sábado, 30 de julho de 2011
GD 103. FLORESTAS HÚNGARAS DENSAS.....
É como perder-se.
Sem ao menos entender por onde as veias se contorcem, ao perceber que inevitavelmente um pedaço físico aprisionou-se no etéreo das árvores em uma floresta.
Não existe saída ou corredor em luz de chegada. Apenas sons em sombra densa, arrebentações por entre a alma que presa, desloca sua gravidade. São notas cantadas nas beiradas de lagoas, por um ser em hipnose tântrica. Nem preto, nem branco, quiçá sépia.
Apenas arrebata.
E tudo feito em segredo alquímico.
Fechado hermeticamente por entre paredes solventes da Hungria.
Em caldeira nas sinapses de Németh Zsófia.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
GD 103. DISCOS EPIDÉRMICOS.
Existem minimalismos e minimalismos. Mas antes de soar como tal, é preciso tomar uma decisão que de tão precisa corre por veias perigosas. Decidir o que se é, pode demorar décadas, anos ou séculos, dependendo do que se queira. Mas a deliberação cerebral sobre o que se pode deixar para trás, e o que evoluiu, é tão traiçoeira quanto um serial killer. Por isso, em tempos onde fenocópias assolam o ventre em bigorna dos ouvidos, sempre é possível escolher um mutável gene.
Talvez todas essas preocupações nunca transpassaram as almas de Jessica Larrabee e Andy La Plant. Mesmo porque durante a audição do mais recente disco da banda She Keeps Bees, Dig On, não existe nenhuma dúvida quanto o caminho por onde a banda anda. Desde o seminal ano de 2006, a dupla perambula pelo lado mais sujo e malemolente do rock.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
GD 103. O NÃO GRITAR....
Já não é tão presente assim a necessidade do alto e poderoso som de trombetas do inferno. Algo que seja dito por entre sussurros pode ir além das catacumbas de desilusão. Por mais necessidade que se tenha o grito, o mais afável restilo de uma simples nuance pode parecer cada vez mais bem vindo. Ainda mais nesse mundo onde as guerras parecem querer tomar conta cada vez mais da alma humana.
Porque como já escreveu um grande poeta, é preciso ensolarar-se. E tudo isso começa sempre pelos primeiros raios de sol.
domingo, 24 de julho de 2011
GD 103 A ADICÇÃO E O TABLOIDISMO (OU O JORNALISMO CULTURAL TEM QUE MORRER)
Ontem mesmo que você morasse em algum iglu distante, no mais longínquo continente ártico, saberia sobre a morte da cantora Amy Whinehouse. Talvez a primeira partida de um artista com grande porte, nessa época onde as informações correm 140 caracteres. Não a primeira, mas provavelmente a com mais audiência. Dias antes, o pintor Lucian Freud morrera.
Não causou metade da comoção.
Não existem culpados na realidade bizarra de audiência para velórios de famosos.
Ambas são perdas inestimáveis.
Ontem lendo o texto de Marcelo Costa sobre a morte de Amy e depois relendo o de Forastieri sobre 1994, percebi que a única coisa em comum que todas elas possuem, é o simples fato serem horríveis. Não é revolução, não é renovação muito menos entrada para o mundo dos mitos. Agora são cadáveres e mais nada.
Minimalista bacteriana, mas verdade.
A morte é a única coisa que nos nivela como iguais.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
GD 102 BARRY JIVE AND THE UPTOWN FIVE (um balanço julhino).
Estamos na metade do ano. Julho quase finito e o mundo continua à assistir ataques com bombas e armas de destruição em massa bem calibradas, na cabeças de jovens em campos plácidos noruegueses. Enquanto aviões de papel são jogados ao ar por campanhas da CNN, os discos continuam caindo na rede e deixando um rastro ventricular por entre os estribos e bigornas auditivas.
Mas já que estamos nessa metade finita gregoriana, o blog resolveu fazer mais uma das famigeradas listas com o que de melhor provavelmente aconteceu com as claves até esse momento em 2011. Um pequeno rastro formado por uterinas invasões sonoras, guturalidade de garagem e hemáceas em lava.
Vamos aos favoritos julhinos:
Mas já que estamos nessa metade finita gregoriana, o blog resolveu fazer mais uma das famigeradas listas com o que de melhor provavelmente aconteceu com as claves até esse momento em 2011. Um pequeno rastro formado por uterinas invasões sonoras, guturalidade de garagem e hemáceas em lava.
