sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Poemanda

por onde a lembrança esmaga os espaços
fissura a massa cerebral de maneira ímpar
espaçamento perfeito para que
os segundos nunca mais sejam esquecidos
que toda escassez de alma causada pelo passado
apague-se,
o pensamento morre ódio, antigo
renasce em outra matéria, forma,
estrutura molecular,
os espaços onde anda a indiferença - desatam
desabam entre desfiladeiros da memória
escorrem pela imagem do teu rosto
perpétuo no fundo do olho d’alma minha - [
a calma que nasce por tuas coxas
tuas mãos apertando minha cabeça
ao centro de tua virilha,
teus lábios nos meus, em] minha língua saliva
nasceu aos cinco linda como foto preta & branca
nasceu a não saber que dia desses seria minha paz
nasceu a não saber que teu intuito era ter minha alma
o passado supernova renasce estrela em fusão nuclear
iluminando o agora vida
desaviso de como seriam os tempos de hoje
dentro de teu nascimento,
fez-se então o esperar pela passagem
com a exatidão do nascer solar em setembro
asfalto na tarde semi úmida e cinza
parece menos concreto por teus olhos
assim se consegue respirar
quando teu cheiro invade meus sensos
todo o resto é apenas poluente
luzes de neon partidas ao meio
madrugadas silêncio solitude
chão frio do aluguel no décimo primeiro andar
nascido sol refletindo pedaços do cartão sujo
tudo o que apagou a violência de outrora
...em ti...
sempre esteve
a esperar minha vida.

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