
Daquelas que fazem você ouvir repetidas vezes o disco, equação construída com uma bases de riffs grudentos e ao mesmo tempo pesados.
Mas existem mais comparsas dentro dessa matemática barulhenta. Um desses é outra banda de Montreal, THE PEELIES.
Quarteto de meninas sônicas que gritam, distorcem e produzem uma surf music barulhenta. Com raízes das mais profanas bandas do movimento riot girl, estão lançando um EP dividido com a Jesuslesfilles.
Prática utilizada por muitos grupos esse ano, o disco tem o lado A das meninas e o lado B dos camaradas. Audição para essa terça feira cinza, sem o menor prejuízo. Conferir a evolução dessa dupla que destoa da mesmice, é uma coisa sempre bem vinda.
Ouça o EP dividido, depois o disco das The Peelies, Together Forever.
Lançado em 2010.
GD 97 BRIAN ENO E SUA INSPIRAÇÃO..
Se você prestar bastante atenção nessas duas fotos acima, verá uma semelhança com algo que já viu. Nada disso será mera coincidência quando as palavras de BRIAN ENO à respeito da arte do novo trabalho, Drums Between The Bells, forem lidas.
A recente visita do músico/produtor à São Paulo originou todas as montagens artísticas desse novo álbum.
Brian conta que ao remodelar as fotos feitas da cidade no photoshop, ouvia o novo disco de maneira aleatória. Percebeu então que ele, mesmo sem querer, buscava traduzir as imagens de acordo com os sons que escutava. O resultado desse remix entre a cidade e as notas, originou toda a arte desse novo álbum. Talvez pequena homenagem à metrópole que inspirou os fotogramas.
Além dessa história, o músico também liberou mais dois singles. As canções Bless This Space e Pour It Out. Ouça as duas abaixo e tente viajar por onde Brian passou.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
GD 96 Música | Mandíbula disponibiliza single de Repetição Contínua para download
Postado originalmente na revista irmã ventricular NEGO DITO
Por Junior Bellé
Morda-se, caro mortal, contraia e relaxe, contraia e relaxe, contraia e relaxe a Mandíbula pois ela te brinda com um chicletes de Repetição Contínua. Masque-o sem parcimônia.
A recém-formada trupe paulistana, que já foi noticiada neste site simpático que só, lança seu primeiro, e por isso deveras importante, single. O trabalho foi gravado por André Marques no estúdio Overdrive, em Mogi das Cruzes, e produzido pela própria banda naquele saudoso rolê do Faça Você Mesmo.
A faixa Repetição Contínua, que empresta o título ao futuro EP, foi a escolhida para a estreia de downloads da banda. “Como temos algumas apresentações já agendadas e o nosso EP ainda vai demorar algumas semanas para sair, achamos importante ter algum material nosso disponível para que as pessoas já possam ir ouvindo, conhecendo e tirando suas próprias conclusões”, explica Ayuso, vocalista.
Ainda de acordo com Ayuso, a faixa é “uma espécie de crítica à alienação e ao consumismo exacerbado, inspirada no conceito de repetições citado por Huxley em seu Admirável Mundo Novo”. Não é difícil relacionar o “fututo utópico” do autor aos debordianos dias pós-modernos que vivemos, “é nesse ponto que a música te faz o convite. Exibindo e executando esse conceito de repetições e ‘enganos’ na própria canção”.
Agenda de lançamento do single Repetição Contínua
Cervejaria Óbvio 11/06 – com Alarde e Hierofante Púpura
Campus VI – 18 / 06 – Com La Carne E Topsyturvy
Formigueiro Rock Bar – 25 /06 – Com Espasmos do Braço Mecânico e Fusarium
Contato: mandibula.contato@gmail.com
Por Junior Bellé
Morda-se, caro mortal, contraia e relaxe, contraia e relaxe, contraia e relaxe a Mandíbula pois ela te brinda com um chicletes de Repetição Contínua. Masque-o sem parcimônia.
A recém-formada trupe paulistana, que já foi noticiada neste site simpático que só, lança seu primeiro, e por isso deveras importante, single. O trabalho foi gravado por André Marques no estúdio Overdrive, em Mogi das Cruzes, e produzido pela própria banda naquele saudoso rolê do Faça Você Mesmo.
A faixa Repetição Contínua, que empresta o título ao futuro EP, foi a escolhida para a estreia de downloads da banda. “Como temos algumas apresentações já agendadas e o nosso EP ainda vai demorar algumas semanas para sair, achamos importante ter algum material nosso disponível para que as pessoas já possam ir ouvindo, conhecendo e tirando suas próprias conclusões”, explica Ayuso, vocalista.
Ainda de acordo com Ayuso, a faixa é “uma espécie de crítica à alienação e ao consumismo exacerbado, inspirada no conceito de repetições citado por Huxley em seu Admirável Mundo Novo”. Não é difícil relacionar o “fututo utópico” do autor aos debordianos dias pós-modernos que vivemos, “é nesse ponto que a música te faz o convite. Exibindo e executando esse conceito de repetições e ‘enganos’ na própria canção”.
Agenda de lançamento do single Repetição Contínua
Cervejaria Óbvio 11/06 – com Alarde e Hierofante Púpura
Campus VI – 18 / 06 – Com La Carne E Topsyturvy
Formigueiro Rock Bar – 25 /06 – Com Espasmos do Braço Mecânico e Fusarium
Contato: mandibula.contato@gmail.com
GD 96 FELIZ DIA DOS NAMORADOS...
Joyce McKinney hoje é uma senhora com pequenas crises de riso solto e com um olhar que por muitas vezes deixaria Dexter orgulhoso. Nos anos 70 essa loira, que por definição fawcettiana poderia ser chamada de Loiraça Belzebu, foi a vencedora do concurso Miss Wyoming.
Mas não foi apenas pela beleza de concurso que ela ficou famosa. Nossa heroína em moldes aterrorizantes também é conhecida por sequestrar o seu amor e mantê-lo em cativeiro por semanas seguidas.
Uma das maiores provas de amor, para essa semana dos namorados.
O alvo (ops, a razão do afeto de Joyce), atende pelo nome de Kirk Anderson. Em 1977 ele era um missionário mórmon devoto e intensamente crédulo de sua religiosidade.
Talvez o inalcançável tenha chamado a atenção da miss, ou o amor seria de tamanha cadência, que ela encontrava-se desesperada. Os motivos até hoje são desconhecidos.
