quinta-feira, 24 de novembro de 2011

GD 118. TENTÁCULOS...


Uma banda que depois de dez anos separada resolve fazer alguns shows. Nada mais do mesmo, ainda mais quando o rock vive em estado constante de regurgitação eclética. Esse mesmo grupo resolve que após essa pequena reunião vai definitivamente estancar a produção de claves.
Mas e se por acaso a decisão de não mais fazer shows, for novamente subvertida e a mesma banda resolver que é necessário mais alguns?
Obviamente que além de um novo consultor financeiro, pode-se entender que eles possuem alguma vontade maior do que apenas ganhar alguns trocados.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

GD 118 UM FELIZ NATAL ATEÍSTA!!!!!


Em um país onde abre-se uma igreja em cada esquina e as disputas por espaços geológicos em nossas calçadas entre pastores e botecos parecem jamais terminar, nada melhor que um presente ateu.

A proposta em subverter os valores natalinos não poderia partir de mais ninguém. Um alquimista de notas das mais variadas fases e colorações. Desde uma banda e seus ursos de pelúcia lisérgicos, até as instalações construídas com toalhas de hotel, o cantor Gruff Rhys não esquece que uma boa provocação sempre despertará perguntas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

GD 117. EM FALIDOS TEMPOS, EXISTE AINDA A REDENÇÃO POSSÍVEL.


 Não existe mercadoria maior que a alma humana.
A palavra mercantilista nem pode ser usurpada no sentido do capitalismo barato. Muito menos percorrer suas anarquistas e hemofílicas anunciações de revolta. Mas sim, almas humanas são traficadas em cada clave ouvida e cada acorde sentido pelo fundo de sua genética embebida em lama dentro de um festival de música.

A sagacidade do novo mostra a cada dia que o rock está novamente com seus dias contados. Outra profecia inca povoando as correções ortográficas e edições de textos sensacionalistas. A não existência de prófugos refugiando a lava da alma em acordes pode ser uma das formas de se olhar o cenário atual. Mas as previsões que esses três acordes acabarão, são tão velhas quanto a regurgitação de conceitos comunistas dentro dos ditos partidos de esquerda. E como sempre o gênero ainda permanece em pé.
Construindo gigantes que andam por entre os meros mortais e celibatários.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

GD 116 O PODERIO DA UNIÃO DE RIFFS.


 Se a expressão construir originalidade não deve ser usada nesses tempos, talvez a perfeição da assimetria do incorreto possa explicar como certos discos e bandas são fantásticos medicamentos auditivos.
Mas os nascedouros dessas obturações de alma são por vezes complicados. O exemplo vem de além mar e a corredeira de sons é tão poderosa que por instantes seu encéfalo percorre milhares de milhas à bordo de um jato supersônico.
Só que do lado de fora.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Blogagem coletiva: CAGANDO REGRAS DE CALVINO (publicado da Revista Nego Dito)


Nunca o acaso pode ser traduzido como caminho da evolução humana, mas no caso dos tempos binários por muitas vezes parece que ele dá as cartas de maneira lisérgica e sem a presença de seu pai Timothy Leary.
Obviamente a onda de tecnologia que tomou o mundo, ocasionou uma corrida de cem metros rasos abarrotada de atletas anabolizados, no quesito adaptação cotidiana.
Ergueu-se então uma cidade global formada por prédios de teclas e controles, ruas repletas em redes sociais e praças dos mais bonitos blogs com fotogramas que mostram desde a situação sexual dos seus proprietários, até as mais novas novidades do mercado semi morto fonográfico.
Temos uma aldeia de informações que tornou-se uma cidade quase calvina. Entretanto muito mais do que o crescimento desmedido da tecnológica, existem ramificações da psicologia humana que não se alteraram mesmo com a presença constante da iluminura internética.

Entre eles a paranóia, o medo e o reacionarismo.

