terça-feira, 29 de julho de 2014

Entrevista Rodrigo Caçapa - originalmente publicada na Revista Nego Dito



O que fazer quando um cachorro resolve manifestar-se no meio de uma conversa , em farínge do apresentar-se. São simples coisas cercando o nascimento e as passadas que a vida dissemina, caminhos tão próximos, paralelos entre lugares tão distantes. Nascimento e evolução embebidos em catarses ao vivo e por dentro da mais incandescida sinapse. Não apenas uma explosão do novo vista de perto. Uma história que começa como uma outra, em outro lugar tão familiar para qualquer um quanto para qualquer pessoa. Então crianças pernambucanas em uma festa de aniversário e um cachorro dentro da casa paulistana não são apenas detalhes, mostram que antes do artista ir onde está o povo, ele é uma parte de sua alma.

Uma pessoa que não mitifica, mas expõe o que sente, pensa e aprendeu. Algo que foi absorvido de maneira mais visceral ainda. Ouvido por entre vinis, como se estudasse a história da música brasileira. O olhar dos pais percebendo a artéria, sonhos em violões de Rodrigo Caçapa.

Mas as cordas não foram suas primeiras claves. O teclado como professor, os discos traficantes de notas em casa. Primeiro da família, pressionado, entrou em arquitetura. Os dois anos da escola exata, foram marcados pelas apresentações na rua de Chico Science e Nação Zumbi, Mundo Livre, Mestre Ambrósio. Além das visitas a Zona da Mata, tocando com músicos locais, passando noites entendendo como a passagem do mundo deveria ser.

Esses foram os primeiros anos do músico que construiu o melhor disco que você não ouviu no finado 2011.

Rodrigo Caçapa e seu Elefante Na Rua Nova tem ângulos tão intrínsecos, que perder-se nas primeiras audições é algo natural e que por tempos andava esquecido. Mesmo complexa, é experiência completa sensorial de gênese ímpar. Um disco de quem nasceu no bálsamo do acetato.
As primeiras notas, explodindo em estereofônicos acordes, duradouros na malemolência transpassam duplos martelos, bigornas e estribos auditivos. Como andar organicamente pelo futuro sem conotar cabeças de rádio. Uma agulha pulsando por entre sulcos e mais nada. O disco que tem essa genética colabada à história, evolui como a própria vida.

Impossível definir esse tipo de alquimia e não perceber melhor o seu equilíbrio através das distorções que passeiam por sua cabeça. A música que toca dentro dela, é mais do que beatleniana ou de Valença Sangria. Ora pois, esse álbum é apenas uma das faces do artista.
Talvez a mais ventricular para Caçapa, um lugar onde ele gostaria de poder passar mais tempo. Escrevendo, estudando e caminhando na mesma linha evolutiva. Mas sobreviver também é algo passado na genética do brasileiro.

Em uma hora e meia, Rodrigo contou o que sentiu, o definiu e soube pelos caminhos que escolheu. Pouco para quem gosta tanto de conversar, assim como à Revista Nego Dito, que concebeu uma entrevista com encore break. Uma radiofônica experiência binariamente analógica. Nessa primeira onda sonora de voz, conta como tudo começou. Os primeiros estudos aos quatorze anos e shows ao vivo dentro da artéria.

 


Isso tudo foi capitaneado pela catarse ao assistir os primeiros passo do Manguebeat. Distante em suas composições, uma daquelas cenas que gravam na memória. A pegada de Mestre Ambrósio e suas tradições levaram a mente de Rodrigo para o nocaute. Nação e Chico Science, Mundo Livre na rua. Como Caçapa traduziu, uma porrada no esquecimento. Algo que transcendeu o simples assistir, como toda semente de gênese. Uma pessoa que viveu a história por dentro.

 

O que fez com que Rodrigo ventricularmente fosse atraído, e até hoje atrai novas levas de compositores formando uma nova guerrilha na música popular. Músicos com velocidade de nascimento tão poderosa que muitas vezes acompanhar todas as mudanças requer algo que o tempo trata de deixar mais raro. Caçapa não gosta das palavras usadas para adjetivar um fato ou montar uma cena, mas conhece o que acontece ao seu redor e essa revisão toda da história que ocorre nos dias de hoje.

 

Entretanto é necessário entender como nasceram os elementos alquímicos do som. A escolha pelo instrumental e o contexto dessa origem dentro da musicalidade.