O que se sabe, é a abdução do devoto Kirk pelas mãos de Joyce, com a ajuda da amiga Keith May. Logo após uma cerimônia na Igreja do missionário, as duas comparsas sequestraram o rapaz e levaram-no para um chalé escondido na região de Devon (Inglaterra). Foi nesse local afastado do mundo que o amor da garota iria reprogramar a mente religiosa, fazendo-o apaixonar-se por ela.
Durante a estadia do rapaz no chalé, Joyce transou inúmeras vezes com o homem de fé. Horas e horas de ereções, ejaculações e penetrações.
A idéia de reconverter o rapaz foi colocada em pauta intensamente. E os relatos dão conta de que ela se esforçou (e muito) para que o cérebro do seu amor fosse apenas seu e de nenhuma religião engravatada.
Mas a fé dessa vez não moveu a montanha. O ex-celibatário foi solto algumas semanas depois e não perdeu tempo. Acusou-a de sequestro e estupro.
Sim, meu úmido leitor, ele queria vingança e assim marcou a mulher apaixonada como uma criminosa comum.
Joyce foi presa acusada de crime sexual, mas negou todas as acusações. A mídia caiu tão intensamente na história, que o jornal Daily Mirror (notório tablóide), alegava que Kirk antes de converter-se ao sangue eterno de Jesus, foi um modelo erótico. A ex-miss foi novamente acusada de perseguição à Anderson em 1984. Isso sem contar que em 2008, uma senhora chamada Bernann McKinney (muito parecida com a sequestradora), alegava ter seu cão clonado por cientistas coreanos.
Muita loucura??
Tudo isso e muito mais poderá ser visto no filme Tabloid.
Documentário realizado por Errol Morris, mais conhecido pelo conteúdo político de seus filmes. Dessa vez retrata a confusão toda e como a mídia cobriu a história, por muitas vezes distorcendo os fatos.
O registro vem colhendo uma enormidade de resenhas positivas e provavelmente é um dos relatos mais divertidos e inteligentes sobre a mídia.
O trailer é impagável.
GD 96 SHOWS E CANÇÕES...
Realmente muitas vezes é extremamente difícil acompanhar a velocidade de como as coisas acontecem dentro da internet. Um mundo completamente diferente e cada vez mais particularmente homogêneo. E mesmo dentro dessa velocidade, existem os slow bloggers que postam textos e matérias que demoram dias e meses para completarem-se.
O futuro ainda é tão indefinido quanto ao que será resolvido, que a única maneira de tentar manter-se com a sanidade em dia, é deixar seus ouvidos tornarem-se verdadeiros tratos digestivos. Auscultar com calma canções dentro de um mundo cada vez mais caótico, é por vezes tarefa que causa cefaléias em caos constante. Deixem os analgésicos à postos, pois vem aí mais uma dessas bandas que deixarão sinapses em claustrofobia de alma.
O quinteto SMITH WESTERNS não é novidade alguma dentro do cenário. A banda de Chicago já conquistou os corações de escritores virtuais brasilianos bem próximos de sua time line. Vinícius Felix dos Santos, Raul Ramone, Hugo Santiago e agora passa ventricularmente por aqui também. As notas tem tons de garagem, mas recheadas com dezenas de camisas flaneladas. São riffs quase estridentes, com uma cadência que não deixará seus pés parados. Teclados nos arrebaldes das músicas, deixando aquele gosto de velharia sempre bem vindo dentro de sua já tão amarga boca seca.
Slides, cadências mais calmas por entre caldeirões de ecos alternativos. Atualmente em turnê com outro combo lisérgico, a Yeasayer, destilando uma alquimia em tons que misturam o pop beatlemaníaco com claves eletrônicas.
O álbum mais recente já foi lançado (Dye It Blonde, janeiro de 2011). Vale muito ouvir e também buscar mais sons da banda. Aqui no blog, uma pequena mão para você, curioso leitor, refletir sobre as canções.
Primeiro, o set completo do disco lançado em janeiro pode ser ouvido aqui, depois uma apresentação da banda realizada em Paris e mais abaixo o download gratuito da canção Weekend.
Ouça sem prejuízo.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
GD 96 ITALIANOS E BALTIMORIANOS
A busca lateral continua. Muitas vezes poética, essa constatação de que o mundo está tornando-se uma imensa bola de fusão, constante é algo extremamente interessante no mínimo. Mesmo que ainda existam certos círculos cheios de regras e normas para que a ordem seja mantida.
A única moeda de troca dentro desse mundo onde correntes ainda querem prender sua alma, é o caos.
Pelo bem que o termo possui em suas entranhas mais barulhentas, é de primazia auditiva manter-se atento aos detalhes de notas similares aos elétrons de qualquer gás nobre. Mesmo porque a tabela periódica já não é mais a mesma de temporadas passadas. Por isso, atenha-se a duas bandas de diferentes continentes.
Se a sua visão sobre a cidade de Nápolis remete aos costumes culinários em forma de pastas e pizzas, pense duas vezes. Uma leve hecatômbe de acordes com beleza ímpar e sonoridade beirando a claustrofobia barulhenta, tomará seus ouvidos de assalto.
O nome disso é STELLA DIANA.
Uma banda italiana de nascimento, mas que tem uma capacidade de captar todas as nuances do que aconteceu no rock em suas décadas passadas e atuais. Germinados no ano de 1999, mas apenas em 2002 apresentando sua primeira fita demo. Nesse mesmo ano a formação torna-se quase completa com Giacomo Salzano (baixo), Raffaele Bocchetti (guitarra) e Dario Torre (vocal e guitarra). Mas foi em 2005 que a banda torna-se um verdadeiro combo de distorções, shoegaze e pós punk, com a adição de Massimo Del Pezzo (bateria) em sua formação.
Dois anos depois Supporto Colore era lançado. O disco de estréia já possuia uma compactação de claves muito boa. Mas a banda ainda tinha a sujeira como fator de descontrole. O que não era nada mal, apenas mais uma faceta desses italianos que mais pareciam nascidos em alguma cidade cinza inglesa.
Como toda produção vinícula da bota, o tempo de maturação dos acordes é lento na Stella Diana, pois foi apenas ao final de 2010 que o quarteto iniciou a liberação do seu segundo disco. O incrivelmente maduro Gemini.