Vamos aos favoritos julhinos:
GD 102. RESSUSCITAR OS MORTOS....
Não o Weezer não acabou. Na verdade semana que vem, a banda inicia uma parceria com os amigos de longa data.
Ninguém menos que o Flaming Lips. Por mais que os tons das duas bandas pareçam distantes, houve um tempo onde Rivers Cuomo queria soar como Wayne Coyne.
Depois do lançamento do disco de estréia, a Weezer iniciou as gravações de Pinkerton.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
GD 102. CARTA ABERTA A LATRINA CHAMADA STORMFRONT!!!!
Não entendo concurso de beleza. O nome é ligeiramente paradoxal, já que a beleza além de etérea é um conceito que mudou durante a história. O ideal grego com músculos bem torneados e glúteos vulcânicos já foram a tônica. Depois, em continentes europeus, a corpulência da aristocracia era retratada em quadros. Senhoras com curvas e mais curvas eram objeto de desejo. A revolução sexual trouxe outro parâmetro com a magreza e formas mais tímidas de valquírias como Edie Sedgwick. Hoje amazonas como Gisele Bundchen, Adriana Lima ou Alessandra Ambrósio povoam o inconsciente dos homens e mulheres. Revistas, filmes e musas. Todo um mundo gira ao redor dos padrões históricamente indefinidos.
Por isso a palavra miss não tem significado para mim. Mas se é algo que existe e movimenta uma indústria grande até hoje, é possível que alguém se interesse. Não fosse assim, o barulho sobre a cidade de São Paulo sediar a edição do Miss Universo esse ano, não existiria. Mas por mais idiota que me pareça o conceito, é preciso respeitar quem vive, concorre ou trabalha nesse ramo. Liberdade sem precedentes é isso.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
GD 102. DE JANEIRO PARA O MUNDO.....
Imagine sua imagem residual na matrix formando uma banda. Agora pense que esse quinteto formado por almas cambaleantes na binariedade somaram-se em janeiro de 2011. Pense também que nesses sete meses de vida, sua banda já gravou um dos melhores lançamentos do ano. Isso tudo, levando em consideração que seus sites ficaram prontos apenas há três meses atrás.
Essa é a história de talvez uma das melhores revelações de 2011. A banda de Oakland WHIRL. Em tempos onde existem mais projetos solos e duplas no cenário, um quinteto com tamanha voracidade por acordes em navalha, é algo que embebeda os ossículos auditivos. Muito menos pela quantidade de pessoas dentro da banda (Loren Rivera, Nick Bassett, Eddie Salgado, Joseph Bautista e Byanca Munoz), mas pela velocidade e ligações existentes no disco de estréia, Distressor.
GD 102. TOM WAITS EM DESENHO ANIMADO.....
Pela mais mágica face de destino, hoje mais uma vez falaremos de Tom Waits. Como tônica é o começo de sua carreira nos anos 70, um raro vídeo apareceu pela binariedade.
Corria já 1979 e o diretor John Lamb estudava uma maneira nova para fazer animações. Resolveu então colocar seu amigo Waits e uma técnica chamada Rotoscoping no mesmo video clip. Nasceu assim um dos mais obscuro curtas de animação, For No One.
A técnica data de 1917 (criada por Max Fleisher) e consiste na produção de desenhos animados feitos em cima de sequências filmadas. John no entanto evoluiu a idéia original quando em 1976 junto com Bruce Lyon criou o Video Animation System For Testing Motion Picture Animation Sequence. Nome longo para uma máquina que permitia o teste da sequência de animação antes de deixá-la pronta. Uma maneira mais rápida e eficiente de deixar tudo mais preciso. Com o sistema os desenhistas poderiam corrigir pequenos erros de maneira mais correta, aumentando a qualidade. A criação rendeu à dupla o Oscar em 1980 na categoria Scientific and Technical Achievement.
terça-feira, 19 de julho de 2011
GD 102 A TRILHA SALVA POR JOHN LEE HOOKER
Em 1990 só uma entidade maior poderia saber o que se passava pela cabeça de Dennis Hooper. O ator passara a década de 80 colhendo belas notas sobre suas atuações. Rumble Fish de Coppola e Blue Velvet de Lynch, deixaram Hooper em mares mais tranquilos. Também dirigiu o filme Colors, com um certo sucesso. Para quem já realizara Easy Rider, o filme The Hot Spot tinha tudo para ser uma bela bilheteria.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
GD 102. AS CANÇÕES DE NINAR.
