terça-feira, 30 de junho de 2015

Rebordos de uma Lua Azul em sexta feira

Ao abrir o poro lateral
pequena salinizada excreção corpórea
escorre pela órbita esquerda.
Desce através da epiderme facial
[a descrever enorme elíptica carreira
tão cocainômana quanto o pó restante
acima do fotograma velho
a mostrar uma estrada andaluziana]
velocidade em seus pseudópodes falsos
era desconcertante.
Uma pequena gota
mais nada,
face ruborizada,
suor alojado no cabelo & cefaleia pré-derrame
jamais inexistente
enquanto respirasse naquela noite.
A lágrima então transcreve uma curva para o lado direito do pescoço,
abarrota de sal uma das passagens carótidas
desce desavergonhadamente o terço inicial do esterno.
Enquanto isso,
agulha alojada na metade do antebraço
abre um sulco de horror,
possivelmente gotejará sangue pela mesa
mero detalhe.
A lágrima ainda assim descia,enquanto a fossa nasalentupia amargamente.
Descia em descontrole agora,
sem respeito à anatomia.
O sangue explode da ferida aberta no braço,
goteja pelo bico do seio
assim uma parede está criada
para que a lágrima não passe.
Mas ela é violenta,
determinada e inodora.
Resvala na hemácia perdida
tumescer horizonte epidérmico marrom,
despeja feromônios pela gota vermelha
e enfim consegue penetrar o sangue.
Um pênis latejante cai
pela borda pseudópica salinizada
arrasta consigo clitóris sanguíneo.
O roçar é visceral.
A narina suga o amargo da língua adormecida
mais profundo ainda instala-se o pênis lacrimal.
A hemácia treme,
sorri chumbo
aos poucos parece querer desfalecer.
Clama o fim da penetração,mas a lágrima parece não possuir ouvidos.
Estoca, arranca pequenos pedaços de pele vaginal
seca a hemoglobina. O sangue morre enfim…
a lágrima então permanece inerte
o pulsar peniano diminui
até que como um macho aracnídeo,
perde seu membro
sua vida evapora-se em outra substância…
Foi quando descobriu-se monstro
atolado em vida
pós moderna…

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