quinta-feira, 27 de outubro de 2011

GD 115 GANHADORES DA PROMOÇÃO LIVRARIA DA ESQUINA


Quem escreveu escreveu.
O pandemônio foi grande mas depois de uma reunião violenta a decisão foi outorgada.

GD 115. A ERA DO RÁDIO


Não existem mais lordes da excentricidade como Lux Interior e uma das maiores bandas de todos os tempos chamada The Cramps. Um dos primeiros assumidamente influenciados por toda a era seminal do rock nos anos 50. Como se Elvis encarnasse no corpo de uma bailarina em látex, saltando por entre ácidos e caleidoscópios, a banda era teatral e de uma veia quase tão anarquista quanto revolucionária. Muito antes do hype alternativo, existiu esse quarteto matador.

As influências de Lux sempre foram um espetáculo na lateralidade de entrecantos. Há alguns anos atrás o jornalista André Barsinski, na volta do programa Garagem divulgou o endereço de uma série de coletâneas feitas pelo vocalista e Poison Ivy com as canções que mais amavam. Conhecida como Lux and Ivy's Favorites são onze arquivos de tonalidades tão assimétricas quanto sensacionais. Você pode baixá-las no endereço http://blog.wfmu.org/freeform/2009/02/lux-and-ivys-favorites-mp3s.html, mas existe uma outra pérola perdida dentro da binariedade.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

GD 116. A LOUCURA DOS SORTEIOS DA FESTA EM LAVA...


Por mais exploratória que seja a confecção de mitos e lendas dentro do rock, existe uma gama enorme delas povoando o imaginário popular brasileiro. Algumas verdadeiras, outras apenas servidas como pratos em um enorme restaurante por quilo.
Mas o concerto ao ar livre é um marco dentro da história.

A ideia em colocar o bloco na rua e tocar para o povo, usando um gerador de energia, rebentou nas mãos de um rapaz interiorano chamado Rafael Castro. Nascido em Lençóis Paulista e recoberto por centenas de trovas cerebrais, a revolucionária manobra veio carregada em um manifesto dentro de seu blog (leia lá).
Do show de guerrilha  para a difusão independente dos versos menestréis, foi questão apenas de sinapses auditivas. Hoje até Roberto Carlos já caiu nas graças menestréis de Rafael
E se você não acredita na lenda, então pode olhar através da fechadura do real.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

GD 115. A PARALISIA DO SORRIR.


Uma vez eu conheci Paulinho.

Paulo Josué Moraes de Almeida, aos dezessete anos gostava de maconha como se ela fosse um belo prato de arroz e feijão (como ele mesmo gostava de explicar). Fumava aos montes, pois isso o deixava mais atento durante as tarefas diárias e enfadonhas que seu pai alcoólatra  o obrigava fazer. Muitas delas um aglomerado de impossíveis trabalhos à serem realizadas dentro do árido clima da cidade de Garça, no interior de São Paulo. A desconexão com o resto do Brasil nos anos oitenta era tamanha, que a maior aflição dos populares, residia apenas no rodopio do destino nas peças de dominó ou na passagem dos chamados estrangeiros pela praça central. Elas que são formas exatas de fenocópias geológicas. Todas tem um monumento que olha diretamente para a sacada da Igreja Matriz da cidade.

Mas em um quinto dia do outubro, dentro de raios psicodélicos do sol vermelho granja, a vida de Paulinho mudaria. Mutação feita pelo chicote realizado por sua coluna cervical.
Movimento quase enxadrista da fisiologia humana, que o deixou eternamente tetraplégico. Com apenas movimentos do ombros e pescoço, o doravante menino e seus olhos profundamente entristecidos esverdeados, agora vagava por uma série de cirurgias, comas e escaras. Aos quarenta e dois anos, suas pernas eram tão gélidas quanto um iceberg amargo. As mãos não realizavam extensões e seu pênis era apenas um canal de passagem morto para a urina. Não existia ereção, muito menos ejaculação. O sexo de Paulinho vivia em constante anteparo de uma sonda que estuprava diarimente sua uretra.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

GD 115. ALÉM DA ESTRADA DE TIJOLOS DOURADOS.