Lançado esse ano na terra natal e espalhando-se rápido pela eletrosfera, a bolacha é uma primordial audição esse ano. Esqueça os lançamentos mais descolados e atenha-se à todos os detalhes que existem nessas canções. Um equilíbrio químico perfeito entre o que são riffs atordoantes, mudanças de direção lisérgicas e peso. O clip retirado desse novo álbum, a canção Paul Breitner, é a medida exata na equação que faz desse ano uma marca de tempo mais saudável e lírica.
Mas não ouça apenas uma faixa, corra atrás do disco todo aqui.
Mas não pense você, sonoro leitor, que existem equiláteras sonoridades cativantes apenas no velho continente. A banda de Baltimore SECRET MOUNTAINS vai, além de confundir, garantir sonoras hipnoses. Primeiro, pois as vocalizações da cantora Kelly Laughlin poderiam encaixar-se em qualquer tentativa de mostra-la com uma nova musa indie.
O que não acontece, pois sua farínge torna-se parte tão integrante dos sons produzidos pela banda, que não existe uma comparação barata que se sustente. Mas o que faz da SM uma daquelas que conquistam seus ventrículos com facilidade, são as viagens sonoras. Exatidão de acordes que não apenas levam a canção, mas fazem dela um ser vivo. Cada nota está la porque é necessária. Um conduíte de vida transborda por entre os sons, fazendo com que não exista acorde perdido, todos eles dão corpo e propósito para cada uma das músicas.
O Ep mais recente da banda, Rejoice tem essas marcas de alma profundas em seus acordes. Combinação de dias frios, quentes, e temperados. Canções que nada são além de traduções de vida pulsante.
Ouça o novo EP e assista ao clip de Rejoice. Você também pode baixar uma apresentação da banda gravada no Mobtown Studios, que possui uma cover espetacular de I Second That Emotion de Smokey Robinson.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
GD 96 CINEMA, DROGAS E MÚSICA
Existem personagens extremamente bizarros dentro do rock.
SAM SEJAVKA é um deles.
Quase um irmão perdido de Iggy Pop nascido em abril de 1960, o cantor, ator e junkie, tem uma lista de trabalhos e entrecantos muito mais do que calamitosos. E como sempre é a Austrália que monta o pano de fundo para essas peripécias.
No meio dos anos 80, a banda Beargarden catapultava suas composições, mas foi com o seminal combo ao final dos anos setenta, que este senhor ajudou a colocar o pós punk e new wave na rota dos cangurus.
THE EARS.
Uma formação mais parecida com um time de futebol, tamanha a quantidade de integrantes que passaram pela banda. Só na primeira encarnação eram sete pessoas, atualmente o sexteto pode virar um octeto. Mas não era pela quantidade de músicos que o grupo destacou-se.
Sam, fã confesso de Burroughs viveu boa parte do início da Ears na mais ampla loucura dentro do rock. O som que produzia tinha forte influência do pós punk inglês, mas também bebia na fonte do pop quase cafona dos anos 50 e 60. Com um pé de vez em quando no punk e eletrônico, essa catarse coletiva construiu a cena local.
Quando ouve-se algumas das canções, sua memória auditiva corre diretamente para o pop dos anos 80 aqui no Brasil. Muito do que se ouviu por aqui, tem uma semelhança grande com as canções produzidas pelo músico australiano. Outra coisa muito parecida com a cena brasileira, é que Sam produziu um filme baseado em suas experiências e na formação da Ears, chamado Dogs In Space.
Nas terras tupiniquins, esse tipo de filme adolescente foi moda. Películas como Rock Estrela ou Rio Babilônia fizeram sucesso. Lançando inclusive nomes da música para o público. Exatamente igual ao que o músico fez pelo Inxs.
Sim, porque a estrela principal do filme era o vocalista da banda, Michael Hutchence. Ele faz o personagem baseado em Sejavka.
O filme é cheio de pleonasmos em enquadramentos e com a famosa veia cafona dos anos 80, mas serve como registro. O trailer abre o post.
Vale conferir o mais recente lançamento da discografia da Ears, o disco Dogs In Space. Compilação dos maiores sucessos da banda entre os anos de 81,82 e 83. Existem músicas intragavelmente bregas, mas outras de uma alquimia de claves que são sensacionais. Muita sujeira e experimentações no melhor estilo industrial.
Outra maneira de conhecer melhor o trabalho desse maluco australiano é frequentar seu blog ( http://sailsofoblivion.blogspot.com/ ), onde ele escreve sobre absolutamente tudo. Sexo, drogas e um pouco de rock.
Ouça a coletânea abaixo...
GD 96 O PESO MÓRBIDO...
Não adianta reclamar dos line ups de festivais. Isso é o que temos no momento.
Uma legião de orfãos que ainda vivem em décadas passadas e bandas que por mais ruins, ainda lotam apresentações. Quem produz fica feliz pois ingressos de R$ 300,00 esgotam-se em horas. Não adianta reclamar do preço, das bandas. Fãs existem até para a Calypso. Então se quer alguma coisa, tem que tomar as rédeas da situação, como no exemplo dado pelo projeto Queremos do Rio de Janeiro.
Mas a certeza é que estamos ainda muito longe de nos entendermos quando o assunto é festival de música. Mesmo porque um dos melhores discos do ano, está fora de qualquer escalação brasileira.
A banda nasceu em 2008. Um quarteto do Brooklyn que possui toda uma gama de hemácias quentes produzidas por stoners e shoegazers. Nick Chiericozzi, Mark Perro, Chris Hansell e Rich Samis, formam uma fábrica de sons tão atordoantes quanto um atropelamento de Airbus.
THE MEN, a banda, é uma estrutura feita de lava e explosivos.
Simples e reto.
Nada mais importa a não ser a velocidade e riffs que são tão cortantes como navalha. Com dois discos (We Are the Men e Immaculada), uma coleção de fitas cassetes e EPs, a banda lança Leave Home.
Um dos melhores discos do ano, isso sem exagero algum e sem sombra de dúvida.
Tudo começa quando liga-se a caixa de fusíveis invertidos da canção que abre o disco, If You Leave. Zunido com sintetizadores que parecem montar uma floresta matemática, onde os animais noturnos são formados por eletricidade. Como caminhar por um labirinto às escuras, apenas escutando máquinas assassinas por entre as árvores de lata. Uma lâmina que corta o profundo e amendrontador nada. Quando um acorde de esperança parece ao longe deixar sua alma mais calma.
