sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Ônibus 118-C

Em frente ao Parque da Juventude dividem espaço:

-uma mini cracolândia, uma base da polícia militar,
uma rua de prostituição e um posto de abastecimento de veículos automotores-. 
gasolina, álcool, diesel e gás…
será mesmo gás?

Quando olhos marejam poluição
cinza trovão das nuvens é possível avistar
                                      [o entrecanto do Metrô Armênia idem]
mais a frente, dobrando se à direita, um sobrado
repleto em artrose azulada de tons clarificados
para alugar está

Outra casa n’uma vila fechada
- que não se vê pelos fechados portões de medieval ranço -
também para alugar está,
não é possível atestar a presença de artroses

Assim
a desperdiçar o tempo para acelerar o tempo
o desassossego d’um corpo imerso em pêndulo
o peso do funcionamento do mundo
a ossada montada como apanhador de sonhos

Maldita ossada
reconstruída em cada lágrima
deixada pelo caçador que não consegue matar O rinoceronte
afinal de contas: como se mata um rinoceronte?
como se mata um pai?
como se mata uma ideologia?

- Na pista da esquerda seis cavaleiros de Capa & Cassetete
templários ressoam ferraduras polidas no asfalto pedra
no ar condicionado do coletivo as marcas da chibata não são ouvidas
enquanto cavalos avançam n’uma nova Lei & Ordem

as Hienas que se refastelam com carcaças de cadáveres d’um vídeo adicto
as Hienas que transcrevem seus uivos em murais
as Hienas que fantasiaram se em nova geração de paladinos populares
as Hienas que pediram investigações sobre a divisão da carne apodrecida
as Hienas que atolam suas patas nessa latrina verde amarela azul e branca
as Hienas consolando os detentores do poder
as Hienas não largarão as Notas do Subsolo nem suas vantagens
as Hienas pedem intervenção dos Abutres

Enquanto cães resgatam seres da morte,
nas mais longínquas regiões cerebrais.
Enterrado vivo na neve,
em pontos dados com cabo de aço.
U’ma reação muscular, preferencialmente cardíaca,
sempre será necessária.
Os estilhaços separados pelo chão,
armadilhas contra monstros voadores nas janelas

Assim é a recusa ao não seguir
o anárquico amor da crítica revolucionária
contra os desmandos da moralidade
única restante força antes que a tempestade desabe
transmutando o ônibus 118-C em um aquário

Retomar vidas próprias do Estado e Instituições é Revolução Social precisa
último monolito de utopia que, ao ser demolido como mito, descansará;
Nas sombras deixadas pela Destruição Mutualista
                                                            [ termo tão nefasto dentro do Progressivismo

Alquimia analógica da discordância transmuta se evolutiva
contrária ao misticismo fascista do Progresso
disfarçado como civilização de caminho único

Definir uma estrutura biofísica perfeita em simetria neurológica
através de denominações de gênero, raça & cor
é negar a evolução libertária d’alma humana
o que nos resta apenas contra as Hienas & Seus Donos

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