quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Um velho escroto

Ele era um velho escroto, e como,
todo velho escroto,
escondia-se atrás de covardes cabelos brancos,
cabelos brancos de um velho escroto,
usava-os como pilares de sustentação,
às ideias quase sociais democratas, que aos poucos revelavam,
as reais intenções liberais,
assim como o neoliberalismo escroto,
de um velho escroto,
usando hipérboles, metáforas, paradoxos pretensos de intelecto duvidoso,
usando uma ironia escrota,
tudo isso,
sempre em cima da sua argumentativa cobertura com quinhentos metros quadrados,
a cobertura que lhe garantia valia de seus ideais escrotos,
os ideais de um velho escroto,
as comparações entre a favela e lixo,
vindas de uma boca escrota, amarelada por fungos escrotos,
dentro de uma alma racista e aristocrata,
a alma de um velho escroto,
que como todo velho escroto,
possui uma área física maior do que o local onde senta,
porém infinitamente menor que sua prepotência.
Todos somos em algum momento da vida velhos escrotos,
em nosso trabalho,
no amor,
em nossa família,
na amizade,
em nossas relações ímpares,
nas pares,
em nossas vidas,
na morte,
em nosso dia dia,
no mês,
em nossas moradias,
na alheia,
em nossas andanças,
no estático,
velhos escrotos somos todos algum dia,
exatamente por isso,
deve-se construir uma lei,
que dê a liberdade do suicídio,
antes de nos tornarmos velhos escrotos permanentes,
os mesmos velhos escrotos,
mal intencionados com suas ideias retrógradas,
com imposições de falsidade,
com acusações aleatórias,
com suas faces pretensamente finas,
com seus ânus defecadores de regras,
com seu cartesianismo barato de mérito esnobe,
com seu escarro no canto da boca,
com sua vermelhidão nervosa,
vermelhidão de um velho escroto.
Esse velho escroto deve ser confrontado,
expor suas peles murchas ao anarquismo,
ao bate estaca da transgressão,
ao tom maior do urro,
ao destruir dessa patifaria,
recoberta em declarações perigosamente feudais,
deve-se derreter seus escrotos velhos,
os escrotos de velhos escrotos de sempre.

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