Depois de tamanhas influências, por quais lâminas histológicas passam as ações dessas claves que tem iguais partes coronarianas e de alma. O sangue corre terminantemente pelos caminhos seminais, mas sem causar a impressão de garimpo. A música instrumental nordestina sempre manteve o íntimo contato com os pés no chão. Fole de oito baixos, orquestras de frevo, pífanos por todas as camadas populares. Sempre dialogando diretamente.

Entretanto não existe choro nas novas gerações que trazem em suas vidas o instrumental, afinal de contas a evolução continua. Mesmo que existam variadas praias dentro do gênero. O gosto pela não estagnação e como foi a definição pelo instrumental na composição de seu disco.

A escolha da viola quase perdida e uma pergunta a mais. A insistência na ideia contra o apelo popular, deixou marcas memoráveis para Caçapa. A escolha não convencional tornou tudo o que poderia parecer catastrófico mais receptivo e aberto aos ouvidos de maneira ímpar. Uma forma digna em viver de música.

Canções iniciadas quando unem-se os primórdios com a distorção caleidoscópica, a correr por formas orgânicas. Sem deixar rastros desnecessários Caçapa se interessa pela forma mais simples, onde encontra-se a alma da música. Não são dois gêneros distintos que se unem, são na verdade métricas diferentes em um só corpo.
Uma estrutura que possui dois lados ligeiramente desiguais, mas que se completam. Mas ao fundo de toda essa mistura, existe a primordial marca da música do nordeste. Dialogando com os gêneros universais, mas infelizmente sem a mesma vazão, a sonoridade dessa música regional tem como característica a possibilidade do amalgama orgânico com o rock, distorção e amplificador. O que não significa que seja necessário dissolver a origem para alcançar o novo. Uma chamada heresia para os puristas que não concordam com essa conexão tão próxima. Mas como não ser favorável ao novo se o caminho é tão bem traçado.

Um caminho que já é traçado por outros países como o Congo, onde existem músicos ligados à tradição íntima local, que sem a menor cerimônia misturam aos primórdios amplificadores e eletronicidade, construindo todos os aparatos necessários para que o caminho continue.
Como a Guitarrada no Pará, fugindo dessa raia classe média, por onde uma grande parte da música regional anda. Uma fuga da suposta pureza que esconde-se em entrecantos separatistas. Montar pedestais sem limite de teto, isolando a música e partindo para um discurso que foge completamente da natureza . Idealizações que não partem dos músicos, mas da intelectualidade que parece querer buscar o passado de maneira unilateral.

 

Uma das coisas que desmontam essa suposta pureza mantida como modus operandi, foi o disco produzido por Caçapa do Mestre de Coco, Bioroque. Alessandra Leão, a comparsa e a participação de Missionário José.
Bioroque e seus batuques randomizados com essa alquimia de viola, guitarras e sons da floresta. Durante as gravações, as várias camadas de riffs do músico Juliano Allander embebidas no mais puro coco de roda.

Uma apreensão, pelo jeito quieto e tranqüilo do mestre, dissipada ao ouvirem da frase:

Olhe, quem quiser botar falta que bote, mas tá muito bom viu!”.

Tudo isso deu a clareza as idéias de Rodrigo, fez com que ele acreditasse muito mais nessa mistura e assim concatenou todos esses elementos de uma maneira ímpar, distanciando-se da fusão inicial em colagem e transformou tudo no caminho que foi sonhado pelos desbravadores tropicalistas.

Mas para onde vai esse disco de Rodrigo?

 

Caçapa desgosta do fato que seu disco não consegue incluir-se em uma específica categoria. Mesmo com a individualidade preservada e uma marca quase genética dentro do som, desagrada saber que existe essa dificuldade dentro do aspecto mercadológico. O caminho dentro do mercado não é o mesmo para cada artista, mas a organização é uma responsabilidade dos engenheiros das notas, isso somado a certeza que outros cenários musicais já tem um caminho aberto com a força das canções.
Porém, o mercado recebe melhor as canções que tem uma demanda já preparada. Caçapa cria algo que não tem um nicho pronto mercadologicamente, por isso mesmo, sente-se surpreso com a receptividade de seu álbum, e revela que não faz as canções para um determinado mercado, sim para quem quiser ouvir e tiver saco para isso, como mesmo disse. Tem a consciência de que existem nichos dentro do mercado e que são definidos. Apenas não enxerga um espaço dentro deles para a sua música.