O ano era 1974.
Em Wembley a maior banda do planeta apresentava um de seus discos mais seminais. Os dias 15 e 16 de novembro marcaram a dupla de shows do Pink Floyd e The Dark Side Of The Moon. Mas a inovação não estava apenas na maneira como foi gravado, e sim o conceito todo que envolvia o álbum. Parceira de longa data da banda a monumental Hipgnosis, foi responsável por inúmeras capas (Atom Heart Mother, Middle, The Dark Side), além de todo o lado cinematográfico nos shows.

O vídeo abaixo mostra além do áudio retirado diretamente da mesa de som, o filme exibido durante todo o concerto. As imagens muito além da mera sincronia, revelavam toda a história atrás das canções. Uma verdadeira obra de arte e talvez um dos melhores e maiores clips de todos os tempos.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

GD 115. OTIMISTAS...


Se a questão toda é ser otimista em relação ao todo que se chama vida, porque não então traduzir tudo isso dentro de claves sonoras?
Os impropérios diários são apenas pequenas peças de degustação amarga e mórbida, que assolam sem pena ou piedade os cordões umbilicais fétidos em éter e mescalina que temos dentro de nós mesmos. Não existe saídas fáceis muito menos estradas pavimentadas em ouro e tijolos doces.
O mundo é frio, sempre foi.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

GD 114 O MAR QUE LEVA....


Imagine nunca ver o mar.
Perder o barulho que toma seus ouvidos, durante as noites onde a maré parece oferecer conforto morno dentro das mihares contradições de uma vida. Não pode existir medida curativa tão boa quanto acordes permeados por ondas salinizadas.
Imagine então sentir o mar em toda plenitude, carinhando sua epiderme por milhares de segundos sem fim. Um amor tão puro quanto novo, uma centelha em lava que transborda a possibilidade do absurdo e deixa qualquer pessoa em estado de graça.
Agora então imagine afogar-se dentro de alguma maré insandecida e enfurecida pelo tempo ou intempéries do ser humano contra a natureza.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

GD 114. A HISTÓRIA QUE UNIU O POVO AO ARTISTA UMA DÉCADA DEPOIS.


Muito dificil seria dimensionar qual a real importância de uma banda como a BIG STAR dentro do cenário da música. Não pelo fato que não existe tal nuance, mas sim porque os pseudópodes que anemofilizaram os quatro cantos do planeta (mais especificamente o cenário que se costuma chamar alternativo), são milhas e mais milhas de referência.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

GD 113 A INVASÃO CHINESA...


Na falta da existência consistente nos arredores da alma quando o assunto é categorizar alguma coisa, o mais importante é apenas deixar-se levar pelos acordes e nunca tentar fugas por entre adjetivos carcomidos. Dentro de uma sociedade tão comparativa quanto a que vivemos atualmente, o excesso de regurgitação das eras musicais geológicas mostra que fica muito difícil não existir comparação com as bandas que povoam nosso mais libidinoso imaginário. Em moradas de escafandros claustrofóbicos, é uma tarefa quase tão impossível quanto arranjar uma agulha dentro no fundo do oceano. Contudo a categoria deixar as sinapses sentirem e não falarem, é quase uma perdida arte meditacional. Até quando o rock chinês ocidentalizado, transborda os maiores sorrisos estridentes em riffs tão analógicos quanto as agulhas de acupuntura feitas com pedaços de bambus.

Carsick Cars poderia ser a sua banda predileta dos tempos de colégio, ou tocaria na festa universitária mais descolada ao final dos anos 80. Mas essa última afirmação não poderia ser verdade, pois além de contemporâneos dos anos onde a binariedade já ardia em febre galopante, o trio possui mais fôlego do que apenas a vil mistura entre navalhas, robôs e uma cozinha trepidante. Uma discografia que pode ser tudo, menos minimalista. Influências definidas em cada acorde e que não deleitam dúvidas sobre como a construção das canções são formadas.


Nascidos em 2005 e apresentando-se pela primeira vez na Faculdade de Tecnologia de Pequim, não demorou para que uma legião de ávidos compatriotas catapultassem a sonoridade para o mundo. Mesmo com a germinação precoce, o trio viajou com a Sonic Youth abrindo shows em Praga e Viena. Mas as ligações comerciais com o ocidente ainda estavam longe de terminar. Como o país de origem, a invasão desse produto chinês da mais original qualidade estava apenas começando.