Ledo engano.
O que se tem segundos depois é uma explosão sanguínea onde não se pode diferenciar o que é pele do que são ossos e articulações. Como tomar um tiro direto no peito, mas que vai aos poucos deixando a pólvora morna fazer seu trabalho. Cervicais enrolando-se por entre o desejo de decapitação e apenas um refrão hipnótico em transe:
"Die, I would die, I would die, I would die..."
São riffs sujos de uma produção tão assimétrica, que muitas vezes parece não existir a menor vontade de soar limpo e cálido. Febre de acordes cada vez mais monstruosos e que trocam de velocidade e tempo, como se isso fosse um pré requisito para uma respiração contínua. Sete minutos e meio onde seu corpo é transportado para uma dimensão de peso e sangue.
Essa característica de produção desleixada, segue em Lotus. Punk de primeira linha, onde uma menção à bandas como Future Of The Left parece nascer por entre as cordas. Não existe escapatória, e para onde se corre é possível sentir as veias de seu pescoço em explosão. Bate estaca, pogo time equacionado de maneira tão visceral, que em nenhum minuto você deixa de sentir a pulsação.
Isso tudo em uma faixa instrumental.
Mas tudo pode ficar mais pesado ainda, se por acaso as guturais farínges de Think invadirem seus ouvidos. Claustrofóbica ao extremo, com uma quantidade de desvios e assimetrias em guitarras que deixariam Omar Rodriguez Lopez orgulhoso. Música de serial killer, aqueles que escolhem suas vítimas com requintes de crueldade inimagináveis. É possível fechar os olhos e ver a lâmina afiada cortando a garganta em cada nota. Vísceras e claves espalhadas pelo chão, em um quarto morno e sujo. Onde o ar possui um gosto amargo e denso.
O disco da The Men foge do convencional, pois tem músicas que são (para esses tempos binários) verdadeiras epopéias de tempo.
L.A.D.O.C.H. é uma dessas.
Seis minutos de alquimia entre death metal, tato e agonia. Palpável desespero dos vocais e uma parede sonora que provavelmente vai torrar sua membrana auditiva. As guitarras mais uma vez conseguem notas gigantescas e desconexas. O baixo não pode ser comparado à uma linha stoner rock, pois é tão pesado que a impressão que se tem é ser abatido por um guindaste. São minutos de claustrofobia mórbida, com uma parada que tem ecos de destruição.
"Nothing is here to stay!!!", grita a letra.
Nada mais certo que a frase para ilustrar o disco.
E assim a metade do álbum chega. Seus ouvidos sangram e sua alma está ceifada por alguma encarnação mortuária anfetamínica. Mas seu corpo ainda vai aguentar mais uma dilaceração, a canção ( ).
Sim esse é o nome dela.
A banda resolve sujar o disco de uma vez e o efeito In Utero na produção parece ser cada vez mais primal. Uma das melhores canções do álbum, sem tempo de buscar ar na superfície. Você está definitivamente sendo tragado para as profundezas mais barulhentas do inferno. Sua alma vai clamar por paz e uma morte rápida, mas isso não será possível. O derretimento da epiderme é algo inevitável ao som da banda. Marcha spawniana de um exército de cabeças que colidem.
São os cinco minutos mais viscerais do ano.
A hipnose cervical continua com Bataille.
Não existe tempo para acender um cigarro, sem que seus ossos sejam esmagados pelos riffs. O lado mais radiofônico da banda é esse. Pesado, estranho.
Nessa altura da audição, a conclusão é que não dá para ficar mais palatável do que essa canção. Mas ainda existem certas surpresas dentro de Leave Home. Mesmo que por muitas vezes, o disco pareça um experimento ludovicaniano embebido em podres acordes.
No momento onde a sua garganta está seca e dolorida depois de tantos socos, uma canção com ecos de tempos pós punks chega de repente. Shittin' With The Sha parece uma alquimia depressiva de qualquer banda com olhos de cemitério. Mas são escalas com diferentes passagens e riffs áridos.
Uma opereta instrumental que possui ecos de um suf mórbido. Por incrível que possa parecer, é possível chama-la de pop. Mas como sempre em estado puro de lado B.
A banda fecha o trabalho com algo mais estranho ainda. Night Landing tem bateria eletrônica, sintetizadores e uma guitarra que não é mais espacial por falta de galáxias.
São ecos e mais ecos desencadeando uma equação que é ainda mais anos 80 do que a canção anterior. Tony Wilson contrataria a banda se ouvisse essa música.
É o peso de todas as anteriores condensado em uma viagem pela velocidade da luz. Desespero de quem está do lado de fora da nave, em contagem regressiva de menos 5.
Petardo de uma Madame Satã e seu teto baixo, com suores colabados nas paredes.
Leave Home é um daqueles discos que você ouve quando está com raiva. Mas também é de uma beleza suja incomparável.
Não indicado para quem tem estômago fraco ou problemas de equilibrio. Apesar das longas canções é rápido e preciso. Obrigatório para quem ainda acha que não existem mais possibilidades de criação dentro da música. Um cheiro do passado zumbi aterrorizante e de sensacional modernidade.
Vou me repertir, mas definitivamente The Men produziu um dos melhores discos do ano.
Baixe!!!!.
Uma legião de orfãos que ainda vivem em décadas passadas e bandas que por mais ruins, ainda lotam apresentações. Quem produz fica feliz pois ingressos de R$ 300,00 esgotam-se em horas. Não adianta reclamar do preço, das bandas. Fãs existem até para a Calypso. Então se quer alguma coisa, tem que tomar as rédeas da situação, como no exemplo dado pelo projeto Queremos do Rio de Janeiro.
Mas a certeza é que estamos ainda muito longe de nos entendermos quando o assunto é festival de música. Mesmo porque um dos melhores discos do ano, está fora de qualquer escalação brasileira.
A banda nasceu em 2008. Um quarteto do Brooklyn que possui toda uma gama de hemácias quentes produzidas por stoners e shoegazers. Nick Chiericozzi, Mark Perro, Chris Hansell e Rich Samis, formam uma fábrica de sons tão atordoantes quanto um atropelamento de Airbus.
THE MEN, a banda, é uma estrutura feita de lava e explosivos.
Simples e reto.
Nada mais importa a não ser a velocidade e riffs que são tão cortantes como navalha. Com dois discos (We Are the Men e Immaculada), uma coleção de fitas cassetes e EPs, a banda lança Leave Home.