 

Como não conversar sobre mercado sem ao menos tocar no mais comentado assunto dentro dos debates, palestras, discussões e bolodórios, a construção da cena nacionalista.

Para Rodrigo não existe outra saída que não seja a união. Jogar um nicho musical contra o outro, é uma atitude que corre o risco de virar imposição cultural. Não existe obrigação em fazer as pessoas ouvirem música por decreto ou com imposições midiáticas sobre o que é mais relevante. Diversidade é a palavra menos usada e mais importante do debate.
Não existe a construção de uma cena, mas sim de muitas.
Deixar que se criem milhares de enquadramentos, sem nenhum mais importante que o outro é o cenário que deve ser construído. Fazer com que não existam reclamações sobre como os gêneros brasileiros são usados, por músicos nacionais ou internacionais.

Pois se aqui se faz rock, lá eles fazem forró.

Cena para marcar um sentido estético, não tem propósito, entretanto o aspecto mercadológico tem milhares de variantes dentro da conversa. Um dos problemas citados por Caçapa é a disputa criada dentro do mercado, além de todo circo montado em cima das necessidades nefastas do próprio mercado.
Isso cria um desvirtuamento do contexto.

Um grande jornal falando sobre sua música, não denota mais pessoas atingidas, mostra que a imprensa começa abrir seus olhos para o fato de que existem pessoas consumindo outras formas de claves. Os pequenos mercados colocam na linha de frente nomes com pouca iluminação pelos grandes holofotes. O trabalho de Caçapa (que já dura quinze anos), tem uma veia auto suficiente. Mostra que não existe a necessidade em compor para tornar-se apenas mais um famoso. Dentro desse béquer a nota mais forte é a o viver dignamente de sua música.
Essa cena ainda precisa ser criada.
A visão sempre foi a do lucro e está ainda longe da mudança.

 

Por esse estreitamento dentro dos cerebelares condutores do tráfico e ajuda cultural, muitas vezes a forma equivocada percorre as veias abertas do debate.

A polêmica que encerrou 2011 não foi assunto repleto de tabu nas palavras de Rodrigo.
Lúdico e sólido, não se esquiva da pergunta.
Mostra que existem diferenças na maneira em ver a cena, mas que elas não foram levadas em consideração pelo discurso impregnado de rebeldia de cozinha morna do Coletivo Fora do Eixo. A mistura entre mercado e cenário musical não funcionou para alavancar soluções mais imediatas dentro dessa tavolagem.

Pernambuco é um lugar onde o incentivo é feito nos mesmos moldes paulistas e cariocas, por isso tem uma cena diferente, porém o debate para que locais onde não existe essa cena independente forte com ajuda tem que acontecer. Os arrabaldes pernambucanos passaram pelas intempéries do mercado, muito antes do resto do país passar. A gigantesca produção de material vai contra a maré do não incentivo e falta de eventos.
A reverberação de novos artistas foi a tônica antes do trem progressista em claves avançar até o ponto atual. Hoje o resto do Brasil engatinha, enquanto as demandas de lá são outras.

E por onde anda o futuro da cena seminal da terra de Rodrigo?

Colocando um ponto decisivo na ideia de que não é possível mais esperar seu nome nos editais governamentais. Quando não se foge do debate, como Caçapa fez em conversas com Pablo Capilé, tudo torna-se muito mais claro.
Contudo, as intenções do Fora do Eixo sempre parecem maiores do que seus atos concretos.
Desaforados xingamentos rancorosos e uma não definição sobre qual sua real função, mostram muito mais do que é feito essa associação. Entretanto a conversa tem que existir, pois de outra maneira a evolução pode estagnar.

Vanguarda não é aquela proposta por mirabolantes fórmulas, mas sim por todas as faces que fazem parte da cena. Isso passa obrigatoriamente por todos que trabalham com música. Artistas, jornalistas e publicações tem como primordial genética isso. Devem ter seu trabalho reconhecido sempre e continuar colocando a informação na cabeça do povo, o governo e onde está a iniciativa privada, sempre separando a estética do mercado.
Tem que se discutir mesmo, porque o Brasil tem um mercado muito dependente”.


 


Então se cada um de nós, mercadores de notas, tem essa nuance a ser mais intrinsecamente trabalhada, como então olhar para a célula em lava dentro de um mar tão assustadoramente gigantesco de informações nesses tempos binários?

