sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A raiva cuspida aos sábados

No relógio dois minutos e meio… Décimo round
ao longo do canal nasal à direita
escorre um filete de sangue
move[se] aos arrabaldes da boca
em seu canto mais inchado
Arroxeada pele tinta
pelos densos afogados no suor mortuário a feder mofo

Sangue este descendente
penetra boca adentro - meio à sedenta língua
papilas laterais abrem suas vaginas
a deixar escorrer úmida mucina
que beija sofregamente este sangue descendente

Assim invade, rompe clitóris do frênulo
cérebro de imediato libera um gosto amargo de cadáver lívido

Saliva expelida em vão
um pífio rebuceteio eferente
resposta flácida ao que virá depois… O segundo direto certeiro
morteiro no meio dos dentes
que rangem epilépticos… Se contorcem. Amolecidos ainda lutam
rígidos permanecem tensos
enquanto outro soco desferido na altura do fígado quebra duas costelas

De imediato o osso trôpego fino & rompido perfura o pulmão esquerdo
trovão tempestade
raios atingem a nuca
plasma seco alaga os bronquíolos retém o ar numa cela de hemoglobina podre

O tecido afoga-se
em mesmo tempo que o ar desaparece
claustrofobia na tentativa de
puxar a respiração inexistente
foice cadavérica reflexo no globo ocular

De repente tremores encefálicos
transportam um filete sanguíneo
pelo canal nasal
escorre então até a boca em hematomas vivos

Assim completa-se o ciclo mais uma vez
Outra vez a vida
encarrega-se fazer de ti um corpo nas cordas
surrado intermitente virado ao avesso do reverso
apanhando como de costume sangrando pelos poros

Vida pugilista assassina maldita
a piada de mau gosto divino
aglomerado genético de frustração
te deitará na lona pisando em sua cara
apertará os pinos na sua bota em teus olhos
interromperá o respirar enquanto o nocaute inevitável aproxima-se
morte cercará tu’alma sempre na memória

A sombra cinza encoberta pelas nuvens… Nove horas da manhã
apenas um reflexo fraco dentro da parede de antecipações
fizeram a lógica subverter-se ao imediatismo faríngeo do teclado

O veneno humano
mortal à alma livre.

Só caminho sem bandidos & mocinhos
apenas o calçamento e algumas notas de “Your time is up… Are you sweet,
are you fresh, are you strung up by the wrists?…”

Cérebro de autoajuda estilhaça restos das sinapses
enquanto lá fora o vento varre tons de cinza nas paredes
buraco cavado nas profundezas d’alma alumínio
dos dentes a ranger
ondulações do vinil no prato
ondulações da preensão mandibular como marretas

Quem vigia o Estado vigilante?

As denúncias de falcatruas vindas dos bandidos
espetáculo televisionado com antecedência
a queima do DNA na retinas.

Navegando às cegas… Conduzidos por mestres da intelectualidade
que não admitem erros… Máquinas de perfeição arrogante
aos berros assertivos de convencimento

A vitória do senso comum
assassinato do tempo enquanto o corpo chega ao fim
minha ignorância não me deixa ver
nada além da revolução.

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