quinta-feira, 15 de maio de 2014

Vozes, sempre vozes...

Eram elas vozes,
sempre vozes.

Clamando pela atenção de seus conselhos,
os derrotados conselhos através da vida,
os acordes mortos de uma centelha,
os aplausos surdos do inóspito destino,
os fins imaculados dentro de um útero árido.

Eram vozes,
sempre vozes.

Atordoadas e moribundas pelas refeições,
as cópulas com o resto de alma estuprada,
as folhas rasgadas de um jornal libertário,
as manhãs de sábado regadas em tentativas malsucedidas de suicídio,
as aulas alemãs,
as úlceras purulentas no rosto que aguardava,
as pás rebatidas pelas costas sangrando.

Eram vozes,
sempre vozes,
algozes,
descabidas,
fedorentas,
sempre vozes que arremedavam,
o espaçamento sempre veio sem direito,
o espasmo sempre permaneceu por decreto,
o desespero sempre atravessou os trilhos,
o marasmo travestido sempre de esperança,
o câncer espreitando casos fadados aos fracasso.

Vozes,
sempre as mesmas vozes,
como se pudessem torturar as mesmas emoções sempre,
imposições de um mundo enclausurado na ignorância,
impostores de amores na forma genealógica,
a maldita árvore,
feita de credulidade e de destino,
moldada em feitos heroicos de terceiros,
adubada pela merda da sua existência,
malditas sejam suas folhas,
teu vômito catedrático,
teu destino,
infinito,
um rosário amarelado dentro de uma gaveta bíblica,
as madeiras do assoalho sempre soltas,
como as demais mãos de tinta dentro do coração,
o enfurecer,
a necessidade da violência do romper,
que jamais nasceu nessas vozes,
sempre vozes.

A silhueta entrou trôpega,
cambaleante,
tropeçando em mãos trêmulas,
um trilho em suas mãos,
boceja,
espera sem sorrisos,
respira apenas ódio por estar lá,
o tapa venta sem sorte,
ressoa por entre os cantos,
da cabeça,
o álcool dissolve os cabelos,
pilhas sem cargas e sorrisos amarelos de nicotina,
a ausência,
vizinhos mambembes e suas aristocráticas loucuras,
o clube do rabo sujo,
a merda exalando flores,
o desmaio depois do segundo tapa,
que ressoa não mais no vento,
mas sim descansa no rosto,
o desmaio enfim o descaso,
o nada como acalento cotidiano,
sempre vozes,
sempre vozes,
sempre vozes,
sempre vocês...

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