A resposta disso não passa por equações simples. Mas deve-se olhar para os dois lados sem distinção. O macro e micro são partes iguais dentro não só da indústria da música, mas também na vida do mundo. Por isso, repensar políticas para grandes e pequenos centros é primordial. Achar saídas para todos, mas sem perder o foco dentro de sua própria individualidade.
Não são paradoxos, muito menos antagonistas, são partes integrantes desse mesmo barco onde estamos todos. Concretar caminhos através das relações coletivas, alcançando um teor de alquimia tamanha, que as influências transitem através da genética de seu som.
Política e estética musical tem que seguir por esse mar de fusão.

Quanto ao som de Caçapa, ele gosta da experiência na troca informativa com seus comparsas. Mas não esquece que existe hoje a possibilidade do alcançar novos mundos. Encontrar outras fórmulas não pode ser descartado na estética sonora.
Imitando ou não, já que isso é uma escolha do artista.

Importante é fazer com que exista a troca mais íntima e a mais abrangente. Heterogênicos andam com mãos dadas por essa viola alquímica. Por isso mesmo é necessária a volta da conversa para as notas musicais. Saber quais são essas influências que vem além mar.
Quem são os ingleses dos anos oitenta citados logo no início de nossa entrevista?

Para a surpresa de muitos, o que veio foi comprovação mais do que exata dessa verdade sobre o que influencia o músico.
Contudo, não pense que Radiohead é mais forte que Congotronics nesse caldeirão.
O nome Johnny Marr soa familiar?

 


E já que navegamos pelas influências, o que Rodrigo pensa sobre a mistura realizada por músicos de outras pradarias continentais?
Estarão eles ainda na fase de aprendizado?
Exemplificando o assunto com um sanfoneiro nova iorquino que mistura forró com country, o saudável equilíbrio entre os mundos.

 


O equilíbrio que descrevem as canções do disco O Elefante da Rua Nova também pertencem ao evolucionista mundo da alquimia. Mas como não pensar nesses tons sem ao menos deixar-se levar pela métrica dentro dos ritmos seminais do Cocô e o Galope à Beira Mar.
Como colocar essas frases que são originalmente poetizadas dentro do vasto mar da música instrumental?

O funcionamento dessa transição na cabeça de Caçapa, percorre idéias com as quais o músico quer não apenas diferenciar seu trabalho, mas fazer dele algo original, jamais colocando a fusão tão calejada como tônica. Os temas do disco são compostos em cima das métricas dessas cantorias e ele explica como pensa em tudo.

Mas reside ainda a curiosidade em saber se por acaso, com tamanha poesia musicada, Rodrigo pensa em algum dia poetizar instrumentalmente letras compostas por ele.

A resposta mata essas duas curiosidades de uma vez. Por enquanto esse sabor está ainda longe de acontecer, porque o caminho traçado pelo Elefante da Rua Nova foi um lugar onde o compositor gostou de morar. Explorar essa possibilidade é a veia por onde quer caminhar por mais algum tempo, brincando com essa métrica e com essas notas.

 


Mas então, o que Caçapa pensa de seu disco e como ele o colocará dentro de sua própria linha evolutiva?

 


O futuro disso tudo é sim a última fronteira dentro do coração e mente de Rodrigo e de todos os seus comparsas ventriculares musicais. Não apenas deles, mas sim de todos os que buscam seu lugar ao sol.

O que reserva esse novo tempo e o que podem fazer todos os que trabalham com arte?

Não existe mais a possibilidade em ser um artista porra louca, que não sabe por onde andam suas composições e seus direitos. Conhecer o funcionamento mercadológico sem correr o risco de ser roubado por uma terceira parte. Lucros, gastos e informações sempre postadas no papel, para que o artista não caia nessa funesta arte do pedestal. Não se vive mais sem o conhecimento de todos os aspectos de seu trabalho.

Esses nossos novos tempos marcam a busca pela seminal informação também de quem podem ser seus parceiros, sejam eles governamentais ou privados. Também passa pelo conhecimento de como montar uma empresa ou uma associação, sem ser apenas um mercador. Para Caçapa isso alimenta a arte de qualquer pessoa, através da colocação dos pés no chão batido pelo suor.

Diminui as limitações do corpo e da alma. Mas esse lado todo pode afastar o artista do seu sonho em passar a vida apenas compondo. Os aspectos mercadológicos por muitas vezes despistam o caminhar nas claves. Porém, é preciso trabalhar para poder fazer seguir sua arte. O sonho em trancar-se em um estúdio e deixar a alma correr pelas composições é uma vontade muito grande dentro do coração de Rodrigo.