Canções de ninar em trovas. A proposta é deixar-se levar por entre as entonações em cenas que derretem por entre o peito. Então com 30 anos no ano de 1979, TOM WAITS realizou um concerto para a BBC de Londres. Não apenas reedições onde sombras do jazz correm por entre os dentes. A genialidade encontrada nas composições de Waits carecem maiores explicações fictícias. Possível sentir o ranger e as moscas que circulam por entre as luzes, em um pequeno bar no canto escuro da lua de inverno. Carros que transpassam a fumaça e deixam livre moléculas carbônicas que descem seco ao redor da língua.
sábado, 16 de julho de 2011
GD 101. A MARCHINHA DA COPA AMÉRICA.
Ontem à tarde, na coletiva de imprensa com a seleção brasileira de futebol, uma cena atípica foi vista, ouvida e deixou no ar uma pequena centelha de inconformismo. O jornalista Wellington Campos (mineiro, narrador da Rádio Tamoio do Rio de Janeiro e correspondente na CBF para diversas emissoras: Itatiaia de Belo Horizonte, 730 de Goiânia, Paiquerê de Londrina, Banda B de Curitiba, Jornal do Recife e Clube de Belém), antes da primeira pergunta passou suas iniciais falas agradecendo a CBF e os profissionais da imprensa que trabalham para ela. Com palavras sobre a estrutura oferecida, deslanchou uma série de afáveis lambidas nos testículos da entidade. A educação do repórter Campos, está escancarada pela internet afora.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
GD 101. GRAFIAS...
Por mais estranho que pareça, nomes muitas vezes não dizem aquilo que realmente significam. Nada de adjetivações sem o menor conhecimento. Cada vez que a palavra toma forma e movimento, por muitas vezes não são os campos comuns que traduzem toda sua grandeza.
Por isso, tímpânicos leitores, com vocês Black Merda.
GD 101. VIDAS FOTOGRAMADAS
Uma das coisas mais claras, no evoluir do tempo, é a capacidade de tráfico informativo dentro da rede. Não existe mais a desculpa da preguiça em ler alguma coisa, assistir à um documentário ou assistir o emparelhar de fotos para cérebros sedentos.
Mais uma dessas vias educativas, acaba de ganhar o devido vazamento na binariedade.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
GD 101. CONTRATOS EM QUARTETOS.
Ela anuncia uma limpeza geral em suas gavetas. Canções deixadas em cantos secos, mas com poder de centelha ainda latente. Por isso AMANDA PALMER, está em casa.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
GD 100 PELO CENTRO
Andar pelo centro de São Paulo requer uma dose de audácia.
Os prédios que cortam o céu encarando sua sombra, formam marcas de guerra em cada reboco da parede. Sorrisos fotográficos formados por fios e janelas, passam por uma sisuda fachada. Feridas abertas em cada pedaço de cimento.
Porém a beleza dos casarões inebria. Castelo transilvânico repleto de sulentas súcubas em meia veste, a geometria do centro envenena.
Caleidoscópio de faces, repletas de geografia. Passando como um mapa mundi em sua frente.
Pessoas, deambulantes.
O relevo humano dissonante que transpassa seu caminho por entre as ruas, revela uma impossível dualidade. Tantos e tão poucos que se reconhecem.
Andar pelas ruas do centro de São Paulo, requer uma dose de poliglotismo.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
GD 100 A trilha sonora de seus sonhos (Lullabies To Paralyze / 12 de junho de 2009)
Não, não esqueci que essa é a semana 100. Numeral que teve gênese lá atrás.
Isso fica posterior, vamos por enquanto lembrando esses dois anos....
Sentado em frente a uma tela fria de computador, divagando por entre as idéias confusas do seu córtex.
De repente sente um estalo, deslocando tua sombra com violência tamanha, que teu estado de latência parece atropelado por um boeing.
Pois bem....
Essa sensação será uma constante ao escutar o novo disco da banda Grizzly Bear, Veckatimest.
Parceirando-se com a idéia de que eles estão um passo à frente no mundo.
Desde o início com a estonteante Southern Point, onde uma confusão de batidas, lembram um grande samba enredo tocado do avesso ou com o piano da magistral Two Weeks. Você perceberá que não está diante de um mero disco de rock, muito menos um pop complicado. Na verdade é de extrema dificuldade definir em apenas um gênero.
Isso fica posterior, vamos por enquanto lembrando esses dois anos....
Sentado em frente a uma tela fria de computador, divagando por entre as idéias confusas do seu córtex.