Um dos melhores discos do ano, isso sem exagero algum e sem sombra de dúvida.
Tudo começa quando liga-se a caixa de fusíveis invertidos da canção que abre o disco, If You Leave. Zunido com sintetizadores que parecem montar uma floresta matemática, onde os animais noturnos são formados por eletricidade. Como caminhar por um labirinto às escuras, apenas escutando máquinas assassinas por entre as árvores de lata. Uma lâmina que corta o profundo e amendrontador nada. Quando um acorde de esperança parece ao longe deixar sua alma mais calma.
Ledo engano.
O que se tem segundos depois é uma explosão sanguínea onde não se pode diferenciar o que é pele do que são ossos e articulações. Como tomar um tiro direto no peito, mas que vai aos poucos deixando a pólvora morna fazer seu trabalho. Cervicais enrolando-se por entre o desejo de decapitação e apenas um refrão hipnótico em transe:
"Die, I would die, I would die, I would die..."
São riffs sujos de uma produção tão assimétrica, que muitas vezes parece não existir a menor vontade de soar limpo e cálido. Febre de acordes cada vez mais monstruosos e que trocam de velocidade e tempo, como se isso fosse um pré requisito para uma respiração contínua. Sete minutos e meio onde seu corpo é transportado para uma dimensão de peso e sangue.
Essa característica de produção desleixada, segue em Lotus. Punk de primeira linha, onde uma menção à bandas como Future Of The Left parece nascer por entre as cordas. Não existe escapatória, e para onde se corre é possível sentir as veias de seu pescoço em explosão. Bate estaca, pogo time equacionado de maneira tão visceral, que em nenhum minuto você deixa de sentir a pulsação.
Isso tudo em uma faixa instrumental.
Mas tudo pode ficar mais pesado ainda, se por acaso as guturais farínges de Think invadirem seus ouvidos. Claustrofóbica ao extremo, com uma quantidade de desvios e assimetrias em guitarras que deixariam Omar Rodriguez Lopez orgulhoso. Música de serial killer, aqueles que escolhem suas vítimas com requintes de crueldade inimagináveis. É possível fechar os olhos e ver a lâmina afiada cortando a garganta em cada nota. Vísceras e claves espalhadas pelo chão, em um quarto morno e sujo. Onde o ar possui um gosto amargo e denso.
O disco da The Men foge do convencional, pois tem músicas que são (para esses tempos binários) verdadeiras epopéias de tempo.
L.A.D.O.C.H. é uma dessas.
Seis minutos de alquimia entre death metal, tato e agonia. Palpável desespero dos vocais e uma parede sonora que provavelmente vai torrar sua membrana auditiva. As guitarras mais uma vez conseguem notas gigantescas e desconexas. O baixo não pode ser comparado à uma linha stoner rock, pois é tão pesado que a impressão que se tem é ser abatido por um guindaste. São minutos de claustrofobia mórbida, com uma parada que tem ecos de destruição.
"Nothing is here to stay!!!", grita a letra.
Nada mais certo que a frase para ilustrar o disco.
E assim a metade do álbum chega. Seus ouvidos sangram e sua alma está ceifada por alguma encarnação mortuária anfetamínica. Mas seu corpo ainda vai aguentar mais uma dilaceração, a canção ( ).
Sim esse é o nome dela.
A banda resolve sujar o disco de uma vez e o efeito In Utero na produção parece ser cada vez mais primal. Uma das melhores canções do álbum, sem tempo de buscar ar na superfície. Você está definitivamente sendo tragado para as profundezas mais barulhentas do inferno. Sua alma vai clamar por paz e uma morte rápida, mas isso não será possível. O derretimento da epiderme é algo inevitável ao som da banda. Marcha spawniana de um exército de cabeças que colidem.
São os cinco minutos mais viscerais do ano.
A hipnose cervical continua com Bataille.
Não existe tempo para acender um cigarro, sem que seus ossos sejam esmagados pelos riffs. O lado mais radiofônico da banda é esse. Pesado, estranho.
Nessa altura da audição, a conclusão é que não dá para ficar mais palatável do que essa canção. Mas ainda existem certas surpresas dentro de Leave Home. Mesmo que por muitas vezes, o disco pareça um experimento ludovicaniano embebido em podres acordes.
No momento onde a sua garganta está seca e dolorida depois de tantos socos, uma canção com ecos de tempos pós punks chega de repente. Shittin' With The Sha parece uma alquimia depressiva de qualquer banda com olhos de cemitério. Mas são escalas com diferentes passagens e riffs áridos.
Uma opereta instrumental que possui ecos de um suf mórbido. Por incrível que possa parecer, é possível chama-la de pop. Mas como sempre em estado puro de lado B.
A banda fecha o trabalho com algo mais estranho ainda. Night Landing tem bateria eletrônica, sintetizadores e uma guitarra que não é mais espacial por falta de galáxias.
São ecos e mais ecos desencadeando uma equação que é ainda mais anos 80 do que a canção anterior. Tony Wilson contrataria a banda se ouvisse essa música.
É o peso de todas as anteriores condensado em uma viagem pela velocidade da luz. Desespero de quem está do lado de fora da nave, em contagem regressiva de menos 5.
Petardo de uma Madame Satã e seu teto baixo, com suores colabados nas paredes.
Leave Home é um daqueles discos que você ouve quando está com raiva. Mas também é de uma beleza suja incomparável.
Não indicado para quem tem estômago fraco ou problemas de equilibrio. Apesar das longas canções é rápido e preciso. Obrigatório para quem ainda acha que não existem mais possibilidades de criação dentro da música. Um cheiro do passado zumbi aterrorizante e de sensacional modernidade.
Vou me repertir, mas definitivamente The Men produziu um dos melhores discos do ano.
Baixe!!!!.
GD 96 A SAÍDA....
Ninguém sabe ao certo o que aconteceu.
A banda não mostrou nada além desse vídeo postado hoje. Mas uma coisa é certa:
A CHK CHK CHK ou !!! anuncia a "saída" de seu vocalista Nic Offer da formação original. O problema nem é a perda de um dos vértices desse combo lisergicamente dançante.
Nic sai da banda para tornar-se mágico de rua!!!!
NICASSO, o grande, conta sua história nessa mais nova maluquice da !!!. Viral de um novo vídeo ou algo relacionado com um possível disco. O que menos interessa aqui é a consequência.