Durante um show em Nova Yorque, John Myers (sim ele mesmo), ficou completamente louco com a banda. Contudo e pelas graças yangnescas, não seria o cantor que faria com que a banda desse um passo adiante. Ele foi apenas o meridiano de energia necessário para que a Carsick Cars encontrasse seu vaso governador, o produtor Wharton Tiers (Sonic Youth, Dinosaur Jr. e Helmet). Não é preciso dizer que a ligação entre essas duas hecatômbes musicais resultou em um dos belos discos de 2009. Originalmente lançado naquele ano, mas com um relançamento mundial marcado para outubro de 2011.

You Can Listen, You Can Talk tem tudo para lembrar o ouvinte porque uma banda de rock é a melhor manufatura inventada pelo homem moderno. Mesmo com a síndrome da limpa produção, o disco é repleto de experimentações. Canções hemácias em lava, que deixarão seus ouvidos sangrando claves de sol durante horas e horas impossíveis de contabilizar no passar dos anos. Pesado quando deve ser e elaborado nas passagens do tempo onde a contemplação é necessária. São arranjos exatos e assimetrias bem concatenadas. Subterrâneos em veludo repletos da mais hipnótica juventude sônica.



Com letras em inglês e chinês, o disco é de uma embriaguez notável. Não aparenta ter a duração que tem, pois a hipnose tem um alto nível de penetração liquoriana pelas suas veias abertas e sedentas por riffs. Mesmo mais engomada, a equação dentro dos sons é um dos registros que valem a audição em vezes variadas. Tudo que um belo disco de rock deve ter e um pouco além. Um amálgama de guitarras, baixo, bateria e uma enorme porção de alma que esparrama por entre os acordes.

Também é digna de visita as canções dos projetos paralelos do trio. Li Quing (baterista) e Li Weisi (baixista) são fundadores da Snapline que tem como produtor de seu disco de estréia o baterista da PIL, Martin Atkins. Shou Wang, o vocalista tem o projeto experimental White. Além de apresentações com orquestras e outros músicos, é considerado um dos mais inovadores guitarristas chineses da história.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

GD 113 O ATEÍSMO COMO DIVERSÃO...


Você pode analisar o filme Donnie Darko (2001), dirigido e escrito por Richard Kelly de várias maneiras.

Seja pela visão existencialista de Sartre, através das teorias de David Hume ou ainda pela ótica da fenomenologia de Heidegger. Aliás se você correr pela página do Facebook do GD, poderá achar uma das melhores resenhas sobre esse sensacional filme, escrita pelo pensador binário Evandro Venâncio.

Mas um dos aspectos mais importantes (também levando em conta as teorias de Foucault) é a crítica ácida à sociedade e como ela desperta as piores esquizofrenias dentro do ser humano.
Mesmo com alguns diálogos deixando no ar uma aura sacra, o filme tem uma equação extremamente ateísta dentro de seu roteiro.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

GD 113. OS PROSTÍBULOS MACHISTAS DA LAMA EDUCACIONAL BRASILEIRA.


A extinta casa noturna chamada Black Moon era um trombo negro cintilado em gás neon arroxeado dentro da artéria principal da avenida Santo Amaro. Próximo ao bairro de classe média alta (quando essa expressão ainda tinha validade por essas bandas) Chácara Santo Antônio. Como todo local onde os pequenos burgueses amontoam-se em condôminios de luxo ou casas suntuosas, existe uma falsa noção de separação entre o ser humano. Não existia nenhum puteiro dentro do bairro, mas a avenida que fazia ligação por entre a cidade era repleta deles. Black Panter, Brasileirinhas, Casa Brasil e outros nomes. Todos longe dos alcance dos olhos das senhores cheirando à colônia de panfletos, que frequentavam a paróquia municipal localizada na Rua Alexandre Dumas.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

GD 113. RARIDADES...


Mesmo com o final mais do que digno de uma das melhores hecatômbes dentro do rock, a seminal e sensacional R.E.M. ainda guarda algumas surpresas. Nesse caso, um dos fãs do trio tem o que pode ser chamado um grande ás dentro de sua manga. Mas antes...