De repente sente um estalo, deslocando tua sombra com violência tamanha, que teu estado de latência parece atropelado por um boeing.
Pois bem....
Essa sensação será uma constante ao escutar o novo disco da banda Grizzly Bear, Veckatimest.
Parceirando-se com a idéia de que eles estão um passo à frente no mundo.
Desde o início com a estonteante Southern Point, onde uma confusão de batidas, lembram um grande samba enredo tocado do avesso ou com o piano da magistral Two Weeks. Você perceberá que não está diante de um mero disco de rock, muito menos um pop complicado. Na verdade é de extrema dificuldade definir em apenas um gênero.
GD 100 EVOLUÇÕES EM SÉPIA....
Existem surpresas pelo caminho.
Desesperados acordes que parecem não entender a lógica ou cadência dentro de uma simples linha de notas. Por muitas vezes a aparência que nos leva por sinapses em pleonasmo, esconde a vontade de sempre tentar descobrir o que se pode ver em outro espectro de retina.
GD 100 CLÁSSICAS DISPUTAS....
Pleonásmico comportamento dentro da mídia nas terras além mar, colocar bandas de rock uma contra a outra, é pauta para lá de datada. Mas quando o punk tornou-se algo tão poderoso quanto o mainstream (se você preferir pode até chamar de grunge), lá estavam eles novamente tentando colocar os Beatles contra os Stones (guardadas as devidas proporções).
Quem melhor representa a imagem da tomada de poder pelos riffs de garagem, do que os dois clips abaixo?
terça-feira, 5 de julho de 2011
GD 100 O POETA MÓRBIDO....
Houve um tempo onde Lou Reed andava por lados distorcidos da literatura. Perambulando por entre corvos, sombras e poemas. Um tempo (não muito distante), onde a possibilidade de ligação eletrosférica entre um mago dos contos de terror e a mente em lava de um gênio, eram capazes de produzir catapultas de sinapses efervescentes.
Corria o ano de 2000, quando o músico acompanhado de atores, cantores e o diretor Robert Wilson, apresentaram em Hamburgo (no Thalia Theater) a chamada poesia cantada de Reed. Mas a combinação não era uma fusão menor.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
GD 100. A MANJEDOURA DO METAL....
A história é uma das mais conhecidas dentro do mundo do rock. Tony Iommi, guitarrista seminal da banda Black Sabbath, trabalhava em uma siderúrgica e o senhor Ozzy Osbourne na fábrica de automóveis Lotus. A cidade que servia como pano de fundo, era a sombria e metalizada Birmingham. Mas essa árida passagem de tempo, não seria completa se por acaso as pontas dos dedos de Iommi não fossem cortadas. O guitarrista poderia finalizar suas investidas ali, mas a história de um músico francês (Django Rheinhar), que sofrera um acidente parecido e criou uma nova maneira para manusear as cordas, inspirou o metaleiro pai na confecção de acordes vulcânicos.
domingo, 3 de julho de 2011
GD 100. BUDA E O CINEMA...
O vídeo acima é um filme conceito original de 1929. O cineasta alemão FRANZ OSTEN, baseou-se no poema de Edwin Arnold. Conta a história de Buda em sua infância e adolescência. A trilha sonora nas mãos de Divana, músicos do maior estado indiano, Rājasthān.
Osten, que morreu em 1956, deixou uma cinegrafia que impressiona. Inovador na maneira em conduzir a produção, participou da gênese inaugural dos estúdios Talkies Bombaim.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
GD 99 CLÁSSICOS DA GARAGEM.....
Uma banda pode durar apenas o tempo perfeito, para que se torne lembrança mais forte do que o normal.
Quando Sean Bonniwell resolveu montar a The Ragamuffins em 1965, não esperava nada além de colocar em suas notas, uma certa quantidade de riffs em profusão fuzzitônica. Mas como a psicodelia dos 60 engatinhava, resolveu então mudar o nome para THE MUSIC MACHINE.
O disco de estréia veio na esteira. (Turn On) The Music Machine, alcançou um relativo sucesso, mas a vida não seria tão boa assim para Sean e seus comparsas (Ron Edgar na bateria, , Mark Landon e sua guitarra, Keith Olsen posicionado no baixo e Doug Rhodes no esmeril do teclado). Com a projeção da banda e seu álbum, o líder velado dessa garagem cheia de riffs e peso dos 60, descobre que o nome escolhido para a Máquina do Som também era o de outra banda.
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