Viver assim é o Bóson de Higgis que almeja, porém, não possui a ilusão leve de que um dia possa decifrar o código que lhe permita tal regalia. O sonho é livre, mas é preciso entender que a batalha será constante. Recoberta em malemolência, mas causticante.


 


E o fim então nascia reluzente dentro do horizonte esfumaçante na sala onde a entrevista transcorria.

Há quase duas horas, as palavras transformadas em arquivos binários e futuramente em linhas azuladas dentro de um editor, pulsavam cada vez mais vivas dentro do encéfalo, mas faltavam ainda algumas palavras.

Existia a necessidade em saber se o conhecer toda essa árvore octaedracubana de influências que hoje estão disponibilizadas dentro da rede são bem absorvidas por todos os que gostam ou procuram saber sobre música.

O músico pensa que ainda falta o procurar mais, o buscar muito mais coisas do que temos disponíveis. Caindo na discussão sobre o quanto Tom Zé foi importante dentro de sua formação musical e como ainda essa procura fica restrita à certos tipos de canções. O contraponto de Tom é orgânico na medida certa para Caçapa, mas existem figuras dentro desse mundo ainda pouco discutidos. Por isso Rodrigo acha que é de vital importância o papel jornalístico e educacional dos traficantes de informações binários.

Blogs tem essa função primordial.
Se os grandes meios não fazem, é preciso fazer.

O difundir trabalhos mais recentes, por exemplo de Kiko Dinucci, passa necessariamente por esse conhecer as claves seminais que influenciam um novo nome do cenário. Caçapa reflete que essa captação de referências, revela uma faceta que difere dois mundos distintos dentro do mesmo país.

Uma pequena sinapse de esquecimento do nascer músicas populares.

Esse não lembrar percorre vários motivos, desde o status que outras músicas tiveram culturalmente até a redoma de vidro onde foi colocado o regionalismo nordestino. Uma proteção desnecessária ao difundir trovas e notas. Algo que categorizava os gêneros e fazia com que as canções fossem não ouvidas. Cantores como Siba que permanece íntimo as raízes, ainda tem menos difusão que nomes como Nação Zumbi.
Não deixar que o regionalismo seja algo apenas colocado em propagandas para turistas é primordial para que essa evolução seja irrestrita. Mesmo que existam espirros subliminares. Saber o seu lugar, desenhando como manter os pés no chão, possui a arte do saber.


 


Entre cassetes do Sonic Youth e as trovoadas de canções seminais da terra, faltava ainda um vértice pelo caminho. Longa estrada que tem semelhanças tão grandes quanto diferenças tectônicas. Relatos não darão conta de todas as canções existentes dentro do continente centro-sul americano.

Essa relação que talvez a maioria de nossos compadres de terras geológicas tem com a música, ainda engatinha por nossas terras. Mas a disseminação da arte é rápida e rasteira, mesmo que ainda exista uma multidão que não sonhe com ela.

O alquimista do cocô sabe que as ferramentas são aprendizado e cava por entre essa rocha bruta de informação por todas as possíveis sequências. Não se pode deixar de lado todas as nossas similaridades como uma só tribo de ancestrais dentro do mesmo continente.

Por isso mesmo é necessário que se espalhe a informação.

Profana festa falada como a dos infantes ao fundo.
Um clube quase tão social e de boa vista.

A influência cultural de toda a América Latina sempre foi primordial e muitas vezes negligenciada. As rotas que Caçapa percorre por todos esses lugares e por quais trilhas ele ainda quer passar.

Existem discos, existem mixtapes e muito mais pesquisa para se fazer.

Os desejos relacionados ao trabalho, e, se existem mais caminhos?

O músico falou sobre como vê seu suas composições relacionadas com toda a continentalidade. Existem duas rotas que crescem em paralelo quando a assunto é música latina. O redescobrir agora acontece e entra em cena a mistura, ao mesmo tempo que por muitas vezes a fusão dessas notas passa desapercebida demais. Alegria que se espalha quando ele conhece cantoras como Marina de La Riva, que transporta esse saber para dentro de seu show.

Importante que essa nova geração volte ao fundo desse béquer.
Um bom sinal, mesmo sabendo que a música regional do nordeste não tem o mesmo status.

O status que deveria ter desde o começo.

 

Ouça o Elefante na Rua Nova

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