Diversão garantida em forma de bolhas de sabão, fogos de artifício e drama, em forma de divertida mentira ou um anúncio sério.
A direção dessa insanidade é de Saman Keshavarz.
terça-feira, 7 de junho de 2011
GD 96 POR UM MUNDO MAIS VELHO....
Sinto hoje uma melancolia saudosista. Depressão leve de quem tem nessa palavra única e escrita apenas em português um refúgio. O fato de, há quatro dias não ingerir nenhum tipo de droga ilícita talvez tenha algo com esse sentimento. Mas isso apenas explica o sonho dessa noite, onde o apresentador Edgar dançava freneticamente embaixo de uma jaboticabeira azulada, ouvindo os acordes da banda Pearl Jam que tocava em um sítio próximo à casa de meus pais. Completando o quadro, dois policiaís prendendo um garoto obeso com uma cartela de medicamentos alaranjados e vermelhos, assim como meu baseado enterrado no chão de terra fofa que me servia de poltrona no barranco. Para a minha sorte, escapar desse temor foi simples, quando abri os olhos.
Acordar para o mundo em sua volta e perceber que algo está faltando.
Mas a saudade é de algo que não foi vivido. Vácuo semeado por letras e palavras que apenas consegui absorver depois. Traços de uma morte lenta que chega com a mais silenciosa das passadas, e te leva longe quando sua respiração para pela última vez. Assim sereno, o partir de um corpo é anunciado pela alma que se descola do cadarço de seu tênis predileto.
O mais engraçado é saber que essa sensação me persegue há tempos. Quando estudava na Escola Estadual Caetano Lourenço de Camargo, local onde meu karma bullynístico foi pago com juros altos e paixões incompletas, participei do primeiro jornal escolar. Função de escrever resenhas sobre filmes.
Minha curta carreira promissora como Bangs jauense terminou quando, a professora de Educação Artística leu os textos sobre 2001 e Laranja Mecânica. Corada de vergonha pela comparação entre a cena do estupro com a falta de preparo que a escola tinha, dispensou-me dos afazeres. Novamente minhas notas seriam dadas por desenhos copiados em uma seda, que também me acompanhou em boa parte da vida.
Mesmo que queimada.
Desde aquele tempo minhas preferências eram por coisas que não conhecera ao vivo. Sinto falta de Velvet, Stooges, Boham e Lennon. Mutantes (os primeiros), Zé e Altamiro. Machado e Pessoa.
Pessoas que não cheguei sequer a ver pela televisão. Quanto mais ao vivo.
Escuto ali meu choro pelas linhas traçadas por jornalistas que não escrevem mais suas colunas. Textos longos e anfetamínicos de alguérm que nunca vi e provavelmente jamais saberá de minha existência. Como ter dentro do peito a falta de algo não vivido?
O tempo hoje é mais rápido. Os dias estão cada vez mais curtos e contados em milionésimos binários. Uma corrida desenfreada, catarses de segundos que duram o tempo de uma ejaculação cultural precoce. De que adianta saber que a banda russa Motorama fez um dos melhores discos de 2010 assim como a Degrees esse ano. Não existe uma razão para alardes e textos, pois tudo isso torna-se obsoleto demais através dos dias. Não existe mais a sensação de que as canções ou sentimentos grudam em seus ventrículos e de lá não sairão nem por uma lavagem ácida. Tudo é uma gota que dissolve e mais nada, salinizada por alguns olhos passageiros.
E a velocidade que consome, também nos trai.
Dia desses, por entre os magos de plantão li uma frase dizendo que não precisamos mais de pessoas como essas. Massaris e Álvaros que descansem em paz, pois de nada adiantam suas linhas. Hoje somos todos jornalistas em tempo real, fatos regurgitados e escaneados pelas assimétricas linhas de uma tela que se desgasta. O tubo de plasma é agora tão parecido com o corpo humano, que vai aos poucos perdendo suas funções. As máquinas estão mais próximas da criação divina do que sua imagem e semelhança. Como diria Waters:
Bem vindo à Máquina...
Perde-se a vida, ganha-se a velocidade. Mas e a catarse necessária para que possamos andar na direção da evolução, onde fica?
Não fica, some. Por isso é tão difícil definir e conseguir aglomerar pessoas com um denominador em comum nas ruas. Todos tem suas agendas e repartições políticas.
Neonazistas, homossexuais, heterossexuais, esquerdistas e conservadores. Todas siglas rápidas e que são tão passageiras quanto aquela música que salvou o mundo a semana passada. Não existem mais fortes idéias que permanecem por entre os cérebros polinizando mudanças. Apenas um aglomerado de palavras, balões de hélio risonho. Escrotos que balançam tontos por entre lábios de uma vagina inexplorada e sedenta.
Todas siglas com interesses e diretrizes. A divisão de castas humanas é tão vasta quanto os artigos da wikipédia, as bandas do myspace ou bandcamp. Todas rápidas quanto os acordes que já não mais causam comoção em massa.
Isolados estamos em um cordão de rapidez binária que não contempla mais o saber. Por isso é mais do que necessário os olhares para o admirar das palavras escritas por todos esses senhores, que já velhos ainda lutam em campos virtuais. Perceber os seres humanos como criadores e entender que mesmo tudo ao alcance de nossos teclados, precisamos dessas linhas como guia. Não é porque eu sou capaz de descobrir aquela banda fantástica da parte setentrional da Malásia Oriental, que preciso descartar as ecdises que podem acontecer por entre os textos do passado. Remixar idéias é algo tão fantástico que deveria ser uma lei universal. Unir aquilo que não se viveu com a mais nova e veloz tecnologia.
Não meu binários leitores, não podemos deixar de nos emocionarmos pelas palavras do velho. Não devemos sucumbir à essa velocidade, sem lutar por mais palavras. Obviamente não posso defender um "escritor" que tem textos longos e usa a palavra "xota" para definir o sexo feminino, mas é preciso acabar com o isolamento de achar que somos as próximas deus ex-machina desenhadas pelo evangelho de Morpheu.
Não somos.
Estamos perdendo a batalha por nossas almas pela prepotência em pensar que podemos ser maiores do que tudo. Separados por graus de cento e quarenta caracteres que tem a audácia de codificar a genética humana.
Pois como diria um sábio de nosso tempos binários:
"Remixar o passado é uma evolução do presente".
GD 96 SESSÕES DE LANÇAMENTOS...