E esses três pilares estão aos poucos matando a sociedade como a conhecemos. Não se engane, vivemos em um tempo que de tão perigoso para a sociedade, deveria ser tratado como estado de alerta máximo. O ser humano emburrece na mesma medida que a velocidade da tecnologia cresce. Isso não é apenas uma previsão do futuro, está acontecendo no mesmo segundo em que digito essas linhas.

Quando Italo Calvino escreveu As Cidades Invisíveis talvez não imaginasse o quanto elas fariam parte da natureza humana. Na descrição das 55 localidades geográficas por Marco Polo ao soberano Kublai Khan, uma das temáticas escolhidas é a da cidade e os mortos. Uma dessas dissertações imaginárias do livro é quase tão exata quanto relógio.

O capítulo 3 desse tópico descreve Eusápia, um local onde a população preocupava-se com o aproveitar a vida, já que o lugar era o ápice na época. Para evitarem aflições com a evolução humana e consequentemente a morte, a população construiu uma cópia exata da cidade no subsolo. Essa réplica continha os cadáveres dissecados com o esqueleto recoberto por uma pele amarela, mantidos na mesma posição que faziam suas atividades na cidade dos vivos.

Quem fazia a transição de uma cidade para a outra era a Confraria dos Encapuzados. Ninguém da população sabia o que acontecia na cidadela dos mortos e as notícias eram dadas apenas por intermédio destes senhores da informação.      

De um lado Italo, do outro a era da informação rápida e a USP.


São Paulsápia, a metrópole latino americana, quarta cidade do mundo e ápice da civilização brasileira é dividida em duas partes distintas.

A primeira na superfície, onde os viventes tentam irremediavelmente manter seu meio de vida sem preocupações e longe das aflições do mundo. Mesmo porque a cultura da novidade cultural, econômica e social acontecer aqui primeiro, ainda é o vergalhão máximo de centenas de movimentos nazi nacionalistas da cidade.
A Eusampa já tentou inúmeras vezes montar palanques baseados na aversão aos migrantes nordestinos e outros que formam mais da metade dos viventes. Muito se falou e pouco se conseguiu, então construiu-se uma outra cidade no subsolo da sociedade vivente. A localidade onde os cadáveres sociais vivem, um lugar onde tudo o que é considerado morto para essa parte da população paulistana pode morar. Sejam migrantes, gays, maconheiros, craqueiros ou estudantes.

As informações entre esses dois mundos são apenas transportadas pelos homens de capuzes redatórios.


Um aglomerado midiático que divulga as coisas sem a profundidade necessária para que os viventes possam decidir se querem passar para a cidade dos mortos ou como querem passar para o outro lado. Os homens e seus capuzes recobertos de impunidade da soberba, mostram aquilo que querem. Dos mortos sabe-se apenas o que é liberado e mais nada.
Não se conhece as falcatruas dos reitores, o descaso do governo quanto ao mundo dos mortos e como Kassab, Alckmin e seus comparsas que ejaculam milicos das antigas na Polícia usam uma Universidade como latrina operacional e deixam os mendigos e doentes de crack na Rua Helvétia morrerem sem amparo.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

GD 116. O TROVADORISMO BREJEIRO


 O interior de São Paulo reflete quilômetros em diferenças entre o cotidiano dos pés em vermelho terra e a poluição octaedra da capital. Por mais que tenha-se uma pretensa calmaria dentro da brejeirice dessas antigas cidades colonizadas na era do café, a lava que escorre pelas veias dos habitantes canavieiros é algo que nasce independente da formação e do lugar. Inquietude é uma característica tão ímpar dessa helicoidal cadeia que fica quase impossível retirá-la. Mas isso pode ser uma faca de dois  potentes cortes hattorianos.

Se por um lado o marasmo do interior cria a vontade em transcendência criativa, também assola a evolução das pessoas com a mesma força. O colunismo social das famílias e seus nomes expostos nas paredes de Igrejas Matrizes, a loucura em disputas de heranças por filhos dos casamentos co-sanguíneos e a quantidade das drogas dopando o viver, são tão enraizados quanto a cadência de criação. Por isso, pessoas que rasgam essa característica homicida da natureza humana nessas cidades, possuem muito mais força.