Na manhã onde o questionamento de onde vamos e quais as questões que andam travando a evolução tornam-se necessárias, existe a possibilidade de notas calmantes tornarem-se importantes.
Por isso a apresentação dos nova iorquinos da banda THESE ANIMALS para o projeto Souvenir Sessions cai bem aos ouvidos. A coleção de vídeos faz parte da estratégia de divulgação do primeiro EP da banda.
Chamado These Animals EP, a mini bolacha vem carregada no chamado dream pop com mudanças equacionadas de notas. Uma possibilidade do etéreo, bem acondicionada em riffs e mudanças de direção não muito violentas.
O registro com as canções Souvenir, Oak, A Ghost You've Known e Thieves está abaixo. A banda também disponibiliza de graça o EP, que você pode baixar AQUI!!!!
segunda-feira, 6 de junho de 2011
GD 96..POR ENTRE A VIDA SEM PRESSA
Durante anos Avigdor Zahner-Isenberg, passava seus dias praticando guitarra por aproximadamente 12 horas. Tempo onde o estudo dentro do campo bluseiro era a tônica cerebral. Aulas extras, práticas e ensaios. Depois de alguns anos, nada mais exato do que formar uma banda. Mas não existiria graça alguma, se a produção de notas ocupasse um espaço já percorrido. Melhor seria começar algo diferente.
Unir a velocidade reduzida, com uma alma de lisergia não perdida pelo caminho. Nascia assim um dos combos que vale a ausculta, AVI BUFFALO.
O diminutivo para Avigdor foi apenas o início de uma banda que faz da lentidão uma virtude. O lançamento do disco de estréia, homônimo e com o petardo What's In It For?, veio bem recebido pela crítica. Mas essa equação sonora não aparenta querer mais holofotes do que os recebidos. Longe do mundo fagocitário das bandas mescalinas, proporcionam uma mistura de loucura desenfreada, mais canções onde saídas quase nunca são pleonasmos.
Com muito mais preocupações em tocar mais e mais, destilaram durante 2010 algumas das apresentações mais bacanas do ano. Mas a força de caleidoscópio parece não diminuir na dupla Avi Zahner-Isenberg e Sheridan Riley. Como mostra a apresentação da semana passada para a QmTV.
A dupla cada vez mais barulhenta e desconexa, em versões com a mais pura das simplicidades embebidas em loucuras de claves. Sleep On The Floor, Good I'm Wishing,Won't Be Around e Julian Rios, são canções exibindo uma banda que não tem apenas o grande hit. Aproveitando o post, coloque seus ouvidos bem dispostos, com alguns dos singles lançados pela AVI logo após os vídeos.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
GD 95 O OUTRO LADO DOS LANÇAMENTOS....
Enquanto bandas como Kaiser Chiefs tentam em vão colocar um disco novo na praça, existem outros entrecantos que destoam de quase todos os pleonasmos. Capitaneados pela brasileira Isabel Monteiro, a banda DRUGSTORE cria confusões na cabeça de muita gente desde o lançamento de seu primeiro trabalho, em 1995.
O trio desde o início, pedia aos fãs que ouvissem suas canções com fones de ouvidos e em quartos escuros. Nada mais apropriado, sabendo-se de toda a aclimatação dentro do som da banda. Uma compilação de sons, notas e nuances. Nada muito pormenorizado, mas com exatidão de quem sabe o que colocar dentro dos ouvidos. Viagens quase tão poderosas quanto seu remédio tarja preta.
E a transição entre o mundo real e o dos sonhos lisérgicos ganhará mais uma equação. ANATOMY é o mais recente álbum.
O lançamento oficial será feito em setembro, no dia 05, mas a banda já começa uma série de apresentações visando mostrar o novo material. Canções que podem ser ouvidas (pelo menos em pequenas doses), nesse set abaixo.
Também chegará aos nossos ouvidos, um pouco mais cedo do que setembro, o primeiro single dessa nova bolacha. Sweet Chili Girl, a música, será colocada na binariedade por tempo limitado e na forma de CD e download. Como sempre a delicadeza e tons sombrios na voz de Isabel são armas poderosas.
Ouça a prévia do novo disco da Drugstore.
GD 95 CRIANÇAS....
Crianças.
Por mais que não se goste, sempre existe a possibilidade da lembrança sobre a sua própria infância. Mesmo que nela existam álcool, brigas e brutalidade. O importante é que projetos onde as pequenas cadeias genéticas são a tônica, há a possibilidade da descoberta de belas claves. Veja por exemplo o programa Hey Gabba Gabba, onde dezenas de bandas bacanas colocam canções intelectuais juvenis em pauta. Aqui no Brasil não pode-se citar a palavra criança, sem lembrar de Palavra Cantada.
Por isso o projeto de Mick Cooke torna-se interessante. Alguns anos passados, o integrante da banda Belle and Sebastian, compilou músicas infantis selecionadas por sua banda, Franz Ferdinand e Snow Patrol, em um disco chamado Colours Are Brighter.
Dessa vez a garimpagem infantil tem outro nome.
DOWN AT THE ZOO.
Esse é o nome do disco que nasceu depois do sucesso da música The Monkeys Are Breaking Out The Zoo, escrita para o projeto inicial. Como a canção causou um certo estardalhaço, Mick resolveu produzir um novo disco, onde as histórias sobre os animais são pouco convencionais. O tratamento dentário do leão, um crocodilo no time de natação e qual a comida favorita do tigre.
Todas essas questões serão respondidas. O músico liberou uma canção (We Are Tigers) e um pequeno podcast explicativo.
Ouça.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
GD 95 CARTA ABERTA AO COLETIVO FORA DO EIXO OU A ÉTICA DO CANIBALISMO.
Mulheres.
Esses seres que diferenciam-se na genética com duplas iguais, são ainda mais repletos de entrecantos que seus pares xy. Tão evoluídas no quesito adaptação, que por muitas vezes nascem presas em outros corpos, outras mentes e mesmo assim descobrem uma maneira de anemofilar sinapses de germinação para se tornarem completas.
Musas gregorianas de Sá, luxuriosas piltzianas nas letras de Zero Quatro e trovadoras nas estrofes de um Tremendão.
Foi uma dessas valquírias (a que move meus ventrículos na direção dos pulsos vivos), que mostrou-me o maior significado da Marcha Nacional que acontecerá dia 18 de junho. Uma manifestação que coloca na linha de frente da batalha, uma guerra travada há séculos.
Quiçá essa a maior de todas já vividas, pois não se enganem meus compatriotas de guerrilha, a luta pela libertação da alma humana já começou.
Foi em frente à um prédio na Rua Barão de Limeira, no centro da cidade de São Paulo. Edifício aliás, morada de um veículo de comunicação importante do país. Mesmo utilizando de metodologia pedante contra sua nemêsis parlapatônica, a Folha de São Paulo é um ponto de referência.
Foi lá que o morador de rua sofreu um atropelamento, que não passaria de mais uma ocorrência cívica com lesão se não fossem alguns detalhes.
Conta o cordel que o senhor em questão atravessava a rua quando não podia (semáforo fechado para pedestres), desavisado etilicamente foi abalroado por uma moto que vinha em trajetória perpendicular. A velocidade aqui não é questão.
O importante é que o motociclista passou por cima do mendigo equivocado com a sinalização.
Erro do pedestre óbvio, mas essa também não é a celeuma filosófica cotidiana. Descobrir o personagem do erro não é minha função, mas os acontecimentos pós atropelamento é que são a chave.
Bêbado equilibrista sem um de seus chinelos, o morador de rua, sem nome e americanamente chamado de Joe Doe, cambaleia na direção da calçada. O motociclista levanta-se e vai em direção da moto. Olha de perto a carenagem, lataria, banco e para choques. Aperta botões e manetes certificando-se de que suas mãos tinham a firmeza de minutos passados. Levanta seu cavalo de força e coloca-se em pé.
Verifica o tanque, passa a mão pela nuca procurando um sangramento que não existe. Senta-se, dá a partida e some por entre o cinza das nuvens de inverno.
Mas onde é que a Marcha da Liberdade se amalgama com um bêbado e o motociclista?
Simples meus leitores fora de eixo, o moto condutor em nenhum momento procurou ver se por algum acaso do destino nosso herói quixotesco se machucara. Do mesmo jeito que Dom sequer voltou ao pavimento para olhar o cavaleiro de metal.
No calor da cidade já não nos enxergamos. Esbarramos em outras pessoas diariamente no metrô, pontos de ônibus e nas calçadas. Não sabemos quem são, não queremos saber quem são. Não temos tempo, paciência ou vontade de perceber o próximo que anda pelos mesmos caminhos. O ser humano desaprendeu a olhar a sua própria espécie. Mamíferos parmalateanos que somos, não vemos o outro igual.
Nossa cegueira anda tão oftalmologicamente explosiva, que atropelar uma pessoa torna-se tão dramático quanto passar por cima de um toco de madeira na rua. Um buraco no asfalto causa mais empatia do que um mendigo. A mais drástica constatação desses tempos binários é essa.
Não reconhecemos mais nosso semelhante.
E não se enganem quando lhes escrevo dizendo que essa é a maior pauta que pode existir. Acompanho seus debates pela rede e vejo que a meta, é descobrir quais as causas que valem ser colocadas na marcha. Pois gostaria de contribuir com essa.
A ÉTICA DO CANIBALISMO.
Existe uma certa má vontade com a existência de tribos e indígenas que usavam a técnica. O ritual de alimentar-se da carne humana é deveras mal visto por entre os círculos mais humanistas. Prega-se a barbárie de uma espécie que desossa seus semelhantes e come seus músculos hemáceos, como se fossem a mais maravilhosa iguaria culinária francesa.
Não importa muito se o corpo devorado é assado na fogueira, ensopado ou mutilado por tacapes e degustado como uma foca marinha por esquimós. O canibalismo é um tabu de nossa espécie. Mas o que não se pode negar é que para se alimentar de alguma coisa, antes de mais nada, é preciso desejar o alimento. E os usuários das técnicas culinárias tem essa vontade tão enraizada, que a característica é passada de geração à geração.
Satisfazer seus instintos alimentares com a carne do inimigo ou de um ser da mesma espécie é antes de mais nada notar a existência de um outro corpo. Antigos povos comiam outras pessoas, pois acreditavam que a alma do banquete passaria para o devorador. Consumando assim, uma maneira de fazer com que a natureza fosse uma só. Fusão atômica de elétrons vivos e que sangravam por entre os dentes afiados.
Devemos também lembrar que em alguns relatos de acidentes aéreos, o canibalismo também foi usado como maneira de sobreviver. Uma prova de força humana e doação sem precedentes. A sua vida servindo de alimento para que uma outra possa continuar. Poéticamente mórbido, mas linda imagem.
Não quero aqui incitar o início de revolução nos moldes zumbianos, muito menos é minha intenção começar uma carnificina.
Mas a característica canibalesca mais apropriada é a da visão. Olhar as pessoas como se elas pudessem nos alimentar.
Refeição de alma, através de outros olhares, outras palavras (um bom dia até), fazendo com que nunca mais exista essa cegueiria em relação ao outro. Notar a sua espécie de maneira mais pormenorizada possível, é forçar a nossa visão a desistir da escuridão do olhar. Ver os detalhes de cada pessoa, perceber entrecantos. Deixar-se alimentar por cada idéia que vem de diferentes endoesqueletos diferentes do seu, é a maior prova de que temos que caminhar juntos.
Canibalizar não no sentido aterrorizante, mas comer um pedaço de alma e doar um seu em reposta. Trocar essa energia octaedracubana de gente. Pois não é exatamente o contrário disso que os movimentos ditos conservadores fazem??
Os neonazistas não enxergam o gay como outro ser humano. A bancada evangélica também não. Outros não enxergam no nordestino um semelhante. Quem estupra não enxerga na mulher-menina outro mamífero, mas sim um pedaço de madeira ou um plástico sem vida. Se até a folha em branco na mesa de Sartre tem a consciência de que ela existe, por que não o homem entender a idéia?
Todos estão cegos e surdos quando o assunto é olhar outro ser humano. Saramago e Roberto tinham razão. Cabe enfim a nós, paladinos das redes sociais (e não se enganem, todos nós somos), colocar a visão novamente no rosto e na alma de todos.
Retirar o plugue que fará de nós eternas pilhas, passa necessariamente pelo poder de enxergar nosso semelhante. Canibalizar sentimentos, devorar a felicidade de se notar ao outro, é abrir espaço para uma troca de vida inigualável.
Sim nós seremos a Espanha dia 18, mas eu prefiro Zion!!!!!
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